{"id":31281,"date":"2020-01-27T19:42:11","date_gmt":"2020-01-27T21:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31281"},"modified":"2020-01-27T19:42:11","modified_gmt":"2020-01-27T21:42:11","slug":"alvim-o-bode-na-sala-de-bolsonaro-e-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/01\/27\/alvim-o-bode-na-sala-de-bolsonaro-e-israel\/","title":{"rendered":"Alvim, o bode na sala de Bolsonaro e Israel"},"content":{"rendered":"<p>Neste 27 de janeiro completam-se 75 anos da liberta\u00e7\u00e3o do campo de concentra\u00e7\u00e3o nazista de Auschwitz, na Pol\u00f4nia, em que 1,3 milh\u00e3o de judeus foram mortos, numa das maiores atrocidades que a humanidade j\u00e1 conheceu. \u00c0s v\u00e9speras, o abomin\u00e1vel epis\u00f3dio que causou a demiss\u00e3o de Roberto Alvim, ent\u00e3o secret\u00e1rio da Cultura do Governo Bolsonaro, no dia 17, tem culminado em merecida repulsa.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor:\u00a0<em>Josef Weil e Soraya Misleh *<\/em><br \/>\nN\u00e3o obstante, tamb\u00e9m ressuscitou distor\u00e7\u00f5es, alimentando assim a desinforma\u00e7\u00e3o. Entre elas, que cr\u00edticos do Estado de Israel seriam hip\u00f3critas ao condenarem a fala de Alvim, colocando um sinal de igual entre antissionismo e antissemitismo. Nada mais falso.<br \/>\nEsses debates acompanham outra distor\u00e7\u00e3o: a de que Alvim agiu por seu pr\u00f3prio destempero. H\u00e1 quase uma semana Bolsonaro busca se dissociar do cad\u00e1ver mal cheiroso que \u00e9 resultado de sua cria\u00e7\u00e3o. Nessa busca, diante da justa repercuss\u00e3o negativa, suspendeu o edital para o \u201cPr\u00eamio Nacional das Artes\u201d, anunciado por Alvim no v\u00eddeo em que encena o teatro de horrores da pol\u00edtica cultural de Bolsonaro, ao plagiar o ministro da propaganda nazista, Goebbels.<br \/>\nComo v\u00e1rios articulistas t\u00eam apontado, o ent\u00e3o secret\u00e1rio n\u00e3o caiu porque Bolsonaro ficou horrorizado com sua performance. Na verdade, a postura de Alvim vinha lhe rendendo elogios, como ocorrera pouco antes do malfadado v\u00eddeo vir a p\u00fablico. Inclusive, como amplamente noticiado, Bolsonaro chegou a hesitar em exonerar o pupilo de Olavo de Carvalho, que t\u00e3o bem vinha lhe representando na sua imagin\u00e1ria guerra cultural \u2013 basta lembrar que foi nomeado secret\u00e1rio em 7 de novembro \u00faltimo, ap\u00f3s impressionar Bolsonaro ao proferir insultos contra a atriz Fernanda Montenegro, que protestava contra a censura, em fins de setembro de 2019.<br \/>\nTamb\u00e9m segundo a imprensa, a press\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o sionista no Brasil, com suas distintas organiza\u00e7\u00f5es e diplomacia, teria sido crucial para a decis\u00e3o de demitir Alvim. O pr\u00f3prio Bolsonaro teria declarado que foi movido pelo \u201camor a Israel\u201d \u2013 e agora colocou como substituta na Secretaria da Cultura a atriz Regina Duarte. Essa \u00faltima visitou Jerusal\u00e9m, Palestina ocupada, em fins de novembro de 2018 a convite da pastora mineira Jane Silva, presidente da Comunidade Internacional Brasil-Israel. Por ocasi\u00e3o de sua viagem, em entrevista \u00e0 <em>Folha de S. Paulo<\/em> publicada no dia 29 do mesmo m\u00eas, afirmou, sobre eventual transfer\u00eancia da Embaixada brasileira para Jerusal\u00e9m: \u201cAcho que\u00a0isso \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a, uma quest\u00e3o ineg\u00e1vel, irrevers\u00edvel. Acho que demorou, como fala a garotada. Demorou! T\u00e1 na hora de cumprir isso. Faz parte de tudo que \u00e9 b\u00edblico, de todas as coisas nas quais o mundo acredita h\u00e1\u00a0mil\u00eanios e espera.\u201d<br \/>\nA fala inadmiss\u00edvel de Alvim levantou d\u00favidas sobre a incoer\u00eancia de um governo aliado do sionismo ter nomeado algu\u00e9m que utiliza a ideologia nazista como refer\u00eancia \u00e0 arte nacionalista \u2013 e talvez ter em seu lugar algu\u00e9m que fez essa declara\u00e7\u00e3o reveladora de enorme desconhecimento sirva para limpar a barra junto aos aliados de Bolsonaro. A despeito disso, como aponta o jornalista Jorge Mendoza em artigo intitulado <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/america-latina\/brasil\/e-contraditorio-bolsonaro-apoiar-israel-e-ter-nomeado-roberto-alvim\/\">\u201c\u00c9 contradit\u00f3rio Bolsonaro apoiar Israel e ter nomeado Roberto Alvim?