{"id":30640,"date":"2019-11-30T13:25:53","date_gmt":"2019-11-30T15:25:53","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30640"},"modified":"2019-11-30T13:25:53","modified_gmt":"2019-11-30T15:25:53","slug":"21n-nova-etapa-historica-e-ciclo-de-protestos-na-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/11\/30\/21n-nova-etapa-historica-e-ciclo-de-protestos-na-colombia\/","title":{"rendered":"21N: Nova etapa hist\u00f3rica e ciclo de protestos na Col\u00f4mbia"},"content":{"rendered":"<p><em>Cr\u00f4nica de uma paralisa\u00e7\u00e3o viva e mobiliza\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>Em 18 de junho de 2018, ap\u00f3s o segundo turno da elei\u00e7\u00e3o presidencial que deu a vit\u00f3ria ao candidato de Uribe, Iv\u00e1n Duque M\u00e1rquez, uma parte dos 8 milh\u00f5es que votaram em Petro &#8211; Col\u00f4mbia\u00a0Humana (n\u00f3s socialistas fizemos campanha de voto cr\u00edtico a ele). , chamou \u00e0 &#8220;resist\u00eancia\u201d civil ao governo, declarando-se em oposi\u00e7\u00e3o e dispostos lutar contra ele.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Daniel Brice\u00f1o<\/p>\n<p>De fato, ap\u00f3s apenas 15 meses, o governo neo-Uribista teve que pilotar o navio em uma convulsiva luta de classes e cen\u00e1rio internacional. Com apenas dois meses de posse, o primeiro desafio foi contornar a Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional dos Estudantes Universit\u00e1rios pela Educa\u00e7\u00e3o, que lembrou o pico de mobiliza\u00e7\u00e3o de 2011. Depois disso, ocorreu uma s\u00e9rie de conflitos locais, setoriais e sindicais, mais espec\u00edficos, mas n\u00e3o menos importantes e desgastantes, como a Paralisa\u00e7\u00e3o do Pac\u00edfico colombiano, de onde veio a canto <em>\u201cel Pueblo no se rinde carajo\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em> (o povo n\u00e3o se rende, caramba).<\/p>\n<p>A m\u00eddia e os analistas n\u00e3o pararam de falar sobre polariza\u00e7\u00e3o, instabilidade e falta de governabilidade. A ren\u00fancia do Ministro da Defesa Botero e o bombardeio indiscriminado de um acampamento em Caquet\u00e1 e a morte de pelo menos oito crian\u00e7as indefesas recrutadas \u00e0 for\u00e7a, bem como a corrup\u00e7\u00e3o do Ministro da Fazenda Carrasquilla, ren\u00fancia do ex-promotor corrupto N\u00e9stor Humberto Mart\u00ednez e as reformas anunciadas por alguns dos ministros de Duque, foram a gota d \u00e1gua da indigna\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os e da perda de apoio de uma parte de seu eleitorado pragm\u00e1tico.<\/p>\n<p>Chegou a quinta-feira 21N: uma data hist\u00f3rica que marca um antes e um depois, uma mudan\u00e7a irruptiva neste 2019, com um final de ano agitado e combativo. Foi uma greve pol\u00edtica &#8220;Contra o pacote de Duque, a OCDE, o FMI e o Banco Mundial: pela vida e pela paz&#8221;, como foi chamado o chamado de tr\u00eas centrais sindicais e dezenas de organiza\u00e7\u00f5es sociais aderentes, os milhares de panfletos e alguns cartazes e banners. Uma Paralisa\u00e7\u00e3o C\u00edvica Nacional de centenas de milhares (alguns dizem 2 milh\u00f5es, outros 1 milh\u00e3o, outros 500 mil ou menos) nas principais cidades (Bogot\u00e1, Medell\u00edn, Cali, Cartagena, Bucaramanga, Pasto, Cauca, Ibagu\u00e9, Manizales, Neiva, etc.) .). Ap\u00f3s o pico da Paralisa\u00e7\u00e3o Agr\u00e1ria e Popular de 2013, o 21N conseguiu paralisar, em boa parte e de maneira relativa, os ritmos de normalidade do pa\u00eds e mostrou a revolta social acumulada com o governo e seus antecessores por in\u00fameras raz\u00f5es, um arco-\u00edris de demandas sociais que se uniram para questionar o poder governamental de fato.<\/p>\n<p>Col\u00e9gios e universidades suspenderam atividades, muitas com\u00e9rcios, empresas e entidades p\u00fablicas fecharam ou pararam de trabalhar mais cedo. Ent\u00e3o, o fluxo de vias e a produ\u00e7\u00e3o capitalista diminu\u00edram significativamente, acima de tudo, de uma parte do setor p\u00fablico. A Paralisa\u00e7\u00e3o foi sentida. No entanto, faltam muitos quil\u00f4metros para chegar a uma greve geral de classe, que paralise o pa\u00eds e as atividades econ\u00f4micas estruturais, privadas e p\u00fablicas, com os trabalhadores (industriais e n\u00e3o industriais) liderando os setores populares, com assembleias, comit\u00eas de greve, massividade e organicidade.<\/p>\n<p>Uma greve geral massiva que nem mesmo a greve &#8220;m\u00edtica&#8221; de 14 de setembro de 1977 conseguiu, apesar dos contos chineses e dos esquemas de paralisa\u00e7\u00e3o da velha guarda e de seu sectarismo, porque, segundo Trotsky e Moreno, para eles os grandes eventos n\u00e3o s\u00e3o uma oportunidade de intervir com ousadia, mas para comentar a realidade e lamentar o atraso das massas\/dire\u00e7\u00f5es (sem diferenci\u00e1-las) e ficar irritado porque o movimento n\u00e3o segue suas f\u00f3rmulas organizacionais. Alguns, mesmo com seu formalismo, negam ou s\u00e3o c\u00e9ticos quanto se houve paralisa\u00e7\u00e3o no dia 21N e est\u00e3o localizados \u00e0 direita da consigna de \u201ca paralisa\u00e7\u00e3o continua\u201d, n\u00e3o sabendo diferenciar momentos de armadilha da burocracia de outras situa\u00e7\u00f5es de luta aberta como esta. Quando o mais sensato \u00e9 que a estrat\u00e9gia seja a mobiliza\u00e7\u00e3o permanente de massas pelo poder, a qual varia nas formas de luta social e de constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dirigente para essa tarefa, que deve estar subordinada \u00e0 situa\u00e7\u00e3o concreta.