{"id":29860,"date":"2019-09-30T12:19:49","date_gmt":"2019-09-30T14:19:49","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=29860"},"modified":"2019-09-30T12:19:49","modified_gmt":"2019-09-30T14:19:49","slug":"a-natureza-da-segunda-guerra-mundial-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/09\/30\/a-natureza-da-segunda-guerra-mundial-parte-1\/","title":{"rendered":"A natureza da Segunda Guerra Mundial (Parte 1)"},"content":{"rendered":"<p><em>Em setembro de 1939, o ex\u00e9rcito da Alemanha invadiu a Pol\u00f4nia com o objetivo de anexar esse pa\u00eds. Este fato foi o que desencadeou a Segunda Guerra Mundial, que se estenderia at\u00e9 1945.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>Foi o maior conflito b\u00e9lico que j\u00e1 viveu a humanidade at\u00e9 hoje: no total, se mobilizaram mais de 100 milh\u00f5es de combatentes e se estima que ocasionou mais de 50 milh\u00f5es de mortes, entre as baixas militares e os civis afetados pelos efeitos da guerra.<\/p>\n<p>Intervieram dezenas de na\u00e7\u00f5es, alinhadas em dois blocos. Por um lado, os <strong>Aliados, <\/strong>cujos principais membros iniciais foram Fran\u00e7a e Inglaterra, aos quais se somou a URSS (logo depois da invas\u00e3o nazi, em meados de 1941) e os EUA (depois do ataque japon\u00eas na base aeronaval de Pearl Harbor, no Hava\u00ed, no final de 1941). Por outro lado, o <strong>Eixo<\/strong>\u00b8 constitu\u00eddo centralmente por Alemanha (sob o regime nazi encabe\u00e7ado por Adolf Hitler); It\u00e1lia (dominada pelo regime fascista de Benito Mussolini) e o imp\u00e9rio japon\u00eas.<\/p>\n<p>O militar prussiano Carl von Clausewitz dizia que \u201c<em>a guerra \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica por outros meios\u201d <\/em>[1]. Este conceito foi reivindicado por Lenin em seu trabalho sobre a I Guerra Mundial, a partir de um enfoque marxista: as guerras, como a \u201cpol\u00edtica\u201d, expressam a defesa dos interesses de classe e os conflitos desses interesses, entre a burguesia e o proletariado, e entre as distintas fra\u00e7\u00f5es da burguesia, em n\u00edvel nacional e internacional [2].<\/p>\n<p>A partir deste crit\u00e9rio de classe, tentaremos abordar uma an\u00e1lise do que Lenin chamava \u201c<em>a natureza particular de cada guerra\u201d <\/em>(contra o enfoque que aplica o \u201c<em>pacifismo vulgar\u201d<\/em> que iguala todas as guerras), para determinar uma posi\u00e7\u00e3o marxista revolucion\u00e1ria frente a ela.<\/p>\n<p>A Segunda Guerra Mundial j\u00e1 \u00e9 parte da hist\u00f3ria, mas suas consequ\u00eancias influenciaram toda a hist\u00f3ria mundial posterior. \u00c9 muito importante, ent\u00e3o, compreender sua \u201cnatureza\u201d, e esse ser\u00e1 o objetivo deste primeiro artigo. Antecipando seu conte\u00fado, consideramos (ainda que j\u00e1 foi feito por outros autores e historiadores) como uma combina\u00e7\u00e3o complexa de v\u00e1rias guerras de naturezas diferentes.<\/p>\n<p><strong>A origem da guerra<\/strong><\/p>\n<p>A I Guerra Mundial (1914-1918) foi uma guerra inter-imperialista que modificou a correla\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias imperialistas da \u00e9poca [3], reconfigurou o mapa da Europa, e tamb\u00e9m o das posses coloniais que haviam sido pactuadas na Confer\u00eancia de Berlin [4].<\/p>\n<p>Os imp\u00e9rios de duas pot\u00eancias derrotadas (\u00c1ustria-Hungria e Turquia) foram desmantelados e suas posses deram origem a novos pa\u00edses independentes ou foram repartidos entre as pot\u00eancias triunfantes (Inglaterra e Fran\u00e7a). Alemanha perdeu suas posses africanas e foi submetida a humilhantes condi\u00e7\u00f5es de \u201crepara\u00e7\u00e3o de guerra\u201d no Tratado de Versalhes (1919).