\u201d<\/a>, a questionada incoer\u00eancia \u00e9 apenas aparente. A confus\u00e3o \u00e9 justificada: afinal, Israel, que comete atrocidades contra palestinos h\u00e1 72 anos, se autoproclama um Estado judeu e porta-voz dessa comunidade no mundo.<br \/>\n<strong>O que \u00e9 o nazismo<\/strong><br \/>\nAntes de aprofundar essas quest\u00f5es, cabe explicar brevemente o que \u00e9 nazismo. N\u00e3o \u00e9 \u201cum movimento de esquerda\u201d, como Bolsonaro e seus asseclas querem fazer crer \u2013 distor\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ficou de fora nos coment\u00e1rios ante o caso Alvim. O argumento rasteiro se apoia na nomenclatura usada \u00e0 \u00e9poca: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alem\u00e3es. Como aponta o jornalista Jeferson Choma em seu artigo <a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/nazismo-a-face-da-extrema-direita-negada-por-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cNazismo: a face da extrema direita negada por Bolsonaro\u201d<\/a>, publicado no <em>site<\/em> do PSTU, \u201co termo\u00a0Nazi\u00a0\u00e9 uma abrevia\u00e7\u00e3o em alem\u00e3o do termo\u00a0<em>Nationalsozialist<\/em>\u00a0(Nacional-socialista).\u00a0Ele foi utilizado, assim como o termo \u2018trabalhadores\u2019 (<em>Arbeiter<\/em>), como um meio de atrair a classe trabalhadora para longe do Partido Comunista Alem\u00e3o (<em>Kommunistische<\/em>) e do Partido Social-Democrata\u00a0(<em>Sozialdemokratische<\/em>),\u00a0na \u00e9poca os dois mais importantes partidos oper\u00e1rios da Europa ocidental. Mas isso n\u00e3o significa que os\u00a0Nazis\u00a0eram de esquerda ou pretendiam construir mais um partido oper\u00e1rio. Todo o programa e ideologia nazista eram profundamente antioper\u00e1rios e anticomunistas ou antissocialistas\u201d.<br \/>\nO nazismo e o fascismo nasceram ao final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O primeiro a tomar o poder foi o italiano, com Mussolini na lideran\u00e7a. Fruto do desespero com a situa\u00e7\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria ap\u00f3s a guerra, e ap\u00f3s a derrota de v\u00e1rios processos revolucion\u00e1rios, os fascistas surgem para servir como destacamentos do capital para impor pela for\u00e7a a submiss\u00e3o ao seu projeto. No caso da Alemanha, a derrota da revolu\u00e7\u00e3o de 1919, assim como a de 1923, abre espa\u00e7o para o surgimento de um movimento an\u00e1logo ao fascismo italiano<a href=\"#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a>.<br \/>\nO fascismo (inclu\u00edmos o nazismo nessa defini\u00e7\u00e3o) implica a derrota da revolu\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o de toda a organiza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria com m\u00e9todos de guerra civil. Ou seja, utilizando esquadr\u00f5es armados e, uma vez no governo, o pr\u00f3prio aparelho de Estado, a servi\u00e7o da pris\u00e3o, tortura e assassinato de milhares de trabalhadores, o que for necess\u00e1rio para esmagar o movimento oper\u00e1rio. Mas sendo este seu objetivo central, implica tamb\u00e9m a destrui\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es da democracia burguesa e a instaura\u00e7\u00e3o de um regime qualitativamente diferente, totalit\u00e1rio, sem nenhuma liberdade de express\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o para as oposi\u00e7\u00f5es, nem para os setores sociais, juventude. Enfim, nesse regime, todos que queiram participar de alguma forma da vida social t\u00eam que entrar nas organiza\u00e7\u00f5es filiadas ao partido fascista ou nazista.