{"id":30523,"date":"2019-11-21T12:35:34","date_gmt":"2019-11-21T14:35:34","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30523"},"modified":"2019-11-21T12:35:34","modified_gmt":"2019-11-21T14:35:34","slug":"25n-contra-a-violencia-machista-vamos-as-ruas-junto-aos-povos-em-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/11\/21\/25n-contra-a-violencia-machista-vamos-as-ruas-junto-aos-povos-em-luta\/","title":{"rendered":"25N: Contra a viol\u00eancia machista, vamos \u00e0s ruas junto aos povos em luta!"},"content":{"rendered":"<p><em>H\u00e1 quase 60 anos, em um 25 de novembro, as irm\u00e3s Mirabal eram assassinadas por enfrentar a ditadura de Trujillo na Rep\u00fablica Dominicana. Para os registros formais, a ONU decretou esta data como Dia Internacional para a elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher, mas n\u00f3s a consideramos um dia de luta, um dia para denunciar a viol\u00eancia que exercem sobre n\u00f3s durante toda a vida e que assassina dezenas de milhares por ano.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 LIT-QI<\/p>\n<p>Hoje milh\u00f5es de mulheres no mundo est\u00e3o lutando contra ditaduras e governos \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d, dizendo que t\u00eam que mudar tudo porque assim n\u00e3o d\u00e1 para continuar. A melhor forma de lutar contra a viol\u00eancia machista \u00e9 que sigamos \u00e0 frente dessas lutas nas ruas do mundo inteiro.<\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o no mundo<\/strong><\/p>\n<p>Os organismos internacionais querem apresentar programas e discuss\u00f5es para mostrar que estamos melhor, mas at\u00e9 suas pr\u00f3prias estat\u00edsticas indicam o contr\u00e1rio. Segundo a ONU e a OMS, 120 milh\u00f5es de mulheres foram v\u00edtimas de abuso sexual em algum momento de suas vidas, 60 mil morrem por ano em m\u00e3os de feminicidas, onde quase metade s\u00e3o algum homem da fam\u00edlia ou seu companheiro.<\/p>\n<p>\u00c9 assustador saber que 1 em cada 3 mulheres no mundo sofreram viol\u00eancia f\u00edsica e\/ou sexual, e que estas estat\u00edsticas s\u00e3o contabilizadas tanto em pa\u00edses pobres como nos ricos. E essas estat\u00edsticas s\u00e3o incompletas por n\u00e3o registrar os transfeminic\u00eddios, e muitos casos que n\u00e3o s\u00e3o denunciados, em sua maioria por serem perpetrados dentro do meio familiar.<\/p>\n<p>Em todo o mundo s\u00e3o realizados 22 milh\u00f5es de abortos inseguros por ano, a maioria em pa\u00edses pobres e que levam muitas mulheres \u00e0 morte ou mutila\u00e7\u00e3o. Sem falar da viol\u00eancia institucional que \u00e9 sofrida nos pa\u00edses em que est\u00e1 proibido completamente, como por exemplo, El Salvador que chega ao extremo de encarcerar mulheres que tiveram abortos espont\u00e2neos.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma das regi\u00f5es em que a mulher sofre mais viol\u00eancia, abriga 14 dos 25 pa\u00edses com as mais altas taxas de feminic\u00eddio do mundo, segundo a ONU nesta regi\u00e3o incluindo o Caribe, 12 mulheres e meninas s\u00e3o assassinadas por dia. Na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, 50% das mulheres com mais de 15 anos sofreram algum tipo de assedio sexual; 1 em cada 3 europeus abonam o abuso sexual em alguns casos. Na \u00c1frica central e meridional 40% das jovens se casam antes dos 18 anos e 14% s\u00e3o obrigadas a faz\u00ea-lo antes dos 15.<\/p>\n<p>Ainda que haja mulheres em cargos p\u00fablicos, ou discursos que nos \u201cincluam\u201d, a viol\u00eancia machista continua sendo uma epidemia mundial que tem que ser combatida.<\/p>\n<p><strong>N\u00f3s tamb\u00e9m dizemos: Basta!<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Mulheres.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-30527 size-full\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Mulheres.jpg\" alt=\"\" width=\"590\" height=\"919\" \/><\/a><\/p>\n<p>A viol\u00eancia que sofremos \u00e9 parte da viol\u00eancia geral que este sistema capitalista imp\u00f5e sobre os pobres, trabalhadores e oprimidos. A crise econ\u00f4mica, a fome e a desigualdade atingem fortemente \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p>Somos violentadas com sal\u00e1rios de fome, com cortes nas sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o, nossa e de nossos filhos, nem sequer nos deixam aposentar dignamente. Somos discriminadas ao migrar de nossa terra em busca de um pouco de p\u00e3o, somos objeto sexual das grandes corpora\u00e7\u00f5es para vender seus produtos e condenadas quando decidimos livremente sobre nossa sexualidade.<\/p>\n<p>As jovens sofrem a falta de trabalho, assim como a precariza\u00e7\u00e3o brutal que muitas vezes vem acompanhada de ass\u00e9dio sexual no trabalho. As meninas, crian\u00e7as e adolescentes, s\u00e3o v\u00edtimas permanentes de redes de tr\u00e1fico e andam com medo pelas ruas. \u00a0Mas, a discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho e a viol\u00eancia aumentam sobre as que s\u00e3o negras, ind\u00edgenas ou migrantes, nossas mortes passam sem como\u00e7\u00e3o alguma nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e s\u00e3o parte de uma estat\u00edstica vazia.