{"id":30306,"date":"2019-11-04T10:39:12","date_gmt":"2019-11-04T12:39:12","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30306"},"modified":"2019-11-04T10:39:12","modified_gmt":"2019-11-04T12:39:12","slug":"brasil-dados-do-ibge-mostram-que-voce-esta-pagando-pela-crise-capitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/11\/04\/brasil-dados-do-ibge-mostram-que-voce-esta-pagando-pela-crise-capitalista\/","title":{"rendered":"Brasil | Dados do IBGE mostram que voc\u00ea est\u00e1 pagando pela crise capitalista"},"content":{"rendered":"<p><em>O Brasil, que j\u00e1 \u00e9 um dos pa\u00edses mais desiguais do mundo, conseguiu ver a concentra\u00e7\u00e3o de renda aumentar ainda mais. Segundo o IBGE, em 2018, o 1% da popula\u00e7\u00e3o mais bem remunerada recebeu cerca de 34 vezes mais que os 50% mais pobres, maior patamar desde 2012, quando o \u00f3rg\u00e3o passou a medir os dados.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: \u00c9rika Andreassy, da Secretaria de Mulheres do PSTU<\/p>\n<p>Enquanto o ganho m\u00e9dio do setor mais abastado foi estimado em R$ 27.744 mensais, a renda dos mais pobres ficou em R$ 820, ou seja, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o teve rendimento menor que um sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas em 2018, sendo que 5% ou cerca de 10 milh\u00f5es de pessoas, tiveram ingresso de apenas R$ 153 reais.<\/p>\n<p>Esses dados indicam de forma n\u00edtida aquilo que h\u00e1 muito tempo vimos denunciando. Quem paga a conta da crise capitalista \u00e9 a classe trabalhadora. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que esse aumento da desigualdade ocorra em meio a uma enorme taxa de desemprego e precariza\u00e7\u00e3o cada vez maior das rela\u00e7\u00f5es de trabalho. O Brasil possui hoje 12,6 milh\u00f5es de desempregados e outros 38,8 milh\u00f5es de trabalhadores no mercado informal, um recorde.<\/p>\n<p>RACISMO REVELADO<\/p>\n<p><strong>Trabalhador branco recebe sal\u00e1rio 75% maior do que negros<\/strong><\/p>\n<p>O IBGE revela ainda o abismo que separa negros e brancos no pa\u00eds e como o mercado de trabalho brasileiro reflete o racismo. No ano passado, os brancos recebiam, em m\u00e9dia, R$ 2.897, enquanto pretos e pardos tinham rendimentos de R$ 1.636 e R$ 1.659 respectivamente. Isso significa que o valor recebido por um trabalhador branco foi 77% a mais do que pretos e 74% maior do sal\u00e1rio recebido uma pessoa parda segundo os crit\u00e9rios de ra\u00e7a do IBGE.<\/p>\n<p>Se \u00e9 verdade que a desigualdade salarial entre homens e mulheres caiu, o rendimento dos homens continua sendo 26,9% maior que o das mulheres, sendo que no caso das mulheres negras, a combina\u00e7\u00e3o de racismo com machismo tem como consequ\u00eancia, al\u00e9m de \u00edndices de desemprego e desalento maiores, tamb\u00e9m os menores rendimentos, que representam pouco mais de 40% do rendimento do homem branco.<\/p>\n<p>VAI FICAR PIOR<\/p>\n<p><strong>Reforma da Previd\u00eancia vai aumentar desigualdade<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/aposentadoria_negros.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-30308 size-full\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/aposentadoria_negros.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"313\" \/><\/a><\/p>\n<p>A pesquisa do IBGE apurou que a participa\u00e7\u00e3o de aposentadoria e pens\u00e3o vem ganhando import\u00e2ncia na composi\u00e7\u00e3o do rendimento m\u00e9dio das fam\u00edlias. Embora a maior fonte de renda ainda seja o trabalho (72,4%), o peso das aposentadorias e pens\u00f5es subiu de 19,9% para 20,5% entre 2017 e 2018. Entre as fam\u00edlias mais pobres esse peso \u00e9 ainda maior, 28,8%.