{"id":30798,"date":"2019-12-12T16:50:15","date_gmt":"2019-12-12T18:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30798"},"modified":"2019-12-12T16:50:15","modified_gmt":"2019-12-12T18:50:15","slug":"america-do-sul-notas-sobre-o-momento-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/12\/12\/america-do-sul-notas-sobre-o-momento-atual\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica do Sul: Notas sobre o momento atual"},"content":{"rendered":"<p><em>Olho na press\u00e3o, t\u00e1 fervendo<\/em><\/p>\n<p><em>Olho na panela<\/em><\/p>\n<p><em>Dinamite \u00e9 o feij\u00e3o cozinhando<\/em><\/p>\n<p><em>Dentro do molho dela .<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0Lenine<\/em><\/p>\n<p><em>[Cantor e compositor brasileiro]<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Jo\u00e3o Ricardo Soares e Mari\u00facha Fontana &#8211; Militantes do PSTU-B<\/p>\n<p>A insurrei\u00e7\u00e3o equatoriana em 2000, abriu um per\u00edodo de grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de massas no subcontinente sul-americano que derrubaram v\u00e1rios presidentes (Equador, Argentina, Bol\u00edvia). Quase vinte anos depois, coube ao Equador voltar a acender o pavio da Am\u00e9rica do Sul. Mas o processo aberto em 2019, cuja continuidade e profundidade permanece tendo o Chile como um polo mais avan\u00e7ado, mas, e tamb\u00e9m, despertou a Col\u00f4mbia. Apesar de aparentemente contradit\u00f3rio ante o ar fresco da presen\u00e7a do movimento de massas no subcontinente, a tentativa de reelei\u00e7\u00e3o de Evo termina em um golpe na Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Este mesmo fen\u00f4meno contrasta com a volta da fra\u00e7\u00e3o Kirchnerista do peronismo ao governo argentino, quando a poucos quil\u00f4metros da Casa Rosada, o Frente Amplio uruguaio perde as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estas notas t\u00eam por objetivo discutir o momento atual da luta de classes na Am\u00e9rica do Sul e quais suas caracter\u00edsticas fundamentais. Em que sentido podemos nos referir a um novo momento na luta de classes no subcontinente e qual o elo fundamental entre os diferentes processos nacionais.<\/p>\n<p>\u201cOlho na press\u00e3o, t\u00e1 fervendo&#8230;\u201d<\/p>\n<p>1. A partir do ano 2000, uma onda de mobiliza\u00e7\u00f5es, insurrei\u00e7\u00f5es e semi-insurrei\u00e7\u00f5es contra as medidas de ajuste ditadas pelo imperialismo e levadas a cabo por cada uma das burguesias, conhecidas por \u201cneoliberais\u201d varreu a Am\u00e9rica do Sul. E este per\u00edodo contrastou claramente com o reacion\u00e1rio anos 90, onde as medidas aplicadas em un\u00edssono n\u00e3o desafinavam: aumento da explora\u00e7\u00e3o, desindustrializa\u00e7\u00e3o de alguns pa\u00edses, espolia\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, privatiza\u00e7\u00f5es e desnacionaliza\u00e7\u00e3o, acordos de livre com\u00e9rcio etc. A abertura de um novo ciclo pol\u00edtico pela insurrei\u00e7\u00e3o equatoriana em 2000, que tal qual o \u201ccaracazo\u201d venezuelano divide as for\u00e7as armadas, indicava a possibilidade, como m\u00ednimo, de derrotar, totalmente ou em parte, o ajuste exigido pelo imperialismo. O ajuste interno tinha como contrapartida a abertura do mercado mundial \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es dos recursos naturais da regi\u00e3o, diga-se de passagem controlada pelas monop\u00f3lios internacionais, e condi\u00e7\u00e3o para que a subserviente classe dominante regional entrasse como s\u00f3cia menor dos monop\u00f3lios imperialistas na trilha da nova onda de saque no subcontinente.<\/p>\n<p>2. A sincronia das subleva\u00e7\u00f5es adquiriu um car\u00e1ter insurrecional em alguns pa\u00edses. O ajuste \u201cneoliberal\u201d dos 90 foi questionado pela via da luta de classes e como subproduto imediato as massas que lutaram elegeram na maioria dos pa\u00edses da regi\u00e3o governos das for\u00e7as pol\u00edticas que aparentemente se colocavam contra o ajuste. Todos os governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes que resultaram desta onda insurrecional, tanto os que foram subproduto direto dos levantes (Correa, Kirchners, Evo Morales) ou os indiretos (Lula, V\u00e1zquez, Lugo) mantiveram o projeto de recoloniza\u00e7\u00e3o regional intacto.