{"id":30698,"date":"2019-12-03T15:02:56","date_gmt":"2019-12-03T17:02:56","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30698"},"modified":"2019-12-03T15:02:56","modified_gmt":"2019-12-03T17:02:56","slug":"ira-os-protestos-de-massa-vao-parar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/12\/03\/ira-os-protestos-de-massa-vao-parar\/","title":{"rendered":"Ir\u00e3 | Os protestos de massa v\u00e3o parar?"},"content":{"rendered":"<p><em>Os protestos populares que come\u00e7aram em 15 de novembro contra o aumento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis j\u00e1 s\u00e3o os maiores desde a revolu\u00e7\u00e3o iraniana de 1979.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Hassan al-Barazili<\/p>\n<p>As pr\u00f3prias autoridades iranianas reconhecem a extens\u00e3o dos danos:<\/p>\n<p>\u201c<em>O ministro do Interior Abdolreza Rahmani Fazli estimou que cerca de 200.000 pessoas participaram das manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00famero bem acima de informa\u00e7\u00f5es anteriores. Ele disse que os manifestantes danificaram mais de 50 delegacias de pol\u00edcia, al\u00e9m de 34 ambul\u00e2ncias, 731 ag\u00eancias banc\u00e1rias e 70 postos de gasolina no pa\u00eds<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>O que eles n\u00e3o reconhecem \u00e9 o n\u00famero de manifestantes mortos, feridos ou presos, nem os massacres em pelo menos duas cidades: Mahshahr, na prov\u00edncia do Cuzist\u00e3o, e Shahriar, perto de Teer\u00e3.<\/p>\n<p>\u201c<em>A pior viol\u00eancia documentada at\u00e9 agora aconteceu na cidade de Mahshahr e seus sub\u00farbios, com uma popula\u00e7\u00e3o de 120.000 pessoas na prov\u00edncia do Cuzist\u00e3o, no sudoeste do Ir\u00e3 &#8211; uma regi\u00e3o com maioria \u00e9tnica \u00e1rabe que tem uma longa hist\u00f3ria de descontentamento e oposi\u00e7\u00e3o ao governo central. Mahshahr fica ao lado do maior complexo petroqu\u00edmico industrial do pa\u00eds e serve como porta de entrada para o Bandar Imam, um dos principais portos.<\/em><\/p>\n<p><em>Em muitos lugares, as for\u00e7as de seguran\u00e7a reagiram abrindo fogo contra manifestantes desarmados, jovens em grande parte desempregados ou de baixa renda entre 19 e 26 anos, segundo relatos de testemunhas e v\u00eddeos. Somente na cidade de Mahshahr, no sudoeste, testemunhas e equipes m\u00e9dicas disseram que membros da Guarda Revolucion\u00e1ria Isl\u00e2mica cercaram, mataram a tiros de 40 a 100 manifestantes &#8211; a maioria jovens desarmados &#8211; em um p\u00e2ntano onde haviam buscado ref\u00fagio.<\/em><\/p>\n<p><em>Por tr\u00eas dias, de acordo com esses moradores, os manifestantes conseguiram controlar a maior parte de Mahshahr e seus sub\u00farbios, bloqueando a estrada principal para a cidade e o complexo petroqu\u00edmico industrial adjacente. O ministro do Interior do Ir\u00e3 confirmou que os manifestantes tomaram controle sobre Mahshahr e suas estradas em uma entrevista na televis\u00e3o na semana passada, mas o governo iraniano n\u00e3o respondeu a perguntas espec\u00edficas nos \u00faltimos dias sobre os assassinatos em massa na cidade<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>A Anistia Internacional relatou sobre o massacre em Shahriar:<\/p>\n<p>\u201c<em>O n\u00famero de pessoas que se acredita terem sido mortas durante as manifesta\u00e7\u00f5es no Ir\u00e3 que ocorreram desde 15 de novembro aumentou para pelo menos 208, disse a Anistia Internacional, com base em relat\u00f3rios confi\u00e1veis \u200b\u200brecebidos pela organiza\u00e7\u00e3o. O n\u00famero real provavelmente ser\u00e1 maior. Dezenas de mortes foram registradas na cidade de Shahriar, na prov\u00edncia de Teer\u00e3 &#8211; uma das cidades com maior n\u00famero de mortos<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>A ativista iraniana Frieda Afary postou em sua p\u00e1gina do Facebook em 3 de dezembro que:<\/p>\n<p>&#8220;<em>De acordo com ativistas locais, mais de 800 pessoas foram mortas pelo regime em todo o pa\u00eds durante os protestos de massas que come\u00e7aram em 15 de novembro<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>De acordo com a Associated Press:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Um legislador iraniano afirmou avaliar que mais de 7.000 pessoas haviam sido presas<\/em>&#8220;.