{"id":30765,"date":"2019-12-08T14:04:45","date_gmt":"2019-12-08T16:04:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30765"},"modified":"2019-12-08T14:04:45","modified_gmt":"2019-12-08T16:04:45","slug":"2019-crise-climatica-e-ambiental-se-aprofunda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/12\/08\/2019-crise-climatica-e-ambiental-se-aprofunda\/","title":{"rendered":"2019: Crise clim\u00e1tica e ambiental se aprofunda"},"content":{"rendered":"<p><em>O acordo de Paris, de 2015, prev\u00ea que o limite de seguran\u00e7a para o aquecimento global \u00e9 de 1,5\u00b0C a 2\u00b0C em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais.\u00a0No ano de 2019, os dados<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) apresentados na COP 25, em Madri, mostram que ser\u00e1 o segundo ou terceiro ano mais quente, desde 1850. Atualmente a temperatura m\u00e9dia no planeta est\u00e1 aproximadamente 1,1 grau Celsius acima do registrado no per\u00edodo pr\u00e9-industrial e 0,2 graus cent\u00edgrados acima de 2011-2015. Al\u00e9m disso, as concentra\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono na atmosfera que alcan\u00e7aram um n\u00edvel recorde de 407,8 partes por milh\u00e3o em 2018 continuaram subindo em 2019 e devem chegar a 410 partes por milh\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Lena Souza<\/p>\n<p>Essas informa\u00e7\u00f5es preliminares do ano de 2019 foram apresentadas no segundo dia da COP25, que est\u00e1 sendo realizada em Madri-Espanha, com a presen\u00e7a de representantes de cerca de 200 pa\u00edses. Mais uma vez os dados das organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas mostram que a terra caminha para o caos clim\u00e1tico, sem que as os governos e autoridades, que deveriam estar preocupadas com a situa\u00e7\u00e3o tenham tomado provid\u00eancias para preservar o planeta e a vida nele.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas apresentam os dados catastr\u00f3ficos em rela\u00e7\u00e3o ao aquecimento global. No \u00faltimo per\u00edodo, todos os anos esses n\u00fameros s\u00e3o informados e as previs\u00f5es s\u00e3o mais catastr\u00f3ficas. Caso as emiss\u00f5es n\u00e3o sejam reduzidas em 7% ao ano, o mundo caminha para um aumento de temperatura de 3,2\u00baC em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais, at\u00e9 o ano de 2100.<\/p>\n<p><strong>As consequ\u00eancias se apresentaram tamb\u00e9m em 2019<\/strong><\/p>\n<p>O ritmo de aumento do n\u00edvel dos mares subiu na \u00faltima d\u00e9cada a quatro mil\u00edmetros por ano. Isso amea\u00e7a as zonas costeiras, onde v\u00e3o estar vivendo mais de um bilh\u00e3o de pessoas at\u00e9 2050. Al\u00e9m disso, o di\u00f3xido de carbono que vai para as \u00e1guas oce\u00e2nicas provocou aumento de 26% da acidez da \u00e1gua desde o in\u00edcio da era industrial e continua aumentando, provocando a degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas marinhos.<\/p>\n<p>Houve acr\u00e9scimo de precipita\u00e7\u00f5es em algumas \u00e1reas e aprofundamento das secas em outras \u00e1reas. Al\u00e9m \u00e9 claro das ondas de calor que afetaram v\u00e1rios pa\u00edses, principalmente da Europa, os quatro \u00faltimos anos foram os mais quentes j\u00e1 registrados no planeta. Julho de 2019, quando v\u00e1rias ondas de calor afetaram a Europa, foi o m\u00eas mais quente da hist\u00f3ria. As temperaturas chegaram a \u00a046\u00b0C na Fran\u00e7a, 42,6\u00baC na Alemanha, 38,7\u00baC no Reino Unido, 41,8\u00baC na B\u00e9lgica, entre outros pa\u00edses que experimentaram temperaturas nunca vistas<\/p>\n<p>Fen\u00f4menos extremos est\u00e3o cada vez mais presentes disse o secret\u00e1rio-geral da OMM Petteri Taalas na apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio na COP25: \u201cNo dia-a-dia, os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ocorrem por meio de condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas extremas e \u201canormais \u201d. E, mais uma vez em 2019, os riscos relacionados ao tempo e ao clima s\u00e3o altos. Ondas de calor e inunda\u00e7\u00f5es que costumavam ser eventos que ocorriam \u201cuma vez em um s\u00e9culo\u201d est\u00e3o se tornando mais regulares. Pa\u00edses, das Bahamas ao Jap\u00e3o e Mo\u00e7ambique, sofreram o efeito de ciclones tropicais devastadores. Inc\u00eandios florestais varreram o \u00c1rtico e a Austr\u00e1lia\u201d\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>,.