{"id":30785,"date":"2019-12-11T09:30:16","date_gmt":"2019-12-11T11:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30785"},"modified":"2019-12-11T09:30:16","modified_gmt":"2019-12-11T11:30:16","slug":"brasil-mais-dois-guajajaras-sao-assassinados-no-maranhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/12\/11\/brasil-mais-dois-guajajaras-sao-assassinados-no-maranhao\/","title":{"rendered":"Brasil | Mais dois Guajajaras s\u00e3o assassinados no Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Mais um crime b\u00e1rbaro contra o povo Guajajara foi cometido neste dia 7 de dezembro. Por volta das 12h40, dois ind\u00edgenas foram assassinados quando percorriam de motocicletas um trecho da rodovia BR-226, pr\u00f3ximo a aldeia El Betel, na Terra Ind\u00edgena Cana Brava, no munic\u00edpio de Jenipapo dos Vieiras, no Maranh\u00e3o. Os caciques Firmino Praxete Guajajara, de 43 anos, da aldeia Silvino (TI Cana Brava), e Raimundo Beln\u00edcio Guajajara, da Terra Ind\u00edgena Lagoa Comprida, foram mortos pelos disparos. Pelo menos mais dois ind\u00edgenas est\u00e3o feridos.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Jeferson Choma<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas estavam voltando de uma reuni\u00e3o com a Eletronorte e com a Funai, onde discutiam um plano de trabalho sobre a instala\u00e7\u00e3o de um linh\u00e3o de energia. Testemunhas afirmam terem visto um carro Celta, branco, de vidro espelhado, diminuir a velocidade e abrir fogo contra os ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o ataque, os ind\u00edgenas Guajajara iniciaram um protesto na rodovia BR-226 no in\u00edcio da tarde deste s\u00e1bado, impedindo o acesso \u200bde ve\u00edculos na rodovia.<\/p>\n<div id=\"attachment_30786\" style=\"width: 706px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/gujajara2.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-30786\" class=\"size-full wp-image-30786\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/gujajara2.jpeg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"928\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-30786\" class=\"wp-caption-text\">O ind\u00edgena Nelsi Ol\u00edmpio Guajajara levou um tiro na perna e escapou com vida.<\/p><\/div>\n<p>Essa Terra Ind\u00edgena \u00e9 pr\u00f3xima da Terra Ind\u00edgena Arariboia, onde h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas, em 1\u00ba de novembro, o guardi\u00e3o da floresta Paulo Paulino Guajajara, 26 anos, foi assassinado em um ataque de madeireiros. No ataque o ind\u00edgena La\u00e9rcio Guajajara ficou ferido. Os Guardi\u00f5es da Floresta s\u00e3o defensores e atuam monitorando e combatendo a explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira nas terras ind\u00edgenas do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, diferente da Arariboia, o caso da Terra Ind\u00edgena Cana Brava tem como maior amea\u00e7a n\u00e3o a retirada de madeira, mas sim a grilagem e o loteamento ilegal do territ\u00f3rio ind\u00edgena que \u00e9 da Uni\u00e3o. Os cerca de 7 mil Guajajaras vivem acossados por ca\u00e7adores, fazendeiros e grileiros e enfrentam verdadeiras quadrilhas criminosas que invadem a terra sem nenhum impedimento do poder p\u00fablico.\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/racismoambiental.net.br\/2016\/11\/30\/onda-de-assassinatos-vitima-seis-guajajara-de-tres-terras-indigenas-no-maranhao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0S\u00f3 em 2016 foram assassinados seis Guajajaras em tr\u00eas terras ind\u00edgenas<\/a>.<\/p>\n<p>Uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2019\/12\/tensao-e-ameacas-forcam-retirada-de-guardioes-da-floresta-de-terra-indigena.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reportagem da Folha de S.Paulo<\/a>\u00a0mostrou o medo dos ind\u00edgenas Guajajaras ap\u00f3s os ataques. Segundo a reportagem, ap\u00f3s o assassinato de Paulinho, o abandono e inseguran\u00e7a se espalhou pelas mais de 170 aldeias dos 413 mil hectares da Arariboia. \u201cN\u00e3o h\u00e1 cancelas nas entradas das aldeias e nenhuma base de fiscaliza\u00e7\u00e3o do governo federal. Estranhos entram e saem a qualquer momento, \u00e0s vezes cruzando as aldeias de motocicleta de noite e de madrugada\u201d, diz a reportagem enquanto descreve que muitos ind\u00edgenas buscam ref\u00fagio na mata.