{"id":30617,"date":"2019-11-28T13:09:31","date_gmt":"2019-11-28T15:09:31","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30617"},"modified":"2019-11-28T13:09:31","modified_gmt":"2019-11-28T15:09:31","slug":"comunicado-do-equador-ao-mit-chile-e-ao-povo-chileno-mais-de-mm-mes-de-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/11\/28\/comunicado-do-equador-ao-mit-chile-e-ao-povo-chileno-mais-de-mm-mes-de-revolucao\/","title":{"rendered":"Comunicado do Equador ao MIT-Chile e ao povo chileno: mais de um m\u00eas de revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Companheiras e companheiros do Movimento Internacional de Trabalhadores (MIT) do Chile, recebam uma sauda\u00e7\u00e3o fraterna e combativa do MAS do Equador.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: MAS-Equador<\/p>\n<p>Por meio deste comunicado, queremos expressar nossa solidariedade \u00e0 corajosa e consequente luta que o povo chileno trava contra o modelo capitalista neoliberal imposto h\u00e1 30 anos pela ditadura de Pinochet, a mesma que mergulhou a classe trabalhadora, e a maioria da popula\u00e7\u00e3o chilena, na pobreza, desigualdade e discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m queremos declarar que a insurrei\u00e7\u00e3o popular que vivemos no Equador de 11 a 13 de outubro teve o apoio moral e a legitimidade elevados pelo processo insurgente que voc\u00eas protagonizam nas ruas h\u00e1 mais de um m\u00eas. Este \u00e9 um exemplo do caminho que devemos seguir, n\u00f3s\u00a0 das classes populares na Am\u00e9rica Latina, para derrotar o capitalismo e construir uma sociedade justa e igualit\u00e1ria. N\u00f3s, que fazemos parte da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI), enviamos nossas leituras sobre o processo revolucion\u00e1rio que vive o nosso pa\u00eds irm\u00e3o, o Chile.<\/p>\n<p>Uma onda de lutas populares come\u00e7a na Am\u00e9rica Latina. Desta \u201cprimavera latino-americana\u201d fazem parte os levantes de Honduras, Porto Rico, Haiti, Panam\u00e1, Equador, Chile, Bol\u00edvia e, possivelmente, Col\u00f4mbia, que se prepara para viver uma greve geral convocada para dia 21 de novembro. O mal-estar generalizado na regi\u00e3o tem como pano de fundo a ofensiva do imperialismo e das burguesias nacionais que, para agrad\u00e1-lo e obter os favores do FMI, ataca os padr\u00f5es de vida dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o mais pobre.<\/p>\n<p>Nesse contexto, h\u00e1 mais de um m\u00eas, centenas de milhares de chilenas e chilenos continuam nas ruas exigindo a sa\u00edda de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era do poder, a convoca\u00e7\u00e3o imediata de uma Assembleia Constituinte, que os numerosos casos de viola\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos sejam julgados e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida. Exig\u00eancias que apontam para a necessidade de derrotar um dos modelos mais vorazes do capitalismo, o neoliberalismo.<\/p>\n<p>Um dos principais protagonistas dessa longa resist\u00eancia foi o movimento estudantil que, na hist\u00f3ria recente do Chile, se manifestou contra as pol\u00edticas neoliberais que desmantelaram a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. As mobiliza\u00e7\u00f5es mais lembradas, por sua criatividade, imensa participa\u00e7\u00e3o e pela ades\u00e3o de outros setores, foram as da \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Pinguins\u201d, ocorrida nos anos de 2006 e 2011.<\/p>\n<p>O Chile vive um heroico processo revolucion\u00e1rio, no qual a juventude voltou a ser a protagonista da hist\u00f3ria. As \u201cevas\u00f5es em massa\u201d (pula catraca) no metr\u00f4 de Santiago contra o aumento das passagens decretado por Pi\u00f1era acenderam o pavio da explos\u00e3o popular. A partir de ent\u00e3o, imensos setores perderam o medo e aderiram \u00e0 luta impulsionados pelo alto custo de vida e aumento dos pre\u00e7os da eletricidade, \u00e1gua e medicamentos. Rapidamente o exemplo de Santiago ecoou por todo o pa\u00eds, mostrando que essa sociedade perfeita, esse \u201co\u00e1sis\u201d na Am\u00e9rica Latina, um paradigma de defensores do mercado, um exemplo de desenvolvimento e estabilidade na regi\u00e3o, n\u00e3o passava de uma fachada .