{"id":30203,"date":"2019-10-23T13:18:57","date_gmt":"2019-10-23T15:18:57","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30203"},"modified":"2019-10-23T13:18:57","modified_gmt":"2019-10-23T15:18:57","slug":"chile-diario-de-uma-rebeliao-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/10\/23\/chile-diario-de-uma-rebeliao-popular\/","title":{"rendered":"Chile: Di\u00e1rio de uma rebeli\u00e3o popular"},"content":{"rendered":"<p><em>No\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/chile-o-suposto-oasis-de-modernidade-e-estabilidade-da-america-latina-explodiu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">primeiro relato<\/a>\u00a0que escrevi, expliquei um pouco sobre as origens do descontentamento social no Chile que levou \u00e0 explos\u00e3o social que eclodiu na \u00faltima sexta-feira. Tamb\u00e9m relatei como foram os primeiros dias dessa verdadeira rebeli\u00e3o. O \u201co\u00e1sis\u201d de modernidade e estabilidade da Am\u00e9rica do Sul explodiu. O recado da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora \u00e9 claro: o t\u00e3o celebrado modelo chileno neoliberal fracassou.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por David Espinoza<\/p>\n<p>Neste segundo texto, quero contar como segue a rebeli\u00e3o entre domingo (20) e segunda (21). Depois escreverei outro sobre os eventos desta ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p>Durante os processos revolucion\u00e1rios, ou rebeli\u00f5es sociais, o tempo passa muito r\u00e1pido. As coisas avan\u00e7am de forma veloz, todos os setores sociais se movem, as contradi\u00e7\u00f5es acumuladas saltam. O tempo das coisas j\u00e1 n\u00e3o se contabiliza no calend\u00e1rio eleitoral, os anos se transformam em horas, dias. No Brasil vivemos um pouco disso em junho de 2013.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o social, que come\u00e7ou na sexta-feira \u00e0 noite (18), em Santiago, logo se estendeu a dezenas de outras cidades. No domingo \u00e0 noite j\u00e1 tomava quase todas as cidades do pa\u00eds, o governo j\u00e1 tinha anunciado o Estado de Emerg\u00eancia e ocupado as principais cidades com mais de 10 mil militares. Na noite do domingo, Andr\u00e9s Chadwick, ministro do Interior, respons\u00e1vel pela repress\u00e3o, anunciou medidas ainda mais duras para combater \u201cos delinquentes\u201d que estavam destruindo o pa\u00eds. O presidente Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, tamb\u00e9m em seu discurso, disse que \u201c<em>estamos [suponho que o governo e os empres\u00e1rios] em guerra contra um inimigo poderoso, que est\u00e1 disposto a usar a viol\u00eancia sem nenhum limite<\/em>\u201c. Acertou. O inimigo \u00e9 perigoso, \u00e9 o povo encolerizado.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na televis\u00e3o, uma importante representante do governo anunciava o aumento de n\u00famero de mortos para 7 (segundo ela, todos ligados a inc\u00eandios em supermercados ou outras lojas). A noite\/madrugada do domingo foi de conflitos, o n\u00famero de mortos aumentou. H\u00e1 in\u00fameros v\u00eddeos de militares e policiais espancando pessoas nas ruas durante o toque de recolher. Em um ou dois v\u00eddeos, os policiais aparecem literalmente\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_TSvJN-cuec\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sequestrando pessoas<\/a>, colocando-as dentro de carros particulares e desaparecendo. A raiva nas periferias aumenta. Durante o toque de recolher, n\u00e3o h\u00e1 testemunhas, \u00e9 a hora de cometer atrocidades.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no domingo \u00e0 noite um importante comunicado come\u00e7ou a circular pela internet. As federa\u00e7\u00f5es e sindicatos mineiros das principais minas do pa\u00eds\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/operarios-da-principal-mina-privada-no-chile-anuncia-paralisacao-e-defende-greve-geral\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anunciavam a inten\u00e7\u00e3o de entrar em greve<\/a>. Como disse no outro texto, o Chile \u00e9 um pa\u00eds mineiro, \u00e9 o maior produtor de cobre do mundo. Sem cobre, n\u00e3o h\u00e1 Chile. Sem cobre, grande parte da economia n\u00e3o se move, as exporta\u00e7\u00f5es diminuem drasticamente, n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para o governo, nem para as For\u00e7as Armadas, j\u00e1 que a maior parte dos recursos dos militares v\u00eam da empresa estatal Codelco. A entrada dos mineiros pode mudar o cen\u00e1rio. A rebeli\u00e3o social urbana pode ser combatida com pol\u00edcia e ex\u00e9rcito\u2026 mas, como obrigar os mineiros, que produzem a maior riqueza do pa\u00eds, a trabalharem? E as greves mineiras em geral s\u00e3o um pouco complicadas para a pol\u00edcia, j\u00e1 que os mineiros utilizam enormes m\u00e1quinas (como tanques de guerra) para a extra\u00e7\u00e3o dos minerais, administram explosivos, etc.