{"id":30142,"date":"2019-10-17T10:59:01","date_gmt":"2019-10-17T12:59:01","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=30142"},"modified":"2019-10-17T10:59:01","modified_gmt":"2019-10-17T12:59:01","slug":"repudiamos-o-ataque-do-exercito-turco-contra-rojava-curdistao-sirio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/10\/17\/repudiamos-o-ataque-do-exercito-turco-contra-rojava-curdistao-sirio\/","title":{"rendered":"Repudiamos o ataque do ex\u00e9rcito turco contra Rojava [Curdist\u00e3o s\u00edrio]"},"content":{"rendered":"<p><em>Esta semana, por ordem do presidente Recep Tayyip Erdogan, o ex\u00e9rcito turco iniciou um ataque e uma invas\u00e3o sobre os cant\u00f5es curdos localizados no nordeste do territ\u00f3rio s\u00edrio. A a\u00e7\u00e3o foi respaldada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que previamente determinou a retirada de 2 mil soldados estadunidenses desta regi\u00e3o e, com isso, a ruptura que mantinha com os curdos.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o primeiro ataque que Erdo<em>g<\/em>an realiza contra os curdos de S\u00edria. No final de 2016, realizou a opera\u00e7\u00e3o \u201cEscudo de Eufrades\u201d para \u201ccortar\u201d o corredor que os curdos tentaram formar entre Afrin e Jazira. O objetivo foi alcan\u00e7ado e as for\u00e7as aliadas aos turcos ficaram com o dom\u00ednio da cidade s\u00edria de Yarabulus e outras cidades menores. No come\u00e7o de 2018, lan\u00e7ou a \u201cCampanha Ramo de Oliva\u201d que consolidou sua presen\u00e7a militar na regi\u00e3o de Afrin<em>[1]. De igual modo como nos casos anteriores, nossa posi\u00e7\u00e3o frente a esta nova agress\u00e3o \u00e9 absolutamente clara: <\/em><strong>apoiamos e defendemos o campo militar dos curdos contra o ataque turco.<\/strong><\/p>\n<p>Mas al\u00e9m de esta defini\u00e7\u00e3o, por todos os complexos fatores internacionais e regionais que se combinam (e as mudan\u00e7as dentro dele), nos parece necess\u00e1rio retomar e aprofundar an\u00e1lises e considera\u00e7\u00f5es que fizemos em diversos artigos deste site, nos \u00faltimos anos [2].<\/p>\n<p><strong>Os curdos <\/strong><\/p>\n<p>O povo curdo \u00e9 a maior nacionalidade do Oriente M\u00e9dio (considerado em seu sentido geogr\u00e1fico mais amplo) sem Estado pr\u00f3prio, j\u00e1 que o Tratado de Lausanne (assinado em 1923 para dividir os dom\u00ednios do imp\u00e9rio turco-otomano, derrotado na Primeira Guerra Mundial) negou-lhes esse direito. O povo curdo ficou dividido entre quatro pa\u00edses (Turquia, Ir\u00e3, Iraque e S\u00edria) nos quais \u00e9 uma nacionalidade oprimida, e foi duramente reprimida quando lutou para tentar reverter esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso do territ\u00f3rio s\u00edrio, eles s\u00e3o maioria em tr\u00eas regi\u00f5es (Afrin, Jazira e Kobane) localizadas no norte do pa\u00eds (fronteira com a Turquia, ao norte, e o Iraque, ao leste). Estas regi\u00f5es totalizam cerca de 15.000 km\u00b2, onde vivem mais de 2.000.000 de curdos (e popula\u00e7\u00f5es de outras origens). Os curdos, em sua maioria, s\u00e3o provenientes de migra\u00e7\u00f5es da Turquia. Como um exemplo da opress\u00e3o que sofriam na S\u00edria, at\u00e9 alguns anos atr\u00e1s eles n\u00e3o tinham direito de serem cidad\u00e3os daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nesse contexto, nos artigos citados, analisamos a pol\u00edtica que os revolucion\u00e1rios deveriam ter em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nacionalidade oprimida dos curdos, baseados na posi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica do marxismo nestes casos:<\/p>\n<p>\u201c<em>Como marxistas revolucion\u00e1rios, n\u00e3o estamos a favor da fragmenta\u00e7\u00e3o dos Estados existentes. Pelo contr\u00e1rio, lutamos pela integra\u00e7\u00e3o de Estados plurinacionais e federativos, livremente constitu\u00eddos, cada vez maiores. Mas, se uma nacionalidade oprimida se definir por sua independ\u00eancia, passamos a apoiar e defender incondicionalmente esta decis\u00e3o. (\u2026) O caso curdo \u00e9 especial: \u00e9 evidente que \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o oprimida, mas n\u00e3o est\u00e1 em um s\u00f3 pa\u00eds, e sim dividida e oprimida em quatro pa\u00edses. Por isso, <strong>a \u00fanica maneira de exercer sua autodetermina\u00e7\u00e3o \u00e9 romper essa divis\u00e3o e se reunificar<\/strong>. Assim, como ponto de partida, reconhecemos e defendemos o seu direito de separar os seus territ\u00f3rios hist\u00f3ricos dos Estados que integram e constituir o seu pr\u00f3prio Estado independente (e apoiamos plenamente sua luta neste sentido). Acreditamos que, neste caso, <strong>n\u00e3o seria uma fragmenta\u00e7\u00e3o dos Estados<\/strong><\/em> <strong><em>atuais, mas uma reunifica\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter progressista<\/em><\/strong>\u201d<em>.