{"id":31087,"date":"2020-01-15T12:13:05","date_gmt":"2020-01-15T14:13:05","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31087"},"modified":"2020-01-15T12:13:05","modified_gmt":"2020-01-15T14:13:05","slug":"uruguai-o-ano-terminou-com-mais-feminicidios-e-a-emergencia-nacional-por-violencia-machista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/01\/15\/uruguai-o-ano-terminou-com-mais-feminicidios-e-a-emergencia-nacional-por-violencia-machista\/","title":{"rendered":"Uruguai &#124; O ano terminou com mais feminic\u00eddios e a emerg\u00eancia nacional por viol\u00eancia machista"},"content":{"rendered":"<p>Quando, em outubro e novembro, os candidatos presidenciais fizeram suas campanhas, tocaram muito levemente a quest\u00e3o dos feminic\u00eddios. \u00c9 que, tanto para a Frente Ampla quanto para a direita tradicional, \u00e9 uma d\u00edvida pendente. Durante a marcha de 25 de novembro contra a viol\u00eancia machista, vimos Daniel Mart\u00ednez, Mario Bergara e at\u00e9 Beatriz Argim\u00f3n marchando com aqueles que exigem um basta ao assassinato de mulheres.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Katia<br \/>\nNo entanto, podemos ver, por exemplo, que durante o governo da Frente Ampla foi aprovada uma lei contra a viol\u00eancia machista, que se encontra sem or\u00e7amento para ser aplicada. Pessoas como Argim\u00f3n n\u00e3o fazem nada pelas mulheres, se autodenominam feministas, mas s\u00e3o a favor da explora\u00e7\u00e3o di\u00e1ria das trabalhadoras. Ela mesma votou contra a lei do aborto, um direito b\u00e1sico para as mulheres que conseguimos atrav\u00e9s das lutas nas ruas.<br \/>\n<strong>Dezembro: um Natal com viol\u00eancia a flor da pele<\/strong><br \/>\nEnquanto muitas pessoas passaram um Natal tranquilo com suas fam\u00edlias, duas mulheres foram mortas nas m\u00e3os de um homem que j\u00e1 tinha den\u00fancias por viol\u00eancia. A restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o o impediu de aparecer na casa de sua ex-esposa e atacar ela e sua irm\u00e3, enquanto seu filho pequeno observava a situa\u00e7\u00e3o. Ambas morreram por impacto de balas.<br \/>\nEm outro bairro de Montevid\u00e9u, um homem foi \u00e0 casa de sua ex-esposa, agrediu-a e depois assassinou sua filha. No total, tr\u00eas mulheres foram mortas em 25 de dezembro, um sinal de que a viol\u00eancia continua e que as mulheres est\u00e3o em constante perigo.<br \/>\n<strong>A emerg\u00eancia nacional n\u00e3o \u00e9 o fim da luta<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s os \u00faltimos assassinatos de mulheres, o Presidente Tabar\u00e9 V\u00e1zquez decretou a emerg\u00eancia nacional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. A medida \u00e9 importante, dado que os grupos de mulheres vinham pedindo h\u00e1 anos, o que for\u00e7ou o governo a reconhecer \u2013 tardiamente &#8211; a emerg\u00eancia. No entanto, n\u00e3o \u00e9 uma resposta que resolve o problema. Segundo Juan Andr\u00e9s Roballo, vice-secret\u00e1rio da Presid\u00eancia, implica um trabalho a deixar para o pr\u00f3ximo governo de Lacalle Pou, que tamb\u00e9m n\u00e3o nos d\u00e1 garantias e tamb\u00e9m nos deixa esperando enquanto continuam nos matando.<br \/>\nA primeira coisa ser\u00e1 a expans\u00e3o do n\u00famero de tornozeleiras, de acordo com o comunicado oficial: \u201ca extens\u00e3o do programa de tornozelo eletr\u00f4nico foi destacada com a aquisi\u00e7\u00e3o de mais 200 unidades, o que aumentar\u00e1 o estoque para 1200 tornozeleiras em todo o pa\u00eds, fortalecendo concomitantemente o equipamento de monitoramento\u201d. Ou seja, a emerg\u00eancia nacional, concretamente, concede apenas mais 200 tornozeleiras. Diante do flagelo da viol\u00eancia machista, essa medida \u00e9 totalmente insuficiente, uma verdadeira zombaria.<br \/>\nSegundo o comunicado, isso ocorre no marco da Lei contra a Viol\u00eancia de G\u00eanero, que na realidade n\u00e3o est\u00e1 sendo aplicada por falta de or\u00e7amento. As tornozeleiras n\u00e3o s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que muitos homens as tiram, igualmente acessam as casas das v\u00edtimas e constantemente violam as restri\u00e7\u00f5es. As outras medidas v\u00e3o desde uma reuni\u00e3o das autoridades at\u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o em cursos virtuais. Todos sabemos que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para impedir a viol\u00eancia contra as mulheres.<br \/>\n<strong>Contra a viol\u00eancia machista: respostas j\u00e1! <\/strong><br \/>\nPor esse motivo, precisamos exigir respostas do Estado. N\u00e3o basta decretar a emerg\u00eancia nacional. N\u00e3o h\u00e1 casas abrigos suficientes ou garantias para as mulheres em perigo. N\u00e3o existem unidades interdisciplinares que garantam atendimento 24 horas \u00e0s v\u00edtimas. Ap\u00f3s as den\u00fancias, as mulheres est\u00e3o em constante perigo, enquanto seus agressores aparecem sem aviso pr\u00e9vio em suas casas.<br \/>\nAs mulheres trabalhadoras est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o em que somos exploradas, oprimidas e, nesses casos, at\u00e9 assassinadas. Enquanto isso, ganharmos menos dinheiro por trabalhos iguais, cuidamos das crian\u00e7as e das tarefas dom\u00e9sticas, assumimos riscos o tempo todo e em todos os lugares. A opress\u00e3o das mulheres, um sintoma do capitalismo, \u00e9 funcional para os setores poderosos que defendem personagens como Argimon ou mesmo a suposta &#8220;esquerda&#8221; da FA. As empresas nos exploram, nos pagam pouco e, quando saimos do trabalho, vamos para nossa casa, onde tamb\u00e9m n\u00e3o estamos seguras.<br \/>\nTemos que nos organizar para lutar contra a viol\u00eancia machista, pelos direitos das mulheres, para manter e melhorar aqueles que j\u00e1 conquistamos, como o direito ao aborto e a decis\u00e3o sobre o nosso corpo. Devemos parar de pagar a d\u00edvida externa e alocar todo o or\u00e7amento necess\u00e1rio para combater a viol\u00eancia machista. Lutar contra o sistema e pelo socialismo com a democracia oper\u00e1ria \u00e9 o caminho para come\u00e7ar a acabar com os feminic\u00eddios constantes.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando, em outubro e novembro, os candidatos presidenciais fizeram suas campanhas, tocaram muito levemente a quest\u00e3o dos feminic\u00eddios. \u00c9 que, tanto para a Frente Ampla quanto para a direita tradicional, \u00e9 uma d\u00edvida pendente. 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