<br \/>\nO partido nazista foi fundado na esteira da derrota da revolu\u00e7\u00e3o de 1918-1919, nesse \u00faltimo ano, por Adolf Hitler \u2013 como aponta Choma em seu artigo, \u201cum ex-combatente da Primeira Guerra que realizava discursos em uma cervejaria em Munique carregados de nacionalismo racista, antissemita e de \u00f3dio pelo comunismo. (&#8230;). Em 1921, o partido cria a SA (<em>Sturmabteilung<\/em>,\u00a0\u2018divis\u00e3o tempestade\u2019 na tradu\u00e7\u00e3o), uma mil\u00edcia paramilitar que realizava ataques violentos a outros partidos e sindicatos. Essa \u00e9 uma das mais importantes caracter\u00edsticas das organiza\u00e7\u00f5es nazifascistas\u201d.<br \/>\nOs nazistas tiveram uma caracter\u00edstica particular no espectro dos movimentos fascistas: al\u00e9m de esmagar as organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, perseguiam a pureza racial ariana, em nome do \u201crenascimento da p\u00e1tria alem\u00e3\u201d. A esse \u201cresgate\u201d, havia que se eliminar comunistas, socialistas, judeus, ciganos, homossexuais etc., para que o povo alem\u00e3o, \u201cariano e trabalhador\u201d, regenerasse o pa\u00eds e restaurasse a gl\u00f3ria da Alemanha. Da\u00ed suas teorias sobre o \u201csangue puro\u201d, a \u201cpureza de ra\u00e7a\u201d e a exalta\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria e da ordem como o caminho para isso. Foi essa a base doutrin\u00e1ria do regime que acabou por levar aos campos de concentra\u00e7\u00e3o milh\u00f5es de judeus, ciganos, LGBTs, socialistas, comunistas e demais opositores pol\u00edticos.<br \/>\nAnte a crise econ\u00f4mica mundial de 1929, o nazismo alem\u00e3o, assim como o fascismo italiano, apresentou-se como \u201cresposta\u201d da ultradireita. Hitler chega ao poder em 1933. O projeto nazifascista avan\u00e7a pouco a pouco, at\u00e9 a invas\u00e3o da Pol\u00f4nia por Hitler em 1939\u2013 o que desencadear\u00e1 a Segunda Guerra Mundial, at\u00e9 1945. Como express\u00e3o de sua doutrina, o regime nazista aplica a \u201csolu\u00e7\u00e3o final\u201d e, assim, chega \u00e0 barb\u00e1rie do genoc\u00eddio, do assassinato em massa nos campos de concentra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAqui \u00e9 importante destacar que a barb\u00e1rie nazista foi aplicada com a participa\u00e7\u00e3o ou colabora\u00e7\u00e3o das grandes empresas capitalistas alem\u00e3s e inclusive norte-americanas, tais como Volkswagen, Siemens, que utilizaram m\u00e3o de obra escrava dos prisioneiros nos campos de concentra\u00e7\u00e3o, e a IBM, dos Estados Unidos, que forneceu a tecnologia para planejar esses locais. Ou seja, a barb\u00e1rie n\u00e3o era simplesmente uma posi\u00e7\u00e3o de um \u201clouco\u201d. Contou com apoio dos monop\u00f3lios imperialistas.<br \/>\n<strong>A extrema direita no Brasil<\/strong><br \/>\nBolsonaro e Alvim, em sua \u201cguerra cultural\u201d e combate ao imagin\u00e1rio \u201cmarxismo cultural\u201d, tamb\u00e9m se apoiam no ide\u00e1rio dito patri\u00f3tico, de um nacionalismo que travaria luta contra inimigos internos. Por isso, em nome da suposta \u201cbatalha contra o comunismo\u201d, Bolsonaro n\u00e3o se envergonha de homenagear o ditador chileno Pinochet ou o paraguaio Stroessner, que tiveram rela\u00e7\u00f5es de colabora\u00e7\u00e3o direta com nazistas alem\u00e3es que fugiram depois da Segunda Guerra Mundial e se esconderam nesses pa\u00edses<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<br \/>\nNo caso da Col\u00f4nia Dignidade no Chile, foram j\u00e1 recuperados os arquivos que revelam\u00a0<strong>detalhes numerosos<\/strong>, confirmam opera\u00e7\u00f5es no interior do local e atrocidades e a\u00a0<strong>colabora\u00e7\u00e3o estreita com a Dina<\/strong>\u00a0(a pol\u00edcia secreta da ditadura Pinochet), que recebeu apoio t\u00e9cnico em constru\u00e7\u00f5es subterr\u00e2neas e comunica\u00e7\u00f5es dos l\u00edderes dessa col\u00f4nia fundada em 1961 por nazistas exilados. Era uma comunidade agr\u00e1ria de alem\u00e3es\u00a0<strong>fundada por\u00a0um ex-militar nazista, Paul Sch\u00e4fer<\/strong>; l\u00e1, durante d\u00e9cadas, mediante isolamento e doutrina\u00e7\u00e3o, criaram-se &#8220;rob\u00f4s&#8221; humanos; <strong>abusou-se sexualmente de dezenas de adolescentes e crian\u00e7as<\/strong>\u00a0e em seu hospital se administraram psicof\u00e1rmacos ilegais e choques. Esse criminoso nazista atuou durante a ditadura Pinochet, ajudando o regime de extrema direita a reprimir e assassinar os opositores. A col\u00f4nia Dignidade serviu como um<strong>\u00a0<\/strong><strong>centro clandestino de deten\u00e7\u00e3o e tortura<\/strong>\u00a0ap\u00f3s o golpe do general Augusto Pinochet contra Salvador Allende em 1973.