<\/p>\n<p>As medidas adotadas por Pi\u00f1era atingiram o bolso da grande maioria dos chilenos, que contam com um sal\u00e1rio m\u00ednimo de 387 d\u00f3lares (301.000 pesos), insuficiente para sobreviver at\u00e9 o final do m\u00eas, apesar de a cesta b\u00e1sica custar 241 d\u00f3lares. Cerca de 11% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de idosos e vive com uma pens\u00e3o miser\u00e1vel inferior a 150 d\u00f3lares.<\/p>\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o indiscriminada dos setores de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o deixou a popula\u00e7\u00e3o sem outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser endividar-se para acessar esses \u201cservi\u00e7os\u201d, tendo sido privatizadas inclusive as estradas e o servi\u00e7o de \u00e1gua pot\u00e1vel. Por outro lado, a classe trabalhadora foi explorada ao m\u00e1ximo para sustentar um sistema econ\u00f4mico podre que, desde os anos da ditadura de Pinochet, n\u00e3o conseguiu resolver os problemas mais urgentes dos chilenos.<\/p>\n<p>Com o peso de toda essa frustra\u00e7\u00e3o e o \u00f3dio contido, os trabalhadores, a juventude desempregada, os estudantes, os idosos, as mulheres, os artistas e todo o povo em geral aderiram \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es. Rapidamente, dezenas de mobiliza\u00e7\u00f5es em massa tomaram ruas e pra\u00e7as. Imensas concentra\u00e7\u00f5es, panela\u00e7os e in\u00fameras formas de protesto emocionam o mundo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como resultado da agita\u00e7\u00e3o social e da infiltra\u00e7\u00e3o de for\u00e7as repressivas, como vimos no Equador, houve inc\u00eandio em esta\u00e7\u00f5es, saques e o inevit\u00e1vel confronto entre manifestantes e militares e policiais. Em resposta, novas e variadas formas de autodefesa foram criadas e adotadas, as quais, gra\u00e7as aos corajosos jovens, protegem as concentra\u00e7\u00f5es realizadas na \u201cPra\u00e7a da Dignidade\u201d, onde mais de um milh\u00e3o de pessoas chegaram a se reunir.<\/p>\n<p>Diante desse leg\u00edtimo ato de democracia, Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era respondeu com uma repress\u00e3o brutal, decretando estado de emerg\u00eancia e toque de recolher na tentativa de desgastar a insurrei\u00e7\u00e3o. Mas a popula\u00e7\u00e3o, que carrega em sua mem\u00f3ria a ferida aberta da ditadura, n\u00e3o est\u00e1 disposta a suportar um estado ditatorial novamente. Assim, trabalhadores e organiza\u00e7\u00f5es sociais organizaram a greve e as ruas explodiram em todo o Chile.<\/p>\n<p>Foram organizadas assembleias em todos os lugares e na linha de batalha foi organizada a autodefesa popular. Isso foi necess\u00e1rio porque os chilenos que est\u00e3o nas ruas s\u00e3o v\u00edtimas de in\u00fameros abusos da repress\u00e3o militar e, principalmente, dos odiados <em>carabineros<\/em>, que s\u00e3o respons\u00e1veis por pelo menos 23 mortos, v\u00e1rios feridos, 6.300 detidos, torturados, mais de 200 pessoas com graves les\u00f5es oculares e at\u00e9 abuso sexual praticado por militares e policiais.<\/p>\n<p>Por esse motivo, a palavra de ordem Fora Pi\u00f1era! tornou-se a principal palavra de ordem das manifesta\u00e7\u00f5es. Em n\u00edvel internacional a solidariedade n\u00e3o tardou. De atletas a artistas apoiam a luta no Chile. Organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, civis e grupos de todos os tipos fazem manifesta\u00e7\u00f5es em frente \u00e0s embaixadas chilenas pelo mundo.<\/p>\n<p>Desse modo, a for\u00e7a da revolta fez com que o governo Pi\u00f1era se apressasse em mudar seu gabinete e dar luz verde a promessas h\u00e1 longo tempo adiadas para acabar com os protestos, inclusive sendo for\u00e7ado a aceitar a proposta de uma nova Assembleia Constituinte, mas restringindo sua organiza\u00e7\u00e3o \u00e0s amarras do parlamento.