{"id":30185,"date":"2019-10-22T11:04:45","date_gmt":"2019-10-22T13:04:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30185"},"modified":"2019-10-22T11:04:45","modified_gmt":"2019-10-22T13:04:45","slug":"a-natureza-da-segunda-guerra-mundial-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/10\/22\/a-natureza-da-segunda-guerra-mundial-iv\/","title":{"rendered":"A natureza da Segunda Guerra Mundial [IV]"},"content":{"rendered":"<p><em>Na \u00faltima parte deste artigo, abordaremos a hip\u00f3tese apresentada pelo trotskista argentino Nahuel Moreno: a Segunda Guerra significou tamb\u00e9m um conflito entre regimes pol\u00edticos burgueses (democracia burguesa x fascismo) em n\u00edvel internacional, e o debate que essa hip\u00f3tese geral.\u00a0<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>Essa hip\u00f3tese foi formulada por Moreno na Escola de Quadros, realizada na Argentina, em 1984 [1]. Essas escolas eram espa\u00e7os nos quais Moreno costumava testar e discutir ideias novas e ainda n\u00e3o elaboradas com total precis\u00e3o. Ou seja, se tratava de uma hip\u00f3tese a ser aprofundada, para ser reafirmada ou descartada. No entanto, o curso da discuss\u00e3o interna dentro do MAS argentino, no in\u00edcio dos anos 90, levou \u00e0 publica\u00e7\u00e3o desses materiais em um livro (1992) e fez com que fosse tomada como uma posi\u00e7\u00e3o j\u00e1 definida.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, come\u00e7aram as duras cr\u00edticas de outras organiza\u00e7\u00f5es trotskistas. Dentre essas cr\u00edticas, foi permanente a realizada pela corrente internacional FT (Fra\u00e7\u00e3o Trotskista), encabe\u00e7ada pelo PTS argentino (Partido dos Trabalhadores Socialistas), que encontrava al\u00ed uma nova prova do \u201crevisionismo\u201d e das \u201ctend\u00eancias capituladoras\u201d de Moreno e o morenismo [2], com quem romperam em 1988.<\/p>\n<p>Como em todos os debates com essa corrente, sobre Moreno e as elabora\u00e7\u00f5es que criticam ou reformulam an\u00e1lises ou posi\u00e7\u00f5es de Trotsky, \u00e9 necess\u00e1rio partir de um problema metodol\u00f3gico pr\u00e9vio. A FT \/ PTS considera os escritos e elabora\u00e7\u00f5es de Trotsky como um dogma ou uma b\u00edblia: nada pode ou deve ser reelaborado, independentemente de se a realidade seguiu cursos diferentes e gerou processos novos e distintos dos previstos por Trotsky [3].<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Trotsky seria o primeiro a criticar essa rigidez metodol\u00f3gica, porque o marxismo \u00e9, por sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, uma concep\u00e7\u00e3o com bases muito s\u00f3lidas, mas ao mesmo tempo flex\u00edvel, para continuar se construindo, analisar novos processos e descobrir as leis que os governam. \u00c9 o que sempre tentou fazer Moreno, com acertos e erros, e o que tentam fazer os que continuam seu legado. Isso n\u00e3o remove nem um mil\u00edmetro da genialidade te\u00f3rica de Trotsky nem diminui todos os seus gigantescos acertos. Mas os marxistas n\u00e3o temos deuses nem profetas, temos professores de quem aprender e, ao mesmo tempo, corrigir seus erros e enriquecer seu legado.<\/p>\n<p>Para a FT \/ PTS, pelo contr\u00e1rio, tudo est\u00e1 escrito e nada pode ser alterado ou enriquecido. Por isso abordam esse debate sobre a hip\u00f3tese formulada por Moreno sobre a guerra: <em>&#8220;A posi\u00e7\u00e3o de Moreno, no m\u00ednimo, n\u00e3o deixa pedra sobre pedra na pol\u00edtica de Trotsky sobre o fascismo e na da IV Internacional sobre a Guerra Mundial &#8230;&#8221;<\/em> [4].<\/p>\n<p><strong>A an\u00e1lise e a posi\u00e7\u00e3o de Trotsky<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 toda uma s\u00e9rie de obras sobre a Segunda Guerra, elaboradas por Trotsky e a IV Internacional at\u00e9 1940. Duas delas s\u00e3o especialmente importantes: &#8220;A guerra e a IV Internacional&#8221; foi escrita em 1934 e \u00e9 um material de progn\u00f3stico sobre a guerra que chegava, o car\u00e1ter que teria e a pol\u00edtica que deveria ser adotada em rela\u00e7\u00e3o a ela [5]; a segunda \u00e9 o conhecido Manifesto emitido pela IV quando a guerra j\u00e1 havia come\u00e7ado, e que reitera os conceitos centrais e a pol\u00edtica expressa no material anterior [6].<\/p>\n<p>Para evitar falsas pol\u00eamicas, digamos que a an\u00e1lise de Trotsky sobre a natureza essencial da guerra era muito clara. Em 1934, ele escrevia: <em>&#8220;Uma guerra moderna entre as grandes pot\u00eancias n\u00e3o ser\u00e1 uma luta entre a democracia e o fascismo, mas um conflito entre dois setores imperialistas por uma nova distribui\u00e7\u00e3o do mundo &#8230; em ambos os lados haver\u00e1 estados fascistas (semifascista, bonapartistas etc.) e &#8216;democr\u00e1ticos\u2019\u201d<\/em> [7].