{"id":30374,"date":"2019-11-07T15:53:54","date_gmt":"2019-11-07T17:53:54","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30374"},"modified":"2019-11-07T15:53:54","modified_gmt":"2019-11-07T17:53:54","slug":"brasil-vazamento-continua-e-bolsonaro-nao-faz-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/11\/07\/brasil-vazamento-continua-e-bolsonaro-nao-faz-nada\/","title":{"rendered":"Brasil | Vazamento continua e Bolsonaro n\u00e3o faz nada"},"content":{"rendered":"<p><em>Enquanto as manchas de \u00f3leo atingiam o Parque Nacional de Abrolhos, no Sul da Bahia, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, era flagrado relaxando na Praia da Baleia, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, no litoral paulista. J\u00e1 faz dois meses que manchas de \u00f3leo apareceram nas praias do Nordeste, provocando um dos maiores desastres ambientais do Brasil.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Roberto Aguiar, de Salvador &#8211; BA<\/p>\n<p>A postura de Bolsonaro \u00e9 t\u00e3o criminosa quanto o derramamento do \u00f3leo. A popula\u00e7\u00e3o \u00e9 quem tem unido for\u00e7as para fazer a limpeza das praias. Grupos de volunt\u00e1rios foram organizados em todas as comunidades atingidas pelo \u00f3leo.<\/p>\n<p>No dia 2 de novembro, uma grande macha de \u00f3leo voltou a atingir a Praia da Paci\u00eancia, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. No dia seguinte, volunt\u00e1rios ligados ao grupo Guardi\u00f5es do Litoral entraram em a\u00e7\u00e3o para remover a subst\u00e2ncia poluente. Vinte trabalhadores da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) participaram da a\u00e7\u00e3o. Durante todo o dia, nenhum \u00f3rg\u00e3o ambiental \u2013 estadual ou federal \u2013 foram ao local.<\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 um verdadeiro descaso. \u00c9 um crime perverso, tanto o ato de jogar o \u00f3leo no mar, quanto a omiss\u00e3o dos governantes. A popula\u00e7\u00e3o tem tomado pra si a limpeza das praias. Pescadores, marisqueiras, trabalhadores que sobrevivem do mar s\u00e3o quem tem lutado bravamente\u201d,\u00a0<\/em>disse o jovem Eduardo Cardoso, volunt\u00e1rio que ajudava a limpar a Praia Pedra do Sal, em Itapu\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Destrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As primeiras manchas de \u00f3leo foram encontradas no dia 30 de agosto, na Para\u00edba. De l\u00e1 para c\u00e1, o \u00f3leo atingiu 314 comunidades em todos os estados do Nordeste.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), mais de 4 mil toneladas de \u00f3leo j\u00e1 foram recolhidas nas praias nordestinas. Tartarugas, peixes, crust\u00e1ceos, mariscos, corais e mangues est\u00e3o sendo atingidos. Ainda n\u00e3o se consegue calcular a perda ambiental.<\/p>\n<p><em>\u201cA destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 grande. Pescadores e marisqueiras n\u00e3o podem trabalhar. O turismo tamb\u00e9m foi afetado. A vida marinha est\u00e1 sendo atingida. \u00c9 preciso uma resposta contundente contra essa postura de omiss\u00e3o dos governos. \u00c9 revoltante\u201d<\/em>, pontuou a volunt\u00e1ria Maria C\u00e9lia.<\/p>\n<p>DESMONTE DO IBAMA<\/p>\n<p><strong>A irresponsabilidade do governo<\/strong><\/p>\n<p>A falta de empenho do governo federal \u00e9 t\u00e3o grande que o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente n\u00e3o convocou os especialistas do Ibama, que acumulam experi\u00eancia com t\u00e9cnicas e novas tecnologias usadas nos planos contra vazamentos de \u00f3leo. Alguns destes profissionais se deslocaram ao Nordeste por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode esperar nada de bom de Bolsonaro, pior ainda quando o assunto \u00e9 meio ambiente. O governo cortou