{"id":29995,"date":"2019-10-08T12:00:40","date_gmt":"2019-10-08T14:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=29995"},"modified":"2019-10-08T12:00:40","modified_gmt":"2019-10-08T14:00:40","slug":"continua-a-revolucao-no-sudao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/10\/08\/continua-a-revolucao-no-sudao\/","title":{"rendered":"Continua a revolu\u00e7\u00e3o no Sud\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>J\u00e1 s\u00e3o meses de reviravoltas revolucion\u00e1rias em Cartum, que incluem: grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de massas, crises institucionais, deposi\u00e7\u00e3o e pris\u00e3o do brutal ditador Omar Hassan Ahmad al-Bashir, repress\u00e3o brutal, greve geral e cerco do quartel-general militar e presidencial, entre outros acontecimentos.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando o ministro da Defesa, Ahmad Awad Ibn Auf anunciou o fim do governo de al-Bashir, em abril, ele tamb\u00e9m anunciou a forma\u00e7\u00e3o do Conselho Militar de Transi\u00e7\u00e3o que iria assumir o poder pol\u00edtico pelos pr\u00f3ximos dois anos e s\u00f3 ent\u00e3o haveria novas elei\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Asdr\u00fabal Barboza<\/p>\n<p>O General Abdul Fattah al-Burhan assumiu o comando do CMT, a constitui\u00e7\u00e3o arqui-reacion\u00e1ria foi suspensa, mas imp\u00f4s um estado de emerg\u00eancia por tr\u00eas meses, com um toque de recolher todas as noites a partir das 22 horas. Seu adjunto passou a ser o sanguin\u00e1rio general Abdelfattah Mohamed Hamdan Dagalo, comandante da famigerada For\u00e7a de A\u00e7\u00e3o R\u00e1pida (FAR \u2013 uma tropa paramilitar sucessora dos Janjaweed) que agora atua tamb\u00e9m no I\u00e9men, ao lado da Ar\u00e1bia Saudita, e que durante a guerra civil do Darfur deu cobertura a atrocidades e um verdadeiro genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Este an\u00fancio foi apresentado como uma proposta antiregime ditatorial e de uma \u201c<em>transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica\u201d<\/em> feitas por um alto comando militar que serviu a al-Bashir por d\u00e9cadas e que agora se pretendia apresentar de amigo do povo, para recuperar o controle e sufocar a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em resposta uma greve geral foi organizada para o 28 de maio, para conquistar um poder civil e um regime democr\u00e1tico, que pudesse tirar o Sud\u00e3o da grave crise econ\u00f4mica na qual se encontra.\u00a0Isso porque no Sud\u00e3o est\u00e1 em curso uma revolu\u00e7\u00e3o, que mobiliza milh\u00f5es de trabalhadores, camponeses, pobres urbanos e de classe m\u00e9dia.\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 se satisfazendo com a ren\u00fancia de Omar al-Bashir e exige a queda de todo o regime do Partido do Congresso Nacional (PCN), que fingiu sair do poder.<\/p>\n<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o que se iniciou com o an\u00fancio do aumento no pre\u00e7o do p\u00e3o e da gasolina, em um pa\u00eds com um desemprego imenso, infla\u00e7\u00e3o em alta, fome e mis\u00e9ria; onde cerca de 80% da popula\u00e7\u00e3o vive com menos de US$ 1 por dia e quase 2,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as sofrem de desnutri\u00e7\u00e3o severa. Situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que foi agravada com a secess\u00e3o do Sud\u00e3o do Sul, em 2011, que privou o pa\u00eds de tr\u00eas quartos de suas receitas de petr\u00f3leo e com um governo que direcionava cerca de 80% das receitas nacionais para as for\u00e7as de seguran\u00e7a e for\u00e7as armadas.