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-72176 aligncenter td-animation-stack-type2-2\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile5.jpeg?resize=696%2C348&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile5.jpeg?w=950&amp;ssl=1 950w, https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile5.jpeg?resize=768%2C384&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile5.jpeg?resize=696%2C348&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile5.jpeg?resize=840%2C420&amp;ssl=1 840w\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"348\" data-attachment-id=\"72176\" data-permalink=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/chile-diario-de-uma-rebeliao-popular\/chile5\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile5.jpeg?fit=950%2C475&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"950,475\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"chile5\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile5.jpeg?fit=950%2C475&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile5.jpeg?fit=950%2C475&amp;ssl=1\" \/><\/p>\n<p>Em Santiago, a segunda-feira (21) amanheceu relativamente pac\u00edfica. A linha 1 do metr\u00f4 estava funcionando, com problemas em algumas esta\u00e7\u00f5es pontuais. Alguns poucos \u00f4nibus recorriam as ruas. O clima era de feriado, as escolas e universidades est\u00e3o sem aulas. Muitas lojas e empresas n\u00e3o abriram. Os poucos supermercados que sobraram tinham filas em suas portas. A entrada das pessoas era controlada pela pol\u00edcia \u2013 em alguns deles, entravam de 20 em 20. Nada de multid\u00f5es dentro das lojas. Os postos de gasolina amanheceram com filas de mais de uma hora.<\/p>\n<p>Os protestos come\u00e7aram a partir do meio dia. Milhares de pessoas come\u00e7aram a se aglomerar nas esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4 das periferias para dirigir-se ao centro. Por volta das 15h, a multid\u00e3o come\u00e7ou a se concentrar na emblem\u00e1tica Plaza It\u00e1lia e tamb\u00e9m na Plaza \u00d1u\u00f1oa, centro de uma comuna importante onde vive a classe m\u00e9dia. Os poucos \u00f4nibus que passavam pela Alameda (principal avenida de Santiago) estavam repletos de gente. Muitos com as m\u00e3os para fora das janelas e mostrando cartazes. \u00c0s 16h j\u00e1 se concentravam centenas de milhares de pessoas nas duas pra\u00e7as. Nas ruas em volta \u00e0 Plaza Italia, \u00e0s margens, mas colados \u00e0 multid\u00e3o, v\u00e1rios grupos se enfrentavam com a pol\u00edcia. No Centro Cultural Gabriela Mistral (GAM) alguns manifestantes se enfrentaram com os militares. Um v\u00eddeo exibido na televis\u00e3o mostrava como um dos manifestantes quase chegou a tomar a metralhadora de um militar. Nessas enormes manifesta\u00e7\u00f5es, as bandeiras de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas s\u00e3o ultramarginais. H\u00e1 muitas pessoas com cartazes. O \u201cFora Pi\u00f1era\u201d j\u00e1 \u00e9 de massas. Outro c\u00e2ntico muito divertido e que agita enormemente a multid\u00e3o \u00e9 o \u201cEl que no salta es paco!\u201d (Quem n\u00e3o pula \u00e9 policial).<\/p>\n<p>Durante a enorme manifesta\u00e7\u00e3o da Plaza Italia, um grupo de mais de 2000 manifestantes se dirigiu \u00e0 parte rica da cidade. Caminharam, cercados por militares, at\u00e9 o metr\u00f4 Escuela Militar, onde se concentraram at\u00e9 pouco depois do toque de recolher. O clima das manifesta\u00e7\u00f5es foi, em geral, pac\u00edfico, se comparado \u00e0 viol\u00eancia dos dias anteriores. Muitas batucadas, grupos musicais, fam\u00edlias, crian\u00e7as. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o houve bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eanio, jatos de \u00e1gua, etc. O toque de recolher chegou \u00e0s 20h. Ap\u00f3s \u00e0s 20h, os militares come\u00e7aram a repress\u00e3o em todos os lugares onde havia concentra\u00e7\u00f5es, mandando as pessoas para casa. Os conflitos duraram algumas horas, mas a multid\u00e3o se dispersou.<\/p>\n<p>No resto do pa\u00eds, os conflitos continuaram. Milhares de jovens se enfrentaram durante todo o dia contra a pol\u00edcia e, em algumas cidades, contra o Ex\u00e9rcito. Os restos de barricadas e pedras s\u00e3o vis\u00edveis por todos os lugares. H\u00e1 lojas, ag\u00eancias de AFP e Bancos completamente destru\u00eddos. Muitos supermercados foram queimados e saqueados em todo o pa\u00eds, principalmente os das grandes cadeias. Em Valpara\u00edso e outras 20 cidades os portu\u00e1rios entraram em greve contra o Estado de Emerg\u00eancia. No ano passado, os portu\u00e1rios de Valpara\u00edso protagonizaram uma das mais importantes greves do pa\u00eds, com grandes enfrentamentos com a pol\u00edcia e muita simpatia da popula\u00e7\u00e3o da cidade-porto. Alguns setores de caminhoneiros tamb\u00e9m paralisaram.