<\/p>\n<p>E no caso chileno, onde o ajuste foi imposto pela ditadura de Pinochet desde o final dos anos 70, foi administrado posteriormente pelos governos do PS. Primeiro por Lagos (2000) e os sucessivos governos de Bachelett, sendo o \u00faltimo integrado pelo PCCh. Todos, mantiveram na \u00edntegra e aprofundaram o sistema de espolia\u00e7\u00e3o desenhado durante a ditadura.<\/p>\n<p>O Subcontinente seguia a trilha da Venezuela, onde, antes, o Caracazo dividiu as for\u00e7as armadas em um dos mais profundos processos da luta de classes, dando origem ao governo Ch\u00e1vez. Abriu-se as condi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas para destruir o controle da renda petroleira pelo imperialismo e a parasit\u00e1ria burguesia venezuelana. No entanto, o chavismo, apesar da ret\u00f3rica, e tal qual todos os governos similares fizeram o oposto. Apenas Peru e Col\u00f4mbia pelas especificidades nacionais n\u00e3o integraram este processo.<\/p>\n<p>3. Os governos que se apresentaram para as massas como contr\u00e1rios ao ajuste em curso, foram na verdade a outra cara do ajuste: aprofundaram a inser\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses na divis\u00e3o mundial do trabalho imposta pelo imperialismo e as medidas internas de espolia\u00e7\u00e3o. A \u00fanica varia\u00e7\u00e3o na devasta\u00e7\u00e3o social e recoloniza\u00e7\u00e3o foi na intensidade e nos ritmos nacionais, que variou conforme a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as nacional e o lugar que cada pa\u00eds ocupava na cadeia produtiva dominada pelo imperialismo. Mas, independente dos ritmos de ajuste, todos os pa\u00edses se adaptaram ao superciclo das mercadorias intensivas em recursos naturais, assim como \u00e0s exig\u00eancias do imperialismo para cavalg\u00e1-lo.<\/p>\n<p>No entanto, os dois fen\u00f4menos que os caracterizaram: a ascendente curva do desenvolvimento capitalista e os programas assistenciais que jogavam as migalhas do banquete de lucros, j\u00e1 n\u00e3o podem se repetir na fase atual. Ao manter intacto o projeto capitalista-imperialista para a regi\u00e3o, e desarticular a onda de contesta\u00e7\u00e3o das massas, estes governos pavimentaram o caminho para a rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>4. A crise aberta em 2007 somente abrir\u00e1 suas asas no subcontinente quando as medidas contra-c\u00edclicas levadas a cabo por Pequim se esgotam e tem in\u00edcio a queda profunda nos pre\u00e7os das mercadorias exportadas. As consequ\u00eancias sociais da desnacionaliza\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o ao mercado mundial pela divis\u00e3o do trabalho demonstra sua cara. A escalada da crise \u00e9 proporcional ao lugar que cada pa\u00eds ocupava na cadeia produtiva mundial. Brasil e em menor medida Argentina (pelo n\u00edvel de devasta\u00e7\u00e3o mais profundo da produ\u00e7\u00e3o industrial nos 90) passam a ocupar um lugar inferior na cadeia produtiva dominada pelo imperialismo. A invers\u00e3o da curva exige o aumento da velocidade do ajuste, que tem in\u00edcio durante os governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes: aumento da pilhagem, superexplora\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o ambiental pela explora\u00e7\u00e3o extensiva dos recursos para compensar a ca\u00edda dos pre\u00e7os dos bens que exportam.