<\/p>\n<p>No Manifesto de 1940 se analisava<em>: &#8220;A causa imediata da guerra atual \u00e9 a rivalidade entre os velhos imp\u00e9rios coloniais ricos, Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a, e os ladr\u00f5es imperialistas que chegaram tarde, Alemanha e It\u00e1lia&#8221;<\/em>. A isso acrescentava a inevit\u00e1vel entrada dos Estados Unidos no conflito: <em>\u201cA poss\u00edvel vit\u00f3ria da Alemanha sobre os aliados paira sobre Washington como um pesadelo. Com o continente europeu e os recursos de suas col\u00f4nias como base, com todas as f\u00e1bricas de muni\u00e7\u00f5es e estaleiros europeus \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, a Alemanha (especialmente se aliada ao Jap\u00e3o no Oriente) constituiria um perigo mortal para o imperialismo norte-americano\u201d <\/em>[8]. Nesse contexto, reafirmava: <em>&#8220;N\u00e3o \u00e9 menor o erro da consigna da guerra pela democracia contra o fascismo&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m era muito clara a pol\u00edtica a ser adotada: <em>\u201cAo mesmo tempo, n\u00e3o podemos nos esquecer nem por um momento que essa guerra n\u00e3o \u00e9 nossa guerra. Diferentemente da Segunda e Terceira Internacional, a Quarta Internacional n\u00e3o constr\u00f3i sua pol\u00edtica em fun\u00e7\u00e3o dos avatares militares dos estados capitalistas, mas da transforma\u00e7\u00e3o da guerra imperialista em uma guerra dos trabalhadores contra os capitalistas, da derrubada da classe dominante em todos os pa\u00edses, da revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial. As mudan\u00e7as que se produzem na zona de combate, a destrui\u00e7\u00e3o dos capitais nacionais, a ocupa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, a queda de alguns estados, desse ponto de vista s\u00f3 constituem tr\u00e1gicos epis\u00f3dios no caminho da reconstru\u00e7\u00e3o da sociedade moderna\u201d<\/em> [9].<\/p>\n<p>Em resumo, para Trotsky, a natureza da Segunda Guerra era essencialmente a mesma que a Primeira. A partir da\u00ed, a pol\u00edtica era a mesma que haviam promovido os bolcheviques na \u00e9poca: o derrotismo revolucion\u00e1rio (&#8220;a derrota do pr\u00f3prio imperialismo \u00e9 o mal menor&#8221;) e a estrat\u00e9gia de transformar a guerra interimperialista em uma guerra revolucion\u00e1ria pelo poder oper\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>A invas\u00e3o da URSS<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o pretendemos, portanto, fazer manobras anal\u00edticas e tirar conclus\u00f5es deformadas de uma posi\u00e7\u00e3o e uma pol\u00edtica t\u00e3o claras, mas ver se elas se verificaram na realidade. A primeira quest\u00e3o \u00e9 ver se essa guerra interimperialista se combinou com outras de car\u00e1ter diferente e at\u00e9 que ponto essa combina\u00e7\u00e3o incidiu na natureza da guerra.<\/p>\n<p>No pr\u00f3prio manifesto de 1940, Trotsky considerou a combina\u00e7\u00e3o com outras guerras. Entre elas, a invas\u00e3o do regime nazista \u00e0 URSS para destruir o Estado oper\u00e1rio (uma guerra contrarrevolucion\u00e1ria [10]), e as guerras de liberta\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es pequenas ou fracas e das col\u00f4nias, com refer\u00eancia destacada para a China e a \u00cdndia. Mas n\u00e3o considerou que isso modificava o car\u00e1ter essencial da guerra nem a pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a ela. No entanto, a din\u00e2mica da realidade mostrou profundas diferen\u00e7as com a an\u00e1lise que realizava Trotsky.<\/p>\n<p>Vamos come\u00e7ar com a guerra contra a URSS. Como j\u00e1 vimos, Trotsky considerava inevit\u00e1vel a invas\u00e3o alem\u00e3 e criticava duramente o stalinismo por sua cegueira estrat\u00e9gica nesse aspecto. Na \u00e9poca em que o Manifesto foi escrito, estava em vigor o sinistro pacto nazista-stalinista de n\u00e3o agress\u00e3o, o que resultou em uma alian\u00e7a de fato para dividir a Pol\u00f4nia. Inclusive houve um desfile conjunto de tropas de ambos os pa\u00edses [11].<\/p>\n<p>Em caso de guerra contrarrevolucion\u00e1ria, Trotsky e a IV eram a favor da defesa incondicional do Estado oper\u00e1rio. Mas na situa\u00e7\u00e3o em que o Manifesto foi redigido, essa defesa se expressava atrav\u00e9s da tarefa, ao mesmo tempo estrat\u00e9gica e imediata, de que a classe trabalhadora sovi\u00e9tica derrubasse a burocracia stalinista.