<br \/>\nQuanto a Stroessner, que Bolsonaro fez quest\u00e3o de chamar de \u201cestadista\u201d e \u201chomem de vis\u00e3o\u201d por\u00a0ocasi\u00e3o de reuni\u00e3o no Paraguai com o atual presidente Mario Abdo, sua cruel ditadura acolheu e serviu de ref\u00fagio ao m\u00e9dico e criminoso de guerra nazista Josef Mengele, procurado no mundo inteiro por seus crimes em Auschwitz e que, gra\u00e7as a seus amigos na extrema-direita sul americana e na Alemanha, jamais foi punido em vida.<br \/>\n<strong>Sionismo e seus aliados<\/strong><br \/>\nA imprensa vem dando a noticia que Israel pressionou Bolsonaro para demitir Alvim, e possivelmente seja verdade pelas rela\u00e7\u00f5es estreitas entre ambos. Mas a partir desse fato, tenta-se passar a ideia de que Israel luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial ou \u00e9 defensor da democracia e da liberdade dos povos. Na verdade, Israel s\u00f3 se posicionou porque o nazismo est\u00e1 publicamente identificado com o antissemitismo, com o genoc\u00eddio praticado na Segunda Guerra.\u00a0 E com a performance de Roberto Alvim explicitamente citando Goebbels, ficou insustent\u00e1vel manter esse personagem, pois era revelador demais (ou \u201c<em>bizarro<\/em>\u201d, como declarou o ministro Sergio Moro).<br \/>\nMas o que impede que essa postura seja consistente, que faz com que seja hip\u00f3crita? A quest\u00e3o \u00e9 que o sionismo \u00e9 um projeto pol\u00edtico colonial, que tem em sua g\u00eanese o racismo. Surgido em fins do s\u00e9culo XIX, visava a cria\u00e7\u00e3o de um Estado homog\u00eaneo etnicamente.<br \/>\nO termo sionismo foi cunhado em 1882 pelo judeu vienense Nathan Birnbaum (1864-1937). Ele afirmava, como consta do livro do historiador israelense Shlomo Sand, intitulado \u201cA inven\u00e7\u00e3o do povo judeu\u201d, que \u201cs\u00f3 as ci\u00eancias naturais podem explicar a especificidade intelectual e afetiva de um povo em particular (&#8230;) As diferen\u00e7as de ra\u00e7as est\u00e3o na origem da multiplicidade das variedades nacionais. \u00c9 por conta da oposi\u00e7\u00e3o entre as ra\u00e7as que o alem\u00e3o e o eslavo pensam e sentem de forma diferente que o judeu\u201d.<br \/>\nEssa ideia vai servir, como escreve o historiador israelense Ilan Papp\u00e9, ao sionismo secularizar e nacionalizar o juda\u00edsmo. O objetivo era utilizar o apelo religioso para fortalecer o movimento pol\u00edtico que, posteriormente, vai se expandir com o pai do sionismo pol\u00edtico moderno, Theodor Herzl (1860-1904). Em 1896 ele publica seu \u201cO Estado judeu\u201d, em que profere senten\u00e7a: para se livrarem do antissemitismo no mundo, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o seria os judeus viverem em seu pr\u00f3prio Estado. Nesse livro, ele coloca a quest\u00e3o: \u201cDevemos preferir a Palestina ou a Argentina?\u201d No ano seguinte ocorre o I Congresso Sionista na Basileia, Su\u00ed\u00e7a, que re\u00fane 200 delegados e decide pela Palestina. Naquela terra, ent\u00e3o, apenas 6% da popula\u00e7\u00e3o eram judeus. \u00c0 coloniza\u00e7\u00e3o, portanto, seria necess\u00e1rio a conquista da terra e do trabalho, mediante \u201ctransfer\u00eancia populacional\u201d (dos nativos para fora da Palestina e de judeus da Europa do Leste e central para dentro). Um eufemismo para limpeza \u00e9tnica.