{"id":31288,"date":"2020-02-03T12:00:00","date_gmt":"2020-02-03T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31288"},"modified":"2020-02-03T12:00:00","modified_gmt":"2020-02-03T14:00:00","slug":"80-anos-do-pacto-hitler-stalin-e-do-inicio-da-2a-guerra-mundial-toda-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/02\/03\/80-anos-do-pacto-hitler-stalin-e-do-inicio-da-2a-guerra-mundial-toda-a-verdade\/","title":{"rendered":"80 Anos do Pacto Hitler\/Stalin e do in\u00edcio da 2\u00aa Guerra Mundial: Toda a verdade!"},"content":{"rendered":"<p><em>Rec\u00e9m se completaram 80 anos do Pacto Ribbentrop-Molotov<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, mais conhecido como o Pacto Hitler-Stalin. A experi\u00eancia da 2\u00aa Guerra Mundial, com mais de 50 milh\u00f5es de mortos, o Holocausto Judeu, destrui\u00e7\u00e3o da Europa e demais crimes do nazismo, deveria ser mais do que suficiente para hoje se repudiar e condenar qualquer pacto com Hitler. Contudo, o car\u00e1ter do pacto, seus objetivos e resultados, foram e seguem sendo motivo de extensa pol\u00eamica, agora renovada com a sua defesa p\u00fablica por Putin e demais membros de seu governo, que declararam que o Pacto Hitler-Stalin foi n\u00e3o somente correto, como o \u201cponto alto da diplomacia sovi\u00e9tica\u201d e \u201cmotivo de orgulho\u201d para todos os cidad\u00e3os da R\u00fassia. Correntes stalinistas aproveitam para tentar uma vez mais justificar os injustific\u00e1veis crimes do stalinismo, ou pelo menos ocult\u00e1-los sob as gl\u00f3rias da vit\u00f3ria sovi\u00e9tica na guerra.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: POI R\u00fassia<br \/>\nAs declara\u00e7\u00f5es de Putin n\u00e3o s\u00e3o casuais, assim como n\u00e3o \u00e9 casual a sua pol\u00eamica com o governo polon\u00eas sobre o pacto. A vit\u00f3ria na 2\u00aa Guerra Mundial \u00e9 um dos elementos centrais da propaganda do stalinismo e tamb\u00e9m de Putin. N\u00e3o por acaso, a 2\u00aa Guerra Mundial na R\u00fassia \u00e9 chamada de Grande Guerra Patri\u00f3tica. \u201c<em>Temos do que nos orgulhar<\/em>\u201d, \u00e9 o seu slogan. Putin usa o 09 de maio, o Dia da Vit\u00f3ria, como pe\u00e7a de propaganda de sua pol\u00edtica militarista, com grandes paradas na Pra\u00e7a Vermelha, misturando propositadamente as gl\u00f3rias da vit\u00f3ria contra Hitler com as recentes inf\u00e2mias das agress\u00f5es contra a Ucr\u00e2nia, S\u00edria e C\u00e1ucaso, num \u00fanico am\u00e1lgama militarista-patri\u00f3tico.<br \/>\nChama a aten\u00e7\u00e3o que, mesmo entre os que se op\u00f5em a Putin e os que reconhecem os crimes do stalinismo, o papel de Stalin na vit\u00f3ria da URSS na 2\u00aa Guerra Mundial seja quase unanimemente reivindicado. Como se apesar de todos os seus crimes (os stalinistas envergonhados falam em \u201cequ\u00edvocos\u201d), sua figura hist\u00f3rica estivesse justificada por conduzir a guerra e derrotar Hitler. Seria o \u201clado bom\u201d de Stalin&#8230; Pois o cozinheiro dos pratos apimentados, o grande organizador de derrotas e coveiro da revolu\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, n\u00e3o merece tal indulg\u00eancia. No papel cumprido por Stalin na guerra n\u00e3o h\u00e1 nenhum \u201chero\u00edsmo\u201d que supostamente ofusque seus demais crimes.<br \/>\nA 2\u00aa Guerra Mundial foi justamente o momento em que se expressou com maior intensidade e clareza o car\u00e1ter nefasto do stalinismo. A URSS n\u00e3o venceu a guerra gra\u00e7as a Stalin, bem pelo contr\u00e1rio. Foi justamente o pacto por ele assinado que possibilitou a Hitler dar in\u00edcio \u00e0 2\u00aa Guerra Mundial.<br \/>\nNas v\u00e9speras da guerra, em 1938-1939, Fran\u00e7a e Inglaterra entregaram a Hitler a \u00c1ustria e parte da Tchecoslov\u00e1quia, no chamado Acordo de Munique. Um pouco depois, Hitler termina de ocupar o resto da Tchecoslov\u00e1quia, ante a falta de rea\u00e7\u00e3o das chamadas \u201cdemocracias ocidentais\u201d, que tamb\u00e9m silenciam quando Mussolini ocupa a Alb\u00e2nia. As pot\u00eancias \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d de fato se acovardavam ante Hitler, ao mesmo tempo em que se impressionavam com sua capacidade de esmagar o movimento oper\u00e1rio e sindical. Com estes primeiros passos \u201cpac\u00edficos\u201d, Hitler incorpora mais de 10 milh\u00f5es de germ\u00e2nicos ao 3\u00ba Reich e amplia consideravelmente a sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o de armamentos, acelerando a prepara\u00e7\u00e3o para a guerra.