{"id":30910,"date":"2020-01-04T15:43:21","date_gmt":"2020-01-04T17:43:21","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30910"},"modified":"2020-01-04T15:43:21","modified_gmt":"2020-01-04T17:43:21","slug":"e-a-culpa-nao-era-minha-nem-onde-estava-nem-como-me-vestia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/01\/04\/e-a-culpa-nao-era-minha-nem-onde-estava-nem-como-me-vestia\/","title":{"rendered":"E a culpa n\u00e3o era minha, nem onde estava, nem como me vestia &#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>A apresenta\u00e7\u00e3o do grupo Las Tesis &#8220;Um estuprador no seu caminho&#8221; foi rapidamente replicada em v\u00e1rios pa\u00edses. Fran\u00e7a, Alemanha, Estado espanhol, EUA, Argentina, M\u00e9xico, Paraguai, Turquia e muitos outros pa\u00edses dan\u00e7aram para denunciar o Estado opressivo. As redes sociais estavam cheias de fotos, folhetos e v\u00eddeos.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Nazarena Luna<br \/>\nNo Chile, o governo Pi\u00f1era \u00e9 denunciado, at\u00e9 que caia, porque \u00e9 quem aplica m\u00e9todos de terrorismo de estado aos e \u00e0s manifestantes que tomaram \u00e0s ruas h\u00e1 mais de 50 dias.<br \/>\nAs in\u00fameras den\u00fancias de estupros, torturas, desaparecimentos chegaram aos ouvidos de todos, apesar da tentativa do presidente de esconder, juntamente com a cumplicidade da m\u00eddia. Em 4 de dezembro, uma multid\u00e3o de mulheres de todas as idades se reuniu do lado de fora do Est\u00e1dio Nacional, um antigo centro de deten\u00e7\u00e3o e tortura da ditadura de Augusto Pinochet, onde o cantor e compositor Victor Jara foi assassinado.<br \/>\nA m\u00fasica se tornou um hino, sendo cantada por milhares de mulheres no mundo. Com suas diferentes adapta\u00e7\u00f5es \u00e0 situa\u00e7\u00e3o particular de cada pa\u00eds, deu voz ao mais numeroso setor oprimido do mundo. \u00c9 que a viol\u00eancia machista \u00e9 um dos males mais arraigados deste sistema. Mas isso est\u00e1 sendo fortemente questionado em todas as lutas que est\u00e3o se desenvolvendo.<br \/>\nNa Bol\u00edvia, as mulheres est\u00e3o enfrentando o golpe, na Col\u00f4mbia participando de greves gerais e manifesta\u00e7\u00f5es em massa. No Equador, fizeram o mesmo derrubando o decreto do FMI. Na \u00cdndia, recentemente milhares de mulheres sa\u00edram \u00e0s ruas denunciando o feminic\u00eddio de uma jovem por ter denunciado seu estuprador. E o mesmo se repete no Sud\u00e3o, no L\u00edbano e na Turquia. E em 25 de novembro, mobiliza\u00e7\u00f5es contra a viol\u00eancia machista ocorreram em todo o mundo.<br \/>\nA m\u00fasica \u00e9 direta. \u00c9 o sistema que permite perpetuar a viol\u00eancia. A Justi\u00e7a, o aparato repressivo do Estado, a Igreja, os governos que n\u00e3o investem um centavo do or\u00e7amento nessa luta, deixam as mulheres, fundamentalmente as trabalhadores e pobres \u00e0 sua sorte.<br \/>\nNa Am\u00e9rica Latina, os \u00edndices de viol\u00eancia s\u00e3o sinistros. Por dia, 9 mulheres morrem assassinadas. \u00c9 o lugar mais mortal para n\u00f3s fora de uma zona de guerra, de acordo com um relat\u00f3rio recente da ONU. E esses dados ainda s\u00e3o escassos, j\u00e1 que em muitos pa\u00edses, n\u00e3o h\u00e1 sequer a figura do feminic\u00eddio. Portanto, os assassinatos s\u00e3o invis\u00edveis dentro das taxas de homic\u00eddio.<br \/>\nEm nosso pa\u00eds, a figura do feminic\u00eddio, os dados oficiais, a lei de preven\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra as mulheres, conquistamos pela for\u00e7a da mobiliza\u00e7\u00e3o. E desde 2015, enchemos as ruas, impusemos o debate sobre a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto e marcamos a agenda sobre nossos direitos.<br \/>\nNo entanto, a viol\u00eancia continua sendo um c\u00e2ncer que, s\u00f3 em 2019, tirou quase 300 vidas e deixou milhares de crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s. Por outro lado, a desigualdade salarial, a pobreza deixada pelo governo que saiu, permanece altamente feminizada; taxas de desemprego que dobram as dos homens e outros problemas.<br \/>\n<strong>Marcar a agenda do que est\u00e1 por vir<\/strong><br \/>\nCertamente \u00e9 por isso que, na posse do novo presidente Alberto Fernandez, a quest\u00e3o das mulheres era uma parte importante de seu discurso. Dada a situa\u00e7\u00e3o objetiva e um movimento inserido nas ruas, \u00e9 um ponto complicado de resolver levando em considera\u00e7\u00e3o a d\u00edvida gerada pela administra\u00e7\u00e3o Macri. Se \u00e9 realmente uma preocupa\u00e7\u00e3o de Fern\u00e1ndez, exigiremos medidas e propostas concretas para aplica\u00e7\u00e3o urgente.<br \/>\nPara resolver a viol\u00eancia, \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar com o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida externa. Somente a partir da\u00ed obteremos o or\u00e7amento para a luta que deve ser travada. Para abrigos, subs\u00eddios para v\u00edtimas de viol\u00eancia, programas de inclus\u00e3o no trabalho, oficinas e cursos de autodefesa. Para programas abrangentes, desde campanhas estaduais em p\u00f4steres, m\u00eddia de massa, treinamento, oficinas em sindicatos, clubes de bairro, locais de trabalho e centros de estudo. Ter uma Educa\u00e7\u00e3o Sexual verdadeiramente abrangente em todas as \u00e1reas, com programas de sa\u00fade que envolvam m\u00e9todos contraceptivos e interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez legalmente, como aprofundamos e exigimos desde 2018.<br \/>\nNossa tarefa ser\u00e1 colocar essas quest\u00f5es na agenda e nos mobilizar at\u00e9 conquistarmos essas e todas as nossas demandas, exigindo a separa\u00e7\u00e3o da Igreja do Estado e mudando profundamente o sistema de justi\u00e7a machista. Para isso, precisamos lutar a partir dos centros estudantis, federa\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es sociais, partidos pol\u00edticos e parte muito importante dos sindicatos, onde as trabalhadoras devem assumir o posto e que essas demandas fa\u00e7am parte das pautas de reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores como um todo. As conquistas, vamos conseguir nas ruas e organizados.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A apresenta\u00e7\u00e3o do grupo Las Tesis &#8220;Um estuprador no seu caminho&#8221; foi rapidamente replicada em v\u00e1rios pa\u00edses. Fran\u00e7a, Alemanha, Estado espanhol, EUA, Argentina, M\u00e9xico, Paraguai, Turquia e muitos outros pa\u00edses dan\u00e7aram para denunciar o Estado opressivo. 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