{"id":31051,"date":"2020-01-10T19:49:53","date_gmt":"2020-01-10T21:49:53","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31051"},"modified":"2020-01-10T19:49:53","modified_gmt":"2020-01-10T21:49:53","slug":"caso-arandina-nem-uma-a-menos-nem-uma-a-mais-transformada-em-culpada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/01\/10\/caso-arandina-nem-uma-a-menos-nem-uma-a-mais-transformada-em-culpada\/","title":{"rendered":"Caso Arandina: Nem uma a menos, nem uma a MAIS transformada em culpada!"},"content":{"rendered":"<p><em>Ap\u00f3s dois longos anos de espera, a senten\u00e7a dos tr\u00eas ex-jogadores do clube de futebol da Arandina n\u00e3o caiu do c\u00e9u*. \u00c9 o resultado da luta e mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas de milhares de pessoas que est\u00e3o cansadas de senten\u00e7as machistas, fomos \u00e0s ruas todos esses anos para exigir uma mudan\u00e7a de leis e a depura\u00e7\u00e3o desse sistema judicial que n\u00e3o acredita em n\u00f3s.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Laura R.<br \/>\nAp\u00f3s a senten\u00e7a, a rea\u00e7\u00e3o foi r\u00e1pida. Fam\u00edlia e amigos chamaram a v\u00e1rias concentra\u00e7\u00f5es de protesto em apoio aos estupradores e disseminaram os \u00e1udios particulares da menina, conforme eles haviam amea\u00e7ado, o que pode ser denunciado. Por sua vez, algumas personalidades do jornalismo ou da pol\u00edtica contribu\u00edram com suas declara\u00e7\u00f5es vergonhosas para o linchamento da menina atrav\u00e9s das redes sociais.<br \/>\n<strong>N\u00e3o \u00e9 um caso isolado<\/strong><br \/>\nO caso Arandina \u00e9 um exemplo da criminaliza\u00e7\u00e3o sofrida por mulheres que denunciam viol\u00eancia sexual. Como afirmam os profissionais que trabalham para atend\u00ea-las, isso n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o, mas a dupla vitimiza\u00e7\u00e3o a que s\u00e3o submetidas, geralmente \u00e9 sistem\u00e1tica.<br \/>\nQuase sempre elas s\u00e3o culpabilizadas ou se culpam pelo que aconteceu, duvidam do fato ou n\u00e3o acreditam nelas, especialmente quando s\u00e3o menores de idade. O estupro \u00e9 banalizado e a resposta da sociedade, seja atrav\u00e9s da fam\u00edlia, da justi\u00e7a ou da m\u00eddia, permanece sendo o sil\u00eancio ou revitimiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que a maioria n\u00e3o denuncia e, se denunciam, frequentemente o autor ou autores n\u00e3o s\u00e3o condenados.<br \/>\n<strong>\u201cE a culpa n\u00e3o era minha, nem onde estava nem como vestia\u201d<\/strong><br \/>\n\u00c9 por causa dessa coniv\u00eancia, passividade e cumplicidade das institui\u00e7\u00f5es e do pr\u00f3prio Estado com os crimes sexuais contra mulheres que hoje s\u00e3o uma pandemia mundial e, na maioria das vezes, ficam impunes, que milh\u00f5es de mulheres em tantos pa\u00edses se sentiram identificadas com a performance que o grupo feminista chileno &#8220;Las Tesis&#8221; fez no dia 25 de novembro e, desde ent\u00e3o, deu a volta ao mundo, adaptando as letras \u00e0s diferentes situa\u00e7\u00f5es de cada pa\u00eds e se tornando um hino feminista.<br \/>\nComo diz Rita Segato, a antrop\u00f3loga cujos estudos e teorias inspiraram as letras dessa performance, em quase todas as culturas e religi\u00f5es, a mulher \u00e9 oprimida. A mulher \u00e9 moralmente suspeita, vulner\u00e1vel ao mal e \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o. Diferentes governos, incluindo aqueles que se autodenominam &#8220;democr\u00e1ticos&#8221;, usaram a viol\u00eancia sexual para semear o medo e que as mulheres n\u00e3o se expressem e exer\u00e7am seu direito de protestar.<br \/>\nEmbora o feminismo atribua isso ao &#8220;patriarcado&#8221;, que \u00e9 definido como algo universal e imut\u00e1vel, a origem da opress\u00e3o contra as mulheres, que \u00e9 a principal forma de discrimina\u00e7\u00e3o social que existe hoje, uma vez que afeta metade da humanidade, historicamente, est\u00e1 ligada ao surgimento de sociedades de classe e propriedade privada.