<\/p>\n<p>Ainda que a lideran\u00e7a burocr\u00e1tica sindical, social e pol\u00edtica do centro-esquerda reformista estivesse apostando apenas em um dia rotineiro de mobiliza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es preventivas contra a reforma trabalhista, a previd\u00eancia, tribut\u00e1ria, educacional, regulamenta\u00e7\u00e3o dos protestos sociais e assassinato de l\u00edderes sociais, sal\u00e1rio m\u00ednimo, quebra de acordos de paz e pol\u00edtica de seguran\u00e7a, corrup\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o ambiental, o descontentamento social literalmente os atropelou. N\u00e3o apenas eles, mas tamb\u00e9m a for\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>As ruas se encheram no 21N e se rechearam de c\u00e2nticos e consignas, e no final do dia, surpreendentemente, uma panela\u00e7o noturno depois das 19h30 ressoou na capital e nas principais cidades, bairros, esquinas e ruas, que chegaram at\u00e9 a casa de Duque em Usaqu\u00e9n (onde houve concentra\u00e7\u00e3o por pelo menos 4 dias). Foi significativo que aqueles que n\u00e3o pararam, apoiassem a paralisa\u00e7\u00e3o e simpatizassem com os manifestantes, contra a repress\u00e3o e pela justi\u00e7a das demandas. Algo sem precedentes no pa\u00eds que mostrou o esp\u00edrito de cont\u00e1gio e efeito domin\u00f3. Existem at\u00e9 v\u00eddeos virais de jovens do Ex\u00e9rcito Nacional da Col\u00f4mbia, como Brandon Cely e Juan Mendieta, em apoio \u00e0 Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional.<\/p>\n<p>Mas as coisas n\u00e3o acabaram naquela noite fugaz, cheia de sonhos, uni\u00e3o e luta, que come\u00e7a a brotar um novo despertar, acontecimento hist\u00f3rico que muitos n\u00e3o esquecer\u00e3o enquanto vivermos. Mem\u00f3ria e orgulho. O elemento mais din\u00e2mico da paralisa\u00e7\u00e3o, os estudantes e a juventude, sem perspectivas de futuro e risco material, deram li\u00e7\u00e3o ao movimento social e a classe trabalhadora, influenciados pela onda latino-americana (Chile, Equador, Haiti, Bol\u00edvia e a bandeira de Whipala) , Porto Rico etc.) e mundial (Fran\u00e7a, Hong Kong etc.), sabiam que o conceito de greve n\u00e3o poderia se limitar a um dia glorioso de paralisa\u00e7\u00e3o. Tinha que continuar alterando a normalidade do trabalho e social. Por esse motivo, com aud\u00e1cia, na sexta-feira 22, continuou a tentativa de paralisar os port\u00f5es do Transmilenio (Sul, Am\u00e9ricas, Norte, Suba, 20 de julho etc.), o bloqueio de estradas e as principais concentra\u00e7\u00f5es, juntamente com a continuidade da onda das panela\u00e7os, no centro do pa\u00eds e nas principais cidades urbanas.<\/p>\n<p>O oper\u00e1rio e o trabalhador colombianos devem aprender com a combatividade ind\u00edgena, com a dinamicidade e criatividade do estudante, para derrotar a burocracia sindical e o governo, para superar o atraso organizacional, social e pol\u00edtico em que se encontra o proletariado nacional. Por sua vez, os jovens devem aprender que, sem a alian\u00e7a com os trabalhadores e o apoio da maior parte do povo, n\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3ria estrat\u00e9gica poss\u00edvel, \u00e0s vezes nem t\u00e1tica e sim muito desgaste, porque s\u00e3o eles que movem o mundo &#8230;<\/p>\n<p>Devido a essa natureza perturbadora da Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional, na ocasi\u00e3o, houve alguns saques espont\u00e2neos de pobres e roubos criminais, ataques de vandalismo a s\u00edmbolos de poder e confrontos com a for\u00e7a p\u00fablica (Suba, Patio Bonito, centro da cidade etc.) ), o atentado guerrilheiro a uma delegacia de pol\u00edcia em Santander e milicianos nos protestos e colaterais, infiltrados de um lado e de outro, etc. O establishment e a burguesia colombiana tiveram que desencadear um plano contraofensivo antiparalisa\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a e forjar antes do 21N com invas\u00f5es extrajudiciais de domic\u00edlios, o estado de aquartelamento e fechamento de fronteiras, entre outros. Paradoxalmente, essa campanha de constrangimento uribista ajudou a impulsionar a chama popular da paralisa\u00e7\u00e3o, inclusive entre algumas personalidades p\u00fablicas e democr\u00e1ticas (artistas, rainha da beleza etc.) e n\u00e3o poucos c\u00e9ticos da classe m\u00e9dia e da intelectualidade.