<br \/>\nO passo seguinte de Hitler para ocupar o \u201cespa\u00e7o vital alem\u00e3o\u201d era a Pol\u00f4nia. Inglaterra e Fran\u00e7a, assustadas com o avan\u00e7o alem\u00e3o, prop\u00f5em uma alian\u00e7a militar de defesa m\u00fatua com a URSS para enfrentar a Alemanha nazista, que se estenderia ainda aos EUA. Uma frente assim formada poderia ter sido suficientemente forte para frear Hitler ou, pelo menos, para gerar divis\u00e3o entre seu comando militar, o que colocaria em quest\u00e3o o in\u00edcio da 2\u00aa Guerra Mundial. O mundo considerava, portanto, que a incorpora\u00e7\u00e3o da URSS \u00e0 alian\u00e7a com a Fran\u00e7a e a Inglaterra era apenas quest\u00e3o de tempo. Afinal, em contraste com as vacila\u00e7\u00f5es destas \u00faltimas em rela\u00e7\u00e3o a Hitler e a sua aberta trai\u00e7\u00e3o no Acordo de Munique, a URSS aparecia perante os povos de todo o mundo como a maior esperan\u00e7a na luta contra o nazifascismo.<br \/>\n<strong>Stalin \u2013 aliado de Hitler<\/strong><br \/>\nMas a URSS dirigida por Stalin, ao mesmo tempo em que tratava com a Inglaterra e a Fran\u00e7a, negociava em segredo com a Alemanha de Hitler. Quando chegou, a not\u00edcia tomou praticamente todo o planeta de surpresa<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>: Stalin havia assinado com Hitler um \u201cpacto de n\u00e3o-agress\u00e3o\u201d! O pacto vinha acompanhado por um tratado de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre os dois pa\u00edses, com cr\u00e9ditos alem\u00e3es \u00e0 URSS e ampla exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas \u00e0 Alemanha. Gra\u00e7as ao pacto, Hitler viu-se livre de qualquer preocupa\u00e7\u00e3o com a frente sovi\u00e9tica, al\u00e9m de ter garantido o fornecimento de mat\u00e9rias-primas para sua m\u00e1quina militar, ponto fraco da Alemanha e que havia sido o motivo de sua derrota na 1\u00aa Guerra Mundial. Hitler p\u00f4de ent\u00e3o concentrar todas as suas for\u00e7as contra a Pol\u00f4nia, que foi ocupada em 1\u00ba de setembro, poucos dias ap\u00f3s a assinatura do pacto com Stalin.<br \/>\nO pacto era \u201cindivisivelmente integrado\u201d ainda por um protocolo secreto<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> de divis\u00e3o da Pol\u00f4nia entre os dois pa\u00edses e de demarca\u00e7\u00e3o de uma linha de \u201cinteresses das duas na\u00e7\u00f5es\u201d, que ia do Mar B\u00e1ltico ao Mar Negro. Por esta linha, ap\u00f3s alguns ajustes feitos posteriormente, metade da Pol\u00f4nia, Litu\u00e2nia, Let\u00f4nia, Est\u00f4nia, Finl\u00e2ndia, regi\u00f5es da Gal\u00edcia, Bucovina e Bessar\u00e1bia (regi\u00f5es entre a Ucr\u00e2nia, Pol\u00f4nia, Rom\u00eania e Mold\u00e1via), passavam a ser \u2018zonas de interesse\u2019 sovi\u00e9ticas, enquanto Hitler ficava livre para avan\u00e7ar para o ocidente.<br \/>\nAo mesmo tempo que a Alemanha, a URSS estacionou tropas na sua fronteira com a Pol\u00f4nia, obrigando assim o governo polon\u00eas a dividir seus soldados entre as fronteiras com a Alemanha e com a URSS, debilitando sua resist\u00eancia contra a ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3. A despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as era brutal. Em uma semana, as tropas nazistas tomaram Vars\u00f3via. Stalin proibiu os partidos comunistas pelo mundo de organizarem qualquer atividade de solidariedade<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> \u00e0 Pol\u00f4nia contra a agress\u00e3o nazista, argumentando que o governo polon\u00eas era&#8230; fascista (n\u00e3o escutamos Putin dizer o mesmo sobre o governo ucraniano nos \u00faltimos anos?) e culpado(!) pela invas\u00e3o de seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Putin repetiu agora estes dois argumentos canalhas em Jerusal\u00e9m, em seu discurso de abertura da cerim\u00f4nia em alus\u00e3o aos 75 anos da liberta\u00e7\u00e3o do campo de exterm\u00ednio de Auschwitz. Tr\u00eas dias ap\u00f3s da tomada de Vars\u00f3via, Molotov felicitou o governo alem\u00e3o pela r\u00e1pida vit\u00f3ria.<br \/>\nDuas semanas depois, a URSS ocupou a \u201csua\u201d metade da Pol\u00f4nia, que deixou ent\u00e3o de existir como estado independente. Dia 22 de setembro, exatamente um m\u00eas ap\u00f3s a assinatura do Pacto Hitler-Stalin e j\u00e1 consumada a divis\u00e3o da Pol\u00f4nia, nas cidades de Brest-Litovski e Grodno, na fronteira entre as duas \u00e1reas ocupadas, a Wehrmacht e o Ex\u00e9rcito Vermelho comemoraram a vit\u00f3ria com paradas militares conjuntas&#8230;<br \/>\nO governo polon\u00eas, as FFAA polonesas e o pr\u00f3prio povo polon\u00eas, fustigados pelos nazistas, praticamente n\u00e3o ofereceram resist\u00eancia contra as tropas sovi\u00e9ticas. Formalmente, sequer foi declarada guerra entre os dois pa\u00edses. Mesmo assim, foram feitos quase 400.000 prisioneiros \u201cde guerra\u201d poloneses do lado ocupado pela URSS. Destes, quase 22 mil foram sumariamente fuzilados<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, sem sequer serem acusados formalmente de algo. 400 mil poloneses segundo dados oficiais da NKVD<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> sovi\u00e9tica, quase um milh\u00e3o segundo o governo polon\u00eas, foram deportados para a Sib\u00e9ria, Altai e estepes do Cazaquist\u00e3o.