<\/p>\n<p>\u2018Fator Bolsonaro\u2019<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que mais esse crime contra os povos Guajajaras foi motivado pela atual pol\u00edtica do governo Bolsonaro. O atual governo desmonta a Funai e estimula a invas\u00e3o das Terras Ind\u00edgenas pa\u00eds afora. Ainda diz que vai liberar a garimpagem em terras ind\u00edgenas e que vai acabar com algumas delas como Raposa Serra do Sol.<\/p>\n<p>Um grupo de 14 indigenistas, ind\u00edgenas e ex-coordenadores da Funai voltado para a prote\u00e7\u00e3o a \u00edndios isolados divulgou, em 5 de outubro,\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2019\/10\/ha-genocidio-em-curso-contra-indios-isolados-dizem-pesquisadores.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma carta aberta<\/a>\u00a0na qual repudia um \u201ccrime de genoc\u00eddio em curso\u201d em raz\u00e3o de \u201cfrequentes cortes e contingenciamentos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, essa viol\u00eancia s\u00f3 acontece no contexto que vivemos, nas pr\u00f3prias falas do governo que incentiva a viol\u00eancia e quem a comete tem a certeza da impunidade\u201d,\u00a0explica Gilderlan Rodrigues da Silva, do Cimi Regional Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cToda essa quest\u00e3o tem o vi\u00e9s do racismo contra os \u00edndios, da simples exist\u00eancia deles ali naquele territ\u00f3rio\u201d, explica.<\/p>\n<p>O \u201cfator Bolsonaro\u201d, segundo dados preliminares do Conselho Mission\u00e1rio Indigenistas (CIMI) fez explodir os ataques aos povos origin\u00e1rios. Nos nove primeiros meses de 2019, o CIMI apontam para um aumento alarmante nos casos de \u201cinvas\u00f5es possess\u00f3rias, explora\u00e7\u00e3o ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrim\u00f4nio dos povos ind\u00edgenas\u201d. Foram contabilizados 160 casos do tipo em 153 terras ind\u00edgenas em 19 estados do Brasil. Em 2018 foram 111 casos deste tipo em 76 terras ind\u00edgenas diferentes, distribu\u00eddas em 13 estados do pa\u00eds.<\/p>\n<p>For\u00e7a tarefa de Fl\u00e1vio Dino<\/p>\n<p>O governador do Maranh\u00e3o, Fl\u00e1vio Dino, do PCdoB, prometeu iria criar uma for\u00e7a tarefa para ajudar na prote\u00e7\u00e3o dos Guajajaras, ap\u00f3s o assassinato de Paulinho. Contudo, a iniciativa do governador n\u00e3o passou de palavras vazias e n\u00e3o evitou mais assassinatos. Mais uma vez, esse crime poderia ter sido evitado se o governo do Maranh\u00e3o n\u00e3o lavasse suas m\u00e3os diante do ataque permanente aos ind\u00edgenas. \u00c9 bom recordar que, em 2017, Fl\u00e1vio Dino minimizou o ataque cometido contra os Akro\u00e1s Gamellas e foi respons\u00e1vel pela a\u00e7\u00e3o policial contra a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/maranhao-quem-faz-o-jogo-da-burguesia-no-caso-da-comunidade-do-cajueiro-o-pstu-ou-o-governo-flavio-dino-pcdob\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">comunidade do Cajueiro<\/a>.<\/p>\n<p>Fim da impunidade<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 mais para aceitar a impunidade. Autoridades p\u00fablicas s\u00e3o respons\u00e1veis pelos assassinato na medida que n\u00e3o apuram os crimes cometidos pelo latif\u00fandio. A impunidade s\u00f3 prepara novos assassinatos.<\/p>\n<p>\u201cVamos cobrar dos \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1veis os esclarecimentos das mortes. As fam\u00edlias precisam saber quem est\u00e1 assassinando seus filhos e maridos. Se fosse o contr\u00e1rio, j\u00e1 ter\u00edamos visto neste momento algum ind\u00edgena indiciado\u201d,\u00a0explica Gilderlan Rodrigues.<\/p>\n<p>Direito de se defender<\/p>\n<p>Diante do crescente ataques motivados pela pol\u00edtica de Bolsonaro, os povos origin\u00e1rios tem o direito de se defender, fiscalizar seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio, fazer auto-demarca\u00e7\u00f5es e exigir\u00a0 puni\u00e7\u00e3o exemplar dos assassinatos e viola\u00e7\u00f5es contra seu povo e suas terras. A barb\u00e1rie precisa ser detida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um crime b\u00e1rbaro contra o povo Guajajara foi cometido neste dia 7 de dezembro. 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