<\/p>\n<p>As cartas jogadas pelo regime e sua conspira\u00e7\u00e3o incluiu toque de recolher e lei seca (Bogot\u00e1, Cali, Faca, Soacha, outros) que n\u00e3o eram vistos desde 1977, a militariza\u00e7\u00e3o das cidades e a restri\u00e7\u00e3o dos protestos e desocupa\u00e7\u00e3o das pra\u00e7as centrais, as deten\u00e7\u00f5es e feridos, not\u00edcias desvirtuadas e amea\u00e7as, deporta\u00e7\u00f5es de venezuelanos e xenofobia. Mas, acima de tudo, not\u00edcias falsas e uma psicologia do p\u00e2nico social e medo baseados no roubo a casas de cidad\u00e3os e complexos residenciais, com mercen\u00e1rios pagos, para emba\u00e7ar as raz\u00f5es da paralisa\u00e7\u00e3o. Os de cima haviam cumprido sua miss\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o, c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o e agora encorajados, n\u00e3o contra o pacote do governo, mas contra o roubo de resid\u00eancias, sentiram ansiedade e se armaram \u00e0 noite para enfrentar fantasmas e alguns grupos isolados, que procuravam aproveitar-se da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A trama e a conspira\u00e7\u00e3o do monstro da Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional e seu efeito no dia 22 funcionou para os ricos apenas algumas horas. No s\u00e1bado, 23, com o dobro da for\u00e7a, os panela\u00e7os, vig\u00edlias, marchas com tochas e concentra\u00e7\u00f5es, dan\u00e7as e algumas assembleias foram a rea\u00e7\u00e3o massiva \u00e0 pol\u00edtica de tormento e terror (psicol\u00f3gico e real) do estado. Milhares novamente encheram as ruas e bairros. Assim, voltaram as motiva\u00e7\u00f5es fundamentais da Paralisa\u00e7\u00e3o e a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, assim como o chamado a Duque para sentar-se com os empres\u00e1rios, para atender \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es expressas de maneira distorcida no Comit\u00ea Nacional de Paralisa\u00e7\u00e3o e a Bancada Alternativa de oposi\u00e7\u00e3o parlamentar.<\/p>\n<p>No domingo 24, os jovens fizeram manifesta\u00e7\u00f5es em bicicleta, protestos na Plaza de Bol\u00edvar e vig\u00edlia no hospital San Ignacio e panela\u00e7os nos bairros, devido ao estado cr\u00edtico do jovem de 18 anos, Dilan Mauricio Cruz Medina, que havia se manifestado no s\u00e1bado 23 no centro da cidade, quando uma muni\u00e7\u00e3o letal n\u00e3o convencional do ESMAD (Esquadr\u00e3o de Motim Antidist\u00farbios) atingiu sua cabe\u00e7a, no altura da rua\u00a0 19 com a 4. Na segunda-feira 25, mais uma vez houve protestos massivos por ocasi\u00e3o do dia da n\u00e3o viol\u00eancia contra as mulheres no Parque Nacional e na Plaza de la Hoja, al\u00e9m de outros pontos aut\u00f4nomos, especialmente no que diz respeito ao bombardeio de meninas indefesas pelo FFMM, o ass\u00e9dio sexual e no trabalho, os feminic\u00eddios, viol\u00eancia sexual e laboral do governo duquista e os empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira 26 e quarta-feira 27, uma s\u00e9rie de concentra\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o crime de estado contra a humanidade de Dilan e uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional de 24 horas ou mais, por parte da Federa\u00e7\u00e3o Colombiana da Educa\u00e7\u00e3o (Fecode) e outras sindicatos, estudantes e movimento popular. Enquanto o Comit\u00ea Nacional de Paralisa\u00e7\u00e3o se levantou da Mesa pela inten\u00e7\u00e3o de dialogar com os &#8220;sindicatos&#8221; empresariais e n\u00e3o diretamente, v\u00e1rios l\u00edderes pol\u00edticos reformistas (Petro, outros) se recusam a prestar-se ao jogo do di\u00e1logo duquista e h\u00e1 indigna\u00e7\u00e3o por Dilan. Espera-se que em novembro e dezembro, eles aprofundem o car\u00e1ter indefinido, escalonado ou continuado, de paralisa\u00e7\u00e3o e v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es, at\u00e9 derrotar o pacote e, se poss\u00edvel, colocar a renuncia de Duque, ou pelo menos desgast\u00e1-lo politicamente.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a rea\u00e7\u00e3o uribista e burguesa apresentar\u00e3o: trabalhadores e estigma do movimento; assassinatos e acusa\u00e7\u00e3o \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o por crimes de Estado e incendiar o pa\u00eds, incendi\u00e1rios; di\u00e1logo governamental desmobilizador; contramarchas e marchas paralelas, grupos privados de resist\u00eancia civil contra dist\u00farbios; armadilhas, tais como dividir o comit\u00ea de negocia\u00e7\u00e3o e brigas da mesa; pequenas concess\u00f5es e reformas, promessas apresentadas como grandes reformas; discurso de novo rumo, ouvindo e cooptando, trocando gabinete, desgaste etc.<\/p>\n<p>O lema mobilizador de &#8220;A paralisa\u00e7\u00e3o continua&#8221;, que tem ecoado nas manifesta\u00e7\u00f5es desses sete dias (uma semana inteira, que pode prever, pelo menos, esperan\u00e7osamente, um m\u00eas ativo), \u00e9 a express\u00e3o da disposi\u00e7\u00e3o de luta e uma novo ciclo de protestos sociais de rua, que ser\u00e1 cada vez mais recorrente e din\u00e2micos. Sem esquecer os momentos normais de refluxo e calma, inatividade e passividade, devido \u00e0 desorganiza\u00e7\u00e3o e debilidade comparativa do movimento social colombiano, os limites do 21N.