<\/em><\/p>\n<p><strong>As autonomias curdas<\/strong><\/p>\n<p><em>Nos \u00faltimos anos, o povo curdo conseguiu o controle de duas regi\u00f5es aut\u00f4nomas: uma no Iraque (\u00e0 qual eles chamam de Basur) e outra na S\u00edria (denominada Rojava). De fato, s\u00e3o dois Estados ou embri\u00f5es de Estados independentes. Nos artigos citados, analisamos os processos que os levaram a alcan\u00e7ar esta autonomia, liderados por Massoud Barzani e o PDK (Partido Democr\u00e1tico do Curdist\u00e3o), em Basur, e pelo PYD (Partido da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica), em Rojava. O PYD \u00e9 a express\u00e3o do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o, fundado na Turquia) em Rojava. Nesses materiais, tamb\u00e9m analisamos e caracterizamos esses partidos.<\/em><\/p>\n<p><em>Acrescentamos que, embora os processos fossem muito diferentes, \u201cconsideramos que a autonomia alcan\u00e7ada no Iraque e em Rojava s\u00e3o um avan\u00e7o nesta dire\u00e7\u00e3o e, portanto, devem ser defendidas. N\u00e3o como o \u201cobjetivo final\u201d, mas sim a servi\u00e7o da luta para conquistar o Estado curdo unificado\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Conclu\u00edmos a nossa posi\u00e7\u00e3o afirmando que \u201cn\u00e3o damos nenhum apoio nem chamamos a confiar nas atuais dire\u00e7\u00f5es curdas, tanto por seu car\u00e1ter de classe (burgu\u00eas ou pequeno-burgu\u00eas) como pela sua pol\u00edtica (como o abandono da luta pelo Estado curdo unificado). Isso significa que, sendo parte do campo da luta do povo curdo, combatemos politicamente suas dire\u00e7\u00f5es, chamamos a lutar contra suas pol\u00edticas que v\u00e3o contra a luta unit\u00e1ria dos curdos (como os acordos com o imperialismo e Putin) e lhes exigimos que apliquem pol\u00edticas que apontem para esta luta\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>As alian\u00e7as perigosas feitas pelo PYD<\/strong><\/p>\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de classe da dire\u00e7\u00e3o do PYD \u00e9 muito importante para entender tanto o tipo de Estado que estava construindo em Rojava como sua pol\u00edtica de alian\u00e7as para defender e consolidar esta autonomia (analisadas especialmente no artigo com o mesmo t\u00edtulo).<\/p>\n<p>Referimo-nos, por um lado, \u00e0 tr\u00e9gua, de fato, estabelecida com o regime ditatorial de Bashar al-Assad e, por outro lado, por colocar no centro de sua pol\u00edtica a alian\u00e7a com os EUA, cujos governos fizeram dos curdos da S\u00edria e das YPG seus principais aliados para combater o ISIS na regi\u00e3o (pol\u00edtica aplicada desde o tempo de Obama e mantida durante o primeiro ano de Trump).<\/p>\n<p>Neste artigo, pontuamos que: <em>\u201cOutra alian\u00e7a t\u00e1tica do PYD\/PKK \u00e9 com o imperialismo ianque. Uma colabora\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a forjar-se na luta contra o ISIS [Estado Isl\u00e2mico] na defesa de Kobane e que agora refor\u00e7a o cerco a Racqa (NDR, o ISIS foi derrotado e a cidade e a regi\u00e3o controlada pelos curdos). A principal for\u00e7a desse ataque s\u00e3o as FDS (For\u00e7as Democr\u00e1ticas S\u00edrias &#8211; baseada na YPG [for\u00e7a militar dos curdos de Rojava], com participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria de combatentes de outras regi\u00f5es da S\u00edria) que recebe fortes subministros de armas e apoio a\u00e9reo dos ianques\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Indicavamos, ainda, que: \u201c<em>Para n\u00f3s, \u00e9 t\u00e1tico e n\u00e3o de princ\u00edpios que um movimento que luta em um campo militar progressista receba armas do imperialismo. \u00c9 uma t\u00e1tica v\u00e1lida se servir a essa luta. Isso aconteceu, por exemplo, com as for\u00e7as que combatiam a invas\u00e3o japonesa na China