<\/p>\n<p>Por outro lado, na mesma \u00e9poca, em sua pol\u00eamica com o setor antidefensista dentro do SWP dos EUA, alertava: <em>\u201cA quest\u00e3o concreta \u00e9 saber o que fazer se Hitler invadir a URSS antes que a revolu\u00e7\u00e3o tenha acertado contas com Stalin. Nesse caso, seria necess\u00e1rio lutar contra as tropas de Hitler&#8230; Se Hitler voltasse suas armas contra a R\u00fassia, seria necess\u00e1rio colocar em primeiro lugar a resist\u00eancia militar contra ele\u201d <\/em>[12].<\/p>\n<p>Precisamente, a invas\u00e3o nazista da URSS ocorreu <em>&#8220;antes da revolu\u00e7\u00e3o acertar as contas com Stalin&#8221;<\/em> e mudou drasticamente a situa\u00e7\u00e3o analisada no Manifesto, porque obrigou a burocracia stalinista a ter que defender o Estado oper\u00e1rio e, ao mesmo tempo, abriu-se uma heroica mobiliza\u00e7\u00e3o de massas, com sua express\u00e3o militar, para realizar essa defesa.<\/p>\n<p>A ordem das tarefas mudava e passava a primeiro lugar <em>&#8220;a resist\u00eancia militar&#8221; <\/em>contra os nazistas. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, ap\u00f3s a invas\u00e3o, os trotskistas detidos na Sib\u00e9ria pediram para serem libertados para poder estar na linha de frente de combate. Embora essa mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o dentro da URSS n\u00e3o estivesse prevista no Manifesto, ela havia sido prevista por Trotsky em outros materiais.<\/p>\n<p>De nossa parte, consideramos que o in\u00edcio da guerra do Eixo contra o Estado oper\u00e1rio, por si s\u00f3 e sem considerar ainda a hip\u00f3tese de Moreno, n\u00e3o apenas levava a mudar a orienta\u00e7\u00e3o dentro da URSS, mas tamb\u00e9m tinha um impacto muito profundo na combina\u00e7\u00e3o de guerras. Uma mudan\u00e7a qualitativa, dir\u00edamos, na caracteriza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria natureza da guerra considerada como um todo e na pol\u00edtica a seguir diante dela.<\/p>\n<p>A defesa do Estado oper\u00e1rio era feita contra um dos blocos imperialistas (o Eixo), enquanto o outro bloco (os Aliados) combatia militarmente o Eixo em outras frentes, for\u00e7ando-o a destinar for\u00e7as a eles, enfraquecendo-o e, nesse sentido, favorecendo a defesa do Estado oper\u00e1rio e a possibilidade de triunfo da URSS.<\/p>\n<p>De fato, de maneira objetiva, estabelecia-se uma unidade de a\u00e7\u00e3o objetiva no terreno militar. Nesse contexto: era correto manter a pol\u00edtica de derrotismo revolucion\u00e1rio no campo dos Aliados? N\u00f3s acreditamos que n\u00e3o e assim come\u00e7aram a considerar setores da IV Internacional.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio considerar que, al\u00e9m do assassinato de Trotsky, as condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia e comunica\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o em meio \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da guerra eram extremamente dif\u00edceis, especialmente com as se\u00e7\u00f5es europeias e asi\u00e1ticas, muitas das quais haviam sido destru\u00eddas ou deviam agir na mais rigorosa clandestinidade. O Secretariado Internacional (o SI) havia se mudado para Nova York e o novo secret\u00e1rio, o franco-holand\u00eas Jean Van Heijenoort, mal conseguia publicar alguns materiais te\u00f3ricos.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que s\u00e3o publicadas, em 1942, as <em>Teses sobre a quest\u00e3o nacional<\/em>, promovidas por algumas se\u00e7\u00f5es europeias que sugerem o boicote e a sabotagem aos pa\u00edses que combatem contra a URSS, mas n\u00e3o aos Aliados [13]. Essas Teses abriram um debate dentro do SWP (que mantinha a orienta\u00e7\u00e3o de Trotsky do derrotismo revolucion\u00e1rio) como nas pr\u00f3prias for\u00e7as europeias.<\/p>\n<p><strong>As guerras de liberta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Um problema similar ocorria nas guerras de liberta\u00e7\u00e3o contra a ocupa\u00e7\u00e3o das for\u00e7as do Eixo. Na China, por exemplo, existe uma resolu\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o de 1941 que reconhece a legitimidade de aceitar a ajuda estadounidense. Isso \u00e9 feito sem deixar de alertar sobre o perigo de Chiang Kai-shek como um <em>&#8220;aliado subalterno do imperialismo norte-americano&#8221;<\/em>, mas expressa que isso n\u00e3o suprime a necessidade de intervir <em>&#8220;na luta da China para expulsar os invasores japoneses&#8221;<\/em> [14]. Os pr\u00f3prios trotskistas chineses se dividiram entre os que promoveram o abstencionismo e os que propunham intervir na luta contra as tropas japonesas.