<\/p>\n<p>A guerra tamb\u00e9m teve suas consequ\u00eancias negativas entre as pot\u00eancias que haviam feito parte do bloco vitorioso, como a Inglaterra e a Fran\u00e7a, que iniciavam uma lenta, mas progressiva decad\u00eancia. A It\u00e1lia, apesar de ter sido parte do campo triunfante, sa\u00eda com uma crise econ\u00f4mica-social grav\u00edssima. N\u00e3o foi o caso do Jap\u00e3o que aproveitou o conflito para ampliar seus dom\u00ednios no Pac\u00edfico Ocidental, especialmente na China. Enquanto os Estados Unidos, que havia ingressado nesse bloco somente em 1917, emergia como o pa\u00eds imperialista mais din\u00e2mico e poderoso.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a consequ\u00eancia mais importante da guerra foi a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro de 1917 na R\u00fassia e a constru\u00e7\u00e3o do primeiro Estado Oper\u00e1rio da hist\u00f3ria. Um ator novo e diferente entrava no palco, e gerava uma onda expansiva na Europa e no mundo. Um fator que at\u00e9 esse momento nunca tinha acontecido na pol\u00edtica mundial (nem nas guerras). Iniciava-se o que Lenin denominou de \u201c<em>a \u00e9poca de guerras e revolu\u00e7\u00f5es<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Os problemas n\u00e3o resolvidos<\/strong><\/p>\n<p>A Primeira Guerra Mundial havia deixado sem resolu\u00e7\u00e3o a defini\u00e7\u00e3o de <strong>hegemonia imperialista internacional, <\/strong>assim como numerosos conflitos nacionais e regionais entre as na\u00e7\u00f5es e dentro das press\u00f5es coloniais e \u00e1reas de influ\u00eancia. Nesse contexto, uma resolu\u00e7\u00e3o da III Internacional em 1922 previa: \u201c<em>As tentativas das grandes pot\u00eancias imperialistas de criar uma base permanente para seu predom\u00ednio mundial fracassaram lamentavelmente devido a seus interesses contradit\u00f3rios. A \u201cgrande obra de paz\u201d se arruinou. As grandes pot\u00eancias armam a seus Estados vassalos frente a uma nova guerra. O militarismo est\u00e1 mais fortalecido que nunca. E ainda que a burguesia teme ansiosamente uma nova revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria com uma guerra mundial, as leis internas da ordem social capitalista tendem irresistivelmente a um novo conflito mundial\u201d. [5].<\/em><\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o se limitavam nas disputas entre \u201cvencedores e vencidos\u201d, mas se expressavam com muita agudeza dentro do pr\u00f3prio campo dos vencedores. Inglaterra (at\u00e9 ent\u00e3o <em>primus interpares<\/em>) havia sido vitoriosa, mas como dissemos, iniciava um processo de decad\u00eancia e precisava defender seu espa\u00e7o (o mesmo vale para outras pot\u00eancias europeias sobreviventes). Os Estados Unidos emergia como a pot\u00eancia mais forte, mas, at\u00e9 o momento estava concentrado na submiss\u00e3o da Am\u00e9rica Latina como seu \u201cquintal\u201d, e havia incorporado poucas posses ultramar: Hava\u00ed, como \u201cEstado da Uni\u00e3o\u201d em 1898, e Filipinas, como posse colonial, nesse mesmo ano [6].<\/p>\n<p><strong>A ascens\u00e3o do fascismo<\/strong><\/p>\n<p>A burguesia imperialista estadunidense come\u00e7ava a colocar seus \u00e1vidos olhos no resto do mundo e a Inglaterra aparecia como o rival a superar (diminu\u00eda a amea\u00e7a alem\u00e3 e um pouco distante as aspira\u00e7\u00f5es japonesas). Trotsky inclusive chegou a trabalhar com a hip\u00f3tese de que este poderia ser o centro do conflito em uma nova guerra mundial.