<\/p>\n<p><strong>A Col\u00f4mbia est\u00e1 mudando<\/strong><\/p>\n<p>A pergunta que todo mundo faz \u00e9 &#8230; e agora o que vem depois? N\u00e3o h\u00e1 resposta \u00fanica, uma vez que cada classe e fra\u00e7\u00e3o (social e partid\u00e1ria) tem um diagn\u00f3stico diferente (consciente ou inconsciente) da situa\u00e7\u00e3o nacional e, portanto, uma pol\u00edtica diferente. Mesmo dentro de cada organiza\u00e7\u00e3o e a espontaneidade das massas, abundam diferentes opini\u00f5es individuais, grupais e coletivas das bases, quadros m\u00e9dios e dirigentes, com suas respectivas particularidades de idade, g\u00eanero, condi\u00e7\u00e3o social, cultural e intelectual. Momentos in\u00e9ditos geram o surgimento da democracia e das vozes polif\u00f4nicas. Viva a paralisa\u00e7\u00e3o, a discuss\u00e3o aberta e a unidade de a\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Por parte dos socialistas revolucion\u00e1rios e dos defensores dos trabalhadores, se antes t\u00ednhamos alguma d\u00favida e desvaloriza\u00e7\u00e3o sobre a leve mudan\u00e7a superestrutural ap\u00f3s o fim do conflito armado com as hist\u00f3ricas FARC-EP e, em grande parte, da din\u00e2mica conflitiva dos \u00faltimos 60 anos e seu papel negativo e determina\u00e7\u00e3o da luta de classes nacional. A relatividade desse fato ofuscado devido \u00e0 contradi\u00e7\u00e3o latente das guerrilhas residuais (ELN e EPL), o rearmamento de dissidentes (das FARC, etc.) e grupos criminosos e paramilitares armados, o narcotr\u00e1fico, os assassinatos de l\u00edderes sociais, etc. Mas, acima de tudo, a abertura democr\u00e1tica nula, o sonho n\u00e3o realizado do p\u00f3s-conflito, com a manuten\u00e7\u00e3o e o fortalecimento do regime pol\u00edtico autorit\u00e1rio de sangue e fogo e o aprofundamento do modelo econ\u00f4mico neoliberal, depois de desarmar a maior e mais antiga guerrilha do mundo. Esta \u00e9 a tese tradicional.<\/p>\n<p>No entanto, a Paralisa\u00e7\u00e3o do 21N \u00e9 o melhor e mais impressionante mostra que come\u00e7a a limpar esse manto equivocado de previs\u00f5es e an\u00e1lises, para ver, agora sim, com os olhos bem abertos, que estamos transitando para uma nova etapa hist\u00f3rica da luta de classes nacional e, portanto, estamos entrando em um novo ciclo de protesto social na Col\u00f4mbia, como v\u00ednhamos falando h\u00e1 dois anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um mero fluxo mobilizador, ascenso ou conjuntura, descontentamento antiuribista pontual, nova situa\u00e7\u00e3o, estamos diante de uma quest\u00e3o muito mais complexa e de m\u00e9dio prazo. Nada mais nem menos que uma magnitude qualitativa. Quem n\u00e3o entender esse processo hist\u00f3rico contradit\u00f3rio, do velho e do novo, de uma transi\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria para uma nova etapa e ciclo, n\u00e3o poder\u00e1 afrontar os desafios que vir\u00e3o e vai perecer. As dire\u00e7\u00f5es atuais, reformistas, centristas, revolucion\u00e1rias e contrarrevolucion\u00e1rias n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura, nem sequer no campo do diagn\u00f3stico, do pensamento. Da\u00ed a crise e as divis\u00f5es dos partidos.<\/p>\n<p>Qualquer tentativa de minimizar, subestimar, ignorar ou negar essa mudan\u00e7a hist\u00f3rica proporcional, com teses simplistas como a \u201ccontinuidade do conflito armado estrutural\u201d e a \u201cviol\u00eancia estatal de dois s\u00e9culos\u201d e o \u201cregime neoliberal bonapartista\u201d, a \u201chegemonia cultural uribista\u201d e &#8220;direitista&#8221;, &#8220;pa\u00eds de merda&#8221; etc. etc., digamos sem ambiguidade, parados no 21N, ser\u00e1 uma express\u00e3o m\u00edope e negacionista, pessimista e sect\u00e1ria da realidade nacional que deve ser controversa.<\/p>\n<p>O movimento oper\u00e1rio-popular e a esquerda devem discutir em profundidade e com calma essa hip\u00f3tese alternativa de uma nova etapa hist\u00f3rica e um novo ciclo, uma vez que n\u00e3o est\u00e1 descartado o erro de cair em posi\u00e7\u00f5es ing\u00eanuas e impressionistas, igualmente unilaterais como de outras pessoas e n\u00e3o isentas de uma situa\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica ideol\u00f3gica \u00c9 o caso dos ex-negociadores de paz, Juan Manuel Santos e Humberto de la Calle, sobre as &#8220;conquistas da paz imperfeita&#8221; e a &#8220;mudan\u00e7a incontrol\u00e1vel do centro&#8221; do fajardismo. De qualquer forma, s\u00e3o express\u00f5es contradit\u00f3rias de uma mudan\u00e7a real de uma Col\u00f4mbia diferente da de 60 anos atr\u00e1s, mas que ainda tem muitos remanescentes de um passado conflituoso, por isso as combina\u00e7\u00f5es, os prazos perempt\u00f3rios e as contratend\u00eancias.