{"id":3133,"date":"2014-10-05T21:13:01","date_gmt":"2014-10-05T21:13:01","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2014\/10\/05\/a-luta-das-mulheres-curdas\/"},"modified":"2014-10-05T21:13:01","modified_gmt":"2014-10-05T21:13:01","slug":"a-luta-das-mulheres-curdas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2014\/10\/05\/a-luta-das-mulheres-curdas\/","title":{"rendered":"A luta das mulheres Curdas"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"margin:0cm;margin-bottom:.0001pt\">\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"155\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/mulheres-curdas.jpg\" vspace=\"3\" width=\"240\" \/>No in&iacute;cio de 2013, tr&ecirc;s guerrilheiras curdas foram mortas no Centro de Informa&ccedil;&otilde;es do Curdist&atilde;o em Paris, o que levou a uma importante mobiliza&ccedil;&atilde;o denunciando a colabora&ccedil;&atilde;o entre os servi&ccedil;os secretos dos governos turco e franc&ecirc;s, demonstrando novamente a discrimina&ccedil;&atilde;o sofrida pelas mulheres, seja por raz&otilde;es pol&iacute;ticas, por pertencerem a uma organiza&ccedil;&atilde;o, ou at&eacute; mesmo por se manifestarem.<\/span><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Da mesma forma, fica evidente o machismo que impera em organiza&ccedil;&otilde;es como a Al Qaeda ou o Estado Isl&acirc;mico (EI) no Iraque, onde as mulheres s&atilde;o sequestradas e estupradas para satisfazer os caprichos sexuais dos &quot;senhores da guerra&rdquo;.<\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Al&eacute;m disso, regras r&iacute;gidas lhes s&atilde;o impostas, atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o indevida da Sharia (lei isl&acirc;mica), que lhes obrigam a se cobrirem totalmente, da cabe&ccedil;a aos p&eacute;s. E como a mulher &eacute; considerada um ente fraco e decorativo, recorrem a elas para o &uacute;nico prop&oacute;sito de fazer sexo, mesmo durante as batalhas.<\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Como se isso n&atilde;o bastasse, as mulheres estupradas, muitas vezes crian&ccedil;as, s&atilde;o repudiadas por suas fam&iacute;lias. Por isso, muitas nem sequer se atrevem a denunciar a viola&ccedil;&atilde;o, e aquelas que o fazem s&atilde;o condenadas a se tornarem v&iacute;timas desse estigma social, que ainda hoje &eacute; muito forte na sociedade em que vivem.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>As duas<\/b><b> <\/b><b>revolu&ccedil;&otilde;es das<\/b><b> <\/b><b>mulheres curdas<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Essa situa&ccedil;&atilde;o toda no Iraque, juntamente com a ofensiva dos grupos jihadistas na regi&atilde;o do norte da S&iacute;ria, cuja popula&ccedil;&atilde;o &eacute; de maioria curda, criou uma revolu&ccedil;&atilde;o na consci&ecirc;ncia das mulheres, que se manifesta em seu alistamento, tanto na pol&iacute;cia e nas Unidades de Prote&ccedil;&atilde;o Curdas (YPG). Ambas as divis&otilde;es t&ecirc;m se&ccedil;&otilde;es femininas que realizam trabalho ao lado dos homens, mas s&atilde;o livres para lidar com casos envolvendo mulheres.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Desde 2013, &eacute; not&aacute;vel a inclus&atilde;o das mulheres na mil&iacute;cia curda (YPJ). Elas s&atilde;o, em sua maioria, jovens, de n&atilde;o mais de 20 anos, ocupando trincheiras e bunkers, a algumas centenas de metros das posi&ccedil;&otilde;es inimigas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i>&quot;Os emires do ISIS [EI] nos imploraram para retirarmos as mulheres da frente, porque para eles &eacute; uma vergonha morrerem em suas m&atilde;os<\/i>&quot;<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Nivea\/Desktop\/mulheres curdas.doc#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\">[1]<\/a>,diz Abdullrahman, membro da comiss&atilde;o de negocia&ccedil;&atilde;o das mil&iacute;cias curdas com os jihadistas, para a gest&atilde;o de tr&eacute;guas e troca de prisioneiros.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><i>&nbsp;<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">&Eacute; que esses &quot;cavalheiros&quot; t&ecirc;m mais medo de mulheres que de homens, pois de acordo com suas cren&ccedil;as,<i> &quot;ser morto em combate por uma mulher n&atilde;o lhes permite entrar no para&iacute;so<\/i>&quot;, nas palavras da miliciana Zilan.