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a realidade seguiu outro curso. A Revolu\u00e7\u00e3o Russa havia gerado uma onda expansiva para o ocidente europeu que alcan\u00e7ava a pr\u00f3pria Alemanha, provocava a ca\u00edda do regime do Kaiser (imperador) e o surgimento de uma d\u00e9bil rep\u00fablica burguesa.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a da revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista era um perigo presente e imediato. A tentativa de liquidar a experi\u00eancia do Estado oper\u00e1rio russo e seu pr\u00f3prio nascimento, com a interven\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios ex\u00e9rcitos imperialistas e a guerra civil havia sido derrotada. Para enfrentar a revolu\u00e7\u00e3o em seus pr\u00f3prios pa\u00edses, as institui\u00e7\u00f5es da democracia burguesa pareciam insuficientes.<\/p>\n<p>Nesse contexto, setores da burguesia imperialistas come\u00e7avam a impulsionar o fascismo como pol\u00edtica global de choque, capaz de derrotar a revolu\u00e7\u00e3o [7]. Seu primeiro triunfo se deu na It\u00e1lia nos finais de 1922, quando milhares de \u201ccamisas pretas\u201d de Benito Mussolini tomaram o poder em Roma (ante a passividade do ex\u00e9rcito e a pol\u00edcia). Foi a resposta da burguesia italiana ao chamado \u201cbi\u00eanio vermelho\u201d (1919-1921), uma potente onda de greves e forma\u00e7\u00e3o de conselhos de f\u00e1bricas, com duros enfrentamentos com a repress\u00e3o. A burguesia aproveitou a brecha que deixava o fato que este ascenso revolucion\u00e1rio n\u00e3o havia levado at\u00e9 a tomada do poder pela classe oper\u00e1ria [8].<\/p>\n<p>O triunfo mais importante deste avan\u00e7o do fascismo se deu, sem d\u00favidas na Alemanha, a partir da ascens\u00e3o de Adolf Hitler e o Partido Nacional-Socialista (nazi) ao poder a partir de 1933. O Reichstag (parlamento) foi fechado e em agosto de 1934, depois da morte do presidente Paul von Hindenburg, Hitler se declarou <em>furher <\/em>(condutor ou l\u00edder) da Alemanha.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel entender a ascens\u00e3o do nazismo ao poder sem considerar a derrota ou o fracasso de v\u00e1rios processos revolucion\u00e1rios pr\u00e9vios do proletariado alem\u00e3o, como o de 1918-1919 (por imaturidade ou inexist\u00eancia de um verdadeiro partido revolucion\u00e1rio) e o de 1923 (por indecis\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o comunista alem\u00e3). E, fundamentalmente, a pol\u00edtica criminosa que impulsionou o PC alem\u00e3o a partir das orienta\u00e7\u00f5es da III Internacional dirigida pelo estalinismo, o que levou Trotsky a romper com ela com a conclus\u00e3o de que \u201c<em>estava morta como organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do proletariado\u201d<\/em>[9].<\/p>\n<p>Em n\u00edvel nacional, o fascismo (inclu\u00edmos o nazismo nessa defini\u00e7\u00e3o) implica a derrota da revolu\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o de toda a organiza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria com m\u00e9todos de guerra civil. Mas sendo este seu objetivo central, implica tamb\u00e9m a destrui\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es da democracia burguesa e a instaura\u00e7\u00e3o de um regime qualitativamente diferente. \u00c9 um elemento mito importante que depois retomaremos.