{"id":29652,"date":"2019-09-18T12:33:53","date_gmt":"2019-09-18T14:33:53","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=29652"},"modified":"2019-09-18T12:33:53","modified_gmt":"2019-09-18T14:33:53","slug":"incendios-na-amazonia-socialismo-ou-barbarie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/09\/18\/incendios-na-amazonia-socialismo-ou-barbarie\/","title":{"rendered":"Inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia. Socialismo ou barb\u00e1rie."},"content":{"rendered":"<p><em>O chamado pulm\u00e3o do mundo, a Amaz\u00f4nia, arde para beneficiar os capitalistas, principalmente ianques, ainda que n\u00e3o devemos esquecer o projeto da China de atravess\u00e1-la com vias de comunica\u00e7\u00e3o. O outro pulm\u00e3o do mundo, a Sib\u00e9ria, est\u00e1 ardendo h\u00e1 semanas, enquanto s\u00e3o registradas temperaturas recordes na Groenl\u00e2ndia e Alasca e a R\u00fassia se converte no primeiro produtor de petr\u00f3leo no \u00c1rtico (colocou uma central nuclear ambulante em um barco).<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Roberto Laxe<\/p>\n<p>O fogo est\u00e1 sendo utilizado como substitutivo da guerra para a destrui\u00e7\u00e3o de for\u00e7as produtivas, a natureza, a servi\u00e7o de que o capitalismo saia da crise seja como for, e \u00e0 custa do que for. Nada de novo sob o sol, o capitalismo \u201cnasceu a sangue e fogo\u201d disse Marx, e caminha para morrer da mesma maneira&#8230;S\u00f3 que arrastando a humanidade atr\u00e1s de si: colocando \u00e0 frente dos estados imperialistas como os EUA ou It\u00e1lia e em semicol\u00f4nias como o Brasil,\u00a0 verdadeiros descerebrados. Porque somente descerebrados podem dizer o que esses senhores dizem para justificar-se.<\/p>\n<p><strong>As contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas: o \u201ccapitalismo verde\u201d europeu<\/strong><\/p>\n<p>A luta pelo controle do mercado mundial entre pot\u00eancias imperialistas j\u00e1 conduziu o mundo \u00e0 barb\u00e1rie, na II Guerra Mundial. Aquela dos campos de exterm\u00ednio, bombas at\u00f4micas e bombardeios massivos sobre a popula\u00e7\u00e3o civil, que provocou a morte de mais de 50 milh\u00f5es de seres humanos. Agora enfrentamos uma vers\u00e3o corrigida e aumentada do que foi a II Guerra, s\u00f3 que sem guerra declarada, com \u201cformas\u201d democr\u00e1ticas. \u00a0Deixam-nos votar a cada quatro anos nos descerebrados que v\u00e3o arrematar a tarefa de destruir o mundo. Mas s\u00e3o como Groucho Marx e o \u201cmais madeira, \u00e9 a guerra\u201d(NT no filme \u201cGo west\u201d), que quando quis dar conta n\u00e3o lhe restava trem para queimar.<\/p>\n<p>O imperialismo europeu quer aproveitar esta crise para relocalizar-se no concerto de pot\u00eancias. A guerra comercial chino- estadunidense o colocou \u00e0 margem da resolu\u00e7\u00e3o da crise do capitalismo. Assim, Macron, como bom franc\u00eas, toma a iniciativa pol\u00edtica, enfrenta Bolsonaro chamando-o de mentiroso e quer que o G7 discuta a situa\u00e7\u00e3o brasileira. Por seu lado Merkel, como boa alem\u00e3, j\u00e1 anuncia san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas ao Brasil. Mas n\u00e3o nos confundamos, o \u201ccapitalismo verde\u201d europeu n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o de nada, s\u00f3 buscam uma Europa limpa, enquanto enchem a \u00c1frica de res\u00edduos t\u00f3xicos, de \u201cguerras sob bandeira alheia\u201d, pelos recursos minerais, o que est\u00e1 provocando a outra grande crise social deste come\u00e7o do s\u00e9culo XXI, a dos refugiados, convertendo o Mediterr\u00e2neo em uma grande fossa comum.