na Segunda Guerra Mundial ou na exig\u00eancia para que os imperialismos \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d (EUA, Inglaterra e Fran\u00e7a) enviassem armas aos republicanos espanh\u00f3is em sua guerra contra os fascistas. O problema come\u00e7a quando n\u00e3o se diz \u00e0s massas que \u00e9 apenas um pequeno epis\u00f3dio em que se coincide temporariamente com nosso principal inimigo, mas que devemos combat\u00ea-lo, seguramente, no futuro. Pior ainda, quando s\u00e3o chamadas a depositar confian\u00e7a nesse inimigo. Esse \u00e9 o caminho que o PKK e as organiza\u00e7\u00f5es sob sua influ\u00eancia est\u00e3o trilhando\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Nesse contexto, faz\u00edamos um alerta: <em>\u201c\u2026 \u00e9 novamente uma cegueira estrat\u00e9gica (do PYD\/PKK, NdR). O imperialismo pode usar diferentes pe\u00f5es nas t\u00e1ticas regionais pelas quais defende seus interesses. Mas eles s\u00e3o apenas isso (pe\u00f5es), que ser\u00e3o sacrificados assim que n\u00e3o forem mais necess\u00e1rios. Ou tentar\u00e1 destru\u00ed-los, como aconteceu com os talib\u00e3s no Afeganist\u00e3o. Os pr\u00f3prios curdos t\u00eam uma amarga experi\u00eancia de confian\u00e7a no imperialismo, no Tratado de Lausanne (assinado em 1923), que lhes negou o direito a um estado pr\u00f3prio e os condenou a viver oprimidos em quatro pa\u00edses diferentes\u201d<\/em>. A realidade atual (a atitude do governo dos EUA diante do ataque turco) demonstrou muito rapidamente a corre\u00e7\u00e3o deste alerta.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a pol\u00edtica do PYD de estabelecer uma tr\u00e9gua de fato com o regime de Assad isolou os curdos de Rojava daqueles que deveriam ser seus verdadeiros aliados (os setores mais progressivos das for\u00e7as rebeldes que combatem a ditadura). Pior ainda, quando os YPG avan\u00e7aram sobre o territ\u00f3rio curdo, muitas vezes foram combatidos contra essas for\u00e7as e desalojaram violentamente as popula\u00e7\u00f5es \u00e1rabes s\u00edrias. Assim aconteceu em 2017, por exemplo, quando os YPG tentaram aproveitar a batalha pelo controle de Alepo para estabelecer um corredor que unisse os cant\u00f5es de Afrin e Jazira, tentativa que foi derrotada por uma anterior invas\u00e3o do ex\u00e9rcito turco. Este grav\u00edssimo erro pol\u00edtico-militar do PYD contribuiu para que muitas for\u00e7as rebeldes considerassem os curdos como \u201cinimigos\u201d, e ajuda a justificar a pol\u00edtica tamb\u00e9m equivocada de alguns batalh\u00f5es do ELS de ser parte do reacion\u00e1rio ataque turco contra os curdos.<\/p>\n<p><strong>Os motivos dos ataques turcos <\/strong><\/p>\n<p>O governo turco de Recep Erdogan tem raz\u00f5es muito profundas para realizar este ataque; raz\u00f5es que foram agravadas nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>No atual territ\u00f3rio turco vivem 16.000.000 de curdos que s\u00e3o maioria em regi\u00f5es que ocupam cerca de 190.000 km\u00b2. Por um lado, estes n\u00fameros representam cerca da metade do povo curdo e da superf\u00edcie do Curdist\u00e3o hist\u00f3rico. Por outro lado, representam 20% da popula\u00e7\u00e3o total da Turquia e um ter\u00e7o de sua superf\u00edcie atual. <strong>Este peso geogr\u00e1fico e populacional faz com que, para a burguesia turca, seja inaceit\u00e1vel uma separa\u00e7\u00e3o, inclusive uma autonomia regional curda<\/strong>.<\/p>\n<p>A opress\u00e3o contra os curdos tem ra\u00edzes nos tempos do velho imp\u00e9rio turco-otomano e continuou quando este foi desmantelado ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial e a Turquia ficou reduzida a seu territ\u00f3rio atual. Ela foi mantida mesmo quando a fra\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar burguesa encabe\u00e7ada por Mustaf\u00e1 Kemal Ataturk derrubou a monarquia e fundou a Rep\u00fablica turca, em 1920, sobre bases laicas. Al\u00e9m da promessa n\u00e3o cumprida de lhes conceder autonomia regional, os curdos continuaram sendo muito oprimidos, discriminados e reprimidos neste pa\u00eds. Embora tenha direitos pol\u00edticos como cidad\u00e3os, o Estado turco n\u00e3o reconhece a exist\u00eancia de uma regi\u00e3o curda, mas a considera parte das regi\u00f5es da Anat\u00f3lia do Leste e do Sudeste, e n\u00e3o permite o uso do curdo como idioma oficial ou como segundo idioma. Al\u00e9m disso, discrimina-os economicamente: o desemprego nas regi\u00f5es curdas \u00e9 cinco vezes a m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Existe uma burguesia curda que participa das atividades econ\u00f4micas que l\u00e1 se desenvolvem. Sua principal express\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 o Partido Popular Democr\u00e1tico ou pela Paz e a Democracia (HDP), organiza\u00e7\u00e3o legal que tem muitos deputados no parlamento turco.