<\/p>\n<p>Na Indochina, especialmente no Vietn\u00e3, os trotskistas participavam das lutas de resist\u00eancia contra o dom\u00ednio japon\u00eas. Faziam isso em condi\u00e7\u00f5es extremamente dif\u00edceis: perseguidos n\u00e3o apenas pelos invasores, mas tamb\u00e9m pelas for\u00e7as stalinistas da resist\u00eancia. Vide o exemplo do dirigente vietnamita Ta Thu Thau, preso em um campo de concentra\u00e7\u00e3o pelos japoneses durante a guerra e depois assassinado por ordem de Ho Chi Minh em 1945 [15].<\/p>\n<p>Em resumo, nesses pa\u00edses e col\u00f4nias, tamb\u00e9m foi levantada a necessidade da mesma unidade de a\u00e7\u00e3o militar objetiva com os Aliados que combatiam contra as pot\u00eancias do Eixo.<\/p>\n<p><strong>Na Europa ocupada<\/strong><\/p>\n<p>Vamos agora \u00e0 pol\u00edtica que tinha de ser adotada nos pa\u00edses imperialistas que haviam sido ocupados pelas tropas alem\u00e3s: como consideramos esses pa\u00edses em nossa pol\u00edtica? Por exemplo, em um de seus \u00faltimos trabalhos, Trotsky escreve: <em>&#8220;Seguindo uma quantidade de pequenos estados europeus, a Fran\u00e7a est\u00e1 se tornando uma na\u00e7\u00e3o oprimida&#8221;<\/em> [16]. No mesmo artigo, ele analisa que: <em>\u201cNos pa\u00edses derrotados, a posi\u00e7\u00e3o das massas piorar\u00e1 extremamente de forma imediata. Junto \u00e0 opress\u00e3o social est\u00e1 a opress\u00e3o nacional, cuja carga principal tamb\u00e9m \u00e9 suportada pelos trabalhadores. De todas as formas de ditadura, a totalit\u00e1ria de um conquistador estrangeiro \u00e9 a mais intoler\u00e1vel\u201d.<\/em> Uma das conclus\u00f5es \u00e9: <em>&#8220;Pode-se esperar, sem d\u00favida, a r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o de todos os pa\u00edses conquistados em verdadeiros barris de p\u00f3lvora&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>No entanto, apesar da precis\u00e3o desta an\u00e1lise e desta previs\u00e3o, mantem a linha a que j\u00e1 nos referimos: <em>\u201cDo ponto de vista de uma revolu\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio pa\u00eds, a derrota do pr\u00f3prio governo imperialista \u00e9 sem d\u00favida um &#8216;mal menor&#8217;<\/em> [&#8230;] <em>O novo mapa b\u00e9lico da Europa n\u00e3o invalida os princ\u00edpios da luta de classes revolucion\u00e1ria. A Quarta Internacional n\u00e3o muda seu rumo\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Para n\u00f3s existe uma profunda contradi\u00e7\u00e3o entre a an\u00e1lise de Trotsky (a Fran\u00e7a como na\u00e7\u00e3o oprimida, agravamento da situa\u00e7\u00e3o das massas, a din\u00e2mica de se tornar um &#8220;barril de p\u00f3lvora&#8221;) e as conclus\u00f5es que ele tira. Concordamos com as conclus\u00f5es estrat\u00e9gicas (a sa\u00edda para a classe oper\u00e1ria n\u00e3o vir\u00e1 das &#8220;democracias imperialistas&#8221; ou da a\u00e7\u00e3o de seus ex\u00e9rcitos.<\/p>\n<p>Mas acreditamos que a orienta\u00e7\u00e3o concreta estava errada. Porque nos pa\u00edses imperialistas ocupados pelos nazistas estava colocada a organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia contra a ocupa\u00e7\u00e3o. Algo que fez, por exemplo, o setor majorit\u00e1rio dos trotskistas franceses do POI encabe\u00e7ados por Marcel Hic, que prop\u00f4s intervir na resist\u00eancia contra os nazistas com uma perspectiva de classe nas <em>Resolu\u00e7\u00f5es do movimento partisano<\/em>. Hic \u00e9 preso pela Gestapo, torturado e deportado para os campos de concentra\u00e7\u00e3o, onde morre em dezembro de 1944 [17]. Uma pol\u00edtica similar foi promovida pelos trotskistas belgas, entre os quais se destacava um muito jovem Ernst Mandel.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, no contexto dessa resist\u00eancia tamb\u00e9m estava colocada a unidade de a\u00e7\u00e3o militar para derrotar os nazistas com as for\u00e7as maquis que respondiam a De Gaulle e, de maneira mais geral, com as tropas aliadas que os combatiam. Vejamos uma quest\u00e3o concreta. Quando ocorreu a invas\u00e3o da Normandia (Dia D), qual deveria ser a posi\u00e7\u00e3o dos trotskistas franceses e de outros pa\u00edses europeus: desenvolver uma unidade de a\u00e7\u00e3o militar com as tropas aliadas para facilitar o desembarque ou cham\u00e1-las ao derrotismo revolucion\u00e1rio? N\u00e3o temos d\u00favidas.