<br \/>\nNo acordo de demarca\u00e7\u00e3o de fronteira entre os lados alem\u00e3o e sovi\u00e9tico, assinado pelos comandos militares dos dois pa\u00edses, estava previsto o apoio das tropas nazistas \u00e0s tropas sovi\u00e9ticas para \u201cliquidar os inimigos\u201d. De que inimigos se tratavam? Dos poloneses que resistiam contra a dupla ocupa\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds&#8230;<br \/>\nDesta forma, <u>Hitler tomou a \u00c1ustria e a Tchecoslov\u00e1quia com o passivo consentimento polon\u00eas, franc\u00eas e ingl\u00eas, e tomou a Pol\u00f4nia com a ativa cumplicidade sovi\u00e9tica<\/u>. Com a anexa\u00e7\u00e3o de parte do territ\u00f3rio polon\u00eas, a URSS de Stalin entrou na guerra, at\u00e9 mesmo do ponto de vista formal, como aliada da Alemanha nazista. Inglaterra e Fran\u00e7a declararam ent\u00e3o guerra \u00e0 Alemanha (mas n\u00e3o contra a URSS, na esperan\u00e7a de atra\u00ed-la mais \u00e0 frente para o seu lado). Assim se iniciou a 2\u00aa Guerra Mundial, o mais sangrento conflito da hist\u00f3ria da humanidade. Como escreveu ent\u00e3o Trotski: \u201c<em>As raz\u00f5es gerais da guerra se encontram nas insuper\u00e1veis contradi\u00e7\u00f5es do imperialismo mundial. Por\u00e9m, o impulso concreto \u00e0 abertura das a\u00e7\u00f5es militares foi a assinatura do pacto germano-sovi\u00e9tico<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><\/em>\u201d.<br \/>\nNo dia seguinte \u00e0 assinatura do pacto, o \u201cPravda<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>\u201d, em seu editorial, o chamou de \u201c<em>instrumento de paz<\/em>\u201d, \u201c<em>ato pacifista<\/em>\u201d, \u201c<em>que garantir\u00e1 um al\u00edvio da tens\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o internacional<\/em>\u201d, a servi\u00e7o \u201c<em>do fortalecimento da paz geral<\/em>\u201d. Dizia ainda: \u201c<em>A inimizade entre a Alemanha e a URSS chegou ao fim&#8230; A amizade entre os povos da URSS e da Alemanha, que havia sido empurrada a um beco sem sa\u00edda pelos esfor\u00e7os dos inimigos da Alemanha e da URSS, a partir de agora dever\u00e1 receber as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para seu desenvolvimento e florescimento<\/em>\u201d (Pravda, 24 de agosto de 1939). Em 31 de agosto, um dia antes que as tropas alem\u00e3s ocupassem a Pol\u00f4nia, Molotov discursou na sess\u00e3o extraordin\u00e1ria do Soviet Supremo da URSS convocada para ratificar o pacto: \u201c<em>Este acordo&#8230; nos afasta do perigo de guerra com a Alemanha, restringe o espa\u00e7o para poss\u00edveis conflitos armados na Europa e serve assim \u00e0 causa da paz geral<\/em>\u201d. Caso \u201c<em>n\u00e3o seja poss\u00edvel evitar conflitos armados na Europa<\/em>\u201d, pelo menos sua escala \u201c<em>ser\u00e1 agora limitada<\/em>\u201d.<br \/>\nMesmo um ano mais tarde, quando a Fran\u00e7a j\u00e1 havia sido ocupada pelas tropas nazistas, um editorial do Izvestia<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> dedicado ao primeiro anivers\u00e1rio do pacto, dizia: \u201c<em>a exist\u00eancia deste acordo, assim como dos demais acordos pol\u00edticos e econ\u00f4micos posteriores entre a URSS e a Alemanha, garantiu \u00e0 Alemanha uma tranquila confian\u00e7a no seu flanco oriental. Da mesma forma, lhe garantiu significativo aux\u00edlio na solu\u00e7\u00e3o de suas tarefas econ\u00f4micas. No que diz respeito \u00e0 URSS, a exist\u00eancia de firmes rela\u00e7\u00f5es de amizade com a Alemanha lhe permitiu cumprir suas tarefas estatais nas regi\u00f5es de suas fronteiras ocidentais<\/em> (eufemismo para se referia \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica de parte da Pol\u00f4nia) <em>e possibilitou \u00e0 URSS levar adiante sua linha de pol\u00edtica externa \u2013 a linha de praticar a neutralidade na guerra em curso<\/em>\u201d (Izvestia, 23 de agosto de 1940).