{"id":30145,"date":"2019-10-18T13:39:04","date_gmt":"2019-10-18T15:39:04","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30145"},"modified":"2019-10-18T13:39:04","modified_gmt":"2019-10-18T15:39:04","slug":"equador-viva-a-vitoria-do-povo-equatoriano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/10\/18\/equador-viva-a-vitoria-do-povo-equatoriano\/","title":{"rendered":"Equador | Viva a vit\u00f3ria do povo equatoriano!"},"content":{"rendered":"<p><em>A insurrei\u00e7\u00e3o heroica do povo equatoriano encabe\u00e7ada pelo Movimento Ind\u00edgena teve seu desenlace na segunda-feira dia 14 de outubro com a revoga\u00e7\u00e3o do decreto 883, com o qual o governo eliminou o subs\u00eddio da gasolina e do diesel como parte de uma s\u00e9rie de exig\u00eancias do FMI para receber um empr\u00e9stimo. Sete mortos, mais de mil feridos, mais de mil e duzentos presos pol\u00edticos, a total militariza\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o nas principais cidades com o estado de exce\u00e7\u00e3o e o toque de recolher n\u00e3o impediram que se lutasse at\u00e9 conseguir esta reivindica\u00e7\u00e3o.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por MAS-Equador<\/p>\n<p>Ao longo dos onze dias que esta luta durou, todas as rodovias foram bloqueadas, inclusive o movimento ind\u00edgena tomou as prov\u00edncias de Napo, Bol\u00edvar, Tungurahua, Chimborazo, Pastaza, Morona Santiago e Ca\u00f1ar, a produ\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo foi paralisada e produziu-se uma crise de abastecimento. Os jovens, em sua maioria estudantes secund\u00e1rios, universitarios, e os \u201cni-nis\u201d (nem estudam ou trabalham), combateram desde o in\u00edcio at\u00e9 o final. A solidariedade com o movimento ind\u00edgena em Quito articulou importantes redes entre as universidades, bairros e organiza\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>O ponto culminante do processo chegou em 12 de outubro, quando os bairros\u00a0 populares do sul e norte de Quito se levantaram, dando in\u00edcio a uma s\u00e9rie de mobiliza\u00e7\u00f5es desde os pontos perif\u00e9ricos da cidade at\u00e9 a Casa da Cultura Equatoriana, epicentro da luta. Apesar do bombardeio brutal de 12 de outubro sobre uma multid\u00e3o de mais de 50 000 pessoas nas imedia\u00e7\u00f5es da Casa de Cultura Equatoriana e do decreto de toque de recolher a partir das 15h00 do mesmo dia, as a\u00e7\u00f5es de protesto continuaram pela noite. Os bairros promoveram os \u201cpanela\u00e7os\u201d noturnos, que em muitos casos eram acompanhados de grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de bairros. A tudo isto se somou as mobiliza\u00e7\u00f5es na grande maioria de provincias, inclusive na Regi\u00e3o Costeira. Assim uma nova e mais potente explos\u00e3o popular estava sendo preparada.<\/p>\n<p>Este riqu\u00edssimo processo revolucion\u00e1rio dirigido pela CONAIE, mas que foi muit\u00edssimo mais amplo, onde os trabalhadores das cidades se uniram de forma espont\u00e2nea, clamava por muito mais, incluindo o fora Lenin Moreno e o FMI! Apesar disto, a CONAIE desde o in\u00edcio estabeleceu unicamente dois objetivos: derrotar o decreto 883 e a destitui\u00e7\u00e3o da ministra do governo Mar\u00eda Paula Romo e o ministro da defesa Oswaldo Jarr\u00edn, por serem os principais respons\u00e1veis pela brutal repress\u00e3o policial desencadeada contra os manifestantes desde o primeiro dia de paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro aspecto que possibilitou que o governo n\u00e3o ca\u00edsse, foi a falta de unidade dos diferentes setores em luta. Por exemplo, n\u00f3s a partir da CUTCOP insistimos na necessidade da unidade do movimento ind\u00edgena com o movimento sindical e popular no Parlamento de los Pueblos, mas isto n\u00e3o se concretizou. As dire\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias do movimento sindical como a FUT desempenharam um papel nefasto ao n\u00e3o organizar suas bases para entrar na luta, com o qual foram totalmente superadas e a maioria dos e das trabalhadoras se organizaram por si mesmas nos bairros para sair \u00e0s ruas para lutar. Da mesma forma, Jaime Vargas, presidente da CONAIE expressou claramente na mesa de negocia\u00e7\u00e3o qual \u00e9 a estrat\u00e9gia da organiza\u00e7\u00e3o, os irm\u00e3os ind\u00edgenas buscam espa\u00e7os relativamente aut\u00f4nomos para as nacionalidades ind\u00edgenas dentro do Estado, o que apoiamos, mas acreditamos que essa reivindica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dentro do estado capitalista.