<br \/>\nO sionismo sempre teve, segundo o historiador israelense Avi Shlaim explica em \u201cA muralha de ferro\u201d, o pressuposto \u201cn\u00e3o declarado\u201d e de seus sucessores de que o movimento alcan\u00e7aria seu objetivo \u201cn\u00e3o atrav\u00e9s de um entendimento com os palestinos locais, mas por meio de uma alian\u00e7a com a grande pot\u00eancia dominante do momento\u201d. Nessa linha, em 1904, Hertz chega a se reunir com o chefe da pol\u00edcia secreta do czar e organizador dos\u00a0pogroms na R\u00fassia, von Plehve, como escreve o escritor trotskista Lenni Brenner em \u201cA muralha de ferro \u2013 Revisionismo sionista de Jabotinsky a Shamir\u201d. Ali inaugurava a tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sionista de convergir seu programa com o antissemitismo, segundo escreve o marxista franc\u00eas Maxime Rodinson em \u201cIsrael: A Colonial-Settler State?\u201d (na tradu\u00e7\u00e3o livre, \u201cIsrael: um estado colonial de povoamento?\u201d).<br \/>\nNo encontro com von Plehve, o compromisso foi de que, em troca de apoio, o sionismo n\u00e3o antagonizaria com a monarquia absolutista russa. \u201cAjude-me a alcan\u00e7ar a terra mais cedo e a revolta acabar\u00e1. E ent\u00e3o a defec\u00e7\u00e3o dos socialistas\u201d, declarou Herzl no ensejo. Ele e Plehve trocaram cartas, avalizando tal acordo. Mais: o sionismo tinha o compromisso de tentar afastar judeus da organiza\u00e7\u00e3o e ideias revolucion\u00e1rias. Esses eram em torno de 4,5% da popula\u00e7\u00e3o na R\u00fassia oprimida pelo tzarismo e, diante das persegui\u00e7\u00f5es, naturalmente se aproximavam da luta de todo o povo por sua liberdade, e eram atra\u00eddos pela causa socialista. N\u00e3o por acaso, v\u00e1rias lideran\u00e7as revolucion\u00e1rias eram de origem judaica, como Trotsky, Rosa Luxemburgo (nascida na Pol\u00f4nia, tamb\u00e9m dominada pelo tzar), Sverdlov, Zinoviev e muitos outros.<br \/>\nPara tentar evitar a ades\u00e3o dos militantes judeus \u00e0 luta na R\u00fassia \u2013 que em outubro de 1917 culminar\u00e1 na primeira revolu\u00e7\u00e3o socialista vitoriosa \u2013, os sionistas tentavam convenc\u00ea-los a abandonar o movimento, com a fal\u00e1cia de que o socialismo estaria reservado ao futuro Estado judeu. Conforme Brenner, na verdade, \u201co antissocialismo era parte integrante de sua estrat\u00e9gica diplom\u00e1tica\u201d.<br \/>\nAp\u00f3s a I Guerra Mundial (1914-1918), a Palestina, at\u00e9 ent\u00e3o sob dom\u00ednio do derrotado Imp\u00e9rio Otomano, fica sob mandato brit\u00e2nico. H\u00e1 tempos, importantes dirigentes da burguesia brit\u00e2nica, como Lord Shaftesbury e Palmerston pensavam em apoiar-se nos judeus para colocar um p\u00e9 na regi\u00e3o<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A lideran\u00e7a sionista vai, assim, encontrar na Gr\u00e3-Bretanha o parceiro que permitir\u00e1 dar um salto no seu projeto colonial. A Declara\u00e7\u00e3o Balfour, em 2 de novembro de 1917, em que a Inglaterra se declara favor\u00e1vel \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de um lar nacional judeu na Palestina, \u00e9 um marco nesse sentido. A partir da\u00ed, o futuro do sionismo estaria associado diretamente \u00e0s pretens\u00f5es imperiais da Inglaterra e seus aliados.<br \/>\nMas talvez o mais chocante nessa longa hist\u00f3ria sejam, tamb\u00e9m segundo o escritor trotskista Brenner, os acordos feitos pela Federa\u00e7\u00e3o Sionista Alem\u00e3 com o nazismo. Entre eles o de H\u00e1\u00b4avarah em 1933, que, como explica o jornalista Jorge H. Mendoza em seu artigo, \u201cdiante da persegui\u00e7\u00e3o, estabelecia crit\u00e9rios que favorecessem a emigra\u00e7\u00e3o de judeus para a Palestina em troca de importa\u00e7\u00f5es da Alemanha Nazista\u201d. Ou seja, os dirigentes sionistas se valeram da persegui\u00e7\u00e3o nazi para fortalecer o projeto de coloniza\u00e7\u00e3o racista da Palestina. O acordo perdurou at\u00e9 1938. Brenner observa em sua obra um triste fato: que o sionismo internacional \u2013 ao concordar com a Federa\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 \u2013 furava assim o boicote mundial a produtos nazistas. Nazismo e sionismo, afirma ele, tinham interesses que convergiam: um queria eliminar qualquer vest\u00edgio de judeus na Alemanha; o outro precisava deles para a coloniza\u00e7\u00e3o na Palestina. Ambos utilizaram o antissemitismo para seus prop\u00f3sitos.