<\/p>\n<p>A Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional do 21N de 2019 faz parte do mesmo processo de mudan\u00e7a real, desigual e combinado, expresso em: a derrota eleitoral do Centro Democr\u00e1tico, o principal partido do governo, nas elei\u00e7\u00f5es regionais de 2019; os 11 milh\u00f5es da Consulta Anticorrup\u00e7\u00e3o de 2018 e as vitoriosas Consultas Populares ambientais das comunidades; os 8 milh\u00f5es para um candidato reformista de centro-esquerda e para a Bancada Alternativa. Antes, os 6 milh\u00f5es de votos do SIM no plebiscito em 2016 e a assinatura do Acordo de Paz de Havana em 24 de novembro de 2016, que possibilitaram as cadeiras no parlamento das FARC e antes geraram marchas poderosas p\u00f3s-plebiscito em favor de paz e sa\u00edda pol\u00edtica para o conflito armado; a investiga\u00e7\u00e3o de Uribe perante a Suprema Corte e o descr\u00e9dito cultural e a luta judicial do uribismo, entre outros, mostram isso.<\/p>\n<p>O 21N reflete um pico de resist\u00eancia \u00e0 ofensiva da abertura neoliberal de tr\u00eas d\u00e9cadas e as contradi\u00e7\u00f5es institucionais e desgaste do aparato estatal, resultado da constituinte de 91 (da\u00ed as propostas de nova constituinte, reformas constitucionais, da justi\u00e7a e do sistema eleitoral e partid\u00e1rio, etc.). Os \u00edndices comparativos de mobiliza\u00e7\u00f5es sociais e derrotas, pesquisas de percep\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o, pequenos avan\u00e7os na conscientiza\u00e7\u00e3o de alguns grupos populacionais (especialmente setores da classe m\u00e9dia e juventude), expressam a passagem de uma nova etapa contradit\u00f3ria e ciclo.<\/p>\n<p><strong>Tarefas urgentes do movimento<\/strong><\/p>\n<p>No ambiente, se percebe a urg\u00eancia para a a\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica ap\u00f3s a situa\u00e7\u00e3o aberta da 21N. Respostas.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica reativa e desmobilizadora de Iv\u00e1n Duque \u00e9 uma \u201cGrande Conversa\u00e7\u00e3o Nacional\u201d et\u00e9rea e pomposa at\u00e9 mar\u00e7o de 2020, para melhorar a governan\u00e7a e chegar ao fim de seu mandato tortuoso e garantir a continuidade da direita do pr\u00f3ximo governo. Mas o povo mobilizado e boa parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o suporta outro presidente fantoche e indicado por Uribe.<\/p>\n<p>Em seu terceiro discurso, Duque disse que essa metodologia come\u00e7aria na quarta-feira, 27 de novembro, mas na verdade come\u00e7ou mais cedo. Primeiro com seu Conselho de Ministros e Seguran\u00e7a do FFMM e a for\u00e7a p\u00fablica em geral. Depois, com os empres\u00e1rios da Andi, Fenalco, etc. Posteriormente, com governadores e prefeitos. Por fim, culminam com os representantes dos partidos, aqueles relacionados aos seus interesses e os mal chamados de independentes e opositores, bem como com os organizadores da paralisa\u00e7\u00e3o e o povo trabalhador &#8211; os ningu\u00e9m &#8211; em uma exaustiva fragmenta\u00e7\u00e3o setorial e regional. As &#8220;for\u00e7as representativas&#8221; que deram as costas \u00e0 Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional e ao clamor popular, que n\u00e3o fizeram nada nem antem, nem depois do 21N &#8211; queriam que a paralisa\u00e7\u00e3o fosse em janeiro e apenas um dia! -, sendo de longe, atropelados \u00a0O pa\u00eds das elites e burocracias, dissociado dos trabalhadores e das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Duque parece ser um bom aluno do presidente chileno, Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pol\u00edtica de di\u00e1logo, incluindo Uribe com seus conselhos comunit\u00e1rios. At\u00e9 o prefeito eleito de Medell\u00edn, Daniel Quintero Calle, em uma carta ao presidente, como tentativa de aparecer na m\u00eddia prop\u00f4s \u201cuma constituinte que resolva a polariza\u00e7\u00e3o e permita encontrar-nos como sociedade\u201d (1), como forma de concilia\u00e7\u00e3o de classes e rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. A burguesia colombiana, como um todo, \u00e9 t\u00e3o reacion\u00e1ria que n\u00e3o permite nem um ind\u00edcio de reforma progressiva do regime e estruturais, nem mesmo pequenas.<\/p>\n<p>A esquerda e o movimento social devem transcender a arrog\u00e2ncia da mera e simples rejei\u00e7\u00e3o e inconveni\u00eancia concreta de uma constituinte (posi\u00e7\u00e3o correta, mas insuficiente) (2). Devem se esfor\u00e7ar para entender a complexidade do que expressa esse tipo de propostas e locais de enuncia\u00e7\u00e3o de classe (3), quanto ao car\u00e1ter e crise (ou n\u00e3o) do regime pol\u00edtico colombiano e das lutas interburguesas e interclasses. Tanto amor e defesa reformista da Carta Pol\u00edtica de 91 e o podre regime antidemocr\u00e1tico, medo da rea\u00e7\u00e3o uribista e da direita, confundem os sentidos e adoecem a mente &#8230;<\/p>\n<p>De qualquer forma, sem desviar o foco, imediatamente, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o &#8220;acordo&#8221; do Sal\u00e1rio M\u00ednimo Legal Vigente de 2020 na comiss\u00e3o tripartida (governo, empregadores e centrais oper\u00e1rias), o &#8220;di\u00e1logo&#8221; sobre o modifica\u00e7\u00e3o do pacote e aplica\u00e7\u00e3o harmoniosa e perempt\u00f3ria da Lei de Financiamento Fiscal e o &#8220;aprofundamento social&#8221; do Plano Nacional de Desenvolvimento, especialmente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com o 21N, uma s\u00e9rie de demandas setoriais pendentes de trabalhadores, professores, estudantes e setores populares (ind\u00edgenas e camponeses), acordos n\u00e3o cumpridos e deficit\u00e1rios, incluindo o Acordo de Paz de Havana coma outrora guerrilha camponesa e suas bases agr\u00e1rias.