{"id":3128,"date":"2014-10-01T18:27:46","date_gmt":"2014-10-01T18:27:46","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2014\/10\/01\/estudantes-de-hong-kong-desafiam-ditadura-chinesa\/"},"modified":"2014-10-01T18:27:46","modified_gmt":"2014-10-01T18:27:46","slug":"estudantes-de-hong-kong-desafiam-ditadura-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2014\/10\/01\/estudantes-de-hong-kong-desafiam-ditadura-chinesa\/","title":{"rendered":"Estudantes de Hong Kong desafiam ditadura chinesa"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\">\n\t<em><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"171\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/hk-umbrella-revolution_240x171.jpg\" vspace=\"4\" width=\"240\" \/>Estudantes universit&aacute;rios&nbsp;<\/span><\/em><em><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">boicotam aulas por uma semana e&nbsp;<\/span><\/em><em><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">ocupam as ruas do centro financeiro de Hong Kong para exigir elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas em 2017.<\/span><\/em><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Hong Kong, um &ldquo;protetorado&rdquo; chin&ecirc;s, vive dias de tens&atilde;o e de muita mobiliza&ccedil;&atilde;o desde que um grupo de ativistas pr&oacute;-democracia desafiou o governo local e o governo central de Pequim com o lan&ccedil;amento do movimento &ldquo;Ocupar o Centro Financeiro com Paz e Amor&rdquo; prometendo abrir &ldquo;uma nova era de desobedi&ecirc;ncia civil&rdquo; na cidade, segundo os organizadores.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">O movimento, inspirado nos v&aacute;rios movimentos &ldquo;Occupy&rdquo;, como o Occupy Wall Street, que varreram os Estados Unidos e pa&iacute;ses da Europa, planeja bloquear os edif&iacute;cios do centro financeiro para protestar contra uma nova lei eleitoral imposta pelo Comit&ecirc; Executivo do Congresso do Povo da China, v&aacute;lida apenas para Hong Kong.&nbsp;Os estudantes universit&aacute;rios apoiaram a ideia em massa e se anteciparam: aprovaram uma greve de uma semana, a partir do &uacute;ltimo dia 22 de setembro, em apoio ao movimento.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Hong Kong tem uma popula&ccedil;&atilde;o de 7,2 milh&otilde;es de habitantes e 78 mil universit&aacute;rios. No primeiro dia de greve cerca de 13 mil participaram do protesto, mas estima-se que pelo menos metade n&atilde;o foi &agrave;s aulas. <\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Alex Chow, secret&aacute;rio geral da federa&ccedil;&atilde;o estudantil, disse que &ldquo;queremos que o Partido Comunista entenda que os estudantes e jovens de Hong Kong n&atilde;o v&atilde;o obedecer a esta decis&atilde;o absurda&rdquo;, al&eacute;m de esperar que sua a&ccedil;&atilde;o inspire outras greves, como as de trabalhadores.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A greve foi assumida por milhares de estudantes que se reuniram no campus universit&aacute;rio no primeiro dia, protegidos por sombrinhas coloridas devido ao sol escaldante, mas tamb&eacute;m como um &ldquo;escudo&rdquo; contra os gases pimenta e lacrimog&ecirc;neo, cuja imagem j&aacute; leva a midia a chamar o movimento de &quot;revolu&ccedil;&atilde;o das sombrinhas&quot;. Os estudantes secundaristas tamb&eacute;m aprovaram juntar-se ao movimento por um dia, o que ocorreu na sexta-feira, 26 de setembro.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">E foi no dia 26 que milhares se reuniram no centro financeiro e come&ccedil;aram a bloquear ruas e edif&iacute;cios. Centenas de estudantes conseguiram surpreender a pol&iacute;cia e ultrapassar a cerca de prote&ccedil;&atilde;o da sede do governo, levando outros milhares a ocupar o espa&ccedil;o frontal ao edif&iacute;cio, e foram retirados apenas no dia seguinte, embora o espa&ccedil;o frontal tenha permanecido ocupado. Setenta e quatro estudantes foram presos durante a repress&atilde;o policial e muitos outros foram atingidos por gases.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">As cenas da brutalidade policial foram mostradas na televis&atilde;o, o que levou nova multid&atilde;o a se juntar ao protesto no s&aacute;bado. A popula&ccedil;&atilde;o apoiou a ocupa&ccedil;&atilde;o levando aos estudantes &aacute;gua e alimentos, que formaram pilhas pelas ruas. No domingo, 28, todo o centro estava tomado.