{"id":31103,"date":"2020-01-14T12:01:04","date_gmt":"2020-01-14T14:01:04","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31103"},"modified":"2020-01-14T12:01:04","modified_gmt":"2020-01-14T14:01:04","slug":"minustah-abuso-e-exploracao-sexual-infantil-no-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/01\/14\/minustah-abuso-e-exploracao-sexual-infantil-no-haiti\/","title":{"rendered":"MINUSTAH: abuso e explora\u00e7\u00e3o sexual infantil no Haiti"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>For\u00e7as Armadas uruguaias estariam envolvidas em 28% dos casos<\/strong><\/em><br \/>\n<em>\u201cTodo dia escutava mulheres que se queixavam da viol\u00eancia sexual por parte da MINUSTAH*. E foram contaminadas por AIDS atrav\u00e9s da viol\u00eancia sexual. H\u00e1 tamb\u00e9m algumas que est\u00e3o gr\u00e1vidas. E n\u00e3o houve somente hist\u00f3rias de mulheres e meninas agredidas sexualmente pela MINUSTAH, mas tamb\u00e9m homens e meninos que sofreram abusos semelhantes\u201d.<\/em> Este estudo esteve dirigido pela professora Sabine Lee e pela cientista cl\u00ednica Susan Bartels da Queen\u2019s University de Ontario.<br \/>\n<!--more--><br \/>\n<em>Por: Heber<\/em><br \/>\nTal estudo coloca em relev\u00e2ncia a extrema pobreza como um dos fatores chave \u201cque contribui para o abuso sexual e a explora\u00e7\u00e3o por parte das for\u00e7as\u201d da ONU no Haiti. <em>\u201cUm n\u00famero surpreendente do pessoal da manuten\u00e7\u00e3o da paz uniformizado e n\u00e3o uniformizado foram relacionados a abusos aos direitos humanos, inclu\u00edda a explora\u00e7\u00e3o sexual, o estupro e inclusive as mortes ilegais (\u2026)\u201d<\/em> denunciam em seu relat\u00f3rio.<br \/>\n<em>\u201cV\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de meios de comunica\u00e7\u00e3o informaram que era oferecida comida e pequenas quantias de dinheiro aos menores para que tivessem rela\u00e7\u00f5es sexuais com o pessoal da ONU. E a MINUSTAH estava vinculada a um c\u00edrculo sexual que operava no Haiti com aparente impunidade: supostamente, ao menos 134 efetivos da manuten\u00e7\u00e3o da paz de Sri Lanka exploraram nove meninos de 2004 a 2007\u201d.<\/em> (1)<br \/>\n<em>\u00a0\u201cNo ver\u00e3o de 2017, nossa equipe de investiga\u00e7\u00e3o entrevistou aproximadamente 2.500 haitianos sobre as experi\u00eancias de mulheres e meninas locais que vivem em comunidades que abrigam opera\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 paz (\u2026). As declara\u00e7\u00f5es revelam como meninas de apenas 11 anos foram abusadas sexualmente e engravidadas pelos efetivos das for\u00e7as de paz e depois, como disse um dos entrevistados, \u2018ficaram na mis\u00e9ria\u2019 para criar seus filhos sozinhas (\u2026). O estudo afirma que 28,3% e 21,9% do pessoal da ONU \u2013 comprometidos nestas situa\u00e7\u00f5es \u2013 foram identificados como pertencentes ao Uruguai e ao Brasil, respectivamente\u201d.<\/em><br \/>\n<strong>Fatos e situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o novos<\/strong><br \/>\nNo ano de 2012 o Uruguai tamb\u00e9m foi centro de den\u00fancias.\u00a0<em> \u201cO jovem haitiano Johnny Jean em seu primeiro comparecimento ante a Justi\u00e7a uruguaia \u2013 assegurou \u2013 \u00a0que foi estuprado por cinco marinheiros uruguaios da Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Estabiliza\u00e7\u00e3o do Haiti, os quais reconheceu e identificou ante o tribunal.<\/em><br \/>\n<em>Segundo informou Mike Puglise, um dos advogados estadunidenses do jovem, Jean ratificou sua den\u00fancia e apresentou novas provas, como um v\u00eddeo sem edi\u00e7\u00e3o no qual aparece a cena completa do estupro e um informe m\u00e9dico realizado no Haiti que confirma os abusos sexuais.