<\/p>\n<p>Toda essa expans\u00e3o antimobilizadora da pol\u00edtica de di\u00e1logo nacional est\u00e1 sendo usada por Duke e pelo establishment, para entrar com propriedade nos feriados de final de ano e fechar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel a dor de cabe\u00e7a e a ang\u00fastia da conjuntura da paralisa\u00e7\u00e3o e do protesto iniciados no 21N que j\u00e1 completa uma semana. Conter a indigna\u00e7\u00e3o e insatisfa\u00e7\u00e3o com &#8220;promessas de mudan\u00e7a&#8221; e &#8220;mais do mesmo&#8221;.<\/p>\n<p>Diante desse panorama, as tarefas urgentes do movimento social e a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria do momento hist\u00f3rico e do momento concreto consistem, na medida das possibilidades, oportunidades e o curso imprevis\u00edvel dos acontecimentos, nos seguintes pontos:<\/p>\n<p>1- Denunciar o &#8220;di\u00e1logo&#8221; do governo de Duque como uma armadilha. Exigir das Centrais Sindicais e o Comit\u00ea Nacional de Paralisa\u00e7\u00e3o, especialmente a CUT, que n\u00e3o participem da Comiss\u00e3o Permanente de Negocia\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas Salariais e Trabalhistas, com o governo, para negociar a paralisa\u00e7\u00e3o ou assuntos semelhantes. Rejei\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica do pacote legislativo que o governo preparou para os pr\u00f3ximos 3 anos, n\u00e3o h\u00e1 nada a negociar. Temos que derrotar os planos de Duque, sim ou sim.<\/p>\n<p>Apresentar, isso sim, uma lista de reivindica\u00e7\u00f5es alternativa da paralisa\u00e7\u00e3o (o atual Comit\u00ea Nacional de Paralisa\u00e7\u00e3o levantou uma &#8220;agenda de 13 pontos&#8221; (4) emanada de um Encontro Nacional de Emerg\u00eancia e advertir sobre uma poss\u00edvel recess\u00e3o econ\u00f4mica global e a liga\u00e7\u00e3o do governo ao descarregar a crise dos ricos nos ombros dos pobres e at\u00e9 dos setores m\u00e9dios. Preparar e organizar uma Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional Indefinido j\u00e1, comit\u00eas setoriais e de bairros a favor da paralisa\u00e7\u00e3o, uma negocia\u00e7\u00e3o de press\u00e3o, e n\u00e3o um di\u00e1logo divisionista do governo. Continuar na rua e redobrar o protesto com controle democr\u00e1tico (oper\u00e1rio, estudantil, popular e barrial) e democratiza\u00e7\u00e3o do comit\u00ea de negocia\u00e7\u00e3o da paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Caso contr\u00e1rio, denunciar as dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e os porta-vozes negociadores do Comit\u00ea e da Comiss\u00e3o, perante as bases, as massas participantes e o povo colombiano, como traidores da hist\u00f3rica Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional do 21N, ao ser pr\u00f3-uribistas e governistas, funcionais ao capital , como Julio Roberto G\u00f3mez, presidente da CGT (que deve ser expulso do comit\u00ea e ter desfilia\u00e7\u00e3o massiva de sindicatos a esta e integra\u00e7\u00e3o \u00e0 CUT (5). O problema n\u00e3o s\u00e3o os sindicatos, o movimento oper\u00e1rio e a classe trabalhadora, como pensa o populismo, mas sua dire\u00e7\u00e3o e suas crises, em todos os n\u00edveis.<\/p>\n<p>Exigir, sim, como parte da pauta de reivindica\u00e7\u00e3o popular, negociar um aumento geral e substancial do sal\u00e1rio m\u00ednimo e melhorar o emprego e a estabilidade dos jovens, sem aceitar a cifra da patronal-governo, criticando a pol\u00edtica demag\u00f3gica de Duque sobre \u201cmais empregos e mais sal\u00e1rio\u201d com o qual conquistou parte do eleitorado e se elegeu. Por menor que seja o aumento m\u00ednimo proposto pelas centrais oper\u00e1rias, chamar o povo a exigi-lo e imp\u00f4-lo ao governo e aos empres\u00e1rios atrav\u00e9s de protestos sociais, como parte do 21N. Seguindo os ensinamentos socialistas de Nahuel Moreno, sobre o caso argentino, ele disse:<\/p>\n<p>\u201cAqui na Argentina, n\u00e3o me lembro exatamente do ano, a CGT levantou a consigna de um aumento de vinte por cento nos sal\u00e1rios. Dissemos: &#8220;Ok, vamos fazer assembleias de f\u00e1brica e organizar piquetes de mobiliza\u00e7\u00e3o para obter esse aumento, mas nem um peso menos&#8221;. Pol\u00edtica Obrera e os posadistas da Vos Prolet\u00e1ria levantaram consignas [sect\u00e1rias, pseudo-antiburocr\u00e1ticos e objetivistas] por aumentos muito maiores, eles acreditavam que quanto mais pediam, mais revolucion\u00e1rios eram. Naquela \u00e9poca, a infla\u00e7\u00e3o estava entre quinze e vinte por cento ao ano, ent\u00e3o imagine o que significava pedir esse aumento. Mas eles se consideravam mais revolucion\u00e1rios do que a CGT por pedir mais.