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">O centro financeiro tornou-se uma &ldquo;&aacute;rea liberada&rdquo;, inclusive a sede do governo em Victoria Harbour, formando-se um enorme acampamento de dezenas de milhares de estudantes. Os organizadores do movimento &ldquo;Ocupar o Centro Financeiro&rdquo; anteciparam sua pr&oacute;pria ocupa&ccedil;&atilde;o, que estava anunciada para o dia 1&ordm; de outubro, e juntaram-se aos estudantes.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">A repress&atilde;o policial voltou a acontecer no domingo &agrave; noite. Segundo o jornal <em>People&#39;s Daily<\/em>, do Partido Comunista da China, &ldquo;dezenas de bombas de g&aacute;s foram atiradas nos ativistas reunidos perto da sede do governo depois das 18 horas. Apesar disso, o bloqueio do tr&aacute;fico no cora&ccedil;&atilde;o da cidade continuou por toda noite.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">O jornal tamb&eacute;m afirmou que o<\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">&nbsp;governador Leung Chun-ying<\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">de Hong Kong est&aacute; resoluto em se opor &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o ilegal feita pelo &ldquo;Ocupar o Centro Financeiro&rdquo;. &ldquo;A pol&iacute;cia vai continuar a manejar a situa&ccedil;&atilde;o de acordo com a lei&rdquo;, disse ele.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">A reforma eleitoral<\/b><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Hong Kong foi uma col&ocirc;nia inglesa de 1841 a 1997, quando o ex&eacute;rcito chin&ecirc;s ocupou a cidade e, ap&oacute;s um acordo com a Inglaterra e os Estados Unidos, declarou-a parte do territ&oacute;rio chin&ecirc;s, mas regida por leis especiais, chamadas de Lei B&aacute;sica, uma esp&eacute;cie de miniconstitui&ccedil;&atilde;o. A Lei B&aacute;sica garante algumas liberdades democr&aacute;ticas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, como os direitos de express&atilde;o, de imprensa, de reuni&atilde;o e religi&atilde;o, inexistentes no resto da China. Por&eacute;m, n&atilde;o garante &agrave; popula&ccedil;&atilde;o o direto de eleger seu governante, o que tamb&eacute;m foi &nbsp;apoiado pelos dois pa&iacute;ses.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Assim, desde 1997, o governante de Hong Kong (chamado de Chefe Executivo) &eacute; escolhido por um col&eacute;gio eleitoral de 1200 pessoas indicadas pelo governo central da China, que garantem sempre uma escolha de acordo com a vontade do Partido Comunista da China (PCCh). O atual Chefe executivo,&nbsp;<\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Leung Chun-ying<\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">de,&nbsp;<\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">por exemplo, foi eleito em 2012 com 689 votos.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Em 2007, por&eacute;m, o Congresso do Povo aprovou uma reforma eleitoral que definia a elei&ccedil;&atilde;o por sufr&aacute;gio universal do governante de Hong Kong em 2017. Mas manteve o artigo 45 da Lei B&aacute;sica, que estabelece que na eventualidade de elei&ccedil;&atilde;o direta os candidatos ser&atilde;o previamente &ldquo;nomeados por um comit&ecirc; representativo amplo, de acordo com procedimentos democr&aacute;ticos&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Em 31 de agosto passado o Comit&ecirc; Executivo do Congresso do Povo regulamentou o processo e definiu que o &ldquo;comit&ecirc; representativo amplo&rdquo; que deve aprovar previamente os candidatos por maioria ser&aacute; o mesmo comit&ecirc; que atualmente escolhe o Chefe Executivo. A isto chamaram de &quot;procedimento democr&aacute;tico&quot;.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Com isso, o governo chin&ecirc;s garante que apenas candidatos &ldquo;aceit&aacute;veis&rdquo; possam participar do processo eleitoral, o que torna o processo de &ldquo;livre&rdquo; escolha uma farsa. Segundo o presidente do Comit&ecirc; Executivo do Congresso do Povo, Zhang Dejiang, &ldquo;os candidatos n&atilde;o precisam amar o Partido Comunista, mas n&atilde;o podem se opor ao partido e ao governo de partido &uacute;nico&rdquo;. Isto &eacute;, a popula&ccedil;&atilde;o de Hong Kong elegeria como seu governante uma marionete do Partido Comunista.