<br \/>\nE sua express\u00e3o variou em diferentes sociedades, pois, como o restante das opress\u00f5es, sempre estiveram a servi\u00e7o de um determinado modo de produ\u00e7\u00e3o e para manter os interesses da classe dominante. No capitalismo decadente de hoje, essa classe dominante continua sendo a burguesia, que em todo o mundo extrai grandes benef\u00edcios econ\u00f4micos mantendo as mulheres na discrimina\u00e7\u00e3o e na desigualdade.<br \/>\nEmbora seja importante lutar por medidas como educa\u00e7\u00e3o sexual cient\u00edfica e valores de igualdade nas escolas p\u00fablicas ou contra a objetifica\u00e7\u00e3o das mulheres na publicidade ou na pornografia, n\u00e3o acabaremos com a cultura machista e de estupro que nos culpa por isso, sem destruir as bases econ\u00f4micas sobre as quais essa ideologia se baseia.<br \/>\n\u00c9 por isso que, n\u00f3s da Corriente Roja e da LIT, chamamos a juventude e \u00e0 classe trabalhadora que se organizem conosco na luta por uma sociedade diferente, por uma sociedade socialista que crie as condi\u00e7\u00f5es para uma verdadeira emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres.<br \/>\n<strong>N\u00e3o podemos deixar que nos tirem o que conseguimos, e nem das ruas. Por um pr\u00f3ximo 8M de classe e combativo!<\/strong><br \/>\nPor tr\u00e1s do questionamento dessa senten\u00e7a, est\u00e1 o discurso da extrema direita pela qual mulheres ou imigrantes s\u00e3o culp\u00e1veis, apenas por serem quem s\u00e3o. Eles negam ou banalizam a viol\u00eancia machista, mudando o foco para as mulheres que questionam seus clich\u00eas e estere\u00f3tipos .<br \/>\nN\u00e3o podemos baixar a guarda nem permitir que aqueles que, ativa ou passivamente, s\u00e3o c\u00famplices dessa viol\u00eancia, nos tirem das ruas. Nos pr\u00f3ximos 8M, teremos muitas raz\u00f5es e motivos para exigir dos sindicatos a prepara\u00e7\u00e3o e legitima\u00e7\u00e3o de uma verdadeira greve geral de toda a classe trabalhadora pelos direitos das mulheres, na qual, entre outras medidas, exijamos que o novo governo destitua todos esses ju\u00edzes e ju\u00edzas que emitem senten\u00e7as machistas.<br \/>\nPorque, embora n\u00e3o acreditemos em sua justi\u00e7a, herdeira do franquismo e a servi\u00e7o dos poderosos, queremos que estupradores, feminicidas e agressores sejam presos e que sejam eles\u00a0 os que tenham medo e n\u00e3o n\u00f3s.<br \/>\n*<em>Os tr\u00eas ex-jogadores da Arandina, Ra\u00fal Calvo, Carlos Cuadrado e V\u00edctor Rodr\u00edguez, foram condenados a 38 anos de pris\u00e3o por um crime de agress\u00e3o sexual em grupo a uma jovem de 15 anos. Acessivel em: https:\/\/www.niusdiario.es\/sociedad\/sucesos\/consulta-sentencia-caso-arandina_18_2865720226.html<\/em><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Vitor Jambo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s dois longos anos de espera, a senten\u00e7a dos tr\u00eas ex-jogadores do clube de futebol da Arandina n\u00e3o caiu do c\u00e9u*. \u00c9 o resultado da luta e mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas de milhares de pessoas que est\u00e3o cansadas de senten\u00e7as machistas, fomos \u00e0s ruas todos esses anos para exigir uma mudan\u00e7a de leis e a depura\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":31054,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3512,3493],"tags":[4774,4775,4777,2013],"class_list":["post-31051","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estado-espanhol","category-mulheres","tag-caso-arandina","tag-estupro-arandina","tag-laura-r","tag-patriarcado"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Arandina-1.jpg","categories_names":["Estado Espanhol","Mulheres"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31051\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31054"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}