<\/p>\n<p>As travestis e trans dificilmente t\u00eam acesso ao trabalho, nos atiram ao flagelo da prostitui\u00e7\u00e3o onde a pol\u00edcia nos persegue, golpeia e estupra sem possibilidade alguma de defesa. Sem falar do direito \u00e0 identidade de g\u00eanero ou orienta\u00e7\u00e3o sexual que na maioria dos pa\u00edses n\u00e3o \u00e9 aceito.<\/p>\n<p>Mas o povo disse basta e n\u00f3s tamb\u00e9m. As massas no Equador, Haiti, Hong Kong, Iraque, Chile ou Bol\u00edvia sa\u00edram \u00e0s ruas. Nesses pa\u00edses vemos as mulheres \u00e0 frente da luta, derrubando todos os preconceitos e lutando contra seus governos por uma vida mais digna. As mulheres bolivianas, com seus filhos nas costas, enfrentam o golpe racista de direita em seu pa\u00eds e mostram que elas s\u00e3o parte da luta. As jovens chilenas foram o pontap\u00e9 inicial de uma revolu\u00e7\u00e3o em curso, ao evadir o metr\u00f4, mobilizarem-se nas ruas, enfrentarem a repress\u00e3o de Pi\u00f1era e organizarem-se em assembl\u00e9ias populares, derrubando o mito de que nosso lugar \u00e9 em casa. As aposentadas marcham por seus direitos no Estado Espanhol e as jovens catal\u00e3s se colocam \u00e0 frente da luta pela independ\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia machista como repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>No Chile as for\u00e7as militares e policiais est\u00e3o respondendo com uma brutal repress\u00e3o ao povo mobilizado, j\u00e1 s\u00e3o 22 mortos, mais de 2000 feridos, entre os quais 200 que perderam um olho e milhares de detidos e detidas.<\/p>\n<p>Os governos tremem quando o povo vai para as ruas, mas se as mulheres perdem o medo e se unem, a\u00ed se aterrorizam. Por isso no Chile est\u00e3o utilizando um m\u00e9todo de repress\u00e3o mais brutal sobre elas: a agress\u00e3o machista. S\u00e3o contabilizadas ao menos 50 queixas por abuso sexual a mulheres e jovens LGBTI e desnudamentos e assassinatos de mulheres nas manifesta\u00e7\u00f5es. Este modus operandi n\u00e3o apenas reflete o machismo recalcitrante dos militares, como \u00e9 um m\u00e9todo de amedrontamento sobre as mulheres.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Chile-2-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-30526 size-full\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Chile-2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"753\" height=\"424\" \/><\/a><\/p>\n<p>O povo chileno e a classe oper\u00e1ria mundial devem repudiar firmemente esta situa\u00e7\u00e3o, denunci\u00e1-la e chamar as mulheres para que se unam com mais for\u00e7a \u00e0 luta, organizando com elas a autodefesa para derrotar a repress\u00e3o. N\u00e3o se trata de mais uma express\u00e3o da repress\u00e3o, \u00e9 uma viol\u00eancia espec\u00edfica sobre a metade da popula\u00e7\u00e3o que deve ser repudiada com \u00eanfase.<\/p>\n<p><strong>Basta de viol\u00eancia conta as mulheres, basta de explora\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p>Nossa luta pelo fim da viol\u00eancia machista \u00e9 e deve ser parte da luta da classe oper\u00e1ria e dos povos. Estamos \u00e0 frente das barricadas para exigir nossos direitos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A opress\u00e3o que sofremos \u00e9 um instrumento para nos explorar mais, para tirar benef\u00edcios de nosso sofrimento em prol dos grandes capitalistas. Os direitos de igualdade de g\u00eanero devem ser parte das exig\u00eancias de todos e n\u00e3o s\u00f3 nossa. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de conseguir mudar as coisas no Chile, se n\u00e3o se luta tamb\u00e9m pelas mulheres. Derrotar o golpe na Bol\u00edvia implica lutar tamb\u00e9m pelas mulheres, as ind\u00edgenas, pobres e trabalhadoras.<\/p>\n<p>A desigualdade \u00e9 fundamental para o sistema capitalista e o machismo \u00e9 uma forma de controle sobre n\u00f3s. Para nos dar os piores empregos, para que o cuidado da fam\u00edlia seja nossa tarefa sem nenhuma remunera\u00e7\u00e3o, para que a classe oper\u00e1ria se divida e n\u00e3o lute por interesses comuns.<\/p>\n<p>Acabar com a viol\u00eancia machista implica acabar com este sistema que perpetua nossa opress\u00e3o para o benef\u00edcio dos capitalistas. N\u00e3o dizemos que a revolu\u00e7\u00e3o resolver\u00e1 de imediato todos nossos problemas, mas estamos convencidas de que sem ela n\u00e3o haver\u00e1 sa\u00edda.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s mudar esta sociedade \u00e9 uma quest\u00e3o de vida ou morte, a partir da LIT-QI seguiremos nas ruas com as mulheres que lutam junto ao povo e iremos \u00e0s ruas neste 25 de novembro gritar bem forte:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Basta de viol\u00eancia machista!<\/strong><\/li>\n<li><strong>Basta de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/li>\n<li><strong>Viva a luta do povo nas ruas!<\/strong><\/li>\n<li><strong>Abaixo os governos de fome e repressivos!<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quase 60 anos, em um 25 de novembro, as irm\u00e3s Mirabal eram assassinadas por enfrentar a ditadura de Trujillo na Rep\u00fablica Dominicana. 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