<\/p>\n<p>O \u201ccapitalismo verde\u201d europeu se baseia, primeiro em \u201climpar\u201d o Velho Continente da ind\u00fastria poluente, para desloc\u00e1-la para pa\u00edses semicoloniais, como est\u00e1 fazendo a Alcoa com o fechamento e venda de f\u00e1bricas, enquanto abre suas se\u00e7\u00f5es mais poluentes em pa\u00edses onde o controle \u00e9 inexistente, como a Ar\u00e1bia Saudita. A outra grande pata do \u201ccapitalismo verde\u201d europeu \u00e9, em seu nome, a destrui\u00e7\u00e3o das conquistas oper\u00e1rias e sociais dos anos p\u00f3s-guerra, atrav\u00e9s de reformas trabalhistas e privatiza\u00e7\u00f5es da aposentadoria, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e demais servi\u00e7os sociais; substituindo o papel do estado pela iniciativa privada progressista, canalizada atrav\u00e9s das ONGs, o chamado \u201cativismo social\u201d ou a economia colaborativa.<\/p>\n<p>O \u201ccapitalismo verde\u201d europeu s\u00f3 \u00e9 outra vers\u00e3o, decorada, da velha explora\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria e saque das riquezas do mundo. Por acaso o imperialismo e o colonialismo capitalista n\u00e3o s\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o europeia? N\u00e3o foram a Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a que repartiram o mundo no s\u00e9culo XIX, como antes fizeram Castilla e Portugal? N\u00e3o foram as \u00e2nsias de expans\u00e3o da Alemanha as que provocaram a I e a II Guerras mundiais? Por isso, n\u00e3o podemos esperar nada dos Macron, Merkel, Sanchez ou Salvini, que n\u00e3o seja outra maneira, mais \u201ceuropeia\u201d do pr\u00f3prio imperialismo capitalista que est\u00e1 no fundo do desastre da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>O centro da resposta: a juventude<\/strong><\/p>\n<p>Eles dizem que j\u00e1 pagaram os pecados que os levaram a essas pol\u00edticas. Mas isso \u00e9 falso, a realidade da pol\u00edtica ante os refugiados demonstra que continuam sendo os \u201clobos\u201d colonialistas do passado mas com \u201cpele de cordeiro\u201d. E, com isso, querem confundir os setores da popula\u00e7\u00e3o, sobretudo a juventude, que est\u00e1 se levantando contra \u201ca cr\u00f4nica de um desastre anunciado\u201d que \u00e9 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Alguns setores que n\u00e3o conheceram outra sociedade que a capitalista neoliberal, a que surgiu ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS, a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos estados do chamado \u201csocialismo real\u201d e o descobrimento de que atr\u00e1s do Muro de Berlim n\u00e3o havia socialismo, nem \u201creal\u201d nem \u201cirreal\u201d. E em uma pirueta da hist\u00f3ria (Marx a chamaria de \u201cfarsa\u201d), estes setores sociais, inclu\u00eddos muitos pertencentes \u00e0 classe oper\u00e1ria mais precarizada (a jovem) tem que romper \u201coutra vez\u201d com as amarras da burguesia.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX o movimento oper\u00e1rio se desgarrou dos setores \u201cliberais\u201d da burguesia, dos partidos liberais, republicanos, etc., da pequena burguesia democr\u00e1tica herdeiros da luta contra o feudalismo, surgiram os movimentos oper\u00e1rios que constitu\u00edam sua ala esquerda. Hoje a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da classe oper\u00e1ria em quase todo o mundo \u00e9, de novo e ap\u00f3s o desastre do stalinismo associado ao \u201csocialismo\u201d, a pequena burguesia democr\u00e1tica, agora disfar\u00e7ada com as roupagens dos movimentos sociais (ecologismo, feminismo, independentismo, \u2026).