<br \/>\nPutin hoje tenta justificar este pacto vergonhoso dizendo que a URSS foi o \u00faltimo pa\u00eds a assinar um acordo de n\u00e3o-agress\u00e3o com a Alemanha nazista. \u00c9 verdade que Fran\u00e7a, Inglaterra e Pol\u00f4nia haviam, em determinado momento, assinado acordos de n\u00e3o-agress\u00e3o militar com a Alemanha. Mas o Pacto Hitler-Stalin foi muito mais do que um pacto de n\u00e3o-agress\u00e3o. De fato, foi um acordo de ajuda m\u00fatua que permitiu \u00e0 Alemanha nazista levar adiante uma guerra de agress\u00e3o n\u00e3o somente contra a Inglaterra e a Fran\u00e7a, mas contra ainda nove outros pa\u00edses da Europa. N\u00e3o havia de fato nenhuma neutralidade da URSS, assim como o pacto n\u00e3o tinha nada de \u201cpacifista\u201d. Foi verdadeiramente uma alian\u00e7a militar, j\u00e1 que estava a servi\u00e7o da ofensiva militar imperialista nazista. <u>A crua verdade, que Putin e os stalinistas tentam de todas as formas esconder, \u00e9 que durante os primeiros 22 meses da 2\u00aa Guerra Mundial, a URSS participou nela como aliada dos nazistas, dividindo com Hitler o continente europeu<\/u>.<br \/>\n<strong>O pacto beneficiou somente Hitler<\/strong><br \/>\nO pacto para Hitler n\u00e3o tinha nada de estrat\u00e9gico, n\u00e3o correspondia a nenhuma \u201csimpatia\u201d pela URSS (por mais que pudesse nutrir simpatias pela figura sinistra de Stalin). Era apenas o b\u00ea-\u00e1-b\u00e1 da t\u00e1tica militar, de concentrar as for\u00e7as em um inimigo de cada vez, ao inv\u00e9s de enfrentar todos ao mesmo tempo. Por isso era \u00f3bvio que o pacto para ele teria uma serventia provis\u00f3ria e que a m\u00e1quina de guerra nazista se voltaria, mais cedo ou mais tarde, fortalecida, contra a URSS. Afinal, desde o Mein Kampf Hitler havia definido como seu objetivo central a destrui\u00e7\u00e3o da URSS e a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo em toda a sua extens\u00e3o, transformando-a numa col\u00f4nia provedora de mat\u00e9rias-primas para o Reich.<br \/>\nSe as raz\u00f5es de Hitler eram claras, mais dif\u00edcil \u00e9 compreender a l\u00f3gica de Stalin. Em sua defesa, Putin argumenta que o pacto garantiu \u00e0 URSS o tempo necess\u00e1rio para se preparar para a guerra, iniciando-a em melhores condi\u00e7\u00f5es, o que lhe permitiu depois inverter o rumo da guerra e vencer, ao final, o nazismo.<br \/>\nOs stalinistas mais fervorosos chegam mesmo a apresentar Stalin como um estrategista \u201cgenial\u201d e sustentam que teria sido gra\u00e7as ao pacto que o nazismo foi derrotado. N\u00e3o inventaram nenhum novo argumento, repetem o que j\u00e1 havia sido dito por Stalin num discurso publicado pelo Pravda em 03 de julho de 1941, poucos dias ap\u00f3s o ataque alem\u00e3o \u00e0 URSS: \u201c<em>N\u00f3s garantimos a paz ao nosso pa\u00eds ao longo de um ano e meio, assim como a possibilidade de preparar nossas for\u00e7as para uma resposta, no caso de que a Alemanha fascista, apesar do pacto, se atrevesse a atacar nosso pa\u00eds. Representa uma justificada vantagem para n\u00f3s e uma desvantagem para a Alemanha fascista<\/em>\u201d. Esta explica\u00e7\u00e3o foi repetida em todos os manuais escolares sovi\u00e9ticos, publica\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter stalinista por todo o mundo, e hoje \u00e9 novamente repetida por Putin: com a negocia\u00e7\u00e3o do pacto, Stalin teria supostamente ganhado tempo para preparar o pa\u00eds para responder a uma agress\u00e3o de Hitler e garantir que, neste caso, as pot\u00eancias ocidentais estariam j\u00e1 envolvidas na guerra contra a Alemanha, e que por isso a URSS n\u00e3o necessitaria enfrentar a pot\u00eancia militar alem\u00e3 sozinha. N\u00e3o passam de mentiras de Stalin e seus seguidores, repetidas por Putin e seus seguidores. Mentiras descaradas, que tornam ainda mais doloridas as informa\u00e7\u00f5es seguintes:<\/p>\n<ul>\n<li>No momento do ataque da Alemanha contra a URRS, em 1941, Hitler j\u00e1 n\u00e3o enfrentava nenhuma outra frente, j\u00e1 que os ex\u00e9rcitos franc\u00eas e polon\u00eas j\u00e1 estavam destru\u00eddos, os corpos expedicion\u00e1rios ingleses j\u00e1 haviam sido evacuados do continente e os EUA n\u00e3o se atreviam a entrar na guerra. E a Alemanha nazista tinha \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o todos os recursos da Europa continental. \u00c9 por esta raz\u00e3o que Stalin, de 1941 a 1943, implorou aos governantes ingleses e americanos pela abertura de uma segunda frente contra a Alemanha. Nestes anos, a URSS teve que combater praticamente sozinha o ex\u00e9rcito alem\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, em 1939-1940 havia a frente ocidental combatendo as for\u00e7as alem\u00e3s.