<\/p>\n<p><strong>Primeiro componente: uma guerra inter-imperialista<\/strong><\/p>\n<p>A burguesia imperialista alem\u00e3 aspirava, atrav\u00e9s do regime nazi, a uma amplia\u00e7\u00e3o qualitativa de seus espa\u00e7os geogr\u00e1ficos de dom\u00ednio e, especialmente, se transformar em pot\u00eancia hegem\u00f4nica na Europa. Esse \u00e9 o significado profundo dos conceitos de Lebensraum (\u201cespa\u00e7o vital\u201d) e de \u201csuperioridade da ra\u00e7a ariana\u201d que postulava a ideologia nazi. A burguesia e o fascismo italiano se acoplavam como s\u00f3cios menores neste projeto. E, no Oriente M\u00e9dio, o Jap\u00e3o pretendia deslocar a Inglaterra como velha pot\u00eancia dominante do Pacifico oriental, e disputar com os Estados Unidos esse dom\u00ednio. Para as burguesias imperialistas brit\u00e2nica e francesa, isso representava uma n\u00edtida amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Podemos dizer que o projeto nazifascista foi avan\u00e7ando passo a passo. A guerra civil espanhola (1936-1939) foi em grande medida um ensaio. Em primeiro lugar, para medir a pol\u00edtica criminal do estalinismo, o que acabou sendo um fator essencial na derrota do campo republicano e o triunfo do setor encabe\u00e7ado por Francisco Franco (variante espanhola do fascismo). Em segundo lugar, para medir a atitude que teria nas \u201cpot\u00eancias democr\u00e1ticas\u201d (Inglaterra, Fran\u00e7a e Estados Unidos), que fizeram \u201ccomo que apoiavam\u201d a Rep\u00fablica, mas, frente a revolu\u00e7\u00e3o espanhola, deixaram correr o triunfo franquista [10].<\/p>\n<p>A din\u00e2mica e o resultado da guerra civil espanhola abriram as portas e aceleraram os tempos. Em mar\u00e7o de 1938, Alemanha j\u00e1 havia invadido e anexado a \u00c1ustria como uma prov\u00edncia do III Reich (III Imp\u00e9rio alem\u00e3o). Em mar\u00e7o de 1939, as tropas alem\u00e3s invadem, ocupam e anexam a Checoslov\u00e1quia. Em ambos os casos, ante o olhar passivo da burguesia da Inglaterra e da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Hitler se sente fortalecido e, como vimos, em setembro desse ano invade a Pol\u00f4nia e controla com facilidade o ocidente do pa\u00eds. O oriente polaco \u00e9 ocupado por tropas do Ex\u00e9rcito Vermelho, como parte do acordo assinado entre o regime nazista e o estalinismo (o \u201cpacto Molotov-Von Ribbentrop\u201d).<\/p>\n<p>A invas\u00e3o da Pol\u00f4nia significou um ponto que quebra na situa\u00e7\u00e3o: a burguesia inglesa, que tinha muito interesse na Pol\u00f4nia, saiu de sua passividade anterior e declarou guerra contra a Alemanha, seguida por outras na\u00e7\u00f5es da Commonwealth, como Canad\u00e1 e Austr\u00e1lia. No mesmo dia, o governo franc\u00eas tomou igual decis\u00e3o. Havia come\u00e7ado oficialmente a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p><strong>As frentes da guerra<\/strong><\/p>\n<p>Esta guerra inter-imperialista se desenvolveu em v\u00e1rias frentes. Por um lado, a frente europeia ocidental: nos primeiros meses de 1940, a Alemanha invadiu a Noruega e a Dinamarca. Em maio, avan\u00e7a sobre os Pa\u00edses Baixos (Holanda, B\u00e9lgica e Luxemburgo), a pesar de que estes pa\u00edses se haviam declarado neutros.