<\/p>\n<p>Quando exigimos que a CGT lutasse por \u201cseu\u201d aumento, sem recuar em um \u00fanico peso, e que fizesse assembleias e piquetes, faz\u00edamos a verdadeira pol\u00edtica trotskista [ou marxista revolucion\u00e1ria]. A posi\u00e7\u00e3o infantil e rid\u00edcula dos posadistas e da OP \u00e9 sua nega\u00e7\u00e3o. A arte da pol\u00edtica trotskista consiste em levantar consignas que desprendem das necessidades [objetivas] das massas e refletem seu verdadeiro n\u00edvel [subjetivo] de consci\u00eancia\u201d (6).<\/p>\n<p>2- Interpretar o sentimento de descontentamento oper\u00e1rio e popular. Levantar consignas e propor a constru\u00e7\u00e3o de uma lista de reivindica\u00e7\u00f5es e plano de luta, conquista de reformas arrancadas pelo governo, em assembleias e espa\u00e7os de discuss\u00e3o externa e interna, em torno dos problemas centrais e program\u00e1ticos da resist\u00eancia e da revolu\u00e7\u00e3o colombiana:<\/p>\n<ul>\n<li>Liberdades democr\u00e1ticas, defesa da vida e direito a protestos (desmonte do ESMAD e das gangues neo-paramilitares, cessa\u00e7\u00e3o de assassinatos e amea\u00e7as a l\u00edderes sociais, pris\u00e3o a Uribe e impunidade de JEP, pelas v\u00edtimas de genoc\u00eddio e desaparecimento for\u00e7ado etc.). O caso simb\u00f3lico de Dilan Cruz. N\u00e3o ao terrorismo &#8220;legal&#8221; de estado e grupos ilegais. Autodefesa, mobiliza\u00e7\u00e3o e den\u00fancia das comunidades.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Contra o pacote, plano de ajuste, contra reformas ou medidas antipopulares do governo. As reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas antipatronais e anti-imperialistas (aumento do SMMLV, prote\u00e7\u00e3o da estabilidade do trabalho, mais emprego, contra a OCDE e a OEA, n\u00e3o para privatiza\u00e7\u00f5es, etc.). Demandas pol\u00edticas (garantias pol\u00edticas, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio para parlamentares e burocracia estatal para meio sal\u00e1rio de professor, terminando a reelei\u00e7\u00e3o, etc.). E reivindica\u00e7\u00f5es ambientais (n\u00e3o de fracking e prote\u00e7\u00e3o de florestas e Amaz\u00f4nia, n\u00e3o \u00e0 ca\u00e7a de tubar\u00f5es e touradas, consultas, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e enfrentamento da crise clim\u00e1tica etc.) contra o governo e o regime vigente. A perspectiva estrat\u00e9gica de um constituinte antiregime e um governo dos trabalhadores e do povo, conquistados pela mobiliza\u00e7\u00e3o e insurrei\u00e7\u00e3o em massa. Abaixo o regime antidemocr\u00e1tico de 91 e sua carta neoliberal, o povo trabalhador n\u00e3o deve &#8220;respeitar&#8221; ou &#8220;aprofundar&#8221; um andaime institucional que os ameace, mas deve derrub\u00e1-lo e alcan\u00e7ar um processo destituinte.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Desgastar e focalizar centralmente o desacordo na cabe\u00e7a pol\u00edtica, o presidente Duque. Inclusive, \u00e9 necess\u00e1rio propor que ele renuncie, revoga\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e derrub\u00e1-lo atrav\u00e9s da mobiliza\u00e7\u00e3o social. Al\u00e9m da den\u00fancia do pacote, \u00a0acompanhar em cada conflito e exigir o Fora Duque e Uribe, abaixo Duque, renuncie Duque, Duque Chao, Duque assassino, revocat\u00f3ria de Duque, pris\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o a Duque, (envolvido na corrup\u00e7\u00e3o da Odebrecht e respons\u00e1vel pela pol\u00edtica de seguran\u00e7a), julgamento popular de Duque ou outras variantes antigovernamentais. Todo processo de resist\u00eancia e revolu\u00e7\u00e3o ocorre com o ataque frontal ao chefe do governo. O resto s\u00e3o abstra\u00e7\u00f5es e oportunismo. O 21N n\u00e3o foi uma marcha sindical de um setor, mas uma poderosa mobiliza\u00e7\u00e3o antigovernamental nacional com alguns sinais de greve pol\u00edtica, como observa a an\u00e1lise pol\u00edtica do El Espectador: \u201cH\u00e1 um profundo inc\u00f4modo com o governo, que se materializou em um das poucas consignas que tinham unidade na massa: &#8220;Fora Duque&#8221;. A outra consigna que sintetizou a mensagem das v\u00e1rias vozes foi a do antiuribismo\u201d (7). Em resumo, tudo o que as pol\u00edticas tradicionais e alternativas n\u00e3o fazem deve ser feito. Devemos nos opor \u00e0 pol\u00edtica consciente de apoio da &#8220;oposi\u00e7\u00e3o&#8221; burguesa (Roy Barreras, o Santismo e os liberais, os verdes e Fajardo, Cambio Radical) e a &#8220;oposi\u00e7\u00e3o&#8221; pequeno-burguesa (Gustavo Petro, Gustavo Bol\u00edvar e sua Colombia humana, o Polo de Robledo e Iv\u00e1n Cepeda, etc.), as centrais oper\u00e1rias (CUT, CTC e CGT) e a m\u00eddia privada. Seu racioc\u00ednio \u00e9 esperar at\u00e9 2022 por um &#8220;novo governo de mudan\u00e7a&#8221; e pior do que assumir outra &#8220;substitui\u00e7\u00e3o&#8221; de Duque de seus anfitri\u00f5es (Marta Lucia), apaziguar o protesto e a raiva popular, &#8220;conter&#8221; e n\u00e3o derrotar o pacote, conselhos ao governo Duque para que deixe de ser um fantoche, &#8220;desuribize&#8221; e &#8220;retifique&#8221;.