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>No momento do ataque contra a URSS, a Alemanha j\u00e1 havia subjugado dez pa\u00edses europeus e uma popula\u00e7\u00e3o de 130 milh\u00f5es de pessoas, al\u00e9m de conquistar como aliados a It\u00e1lia, a Hungria, a Rom\u00eania, a Bulg\u00e1ria e a Finl\u00e2ndia. Como resultado, a Alemanha havia passado a controlar, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 1939, um territ\u00f3rio quase 6 vezes maior, sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o de armamentos havia aumentado em 75%, sua popula\u00e7\u00e3o havia aumentado em 3,7 vezes, a produ\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio de ferro em 7,7 vezes, de petr\u00f3leo em 20(!) vezes, a quantidade de cabe\u00e7as de gado em 3,7 vezes, de cereais em 4 vezes<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Em setembro de 1939, o ex\u00e9rcito alem\u00e3o contava com 3195 tanques e 3646 avi\u00f5es. No mesmo per\u00edodo, o ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico tinha \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o na linha de frente entre 5000 e 5500 avi\u00f5es e entre 9 e 10 mil tanques. A Wehrmacht em 1939 contava com 102 divis\u00f5es de infantaria, motorizada, etc. A URSS neste momento dispunha de 136 divis\u00f5es de infantaria e cavalaria. Assim, o Ex\u00e9rcito Vermelho, apesar de terrivelmente enfraquecido pela repress\u00e3o stalinista, se mantinha como uma for\u00e7a compar\u00e1vel \u00e0 da Wehrmacht, e pela quantidade de armamentos, inclusive a superava. J\u00e1 em junho de 1941, o Ex\u00e9rcito Vermelho ficava para tr\u00e1s em todos os indicadores&#8230;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Nas primeiras 3 semanas de combate foram destru\u00eddos 3500 avi\u00f5es da URSS, 6 mil tanques, mais de 20 mil pe\u00e7as de artilharia. Ao longo do ver\u00e3o e outono de 1941, foram destru\u00eddas mais de 300 divis\u00f5es sovi\u00e9ticas, num total de 5 milh\u00f5es de soldados. Quase \u00be ca\u00edram prisioneiros dos alem\u00e3es, mais que toda a popula\u00e7\u00e3o da Finl\u00e2ndia, fato at\u00e9 hoje \u00fanico na hist\u00f3ria militar. Quase metade das perdas em vidas sovi\u00e9ticas na guerra se deram nos primeiros seis meses de combates<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Nestes primeiros seis meses de guerra, as tropas alem\u00e3s chegaram at\u00e9 as portas de Moscou e Leningrado, e no semestre seguinte, at\u00e9 o Volga e o C\u00e1ucaso.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os fatos falam por si s\u00f3. N\u00e3o se pode falar de nenhuma \u201cestrat\u00e9gia genial\u201d de Stalin. <u>O pacto deu a Hitler todas as condi\u00e7\u00f5es para acumular for\u00e7as e iniciar a guerra. E a pol\u00edtica de Stalin enfraqueceu a URSS, militar e moralmente, deixando-a absolutamente despreparada para a guerra contra o nazismo e \u00e0 beira da derrota total.<\/u><br \/>\n<strong>O car\u00e1ter derrotista do stalinismo<\/strong><br \/>\nAlguns tentam explicar a assinatura do tratado pela URSS como resultado da cegueira de Stalin, que de fato teria acreditado que Hitler n\u00e3o o atacaria. Outros ainda tentam \u201cteorizar\u201d que o pacto teria sido resultado da \u201cproximidade\u201d entre dois regimes \u201ctotalit\u00e1rios\u201d, sendo, portanto, l\u00f3gica a sua uni\u00e3o contra as \u201cdemocracias\u201d. \u00c9 a base ali\u00e1s para aqueles que tentam hoje igualar o comunismo e o fascismo, ou dizer que o nazismo \u00e9 de esquerda&#8230; Essas posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o se sustentam. A cegueira de Stalin \u00e9 um fato, mas tamb\u00e9m exige ser explicada. Por outro lado, a Inglaterra e a Fran\u00e7a \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d buscaram um acordo com a Alemanha \u201ctotalit\u00e1ria\u201d antes da guerra e quando esta se mostrou j\u00e1 inevit\u00e1vel, buscaram uma alian\u00e7a com a \u201ctotalit\u00e1ria\u201d URSS. A Alemanha \u201ctotalit\u00e1ria\u201d entrou em guerra contra a URSS \u201ctotalit\u00e1ria\u201d, que por sua vez se aliou ent\u00e3o \u00e0 Inglaterra e aos EUA \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d.<br \/>\nAinda mais absurda \u00e9 a vers\u00e3o que tenta explicar a pol\u00edtica de Stalin como uma tentativa de, incentivando o in\u00edcio da guerra, incendiar a Europa para \u201cexpandir a revolu\u00e7\u00e3o mundial\u201d. Aliar-se ao nazifascismo, desmoralizar a URSS e o movimento comunista por todo o mundo, entregar a Europa nas m\u00e3os de Hitler para massacrar a classe trabalhadora destes pa\u00edses, manchar indelevelmente o nome do socialismo ante os trabalhadores de todo o mundo&#8230; seria uma pol\u00edtica de favorecer a revolu\u00e7\u00e3o? N\u00e3o, Stalin n\u00e3o tinha nada em comum com a ideia da revolu\u00e7\u00e3o mundial, Stalin foi a sua ant\u00edtese e o seu coveiro.<br \/>\nA raz\u00e3o de fundo para Stalin ter assinado o pacto com Hitler n\u00e3o est\u00e1 em nenhuma destas \u201cexplica\u00e7\u00f5es\u201d, mas sim no car\u00e1ter da burocracia stalinista. Como camada privilegiada dentro da URSS, e devendo seus privil\u00e9gios exclusivamente \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o de mando no estado, a burocracia stalinista se guiava somente pelo seu interesse material em manter estes seus privil\u00e9gios, ou seja, manter o status quo. Uma alian\u00e7a militar com a Fran\u00e7a e a Inglaterra em 1939 provavelmente venceria Hitler. Mas obrigaria a URSS a combater, e a burocracia stalinista queria afastar de si a perspectiva da guerra, para n\u00e3o arriscar seus privil\u00e9gios. Stalin temia combater em princ\u00edpio, preferindo negociar com qualquer um (inclu\u00eddo Hitler).