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">&Eacute; contra esta imposi&ccedil;&atilde;o antidemocr&aacute;tica que a juventude de Hong Kong est&aacute; lutando. Segundo eles, ou se revoga esta decis&atilde;o ou se veta a reforma eleitoral proposta (este mecanismo &eacute; poss&iacute;vel, desde que haja n&uacute;mero suficiente de opositores na institui&ccedil;&atilde;o judici&aacute;ria de Hong Kong), pois aceit&aacute;-la equivale a abandonar a luta por democracia que existe em Hong Kong h&aacute; v&aacute;rios anos.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Um pa&iacute;s, dois sistemas?<\/b><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Quando a Lei B&aacute;sica foi aprovada, o PCCh justificou a concess&atilde;o de algumas liberdades &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de Hong Kong com a famosa f&oacute;rmula de &ldquo;um pa&iacute;s, dois sistemas&rdquo;. Segundo o partido, o que valia para Hong Kong n&atilde;o valia para a China, pois enquanto naquela cidade reinava o sistema capitalista, no restante do pa&iacute;s existia outro sistema, o &ldquo;socialismo com caracter&iacute;sticas chinesas&rdquo;.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Na verdade, a restaura&ccedil;&atilde;o capitalista da China j&aacute; havia ocorrido h&aacute; pelo menos 15 anos e 1997 era um per&iacute;odo de auge da implanta&ccedil;&atilde;o do capitalismo no pa&iacute;s. Em 1978 Deng Xiaoping iniciava uma pol&iacute;tica de &ldquo;abertura ao mundo ocidental&rdquo; para enfrentar a grave crise econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica que se abatia sobre o pa&iacute;s, depois de 10 anos de caos social provocado pela chamada &ldquo;Revolu&ccedil;&atilde;o Cultural&rdquo;. [1]<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Em termos pr&aacute;ticos, foi aplicada uma s&eacute;rie de reformas da economia, conhecidas como as &ldquo;quatro moderniza&ccedil;&otilde;es&rdquo;, cujo objetivo oficial era fortalecer o socialismo com a ado&ccedil;&atilde;o de alguns mecanismos de mercado para dinamizar a economia, instituindo-se o &ldquo;socialismo de mercado&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">A estas medidas iniciais seguiram-se a expropria&ccedil;&atilde;o de amplos setores do campesinato e a permiss&atilde;o de instala&ccedil;&atilde;o de &ldquo;empresas familiares&rdquo; no campo, a abertura de &ldquo;zonas especiais&rdquo; no litoral, onde empresas capitalistas podiam se estabelecer livremente e a privatiza&ccedil;&atilde;o das empresas estatais que tinham surgido ap&oacute;s da revolu&ccedil;&atilde;o socialista de 1949.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Este processo de implanta&ccedil;&atilde;o do capitalismo sob a dire&ccedil;&atilde;o ditatorial do Partido Comunista sofreu uma forte rea&ccedil;&atilde;o em 1989, quando amplos setores da juventude e oper&aacute;rios come&ccedil;aram a se organizar em partidos e sindicatos independentes do PCCh para exigir o fim da fome no campo, o fim da corrup&ccedil;&atilde;o nos organismos do estado e liberdades democr&aacute;ticas. O fim deste processo ficou conhecido como o &ldquo;massacre na Pra&ccedil;a Tiananmen&rdquo;, a principal pra&ccedil;a de Pequim, em frente &agrave; sede do governo, que estava ocupada pelos manifestantes. Os tanques da ditadura invadiram a pra&ccedil;a causando a morte de centenas de opositores do regime, al&eacute;m da pris&atilde;o de milhares. O n&uacute;mero de mortos nunca foi divulgado.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Ap&oacute;s 1989, com a derrota do movimento revolucion&aacute;rio, o processo de privatiza&ccedil;&atilde;o e de retirada das conquistas oper&aacute;rias vindas da revolu&ccedil;&atilde;o foi acelerado e em 1997, data da instaura&ccedil;&atilde;o da Lei B&aacute;sica de Hong Kong, o sistema capitalista j&aacute; estava plenamente estabelecido na China.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Por isso, a afirma&ccedil;&atilde;o do PCCh de que haveria dois sistemas opostos na &eacute;poca (e at&eacute; hoje) n&atilde;o passa de uma nuvem de fuma&ccedil;a para esconder dois fatos: tanto em Hong Kong quanto na China o sistema econ&ocirc;mico &eacute; o capitalista e&nbsp;<\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">nas duas regi&otilde;es&nbsp;<\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">o regime pol&iacute;tico &eacute; o de uma ditadura capitalista sob a m&atilde;o de ferro de um partido cujo nome, por tradi&ccedil;&atilde;o, &eacute; &ldquo;comunista&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Portanto, o que existe de fato &eacute;: &ldquo;um pa&iacute;s, um sistema&rdquo;. Um pa&iacute;s de sistema capitalista com um regime pol&iacute;tico ditatorial.