{"id":29663,"date":"2019-09-18T13:04:28","date_gmt":"2019-09-18T15:04:28","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=29663"},"modified":"2019-09-18T13:04:28","modified_gmt":"2019-09-18T15:04:28","slug":"o-trabalho-no-capitalismo-chileno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/09\/18\/o-trabalho-no-capitalismo-chileno\/","title":{"rendered":"O trabalho no capitalismo chileno"},"content":{"rendered":"<p><em>Suportamos terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es de vida todos os dias. Horas gastas nos computadores, nas filas dos bancos para pagar d\u00edvidas, nas filas de consult\u00f3rios e hospitais. Nossas casas t\u00eam pouca prote\u00e7\u00e3o para o frio, chove dentro das escolas de nossas crian\u00e7as. Para n\u00f3s, nada funciona. Trabalhamos em condi\u00e7\u00f5es de escravid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Paz Ibarra<\/p>\n<p>Duplas jornadas, subcontratos, sal\u00e1rios baixos e a constante amea\u00e7a de demiss\u00e3o. Os governos dizem que tudo ser\u00e1 legislado para melhorar a vida. Devemos confiar neles?<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que isso melhore em algum momento?<\/p>\n<p>No atual sistema capitalista, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho pioram. Cada reforma votada no parlamento retira os direitos que nossos av\u00f3s e bisav\u00f3s conquistaram ao longo de d\u00e9cadas de lutas. O direito \u00e0 sentar-se\u00b9, conquistado em 1914, \u00e9 hoje um luxo que muitas vendedoras n\u00e3o t\u00eam. O descanso de domingo e o almo\u00e7o de uma hora e meia, conquistados no mesmo ano, n\u00e3o existem hoje.<\/p>\n<p>Os trabalhadores com mais de 40 anos de idade t\u00eam mais direitos do que seus pr\u00f3prios filhos, que precisam trabalhar para estudar, porque o novo Estatuto da Juventude estabelece um regime sem f\u00e9rias, sem remunera\u00e7\u00e3o por anos de servi\u00e7o, sem licen\u00e7a maternidade ou creche.<\/p>\n<p>Os sindicatos cada vez mais fracos conseguem \u00ednfimos reajustes ou b\u00f4nus para acabar com o conflito, que s\u00e3o o p\u00e3o para hoje e a fome para amanh\u00e3, porque em cada negocia\u00e7\u00e3o coletiva luta por direitos m\u00ednimos, em vez de incorporar demandas comuns \u00e0 classe trabalhadora, como o direito \u00e0 moradia, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A lei de Subcontratos, de 2006 (primeiro per\u00edodo de Bachelet), abre as portas da precariza\u00e7\u00e3o e para a inseguran\u00e7a e instabilidade no emprego, uma vez que todas as empresas, incluindo o pr\u00f3prio Estado, podem terceirizar qualquer fun\u00e7\u00e3o ou \u00e1rea de seus processos. Serve para a patronal manter baixos sal\u00e1rios e direitos trabalhistas no m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Divide os trabalhadores contratados e subcontratados, cumprindo as mesmas fun\u00e7\u00f5es na mesma empresa. Um exemplo foi a greve do SIL (Sindicato Interempresa L\u00edder), que representa uma parte dos trabalhadores do Walmart. A legisla\u00e7\u00e3o trabalhista permite a esse mesmo empregador, que \u00e9 uma empresa transnacional, explorar seus trabalhadores de maneira diferente, confrontando-os, separando-os em diferentes sindicatos e negociando separadamente, mesmo trabalhando no mesmo local f\u00edsico.<\/p>\n<p><strong>Tudo a favor dos empres\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Para garantir lucros maiores, os capitalistas minimizam os custos. Essa regra \u00e9 b\u00e1sica. Para conseguir isso, eles precisam de um n\u00famero de desempregados desesperados, dispostos a trabalhar nas piores condi\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9 o ex\u00e9rcito industrial de reserva que os economistas neoliberais chamam de &#8220;taxa natural de desemprego&#8221;, como se estar desempregado e sem remunera\u00e7\u00e3o para viver fosse algo natural. Quando a taxa de desemprego permanece em um d\u00edgito, como os atuais 7,1% no Chile, se diz que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 est\u00e1vel e n\u00e3o h\u00e1 necessidade de se preocupar porque a macroeconomia est\u00e1 robusta.