<\/p>\n<p>5. Ao mesmo tempo, abre-se uma luta aberta pelo controle do Estado pelas velhas classes dominantes. Ante o desgaste dos partidos burgueses tradicionais que aplicaram o ajuste nos 90 e foram substitu\u00eddos pelas for\u00e7as \u201cprogressistas\u201d aparecem organiza\u00e7\u00f5es de ultra-direita que buscam ocupar o espa\u00e7o aberto pela ruptura de setores das massas com os governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes. Estes fen\u00f4menos ocorrem no mesmo tempo cronol\u00f3gico gerando distintos tempos pol\u00edticos no subcontinente. A diminui\u00e7\u00e3o da renda nacional leva a que todas as classes saiam \u00e0 luta: al\u00e9m do proletariado urbano, os estratos m\u00e9dios e a pequena burguesia urbana e rural. E a participa\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios (Equador, Chile, Bol\u00edvia e Col\u00f4mbia) recoloca a quest\u00e3o da opress\u00e3o nacional pela sanha recolonizadora.<\/p>\n<p>6. O grau de tens\u00e3o na luta de classes tem uma dupla raiz. O n\u00edvel insuport\u00e1vel da situa\u00e7\u00e3o social das massas e a import\u00e2ncia do controle do aparato estatal por cada uma das fra\u00e7\u00f5es burguesas. N\u00e3o se trata somente de controlar as medidas antic\u00edclicas que possam favorecer os distintos bandos. Em certa medida o saque do Estado \u00e9 uma parte, sen\u00e3o a mais importante, da solu\u00e7\u00e3o da crise da rentabilidade capitalista. Inaugurada pela ditadura de Pinochet, que ampliou este saque de forma exponencial, n\u00e3o somente do Estado, mas do proletariado, Chile \u00e9 a refer\u00eancia das contra-reformas de Duque, Guedes e Ortega, assim como dos governos estaduais do PT brasileiro e seus aliados.<\/p>\n<p>7. Distinto do per\u00edodo anterior em que o Chavismo polarizou todo o continente com sua ret\u00f3rica anti-imperialista, a combina\u00e7\u00e3o entre a cat\u00e1strofe social venezuelana e a ditadura de Maduro, a onda de imigrantes que fogem da fome, n\u00e3o permite a ele cumprir o mesmo papel anteriormente desempenhado. Em que pese tenha gerado um enfrentamento mais profundo entre dois setores burgueses, foi incapaz de galvanizar as massas no subcontinente. Entretanto, o calend\u00e1rio eleitoral marcava o passo do processo pol\u00edtico (com a exce\u00e7\u00e3o do impedimento de Dilma no Brasil) e o movimento de massas ocupava o segundo plano nas disputas inter-burguesas. A \u201cirrup\u00e7\u00e3o violenta das massas no cen\u00e1rio pol\u00edtico\u201d uma vez mais a partir do Equador, contagia Chile e Col\u00f4mbia e p\u00f5e o movimento de massas no primeiro plano do cen\u00e1rio pol\u00edtico no subcontinente.<\/p>\n<p>8. Apesar das desigualdades dos tempos pol\u00edticos nacionais que se expressam nas diferentes for\u00e7as pol\u00edticas burguesas que est\u00e3o a frente na implementa\u00e7\u00e3o do ajuste, abriu-se um novo momento da luta de classes, no qual cada um dos processos nacionais influenciar\u00e1 e ser\u00e1 influenciado pela din\u00e2mica regional. Ao mesmo tempo, em que a nova situa\u00e7\u00e3o carrega consigo o peso e as travas do ciclo anterior que desviaram a luta contra a recoloniza\u00e7\u00e3o, cuja supera\u00e7\u00e3o \u00e9 indissoci\u00e1vel da supera\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio capitalismo-imperialista.<\/p>\n<p>9. H\u00e1 dois fatores que diferem profundamente do ciclo anterior, a invers\u00e3o do ciclo econ\u00f4mico a escala mundial, ou como queira chamar, a \u201ccrise do processo de globaliza\u00e7\u00e3o\u201d, assim todos os governos devem encarar o ajuste para manter os lucros do capital em uma curva descendente que perdura. Os partidos da \u201conda progressista\u201d sofrem o mesmo desgaste dos partidos burgueses tradicionais que aplicaram o ajuste nos noventa, mas com uma diferen\u00e7a substancial, a intensidade e barbarismo da nova rodada de medidas pelos novos governos, devido \u00e0 intensidade da crise, permitem a estas organiza\u00e7\u00f5es preservar parte de sua base social, como base eleitoral. Mas, distinto do enraizamento social do per\u00edodo anterior, que cavalgou o ascenso econ\u00f4mico e foi capaz de desviar a onda de insurrei\u00e7\u00f5es e semi-insurrei\u00e7\u00f5es que questionaram as medidas estruturais que aumentaram a subordina\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma experi\u00eancia com eles. Somados, esses fatores implicam em uma polariza\u00e7\u00e3o social mais profunda, e em que pese a unidade do ajuste, ele n\u00e3o se corresponder\u00e1 a um mesmo processo pol\u00edtico a escala do subcontinente.