<\/p>\n<p>Em algumas cidades, a raiva se voltou contra os principais canais de televis\u00e3o e jornais. \u201cLa Tele miente\u201d, diziam muitos cartazes nas marchas. Alguns protestos foram realizados em frente \u00e0s sedes desses meios de comunica\u00e7\u00e3o. Em Valpara\u00edso, a sede do El Mercurio, principal jornal impresso do Chile foi incendiada. El Mercurio pertence \u00e0 fam\u00edlia Edwards, uma das fam\u00edlias mais ricas do pa\u00eds e tamb\u00e9m uma das principais articuladoras do golpe militar de 73.<\/p>\n<p>O cansa\u00e7o da pol\u00edcia j\u00e1 \u00e9 vis\u00edvel. Em algum lugar da Plaza It\u00e1lia, os cinegrafistas de Chilevisi\u00f3n filmaram um policial chorando e conversando com uma jovem. Em Concepci\u00f3n, uma bomba de g\u00e1s lacrimog\u00eanio explodiu dentro de um furg\u00e3o policial. A imagem dos policiais saindo rapidamente do furg\u00e3o, quase vomitando e sem poder enxergar, correu o pa\u00eds. Provaram um pouco do pr\u00f3prio veneno que jogam, sem escr\u00fapulos, nos manifestantes. Uma das piores sensa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 senti foi a de ser sufocado pelo g\u00e1s lacrimog\u00eanio. N\u00e3o poder respirar, estar cego, com o nariz escorrendo, quase vomitando. Aqui, o g\u00e1s lacrimog\u00eanio n\u00e3o vem s\u00f3 das bombas, mas tamb\u00e9m \u00e9 misturado com a \u00e1gua que jorra dos Guanacos, como s\u00e3o chamados popularmente os tanques lan\u00e7a-\u00e1guas. Um dos c\u00e2nticos comuns nas manifesta\u00e7\u00f5es dos estudantes \u00e9 \u201c<em>Uh Uh qu\u00e9 calor, el guanaco por favor<\/em>\u201c. Guanaco \u00e9 o nome de uma esp\u00e9cie de lhama que vive nos Andes e cospe nas pessoas quando estas se aproximam. Da\u00ed o nome.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-72177 aligncenter td-animation-stack-type2-2\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile4.jpg?resize=696%2C344&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile4.jpg?w=1256&amp;ssl=1 1256w, https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile4.jpg?resize=768%2C379&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile4.jpg?resize=324%2C160&amp;ssl=1 324w, https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile4.jpg?resize=696%2C344&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile4.jpg?resize=1068%2C527&amp;ssl=1 1068w, https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile4.jpg?resize=851%2C420&amp;ssl=1 851w\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"344\" data-attachment-id=\"72177\" data-permalink=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/chile-diario-de-uma-rebeliao-popular\/chile4\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile4.jpg?fit=1256%2C620&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1256,620\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"chile4\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile4.jpg?fit=1256%2C620&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/chile4.jpg?fit=1256%2C620&amp;ssl=1\" \/><\/p>\n<p>A noite da segunda-feira foi violenta, principalmente nas periferias. A imagem de \u201ctranquilidade\u201d e alegria da Plaza It\u00e1lia ou da Plaza \u00d1u\u00f1oa muda de noite e nas periferias. Longe da multid\u00e3o, a pol\u00edcia e os militares matam, atropelam e espancam pessoas que andam pelas ruas. O \u00f3dio contra os pobres, os \u201cdeliquentes\u201d, sempre lhes foi estimulado pela oficialidade privilegiada. Segunda-feira, j\u00e1 eram 15 mortos, 4 oficialmente reconhecidos como assassinados pela pol\u00edcia ou militares. S\u00e3o 2.643 presos. J\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rias den\u00fancias de abusos sexuais. Centenas de feridos. Para as pessoas que n\u00e3o acreditam nesses dados, basta buscar informa\u00e7\u00f5es nos pr\u00f3prios meios de comunica\u00e7\u00e3o chilenos (biobio.cl, instagram piensa prensa (alternativo), latercera.com).<\/p>\n<p>Em sua declara\u00e7\u00e3o nessa segunda-feira, o governo teve que mudar seu discurso. J\u00e1 n\u00e3o falou mais em \u201cguerra\u201d, mas sim em ser duro contra os delinquentes. Ainda n\u00e3o entenderam que todos somos delinquentes. O inimigo perigoso de Pi\u00f1era \u00e9 o povo na rua. O governo j\u00e1 chama a todos os partidos a fazer um grande pacto nacional. O Parlamento aprovou, em regime de urg\u00eancia, a diminui\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da passagem. Enquanto os parlamentares aprovavam a redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da passagem, ningu\u00e9m comemorava. As pessoas nem se lembravam que o Parlamento existia e que a luta se tinha se iniciado pelo pre\u00e7o da passagem. Como disse no outro texto, a luta \u00e9 por dignidade.<\/p>\n<p><em>Texto escrito por David, um ativista em meio \u00e0 rebeli\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No\u00a0primeiro relato\u00a0que escrevi, expliquei um pouco sobre as origens do descontentamento social no Chile que levou \u00e0 explos\u00e3o social que eclodiu na \u00faltima sexta-feira. Tamb\u00e9m relatei como foram os primeiros dias dessa verdadeira rebeli\u00e3o. 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