<\/p>\n<p>O governo, por seu lado, encarou o processo de mobiliza\u00e7\u00e3o com duas t\u00e1ticas. Primeiro, fez um uso desproporcional da repress\u00e3o, decretando o estado de exce\u00e7\u00e3o e o toque de recolher. Ao n\u00e3o conseguir frear a insurrei\u00e7\u00e3o com a repress\u00e3o, abriu uma possibilidade de di\u00e1logo junto \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal e a ONU. Junto a isto, transferiu a sede do governo de Quito a Guayaquil, buscando resguardar-se da insurrei\u00e7\u00e3o popular e buscando o apoio da oposi\u00e7\u00e3o de direita representada por Guillermo Lasso, Cynthia Viteri e Nebot, o qual se expressou na marcha que organizaram estes setores no dia 9 de outubro contra o movimento ind\u00edgena. A pol\u00edtica repressiva do governo, apesar de ter sido questionada por organismos de direitos humanos, foi validada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas e pelo presidente norteamericano Donald Trump. Outra t\u00e1tica que o governo de Lenin Moreno usou foi tentar mostrar a insurrei\u00e7\u00e3o como obra do correismo e da influ\u00eancia de Nicol\u00e1s Maduro, mas isto n\u00e3o funcionou. Deve ficar entendido que, neste processo, se o correismo cumpriu algum papel, foi marginal posto que foi o povo que saiu \u00e0s ruas, se auto-organizou e lutou junto aos e \u00e0s ind\u00edgenas contra os ataques neoliberais do governo e do FMI. De fato, o correismo se somou \u00e0 luta popular de maneira oportunista para tentar ter vantagens eleitorais.<\/p>\n<p>Assim, a for\u00e7a da mobiliza\u00e7\u00e3o e a determina\u00e7\u00e3o da CONAIE obrigaram o governo a sentar e negociar em uma hist\u00f3rica cadeia nacional de r\u00e1dio e televis\u00e3o, excluindo da dita negocia\u00e7\u00e3o a FUT e outras organiza\u00e7\u00f5es sindicais e sociais. Os dirigentes da CONAIE falaram n\u00e3o s\u00f3 pelos povos ind\u00edgenas, como por todo o povo equatoriano, entretanto, na negocia\u00e7\u00e3o, se mencionou, mas n\u00e3o se incluiu a impunidade dos lutadores, deixando expostas \u00e0 repress\u00e3o as massas que se juntaram \u00e0 luta e cumpriram um papel fundamental para o triunfo. Isto levou \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da oposi\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n<p>Por exemplo, o governo est\u00e1 prendendo lutadores como Pablo del Hierro, integrante do Centro Leonidas Proa\u00f1o del Sur de Quito ou Pablo Correa, estudante de medicina da Universidade de Cuenca, entre v\u00e1rios. Inclusive servidores p\u00fablicos est\u00e3o sendo perseguidos e manipulados com a renova\u00e7\u00e3o de seus contratos. Al\u00e9m disso, prenderam e exilaram os representantes legislativos correistas. Se considerarmos que, em seu governo, Correa e seus seguidores cumpriram um papel nefasto para o povo equatoriano, atacando as organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e de trabalhadores e fortalecendo as institui\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o, entre outras coisas, consideramos que devemos lutar para garantir a n\u00e3o persegui\u00e7\u00e3o de todos os lutadores, para evitar a criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto social.