<\/p>\n<p>As aposentadorias e pens\u00f5es, programas sociais e bolsas de estudo, por um lado, e os rendimentos n\u00e3o monet\u00e1rios, que s\u00e3o as aquisi\u00e7\u00f5es que as fam\u00edlias n\u00e3o precisaram pagar e v\u00e3o desde uma doa\u00e7\u00e3o recebida a um rem\u00e9dio retirado no posto de sa\u00fade, respondem por quase 60% da renda das fam\u00edlias que ganham at\u00e9 2 sal\u00e1rios m\u00ednimos. S\u00e3o quase 25% das fam\u00edlias brasileiras ou 16,5 milh\u00f5es de lares nos quais vivem 44,8 milh\u00f5es de pessoas cuja renda dependem majoritariamente desses recursos.<\/p>\n<p>A reforma da Previd\u00eancia de Bolsonaro, aprovada pelo Senado no dia 22 de outubro, deve agravar ainda mais a desigualdade, na medida em que os mais pobres ser\u00e3o os mais impactados. Ao mesmo tempo, a proposta de reforma administrativa que o governo quer implementar tamb\u00e9m representa um enorme ataque, pois vai rebaixar sal\u00e1rios, promover terceiriza\u00e7\u00f5es e piorar os servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>RICOS + RICOS<\/p>\n<p><strong>O que dizem os dados do IBGE<\/strong><\/p>\n<p>Esses dados demonstram de maneira evidente quem paga a conta da crise capitalista. Ali\u00e1s a pergunta \u00e9: crise para quem?<\/p>\n<p>Vale destacar que esses dados s\u00f3 podem vir a p\u00fablico pelo trabalho do IBGE que o governo Bolsonaro tanto cr\u00edtica e ataca. Se um setor da burguesia tenta a todo custo manipular dados e informa\u00e7\u00f5es a seu favor, para outro setor burgu\u00eas que hoje est\u00e1 no governo, as informa\u00e7\u00f5es sequer devem existir, como se esconder a verdade pudesse apag\u00e1-la em definitivo.<\/p>\n<p>Contudo, vale destacar que embora que os dados do IBGE sejam importantes, eles se baseiam principalmente na renda do trabalho e quase n\u00e3o levam em conta ganhos financeiros ou provenientes das grandes fortunas. Portanto, medem sobretudo as mudan\u00e7as no interior da classe trabalhadora, ainda que englobem um setor muito abastado.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o relat\u00f3rio da Oxfam \u201c<a href=\"https:\/\/oxfam.org.br\/um-retrato-das-desigualdades-brasileiras\/a-distancia-que-nos-une\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A dist\u00e2ncia que nos une \u2013 Um retrato das desigualdades brasileiras<\/a>\u201d, publicado em 2017, \u00e9 mais preciso. De acordo com ele, seis bilion\u00e1rios brasileiros concentram uma riqueza equivalente ao patrim\u00f4nio da metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Essa desigualdade crescente entre ricos e pobres, entre os que produzem a riqueza e os que se apropriam dela, \u00e9 o que est\u00e1 na base das explos\u00f5es sociais que tomam conta da Am\u00e9rica Latina e do mundo. \u00c9 preciso seguir o exemplo do povo equatoriano e chileno e dizer n\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e \u00e0 opress\u00e3o, derrotar nas lutas e nas ruas Bolsonaro e seu projeto de semiescravid\u00e3o e construir uma alternativa socialista dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil, que j\u00e1 \u00e9 um dos pa\u00edses mais desiguais do mundo, conseguiu ver a concentra\u00e7\u00e3o de renda aumentar ainda mais. 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