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>A grande extens\u00e3o dos protestos, a composi\u00e7\u00e3o social oper\u00e1ria e popular, e a repress\u00e3o brutal remetem \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o iraniana de 1979.<\/p>\n<p>\u201c<em>A revolu\u00e7\u00e3o viu milh\u00f5es nas ruas, algo que n\u00e3o se viu nesses protestos recentes. No entanto, essas manifesta\u00e7\u00f5es se tornaram violentas no per\u00edodo de um dia, mostrando o perigo que o governo do Ir\u00e3 tem pela frente, uma vez que provavelmente enfrentar\u00e1 mais escolhas dif\u00edceis, j\u00e1 que as san\u00e7\u00f5es provavelmente n\u00e3o ser\u00e3o levantadas pois come\u00e7aram a romper os limites de centr\u00edfugas, enriquecimento e estoques impostos pelo acordo nuclear.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Esses tumultos n\u00e3o s\u00e3o os \u00faltimos e definitivamente acontecer\u00e3o no futuro&#8221;, alertou o comandante interino da Guarda Revolucion\u00e1ria, general Ali Fadavi.\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>O dissidente Mir Hossein Mousavi tamb\u00e9m lembrou a revolu\u00e7\u00e3o de 1979:<\/p>\n<p>&#8220;&#8221; <em>Isso mostra a frustra\u00e7\u00e3o das pessoas com a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Tem uma semelhan\u00e7a completa com o assassinato brutal de pessoas no dia sangrento de 8 de setembro de 1978\u201d, disse Mousavi, de acordo com o comunicado publicado pelo site Kaleme h\u00e1 muito tempo associado a ele. &#8220;Os assassinos do ano de 1978 eram representantes de um regime laico, mas os agentes e atiradores em novembro de 2019 eram representantes de um governo religioso<\/em>&#8220;.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que aconteceu na revolu\u00e7\u00e3o de 1979 e na &#8220;revolu\u00e7\u00e3o verde&#8221; de 2009, o n\u00famero da mortos concentraram-se em poucos dias.<\/p>\n<p>Durante a onda de protestos de 2009 apelidada de &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Verde&#8221;, 72 manifestantes foram mortos ao longo de dez meses.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o de 1979 viu 2.781 mortos em 15 meses:<\/p>\n<p>\u201c<em>A Funda\u00e7\u00e3o dos M\u00e1rtires mais tarde contratou &#8211; mas n\u00e3o publicou &#8211; um estudo sobre os mortos no decorrer de todo o movimento revolucion\u00e1rio, come\u00e7ando em junho de 1963. Segundo esses n\u00fameros, 2.781 manifestantes foram mortos nos quatorze meses de outubro de 1977 a fevereiro de 1979. A maioria das v\u00edtimas estava na capital &#8211; especialmente nos distritos oper\u00e1rios do sul de Teer\u00e3<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p><strong>Para onde vai o Ir\u00e3?<\/strong><\/p>\n<p>Definitivamente, \u00e9 dif\u00edcil prever se os protestos em massa se transformar\u00e3o em uma revolu\u00e7\u00e3o em larga escala que poder\u00e1 derrubar o regime do <em>Velayat e-Faqih<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><\/em> e abrir o caminho para o poder dos trabalhadores e um Ir\u00e3 socialista baseado em conselhos democr\u00e1ticos de trabalhadores.<\/p>\n<p>Alguns dos obst\u00e1culos para o regime permanecer no poder s\u00e3o fortes: a recess\u00e3o mundial iminente, as brutais san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dos EUA e as revolu\u00e7\u00f5es em andamento em todo o mundo, principalmente no Iraque e no L\u00edbano, onde est\u00e1 em jogo o prest\u00edgio do regime iraniano.