<\/p>\n<p>Com a vit\u00f3ria da insurrei\u00e7\u00e3o popular, fica um governo claramente mais d\u00e9bil que, tendo sido derrotado nas ruas, e ao ter um estado com alt\u00edssimo grau de endividamento (representando 46% do PIB) buscar\u00e1 outras medidas para aplicar o tarifa\u00e7o e a reforma trabalhista, j\u00e1 que estas continuam sendo uma exig\u00eancia do FMI. Al\u00e9m disso, existir\u00e1 outro decreto referente aos subs\u00eddios da gasolina e diesel e devemos nos manter vigilantes sobre as implica\u00e7\u00f5es do mesmo. Por isso \u00e9 importante tirar as conclus\u00f5es deste processo, e ter em conta que hoje continua colocada a necessidade de lutar para derrubar o governo repressivo e criminal de Lenin Moreno e o FMI com seu tarifa\u00e7o.<\/p>\n<p>Em outras ocasi\u00f5es, os ind\u00edgenas, os trabalhadores, os jovens, as mulheres e demais setores populares no Equador demonstramos n\u00e3o somente nossa disposi\u00e7\u00e3o de luta, mas tamb\u00e9m que quando nos unimos, podemos conseguir o que queremos, inclusive governar n\u00f3s mesmos. Por exemplo, o Parlamento de los Pueblos em janeiro de 2000, onde n\u00e3o somente participaram os irm\u00e3os ind\u00edgenas representados na CONAIE, mas tamb\u00e9m o movimento social e sindical que se agrupava na ent\u00e3o Coordenadoria de Movimentos Sociais, conseguiu levar a luta a tal ponto que tomou de fato o poder por algumas horas antes de entreg\u00e1-lo ao ex\u00e9rcito. Um elemento que possibilitou isto foi a divis\u00e3o das for\u00e7as armadas quando um setor destas negou-se a reprimir o povo, o que foi diferente no processo atual, tanto a pol\u00edcia nacional como o ex\u00e9rcito parecem estar mais unificados para reprimir, ainda que come\u00e7assem a se evidenciar sintomas de uma poss\u00edvel ruptura, sobretudo no ex\u00e9rcito. Naqueles dias, com o Parlamento de los Pueblos esteve apresentada a possibilidade de come\u00e7ar um novo modelo de sociedade, baseado em assembl\u00e9ias populares onde os trabalhadores de fato decidiram e governaram seu pr\u00f3prio destino. Este \u00e9 o norte que devemos ter, porque esta luta apenas come\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00f3s, a partir do MAS LIT-QI, viemos participando ativamente deste processo e acreditamos que devemos continuar lutando para nos defender destes ataques neoliberais.<\/p>\n<p>Defendemos que devemos ir mais al\u00e9m e lutar por uma sociedade diferente, a servi\u00e7o dos mais pobres, onde os trabalhadores, os ind\u00edgenas e os explorados em geral governem uma sociedade realmente democr\u00e1tica e igualit\u00e1ria, uma sociedade socialista.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que se abriu rec\u00e9m se inicia. Os ataques do governo e as mobiliza\u00e7\u00f5es para enfrent\u00e1-las continuar\u00e3o, mas precisamos por fim ao que realmente nos est\u00e1 prejudicando: o capitalismo. Assim, queremos fazer um chamado a todos os ativistas e lutadores que participaram deste processo a continuar lutando e que neste processo construamos uma ferramenta que nos permita mudar fundamentalmente o Equador: um Partido Revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Viva a vit\u00f3ria do povo equatoriano!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fora os ministros do Governo e da Defesa!\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>Fora Lenin Moreno e o FMI! Nem Correa, nem Lasso, nem Nebot!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Que os ricos paguem pela crise! Abaixo o tarifa\u00e7o e a reforma trabalhista que precariza o trabalho!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Liberdade aos presos pol\u00edticos! N\u00e3o \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o dos manifestantes! Abaixo a criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto social!<\/strong><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A insurrei\u00e7\u00e3o heroica do povo equatoriano encabe\u00e7ada pelo Movimento Ind\u00edgena teve seu desenlace na segunda-feira dia 14 de outubro com a revoga\u00e7\u00e3o do decreto 883, com o qual o governo eliminou o subs\u00eddio da gasolina e do diesel como parte de uma s\u00e9rie de exig\u00eancias do FMI para receber um empr\u00e9stimo. 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