<\/p>\n<p>10. Esta polariza\u00e7\u00e3o se expressou na tend\u00eancia ao enfrentamento de dois blocos burgueses, cujo processo mais profundo \u00e9 Venezuela, onde a apropria\u00e7\u00e3o da renda petroleira depende diretamente do controle do Estado sendo o fator crucial de sobreviv\u00eancia de ambos os bandos burgueses. Mas tanto Venezuela e Bol\u00edvia, como os pa\u00edses cujos governos foram subproduto indireto das subleva\u00e7\u00f5es, padecem da mesma contradi\u00e7\u00e3o: \u201cao praticar pol\u00edticas que debilitaram o campo popular que os elegeu, estes governos ajudaram a criar as condi\u00e7\u00f5es para a rea\u00e7\u00e3o antipopular que se vislumbra.\u201d (dos Santos, 2019). Em outras palavras, mantiveram intacto o projeto neocolonial, e, ao mesmo tempo cooptaram e institucionalizariam parcelas significativas das organiza\u00e7\u00f5es do movimento massas. Ao ser parte do ajuste desmoralizam um setor de massas do proletariado e prepararam o terreno para a rea\u00e7\u00e3o e para a contrarrevolu\u00e7\u00e3o. Cumprem, portanto, o papel hist\u00f3rico de impedir que a luta das massas questione o capitalismo-imperialista.<\/p>\n<p>11. A profundidade do processo revolucion\u00e1rio aberto no Chile, talvez tenha uma profunda rela\u00e7\u00e3o entre a dissocia\u00e7\u00e3o dos tempos pol\u00edticos deste novo ciclo ao mesmo tempo em que o explica. Enquanto a maioria dos pa\u00edses sul-americanos amargou a aplica\u00e7\u00e3o dos planos de ajuste durante os anos 90, as medidas fundamentais e arquitetura do ajuste no Chile foi realizada nos 80. Os governos que substitu\u00edram a ditadura em 1990 (Concertaci\u00f3n<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>) mantiveram toda arquitetura neoliberal e a aprofundaram. A \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Pinguins\u201d iniciada pela Juventude em 2006, durante o primeiro governo Bachelet, termina sem conseguir reverter a m\u00e1quina de roubo e corrup\u00e7\u00e3o na qual se converteu o sistema educacional chileno. Ela retorna de forma ainda mais profunda em 2011-2012, desta vez se chocando com o primeiro governo Pi\u00f1era, ao mesmo tempo em que a coordena\u00e7\u00e3o de lutas No+AFPs inicia o movimento para acabar com o sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o privado das aposentadorias, que atravessou os dois governos, sem nenhum resultado. Desde 1990, ou pelo menos desde 2000 quando se sucede os governos do PS (com a participa\u00e7\u00e3o do PC em um deles) n\u00e3o houve qualquer altera\u00e7\u00e3o de fundo na forma de espolia\u00e7\u00e3o com a qual a classe dominante abocanha os seus lucros. Os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foram comuns \u00e1 \u201cesquerda\u201d e \u00e0 direita. At\u00e9 agora, as dificuldades de desviar a irrup\u00e7\u00e3o das massas na cena pol\u00edtica, levando ao enfrentamento aberto com repress\u00e3o, se explica pelos fus\u00edveis j\u00e1 utilizados, quer dizer, explica a dificuldade de deter a situa\u00e7\u00e3o pela via do eng\u00f4do, sem fazer nenhuma concess\u00e3o real que questione a arquitetura de espolia\u00e7\u00e3o e roubo do capitalismo a moda chilena.<\/p>\n<p>12. Apesar da unidade do processo social os tempos pol\u00edticos n\u00e3o s\u00e3o os mesmos. A possibilidade de ultrapass\u00e1-los estar\u00e1 na raz\u00e3o direta da profundidade dos processos revolucion\u00e1rios nacionais. Neste marco, tanto a derrota da Frente Ampla no Uruguai e a volta da fra\u00e7\u00e3o Kirchner do peronismo ao governo Argentino, quase que de forma simult\u00e2nea, devem ser vistos como parte das distintas vers\u00f5es de um mesmo fen\u00f4meno. Agora o Kirchnerismo atua de forma preventiva ante o desgaste de Macri impedindo que Argentina trilhe o mesmo caminho do Chile e Equador. Ao contr\u00e1rio, o