<br \/>\nOutro exemplo relatado por historiadores: muitos judeus, ante o genoc\u00eddio nazista, tinham como pretens\u00e3o o ref\u00fagio nos Estados Unidos. Mas a pol\u00edtica criminosa dos EUA foi fechar suas fronteiras durante a guerra e depois, e isso foi apoiado pela dire\u00e7\u00e3o sionista devido a um objetivo: obrigar os refugiados e os navios que levavam essa popula\u00e7\u00e3o maltratada e perseguida a aportarem na Palestina \u2013 muitos que l\u00e1 chegaram, ao in\u00edcio, n\u00e3o tinham ideia de que seriam despejados para servir ao projeto colonial. E em julho de 1947, a deporta\u00e7\u00e3o pelos brit\u00e2nicos do navio Exodus que chegava \u00e0 Palestina com 4.500 refugiados judeus, obrigando-os a retornar \u00e0 Alemanha, escandaliza o mundo. O passo seguinte \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o de partilha da Palestina pela rec\u00e9m-criada Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em assembleia presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha, em 29 de novembro de 1947, em um estado judeu e um \u00e1rabe \u2013 ou seja, delegando a um colonizador praticamente metade da Palestina, sem consulta aos habitantes nativos.<br \/>\nO nazismo foi derrotado ao fim da Segunda Guerra Mundial. Foi uma grande vit\u00f3ria dos trabalhadores e dos povos do mundo inteiro contra a barb\u00e1rie. O sionismo saiu fortalecido; conseguiu angariar a simpatia da opini\u00e3o p\u00fablica mundial e segue a n\u00e3o poupar a instrumentaliza\u00e7\u00e3o da arte como propaganda para seus fins \u2013 como mostra o artigo de Mendoza. Propaganda e tecnologia militar est\u00e3o entre os grandes investimentos de Israel ainda hoje. Ao jornal israelense <em>Haaretz<\/em>, em 26 de setembro de 2001, o ent\u00e3o presidente do Conselho Representativo das Institui\u00e7\u00f5es Judaicas da Fran\u00e7a (Crif), Roger Cukierman, chegou a fazer uma tenebrosa afirma\u00e7\u00e3o, \u00e0 la Alvim: \u201cQuando Sharon [<em>Ariel Sharon, lideran\u00e7a sionista apelidada n\u00e3o \u00e0 toa de \u2018Carniceiro\u2019<\/em>] veio \u00e0 Fran\u00e7a, disse-lhe que ele deve criar imediatamente um Minist\u00e9rio da Propaganda, como Goebbels.\u201d<br \/>\nO sionismo, com o aval da comunidade internacional, imperialismo e stalinismo, levou a cabo os planos de limpeza \u00e9tnica que come\u00e7ou a tra\u00e7ar nos anos 1940. O resultado foi a cria\u00e7\u00e3o do Estado racista de Israel em 78% do territ\u00f3rio como homog\u00eaneo etnicamente, em 15 de maio de 1948. A <em>Nakba<\/em> (cat\u00e1strofe) para os palestinos \u2013 800 mil foram expulsos (2\/3 da popula\u00e7\u00e3o nativa) e cerca de 500 aldeias foram destru\u00eddas. Historiadores comprovam no m\u00ednimo massacres em 31 aldeias. Em 1967, Israel ocupou o restante (Cisjord\u00e2nia, Gaza e Jerusal\u00e9m Oriental), o que resultou na expuls\u00e3o de aproximadamente outros 300 mil palestinos.<br \/>\nA expans\u00e3o colonial continua. Desumaniza\u00e7\u00e3o, racismo, <em>apartheid<\/em>, limpeza \u00e9tnica s\u00e3o parte da realidade dos palestinos, sob o jugo do sionismo. Gaza, por exemplo, enfrenta dram\u00e1tica crise humanit\u00e1ria. E 5 milh\u00f5es de refugiados vivem em campos na regi\u00e3o impedidos de retornar as suas terras. Esse \u00e9 o aliado de Bolsonaro, sob o manto da representa\u00e7\u00e3o religiosa.<br \/>\nQual foi o outro pa\u00eds que implantou esse modelo de racismo e apartheid? A \u00c1frica do Sul, onde uma minoria de colonos brancos, os <em>afric\u00e2ners,<\/em> fortemente armados contra a maioria negra, violou durante d\u00e9cadas todas as leis internacionais, sofrendo por isso um boicote ativo que ajudou em muito a derrotar esse regime nos anos 1990 \u2013 movimento que inspira a principal campanha de solidariedade internacional ao povo palestino, denominada BDS (boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es) a Israel.<br \/>\nNa \u00c1frica do Sul durante o <em>apartheid<\/em>, coerente com a defesa da supremacia branca e em considerar os negros uma ra\u00e7a inferior, sempre houve simpatia do regime pelo nazismo. Sua pol\u00edtica foi de atacar qualquer intento de liberta\u00e7\u00e3o dos demais pa\u00edses africanos das pot\u00eancias imperialistas, como em Angola, Mo\u00e7ambique, Congo etc., assim como de sustentar a rep\u00fablica racista da Rod\u00e9sia contra a popula\u00e7\u00e3o negra discriminada.