<\/p>\n<p>Recolhendo a profunda preocupa\u00e7\u00e3o social, e a resposta que est\u00e1 sendo dada ante os desastres do capitalismo em suas mais variadas formas, inc\u00eandios, feminic\u00eddios, saques de riquezas, \u00eaxodos massivos de popula\u00e7\u00e3o, etc, estas organiza\u00e7\u00f5es da pequena burguesia n\u00e3o saem dos marcos do capitalismo. E para isso colocam um sobrenome. Nunca falam do capitalismo imperialista como causa central, e sim de \u201ccapitalismo selvagem\u201d, como se fosse poss\u00edvel um capitalismo sem \u201cselvageria\u201d, capitalismo \u201cneoliberal\u201d, como se um capitalismo n\u00e3o \u201cneoliberal\u201d fosse respeitoso com os direitos sociais e pol\u00edticos da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se estes setores da juventude que recha\u00e7am o desastre que se avizinha, n\u00e3o romperem abertamente com estas dire\u00e7\u00f5es, sua luta ser\u00e1 reabsorvida pelo sistema capitalista, e tudo acabar\u00e1 em \u201cum sonho de uma noite de ver\u00e3o\u201d. \u00a0N\u00e3o \u00e9 a primeira nem a \u00faltima vez que isto acontece; toda luta social democr\u00e1tica que n\u00e3o se insere na luta contra o capitalismo e pelo socialismo, termina alimentando o \u201cdiscurso politicamente correto\u201d do sistema, de rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica; integrando-o atrav\u00e9s das ONGs, Observat\u00f3rios contra&#8230;, e institui\u00e7\u00f5es diversas, que desativam todo seu potencial revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Estamos chegando ao limite do capitalismo?<\/strong><\/p>\n<p>O que acontece no Brasil n\u00e3o responde s\u00f3 a uma causa, n\u00e3o \u00e9 somente a agropecu\u00e1ria a que est\u00e1 por tr\u00e1s dos inc\u00eandios, est\u00e1 a megaminera\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a pol\u00edtica florestal, est\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas como a prevista pela China. Est\u00e3o enfim, as contradi\u00e7\u00f5es intercapitalistas entre as grandes pot\u00eancias, onde os EUA querem retomar a hegemonia absoluta (\u201cAmerica First\u201d Am\u00e9rica Primeiro) que teve durante d\u00e9cadas, e est\u00e1 perdendo ante seus competidores, a China e a UE, fundamentalmente.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s do que acontece no Brasil, como na selva Indon\u00e9sia, como na Sib\u00e9ria ou os inc\u00eandios que recorrentemente s\u00e3o produzidos na Gal\u00edcia, est\u00e1 o capitalismo como modo de produ\u00e7\u00e3o esgotado. Em 1936 Trotsky afirmou que as for\u00e7as produtivas j\u00e1 n\u00e3o se desenvolviam mais; o capitalismo precisou de uma devasta\u00e7\u00e3o massiva, a II Guerra, para liber\u00e1-las das amarras do passado. Assim, durante 30 ou 40 anos, ap\u00f3s essa destrui\u00e7\u00e3o massiva das for\u00e7as produtivas (60 milh\u00f5es de mortos), as liberaram para conhecer uma nova \u201c\u00e9poca de desenvolvimento\u201d, foram os anos do Estado do Bem Estar.<\/p>\n<p>Esta \u00e9poca chegou ao fim nos anos 70 do s\u00e9culo XX, quando come\u00e7ou a desmontagem de tudo que foi conquistado nos anos 40\/50\/60. Hoje estamos vivendo o pr\u00f3logo desse per\u00edodo; j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais que desmontar \u2013 s\u00f3 restos do Estado do Bem Estar na Europa-, e o capitalismo chegou a um limite dif\u00edcil de resolver.<\/p>\n<p>Parafraseando Trotsky, as For\u00e7as Produtivas que geravam mais riqueza social n\u00e3o somente deixaram de desenvolver-se, como se transformaram no que Marx chamou de For\u00e7as Destrutivas, aquelas que com seu uso n\u00e3o incrementam a riqueza social, e sim a destroem. Os desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos que no passado geravam um salto social adiante, apesar da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, hoje esses mesmos desenvolvimentos se convertem em inimigos da sociedade: a \u00e2nsia de enriquecimento dos propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e financeiros, os leva a desatar uma verdadeira guerra social contra tudo e todos. Os \u201cbolsonaros\u201d, sua estupidez, ignor\u00e2ncia e brutalidade, s\u00e3o o ve\u00edculo perfeito para levar adiante esta guerra social.