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 dissemos, essas cr\u00edticas \u00e0 an\u00e1lise e posi\u00e7\u00e3o de Trotsky n\u00e3o removem nem um mil\u00edmetro da genialidade te\u00f3rica de Trotsky nem diminuem seus gigantescos acertos. Tampouco significam nenhuma capitula\u00e7\u00e3o aos &#8220;imperialismos democr\u00e1ticos&#8221; nem a seu &#8220;embelezamento&#8221;, nem \u00e0s burguesias nacionais como inimigos estrat\u00e9gicos dos trabalhadores, mas a considera\u00e7\u00e3o de qual pol\u00edtica era a que mais favorecia os trabalhadores e o desenvolvimento da luta revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ou seja, em praticamente todas as frentes da guerra, essa unidade de a\u00e7\u00e3o militar se impunha como uma necessidade. O stalinismo transformou essa necessidade de intervir no mesmo campo militar em uma pol\u00edtica de alian\u00e7a estrat\u00e9gica com os &#8220;imperialismos democr\u00e1ticos&#8221; e as burguesias nacionais, expressa nos acordos de Teer\u00e3, Yalta e Potsdam. Mas essa \u00e9 outra discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Onde se aplicava plenamente a pol\u00edtica de derrotismo revolucion\u00e1rio era nos pa\u00edses integrantes do Eixo. Por isso reivindicamos a heroica atua\u00e7\u00e3o de Martin Monath, um jovem judeu alem\u00e3o, militante trotskista, que se infiltrou entre os nazistas e publicava clandestinamente o jornal <em>Arbeiter und Soldat<\/em> (Trabalhador e Soldado), que distribu\u00eda entre as tropas alem\u00e3s ocupantes na Fran\u00e7a. Em 1944, foi detido pela pol\u00edcia francesa colaboracionista, entregue \u00e0 Gestapo e executado [18].<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia, os pequenos grupos trotskistas tamb\u00e9m participavam da luta partisana contra o regime fascista. Um importante quadro italiano, Pietro Tresso (que havia participado da funda\u00e7\u00e3o da IV), estava na Fran\u00e7a, participando com outros trotskistas na luta da resist\u00eancia francesa. Nessa situa\u00e7\u00e3o, ele foi assassinado por um comandante italiano dos maquis (membro do servi\u00e7o secreto stalinista), em outubro de 1943.<\/p>\n<p><strong>Agora sim, a hip\u00f3tese de Moreno<\/strong><\/p>\n<p>O que quer\u00edamos demonstrar at\u00e9 agora \u00e9 que, mesmo antes de considerar a hip\u00f3tese de Moreno, a discuss\u00e3o n\u00e3o pode ser colocada no plano de <em>\u201cdeixar pedra sobre pedra da pol\u00edtica de Trotsky\u201d<\/em>, mas no de contrastar as an\u00e1lises, previs\u00f5es e a orienta\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento diferente que teve a realidade, uma vez que Trotsky j\u00e1 havia morrido.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 apontamos, a hip\u00f3tese de Moreno \u00e9 que, na Segunda Guerra, al\u00e9m do conflito armado interimperialista, houve um enfrentamento entre dois regimes (o democr\u00e1tico-burgu\u00eas e o fascista), e que este \u00faltimo era o que determinava a natureza essencial da guerra. Ele argumenta que Trotsky se equivocou ao n\u00e3o ver esse aspecto e que, portanto, a orienta\u00e7\u00e3o correta deveria ter sido a participa\u00e7\u00e3o a fundo na resist\u00eancia europeia contra o nazismo e n\u00e3o um derrotismo revolucion\u00e1rio no campo dos Aliados [19].<\/p>\n<p>A luta entre fra\u00e7\u00f5es da burguesia no n\u00edvel nacional que, em uma determinada situa\u00e7\u00e3o defendem regimes diferentes, \u00e9 algo que ocorreu muitas vezes na hist\u00f3ria e se expressou em enfrentamentos militares atrav\u00e9s de golpes de Estado e guerras civis.<\/p>\n<p>\u00c9 um assunto muito analisado e elaborado pelo trotskismo, cuja orienta\u00e7\u00e3o, nessa situa\u00e7\u00e3o concreta, sempre foi defender o regime burgu\u00eas mais progressivo para as massas (a democracia burguesa) contra o ataque do fascismo ou outros regimes reacion\u00e1rios. Isso implica que, dentro desse quadro, s\u00e3o v\u00e1lidas e necess\u00e1rias a unidade de a\u00e7\u00e3o com os setores burgueses &#8220;democr\u00e1ticos&#8221; e a participa\u00e7\u00e3o em um mesmo campo militar, sem ter nenhuma confian\u00e7a neles e defendendo de modo absoluto a independ\u00eancia pol\u00edtica do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em muitos escritos, Trotsky n\u00e3o deixa nenhuma d\u00favida sobre esse assunto. Na guerra civil espanhola, ele diz: <em>&#8220;Participamos da luta contra Franco como os melhores soldados &#8230;&#8221;<\/em> [20]. Para que n\u00e3o houvesse d\u00favidas, anos antes havia escrito que que <em>&#8220;na luta contra o diabo&#8221;<\/em> (o fascismo) podia-se e devia-se <em>&#8220;fazer acordos pr\u00e1ticos com a m\u00e3e do diabo&#8221;<\/em> (os setores burgueses que o deixaram crescer, mas que agora eram oposi\u00e7\u00e3o) [21].