<\/li>\n<\/ul>\n<p>3- Apoiar e promover, organizar, participar e dirigir protestos espont\u00e2neos ou organizados no final do ano e no primeiro e segundo semestres. Especialmente as assembleias de bairro e comit\u00eas pr\u00f3-paralisa\u00e7\u00e3o, concentra\u00e7\u00f5es, coberturas, relat\u00f3rios, palestras, panela\u00e7os e vig\u00edlias, dan\u00e7as, reuni\u00f5es, uso de redes e comunica\u00e7\u00f5es sociais, cultura, etc. Zero esquemas, aud\u00e1cia, aud\u00e1cia e mais aud\u00e1cia. Continuar a paralisa\u00e7\u00e3o, os protestos sociais permanentes. Uma nova camada de pessoas desperta para a vida social e pol\u00edtica. Existem milhares de Dilan procurando respostas.<\/p>\n<p>4- Ao contr\u00e1rio da onda espont\u00e2neista e movimentista, molecular e descentralizada, aut\u00f4noma, que a partir do olhar do populismo pequeno-burgu\u00eas (8), desfigura a revolucion\u00e1ria marxista prolet\u00e1ria e partid\u00e1rio revolucion\u00e1rio, Rosa Luxemburgo, e at\u00e9 mesmo Gramsci, devemos avan\u00e7ar para reconstruir, no calor da luta, as organiza\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, sindicais e recuperar as existentes das garras burocr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Da mesma forma, devemos avan\u00e7ar na forma\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria e reagrupada de partidos de esquerda dos trabalhadores, revolucion\u00e1rios e internacionalistas, com s\u00edntese geracional, para a lideran\u00e7a disputada da prepara\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a de regime, que come\u00e7a com um longo per\u00edodo de resist\u00eancia e ciclo surgido no 21N e na nova etapa. Rumo a segunda e definitiva independ\u00eancia da Col\u00f4mbia, um despertar bicenten\u00e1rio e primavera de um novo colombianazo, pelo socialismo latino-americano e mundial.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1- https:\/\/www.elcolombiano.com\/antioquia\/daniel-quintero-alcalde-electo-de-medellin-propone-a- president-ivan-duque-asa assembl\u00e9ia-nacional-constituyente-CC12015403<\/p>\n<p>2- 4 raz\u00f5es para rejeitar a proposta do Constituinte, Alejandro Mantilla (24\/11\/2019): https:\/\/www.facebook.com\/alejandro.m.quijano\/posts\/10157781243782959<\/p>\n<p>3- Atores pol\u00edticos e sociais heterog\u00eaneos que tiveram propostas constituintes no \u00faltimo per\u00edodo: a constituinte limitada e trapaceira de Uribe e Abelardo de la Espriella (2016); a constituinte social democrata de Petro (2018) e as FARC-EP (2013-2016) Segunda Marquetalia de Santrich e Iv\u00e1n M\u00e1rquez (2019) a constituinte antiregime e op\u00e9r\u00e1ria e popular do PST Col\u00f4mbia (2016-2017); a constituinte popular do EPL, outras de Jaime Araujo Renter\u00eda, ex-Pdte. do Tribunal Constitucional, Serpa, Benedetti, Roy Barreras, Uribe, Montealegre, \u00c1lvaro Leyva Dur\u00e1n, Noemi San\u00edn, Marta Luc\u00eda Ram\u00edrez, Henry Acosta, etc.<\/p>\n<p>4-https: \/\/www.fecode.edu.co\/images\/CircularsPDF\/circula_2019\/PETICIONES_AL_GOBIERNO.pdf<\/p>\n<p>5- https:\/\/www.lanacion.com.co\/2019\/11\/22\/sindicatos-del-huila-rompen-con-la-cgt\/<\/p>\n<p>6- http:\/\/www.geocities.ws\/moreno_nahuel\/45_nm.html<\/p>\n<p>7- https:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/politica\/el-estallido-social-en-que-derivo-el-paro-articulo-892555<\/p>\n<p>8- https:\/\/lasiniestra.com\/el-paro-de-noviembre-y-las-politicas-del-entusiasmo\/?fbclid=IwAR3Z-qKoxpzg6xmr0GJgdXzFvUHnLn6r27cF4NLIwvS1YOG9cniJiYepRJw<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.eltiempo.com\/archivo\/documento\/CMS-13760642\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.eltiempo.com\/archivo\/documento\/CMS-13760642<\/a> ou <a href=\"https:\/\/dle.rae.es\/carajo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/dle.rae.es\/carajo<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00f4nica de uma paralisa\u00e7\u00e3o viva e mobiliza\u00e7\u00e3o Em 18 de junho de 2018, ap\u00f3s o segundo turno da elei\u00e7\u00e3o presidencial que deu a vit\u00f3ria ao candidato de Uribe, Iv\u00e1n Duque M\u00e1rquez, uma parte dos 8 milh\u00f5es que votaram em Petro &#8211; Col\u00f4mbia\u00a0Humana (n\u00f3s socialistas fizemos campanha de voto cr\u00edtico a ele). , chamou \u00e0 &#8220;resist\u00eancia\u201d [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":30642,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[12],"tags":[5941,8016],"class_list":["post-30640","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colombia","tag-21n-colombia","tag-daniel-briceno"],"fimg_url":false,"categories_names":["Col\u00f4mbia"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30640","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30640"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30640\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30640"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30640"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30640"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}