{"id":31183,"date":"2020-01-20T18:10:00","date_gmt":"2020-01-20T20:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31183"},"modified":"2020-01-20T18:10:00","modified_gmt":"2020-01-20T20:10:00","slug":"brasil-lgbtfobia-um-mal-cotidiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/01\/20\/brasil-lgbtfobia-um-mal-cotidiano\/","title":{"rendered":"Brasil &#124; LGBTfobia, um mal cotidiano"},"content":{"rendered":"<p><em>Em dias e \u00e9pocas dif\u00edceis, como a que estamos passando em nosso pa\u00eds, continuamos a nos deparar com mortes LGBTs. Entra ano, passa ano, e vidas continuam a serem ceifadas de forma brutal e desumanas.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Sarah Fagundes<br \/>\nEspecialmente no caso das travestis e transexuais. Porque quando falamos dessas mortes n\u00e3o estamos falando de mortes naturais, mas da forma como elas sofreram: mortes brutais em que o assassino homof\u00f3bico age com naturalidade ao tirar a vida de suas v\u00edtimas, expressando seu desejo de elimin\u00e1-las do mundo. Nos \u00faltimos dez anos nosso pa\u00eds ficou conhecido por ser o que mais mata pessoas LGBT no mundo.<br \/>\nHoje, dia 14, fa\u00e7o esse texto para dizer o quanto \u00e9 revoltante saber que 2018 foi o pior ano no \u00edndice de assassinatos brutais contra Travestis e Transexuais, chegando ao revoltante \u00edndice de 6 travestis ou transexuais, gays e l\u00e9sbicas assassinadas por semana. Essas pessoas t\u00eam sido assassinadas em nome de Deus, com discursos de honra e de defesa da fam\u00edlia.<br \/>\nAt\u00e9 onde sabemos, o cristianismo prega um Deus de amor, paz, fraternidade. Mas \u00e9 justamente o contr\u00e1rio que se expressa nesses crimes de \u00f3dio. Sabemos que o nosso pa\u00eds registra 1 morte a cada 16 horas no brasil, pelo simples fato de sermos o que somos. A sociedade continua a perseguir a comunidade LGBT e isso tem se intensificado no governo Bolsonaro que legitima esse discurso.<br \/>\nEntra 2020, e os casos de assassinatos continuam. N\u00e3o estamos nem no final de janeiro e j\u00e1 assistimos a tr\u00eas homic\u00eddios ligados a Travestis que perderam suas vidas simplesmente por serem quem s\u00e3o, que apenas queriam viver e serem felizes.<br \/>\nAmanda C. Silveira, 37 anos, natural de Charqueadas (RS), morta a tiros dentro da sua resid\u00eancia por uma pessoa que ainda n\u00e3o foi identificada. Os motivos a pol\u00edcia tamb\u00e9m n\u00e3o esclareceu.<br \/>\nLuana Fontes da Silva, 24 anos, natural de Macei\u00f3 (AL), estava em Curitiba (PR) quando foi abordada por um motoqueiro e levou um tiro na nuca. Segundo a pol\u00edcia, o crime foi motivado por uma disputa de ponto.<br \/>\nPaulinha, 24 anos, foi morta a facadas dentro de uma lanchonete na cidade de Deod\u00e1polis (TO). Um homem simplesmente entrou no estabelecimento e desferiu v\u00e1rias facadas. A v\u00edtima tentou correr, mas caiu e o assassino continuou a desferir sem parar v\u00e1rios golpes at\u00e9 a v\u00edtima ficar sem vida.<br \/>\nAgora eu pergunto: isso \u00e9 normal para nosso pa\u00eds? Pessoas como eu devemos andar prevenidas por n\u00e3o sabermos se quando sairmos de casa iremos voltar com vida, ou se iremos parar em um hospital? Essas perguntas eu me fa\u00e7o todos os dias. E n\u00e3o sou s\u00f3 eu, mas toda a comunidade LGBT que passa por isso todos dias, apenas por sermos o que somos, uma pe\u00e7a \u00e0s margens da sociedade! \u00c9 assim que devemos ser ent\u00e3o? Andar escondidas com medo, n\u00e3o importando quem somos, se temos direitos enquanto seres humanos? A sociedade capitalista tem oprimido LGBTs, mulheres, negras e negros, ind\u00edgenas, cada um de n\u00f3s por sermos quem somos.