\u201d<\/em>\u00a0(2)<br \/>\nO rep\u00fadio e a exig\u00eancia da retirada das tropas do Haiti manifestou-se em v\u00e1rias ocasi\u00f5es no Uruguai. Foram realizados protestos e mobiliza\u00e7\u00f5es como tamb\u00e9m den\u00fancias em \u00e2mbitos parlamentares, nada disto foi escutado. Esta ocupa\u00e7\u00e3o levou \u00e0 renuncia o deputado socialista Guillermo Chifflet, em 2005 e do ex integrante do MPP, Esteban P\u00e9rez, em 2013.<br \/>\nEm abril de 2008, o Servi\u00e7o de Paz e Justi\u00e7a -SERPAJ- afirmava: <em>\u201cD\u00f3i e envergonha que sejam os ex\u00e9rcitos de pa\u00edses irm\u00e3os, que estejam\u00a0 reprimindo o povo haitiano. Precisamos buscar outras formas de coopera\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria e comprometida, de acordo com a \u00e9tica dos direitos humanos e seu pleno respeito. Cada povo deve encontrar seu pr\u00f3prio caminho e o Haiti n\u00e3o conseguir\u00e1 em um contexto de ocupa\u00e7\u00e3o, depend\u00eancia e assistencialismo\u201d.<\/em>\u00a0(3)<br \/>\n<strong>Um pouco de hist\u00f3ria<\/strong><br \/>\n<em>\u201cOs relatores recordar\u00e3o que em meados de 2004, \u00faltimo ano do mandato presidencial do Dr.Jorge Batlle, a Frente Ampla (FA)se op\u00f4s de forma un\u00e2nime \u00e0 iniciativa de enviar tropas uruguaias ao Haiti. Isso ocorreu apesar da surpresa provocada dentro da esquerda pela decis\u00e3o do governo de Luiz In\u00e1cio \u201cLula\u201d da Silva de que o Brasil assumisse o comando do componente militar da Minustah. Poucos meses depois, em dezembro de 2004, quando a FA j\u00e1 se preparava para assumir o governo, Batlle solicitou a anu\u00eancia parlamentar para ampliar o n\u00famero de efetivos do contingente militar no Haiti. Ent\u00e3o, ainda que com relut\u00e2ncia, a bancada frenteamplista acompanhou a iniciativa quase unanimemente.\u201d<\/em>\u00a0(4)<br \/>\nO envio de militares a miss\u00f5es no exterior, que teve seu in\u00edcio na ditadura, continuou sob os governos Blanco e Colorado. Mas, como vimos, de 2004 em diante parlamentares e governos da FA, n\u00e3o somente mantiveram as tropas por mais de 13 anos no Haiti, como inclusive a estenderam a outros pa\u00edses. Como pe\u00f5es do imp\u00e9rio, as For\u00e7as Armadas cumpriram e cumprem o papel de usurpadores, ocupantes e repressores que, al\u00e9m disso s\u00e3o denunciados agora pelas atrocidades \u00e0s quais o povo irm\u00e3o do Haiti foi submetido.<br \/>\nManini R\u00edos, ex comandante em chefe das For\u00e7as Armadas, agora convertido em senador da ultradireita, jamais disse<em>\u201cacabou o recreio\u201d<\/em>, \u00a0aos contingentes militares, que sob seu comando violaram os direitos humanos no Haiti, \u00e9 que este personagem tem tanta responsabilidade como o governo nos fatos acontecidos.<br \/>\nO Haiti esteve ocupado por 8.993 efetivos: 7066 soldados e 1927 policiais. Este contingente militar esteve composto majoritariamente por efetivos do Brasil (1211), Uruguai (1147), Argentina (562), Chile (502). A medida imposta pela ONU se fundamentou em que \u201co Haiti \u00e9 uma sociedade fragmentada, conflitiva e violenta que precisa da tutoria da comunidade estrangeira\u201d. Em 2017 em uma entrevista Didier Dominique, l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o Batay Ouvriye (Batalha Oper\u00e1ria), expressava sobre a a\u00e7\u00e3o das tropas de ocupa\u00e7\u00e3o nas lutas por sal\u00e1rio:<br \/>\n<em>\u00a0\u201cHouve uma luta forte dos