\u00a0Al\u00e9m de estar profundamente envolvido em uma corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 80, o pa\u00eds vive um clima de v\u00e1rias guerras civis, com conflitos no Sul e nas prov\u00edncias do leste. Um pa\u00eds de 27 milh\u00f5es de habitantes onde s\u00f3 a repress\u00e3o \u00e0 rebeli\u00e3o no Sul, e a fome, causaram a morte de 1,5 milh\u00e3o de pessoas e provocou o deslocamento for\u00e7ado de 5 milh\u00f5es.\u00a0Um pa\u00eds onde h\u00e1 lugares com trabalho escravo de milhares de pessoas, majoritariamente mulheres e crian\u00e7as do sul do pa\u00eds (Prov\u00edncias de Darfur e Kordofan), capturados, e levados para o norte.<\/p>\n<p>As mulheres t\u00eam estado desde o in\u00edcio deste processo cumprindo um papel de vanguarda, principalmente as jovens.\u00a0Simbolizadas pela figura de Alaa Salah, \u201ca<em> mulher em cima de um carro<\/em>\u201d a gritar <strong>\u201cThowra!\u201d: REVOLU\u00c7\u00c3O!<\/strong><\/p>\n<p><strong>A primavera tardia<\/strong><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o no Sud\u00e3o \u00e9 uma sequ\u00eancia tardia das \u00abPrimaveras \u00c1rabes\u00bb de 2011, parte de um processo desigual e combinado que abarca toda a \u00c1frica e o Oriente M\u00e9dio, da mesma maneira que a \u00abhirak\u00bb argelina.<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 pac\u00edfica <\/strong><\/p>\n<p>Os verdadeiros revolucion\u00e1rios sudaneses devem fazer um balan\u00e7o do que ocorreu com a Primavera \u00c1rabe em pa\u00edses como Tun\u00edsia e Egito, onde apesar de toda a luta, a repress\u00e3o contra os manifestantes foi grande.<\/p>\n<p>No Sud\u00e3o isso tamb\u00e9m ocorre simbolicamente no anivers\u00e1rio de trinta anos do massacre de Tiananmen, os militares sudaneses utilizaram a viol\u00eancia e mortes para acabar com o cerco \u00e0s suas institui\u00e7\u00f5es, e as manifesta\u00e7\u00f5es por democracia. Realizaram um banho de sangue que matou mais<strong> de 100 pessoas<\/strong><strong>,\u00a0violaram outras 70 e\u00a0feriram cerca de 500.<\/strong><\/p>\n<p>Para tentar abafar as consequ\u00eancias deste massacre o governo desligou a Internet de todo o pa\u00eds durante pelo menos uma semana.<\/p>\n<p>Mesmo assim os membros do Conselho Militar admitiram que cometeram abusos e prometeram investig\u00e1-los. Uma mentira j\u00e1 que a a\u00e7\u00e3o violenta foi encabe\u00e7ada pelo grupo paramilitar For\u00e7as de A\u00e7\u00e3o R\u00e1pida (FAR) ligada ao governo provis\u00f3rio, grupos paramilitares e mil\u00edcias armadas, que operavam nas minas de ouro e f\u00e1bricas a servi\u00e7o das empresas transnacionais, para efetivar o trabalho escravo for\u00e7ado.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o dos estupros neste ataque n\u00e3o foi um ato aleat\u00f3rio porque a participa\u00e7\u00e3o feminina no processo revolucion\u00e1rio sudan\u00eas tem muito peso. Por isso os grupos paramilitares quiseram puni-las em particular, com a viol\u00eancia sexual, buscando humilh\u00e1-las e desmoraliz\u00e1-las.<\/p>\n<p>Os manifestantes haviam chegado a este local em abril, onde muitos j\u00e1 esperavam uma repress\u00e3o brutal, pela pol\u00edcia, o NISS (Servi\u00e7o Nacional de Intelig\u00eancia e Seguran\u00e7a), e a mil\u00edcia FAR. Mas o ex\u00e9rcito deixou-os passar para a \u00e1rea militar do QG. O grande apoio popular dividiu o ex\u00e9rcito e criou simpatia entre os corpos militares de base.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o foi principalmente entre oficiais subalternos, suboficiais e soldados que chegaram a defender os manifestantes nos contra-ataques das mil\u00edcias e dos bandidos do NISS.\u00a0Por isso muitos oficiais foram vistos misturados aos manifestantes e carregados nos ombros, indicando a liga\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Isso demonstra que a \u00fanica sa\u00edda para os trabalhadores do Sud\u00e3o e da Arg\u00e9lia \u00e9 seguir com o processo revolucion\u00e1rio at\u00e9 o fim, quebrar os aparatos de repress\u00e3o e as institui\u00e7\u00f5es do Estado.