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">A resposta do PCCh<\/b><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Basta ver a rea&ccedil;&atilde;o do PCCh &agrave; luta da juventude de Hong Kong para que esta afirma&ccedil;&atilde;o fiquem bem clara. A resposta pol&iacute;tica foi t&iacute;pica das ditaduras sul-americanas e de outros pa&iacute;ses: a repress&atilde;o mais brutal, como j&aacute; foi visto, e as amea&ccedil;as por meio da imprensa. Num artigo do dia 1&ordm; de setembro, ap&oacute;s uma pequena manifesta&ccedil;&atilde;o de protesto chamada pelo movimento &ldquo;Ocupar o Centro Financeiro&rdquo;, o Global Times (site controlado pelo PCCh) acusa a &ldquo;oposi&ccedil;&atilde;o radical&rdquo; de ser um &ldquo;tigre de papel&rdquo; e afirma que: &ldquo;eles ser&atilde;o chamados a prestar contas se recorrerem ao confronto ilegal&#8230; Hong Kong n&atilde;o &eacute; a Ucr&acirc;nia,&#8230; se grupos radicais de oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o entenderem isso e acreditarem que podem ter um papel dominante na reforma pol&iacute;tica de Hong Kong, ent&atilde;o os fatos lhes dar&atilde;o uma li&ccedil;&atilde;o&rdquo;. <\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Obviamente s&atilde;o mais que fatos, s&atilde;o as balas e canh&otilde;es da ditadura apontados aos manifestantes se eles ousarem ter uma pol&iacute;tica independente, como os manifestantes da Ucr&acirc;nia ousaram. &nbsp;<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Mas &eacute; no terreno econ&ocirc;mico que a ditadura se esmerou. No primeiro dia da greve estudantil, Xi Jinping, l&iacute;der do PCCh e presidente da China, reunia-se com os maiores milion&aacute;rios de Hong Kong para garantir que n&atilde;o iria mudar as regras estabelecidas e, obviamente, para exigir seu apoio em troca do privil&eacute;gio, que os tornou milion&aacute;rios, de continuar explorando a classe oper&aacute;ria chinesa sob a prote&ccedil;&atilde;o da ditadura.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Entre os convidados do presidente, que reunidos possuem uma fortuna avaliada em dezenas de bilh&otilde;es de d&oacute;lares, estavam Stanley Lau, presidente da Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias de Hong Kong, Lee Shau-kee, presidente do grupo Desenvolvimento Imobili&aacute;rio Henderson e Peter Woo Kwong-ching, da Holding Wharf. Mas a estrela do encontro foi Li Ka-shing, dono da Holding Cheung Kong, o homem mais rico da &Aacute;sia, com uma fortuna de US$30,7 bilh&otilde;es, de acordo com a revista Bloomberg. Xi Jinping fez quest&atilde;o de sair ao seu lado na foto oficial do encontro.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">N&atilde;o h&aacute; nada mais sintom&aacute;tico para um governo de um pa&iacute;s capitalista do que recorrer aos pr&oacute;prios capitalistas para assegurar a &ldquo;ordem&rdquo; e a tranquilidade para que eles possam continuar explorando a classe oper&aacute;ria, seja em Hong Kong, seja na China.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Mas o cen&aacute;rio n&atilde;o seria completo se os eternos aliados dos patr&otilde;es contra os trabalhadores n&atilde;o surgissem em cena: a burocracia sindical. Uma delega&ccedil;&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o Sindical de Hong Kong, encabe&ccedil;ada pelo seu presidente, Lam Shuk-yee, foi recebida pelo presidente do Comit&ecirc; Executivo do Congresso do Povo, Zhang Dejiang. Este disse que &ldquo;esperava que os dirigentes sindicais mantivessem seus princ&iacute;pios de patriotismo e amor a Hong Kong&rdquo; e pediu que a &ldquo;federa&ccedil;&atilde;o melhorasse seus servi&ccedil;os e contribu&iacute;sse mais &agrave; prosperidade e estabilidade de Hong Kong&rdquo;. &Eacute; claro que estes senhores se dispuseram na hora a colaborar com a prosperidade dos capitalistas e a estabilidade da ditadura em Hong Kong, em troca da manuten&ccedil;&atilde;o de seus cargos.