as verbas do Ibama. O instituto est\u00e1 atuando com o menor or\u00e7amento dos \u00faltimos cinco anos. No in\u00edcio do ano, receberia apenas R$ 368,3 milh\u00f5es contra R$ 1,33 bilh\u00e3o do ano passado. No entanto, o ministro anunciou um novo corte de 24% desse montante. O or\u00e7amento caiu para R$ 279,4 milh\u00f5es. Os cortes restringem as atividades de fiscaliza\u00e7\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/oleo_bahia2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-30376 size-full\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/oleo_bahia2.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"522\" \/><\/a><\/p>\n<p>ABROLHOS<br \/>\n<strong>\u00d3leo chega a santu\u00e1rio ecol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>O \u00f3leo chegou ao Parque Nacional de Abrolhos e amea\u00e7a um santu\u00e1rio ecol\u00f3gico considerado o principal ber\u00e7\u00e1rio de biodiversidade marinha do Atl\u00e2ntico Sul. O parque \u00e9 a primeira unidade de conserva\u00e7\u00e3o marinha do pa\u00eds e foi criado em 1983. Nele est\u00e3o concentrados os principais bancos de corais do litoral brasileiro e cerca 1.300 esp\u00e9cies de plantas e animais. Por suas \u00e1guas calmas e quentes, o santu\u00e1rio \u00e9 um dos lugares escolhidos pelas baleias jubarte para o acasalamento.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto de Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao passar por Abrolhos, o \u00f3leo pode chegar aos estados do Esp\u00edrito Santo e do Rio de Janeiro. Enquanto fech\u00e1vamos esta edi\u00e7\u00e3o, a Marinha apurava mancha de \u00f3leo em areia da praia do Atalaia, na cidade de Salin\u00f3polis, no Par\u00e1.<\/p>\n<p>MANIFESTA\u00c7\u00d5ES<\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o agir \u00e9 igual a poluir\u201d<\/strong><\/p>\n<p>No dia 22 de outubro, centenas de pessoas ligadas ao Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais ocuparam a sede do Ibama em Salvador e exigiram a\u00e7\u00f5es concretas para combater a polui\u00e7\u00e3o das praias.<\/p>\n<p>No dia 26, outra manifesta\u00e7\u00e3o foi realizada. Organizada pelo grupo Guardi\u00f5es do Litoral, os manifestantes protestaram em frente ao Farol da Barra, cart\u00e3o postal de Salvador que tamb\u00e9m teve a praia atingida pelo \u00f3leo. \u201cN\u00e3o agir \u00e9 igual a poluir\u201d, \u201cVai deixar o \u00f3leo virar c\u00e2ncer\u201d e \u201cMaior crime ambiental do Brasil\u201d eram as frases das faixas usadas no protesto.<\/p>\n<p>Nos dias 1\u00ba e 5 de novembro, manifesta\u00e7\u00f5es aconteceram na Praia da Paci\u00eancia, em Salvador.\u00a0<em>\u201cO que estamos assistindo \u00e9 o capitalismo selvagem mostrar a sua face cruel. Em busca do lucro e da gan\u00e2ncia, destroem o meio ambiente\u201d<\/em>, afirmou o volunt\u00e1rio C\u00e9sar Castro.<\/p>\n<p>O PSTU tem orientado a sua milit\u00e2ncia a se inserir nas manifesta\u00e7\u00f5es e participar das a\u00e7\u00f5es de limpeza das praias.\u00a0<em>\u201cTemos que transformar nossa indigna\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o. Aumentar o n\u00famero de manifesta\u00e7\u00f5es. Incentivar que as comunidades se organizem e lutem. E tamb\u00e9m devemos nos somar \u00e0s a\u00e7\u00f5es de limpeza e unir for\u00e7as contra esta barb\u00e1rie capitalista\u201d<\/em>, destacou o professor Ot\u00e1vio Aranha, militante do PSTU da Bahia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto as manchas de \u00f3leo atingiam o Parque Nacional de Abrolhos, no Sul da Bahia, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, era flagrado relaxando na Praia da Baleia, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, no litoral paulista. 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