<br \/>\nE temia ainda mais o combate porque tinha consci\u00eancia do quanto havia enfraquecido o Ex\u00e9rcito Vermelho com a repress\u00e3o interna. O pacto com a Alemanha, por outro lado, lhe garantia ficar de fora da guerra que se iniciaria entre Inglaterra, Fran\u00e7a e Alemanha. Ao mesmo tempo, o acordo econ\u00f4mico com a Alemanha permitiria \u00e0 burocracia sovi\u00e9tica ingressos extra de recursos, o que possibilitaria estabilizar seu dom\u00ednio, e consequentemente, seus privil\u00e9gios. E obviamente, o acordo lhe dava ainda metade da Pol\u00f4nia, a Litu\u00e2nia, a Let\u00f4nia, a Est\u00f4nia, a Finl\u00e2ndia, etc.<br \/>\n<u>N\u00e3o foi, portanto, a pol\u00edtica leninista de \u201crevolu\u00e7\u00e3o mundial\u201d que empurrou o stalinismo para o pacto com Hitler, mas ao contr\u00e1rio, sua pol\u00edtica puramente stalinista, antileninista, de \u201csocialismo num s\u00f3 pa\u00eds\u201d e de \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo\u201d<\/u>. Esta era a fonte da \u201ccegueira\u201d do stalinismo, que em nome de seus privil\u00e9gios arriscou o destino do pa\u00eds e de todo o planeta. Quem conhece de perto uma burocracia sindical sabe bem como ela n\u00e3o confia na for\u00e7a dos trabalhadores, ao contr\u00e1rio, teme esta for\u00e7a. Ao mesmo tempo, confia profundamente que com a burguesia \u201csempre \u00e9 poss\u00edvel negociar\u201d. Pois a partir de 1941 n\u00e3o foi mais poss\u00edvel negociar com o nazismo porque Hitler, fortalecido pelo pacto de 1939, j\u00e1 n\u00e3o se satisfazia com novas concess\u00f5es e recuos da parte de Stalin. O stalinismo podia sacrificar a Pol\u00f4nia, desmoralizar o movimento comunista, manchar a bandeira do socialismo, entregar a Europa para Hitler. Mas Hitler, j\u00e1 senhor do continente europeu gra\u00e7as \u00e0 pol\u00edtica de Stalin, exigia mais. Exigia a fonte mesma dos privil\u00e9gios da burocracia stalinista, a URSS&#8230;<br \/>\nE \u00e9 esta pol\u00edtica de Stalin, c\u00famplice do nazismo, covarde, chauvinista em rela\u00e7\u00e3o aos povos mais fracos, derrotista que por pouco n\u00e3o conduziu \u00e0 total escraviza\u00e7\u00e3o da URSS e de toda a Europa pelo nazismo, que Putin (e as vi\u00favas do stalinismo) hoje n\u00e3o somente defende, como convoca o povo russo ainda a \u201corgulhar-se\u201d. Em outra escala e outra situa\u00e7\u00e3o, Putin e os oligarcas russos que ele representa repetem hoje uma pol\u00edtica an\u00e1loga, abrindo a R\u00fassia aos capitais ocidentais, que aos poucos a v\u00e3o colonizando e transformando mais e mais numa economia atrasada e dependente, exportadora de mat\u00e9rias-primas, ao mesmo tempo que cumpre papel auxiliar na coloniza\u00e7\u00e3o de pa\u00edses mais fracos, como Ucr\u00e2nia e outros. A pol\u00edtica de Stalin de ocupar parte da Pol\u00f4nia se diferencia da pol\u00edtica de Putin no leste da Ucr\u00e2nia somente pela escala. A hist\u00f3ria se repete&#8230; como farsa. Assim como a burocracia stalinista\/sovi\u00e9tica do PCUS terminou nos anos 80 por restaurar o capitalismo e lucrar com a coloniza\u00e7\u00e3o da R\u00fassia e outras ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, Putin d\u00e1 sequ\u00eancia a este processo, convertendo o pa\u00eds num fornecedor de mat\u00e9rias-primas para as grandes pot\u00eancias. Assim como a burocracia estalinista\/sovi\u00e9tica n\u00e3o tinha qualquer compromisso com o futuro do pa\u00eds, interessada somente na manuten\u00e7\u00e3o de seus privil\u00e9gios, a burguesia olig\u00e1rquica putinista s\u00f3 se interessa por seus lucros. Como dizia Trotski: \u201c<em>Seu lema \u00e9 o de todos os regimes condenados: \u2018depois de n\u00f3s, o dil\u00favio\u2019<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<br \/>\n<strong>A repress\u00e3o stalinista contra o bolchevismo abriu as portas para Hitler<\/strong><br \/>\nExiste um elemento mais que explica o Pacto Hitler-Stalin: a violenta repress\u00e3o stalinista dentro da URSS dirigida contra qualquer um que questionasse a pol\u00edtica de Stalin.