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">A hipocrisia do imperialismo<\/b><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Os principais ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o do imperialismo, como o jornal New York Times, v&ecirc;m cobrindo os protestos sistematicamente, exigindo que o governo chin&ecirc;s conceda as liberdades democr&aacute;ticas pelas quais a popula&ccedil;&atilde;o de Hong Kong luta. Mas revelam sua verdadeira face ao afirmar, como no editorial do NYT do dia 1&ordm; de outubro, que &ldquo;tal resultado [de uma forte repress&atilde;o, nda] seria devastador para a popula&ccedil;&atilde;o de Hong Kong e danificaria severamente a estabilidade pol&iacute;tica que corpora&ccedil;&otilde;es multinacionais t&ecirc;m aproveitado h&aacute; muito tempo ao estabelecer seus neg&oacute;cios l&aacute;&rdquo;. <\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">As multinacionais se estabelecem em Hong Kong para ter as mesmas vantagens da burguesia local na explora&ccedil;&atilde;o da classe oper&aacute;ria chinesa, pois gozam de um status especial em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s empresas consideradas estrangeiras. E essa &eacute; a grande preocupa&ccedil;&atilde;o do imperialismo, n&atilde;o prejudicar seus neg&oacute;cios na &ldquo;f&aacute;brica do mundo&rdquo; chinesa.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Tanto &eacute; assim que em nenhum momento criticam o fato de que a Inglaterra tenha colonizado Hong Kong por mais de 150 anos sem nunca ter realizado uma &uacute;nica elei&ccedil;&atilde;o. Nos anos 60 e 70, por exemplo, ocorreram protestos de massa, inclusive algumas rebeli&otilde;es, contra o dom&iacute;nio ingl&ecirc;s e a falta de democracia, que foram reprimidas pela pol&iacute;cia colonial, da mesma forma que faz hoje a ditadura do PCCh. &Eacute; o roto falando do esfarrapado&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Outra Pra&ccedil;a Tiananmen n&atilde;o!<\/b><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A juventude e a popula&ccedil;&atilde;o de Hong Kong correm um grande risco. O espectro do massacre da Pra&ccedil;a Tiananmen ronda o centro financeiro da cidade e n&atilde;o s&atilde;o poucos os que lembram do resultado tr&aacute;gico ocorrido h&aacute; 25 anos. Ainda mais porque todos os anos a ocupa&ccedil;&atilde;o da Pra&ccedil;a &eacute; lembrada com atos de massa na cidade, enquanto sua simples men&ccedil;&atilde;o &eacute; duramente reprimida no resto da China.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Para a ditadura chinesa &eacute; crucial impedir que esta luta se amplifique e alcance os setores oper&aacute;rios da cidade, repetindo a alian&ccedil;a oper&aacute;rio-estudantil ocorrida em 1989. Isto pode abrir um precedente para as lutas democr&aacute;ticas no resto do pa&iacute;s e gerar uma situa&ccedil;&atilde;o que pode fugir do controle.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">E isso ocorre quando o crescimento econ&ocirc;mico deixa de ser t&atilde;o vigoroso como nos anos anteriores, o que poderia unificar as lutas econ&ocirc;micas, muito comuns na China, com as lutas por democracia, uma mistura explosiva.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">&Eacute; necess&aacute;rio que a juventude em luta e os trabalhadores de Hong Kong recebam a mais ampla solidariedade dos lutadores democr&aacute;ticos e sociais de todo o mundo. &Eacute; s&oacute; assim que ter&atilde;o a for&ccedil;a necess&aacute;ria para enfrentar a ditadura do PCCh e para construir suas pr&oacute;prias organiza&ccedil;&otilde;es sindicais e pol&iacute;ticas independentes do governo do PCCh, dos patr&otilde;es e das institui&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave; ditadura, como as Federa&ccedil;&otilde;es Sindicais da China e de Hong Kong.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudantes universit&aacute;rios&nbsp;boicotam aulas por uma semana e&nbsp;ocupam as ruas do centro financeiro de Hong Kong para exigir elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas em 2017.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":8404,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[365,3709],"tags":[],"class_list":["post-3128","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-china","category-juventude"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/hk-umbrella-revolution_240x171.jpg","categories_names":["China","Juventude"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3128\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8404"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}