<\/p>\n<p><strong>O socialismo como \u00fanica alternativa<\/strong><\/p>\n<p>Nesta situa\u00e7\u00e3o, a disjuntiva \u201csocialismo ou barb\u00e1rie capitalista\u201d est\u00e1 deixando de ser uma frase feita, para converter-se em um fato da realidade. Mas n\u00e3o o \u201csocialismo\u201d burocr\u00e1tico stalinista, que n\u00e3o era tal (socialismo e burocracia \u00e9 um paradoxo), somente era um regime transit\u00f3rio que sob o dom\u00ednio dos interesses e das necessidades da burocracia significava uma volta ao capitalismo, como aconteceu; e sim o socialismo revolucion\u00e1rio que come\u00e7ou a se construir em Outubro de 1917.<\/p>\n<p>Tampouco \u00e9 uma volta atr\u00e1s das situa\u00e7\u00f5es sociais que nos trouxeram a esta situa\u00e7\u00e3o, como vendem setores da esquerda que renunciaram de fato \u00e0 luta pelo socialismo, ainda que se adornem como queiram. N\u00e3o \u00e9 uma volta aos \u201cmercados de proximidade\u201d, porque isso foi o que deu origem ao capitalismo; as feiras e mercados medievais dos burgos\/cidades, que eram os \u201cmercados de proximidade\u201d, foram os lugares onde comerciantes e agricultores come\u00e7aram a formar-se como classe social, como classe burguesa.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 individual, nem de \u201cproximidade\u201d nem \u201cdist\u00e2ncia\u201d, e sim o modo social de produzir e distribuir as riquezas geradas pela sociedade, das quais se apropria uma minoria que determina o que se produz e o que n\u00e3o, e a quais necessidades correspondem e quais n\u00e3o; tudo sob o crit\u00e9rio do benef\u00edcio capitalista. Olhar para o passado como alternativa, um passado tamb\u00e9m baseado na propriedade privada e que s\u00f3 deu fomes e peste, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios de derrota e impot\u00eancia para mudar a sociedade.<\/p>\n<p>Daqueles barros estes lodos; n\u00e3o repitamos a hist\u00f3ria,\u00a0 \u00e9 preciso super\u00e1-la. O mercado, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 injusto, porque para que algu\u00e9m ganhe, outro tem que perder, em dinheiro, qualidade ou o que for, o que n\u00e3o significa nem um mil\u00edmetro de avan\u00e7o social. De alguma maneira, \u00e9 a vers\u00e3o de esquerdas, progressista, desse reviv\u00eancia medievalista na cultura; os \u201cmercados de proximidade\u201d, \u201ckm 0\u201d, s\u00e3o os novos mercados medievais dos \u201cjogos de tronos\u201d atuais. \u00c9 a pequena burguesia intelectual, a qual o Muro de Berlim caiu na cabe\u00e7a, a que mais agita este \u201cregresso ao passado\u201d, \u00e0 \u201cproximidade\u201d, \u00e0 pequena produ\u00e7\u00e3o,&#8230;Como se o mercado mundial atual, origem do problema clim\u00e1tico, n\u00e3o houvesse surgido dos pequenos mercados de proximidade da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>Superar o passado significa lutar por um socialismo que se baseie nas necessidades sociais, n\u00e3o nos de uma classe depredadora como a burguesia, ou uma casta parasit\u00e1ria como a burocracia, e portanto, na planifica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da economia em um caminho de dupla circula\u00e7\u00e3o; se planifica em fun\u00e7\u00e3o do conjunto da sociedade, que se baseia nas decis\u00f5es adotadas a partir da base.