{"id":29810,"date":"2019-09-24T16:21:24","date_gmt":"2019-09-24T18:21:24","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=29810"},"modified":"2019-09-24T16:21:24","modified_gmt":"2019-09-24T18:21:24","slug":"colombia-nem-guerrilha-nem-um-partido-de-joelhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/09\/24\/colombia-nem-guerrilha-nem-um-partido-de-joelhos\/","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia | Nem guerrilha, nem um partido de joelhos"},"content":{"rendered":"<p><em>O an\u00fancio do rearmamento de um grupo de comandantes das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC), encabe\u00e7ados por Iv\u00e1n M\u00e1rquez e Jes\u00fas Santrich, gerou diversas opini\u00f5es ante ao futuro do acordo de paz. Enquanto que a esquerda e os setores alternativos expressam uma crise do processo de paz e o regresso aos tempos de guerra, o uribismo aproveita para anunciar sua reforma nos acordos. Por\u00e9m nem um nem outro, o certo \u00e9 que \u2013 com ou sem acordo \u2013 o Estado n\u00e3o parou sua guerra contra os lutadores sociais. E por enquanto ter\u00e1 que esperar para ver o que acontece com as Novas FARC, pois o an\u00fancio de uma guerra com uma poss\u00edvel alian\u00e7a com as dissid\u00eancias de Gentil Duarte e o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN), parece at\u00e9 agora mais uma proposta que uma realidade.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por:\u00a0Comit\u00ea Executivo PST &#8211; Col\u00f4mbia<\/p>\n<p>Iv\u00e1n M\u00e1rquez, Jes\u00fas Santrich, El Paisa, Roma\u00f1a e uma vintena de guerrilheiros anunciaram dia 29 de agosto passado, seu retorno \u00e0s armas como resultado da trai\u00e7\u00e3o dos acordos por parte do Estado. Posteriormente aparece um segundo v\u00eddeo no qual Santrich pede uma assembleia nacional constituinte como requisito de uma nova negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em ambas declara\u00e7\u00f5es anunciam o mesmo programa de concilia\u00e7\u00e3o de classes que as FARC defendeu desde sua funda\u00e7\u00e3o. E apresentam uma nova forma de fazer a guerra sem confronta\u00e7\u00e3o ofensiva contra policiais e militares, sem sequestros, sem extors\u00f5es, com contribui\u00e7\u00f5es de latifundi\u00e1rios e industriais atrav\u00e9s do di\u00e1logo e com cobran\u00e7as extorsivas somente para a \u201ceconomia ilegal\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, Timochenko responde que este \u00e9 um an\u00fancio delirante e que, embora o Estado n\u00e3o tenha cumprido os acordos, devem persistir na implementa\u00e7\u00e3o, apesar dos quase 200 ex-combatentes assassinados, al\u00e9m de pedir que os dissidentes sejam reprimidos. Timochenko sustenta que \u201cestes senhores escolheram seu caminho, que lhes tira os benef\u00edcios que n\u00f3s temos\u201d.<\/p>\n<p>O Partido Socialista dos Trabalhadores j\u00e1 manifestou que o problema das FARC n\u00e3o est\u00e1 na posse ou n\u00e3o de armas, e sim em seu programa pol\u00edtico de concilia\u00e7\u00e3o de classes, de alian\u00e7as com setores burgueses democr\u00e1ticos para conseguir reformas no regime. Com este programa levantaram-se em armas h\u00e1 meio s\u00e9culo e com este programa Iv\u00e1n M\u00e1rquez anuncia seu retorno \u00e0s armas, persistindo no erro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m manifestamos que os acordos de Havana n\u00e3o significam um avan\u00e7o nos direitos pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais da popula\u00e7\u00e3o, portanto, o programa de luta n\u00e3o deveria ser a defesa dos acordos e sim um programa de luta, em particular a reforma agr\u00e1ria e a exig\u00eancia de maiores liberdades democr\u00e1ticas para os trabalhadores e os pobres do campo e da cidade.<\/p>\n<p>Ao contrario, para as bases guerrilheiras, os simpatizantes e militantes das FARC n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda em nenhum dos setores: nem no rearmamento de Iv\u00e1n M\u00e1rquez nem na entrega de Timochenko. Sua defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser entre um partido que se incorpora ao regime entregando qualquer aspira\u00e7\u00e3o de luta para al\u00e9m da implementa\u00e7\u00e3o dos acordos ou uma guerrilha que quer reunir sob um comando unificado dissid\u00eancias e o ELN com o objetivo de lutar pelo mesmo programa, desta vez com um improv\u00e1vel financiamento de setores burgueses a partir do di\u00e1logo.<\/p>\n<p>O Governo de Duque encurralou a milit\u00e2ncia das FARC, continuou n\u00e3o cumprindo e amea\u00e7a fazer reformas que restrinjam ainda mais os direitos dos ex-combatentes. Manifestamos que, apesar de n\u00e3o termos conson\u00e2ncia com o acordo feito em La Habana, somos contra que se tente cortar o pouco espa\u00e7o pol\u00edtico e jur\u00eddico que obtiveram. Mas a esquerda e os movimentos sociais a favor da paz erraram o caminho para enfrentar as iniciativas do uribismo, chamando a se envolver com as institui\u00e7\u00f5es, a respaldar a Jurisdi\u00e7\u00e3o Especial de Paz (JEP) e a sustentar que a guerra volte quando a guerra contra a classe trabalhadora e os pobres nunca parou.<\/p>\n<p>Um programa de luta contra os planos do governo de Duque, contra as anunciadas reformas da previd\u00eancia e trabalhista, contra as medidas que pretendem que seja a classe trabalhadora que pague a crise econ\u00f4mica que se avizinha, contra o desemprego, \u00e9 a melhor forma de enfrentar este governo para que pare o massacre de lutadores sociais e ex-combatentes das FARC. Nisso deveria estar a milit\u00e2ncia desta guerrilha e n\u00e3o se juntar aos tambores de guerra que M\u00e1rquez anuncia nem colocarem-se de joelhos ante o regime, como Timochenko.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O an\u00fancio do rearmamento de um grupo de comandantes das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC), encabe\u00e7ados por Iv\u00e1n M\u00e1rquez e Jes\u00fas Santrich, gerou diversas opini\u00f5es ante ao futuro do acordo de paz. 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