<\/p>\n<p>Nesse mesmo m\u00eas, inicia sua ofensiva sobre a Fran\u00e7a: as defesas francesas cedem rapidamente e as tropas inglesas no continente s\u00e3o empurradas at\u00e9 o Mar do Norte e obrigadas a voltar para a Gr\u00e3-Bretanha. Em junho \u00e9 assinado um armist\u00edcio: os nazistas ocuparam todo o norte do territ\u00f3rio franc\u00eas (incluindo Paris) e permitem a instala\u00e7\u00e3o de um governo franc\u00eas colaboracionista no sul do pa\u00eds, encabe\u00e7ado pelo marechal P\u00e9tain (conhecido como \u201cregime de Vichy\u201d pela cidade em que tinha sua sede). Nesse mesmo ano, o regime nazista lan\u00e7a uma ofensiva de ataques a\u00e9reos sobre Londres e Gr\u00e3-Bretanha (que acabaria sendo derrotada pela aeron\u00e1utica e as defesas brit\u00e2nicas, o que provocaria um grande desgaste em seu poder a\u00e9reo).<\/p>\n<p>Esta frente ficou em grande medida \u201ccongelado\u201d em suas a\u00e7\u00f5es terrestres, durante v\u00e1rios anos. Algumas for\u00e7as guerrilheiras nacionais exerceram resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o nazista; as tropas brit\u00e2nicas n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de iniciar uma contraofensiva terrestre e os Estados Unidos estava muito mais preocupado pela disputa com o Jap\u00e3o no Pac\u00edfico Oriental. Houve v\u00e1rios ataques a\u00e9reos conjuntos brit\u00e2nico-estadunidense de \u201camolecimento\u201d da popula\u00e7\u00e3o civil de cidades alem\u00e3s e de destrui\u00e7\u00e3o de plantas industriais e de transporte. Este congelamento de a\u00e7\u00f5es terrestres somente come\u00e7aria a mudar sua din\u00e2mica a partir da invas\u00e3o da Normandia (norte da Fran\u00e7a) em junho de 1944: o famoso \u201cdia D\u201d [11].<\/p>\n<p>Na frente europeia oriental, em 1941 os governos da Hungria e da Bulg\u00e1ria se unem ao Eixo. Juntos, invadem e desmembram a Iugosl\u00e1via. Criam o \u201cestado independente da Cro\u00e1cia\u201d (incorporando a B\u00f3snia e a Herzegovina), sob o dom\u00ednio da organiza\u00e7\u00e3o fascista ustasha, e dividem o resto do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>A It\u00e1lia, que havia anexado a Alb\u00e2nia em 1939, depois de se unir oficialmente ao Eixo em junho de 1940, decide atacar a Gr\u00e9cia. Ante o fracasso da a\u00e7\u00e3o, deve requerer auxilio das tropas alem\u00e3s e o pa\u00eds \u00e9 dividido em tr\u00eas \u00e1reas de dom\u00ednio (incluindo a Bulg\u00e1ria na regi\u00e3o de Tr\u00e1cia).<\/p>\n<p>Consolidando seu dom\u00ednio at\u00e9 as fronteiras da URSS, e com a \u201ctranquilidade\u201d que analisamos na \u201cfrente ocidental\u201d, Hitler decide romper o pacto nazi-estalinista e, junto com seus aliados, invade o territ\u00f3rio sovi\u00e9tico, em junho de 1941. A partir desse momento, a \u201cfrente europeia oriental\u201d \u00e9 sin\u00f4nimo desta guerra de natureza diferente da que analisamos at\u00e9 agora; um tema que abordaremos na segunda parte deste artigo.<\/p>\n<p>Outra frente importante da guerra inter-imperialista foi o Pac\u00edfico oriental, entre as tropas, barcos e avi\u00f5es do Jap\u00e3o e dos Estados Unidos (com participa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria da Gr\u00e3-Bretanha). Depois do seu avan\u00e7o no dom\u00ednio de importantes regi\u00f5es da costa chinesa, entre 1941 e 1942 as tropas japonesas atacaram e conquistaram as Filipinas, a Indochina francesa (atuais Vietnam, Laos e Camboja), a Mal\u00e1sia e a Tail\u00e2ndia, e as col\u00f4nias brit\u00e2nicas de Singapura e Hong Kong. A partir desses \u00eaxitos tentavam se estender at\u00e9 a Birm\u00e2nia (onde foram detidos pelos brit\u00e2nicos) e a Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>A partir de sua entrada na guerra, despois do ataque a Pearl Harbor (1941) e de algumas derrotas (como na defesa das Filipinas), as for\u00e7as estadunidenses conseguiram uma vit\u00f3ria decisiva na batalha de Midway (junho de 1942) que mudaria o curso das coisas; os japoneses estavam freando seu avan\u00e7o para Austr\u00e1lia em Guadakcanal (Ilhas Salam\u00e3o) e come\u00e7avam a retroceder.