desgaste da Frente Amplia, permite o escape pela direita no Uruguai. Ambos formam parte do mesmo processo, impedir a autodetermina\u00e7\u00e3o das massas e manter na ess\u00eancia a mesma estrat\u00e9gia, com diferen\u00e7a de qual setor burgu\u00eas conduz os neg\u00f3cios. No Brasil, o desgaste de Dilma e a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas que inaugura a onda de questionamentos \u00e0s medidas exigidas pelo capital levadas a cabo pelo governo do PT, termina com a precipita\u00e7\u00e3o de setores burgueses com o impedimento de Dilma (assim como a pris\u00e3o de Lula). Provavelmente salvando o PT da necessidade de um enfrentamento mais direto com o movimento de massas e mantendo-o como salvaguarda ante uma poss\u00edvel explos\u00e3o social. Esta falsa polariza\u00e7\u00e3o ante a rela\u00e7\u00e3o com o imperialismo tem um sentido funcional ao sistema: mant\u00eam intacto o projeto neocolonizador, ao mesmo tempo em que mant\u00e9m o controle do movimento de massas.<\/p>\n<p>13. Mas na hip\u00f3tese de que alguns pa\u00edses tenham o caminho preventivo da Argentina, o neodesenvolvimentismo brasileiro, <em>o capitalismo en serio na Argentina,<\/em> <em>o proceso de cambio<\/em> na Bol\u00edvia, a Revolu\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 no Equador, que poderiam ser sintetizados, todos eles, na tentativa de compensar as consequ\u00eancias sociais do ajuste, e controlar ou atrasar a rea\u00e7\u00e3o das massas, s\u00e3o irrepet\u00edveis como projeto econ\u00f4mico\/pol\u00edtico na fase atual. No plano regional, a tend\u00eancia a desindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil e Argentina diminui as possibilidades de que funcionem como motores regionais. E, no plano internacional, o acoplamento \u00e0s taxas de acumula\u00e7\u00e3o capitalista chinesa, indica que independente do ritmo em dire\u00e7\u00e3o a uma recess\u00e3o mundial, a estagna\u00e7\u00e3o e retrocesso econ\u00f4mico produto da subordina\u00e7\u00e3o imperialista e o saque que aprofundam os elementos de barb\u00e1rie ser\u00e3o a marca registrada. As margens se estreitam para a classe dominante do subcontinente, que ainda deve dividir o produto do saque com o imperialismo. Neste terreno navega a ultradireita. N\u00e3o existe outro plano imperialista para a Am\u00e9rica do Sul, outra localiza\u00e7\u00e3o no organismo econ\u00f4mico mundial controlado pelo imperialismo. A disjuntiva entre revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais profunda neste novo ciclo.<\/p>\n<p>14. E no caso do Chile a explos\u00e3o social antecede a recess\u00e3o. E, mesmo permanecendo inalterado o quadro da economia mundial, a explos\u00e3o das massas chilenas tende a precipitar o caminho \u00e0 recess\u00e3o e crise. Distinto da grande burguesia brasileira, em que um setor ainda produz para o mercado interno (cada vez menor), a fonte de lucro dos monop\u00f3lios chilenos depende diretamente do saldo crescente da balan\u00e7a comercial ancorada fundamentalmente na minera\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 o que permite os d\u00f3lares necess\u00e1rios para que seja importada a maior parte dos artigos consumidos, para que as grandes redes de lojas possam espoliar os compradores. A burguesia chilena tornou-se compradora e espoliadora dos recursos naturais como fonte de seus lucros \u2013 tal qual no s\u00e9culo XIX. Se a desacelera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es se combinar com a desvaloriza\u00e7\u00e3o da massa de t\u00edtulos concentrados nas AFP\u2019s (70% do PIB) parte deles no exterior, explodir\u00e1 completamente o sistema de aposentadorias. E poder\u00edamos ir a um cen\u00e1rio depressivo. Justo no momento em que o \u201cmodelo\u201d de espolia\u00e7\u00e3o chileno converte-se na refer\u00eancia para o subcontinente. A hip\u00f3tese desta combina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das tend\u00eancias poss\u00edveis, as quais est\u00e3o profundamente vinculadas \u00e0 velocidade