<br \/>\nAinda em 1937 era clara a vantagem do Ex\u00e9rcito Vermelho sobre o Ex\u00e9rcito Alem\u00e3o, que havia come\u00e7ado a se rearmar somente em 1935. \u00c9 na metade de 1937, com a massiva depura\u00e7\u00e3o de seus quadros militares pelo stalinismo, que a URSS come\u00e7a a perder sua superioridade militar. O expurgo liquidou 10 Vice-Comiss\u00e1rios do Povo para a Defesa, dois comiss\u00e1rios do Povo da Marinha, quatro comandantes da aeron\u00e1utica, tr\u00eas dos cinco marechais, 13 dos 15 generais do ex\u00e9rcito, oito dos nove almirantes, 50 dos 57 comandantes de corpo do ex\u00e9rcito e 154 dos 186 comandantes de divis\u00e3o.<br \/>\nO Conselho Militar do Comissariado da Defesa era composto por 85 oficiais em 1935, com experi\u00eancia adquirida na 1\u00aa Guerra Mundial, durante a interven\u00e7\u00e3o estrangeira e a Guerra Civil. Destes, 68 foram fuzilados, dois se suicidaram, dois morreram em campos de prisioneiros, quatro foram condenados a longas penas de pris\u00e3o. Em dois anos 45.000 oficias e comiss\u00e1rios pol\u00edticos militares foram presos, sendo quinze mil deles executados<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. A maioria acusada de trotskismo ou de colabora\u00e7\u00e3o com o nazismo, geralmente das duas coisas ao mesmo tempo&#8230; Em 1938, o Chefe do Alto Comando da Wehrmacht, L. Beck, afirmou: \u201c<em>N\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio levar em conta o ex\u00e9rcito russo como uma for\u00e7a militar, j\u00e1 que a sangrenta repress\u00e3o quebrou sua for\u00e7a moral, transformando-o numa m\u00e1quina inerte<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><strong>[15]<\/strong><\/a><\/em>\u201d. Em outubro do mesmo ano, Ribbentrop disse a Mussolini: \u201c<em>como a pot\u00eancia da R\u00fassia ficar\u00e1 comprometida por muitos anos ainda, n\u00f3s podemos concentrar toda a nossa energia contra os estados democr\u00e1ticos ocidentais<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><strong>[16]<\/strong><\/a><\/em>\u201d.<br \/>\nAinda mais violenta foi a repress\u00e3o stalinista dentro do partido bolchevique, que levou a que \u00e0s v\u00e9speras da 2\u00aa Guerra Mundial, o partido de Lenin j\u00e1 n\u00e3o existisse mais. Dos 13 membros que fizeram parte do Politburo do Comit\u00ea Central do momento da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro at\u00e9 a morte de Lenin em 1924, seguia vivo no in\u00edcio da guerra somente Stalin, todos os demais haviam sido por sua ordem executados. Foram mais de 1,2 milh\u00e3o de militantes comunistas presos somente no imediato pr\u00e9-guerra, de 1936 a 1939, dos quais somente 50 mil retornaram \u00e0 liberdade, os demais ou foram executados (600 mil) ou morreram nos campos de concentra\u00e7\u00e3o stalinistas<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<br \/>\nDeixemos que os pr\u00f3prios nazistas expliquem as consequ\u00eancias da repress\u00e3o stalinista contra o bolchevismo: Ribbentrop: \u201c<em>na URSS nos \u00faltimos anos fortaleceram-se os princ\u00edpios nacionalistas em detrimento dos internacionalistas e&#8230; isso, obviamente, facilita a aproxima\u00e7\u00e3o entre a URSS e a Alemanha. O princ\u00edpio rigorosamente nacionalista, que \u00e9 a base da pol\u00edtica do Fuhrer, deixa de ser neste caso diametralmente oposto \u00e0 pol\u00edtica da URSS. Esta \u00e9 a quest\u00e3o que mais interessa ao Fuhrer<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. No jornal alem\u00e3o Frankfurter Zeitung, em 29 de setembro de 1939, foi publicado um artigo de seu correspondente em Moscou \u201cSobre a pr\u00e9-hist\u00f3ria do pacto germano-sovi\u00e9tico\u201d. Neste artigo, se explicava a aproxima\u00e7\u00e3o entre a Alemanha e a URSS argumentando que na URSS \u201c<em>nos \u00faltimos tempos se deram mudan\u00e7as organizativas e de quadros essenciais&#8230; O afastamento da vida pol\u00edtica daquela camada dirigente que se chamava de \u201ctrotskistas\u201d e que foi removida exatamente por esse motivo, foi, sem d\u00favida, o fator essencial para que se alcan\u00e7asse a compreens\u00e3o m\u00fatua entre a URSS e a Alemanha<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><strong>[19]<\/strong><\/a><\/em>\u201d.<br \/>\nFuzilando os camaradas de Lenin e a c\u00fapula do Ex\u00e9rcito Vermelho, acusando-os de serem agentes de Hitler, Stalin<em> \u201clan\u00e7a ent\u00e3o abertamente sua candidatura ao papel de&#8230; principal agente de Hitler.<\/em>..\u201d (Trotski)<br \/>\n<strong>A derrota de Hitler foi uma vit\u00f3ria de todos os povos e oprimidos do planeta<\/strong><br \/>\nCustaria ainda tempo, 26 milh\u00f5es de vidas sovi\u00e9ticas e terr\u00edvel destrui\u00e7\u00e3o para que a URSS se recuperasse e pudesse passar \u00e0 ofensiva contra Hitler. Para isso seria necess\u00e1ria a tardia alian\u00e7a militar da URSS com a Inglaterra e os EUA, mas n\u00e3o s\u00f3. O mais importante dos fatores para a derrota de Hitler nunca havia entrado na contabilidade m\u00edope de Stalin. \u00c9 que os povos da Europa se levantaram numa imensa revolu\u00e7\u00e3o continental contra o nazismo.