{"id":30565,"date":"2019-11-25T12:12:17","date_gmt":"2019-11-25T14:12:17","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30565"},"modified":"2019-11-25T12:12:17","modified_gmt":"2019-11-25T14:12:17","slug":"25-de-novembro-basta-de-violencia-e-machismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/11\/25\/25-de-novembro-basta-de-violencia-e-machismo\/","title":{"rendered":"25 de Novembro: Basta de viol\u00eancia e machismo"},"content":{"rendered":"<p><em>O dia 25 de novembro \u00e9 Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra a Mulher. Institu\u00edda pela ONU em 1999, a data serve para chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo para o impacto desse tipo de viol\u00eancia nas vidas das mulheres. Para as trabalhadoras, al\u00e9m de ser um dia de luta contra a viol\u00eancia e o machismo, tamb\u00e9m \u00e9 dia de se rebelar contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Erika Andreassy, da Secretaria de Mulheres do PSTU<\/p>\n<p>Em todo o mundo, a viol\u00eancia contra as mulheres cresce de forma alarmante. Segundo a ONU, uma em cada tr\u00eas mulheres foram ou ser\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia machista. No Brasil, a cada quatro minutos uma mulher sofre viol\u00eancia f\u00edsica, e esse n\u00famero conta apenas as que sobrevivem \u00e0s agress\u00f5es. No ano passado, foram registrados mais de 145 mil casos de viol\u00eancia f\u00edsica, sexual, psicol\u00f3gica e de outros tipos em que as v\u00edtimas sobreviveram. Os feminic\u00eddios tamb\u00e9m dispararam. S\u00f3 na cidade de S\u00e3o Paulo, houve um crescimento de 167% nos casos.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra as mulheres tamb\u00e9m se expressa de outras formas, como na desigualdade salarial, na dupla jornada, nos altos \u00edndices de desemprego, na falta de acesso \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade, na falta de moradia e de condi\u00e7\u00f5es dignas de vida. A criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, que condena milhares de mulheres todos os anos a sequelas e a mortes, tamb\u00e9m \u00e9 viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Governo Bolsonaro n\u00e3o tem pol\u00edtica para as mulheres<\/strong><\/p>\n<p>Bolsonaro n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o tem pol\u00edtica para combater a viol\u00eancia contra as mulheres como ainda contribui para agravar essa situa\u00e7\u00e3o. Os gastos do governo com pol\u00edticas de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia foram quase zero at\u00e9 agora. O governo tamb\u00e9m extinguiu conselhos e comit\u00eas respons\u00e1veis pela elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de combate \u00e0 viol\u00eancia, como o Comit\u00ea de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia Sexual contra Crian\u00e7as e Adolescentes e o Conselho Nacional de Combate \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o LGBT. No in\u00edcio de novembro, o governo editou um decreto que retira a obrigatoriedade de o governo federal auxiliar na manuten\u00e7\u00e3o das Casas da Mulher Brasileira.<\/p>\n<p>O discurso de \u00f3dio de Bolsonaro e de seus representantes, inclusive da ministra Damares Alves, refor\u00e7a o machismo e potencializa a viol\u00eancia. Em abril, em meio a uma entrevista coletiva, o presidente chegou a fazer apologia ao turismo sexual. Damares, por sua vez, afirmou a que a culpa dos estupros de meninas em Maraj\u00f3 (PA) era delas por n\u00e3o usarem calcinha.<\/p>\n<p>Como se isso n\u00e3o bastasse, os ataques do governo ao conjunto da classe trabalhadora afetam as mulheres de forma direta. A reforma da Previd\u00eancia e o novo pacote de medidas dificultam o acesso ao trabalho e \u00e0 aposentadoria de milhares de trabalhadoras.<\/p>\n<p><strong>Combina\u00e7\u00e3o entre racismo e machismo vitimam mais as mulheres negras<\/strong><\/p>\n<p>Novembro \u00e9 o m\u00eas de luta contra a viol\u00eancia \u00e0s mulheres e tamb\u00e9m o m\u00eas da Consci\u00eancia Negra. Num pa\u00eds como o nosso, em que as principais v\u00edtimas da viol\u00eancia machista s\u00e3o as mulheres negras, uma data n\u00e3o pode estar separada da outra.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o entre machismo e racismo faz das mulheres negras as principais v\u00edtimas da viol\u00eancia. N\u00e3o por acaso, 66% dos assassinatos femininos s\u00e3o cometidos contra mulheres negras. As negras est\u00e3o na base da pir\u00e2mide social, s\u00e3o as que recebem os sal\u00e1rios mais baixos, det\u00eam os maiores \u00edndices de desemprego e sofrem de forma mais contundente a viol\u00eancia institucional.<\/p>\n<p>Elas tamb\u00e9m s\u00e3o a maioria das v\u00edtimas da viol\u00eancia dom\u00e9stica, dos feminic\u00eddios e dos abusos sexuais. O estere\u00f3tipo da \u201cmulata dotada de erotismo\u201d, resqu\u00edcio da escravid\u00e3o e reproduzido de forma sistem\u00e1tica pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, resulta, por exemplo, no fato de que 60% dos estupros s\u00e3o cometidos contra mulheres negras.<\/p>\n<p><strong>Pelo fim da opress\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O capitalismo decadente submete cada vez mais as mulheres \u00e0 opress\u00e3o e \u00e0 viol\u00eancia. Isso serve para dividir a classe e superexplorar uma parte dela, as mulheres trabalhadoras. Por isso, a luta contra o machismo e a viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma tarefa s\u00f3 das mulheres, mas do conjunto da classe trabalhadora e deve ser tomada como parte da luta para destruir o sistema capitalista.<\/p>\n<p>Os levantes na Am\u00e9rica Latina e pelo mundo t\u00eam mostrado o papel das mulheres na luta contra a explora\u00e7\u00e3o. No Equador, no Haiti, em Hong Kong, no Iraque, no Chile ou na Bol\u00edvia, as massas exploradas tomam as ruas com as mulheres \u00e0 frente, derrubando todos os preconceitos e lutando contra seus governos por uma vida mais digna.<\/p>\n<p>As mulheres bolivianas, com seus filhos no colo, enfrentam o golpe racista de direita em seu pa\u00eds e mostram que fazem parte da luta. As jovens chilenas enfrentam a repress\u00e3o de Pi\u00f1era e se organizam em assembleias populares. \u00c9 fundamental que nesse processo as bandeiras das mulheres, contra a viol\u00eancia e o machismo, por igualdade e direitos, sejam tomadas tamb\u00e9m pelo conjunto do movimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 25 de novembro \u00e9 Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra a Mulher. Institu\u00edda pela ONU em 1999, a data serve para chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo para o impacto desse tipo de viol\u00eancia nas vidas das mulheres. 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