de desvaloriza\u00e7\u00e3o do capital na China. Em qualquer caso as tend\u00eancias analisadas acima converte a luta entre as classes ainda mais cruenta e dura, pois a burguesia se prepara para os piores cen\u00e1rios e em base a ele toma suas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>15. No Chile, o desequil\u00edbrio entre as classes foi o detonante para alterar o relativo equil\u00edbrio econ\u00f4mico. Para restaur\u00e1-lo, a burguesia necessitar\u00e1 re-equilibrar as rela\u00e7\u00f5es entre as classes para o n\u00edvel anterior \u00e0 abertura do processo revolucion\u00e1rio. Em outras palavras, necessitar\u00e1 deter o processo de autodetermina\u00e7\u00e3o das massas antes que este se converta em duplo poder organizado.<\/p>\n<p>A falsa polariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ganhou o terreno no Chile<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, por isso, e at\u00e9 agora, cabe \u00e0 direita encarar diretamente a tarefa de inverter a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as.<\/p>\n<p>As dificuldades do regime chileno de absorver reformas reais \u2013 dado o n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o da propriedade e da espolia\u00e7\u00e3o em poucas fam\u00edlias associadas ao imperialismo \u2013 tende a manter as massas nas ruas. Sem nenhuma concess\u00e3o real, Pi\u00f1era tenta desviar a tend\u00eancia \u00e0 guerra civil. Mas o controle do processo constituinte pela direita indica as dificuldades deste mecanismo de gerar expectativas nas massas, dando um respiro, a situa\u00e7\u00e3o aberta em outubro.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o entre aumento da repress\u00e3o e um processo constituinte controlado, aumentando a repress\u00e3o \u00e0 primeira linha, e fazendo pequenas concess\u00f5es (e apostando tamb\u00e9m no cansa\u00e7o) a outros setores parece que \u00e9 a op\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>N\u00e3o menos importante, mas que n\u00e3o ser\u00e1 abordado nestas notas, \u00e9 a capacidade dos regimes democr\u00e1ticos burgueses no subcontinente de absorver o levante de massas. A combina\u00e7\u00e3o de fatores analisados anteriormente, indica alguma dificuldade, para al\u00e9m das particularidades nacionais.<\/p>\n<p>16. Uma caracter\u00edstica comum ao processo em curso no Equador, Chile e Col\u00f4mbia \u00e9 o car\u00e1ter popular e juvenil da vanguarda, mas n\u00e3o somente estudantil, com grande participa\u00e7\u00e3o de um proletariado precarizado. O fator comum aos tr\u00eas processos \u00e9 que o proletariado industrial n\u00e3o \u00e9 vanguarda, nem das greves gerais e nem dos enfrentamentos. Os funcion\u00e1rios p\u00fablicos estiveram na vanguarda das GGs, e alguns setores da classe oper\u00e1ria chilena como portu\u00e1rios. Mas de conjunto os batalh\u00f5es pesados do proletariado n\u00e3o ultrapassaram suas dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas, seja na organiza\u00e7\u00e3o das assembleias populares, ou dos bloqueios. Este mesmo fen\u00f4meno esteve presente tanto na chamada primavera \u00e1rabe, como no Brasil em 2013. Em geral os processos foram abertos pelos setores os quais os aparatos contrarrevolucion\u00e1rios n\u00e3o controlam. Ao mesmo tempo em que esse fator constitui a for\u00e7a dos processos em curso \u00e9 sua maior debilidade. Mas h\u00e1 que distinguir os fatores que abrem o processo e do que depende sua continuidade. O avan\u00e7o das distintas situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias ser\u00e1 tanto mais profundo na medida em que o proletariado industrial se adentre no processo. A falta de iniciativa da burocracia sindical neste sentido abre a possibilidade para iniciativas por fora destes aparatos, se o embrion\u00e1rio processo das assembleias populares se estendesse ao proletariado industrial estar\u00edamos ante um salto qualitativo da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>17. Quem pretende analisar a luta entre as classes como os movimentos das mar\u00e9s, como ondas &#8211; progressivas e reacion\u00e1rias &#8211; simplificar\u00e1 a realidade, e como um malabarista transformar\u00e1 os movimentos das mar\u00e9s em \u201ccampos gravitacionais\u201d, ignorando a luta entre as classes e o papel do imperialismo, atuar\u00e1 como \u00faltimo vag\u00e3o do trem que no passado recente segurou o movimento de massas, e tentar\u00e1 novamente cumprir o mesmo papel, de evitar o enfrentamento contra a nova onda de ajustes que se choca contra o capitalismo imperialista.