<\/p>\n<p>Tudo isso se concretiza com consequ\u00eancias na sa\u00fade e na seguran\u00e7a alimentar e nas migra\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00f5es. O relat\u00f3rio da OMM tamb\u00e9m diz que depois de dez anos em que vinha diminuindo a fome no mundo, come\u00e7ou a aumentar novamente.<\/p>\n<p>\u201cA variabilidade clim\u00e1tica e eventos clim\u00e1ticos extremos s\u00e3o alguns dos principais fatores que explicam o recente aumento da fome no mundo. Em 2018, chegou a mais de 820 milh\u00f5es de pessoas. Em 26 dos 33 pa\u00edses afetados por crises alimentares em 2018, a variabilidade clim\u00e1tica e eventos clim\u00e1ticos extremos agravaram a situa\u00e7\u00e3o.\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>S\u00f3 entre janeiro e junho de 2019 houve mais de 10 milh\u00f5es de deslocamentos internos de popula\u00e7\u00e3o, sendo que de acordo com o mesmo relat\u00f3rio, 7 milh\u00f5es foram provocados por eventos de risco como ciclones e furac\u00f5es. Como foi o caso do o ciclone Idai no sudeste da \u00c1frica, o ciclone Fani no sul da \u00c1sia, o furac\u00e3o Dorian no Caribe e as inunda\u00e7\u00f5es no Ir\u00e3, nas Filipinas e na Eti\u00f3pia.<\/p>\n<p><strong>Tempo de agir?<\/strong><\/p>\n<p>A COP25 adotou o lema \u201cTempo de agir\u201d. E o secret\u00e1rio da ONU, Ant\u00f3nio Guterres afirmou no discurso de abertura que \u00e9 preciso interromper \u201cnossa guerra contra a natureza\u201d. Duas frases que novamente n\u00e3o passam da inten\u00e7\u00e3o de provocar efeito.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 40 anos, j\u00e1 se advertia sobre a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais de forma desenfreada pelo capitalismo. E j\u00e1 s\u00e3o 25 anos de realiza\u00e7\u00e3o de C\u00fapulas Ambientais em que dizem que est\u00e3o discutindo estrat\u00e9gias de desenvolvimento econ\u00f4mico considerando a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e o uso consciente de recursos naturais. J\u00e1 se passaram 4 anos do acordo de Paris, onde se discutiu um compromisso internacional com o objetivo de minimizar as consequ\u00eancias do aquecimento global.<\/p>\n<p>Nada foi feito pelos governos, autoridades e grandes empresas que se dizem os grandes representantes da humanidade e respons\u00e1veis pelo seu desenvolvimento. Nada mudou na gan\u00e2ncia por mais e mais lucros. Ou melhor, mudou para pior. As irresponsabilidades ficam cada vez mais vis\u00edveis e o sofrimento da popula\u00e7\u00e3o pobre do planeta com as consequ\u00eancias da crise ambiental se aprofunda.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o algu\u00e9m ainda acredita que vai haver alguma atitude por parte dos donos do grande capital e dos governos que os servem? D\u00e1 pra acreditar nesse lema \u201cTempo de agir\u201d adotado pela COP25?<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o secret\u00e1rio da ONU disse que \u00e9 preciso interromper \u201cnossa guerra contra a natureza\u201d. A quem ele se refere? Aos trabalhadores e trabalhadoras, povo pobre, popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e \u00e0 juventude que tem estado nas ruas lutando para defender o planeta e uma vida digna?<\/p>\n<p>O que sabemos \u00e9 que de toda a riqueza gerada no mundo, 82% fica nas m\u00e3os do 1% mais rico do planeta. Segundo a Oxfam &#8220;A fortuna dos bilion\u00e1rios do mundo aumentou 12% em 2018, ou\u00a0US$ 2,5 bilh\u00f5es por dia, enquanto que a metade mais pobre do planeta viu sua riqueza reduzida em 11%&#8221;.<\/p>\n<p>Esses dados por si s\u00f3 mostram quem s\u00e3o os respons\u00e1veis pela crise clim\u00e1tica e, ao mesmo tempo tamb\u00e9m nos dizem que n\u00e3o existe nenhuma possibilidade de que esse 1% mais rico do planeta, que tem acumulado tanta renda vai tomar medidas para mudar o curso da crise ambiental. Ou ainda que os governos que s\u00e3o representantes diretos ou indiretos desse 1% v\u00e3o tomar medidas que se enfrentem com seus amos.