<\/p>\n<p>No entanto, a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de maior peso na base \u00e9 o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o). Esta organiza\u00e7\u00e3o foi fundada em 1978 com uma ideologia que combinava a influ\u00eancia pol\u00edtica e organizativa do mao\u00edsmo com o nacionalismo curdo. Seu principal l\u00edder \u00e9 Abdulah Occalam (chamado Apo por seus seguidores). Em 1984, ele iniciou a luta armada contra o Estado turco, foi declarado ilegal e considerado \u201cterrorista\u201d. Occalam est\u00e1 preso desde 1999. E, a partir da pris\u00e3o, ele continua liderando sua organiza\u00e7\u00e3o, que se espalhou para os outros pa\u00edses onde vivem os curdos (S\u00edria, Iraque e Ir\u00e3), embora com outros nomes (por exemplo, o PYD de Rojava).<\/p>\n<p>Apo e sua corrente giraram ideologicamente \u00e0 direita e adotaram uma concep\u00e7\u00e3o (que denominam \u201cconfederalismo democr\u00e1tico\u201d) pela qual abandonaram a luta por um Estado curdo unificado e agora se limitam a reivindicar autonomias regionais nos pa\u00edses j\u00e1 citados. Mesmo na pris\u00e3o, ele aceitou a proposta de negocia\u00e7\u00f5es secretas oferecidas pelo governo de Erdogan e que se realizaram de modo intermitente, mas sem nenhuma aproxima\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es. O PKK permaneceu como uma organiza\u00e7\u00e3o militarizada que continua proibida e considerada \u201cterrorista\u201d.<\/p>\n<p><strong>O processo de Rojava acentua todas as contradi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Uma das principais quest\u00f5es a que burguesia turca enfrenta \u00e9 o \u201cproblema curdo\u201d e, neste sentido, a din\u00e2mica da autonomia de Basur e Rojava \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de Basur n\u00e3o significou nenhum problema. O governo de Barzani e o PDK tornaram-se s\u00f3cios econ\u00f4micos e pol\u00edticos de Erdogan, pois lhe fornecem quase todo o petr\u00f3leo que a Turquia necessita, enquanto a burguesia turca investe em Basur. Como reflexo disso, Erdogan recebeu Barzani em Ancara com honras de chefe de Estado. Al\u00e9m disso, Barzani desempenha um papel \u201cpacificador\u201d na burguesia e nos setores m\u00e9dios curdos da Turquia, a quem incentiva a se integrar \u00e0s \u201cinstitui\u00e7\u00f5es\u201d atrav\u00e9s do HDP.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, Rojava \u00e9 um fator profundamente desestabilizador da situa\u00e7\u00e3o. Objetivamente, o triunfo em Rojava \u00e9 um fator que incentiva a luta dos curdos na Turquia. A burguesia turca tamb\u00e9m est\u00e1 particularmente preocupada com o papel de lideran\u00e7a e influ\u00eancia do PKK em ambos os lados da fronteira (uma perigosa \u201cfronteira curda armada\u201d).<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a pol\u00edtica de Erdogan foi, inicialmente, alentar e apoiar o ISIS em seus ataques aos curdos. Mas a pol\u00edtica dos EUA (que depois analisaremos mais profundamente) foi enfrentar o ISIS e armar os curdos de Rojava como sua principal for\u00e7a de apoio nessa tarefa. Isto significou o \u201calerta vermelho\u201d para Erdogan, cujo governo afirmou que uma parte das armas entregues \u00e0s YPG acaba nas m\u00e3os das mil\u00edcias do PKK na Turquia.<\/p>\n<p>Mais tarde, Erdogan entendeu que o ISIS estava sendo irremediavelmente derrotado, enquanto as YPG e sua extens\u00e3o, as FDS, fortaleciam-se. Nesse contexto, tomou duas decis\u00f5es. A primeira e principal foi intervir militarmente de forma direta contra Rojava. A segunda, subordinada \u00e0 primeira, foi fazer um acordo conjuntural com a R\u00fassia (com quem havia se confrontado com a viola\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o a\u00e9reo turco por avi\u00f5es russos em seu trajeto para a S\u00edria) para \u201cautorizar\u201d aquelas opera\u00e7\u00f5es. Esse acordo com o governo de Putin foi definido no chamado \u201cconsenso de Sochi\u201d[3].