<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel aplicar essa configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e esse tipo de conflito interburgu\u00eas (e a orienta\u00e7\u00e3o que se deriva dela) a n\u00edvel internacional? \u00c9 o que faz Moreno com sua hip\u00f3tese. Nesse ponto, a FT \/ PTS incorpora um argumento te\u00f3rico-pol\u00edtico:<\/p>\n<p><em>&#8220;\u00c9 A Segunda Guerra uma &#8216;guerra mundial de regimes&#8217;? De que estado? Um regime \u00e9 a forma pol\u00edtica que adquire o conte\u00fado social de um determinado estado. O estado se estabelece nacionalmente, e uma guerra civil como a da Espanha adquiriu a forma dada pela dire\u00e7\u00e3o republicana, de guerra de regimes dentro de um mesmo estado nacional. O regime pol\u00edtico \u00e9 uma superestrutura inferior \u00e0 superestrutura estatal. Uma guerra de regimes implica uma superestrutura maior, um estado que a cont\u00e9m. Mas n\u00e3o h\u00e1 um estado mundial!! \u201d<\/em> [22]<\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o deve ser dividida em dois planos. O primeiro \u00e9 que a FT \/ PTS tem raz\u00e3o ao afirmar que n\u00e3o h\u00e1 um &#8220;Estado mundial&#8221; e, portanto, n\u00e3o pode haver um &#8220;regime mundial&#8221;, entendido como uma determinada combina\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es que regem esse estado, como existe no n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>Contudo, muitas vezes os marxistas usaram o conceito de &#8220;ordem mundial&#8221; que, despido de seu uso meramente jornal\u00edstico ou vinculado \u00e0s &#8220;teorias da conspira\u00e7\u00e3o&#8221;, pode ser muito \u00fatil. Em linhas muito grossas, podemos dizer que \u00e9 uma determinada configura\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es superestruturais estabelecidas entre os representantes pol\u00edticos das burguesias imperialistas, as burguesas nacionais e seus aliados (as dire\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias do movimento de massas) para manter o mundo &#8220;sob controle&#8221; e implementar pol\u00edticas para isso. Por exemplo, o que foi chamado de &#8220;ordem mundial do segundo p\u00f3s-guerra&#8221;.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios per\u00edodos da hist\u00f3ria do capitalismo imperialista, essa &#8220;ordem mundial&#8221; \u00e9 o oposto: uma &#8220;desordem mundial&#8221; devido ao impacto, muitas vezes combinado, das disputas interimperialistas, por um lado, e da luta de classes e revolu\u00e7\u00f5es, por outro. O in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial levou essa disputa interimperialista e a resposta \u00e0 luta de classes no terreno militar internacional.<\/p>\n<p>Estabelecer que, como n\u00e3o h\u00e1 um estado mundial e portanto n\u00e3o h\u00e1 um regime mundial, n\u00e3o pode haver um conflito interimperialista que expresse um enfrentamento entre regimes \u00e9 um esquema mec\u00e2nico e, portanto, metodologicamente errado.<\/p>\n<p>Se analisamos os dois blocos em conflito, vemos que em um deles (o Eixo) havia duas na\u00e7\u00f5es com regimes fascistas (Alemanha e It\u00e1lia), uma monarquia imperial absoluta (Jap\u00e3o) e ditaduras militares (Hungria e Rom\u00eania). Quando ocupavam pa\u00edses, inclusive imperialistas, estendiam esses regimes aos pa\u00edses dominados. Seu projeto era internacional e, se tivesse triunfado, teria estendido esse regime pelo menos \u00e0 Europa e grande parte da \u00c1sia. Sobre a base dessa vit\u00f3ria, um grande Estado teria se estabilizado em importantes regi\u00f5es do mundo e, dentro dele, um regime fascista.<\/p>\n<p>No outro bloco se alinhavam as burguesias imperialistas (a estadunidense, inglesa, canadense, australiana, o setor da burguesia francesa que n\u00e3o se alinhou aos nazistas ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o), que, pelo menos para seus pa\u00edses e para a Europa , queriam manter o regime democr\u00e1tico burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Dentro de v\u00e1rios pa\u00edses imperialistas houve fortes disputas interburguesas sobre que atitude adotar diante da guerra e do projeto fascista. Por exemplo, nos EUA, o magnata Henry Ford simpatizava com o nazismo. Na Gr\u00e3-Bretanha, Edward VIII (de breve reinado em 1936, for\u00e7ado a abdicar com a desculpa de um esc\u00e2ndalo pessoal), tamb\u00e9m simpatizava com os nazistas. Em 1937, j\u00e1 como duque de Windsor, visitou a Alemanha, fez a sauda\u00e7\u00e3o fascista e se encontrou pessoalmente com Hitler, sem a permiss\u00e3o do governo brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>Mas acabou predominando a linha de enfrentar o projeto de Hitler-Mussolini-Hirohito, que propunham Winston Churchill e Franklin Delano Roosevelt, que envolvia a defesa do regime democr\u00e1tico burgu\u00eas, pelo menos nas regi\u00f5es a que nos referimos. O que aconteceu no imediato p\u00f3s-guerra, mostra isso. Se o termo &#8220;guerra mundial entre regimes&#8221; incomoda tanto a FT \/ PTS, vamos falar ent\u00e3o de uma &#8220;guerra internacional entre regimes&#8221;. N\u00e3o se trata de termos, mas de conte\u00fado.