<\/p>\n<p>Qualquer medida, que n\u00e3os seja apenas enrola\u00e7\u00e3o, significa se confrontar com o sistema capitalista, baseado na explora\u00e7\u00e3o e no lucro.<\/p>\n<p><strong>A sa\u00edda \u00e9 continuar nas ruas, aprofundar as lutas e derrotar o sistema capitalista<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o tenha tido espa\u00e7o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o como na greve global pelo clima que se realizou em setembro, no \u00faltimo dia 29 de novembro v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se espalharam pelo mundo na que foi denominada quarta greve pelo clima.<\/p>\n<p>Com a juventude \u00e0 frente, a cobran\u00e7a por medidas que garantam as condi\u00e7\u00f5es de vida para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es tomou as ruas nos \u00faltimos dois anos. O mundo acordou diante da emerg\u00eancia clim\u00e1tica foi o lema do protesto realizado neste dia 06 de dezembro em Madrid.<\/p>\n<p>O \u00fanico caminho \u00e9 a luta, sua amplia\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso unificar a pauta ambiental com as \u00a0insurrei\u00e7\u00f5es contra os governos e regimes que est\u00e3o acontecendo em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, com a juventude que luta nas barricadas, com os trabalhadores\/as, as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e o povo pobre que tomam as ruas e enfrentam a pol\u00edcia contra a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para uma vida com qualidade, s\u00f3 pode ser garantido por aqueles, que dentro dos pa\u00edses e em n\u00edvel mundial, sofrem com a perda de vidas, fome, falta de \u00e1gua e de moradia provocados pelas cat\u00e1strofes ambientais e pelas medidas econ\u00f4micas de ajuste.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso derrotar esse sistema de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o, o sistema capitalista e construir outro sistema social e econ\u00f4mico, onde os rumos da sociedade sejam definidos democraticamente pelos de baixo. Essa sociedade s\u00f3 pode ser a sociedade socialista.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2019\/12\/02\/comeca-a-cop-25-conferencia-do-clima-da-onu-em-madri.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2019\/12\/02\/comeca-a-cop-25-conferencia-do-clima-da-onu-em-madri.ghtml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> A declara\u00e7\u00e3o final sobre o Estado do Clima, com dados completos de 2019, ser\u00e1 publicada em mar\u00e7o de 2020.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"http:\/\/climainfo.org.br\/2019\/12\/03\/2019-conclui-uma-decada-de-aquecimento-global-excepcional-e-clima-de-alto-impacto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/climainfo.org.br\/2019\/12\/03\/2019-conclui-uma-decada-de-aquecimento-global-excepcional-e-clima-de-alto-impacto\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.agenciasinc.es\/Noticias\/El-ano-2019-cierra-una-decada-de-calentamiento-global-sin-precedentes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.agenciasinc.es\/Noticias\/El-ano-2019-cierra-una-decada-de-calentamiento-global-sin-precedentes<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acordo de Paris, de 2015, prev\u00ea que o limite de seguran\u00e7a para o aquecimento global \u00e9 de 1,5\u00b0C a 2\u00b0C em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais.\u00a0No ano de 2019, os dados[1] da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) apresentados na COP 25, em Madri, mostram que ser\u00e1 o segundo ou terceiro ano mais quente, desde 1850. Atualmente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":30771,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3498,3766,83],"tags":[196,3764,935],"class_list":["post-30765","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-crise-climatica-e-ambiental","category-meio-ambiente","category-mundo","tag-cop25","tag-crise-climatica-e-ambiental","tag-lena-souza"],"fimg_url":false,"categories_names":["Crise clim\u00e1tica e ambiental","Meio Ambiente","Mundo"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30765"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30765\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}