<\/p>\n<p>E \u00e9 l\u00f3gico que tem que estar, se todos os anos vemos que os lucros das grandes empresas s\u00e3o milion\u00e1rios e que, al\u00e9m da reforma tribut\u00e1ria, o governo e o parlamento se encarregam de reduzir os impostos \u00e0s grandes fortunas com o pretexto de que assim \u201cincentivam\u201d o investimento em nosso pa\u00eds, que precisa desse esfor\u00e7o para alcan\u00e7ar o desenvolvimento. Por tr\u00e1s desse discurso, a realidade das ruas, onde o n\u00famero de vendedores ambulantes aumenta a cada dia, o que n\u00e3o reflete nada al\u00e9m das centenas de milhares de trabalhadores que n\u00e3o podem sustentar suas fam\u00edlias, \u00e9 escandalosa.<\/p>\n<p>Quando os governos d\u00e3o subs\u00eddios para aliviar a pobreza em que essas fam\u00edlias caem, o Estado continua subsidiando os lucros das empresas; porque com isso, s\u00e3o dados t\u00edtulos de mis\u00e9ria para ajudar as fam\u00edlias dos trabalhadores que os empregadores demitem para aumentar seus suculentos lucros.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que o ex\u00e9rcito de reserva industrial (da ind\u00fastria, mas tamb\u00e9m do setor de servi\u00e7os e com\u00e9rcio) \u00e9 mantido, s\u00f3 em Santiago atinge mais de 280 mil pessoas. Assim, o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 mantido na linha, enquanto os lucros das empresas disparam: na ind\u00fastria, minera\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o, transporte, com\u00e9rcio e bancos.<\/p>\n<p>O grande ex\u00e9rcito de reserva industrial \u00e9 formado por trabalhadores demitidos, os mais jovens que n\u00e3o encontram trabalho, os idosos sem aposentadoria, as donas de casa e tamb\u00e9m os imigrantes sem documentos. E as estat\u00edsticas disfar\u00e7am os dados. Voc\u00ea n\u00e3o se qualifica como desempregado se trabalhar duas horas por semana ou se estiver procurando por um bico. Os subempregados; isto \u00e9, aqueles que trabalham apenas por horas e ganham abaixo do sal\u00e1rio m\u00ednimo; trabalhadores independentes e at\u00e9 vendedores ambulantes fazem parte do motor da macroeconomia.<\/p>\n<p><strong>Como sa\u00edmos desse buraco<\/strong>?<\/p>\n<p>A marca deixada por gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores mostra o caminho: unidade f\u00e9rrea em uma ofensiva anticapitalista e revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Vamos recuperar os sindicatos para nossas lutas. Chega de acordos entre lideran\u00e7as e por tr\u00e1s dos panos como aconteceu com a greve da L\u00edder e dos professores. Solidariedade e unidade de nossas reivindica\u00e7\u00f5es em um \u00fanico plano de luta dos trabalhadores. Contratados e subcontratados. Diretos e terceirizados. Chilenos e imigrantes.<\/p>\n<ul>\n<li>jornada de trabalho de 40 horas sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, sem demiss\u00f5es ou fechamento de empresas<\/li>\n<li>Automa\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o dos trabalhadores, n\u00e3o para demiti-los<\/li>\n<li>Congelamento dos pre\u00e7os de servi\u00e7os b\u00e1sicos<\/li>\n<li>Por uma legisla\u00e7\u00e3o trabalhista elaborada pelos trabalhadores<\/li>\n<\/ul>\n<p>NENHUMA CONFIAN\u00c7A NO PARLAMENTO E SUAS PROPOSTAS!<\/p>\n<p>ORGANIZAR UMA GRANDE GREVE GERAL POR NOSSAS EXIG\u00caNCIAS!<\/p>\n<p>BASTA DE EMPRES\u00c1RIOS E CORRUPTOS NO GOVERNO!<\/p>\n<p>\u00b9 A \u00abLei da cadeira\u00bb, nome pelo qual a \u00abLei n\u00ba 2951 que estabelece o descanso sentado para empregados particulares\u00bb, foi uma lei chilena promulgada em 7 de dezembro de 1914, que determinou a obriga\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios de estabelecimentos comerciais de terem cadeiras para seus trabalhadores. Foi uma das primeiras conquistas dos movimentos trabalhistas do final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX no Chile<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Nea vieira<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Suportamos terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es de vida todos os dias. Horas gastas nos computadores, nas filas dos bancos para pagar d\u00edvidas, nas filas de consult\u00f3rios e hospitais. Nossas casas t\u00eam pouca prote\u00e7\u00e3o para o frio, chove dentro das escolas de nossas crian\u00e7as. Para n\u00f3s, nada funciona. 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