<\/p>\n<p>18. O dito at\u00e9 agora, nos obriga a identificar as fontes das crises que est\u00e3o abrindo novas situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. A fundamental \u00e9 o limite das condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia das massas no subcontinente. N\u00e3o se trata somente dos n\u00edveis de pobreza como consequ\u00eancia do ajuste anterior, mas da altern\u00e2ncia, no interior de uma mesma gera\u00e7\u00e3o, de uma prosperidade relativa e expectativas frustradas, provavelmente isso impacta mais a juventude. Mesmo o alto grau de explora\u00e7\u00e3o era suportado pelas massas, na medida em que existia algum n\u00edvel de previsibilidade para suas vidas e promessa de mobilidade social. Essa realidade explodiu. A \u00fanica coisa que sobrou foram as d\u00edvidas e uma concentra\u00e7\u00e3o ainda mais profunda da propriedade e renda. Agora uma segunda onda de ajuste ainda mais profundo est\u00e1 em curso, baseada na pura e simples espolia\u00e7\u00e3o que pavimenta o caminho da barb\u00e1rie no interior da gera\u00e7\u00e3o que viveu o ciclo anterior \u2013 convivendo em sua maioria com a onda de governos \u201cprogressistas\u201d ou de direita que foram os instrumentos do ajuste.<\/p>\n<p>19. A segunda fonte \u00e9 a desacelera\u00e7\u00e3o do organismo econ\u00f4mico mundial explodindo os elos mais fr\u00e1geis da cadeia, antes mesmo de que uma recess\u00e3o seja realidade. Pa\u00edses e regi\u00f5es inteiras cuja \u201cespecializa\u00e7\u00e3o\u201d produtiva exigida pelo imperialismo para ocupar um lugar na cadeia produtiva mundial est\u00e3o sendo profundamente afetados. <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> E este \u00e9 o caso da Am\u00e9rica do Sul, que ao especializar-se em produtos prim\u00e1rios para o sistema mundial de mercadorias, e concentrando suas exporta\u00e7\u00f5es para o leste de \u00c1sia, ata o crescimento dos lucros \u00e0 continua expans\u00e3o da economia chinesa, posta agora em cheque pelo amo imperialista.<\/p>\n<p>Diferente do processo anterior, a sincronia da estagna\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o ascenso dos lucros, exige um novo equil\u00edbrio nas rela\u00e7\u00f5es entre as classes que esteja conforme com o lugar que ocupam na cadeia produtiva. Este novo equil\u00edbrio corresponde a nova forma desequilibrada com a qual as burguesias dividem o produto do saque com o imperialismo. Mas este novo processo da luta de classes aberto no subcontinente tampouco ter\u00e1 a mesma sincronia pol\u00edtica do processo anterior. A viol\u00eancia do ajuste deixar\u00e1 mais aberta a luta entre revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o e mais cruenta a luta entre as classes.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/categoria\/menu\/especial\/rebelion-en-chile\/\">https:\/\/litci.org\/es\/categoria\/menu\/especial\/rebelion-en-chile\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/categoria\/menu\/mundo\/latinoamerica\/\">https:\/\/litci.org\/es\/categoria\/menu\/mundo\/latinoamerica\/<\/a><\/p>\n<p>Santos. Fabio L.B. Uma hist\u00f3ria da onda progressista sul-americana (1998-2016) Ed. Elefante, 2019.