\u00a0A primeira tarefa \u00e9 derrubar a ditadura que se mant\u00e9m, ainda mais depois que o chefe do Estado-Maior do Ex\u00e9rcito, Kamal Abdelmarouf, alertou: &#8220;<em>N\u00e3o permitiremos que o Estado sudan\u00eas entre em colapso ou caia no caos<\/em>&#8220;. O que significa a total disposi\u00e7\u00e3o de sufocar a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tribunais v\u00eam sentenciando centenas de ativistas a pris\u00e3o, incluindo mulheres. Algumas delas punidas at\u00e9 com chicotadas.\u00a0Jornais da oposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o impedidos de publicar not\u00edcias da revolu\u00e7\u00e3o e quase 100 jornalistas j\u00e1 foram presos.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora a repress\u00e3o n\u00e3o intimidou o movimento.\u00a0Milhares continuam indo \u00e0s ruas desafiando a repress\u00e3o e se enfrentando ao regime.<\/p>\n<p><strong>Apoio de classe internacional<\/strong><\/p>\n<p>Os generais sudaneses contam com muito apoio dos governos internacionais, desde os ditatoriais do Egito, de Abdul Fatah Al-Sissi passando por Mohammad Bin Salman da Ar\u00e1bia Saudita (que pagou cerca de 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por 10.000 soldados sudaneses para lutarem em sua guerra no I\u00e9men), mas tamb\u00e9m Donald Trump, Vladimir Putin e Benyamin Netanyahu. Assim como da maioria dos governos da Uni\u00e3o Europeia que apoiam o &#8220;Processo de Cartum&#8221; que busca impedir que refugiados atravessem o Mediterr\u00e2neo, efetivados pelo regime sudan\u00eas.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Em 16 de abril, a Uni\u00e3o Africana (UA), exigiu a entrega do poder aos civis no prazo de 15 dias, sob pena de exclus\u00e3o do Sud\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o, mas em 23 de abril alargou o prazo por mais tr\u00eas meses.<\/p>\n<p>Isso demonstra que somente as organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora e os movimentos sociais em todo o mundo poder\u00e3o apoiar a revolu\u00e7\u00e3o no Sud\u00e3o e exigir que seus governos parem de apoiar um regime militar no pa\u00eds. Respondendo ao chamado dos combatentes sudaneses: <strong><em>\u201cAs balas n\u00e3o nos matam, o sil\u00eancio sim\u201d!<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Neste sentido a presen\u00e7a dos ativistas sudaneses no 4\u00ba Congresso da CSP CONLUTAS no Brasil foi um momento important\u00edssimo para concretizar esta solidariedade internacional. A solidariedade internacional da classe trabalhadora \u00e9 um elemento chave para a vit\u00f3ria revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Seguir com a revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os setores mais organizados da oposi\u00e7\u00e3o burguesa falam em \u201c<em>governo de especialistas patri\u00f3ticos<\/em>\u201d, que acabaria aplicando um programa de concilia\u00e7\u00e3o com os interesses do grande capital e do imperialismo estrangeiro, sem falar que manteria impunes os generais assassinos.<\/p>\n<p>Os principais l\u00edderes do Partido do Congresso Sudan\u00eas (PCS) e do Partido Umma (PU) negociam com o Conselho Militar, anunciando que a revolu\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou seus objetivos e que todos deveriam ir para casa. \u00a0Membros da\u00a0<em>Frente Nacional de Mudan\u00e7a\u00a0<\/em>(FNM) elogiaram as For\u00e7as Armadas e as decis\u00f5es de libertar os presos pol\u00edticos, pedindo julgamentos justos aos corruptos e \u00e0queles que mataram revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas as organiza\u00e7\u00f5es da classe oper\u00e1ria e da juventude (como a UPF, organiza\u00e7\u00e3o estudantil de Darfur), e apoiadores do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Sud\u00e3o, n\u00e3o aceitam esta concilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora e setores mais explorados da sociedade devem responder e se organizar para enfrentar a repress\u00e3o e derrubar definitivamente o regime que luta para sobreviver. Para isso \u00e9 fundamental a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o, com todos os setores da sociedade, que estejam por derrubar o regime, se poss\u00edvel organizando e preparando uma greve geral. Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental buscar se aliar com os soldados, marinheiros e pessoal da for\u00e7a a\u00e9rea, para entrar nesta luta, unindo-se \u00e0s massas nas ruas e trazendo suas armas para a autodefesa.<\/p>\n<p>Junto com isso \u00e9 fundamental que a classe construa suas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es independentes, seu partido pol\u00edtico e seus organismos de luta, que apontem a perspectiva de avan\u00e7ar a revolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o completada dos aparatos de repress\u00e3o do Estado e a expropria\u00e7\u00e3o dos grandes burgueses e das multinacionais imperialistas.<\/p>\n<p>A Liga Socialista Internacional da Inglaterra e a Liga Internacional dos Trabalhadores apoiam a revolu\u00e7\u00e3o no Sud\u00e3o e exigem que se pare imediatamente o com\u00e9rcio do governo brit\u00e2nico e os neg\u00f3cios do Reino Unido com a ditadura militar do Sud\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Uma hist\u00f3ria desprezada.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por racismo a cultura sudanesa sempre foi desprezada e subestimada. O <\/strong>jornalista racista franc\u00eas Christophe Ayad chegou a definir o pa\u00eds como \u00ab<em>demasiado negro para ser \u00e1rabe e demasiado \u00e1rabe para ser africano<\/em>\u00bb, seguindo a \u00abBilal al Sud\u00e3o\u00bb (pa\u00eds dos negros, em \u00e1rabe), assim chamado no s\u00e9culo XI.<\/p>\n<p>O racismo dos colonizadores europeus no s\u00e9culo XIX, fez com que considerassem os negros demasiado selvagens e atrasados para terem uma hist\u00f3ria, eternizando o\u00a0preconceito.<\/p>\n<p>Os sudaneses s\u00e3o descendentes do Reino de Cuxe, da regi\u00e3o do\u00a0 N\u00fabia, localizado nas aflu\u00eancias do Nilo Azul, Nilo Branco e Rio Atbara, fruto da desintegra\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio do Egito antigo. Seu rei C\u00e1chita invadiu o Egito no s\u00e9culo VIII A.C., e os reis cuxitas ordenaram-se fara\u00f3s da 25\u00aa dinastia do Egito, antes de serem derrotados e expulsos pelos ass\u00edrios. O Reino de Cuxe \u00e9 mencionado na B\u00edblia como tendo salvado os israelitas da ira dos ass\u00edrios.<\/p>\n<p>Pir\u00e2mides e est\u00e1tuas monumentais dos fara\u00f3s negros foram descobertas em 2003. Mesmo assim a maioria dos historiadores continua considerando as influ\u00eancias cultural e militar \u00e1rabes como os elementos determinantes da identidade\u00a0sudanesa.<\/p>\n<p>As mulheres sudanesas mostraram o contr\u00e1rio ao assumirem o nome de \u00abKandakas\u00bb, t\u00edtulo das rainhas guerreiras de M\u00e9roe<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, inclusive com suas vestes, como a estudante Alaa Salah, \u00ab\u00edcone da revolu\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>O Sud\u00e3o s\u00f3 foi incorporado ao mundo \u00e1rabe na expans\u00e3o isl\u00e2mica do s\u00e9culo VII. Entre 1820 e 1822 foi conquistado e unificado pelo Egito e posteriormente dominado pelo Reino Unido. Em 1881 iniciou uma revolta nacionalista chefiada por Maom\u00e9 Amade, M\u00e1di, que expulsou os ingleses em 1885. Os brit\u00e2nicos retomaram o Sud\u00e3o em 1898 e obtiveram a autonomia limitada em 1953 e independ\u00eancia total em 1956.