<\/p>\n<p>Da mesma forma, os partidos tradicionalistas aceitaram o acordo de paz pelas costas do povo que permanece nas ruas com a clara consci\u00eancia de que n\u00e3o se pode confiar no governo repressivo de Pi\u00f1era e que n\u00e3o h\u00e1 acordo a ser feito sobre o sangue de companheiros mortos, torturados, mutilados e presos. Por esse motivo, o povo chileno continua nas ruas lutando e organizando a resist\u00eancia.<\/p>\n<p>No Equador, muitos setores rejeitam o \u201cmodelo bem-sucedido do Chile\u201d, que tanto a burguesia equatoriana quanto a latino-americana defendem, e apoiam a luta do povo chileno pela DIGNIDADE. Em nosso pa\u00eds, tivemos uma insurrei\u00e7\u00e3o vitoriosa que derrotou o decreto 883, colocou o governo de Lenin Moreno contra a parede e disse n\u00e3o ao FMI.<\/p>\n<p>Agora, com o processo revolucion\u00e1rio dos irm\u00e3os do Chile, reafirmamos que a luta popular \u00e9 o \u00fanico caminho que nos garantir\u00e1 o cumprimento das demandas dos trabalhadores do campo e da cidade, dos povos origin\u00e1rios, dos estudantes, dos jovens desempregados sem acesso ao estudo, das mulheres, dos idosos, dos aposentados e de todo o povo pobre.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do MAS (Movimento ao Socialismo) do Equador, saudamos a coragem do povo chileno e chamamos todas as organiza\u00e7\u00f5es sociais, trabalhadores, estudantes do ensino m\u00e9dio e universit\u00e1rio, coletivos de mulheres e todos os tipos do Equador a continuarmos impulsionando a campanha de solidariedade internacional com o povo do Chile.<\/p>\n<p>Conclamamos o povo chileno a permanecer nas ruas at\u00e9 a queda de Pi\u00f1era e seu governo criminoso,\u00a0 seguir fortalecendo as assembleias populares como base de um futuro governo de trabalhadores, camponeses e do povo pobre. Mas, acima de tudo, chamamos todas as lutadoras e os lutadores chilenos que se forjaram nesse processo de mobiliza\u00e7\u00e3o a se organizarem em um partido revolucion\u00e1rio que possa canalizar a indigna\u00e7\u00e3o desta insurrei\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o a uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o, uma sociedade sem classes, uma sociedade socialista.<\/p>\n<p>Por isso, convidamos voc\u00ea a conhecer o Movimento Internacional dos Trabalhadores (MIT), se\u00e7\u00e3o chilena da Liga Internacional dos Trabalhadores, uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que sempre lutou consequentemente ao seu lado.<\/p>\n<p><strong>Continuar nas ruas at\u00e9 a queda de Pi\u00f1era!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fora o imperialismo e o FMI da Am\u00e9rica Latina!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vivam os <em>cabildos*<\/em> e as assembleias populares!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Viva a luta do povo chileno, equatoriano e latino-americano!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Viva a autodefesa do povo!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o para as v\u00edtimas da repress\u00e3o brutal!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Liberdade para os presos pol\u00edticos!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pela constru\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio internacional!<\/strong><\/p>\n<p>*<em>Cabildo<\/em>: Conselhos populares<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Luana Bonfante<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Companheiras e companheiros do Movimento Internacional de Trabalhadores (MIT) do Chile, recebam uma sauda\u00e7\u00e3o fraterna e combativa do MAS do Equador.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":30618,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[145,3643,3538],"tags":[5261,2400,450,8011,8012],"class_list":["post-30617","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chile","category-equador","category-rebeliao-no-chile","tag-mas-equador","tag-mit-chile","tag-pinera","tag-rebeliao-equador","tag-solidariedade-rebeliao-chile"],"fimg_url":false,"categories_names":["Chile","Equador","Revolu\u00e7\u00e3o no Chile"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30617\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}