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No plebiscito convocado por <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Augusto_Pinochet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pinochet<\/a>, para manter sua ditadura foi constru\u00edda uma frente de partidos a \u201c<em>Concertaci\u00f3n de Partidos por el No\u201d<\/em>(Coaliz\u00e3o de Partidos pelo N\u00e3o), composta por: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Partido_Democrata_Crist\u00e3o_do_Chile\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Partido Dem\u00f3crata Cristiano<\/a>(PDC);<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Partido_por_la_Democracia&amp;action=edit&amp;redlink=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Partido por la Democracia<\/a>(PPD);<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Partido_Radical_Social_Dem\u00f3crata&amp;action=edit&amp;redlink=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Partido Radical Social Dem\u00f3crata<\/a>(PRSD) e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Partido_Socialista_do_Chile\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Partido Socialista<\/a>(PS). Com a derrota da ditadura no plebiscito \u00e9 convocada elei\u00e7\u00f5es gerais e a frente elege Patricio Aylwin (PDC) como presidente. Esta frente elege todos os governos p\u00f3s ditadura at\u00e9 2010, (Eduardo Frei Ruiz-Tagle, Ricardo Lagos e Michelle Bachelet) quando Pi\u00f1era se elege para seu primeiro mandato. O segundo mandato de Bachelet (2014-2018) \u00e9 uma vers\u00e3o mas a \u201cesquerda\u201d da <em>Concertaci\u00f3n<\/em>, na <em>Nueva Mayoria<\/em> \u00e9 inclu\u00eddo o PCch, a <em>Izquierda Cidadana<\/em> e o <em>Movimiento Amplio Social<\/em>. Com o Pcch assumindo cargos ministeriais.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em que pese o crescimento dos setores frente populistas no \u00faltimo per\u00edodo, Frente Amplia controla a prefeitura de Valpara\u00edso, n\u00e3o tem ainda o peso suficiente para conduzir, at\u00e9 agora, esse processo. Com o processo revolucion\u00e1rio os partidos que a comp\u00f5e se dividiram e alguns est\u00e3o em ruptura aberta pelo apoio ao \u201cpacto pela paz\u201d de Pi\u00f1era onde alguns de seus deputados votaram nas leis repressivas que permitem que o ex\u00e9rcito volte as ruas sem a declara\u00e7\u00e3o de Estado de Emerg\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os primeiros reflexos de uma conflagra\u00e7\u00e3o regional como subproduto desta profunda crise foi a chamada \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d iniciada em 2010 que conduziu a guerra civil na L\u00edbia, S\u00edria. O controle da renda petroleira por uma burguesia covarde e subserviente aos interesses do imperialismo imp\u00f5e um Estado policial permanente que mantenha a maioria da popula\u00e7\u00e3o controlada a base da repress\u00e3o. As demandas democr\u00e1ticas em todos os pa\u00edses se cruzam com a revolu\u00e7\u00e3o social. A volta das massas argelinas alguns anos depois reivindicando uma segunda e verdadeira independ\u00eancia n\u00e3o deixa de ser o reflexo de at\u00e9 onde as massas podem chegar sem uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olho na press\u00e3o, t\u00e1 fervendo Olho na panela Dinamite \u00e9 o feij\u00e3o cozinhando Dentro do molho dela . \u00a0Lenine [Cantor e compositor brasileiro]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":30802,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8042,94,477,121,145,12,3643,3538,3595,167],"tags":[8043,4653,756,3539],"class_list":["post-30798","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-sul","category-argentina","category-bolivia","category-brasil","category-chile","category-colombia","category-equador","category-rebeliao-no-chile","category-uruguai","category-venezuela","tag-explosao-social-america-do-sul","tag-joao-ricardo-soares","tag-mariucha-fontana","tag-revolucao-no-chile"],"fimg_url":false,"categories_names":["Am\u00e9rica do Sul","Argentina","Bol\u00edvia","Brasil","Chile","Col\u00f4mbia","Equador","Revolu\u00e7\u00e3o no Chile","Uruguai","Venezuela"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30798"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30798\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}