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, apesar de n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de reverter esta din\u00e2mica, n\u00e3o se rendem at\u00e9 agosto-setembro de 1945, depois das bombas at\u00f4micas enviadas pela aeron\u00e1utica estadunidense destru\u00edrem as cidades de Hiroshima e Nagasaki [12]. \u00c9 interessante destacar que, no contexto desta guerra inter-imperialista entre os Estados Unidos e o Jap\u00e3o, o imperialismo brit\u00e2nico decide dar um \u201cpasso atr\u00e1s\u201d e deixar nas m\u00e3os de seu maior aliado o esfor\u00e7o b\u00e9lico e o controle posterior da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Finalmente, houve uma frente nesta disputa inter-imperialista: o norte da \u00c1frica. Esta regi\u00e3o n\u00e3o tinha import\u00e2ncia imediata para a Alemanha nem para o Jap\u00e3o, a It\u00e1lia j\u00e1 tinha a posse colonial da L\u00edbia mas havia sido derrotada em sua tentativa de anexar a Eti\u00f3pia, na guerra de 1935-1936. Aspirava obter mais territ\u00f3rios nessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Com esse objetivo, em setembro de 1940 lan\u00e7a uma forte ofensiva contra o Egito (ent\u00e3o protetorado brit\u00e2nico) contra a opini\u00e3o de Hitler, que n\u00e3o queria dispersar for\u00e7as. A pesar da inferioridade num\u00e9rica, as tropas aliadas iniciam um exitoso contra-ataque que obriga ao regime nazi a acudir novamente em ajuda de Mussolini, com tropas e blindados ao mando de Erwin Rommel (a \u00c1frica Korps). A habilidade t\u00e1tica de Rommel (chamado a \u201craposa do deserto\u201d) permitiu estender essa frente da guerra frente \u00e0s for\u00e7as aliadas comandadas pelo brit\u00e2nico Bernard Montgomery. Mas a superioridade de tropas e mat\u00e9rias acabaram prevalecendo, e depois de uma s\u00e9rie de ofensivas os aliados obtiveram a vit\u00f3ria definitiva na El Alamein (outubro de 1942). As tropas alem\u00e3s (150.000 soldados) fugiram at\u00e9 o Oeste, ficaram presos na Tun\u00edsia e se renderam em maio de 1943.<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>[1] <strong>Carl Phillip Gottlieb von Clausewitz <\/strong>(1780-1831) foi um general do Reino da Pr\u00fassia. \u00c9 considerado um grande estrategista militar e te\u00f3rico da guerra. Sua principal obra \u00e9 <em>Vom Kriege <\/em>(Da Guerra). Ver, entre outras, a publica\u00e7\u00e3o em espanhol das Edi\u00e7\u00f5es Tikal \u2013 Militaria Editorial Susaeta, Madrid, Espanha 2015.<\/p>\n<p>[2] Ver \u201cO socialismo e a guerra\u201d (1915) em <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/lenin\/obras\/1910s\/1915sogu.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/lenin\/obras\/1910s\/1915sogu.htm<\/a><\/p>\n<p>[3] Sobre a Primeira Guerra Mundial ver <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/centenario-del-fin-la-primera-guerra-mundial\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/centenario-del-fin-la-primera-guerra-mundial\/<\/a> e <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/archive\/cien-anos-de-la-primera-guerra-mundial\/\">https:\/\/litci.org\/es\/archive\/cien-anos-de-la-primera-guerra-mundial\/<\/a> entre outros artigos deste site.<\/p>\n<p>[4] Sobre a Conferencia de Berlim recomendamos ler o artigo \u201cEl reparto de \u00c1frica\u201d de Am\u00e9rico Gomes na revista <em>Correio Internacional, <\/em>19, mar\u00e7o de 2018, Editora Lorca AS, S\u00e3o Paulo, Brasil.