<\/p>\n<p>Consideramos que a defesa da URSS e a luta pela liberta\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es d\u00e9beis ou das col\u00f4nias seria uma posi\u00e7\u00e3o comum com a FT \/ PTS. Mas o que tinha que ser feito na Europa (e tamb\u00e9m nos EUA)? Defender que a linha era seguir \u00e0 risca o derrotismo revolucion\u00e1rio significa afirmar que para os trabalhadores e as massas (n\u00e3o apenas europeias, mas do mundo), significava o mesmo o triunfo do nazi-fascismo ou o dos Aliados.<\/p>\n<p>\u00c9 um erro grosseiro, muito mais se se mant\u00e9m ap\u00f3s o desenvolvimento da pr\u00f3pria guerra e dos processos posteriores do imediato p\u00f3s-guerra. Porque a derrota do projeto nazi-fascista foi um grande triunfo das massas e dos trabalhadores do mundo. Assim sentiram e agiram de acordo: come\u00e7ou uma grande ascens\u00e3o revolucion\u00e1ria que deu origem a novos Estados oper\u00e1rios na Iugosl\u00e1via, Alb\u00e2nia, China e Coreia do Norte; a luta anticolonial teve um fort\u00edssimo alicerce na \u00c1frica e na \u00c1sia, como mostraram a Indochina e a Arg\u00e9lia. Na pr\u00f3pria Europa imperialista, os trabalhadores tinham condi\u00e7\u00f5es de disputar o poder na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Nem se poderia entender o prest\u00edgio e o peso que recupera o stalinismo entre os trabalhadores e as massas do mundo, apesar de todas as suas trai\u00e7\u00f5es anteriores, sem compreender que foi visto como um dos art\u00edfices da derrota do nazi-fascismo, n\u00e3o apenas pela defesa da URSS, mas por sua destacada participa\u00e7\u00e3o na Resist\u00eancia na Europa.<\/p>\n<p>O stalinismo usou esse prest\u00edgio entre as massas para construir uma colabora\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com o novo imperialismo hegem\u00f4nico, o estadunidense. Al\u00e9m do atrito e dos choques que tiveram no segundo p\u00f3s-guerra, essa colabora\u00e7\u00e3o foi fundamental em trai\u00e7\u00f5es como a da Fran\u00e7a e da It\u00e1lia e nas pol\u00edticas para derrotar, ou pelo menos conter e canalizar, a ascens\u00e3o revolucion\u00e1ria. Mas isso j\u00e1 \u00e9 outra parte da hist\u00f3ria, que analisaremos em um pr\u00f3ximo artigo.<\/p>\n<p>Queremos terminar este artigo com uma considera\u00e7\u00e3o: o m\u00e9todo de analisar os processos hist\u00f3ricos por parte da FT \/ PTS, devido ao seu profundo esquematismo, n\u00e3o ajuda na compreens\u00e3o desses processos nem a verificar quais an\u00e1lises e previs\u00f5es de Trotsky foram cumpridas e quais n\u00e3o (e, portanto, devem ser corrigidas). Parece que seu \u00fanico interesse \u00e9 continuar &#8220;condenando&#8221; Moreno e o morenismo. Uma atitude que se torna mais necess\u00e1ria a eles, na medida em que se acentua seu giro para o \u00a0eleitoralismo e sua adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>[1] Ver edi\u00e7\u00e3o completa em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nahuelmoreno.org\/escuela-de-cuadros-argentina-1984.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.nahuelmoreno.org\/escuela-de-cuadros-argentina-1984.html<\/a><\/p>\n<p>[2] Ver, por exemplo\u00a0<a href=\"http:\/\/ceip.org.ar\/Polemica-con-la-LIT-y-el-legado-teorico-de-Nahuel-Moreno\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/ceip.org.ar\/Polemica-con-la-LIT-y-el-legado-teorico-de-Nahuel-Moreno<\/a><\/p>\n<p>[3] Ver, nesse sentido, o debate contido em\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/fraccion-trotskista-pts-del-sectarismo-propagandistico-al-oportunismo-electoralista-parte-i\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/fraccion-trotskista-pts-del-sectarismo-propagandistico-al-oportunismo-electoralista-parte-i\/<\/a><\/p>\n<p>[4] Idem nota [2]<\/p>\n<p>[5]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ceipleontrotsky.org\/La-guerra-y-la-Cuarta-Internacional,136\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.ceipleontrotsky.org\/La-guerra-y-la-Cuarta-Internacional,136<\/a><\/p>\n<p>[6]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ceip.org.ar\/Manifiesto-de-la-Cuarta-Internacional-sobre-la-guerra-imperialista-y-la-revolucion-proletaria-mundial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.ceip.org.ar\/Manifiesto-de-la-Cuarta-Internacional-sobre-la-guerra-imperialista-y-la-revolucion-proletaria-mundial<\/a><\/p>\n<p>[7] Idem nota [5]<\/p>\n<p>[8] Idem nota [6]<\/p>\n<p>[9] Idem.