<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o \u201cRamo de Oliveira\u201d foi definida em resposta ao an\u00fancio de que as YPG-FDS (depois de terem derrotado e expulsado o ISIS de Racqa) concentrariam 30.000 combatentes nessa fronteira (com o aparente aval dos EUA). Representa uma continuidade da pol\u00edtica que, de acordo com o pr\u00f3prio governo turco, visa formar uma \u201cfaixa de seguran\u00e7a\u201d em territ\u00f3rio s\u00edrio, de uns 30 km de largura, e ao longo de toda a fronteira at\u00e9 o limite com o Iraque, e assim obrigar as for\u00e7as curdas (e a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o) a \u201cafastar-se\u201d da Turquia.<\/p>\n<p>Agora, uma vez conquistado o aval de Trump, Erdogan dobra a aposta: consolidar esse \u201ccord\u00e3o militarizado\u201d na fronteira, ampliar a franja territorial que serve de \u201ccolch\u00e3o\u201d e, avan\u00e7ar sobre as principais cidades curdas, obrigando que suas popula\u00e7\u00f5es fujam para o sul da S\u00edria e leste (para Basur ou Curdist\u00e3o iraquiano). Processo que j\u00e1 come\u00e7ou a dar-se.<\/p>\n<p>No ataque de 2018, Erdogan gerou um \u201cfato consumado\u201d que obrigava o imperialismo estadunidense a escolher entre um aliado hist\u00f3rico, confi\u00e1vel e com mais peso regional (Turquia) e um aliado conjuntural e mais perigoso (YPG-FDS). As declara\u00e7\u00f5es de Erdogan n\u00e3o deixaram d\u00edvidas: \u201c<em>Os EUA entender\u00e3o que n\u00e3o v\u00e3o encontrar melhor aliado que a Turquia para trabalhar juntos na regi\u00e3o<\/em>\u201d<em>.<\/em> A aposta deu resultado e agora o governo Trump apoia sua pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>O giro na pol\u00edtica de Trump<\/strong><\/p>\n<p>O governo de Trump completa o giro na sua pol\u00edtica que j\u00e1 havia come\u00e7ado a ar em 2018, apoiando a Turquia de Erdogan, e deixando os curdos de Rojava lan\u00e7ados \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Inclusive, segundo a pr\u00f3pria Casa Branca, os curdos se veriam obrigados a entregar os presos do ISIS \u00e0s for\u00e7as turcas [4].<\/p>\n<p>A principal raz\u00e3o deste giro \u00e9, evidentemente, recuperar as boas rela\u00e7\u00f5es com um aliado hist\u00f3rico (Turquia) que, por diversos motivos (entre eles, o apoio aos curdos) estavam deterioradas. Mas tamb\u00e9m implica que seu governo se desvincule do conflito s\u00edrio deixando que sejam outros pa\u00edses e for\u00e7as os que acabem defendendo-o. Na sua maneira j\u00e1 cl\u00e1ssica de mensagens por twitter expressou que: \u201c<em>Os Estados Unidos n\u00e3o devem participar de guerras rid\u00edculas, guerras sem fim\u201d <\/em>[5].<\/p>\n<p>Este giro provocou um intenso debate dentro da burguesia imperialista. Nos EUA n\u00e3o somente foi criticada pelos democratas, mas tamb\u00e9m provocou uma crise dentro do pr\u00f3prio Partido Republicano: \u201c<em>O l\u00edder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, escreveu em um comunicado que uma sa\u00edda precipitada das for\u00e7as dos EUA da S\u00edria \u2018somente beneficiar\u00e1 a Russia, Iran e o regime de Assad\u2019\u201d <\/em>[6].<\/p>\n<p>Outros pa\u00edses imperialistas tamb\u00e9m o criticaram.<em>\u201c<strong>Jonathan Marcus,\u00a0correspondente de Seguran\u00e7a e Defesa da BBC, analisa que: <\/strong>\u2018O caos potencial poderia facilitar um ressurgimento do Estado Isl\u00e2mico. De fato, a retirada das for\u00e7as estadunidenses da zona fronteiri\u00e7a pode ser um sinal de uma futura retirada total das tropas da S\u00edria, algo que Trump sempre quis\u2019. <strong>\u00a0<\/strong>Para Marcus, esta decis\u00e3o \u2018<strong>marca uma trai\u00e7\u00e3o de\u00a0Washington<\/strong>\u00a0para com seus aliados curdos, uma trai\u00e7\u00e3o que muitos outros pa\u00edses da regi\u00e3o receberam como um alerta. Tanto os sauditas como os israelenses se est\u00e3o dando conta de que a ret\u00f3rica de Trump quase nunca coincide com suas a\u00e7\u00f5es\u2019\u201d <\/em>[7].<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>O papel contrarrevolucion\u00e1rio de Putin<\/strong><\/p>\n<p>Outro elemento central para compreender esta complexa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o papel do governo Putin e da R\u00fassia. Ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo e a queda da URSS e do aparelho stalinista internacional, a R\u00fassia retrocedeu na hierarquia internacional das na\u00e7\u00f5es e em sua capacidade de influenciar os processos pol\u00edticos no mundo. No aspecto econ\u00f4mico-financeiro, por exemplo, \u00e9 muito dependente da Europa e dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Nesta situa\u00e7\u00e3o de decl\u00ednio, o governo de Putin procura defender espa\u00e7os de influ\u00eancia; principalmente nas rep\u00fablicas da ex-URSS e em algumas outras do \u201cex-mundo socialista\u201d (como Ucr\u00e2nia e S\u00e9rvia), embora tamb\u00e9m procure alian\u00e7as com regimes como o iraniano. Apoia-se para isso no pr\u00f3prio enfraquecimento dos imperialismos ocidentais, suas contradi\u00e7\u00f5es e os \u201cvazios que deixam\u201d. Mas, centralmente, sustenta-se no poderio militar herdado da ex-URSS.<\/p>\n<p>No caso da S\u00edria, desde o in\u00edcio do processo revolucion\u00e1rio em 2011, sempre apoiou sem ambiguidades a ditadura genocida de Bashar al-Assad contra os rebeldes e forneceu-lhe muito armamento. A partir de setembro de 2015, come\u00e7ou uma interven\u00e7\u00e3o militar direta, que atualmente \u00e9 expressa em alguns milhares de soldados e armas terrestres e em uma forte presen\u00e7a da for\u00e7a a\u00e9rea. A desculpa foi \u201cajudar o governo de Assad a combater o ISIS\u201d. Mas a realidade \u00e9 que este apoio visa combater as for\u00e7as rebeldes da S\u00edria e expuls\u00e1-las das \u00e1reas que controlam.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao papel das for\u00e7as russas na guerra civil s\u00edria, a Rede S\u00edria de Direitos Humanos denunciou que \u201c<em>desde o in\u00edcio da interven\u00e7\u00e3o russa em apoio ao regime genocida de Bashar al-Assad, em setembro de 2015, at\u00e9 31 de dezembro de 2017, sua avia\u00e7\u00e3o matou 5.783 civis (entre eles 1.596 crian\u00e7as)\u2026 al\u00e9m de 817 ataques a instala\u00e7\u00f5es civis (das quais 141 eram instala\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas)<\/em>\u201d\u00a0[8].<\/p>\n<p><strong>A cumplicidade de Putin com o ataque turco<\/strong><\/p>\n<p>Como parte do consenso entre Trump e Putin, houve um acordo impl\u00edcito que estabelecia \u201c\u00e1reas de responsabilidade\u201d a oeste (R\u00fassia) e a leste (EUA) do rio Eufrates, para evitar confrontos diretos entre suas for\u00e7as ou entre seus aliados. Para evitar confrontos entre suas for\u00e7as ou entre seus aliados. Isso j\u00e1 foi expressado no ataque contra Afrin, em 2018.<br \/>\nNeste marco, fica evidente que o governo de Putin deu o OK a este novo ataque turco, liberando o espa\u00e7o a\u00e9reo para o avan\u00e7o das tropas turcas. \u00c9 o jogo permanente de um dirigente burgu\u00eas na defesa dos interesses da sua burguesia e de seu Estado que, tanto com a decis\u00e3o de Trump como com o ataque turco, se v\u00ea favorecido na sua pol\u00edtica de respaldo ao regime ditatorial de Al Assad para que recupere o controle do territ\u00f3rio da S\u00edria.<\/p>\n<p><strong>E quanto a Assad\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Como Bashar al-Assad e seu regime enfrentam este ataque? Nos anos imediatamente depois de 2011, Bashar ficou encurralado, perdeu o controle de uma parte importante do territ\u00f3rio s\u00edrio e estava prestes a cair ante a ofensiva militar dos rebeldes. Sobreviveu gra\u00e7as \u00e0 \u201cajuda externa\u201d: as mil\u00edcias libanesas de Hezbollah e o envio de armas pelo Ir\u00e3 e R\u00fassia. Como vimos, em 2015, as for\u00e7as militares russas entraram diretamente na guerra e permitiram uma forte ofensiva at\u00e9 o Leste, que destruiu as for\u00e7as rebeldes em muitos dos territ\u00f3rios que dominavam e fragmentou-as ao extremo.<\/p>\n<p>Do ponto de vista formal, o ataque turco \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o \u00e0 soberania da S\u00edria. Neste sentido, al-Assad e seu regime agiram formalmente, declarando que responderiam militarmente ao ataque. Mas, de fato, eles n\u00e3o fizeram nada e sequer pediram a Putin para det\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Embora pare\u00e7a contradit\u00f3rio, Bashar al-Assad beneficia-se do ataque turco. A tr\u00e9gua que ele estabeleceu com os curdos foi circunstancial: serviu para se concentrar no combate \u00e0s for\u00e7as rebeldes, ao mesmo tempo em que os curdos impediram o avan\u00e7o do ISIS na S\u00edria.