<\/p>\n<p>Por outro lado, o regime se beneficia da aus\u00eancia de organiza\u00e7\u00f5es nacionais de trabalhadores e do povo, como centrais sindicais ou conselhos oper\u00e1rios e populares. Essas organiza\u00e7\u00f5es podem unir os protestos nas ruas \u00e0s greves dos trabalhadores e trabalhadoras, como na revolu\u00e7\u00e3o de 1979, construir autodefesa para combater a repress\u00e3o brutal, tornando-se centros democr\u00e1ticos para os explorados e oprimidos.<\/p>\n<p>Outra aus\u00eancia cr\u00edtica \u00e9 o partido revolucion\u00e1rio. H\u00e1 ativistas dentro e fora do Ir\u00e3 que t\u00eam o potencial de construir uma organiza\u00e7\u00e3o que \u00e9 fundamental em todos os momento da luta, seja para divulgar as condi\u00e7\u00f5es das classes trabalhadoras e para organizar a solidariedade com protestos e presos pol\u00edticos, seja para momentos de crise revolucion\u00e1ria quando \u00e9 necess\u00e1rio impedir que a revolu\u00e7\u00e3o seja sequestrada ou tra\u00edda.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a repress\u00e3o repentina e implac\u00e1vel mostra que o regime sabe que o per\u00edodo de \u201cpaz\u201d acabou e que os protestos oper\u00e1rios e populares vieram para ficar.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2019\/11\/iran-cia-links-arrested-inciting-deadly-protests-191127170333511.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2019\/11\/iran-cia-links-arrested-inciting-deadly-protests-191127170333511.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2019\/12\/01\/world\/middleeast\/iran-protests-deaths.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2019\/12\/01\/world\/middleeast\/iran-protests-deaths.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.amnesty.org\/en\/latest\/news\/2019\/12\/iran-death-toll-from-bloody-crackdown-on-protests-rises-to-208\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.amnesty.org\/en\/latest\/news\/2019\/12\/iran-death-toll-from-bloody-crackdown-on-protests-rises-to-208\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0 <a href=\"https:\/\/apnews.com\/7a4dec6db2ab451bbb6c6cab4b524a79\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/apnews.com\/7a4dec6db2ab451bbb6c6cab4b524a79<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <a href=\"https:\/\/apnews.com\/7a4dec6db2ab451bbb6c6cab4b524a79\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/apnews.com\/7a4dec6db2ab451bbb6c6cab4b524a79<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <a href=\"https:\/\/apnews.com\/38c1c25858e34cd6b38c2e093158f88f\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/apnews.com\/38c1c25858e34cd6b38c2e093158f88f<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Abrahamian, Ervand, The History of Modern Iran, 2<sup>nd<\/sup> edition, 2018, Cambridge University Press, pages 165-166<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Supremacia do Jurista Isl\u00e2mico. Regime na qual o Im\u00e3 (l\u00edder religioso) governa com poderes similares aos do antigo ditador X\u00e1 Reza Pahlevi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os protestos populares que come\u00e7aram em 15 de novembro contra o aumento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis j\u00e1 s\u00e3o os maiores desde a revolu\u00e7\u00e3o iraniana de 1979.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":30699,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4695],"tags":[227,7998],"class_list":["post-30698","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ira","tag-hassan-al-barazili","tag-protestos-no-ira"],"fimg_url":false,"categories_names":["Ir\u00e3"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30698","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30698"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30698\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}