<\/p>\n<p>[10] Ver a segunda parte desse artigo:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/la-naturaleza-de-la-segunda-guerra-mundial-ii\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/la-naturaleza-de-la-segunda-guerra-mundial-ii\/<\/a><\/p>\n<p>[11]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.outono.net\/elentir\/2017\/09\/01\/el-desfile-conjunto-nazisovietico-de-1939-en-polonia-que-algunos-niegan-en-video\/?fbclid=IwAR2w1U0xb9Dyp2KGCdk2ZZed31TwGDdqQb82_srQLY7OEGvmprnmBrtd8hE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.outono.net\/elentir\/2017\/09\/01\/el-desfile-conjunto-nazisovietico-de-1939-en-polonia-que-algunos-niegan-en-video\/?fbclid=IwAR2w1U0xb9Dyp2KGCdk2ZZed31TwGDdqQb82_srQLY7OEGvmprnmBrtd8hE<\/a><\/p>\n<p>[12] Citado por Daniel Bensa\u00efd em seu livro\u00a0<em>Trotskismos.\u00a0<\/em>Espa\u00f1a: Ediciones El Viejo Topo \u2013 Viento Sur, 2002, p. 45.<\/p>\n<p>[13] As Teses foram publicadas na revista Quatri\u00e8me internationale N\u00b0\u00a02 e s\u00e3o citadas no livro de Daniel Bensa\u00efd (p. 46).<\/p>\n<p>[14] Idem nota [12], p. 46.<\/p>\n<p>[15] Ver\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/teoria\/ta-thu-thau-lider-trotskista-vietnamita\/er\">https:\/\/litci.org\/pt\/teoria\/ta-thu-thau-lider-trotskista-vietnamita\/<\/a><\/p>\n<p>[16] TROTSKY, Le\u00f3n. Art\u00edculo \u201cNo cambiamos nuestro rumbo\u201d, 30 de junio de 1940, en:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/ceip\/escritos\/libro6\/T11V212.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/ceip\/escritos\/libro6\/T11V212.htm<\/a><\/p>\n<p>[17] Para os que t\u00eam interesse em conhecer a participa\u00e7\u00e3o dos trotskistas na resist\u00eancia francesa, recomendamos ler o trabalho de Emiliano Monge \u201cUna experiencia de maquis trotskista. Oh\u00e9 Partisans!\u201d, publicada por\u00a0<em>Cuadernos de Marte, Ano 9 Nro. 15<\/em>, julho-dezembro de 2018, cuja vers\u00e3o em PDF est\u00e1 dispon\u00edvel na internet.<\/p>\n<p>[18] Sobre Martin Monath ver o artigo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.leftvoice.org\/Martin-Monath-A-Jewish-Trotskyist-Among-Nazi-Soldiers\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.leftvoice.org\/Martin-Monath-A-Jewish-Trotskyist-Among-Nazi-Soldiers<\/a>\u00a0y el libro de Wladek Flakin,\u00a0<em>\u201cArbeiter und Soldat. Martin Monath \u2013 Ein Berliner Jude unter Wehrmachtssoldaten<\/em>. Stuttgart: Schmetterling Verlag, 2018.<\/p>\n<p>[19] Sobre este tema ver tamb\u00e9m o livro de Alicia Sagra,\u00a0<em>La Internacional. Un permanente combate contra el sectarismo y el oportunismo<\/em>. Buenos Aires: Deeksha Ediciones, 2007, pp. 162\/163.<\/p>\n<p>[20] TROTSKY, Le\u00f3n. \u201cLa lucha contra el derrotismo en Espa\u00f1a\u201d,\u00a0<em>Escritos<\/em>, 14\/9\/1937.<\/p>\n<p>[21] TROTSKY, Le\u00f3n. \u201c\u00bfY ahora? Problemas vitales del proletariado alem\u00e1n\u201d, 25\/1\/1932. Tomado de:<strong>\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.ceipleontrotsky.org\/Y-ahora\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.ceipleontrotsky.org\/Y-ahora<\/a><\/p>\n<p>[22]\u00a0<a href=\"http:\/\/ceip.org.ar\/Polemica-con-la-LIT-y-el-legado-teorico-de-Nahuel-Moreno\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/ceip.org.ar\/Polemica-con-la-LIT-y-el-legado-teorico-de-Nahuel-Moreno<\/a><\/p>\n<p>[23] O surgimento dos Estados oper\u00e1rios do leste da Europa ocupados por tropas da URSS merece uma an\u00e1lise espec\u00edfica. Sobre este tema, recomendamos ler o libro de Jan Talpe,\u00a0<em>Los Estados obreros del Glacis. Discusi\u00f3n sobre el Este europeo<\/em>. San Pablo: Ediciones Marxismo Vivo, 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima parte deste artigo, abordaremos a hip\u00f3tese apresentada pelo trotskista argentino Nahuel Moreno: a Segunda Guerra significou tamb\u00e9m um conflito entre regimes pol\u00edticos burgueses (democracia burguesa x fascismo) em n\u00edvel internacional, e o debate que essa hip\u00f3tese geral.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":30186,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[7873,903],"class_list":["post-30185","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","tag-ii-guerra-mundial","tag-morenismo"],"fimg_url":false,"categories_names":["Hist\u00f3ria"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30185\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}