<\/p>\n<p>Mas, apoiado pelos EUA, as YPG\/FDS fortaleceram-se militar e territorialmente. Essa \u00e9 uma amea\u00e7a estrat\u00e9gica para seu regime e para suas aspira\u00e7\u00f5es de recuperar o controle de todo o territ\u00f3rio s\u00edrio.<\/p>\n<p>Sob as atuais condi\u00e7\u00f5es, o ataque turco e seu triunfo s\u00e3o a melhor op\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 porque enfraqueceria as for\u00e7as curdas e as for\u00e7aria a retroceder, mas porque interrompe a alian\u00e7a entre os EUA e as YPG\/FDS.<\/p>\n<p><strong>Algumas considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p>Definimos a situa\u00e7\u00e3o da S\u00edria como um complexo \u201cpol\u00edgono de for\u00e7as\u201d. Essas for\u00e7as interv\u00eam e definem sua pol\u00edtica em uma combina\u00e7\u00e3o de interesses estrat\u00e9gicos e necessidades conjunturais e concretas. O \u201ctabuleiro s\u00edrio\u201d n\u00e3o s\u00f3 muda constantemente nos dom\u00ednios territoriais que cada setor possui, mas tamb\u00e9m nas alian\u00e7as e acordos que est\u00e3o se configurando. Nesse jogo, nunca devemos esquecer que, como no xadrez, existem reis, bispos e pe\u00f5es.<\/p>\n<p>Portanto, devido \u00e0 sua complexidade, se olharmos objetivamente, uma coisa \u00e9 clara: por tr\u00e1s do ataque turco estabeleceu-se um acordo contrarrevolucion\u00e1rio entre Erdogan, Putin, Trump, Assad, e os aiatol\u00e1s iranianos contra os curdos. De certa forma, \u00e9 o mesmo acordo que ajudou a infligir fortes derrotas a uma parte importante dos rebeldes s\u00edrios e fortalecer al-Assad.<\/p>\n<p>\u00c9 uma conclus\u00e3o que os curdos necessitam tirar: as \u201cgrandes pe\u00e7as\u201d (EUA e R\u00fassia) fazem seu pr\u00f3prio jogo em defesa de seus interesses, e os \u201cpe\u00f5es\u201d sempre podem ser sacrificados. A cegueira estrat\u00e9gica sobre a pol\u00edtica e as alian\u00e7as da dire\u00e7\u00e3o do PYD\/PKK (tr\u00e9gua com o regime de Al Assad, recha\u00e7o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a com os rebeldes s\u00edrio, aposta central no apoio do imperialismo estadunidense) cobra agora um pre\u00e7o alt\u00edssimo.<\/p>\n<p>N\u00e3o servem para nada os lamentos de que Trump os \u201c<strong>apunhalou pelas costas<\/strong>\u201d [9]. Era algo que se previa h\u00e1 muitos anos. N\u00e3o somos s\u00f3 n\u00f3s que dizemos, Manuel Martorell, autor do livro <em>Curdos<\/em>, publicado em 2016[10], antecipou frente ao ataque turco do do ano passado: \u201c<em>O que aconteceu em Afrin se repetir\u00e1 no norte da S\u00edria. Uma guerra que j\u00e1 estava acabando ser\u00e1 reaberta e isso provocar\u00e1 um terr\u00edvel desastre humanit\u00e1rio. Talvez milh\u00f5es de pessoas v\u00e3o ter que fugir pela fronteira do Iraque<\/em>\u201d. Agora agrega como conclus\u00e3o: \u201c<strong><em>Estados Unidos agiu como sempre<\/em><\/strong><em>, respondeu aos seus interesses estrat\u00e9gico<\/em>\u201d\u00a0[11].<\/p>\n<p>Seguramente, o povo e as mil\u00edcia curdas de Rojava lutar\u00e3o com o mesmo hero\u00edsmo com que lutaram nos anos anteriores contra o ISIS. Por\u00e9m sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil: atacados pelo ex\u00e9rcito turco, muito superior em tropas e armas, debilitados nos seus subministros, e amea\u00e7ados desde o oeste pelas tropas do regime de Al Assad.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso entender que o fim da opress\u00e3o que sofrem e a conquista de seu pr\u00f3prio Estado <strong>nunca <\/strong>ser\u00e3o alcan\u00e7ados pelas m\u00e3os de Trump ou de Putin. Embora possam aproveitar suas contradi\u00e7\u00f5es, eles ser\u00e3o sempre estrategicamente seus inimigos, e sempre preferir\u00e3o manter no jogo os seus \u201cbispos\u201d (como Assad, Erdogan ou os aiatol\u00e1s iranianos) e n\u00e3o os pe\u00f5es. E a pol\u00edtica de alian\u00e7as seguida pelo PYD\/PKK levou-os a essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A luta dos curdos s\u00f3 poder\u00e1 triunfar, em primeiro lugar, com a unidade do pr\u00f3prio povo curdo, independentemente do pa\u00eds em que s\u00e3o oprimidos. \u00c9 necess\u00e1rio exigir que os peshmergas de Basur venham em defesa de seus irm\u00e3os em Afrin. \u00c9 necess\u00e1rio exigir que as mil\u00edcias do PKK na Turquia (na medida de suas possibilidades) passem das meras declara\u00e7\u00f5es e apoiem os curdos de Rojava, do outro lado da fronteira.