oper\u00e1rios por um sal\u00e1rio m\u00ednimo de 800 gourdes (cerca de 12 d\u00f3lares). Todos os dias do m\u00eas de julho os oper\u00e1rios sa\u00edam \u00e0s ruas. Batay Ouvriye esteve junto com eles nessa luta. Mas a repress\u00e3o foi muito dura, pela pol\u00edcia nacional, com respaldo da Minustah. A pol\u00edcia atacou com fuzis e tanques. Eles entravam nas casas atacando os manifestantes. Foi uma repress\u00e3o brutal. No fianl aumentaram o sal\u00e1rio s\u00f3 350 gourdes (5.5 d\u00f3lares). Agora, a situa\u00e7\u00e3o continua explosiva. Pode haver um levantamento popular .\u201d<\/em>(5)<br \/>\nA todos estes fatos denunciados, se soma o reconhecimento da ONU, de que as tropas introduziram o c\u00f3lera no pa\u00eds haitiano. <em>\u201cPela primeira vez, as Na\u00e7\u00f5es Unidas reconheceram sua pr\u00f3pria participa\u00e7\u00e3o em um devastador surto de c\u00f3lera no Haiti em 2010 na qual morreram ao menos 10.000 pessoas <\/em><em>.<\/em>\u201d (6)<br \/>\nOs trabalhadores e o povo uruguaio que continuam a luta para que apare\u00e7am os restos dos desaparecidos, exigindo a verdade o julgamento e puni\u00e7\u00e3o para os militares e civis que violaram os Direitos Humanos, devemos levantar e agregar a essa reivindica\u00e7\u00e3o, o julgamento e puni\u00e7\u00e3o para quem, submetendo-se \u00e0s ordens imperialistas, ocuparam e abusaram de meninas, jovens e mulheres. E n\u00e3o somente devem ser castigados os que efetuaram as agress\u00f5es materiais, como tamb\u00e9m todos aqueles que permitiram a partir de seus altos cargos civis e militares que esta ocupa\u00e7\u00e3o fosse levada adiante no Haiti.<br \/>\nO futuro ministro da Defesa do pr\u00f3ximo governo multicolor, Javier Garc\u00eda, do partido Nacional, j\u00e1 afirmou que as for\u00e7as armadas continuar\u00e3o com este tipo de miss\u00f5es e isentou de suas responsabilidades todo o alto comando. Estes sinais mostram que o pr\u00f3ximo governo de Luis Lacalle manter\u00e1 o rumo e tentar\u00e1 sustentar a impunidade de todos os militares violadores dos Direitos Humanos nascida no Pacto do Clube Naval. Hoje a institui\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas volta a ser denunciada por outras viola\u00e7\u00f5es enquanto ocupavam o Haiti. Os trabalhadores, as organiza\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos devemos repudiar estes fatos e preparar-nos para sair com maior for\u00e7a \u00e0s ruas e aprofundar a luta pelo julgamento e puni\u00e7\u00e3o para terminar com tanta impunidade.<br \/>\n(*MINUSTAH, da sigla francesa Miss\u00e3o da Na\u00e7\u00f5es Unidas para estabiliza\u00e7\u00e3o no Ha\u00efti)<br \/>\nNotas<br \/>\n1) https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-america-latina-50892596<br \/>\n2) http:\/\/www.rtve.es\/noticias\/20120511\/joven-haitiano-asegura-ante-justicia-fue-violado-marinos-uruguayos\/524438.shtml<br \/>\n3) http:\/\/www.lr21.com.uy\/comunidad\/306769-contra-la-ocupacion-y-la-represion-en-haiti<br \/>\n4) https:\/\/brecha.com.uy\/cuando-cae-telon\/<br \/>\n5) https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/latinoamerica\/haiti\/entrevista-didier-dominique-representante-batay-ouvriye-lucha-obrera-haiti\/<br \/>\n6) https:\/\/cnnespanol.cnn.com\/2016\/08\/19\/la-onu-admite-por-primera-vez-que-estuvo-involucrada-en-el-brote-de-colera-en-haiti\/<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>For\u00e7as Armadas uruguaias estariam envolvidas em 28% dos casos \u201cTodo dia escutava mulheres que se queixavam da viol\u00eancia sexual por parte da MINUSTAH*. 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