<\/p>\n<p>Atrasar os ponteiros do rel\u00f3gio al\u00e9m de reacion\u00e1rio \u00e9 imposs\u00edvel. O tempo passa, as formas de produzir e distribuir a riqueza gerada por uma sociedade do passado pode ser um exemplo do que aprender, mas n\u00e3o para repeti-lo, e sim para super\u00e1-lo. O capitalismo deu grandes coisas ao desenvolvimento humano: s\u00f3 um exemplo, a expectativa de vida nos modos de produ\u00e7\u00e3o pr\u00e9vios n\u00e3o passava dos 45 anos, hoje est\u00e1 em 75\/80; isto, goste ou n\u00e3o, \u00e9 um sintoma de um grande avan\u00e7o social.<\/p>\n<p>Mas o capitalismo, como tudo, \u00e9 hist\u00f3rico; isto \u00e9, tem um come\u00e7o, crescimento, desenvolvimento, decad\u00eancia e fim. Hoje estamos na decad\u00eancia a caminho do fim, os inc\u00eandios do Brasil ou Sib\u00e9ria, os feminic\u00eddios, o aumento da explora\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria a n\u00edveis do s\u00e9culo XIX, o \u00eaxodo de popula\u00e7\u00f5es inteiras, s\u00e3o os sintomas de seu esgotamento. \u00c9 hora de abrir as portas e janelas, que entre ar fresco, renovar a sociedade de cima a baixo. Expulsar os que com sua ignor\u00e2ncia e brutalidade est\u00e3o levando ao limite o que \u00e9 \u00f3bvio para todos que \u00e9 uma necessidade hist\u00f3rica; mas n\u00e3o fiquemos a\u00ed.<\/p>\n<p>Da mesma forma que n\u00e3o serve de nada olhar para os \u201cmercados medievais de proximidade\u201d, n\u00e3o serve de nada olhar para aqueles capitalistas \u201cverdes\u201d, \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d, que se enfeitem com a plumas que queiram, mas que no fundo defendem as condi\u00e7\u00f5es que d\u00e3o origem ao que est\u00e1 acontecendo no Brasil, as rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o capitalistas.<\/p>\n<p><strong>O inimigo de meu inimigo\u00a0<u>n\u00e3o<\/u>\u00a0\u00e9 meu amigo<\/strong><\/p>\n<p>Macron, Merkel, Sanchez, \u2026poder\u00e3o parecer que enfrentam os Bolsonaros, Trump ou Salvinis, mas \u00e9 pura fachada. A crise do Open Arms demonstrou como a pol\u00edtica de Sanchez \u00e9 prima irm\u00e3 da de Salvini, com uma s\u00f3 diferen\u00e7a formal: Salvini disse o que faz ou vai fazer; Sanchez n\u00e3o diz o que faz, faz e ponto final.<\/p>\n<p>Macron e Merkel podem aparentar que repudiam Bolsonaro, mas, se fosse assim j\u00e1 estariam promovendo ataques a\u00e9reos contra o Brasil por crimes de lesa humanidade (queimar o pulm\u00e3o do qual a humanidade depende \u00e9 deixar em estado embrion\u00e1rio o genoc\u00eddio nazi); estariam promovendo sua deposi\u00e7\u00e3o, bloqueando o pa\u00eds, posto que t\u00eam capacidade para faz\u00ea-lo. Mas n\u00e3o, a \u00fanica coisa que fazem \u00e9 agitar um pouco a \u00e1rvore para ver se cede, e dois, para canalizar o mal estar social que est\u00e1 sendo gerado, sobre a m\u00e1xima do \u201cinimigo de meu inimigo \u00e9 meu amigo\u201d. Est\u00e3o atuando para conservar o bosque capitalista,\u00a0 para isso s\u00e3o representantes de burguesias especializadas em enfrentar guerras e revolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por tudo isso, para a classe oper\u00e1ria e todos os setores sociais que se levantam contra estes descerebrados, os v\u00e1rios \u201c inimigos\u201d dos Bolsonaros n\u00e3o s\u00e3o seus \u201camigos\u201d nem ocasionalmente. Ao mesmo tempo em que Macron chama Bolsonaro de \u201cmentiroso\u201d, n\u00e3o deixam de destruir as ra\u00edzes das conquistas sociais na Europa, mant\u00e9m suas pol\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1frica e os refugiados,&#8230;\u00e9, como digo, uma atua\u00e7\u00e3o para desativar o conflito social.