<br \/>\nA batalha jamais vai acabar, mas ela pode mudar de rumo se unirmos nossas for\u00e7as, darmos as m\u00e3os, e sair \u00e0 luta sem medo de enfrentar a opress\u00e3o porque ser o que somos n\u00e3o nos faz menos que ningu\u00e9m!<br \/>\nUm olhar sobre as estat\u00edsticas de viol\u00eancia LGBTf\u00f3bica no Brasil nos revela algo assustador: n\u00e3o s\u00f3 os n\u00fameros s\u00e3o gritantes como aumentam a cada ano. No pa\u00eds com o maior n\u00famero de assassinatos motivados por orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00eanero, a criminaliza\u00e7\u00e3o efetiva da LGBTfobia n\u00e3o \u00e9 apenas necess\u00e1ria, \u00e9 urgente. Essa \u00e9, contudo, apenas uma das medidas necess\u00e1rias para combater a viol\u00eancia e a opress\u00e3o.<br \/>\nOs homic\u00eddios s\u00e3o a parte mais escancarada do problema, mas n\u00e3o a \u00fanica. O ass\u00e9dio nas escolas, discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho ou at\u00e9 mesmo em casa s\u00e3o constantes na vida das LGBTs. Isso gera, tamb\u00e9m, uma maior taxa de suic\u00eddio entre n\u00f3s. Esses crimes, contudo, n\u00e3o s\u00e3o punidos conforme o que s\u00e3o. Hoje j\u00e1 temos uma lei espec\u00edfica contra a LGBTfobia, mas que ainda ignora a motiva\u00e7\u00e3o homof\u00f3bica ou transf\u00f3bica desses assassinatos e agress\u00f5es.<br \/>\nNenhum dos \u00faltimos governos tomou medidas para defender a vida das LGBTs. Bolsonaro, ainda, busca superar os anteriores sendo n\u00e3o apenas conivente mas um entusiasmado apoiador da viol\u00eancia LGBTf\u00f3bica. Sua declara\u00e7\u00e3o de que \u201cter filho gay \u00e9 falta de porrada\u201d \u00e9 um bom exemplo de que nosso atual presidente est\u00e1 do lado dos agressores.<br \/>\nAo seu lado, Damares Alves deixa claro que o Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos n\u00e3o defender\u00e1 os direitos das LGBTs. \u00c9 preciso criminalizar efetivamente a LGBTfobia j\u00e1 e seguir na luta contra a opress\u00e3o. Estamos ao lado daqueles que acreditam que, nesse momento, devemos n\u00e3o apenas barrar qualquer tentativa de retrocesso nos direitos \u00e0s LGBTs, mas avan\u00e7ar no combate \u00e0 opress\u00e3o.<br \/>\nA criminaliza\u00e7\u00e3o da LGBTfobia, aprovada no STF, foi um importante passo desse longo caminho. Lutamos tamb\u00e9m contra o projeto Escola Sem Partido, pela inclus\u00e3o dos debates sobre g\u00eanero e sexualidade para que nenhum jovem LGBT tenha que largar os estudos ou sofrer ass\u00e9dio em ambiente escolar. Lutamos por pol\u00edticas efetivas que garantam o emprego e a sa\u00fade para as LGBTs, para n\u00e3o morrermos nem de fome nem por falta de atendimento.<br \/>\nE enquanto vivermos sob um Estado que se recusa a garantir a vida das LGBTs, defendemos que a classe trabalhadora tome essa defesa em suas pr\u00f3prias m\u00e3os, se organizando coletivamente para combater a viol\u00eancia.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dias e \u00e9pocas dif\u00edceis, como a que estamos passando em nosso pa\u00eds, continuamos a nos deparar com mortes LGBTs. 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