<br \/>\nIsrael e \u00c1frica do Sul foram aliados constantes, afinal, eram ambos estados coloniais e racistas. E pontos de apoio do imperialismo contra a liberta\u00e7\u00e3o dos demais povos da regi\u00e3o.<br \/>\nQuando se analisam o racismo e as viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos, portanto, n\u00e3o parece incoerente flertar com o nazismo e ser parceiro do sionismo. Vale lembrar que Bolsonaro se elegeu com votos da \u201cdireita\u201d sionista. Em discurso de campanha no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, em abril de 2017, ele chegou a ser aplaudido e arrancar risos da plateia formada por cerca de 300 pessoas por suas declara\u00e7\u00f5es racistas, como a de que havia visitado um quilombo e que o \u201cafrodescendente mais leve l\u00e1 pesava sete arrobas. N\u00e3o fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais.\u201d. Tamb\u00e9m exp\u00f4s sua xenofobia, ao dizer que o Brasil n\u00e3o poderia abrir as portas para todo mundo (refugiados). Muito semelhante aos discursos e a\u00e7\u00f5es racistas de seus aliados Trump, dos Estados Unidos, que diz que os mexicanos e latinos que tentam entrar \u201cs\u00e3o criminosos\u201d; e Salvini, da It\u00e1lia, que diz o mesmo contra os imigrantes \u00e1rabes e africanos.\u00a0 E Netanyahu sobre os palestinos.<br \/>\n\u00c9 verdade que a chamada \u201cesquerda\u201d sionista sempre se apresenta como oposi\u00e7\u00e3o a Bolsonaro. Todavia, como demonstra a Rede Internacional de Judeus Antissionistas em resenha sobre a publica\u00e7\u00e3o \u201cFalsos profetas da paz\u201d, de Tikva Honig-Parnass, historicamente essa \u201cesquerda\u201d esteve t\u00e3o alinhada com o projeto de coloniza\u00e7\u00e3o da Palestina quanto a direita. \u201cComo esse livro mostra, desde antes da funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, a esquerda sionista falou demasiadas vezes a l\u00edngua do universalismo, enquanto ajudava a criar e manter sistemas jur\u00eddicos, governos e o aparato militar que permitiram a coloniza\u00e7\u00e3o de terras palestinas.\u201d<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><strong>Nunca mais para ningu\u00e9m<\/strong><br \/>\nMas o sionismo j\u00e1 come\u00e7a a ter um questionamento crescente n\u00e3o s\u00f3 entre os povos \u00e1rabes e demais, mas entre os judeus \u2013 como mostram movimentos de rep\u00fadio ao sionismo mundo afora, inclusive nos Estados Unidos, como a rede Jewish Voice for Peace (<em>Vozes judias pela paz<\/em>), que apoia o BDS contra a coloniza\u00e7\u00e3o e o apartheid sionista. A posi\u00e7\u00e3o coerente \u00e9 repudiar veementemente tanto a apologia ao nazismo quanto o sionismo \u2013 o que n\u00e3o tem nada a ver com ser antissemita. Essa \u00e9 uma chantagem utilizada por Israel para silenciar seus cr\u00edticos.<br \/>\nNa tarde de 17 de janeiro, entre os assuntos mais comentados do twitter no Brasil, aparecia a palavra Israel (114 mil twittes), ao lado de cultura (298 mil), Alvim (215 mil) e nazismo (119 mil). O comentarista esportivo Milton Neves \u00e9 um dos que exp\u00f5em esse tipo de desinforma\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o entre antissionismo e antissemitismo: \u201cSecret\u00e1rio merecidamente demitido ap\u00f3s refer\u00eancia abomin\u00e1vel e nojenta ao maldito nazismo. Bom ver que todos apoiam o povo judeu e nunca mais v\u00e3o falar a bobagem que o Estado de Israel n\u00e3o merece existir e nem queimar bandeiras de Israel nos tais \u2018atos\u2019. Viva a comunidade judaica.\u201d<br \/>\nQuem explica a esdr\u00faxula associa\u00e7\u00e3o \u00e9 o jornalista franc\u00eas Dennis Sieffert em artigo publicado no livro \u201cAntissemitismo, a intoler\u00e1vel chantagem\u201d: \u201cPara convencer que a cr\u00edtica dirigida a Israel \u00e9 um ato antissemita n\u00e3o \u00e9 preciso apenas identificar o juda\u00edsmo a Israel, \u00e9 preciso, tamb\u00e9m, fazer do Estado judaico a nova representa\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica exclusiva do judeu.