<\/p>\n<p>Em 1964 foi palco da primeira revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e1rabe. Com a primeira mulher \u00e1rabe eleita deputada, F\u00e1tima Ibrahim (falecida em 2017), que se reivindicava feminista, mu\u00e7ulmana e comunista, fundadora em 1952 da Uni\u00e3o das Mulheres Sudanesas.<\/p>\n<p>O partido comunista sudan\u00eas foi fundado em 1946, foi o mais influente do mundo \u00e1rabe e um ator central da pol\u00edtica sudanesa, mesmo com suas capitula\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas frente populistas, e apoio ao regime militar de Gafar al Numeri, que ajudaram a tomar o poder em 1969 e que enforcou seus principais dirigentes.<\/p>\n<p>O Sud\u00e3o teve um poderoso movimento sindical estruturado com os ferrovi\u00e1rios de Atbara, os estivadores de Port Sudan e os trabalhadores agr\u00edcolas da plan\u00edcie de Gezirah, maior celeiro do Corno de\u00a0\u00c1frica.<\/p>\n<p><strong>Do Sud\u00e3o a revolta dos males<\/strong><\/p>\n<p>Veio do Sud\u00e3o a maioria dos escravos mu\u00e7ulmanos na Bahia, nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XVII, influenciando na configura\u00e7\u00e3o \u00e9tnica da popula\u00e7\u00e3o. Foram cerca de 100 a 150 mil escravos do Sud\u00e3o Central que cruzaram o Atl\u00e2ntico, entre Hau\u00e7\u00e1s, Nupes, Bornos, Borgus e outros povos islamizados do norte da Iorubal\u00e2ndia, que chegaram massivamente ao Brasil.<\/p>\n<p>Como muitos eram guerreiros estabeleceram os padr\u00f5es de resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o na Bahia, que culminaram na Revolta dos Mal\u00ea de 1835, como a tradi\u00e7\u00e3o militar fundada na solidariedade religiosa e num compromisso com a Guerra Santa. Por isso as revoltas baianas seguiram um padr\u00e3o que sugere fortes semelhan\u00e7as com a jihad que se alastrava pelo Sud\u00e3o Central no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Cerca de 115 milh\u00f5es de pessoas (Eti\u00f3pia: 96,6 milh\u00f5es, Som\u00e1lia: 15,4 milh\u00f5es, Eritreia: 6,4 milh\u00f5es e Djibouti: 810 mil) vivem na \u00e1rea coberta por este acordo. A UE da financiamentos para impedir a emigra\u00e7\u00e3o por meio da captura, deten\u00e7\u00e3o e, em alguns casos, tortura de refugiados e outros migrantes pelas autoridades l\u00edbias e sudanesas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> A mais celebre foi Amanishakheto que deteve as legi\u00f5es de Cesar Augusto e selou com ele em 24 AC o Tratado de Samos que deu origem a rela\u00e7\u00f5es comerciais entre os dois imp\u00e9rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 s\u00e3o meses de reviravoltas revolucion\u00e1rias em Cartum, que incluem: grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de massas, crises institucionais, deposi\u00e7\u00e3o e pris\u00e3o do brutal ditador Omar Hassan Ahmad al-Bashir, repress\u00e3o brutal, greve geral e cerco do quartel-general militar e presidencial, entre outros acontecimentos. Quando o ministro da Defesa, Ahmad Awad Ibn Auf anunciou o fim do governo de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":29996,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4344],"tags":[713,7334],"class_list":["post-29995","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sudao","tag-asdrubal-barboza","tag-revolucao-sudao"],"fimg_url":false,"categories_names":["Sud\u00e3o"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29995","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29995"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29995\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}