<\/p>\n<p>A classe oper\u00e1ria \u00e9 a primeira interessada em que os desastres ecol\u00f3gicos como os inc\u00eandios no Brasil, se resolvam em um sentido progressivo. Da mesma maneira que em uma f\u00e1brica altamente poluente os primeiros prejudicados s\u00e3o os pr\u00f3prios trabalhadores da f\u00e1brica, posto que est\u00e3o em contato di\u00e1rio com a produ\u00e7\u00e3o, na sociedade s\u00e3o os bairros oper\u00e1rios e populares os que sofrem o dia a dia da contamina\u00e7\u00e3o e das consequ\u00eancias econ\u00f4micas que possam ter. Os bairros ricos costumam ter normas urban\u00edsticas que os habitantes dos bairros oper\u00e1rios dessas mesmas cidades nem de longe sonham.<\/p>\n<p>Por isso a classe oper\u00e1ria n\u00e3o tem nenhum interesse real em manter estas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o que os prejudica, primeiro como assalariados\/as para um patr\u00e3o que os explora, e segundo, em que esse mesmo patr\u00e3o os contamina como cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Subjetivamente, um trabalhador pode sentir-se unido ao empres\u00e1rio que o explora, porque em sua cabe\u00e7a e fruto da educa\u00e7\u00e3o social (a qual colaboram os economistas progressistas) aparece o capitalista\/a empresa como os que geram riqueza. Nada mais falso que isto; a riqueza n\u00e3o sai das contabilidades das empresas como o dinheiro n\u00e3o \u00e9 dado pelos operadores de caixa. A riqueza, como o dinheiro, sai do trabalho produtivo humano, e s\u00e3o os trabalhadores\/as assalariados os que com sua for\u00e7a a geram.<\/p>\n<p>Quando a classe oper\u00e1ria toma consci\u00eancia deste fato, rompe sua \u201calian\u00e7a\u201d com o capital e se converte no sujeito social fundamental \u2013 n\u00e3o \u00fanico \u2013 para enfrentar as rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o que est\u00e3o atr\u00e1s dos inc\u00eandios no Brasil, o capitalismo, e seus representantes pol\u00edticos, os Bolsonaros, os Trump, tamb\u00e9m os \u201cinimigos de seus inimigos\u201d. Isto os coloca ante uma necessidade: construir uma alternativa social ao capitalismo, seja sua forma \u201cdepredadora\u201d seja sua forma \u201cverde\u201d, que n\u00e3o pode ser outra que a defesa do comum, implicando nesta luta ao \u201ccomum\u201d da sociedade oprimida e explorada.<\/p>\n<p>E qual \u00e9 o substantivo que define \u201ca defesa do comum\u201d, sen\u00e3o comunista? Este \u00e9 o \u00fanico programa que pode enfrentar a \u201cbarb\u00e1rie\u201d a qual o capitalismo em sua decad\u00eancia nos conduz.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O chamado pulm\u00e3o do mundo, a Amaz\u00f4nia, arde para beneficiar os capitalistas, principalmente ianques, ainda que n\u00e3o devemos esquecer o projeto da China de atravess\u00e1-la com vias de comunica\u00e7\u00e3o. O outro pulm\u00e3o do mundo, a Sib\u00e9ria, est\u00e1 ardendo h\u00e1 semanas, enquanto s\u00e3o registradas temperaturas recordes na Groenl\u00e2ndia e Alasca e a R\u00fassia se converte no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":29653,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3498,3840,31],"tags":[3497,7769,5103],"class_list":["post-29652","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-crise-climatica-e-ambiental","category-defesa-da-amazonia","category-ecologia","tag-capitalismo-e-crise-climatica","tag-capitalismo-e-ecologia","tag-roberto-laxe"],"fimg_url":false,"categories_names":["Crise clim\u00e1tica e ambiental","Defesa da amaz\u00f4nia","Ecolog\u00eda"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29652"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29652\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}