\u201d<br \/>\n\u00c9 o que faz Neves em sua postagem, tentando associar o justo protesto e ato simb\u00f3lico de queima da bandeira que representa a coloniza\u00e7\u00e3o sionista a um suposto antissemitismo. Desconhece ainda que a defesa de uma Palestina \u00fanica, laica, livre, democr\u00e1tica, n\u00e3o racista, com o retorno dos milh\u00f5es de refugiados as suas terras e direitos iguais para todos que queiram viver em paz, \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o justa para a totalidade da popula\u00e7\u00e3o que sofre com o <em>apartheid<\/em> e a coloniza\u00e7\u00e3o. O fim do Estado racista de Israel n\u00e3o significa a mentira de jogar judeus ao mar, mas derrotar o projeto sionista.<br \/>\nIntitulada \u201cNunca mais para ningu\u00e9m\u201d, carta assinada por mais de 350 sobreviventes judeus e descendentes de v\u00edtimas do genoc\u00eddio nazista, em agosto de 2014, durante o massacre de Israel em Gaza, publicada no <em>New York Times<\/em> e disseminada pela Rede Internacional de Judeus Antissionistas, d\u00e1 a resposta: \u201cNunca mais para ningu\u00e9m desafia o uso indevido do genoc\u00eddio nazista de judeus (\u2018O Holocausto\u2019) para fins pol\u00edticos. Ao excepcionalizar o genoc\u00eddio nazista, os judeus europeus s\u00e3o separados das v\u00edtimas e sobreviventes desse e de outros genoc\u00eddios, em vez de se unirem a eles. A explora\u00e7\u00e3o sionista desse genoc\u00eddio para justificar a coloniza\u00e7\u00e3o, o deslocamento e o <em>apartheid<\/em> na Palestina \u00e9 uma desonra para os que sobreviveram e para os que n\u00e3o sobreviveram. O refr\u00e3o \u2018Nunca mais\u2019 deve significar \u2018Nunca mais, para ningu\u00e9m!\u2019.\u201d<br \/>\n<em>*Josef Weil \u00e9 de origem judaica. Parte de sua fam\u00edlia desapareceu durante a ocupa\u00e7\u00e3o nazista da Europa oriental.<\/em><br \/>\n<em>*Soraya Misleh \u00e9 jornalista palestino-brasileira e teve parte da fam\u00edlia expulsa de suas terras na Nakba. Ainda hoje sofrem a coloniza\u00e7\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o sionista. <\/em><br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Os segredos da col\u00f4nia alem\u00e3 que uniu nazismo, abuso sexual de crian\u00e7as e tortura em nome de Pinochet, BBC News, 12\/9\/16.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Afinal, a Inglaterra tinha apoiado Cecil Rhodes em uma empresa colonizadora na \u00c1frica negra, colocando brancos para dominar e impondo aos negros dessa regi\u00e3o um regime de apartheid e a perda de qualquer direito. Esses colonos fundaram mais tarde a Rod\u00e9sia (1964-1979) e s\u00f3 ap\u00f3s um duro combate foram derrotados, o que deu origem ao atual Zimbabwe.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste 27 de janeiro completam-se 75 anos da liberta\u00e7\u00e3o do campo de concentra\u00e7\u00e3o nazista de Auschwitz, na Pol\u00f4nia, em que 1,3 milh\u00e3o de judeus foram mortos, numa das maiores atrocidades que a humanidade j\u00e1 conheceu. \u00c0s v\u00e9speras, o abomin\u00e1vel epis\u00f3dio que causou a demiss\u00e3o de Roberto Alvim, ent\u00e3o secret\u00e1rio da Cultura do Governo Bolsonaro, no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":31282,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3989,121,38,8,203,228,49],"tags":[4515,4516,253,4888,1159,256,189,205,259,260],"class_list":["post-31281","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alemanha","category-brasil","category-cultura","category-historia","category-israel","category-palestina","category-polemica","tag-antissemitismo","tag-antissionismo","tag-fascismo","tag-holocausto","tag-israel-2","tag-josef-weil","tag-nazismo","tag-palestina-2","tag-sionismo","tag-soraya-misleh"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/alvim-goebbels.jpg","categories_names":["Alemanha","Brasil","Cultura","Hist\u00f3ria","Israel","Palestina","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31281\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}