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Desde que, em 2011, come&ccedil;aram os combates na S&iacute;ria, as mulheres curdas est&atilde;o realizando uma luta incans&aacute;vel para o reconhecimento de seu povo e pelos direitos das mulheres em uma sociedade extremamente patriarcal.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Uma das tarefas que levaram a cabo &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de um Centro de Treinamento e Capacita&ccedil;&atilde;o de Mulheres em Qamishli, uma cidade a nordeste de Damasco. No Centro organizam desde oficinas de alfabetiza&ccedil;&atilde;o em l&iacute;ngua curda at&eacute; aulas de inform&aacute;tica e de costura, etc. Um dos cursos mais procurados &eacute; o de &quot;mulheres e direitos&quot;, porque de acordo com o que diz Brahim, um membro ativo do centro: <i>&quot;A emancipa&ccedil;&atilde;o da mulher come&ccedil;a porque esta entende que tem o direito de ser um indiv&iacute;duo, capaz de dirigir sua pr&oacute;pria vida. <\/i><i>&quot;<\/i>.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Nivea\/Desktop\/mulheres curdas.doc#_ftn2\" name=\"_ftnref2\" title=\"\">[2]<\/a><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">As raz&otilde;es pelas quais as mulheres curdas na S&iacute;ria se organizam e participam em ambos os centros, de forma&ccedil;&atilde;o e ajuda &agrave;s mulheres, como combatem nas trincheiras, mostram essa &quot;dupla revolu&ccedil;&atilde;o&quot; que acontece n&atilde;o s&oacute; na frente de combate, mas tamb&eacute;m nas mentes do povo curdo, o qual por d&eacute;cadas, foi oprimido e dividido entre a Turquia, a S&iacute;ria, o Ir&atilde; e o Iraque, e onde as mulheres t&ecirc;m sido sempre as mais discriminadas, maltratadas e subjugadas da sociedade.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Apesar de n&atilde;o terem &quot;experi&ecirc;ncia de montanha&quot; muitas mulheres, tanto na S&iacute;ria como em outros pa&iacute;ses que conformam o Curdist&atilde;o, se alistam para se defenderem dos grupos extremistas, se organizam para ajudar os seus pares na luta contra a discrimina&ccedil;&atilde;o, e se atrevem a enfrentar os &quot;senhores da guerra&quot;, de armas em punho.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Fica, portanto, a esperan&ccedil;a que se desenvolva um movimento de solidariedade entre as organiza&ccedil;&otilde;es curdas em cada pa&iacute;s, em que a premissa da emancipa&ccedil;&atilde;o das mulheres possa ser um primeiro passo no caminho para se derrubar, por um lado, os m&eacute;todos machistas utilizados em nome do Isl&atilde;. E por outro, as fronteiras que o Ocidente e os v&aacute;rios governos regionais impuseram um dia ao Curdist&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br clear=\"all\" \/><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div id=\"ftn1\">\n<div>\n\t\t\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Nivea\/Desktop\/mulheres curdas.doc#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\">[1]<\/a> David Meseguer, <i>&ldquo;As milicianas kurdas enfrentam o Jihadismo&rdquo;<\/i> na Siria.<\/span><\/span><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn2\">\n<div>\n\t\t\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Nivea\/Desktop\/mulheres curdas.doc#_ftnref2\" name=\"_ftn2\" title=\"\">[2]<\/a>Nota de Karlos Zurutza (IPS), publicada no <i>Resumen Latinoamericano<\/i>, Diario de Urgencia, especial Kurdist&aacute;n.<\/span><\/span><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in&iacute;cio de 2013, tr&ecirc;s guerrilheiras curdas foram mortas no Centro de Informa&ccedil;&otilde;es do Curdist&atilde;o em Paris, o que levou a uma importante mobiliza&ccedil;&atilde;o denunciando a colabora&ccedil;&atilde;o entre os servi&ccedil;os secretos dos governos turco e franc&ecirc;s, demonstrando novamente a discrimina&ccedil;&atilde;o sofrida pelas mulheres, seja por raz&otilde;es pol&iacute;ticas, por pertencerem a uma organiza&ccedil;&atilde;o, ou at&eacute; mesmo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":8416,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4698,3493],"tags":[],"class_list":["post-3133","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-iraque","category-mulheres"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/mulheres-curdas.jpg","categories_names":["Iraque","Mulheres"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3133\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8416"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}