<br \/>\ndisposi\u00e7\u00e3o de luta dos soldados sovi\u00e9ticos, americanos e ingleses, o apoio a esta luta por parte dos povos da URSS, que lutavam tanto no front como soldados, quanto na retaguarda e nas zonas ocupadas como \u201cpartisans\u201d, a resist\u00eancia antinazista nos diferentes pa\u00edses, a total falta de apoio popular aos nazistas e seu isolamento nos pa\u00edses ocupados, foram os aspectos fundamentais para a derrota de Hitler. <u>A derrota de Hitler \u00e9 m\u00e9rito dos povos que o enfrentaram, dos soldados aliados, apesar do papel de seus governos, que ou vacilaram at\u00e9 o \u00faltimo momento em combater, ou capitularam, ou diretamente se aliaram a Hitler. Aos verdadeiros her\u00f3is, que literalmente salvaram o mundo, deixamos aqui a nossa homenagem<\/u>.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ribbentrop e Molotov eram, respectivamente, o Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Alemanha nazista e o Comiss\u00e1rio do Povo para as Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da URSS<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ep\u00edtetos dados por Lenin e por Trotski a Stalin<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Trotski j\u00e1 desde 1933 alertava que Stalin buscava um acordo com Hitler<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> A exist\u00eancia deste protocolo secreto de divis\u00e3o da Pol\u00f4nia e reparti\u00e7\u00e3o das \u201czonas de interesse\u201d entre a Alemanha Nazista e a URSS foi negada pelo governo sovi\u00e9tico at\u00e9 1989<br \/>\n<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Havia volunt\u00e1rios que queriam ir combater na Pol\u00f4nia contra os nazistas, a exemplo do que haviam sido as brigadas internacionais na Guerra Civil Espanhola<br \/>\n<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Conhecido como o Massacre de Katyn, foi negado pelo governo sovi\u00e9tico at\u00e9 1990, quando foi finalmente admitido<br \/>\n<a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Precursora da KGB, a pol\u00edcia pol\u00edtica do stalinismo<br \/>\n<a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> \u201cStalin, intendente de Hitler\u201d<br \/>\n<a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Jornal do Partido Comunista da URSS<br \/>\n<a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Jornal do Governo Sovi\u00e9tico<br \/>\n<a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Hist\u00f3ria da 2\u00aa Guerra Mundial. 1939-1945. Moscou. 1981. Tomo 3, Pag. 285<br \/>\n<a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> V. Rogovin. \u201cRevolu\u00e7\u00e3o mundial e guerra mundial\u201d. Moscou. 1998<br \/>\n<a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> \u201cStalin, intendente de Hitler\u201d<br \/>\n<a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> V. Rogovin. \u201cRevolu\u00e7\u00e3o mundial e guerra mundial\u201d. Moscou. 1998<br \/>\n<a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Jornal hist\u00f3rico-militar. 1989. No 3. Pag. 44<br \/>\n<a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Bullock. A. \u201cHitler e Stalin\u201d. Tomo 2. Pag. 216<br \/>\n<a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> A. D. Sakharov. \u201cReflex\u00f5es sobre o progresso, coexist\u00eancia pac\u00edfica e liberdade intelectual\u201d<br \/>\n<a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Hist\u00f3ria Nova e Recente. 1993. No 4. Pag. 31<br \/>\n<a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Citado em: Barmin. A. Os falc\u00f5es de Trotski. Pag. 154-165<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rec\u00e9m se completaram 80 anos do Pacto Ribbentrop-Molotov[1], mais conhecido como o Pacto Hitler-Stalin. A experi\u00eancia da 2\u00aa Guerra Mundial, com mais de 50 milh\u00f5es de mortos, o Holocausto Judeu, destrui\u00e7\u00e3o da Europa e demais crimes do nazismo, deveria ser mais do que suficiente para hoje se repudiar e condenar qualquer pacto com Hitler. Contudo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":31289,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3989,8,3658],"tags":[4893,4888,274,275,3656,278],"class_list":["post-31288","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alemanha","category-historia","category-russia","tag-2a-guerra-mundial","tag-holocausto","tag-pacto-hitler-stalin","tag-pacto-ribbentrop-molotov","tag-poi-russia","tag-putin"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Hitler.jpg","categories_names":["Alemanha","Hist\u00f3ria","R\u00fassia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31288\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}