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, \u00e9 muito importante que os curdos de Rojava compreendam que a pol\u00edtica seguida pelo PYD-YPG-FDS (fazer uma tr\u00e9gua com Assad e atacar batalh\u00f5es dos rebeldes s\u00edrios e popula\u00e7\u00f5es controladas por eles) foi um crime pol\u00edtico, que agora se volta dramaticamente contra eles. \u00c9 necess\u00e1rio que fa\u00e7am um giro de 180\u00ba em sua pol\u00edtica e procurem imprescindivelmente uma alian\u00e7a com os setores mais progressistas das for\u00e7as opositoras a Assad que ainda combatem. Finalmente fazer um chamado de solidariedade internacional a todos os trabalhadores e as massas do mundo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa extensa an\u00e1lise, queremos terminar reafirmando nossa posi\u00e7\u00e3o: apoiamos e defendemos o campo militar dos curdos contra o ataque turco. Por essa raz\u00e3o, chamamos a realizar uma grande campanha internacional unit\u00e1ria por esse ponto.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>[1] Ver art\u00edculo en\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/medio-oriente\/siria\/defendamos-canton-kurdo-afrin-ante-ataque-del-ejercito-turco\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/medio-oriente\/siria\/defendamos-canton-kurdo-afrin-ante-ataque-del-ejercito-turco\/<\/a><\/p>\n<p>[2] La secci\u00f3n completa sobre Kurdist\u00e1n puede accederse en\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/page\/2\/?s=kurdistan\">https:\/\/litci.org\/es\/page\/2\/?s=kurdistan<\/a>. Recomendamos especialmente el art\u00edculo \u201cSobre la lucha del pueblo kurdo\u201d en\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/sobre-la-lucha-del-pueblo-kurdo\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/sobre-la-lucha-del-pueblo-kurdo\/<\/a><\/p>\n<p>[3] Reuniones realizadas en la ciudad rusa de Sochi, en los meses finales de 2017, entre los gobiernos de Rusia, Ir\u00e1n y Turqu\u00eda para acordar pol\u00edticas comunes para intervenir en Siria.<\/p>\n<p>[4]\u00a0<a href=\"https:\/\/newrepublic.com\/article\/155307\/trump-withdraws-syria-america-screwing-kurds-yet?fbclid=IwAR0ZUwZpxsJEXcSapbXUgL8l86FNZxHgh1OS3lYGINMLAnkCzHsipw8O5EA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/newrepublic.com\/article\/155307\/trump-withdraws-syria-america-screwing-kurds-yet?fbclid=IwAR0ZUwZpxsJEXcSapbXUgL8l86FNZxHgh1OS3lYGINMLAnkCzHsipw8O5EA<\/a><\/p>\n<p>[5]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dAt3fmVmSW0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dAt3fmVmSW0<\/a><\/p>\n<p>[6]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-internacional-49959967\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-internacional-49959967<\/a><\/p>\n<p>[7] \u00cddem.<\/p>\n<p>[8]\u00a0<a href=\"http:\/\/sn4hr.org\/blog\/2018\/01\/27\/51291\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/sn4hr.org\/blog\/2018\/01\/27\/51291\/<\/a><\/p>\n<p>[9] \u00cddem nota [6].<\/p>\n<p>[10]\u00a0<a href=\"https:\/\/rojavaazadimadrid.org\/kurdos-un-nuevo-libro-de-manuel-martorell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/rojavaazadimadrid.org\/kurdos-un-nuevo-libro-de-manuel-martorell\/<\/a><\/p>\n<p>[11] Idem nota [6].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta semana, por ordem do presidente Recep Tayyip Erdogan, o ex\u00e9rcito turco iniciou um ataque e uma invas\u00e3o sobre os cant\u00f5es curdos localizados no nordeste do territ\u00f3rio s\u00edrio. A a\u00e7\u00e3o foi respaldada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que previamente determinou a retirada de 2 mil soldados estadunidenses desta regi\u00e3o e, com isso, a ruptura [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":30143,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[5224,417],"tags":[7902,694,6881],"class_list":["post-30142","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curdistao","category-turquia","tag-curdistao","tag-erdogan","tag-rojava"],"fimg_url":false,"categories_names":["Curdist\u00e3o","Turquia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30142\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}