<\/p>\n<p>[5] \u201cResolu\u00e7\u00f5es sobre o Tratado de Versalhes\u201d, votada no IV Congresso da III Internacional (1922), em <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/comintern\/eis\/4-Primeros3-Inter-2-edic.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/comintern\/eis\/4-Primeros3-Inter-2-edic.pdf<\/a>, p. 219.<\/p>\n<p>[6] Sobre a din\u00e2mica da burguesia estadunidense recomendamos ler <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/la-independencia-de-los-estados-unidos\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/la-independencia-de-los-estados-unidos\/<\/a><\/p>\n<p>[7] Sobre o tema do fascismo, recomendamos ler o extenso trabalho de Trotsky<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.elsoca.org\/pdf\/libreria\/La%20lucha%20contra%20el%20fascismo-completo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.elsoca.org\/pdf\/libreria\/La%20lucha%20contra%20el%20fascismo-completo.pdf<\/a><\/p>\n<p>[8] Sobre o tema do \u201cbi\u00eanio vermelho\u201d italiano ver o artigo dos camaradas do PdAC \u201cTrotsky e o setembro de 1920\u201d em <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/archive\/trotsky-y-el-septiembre-de-1920\/\">https:\/\/litci.org\/es\/archive\/trotsky-y-el-septiembre-de-1920\/<\/a><\/p>\n<p>[9] Ver o artigo de Leon Trotsky \u201cA trag\u00e9dia do proletariado alem\u00e3o\u201d em <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1933\/marzo\/14.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1933\/marzo\/14.htm<\/a><\/p>\n<p>[10] Ver o escrito de Leon Trotsky \u201cLi\u00e7\u00f5es da Espanha: \u00faltima advert\u00eancia\u201d (1937) em <u>http:\/\/www.posicuarta.org\/pdf\/LecEspLT.pdf<\/u> e a recopila\u00e7\u00e3o de textos deste autor A Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola (1930-1939) em <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/rev-espan\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/rev-espan\/index.htm<\/a><\/p>\n<p>[11] Sobre este tema, ver <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/algunas-consideraciones-sobre-el-dia-d\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/historia\/algunas-consideraciones-sobre-el-dia-d\/<\/a><\/p>\n<p>[12] Sobre este tema, ver\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/hiroshima-y-nagasaki-el-imperialismo-mata\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/hiroshima-y-nagasaki-el-imperialismo-mata\/<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/70-anos-despues-de-hiroshima-y-nagasaki\/\">https:\/\/litci.org\/es\/menu\/teoria\/70-anos-despues-de-hiroshima-y-nagasaki\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: T\u00falio Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em setembro de 1939, o ex\u00e9rcito da Alemanha invadiu a Pol\u00f4nia com o objetivo de anexar esse pa\u00eds. Este fato foi o que desencadeou a Segunda Guerra Mundial, que se estenderia at\u00e9 1945.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":29861,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[7851,1551,280],"class_list":["post-29860","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","tag-2a-guerra-mundial-parte-1","tag-alejandro-iturbe","tag-segunda-guerra-mundial"],"fimg_url":false,"categories_names":["Hist\u00f3ria"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29860","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29860"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29860\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}