{"id":2923,"date":"2014-02-21T20:12:52","date_gmt":"2014-02-21T20:12:52","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2014\/02\/21\/a-burguesia-reconstroi-o-seu-estado\/"},"modified":"2014-02-21T20:12:52","modified_gmt":"2014-02-21T20:12:52","slug":"a-burguesia-reconstroi-o-seu-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2014\/02\/21\/a-burguesia-reconstroi-o-seu-estado\/","title":{"rendered":"A burguesia tenta reconstruir seu Estado"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"165\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Foto libia.JPG\" vspace=\"4\" width=\"250\" \/>H&aacute; pouco mais de dois anos, Muamar Kadafi era linchado por milicianos rebeldes que o haviam capturado escondido numa tubula&ccedil;&atilde;o. As imagens captadas naquele dia j&aacute; ficaram gravadas na Hist&oacute;ria, simbolizando o fim de uma longa ditadura.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A Revolu&ccedil;&atilde;o L&iacute;bia provocou um profundo debate acerca do car&aacute;cter do regime kadafista e da sua rela&ccedil;&atilde;o com as pot&ecirc;ncias mundiais, das mobiliza&ccedil;&otilde;es populares e ao redor da interven&ccedil;&atilde;o imperialista no pa&iacute;s. H&aacute; tr&ecirc;s anos do come&ccedil;o daquela her&oacute;ica revolu&ccedil;&atilde;o, podemos partir de certa perspectiva e continuar a discutir o processo l&iacute;bio, assim como o processo de conjunto que se tem desencadeado no Norte de &Aacute;frica e no M&eacute;dio-Oriente.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A revolu&ccedil;&atilde;o mais profunda da regi&atilde;o<\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O acampamento de sarahuis em El Aai&uacute;n (capital do Sahara Ocidental, ocupada pelo Marrocos) e a imola&ccedil;&atilde;o de um vendedor ambulante em Tunes inauguraram uma s&eacute;rie de processos revolucion&aacute;rios que acabaram por modificar o mapa de toda a regi&atilde;o, derrubando ditadores h&aacute; 40 anos no poder.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Entre todos esses processos, as revolu&ccedil;&otilde;es na L&iacute;bia e na S&iacute;ria t&ecirc;m sido, at&eacute; agora, as mais profundas. O fator diferencial nestes dois processos, face aos demais, &eacute; que o Estado capitalista se desmoronou parcialmente em ambos os pa&iacute;ses. As For&ccedil;as Armadas, institui&ccedil;&atilde;o fundamental do Estado, dividiram-se nos dois pa&iacute;ses, dando lugar a mil&iacute;cias rebeldes capazes de por em s&eacute;rios apertos o que resta(va) do Ex&eacute;rcito regular. Esta situa&ccedil;&atilde;o complementa-se com o facto de que tanto Kadafi como Assad se mostraram inflex&iacute;veis ante a revolu&ccedil;&atilde;o em curso, negando-se a adotar sa&iacute;das rapidamente, com medidas reformistas por dentro dos regimes para tentar acalmar as revoltas. Da agudiza&ccedil;&atilde;o do conflito de classes, abriram-se situa&ccedil;&otilde;es de guerra civil em ambos os pa&iacute;ses.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Na L&iacute;bia, o imperialismo, aterrado face &agrave; possibilidade de o povo derrubar de armas na m&atilde;o o seu governo aliado &ndash; abrindo um processo de resultado incerto e de extrema instabilidade para prosseguir a rapina das riquezas l&iacute;bias &ndash;, deixou correr a brutal repress&atilde;o de Kadafi, ao mesmo tempo que abria uma negocia&ccedil;&atilde;o com o seu regime. Somente depois de confirmar que Kadafi era incapaz de derrotar a revolu&ccedil;&atilde;o (ainda que fosse pela via da aniquila&ccedil;&atilde;o brutal), que o ditador de Tr&iacute;poli n&atilde;o aceitava nenhuma sa&iacute;da negociada e que existia um poss&iacute;vel governo de substitui&ccedil;&atilde;o de comprovada lealdade (o Conselho Nacional de Transi&ccedil;&atilde;o &ndash; CNT), &eacute; que mudou o seu discurso e interveio militarmente contra Kadafi.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O imperialismo interveio por via a&eacute;rea para tentar controlar &ldquo;por dentro&rdquo; um processo revolucion&aacute;rio que n&atilde;o podia simplesmente esmagar com uma ocupa&ccedil;&atilde;o terreste (devido fundamentalmente &agrave;s suas derrotas no Iraque e no Afeganist&atilde;o), e a guerra desenrolou-se do lado rebelde: o regime foi destru&iacute;do e o cad&aacute;ver do outrora todo-poderoso Kadafi terminou exposto numa c&acirc;mara frigor&iacute;fica para esc&aacute;rnio popular. O panorama, a partir de ent&atilde;o, era composto por um povo com fortes aspira&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e de justi&ccedil;a social que se havia mobilizado e derrotado uma ditadura pr&oacute;-imperialista, o que significou uma tremenda vit&oacute;ria democr&aacute;tica do povo em armas, ainda que esta se tenha dado com a enorme contradi&ccedil;&atilde;o de ter pela frente um novo governo, o CNT, que jurava lealdade &agrave;s pot&ecirc;ncias imperialistas, as mesmas que haviam equipado e feito neg&oacute;cios com o ditador<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O stalinismo, principalmente na sua vers&atilde;o castro-chavista, explicou este processo de uma maneira simplista e &ldquo;conspiran&oacute;ica&rdquo;, atribuindo toda a responsabilidade do sucedido a uma suposta manobra do imperialismo norte-americano que, de acordo com esta corrente, havia contratado milhares de &ldquo;mercen&aacute;rios&rdquo; para desestabilizar o pa&iacute;s, apesar de o povo estar satisfeito com o seu l&iacute;der &ldquo;anti-imperialista&rdquo;, que para os mais exaltados chegava inclusive a ser um &ldquo;socialista&rdquo;. Esta explica&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de ignorar e menosprezar o povo l&iacute;bio que protagonizou uma revolu&ccedil;&atilde;o, &eacute; completamente absurda. Sobretudo porque Kadafi j&aacute; h&aacute; muitos anos se transformara num aliado fiel do imperialismo, com o qual fazia neg&oacute;cios, tinha acordos para torturar na L&iacute;bia uma parte dos acusados por &ldquo;terrorismo&rdquo; pelo governo de Bush e havia sido publicamente felicitado pelo FMI somente 8 dias antes do come&ccedil;o da revolu&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Por outra parte, organiza&ccedil;&otilde;es que se dizem &ldquo;trotskistas&rdquo;, como a Fra&ccedil;&atilde;o Trotskista (FT), fazendo coro com o castro-chavismo, chegaram a considerar os rebeldes l&iacute;bios como mera &ldquo;tropa terrestre do imperialismo&rdquo; e a queda de Kadafi como uma &ldquo;vit&oacute;ria do imperialismo&rdquo;, dado que o processo revolucion&aacute;rio n&atilde;o cumpria as suas exig&ecirc;ncias esquem&aacute;ticas.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">As enormes dificuldades para reconstruir o Estado burgu&ecirc;s<\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Quer o sucedido tenha sido uma conspira&ccedil;&atilde;o imperialista ou uma leg&iacute;tima &ldquo;rebeli&atilde;o&rdquo; popular, o imperialismo conduziu sem grande problema o processo no seu pr&oacute;prio interesse. O que seria l&oacute;gico era que atr&aacute;s de Kadafi viesse um forte governo pr&oacute;-imperialista, apoiado nas suas &ldquo;tropas terrestes&rdquo;, que dominaria ferreamente a situa&ccedil;&atilde;o. Na realidade, o que observamos &eacute; uma tentativa penosa da burguesia l&iacute;bia e imperialista de reconstruir algo parecido com um Estado burgu&ecirc;s, que seja capaz de garantir os seus interesses de classe.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A quest&atilde;o &eacute; que, ap&oacute;s d&eacute;cadas de sil&ecirc;ncio, as massas l&iacute;bias levantaram a voz, tomaram a rua e constru&iacute;ram mil&iacute;cias armadas que combateram Kadafi e cumpriram um papel determinante na sua queda. Depois da queda da ditadura, &eacute; dif&iacute;cil faz&ecirc;-las devolver as armas e que voltem para casa tranquilamente. A burguesia teria agora que manter o seu dom&iacute;nio sem contar com a principal institui&ccedil;&atilde;o na qual em &uacute;ltima inst&acirc;ncia se apoia, as For&ccedil;as Armadas, e num pa&iacute;s recheado de mil&iacute;cias armadas.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A principal pol&iacute;tica para conseguir reconstruir o Estado tem sido cooptar as dire&ccedil;&otilde;es das principais mil&iacute;cias para o aparato do Estado. No entanto, este plano, ainda que tenha tido avan&ccedil;os, n&atilde;o foi completamente frut&iacute;fero at&eacute; agora. As mil&iacute;cias, ainda que colaborem com o governo, e muitas inclusive sejam parte do Ex&eacute;rcito nacional, mant&ecirc;m um alto grau de autonomia, chegando ademais a enfrentar-se quando creem oportuno. Nos &uacute;ltimos meses de 2013 ocorreram na L&iacute;bia fortes conflitos armados entre mil&iacute;cias e for&ccedil;as governamentais, que amea&ccedil;aram acabar com a instabilidade reinante.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Outro fato importante nos &uacute;ltimos meses foi o bloqueio prolongado da atividade petrol&iacute;fera, devido &agrave; interven&ccedil;&atilde;o de mil&iacute;cias de Bengasi que tentaram ter um maior acesso aos benef&iacute;cios da venda, que ascendeu a um total de 40 bilh&otilde;es de d&oacute;lares (20% menos do que o previsto devido &agrave;s perdas pelo conflito). H&aacute; outros sintomas surpreendentes da debilidade do novo Estado l&iacute;bio, como por exemplo os assassinatos de altos comandos militares e policiais, incluindo o chefe de espionagem. Inclusive o primeiro-ministro, Ali Zidan, foi sequestrado! Tanto a embaixada dos EUA como a da R&uacute;ssia foram assaltadas e o Banco Central roubado.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A impot&ecirc;ncia para controlar a situa&ccedil;&atilde;o visualiza-se com claridade ao se mencionar que nos &uacute;ltimos meses o ministro do Interior, o Chefe das For&ccedil;as Armadas e o primeiro-ministro se demitiram dos seus cargos pela sua inoper&acirc;ncia em controlar a situa&ccedil;&atilde;o. As crises de governo s&atilde;o recorrentes: por exemplo, em janeiro passado os cinco ministros do Partido Justi&ccedil;a e Constru&ccedil;&atilde;o<\/span><a href=\"file:\/\/\/C:\/Documents and Settings\/Alexandre\/Meus documentos\/site\/Nuevo site\/Cierre 24-02-2014\/Libia port.doc#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" title=\"\"><span style=\"line-height: 115%;\">[1]<\/span><\/a><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">, ligado &agrave; Irmandade Mu&ccedil;ulmana, retiraram-se do governo.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O imperialismo acompanha a situa&ccedil;&atilde;o com preocupa&ccedil;&atilde;o, expressando pela boca do seu porta-voz John Kerry a pressa em reconstruir um Estado est&aacute;vel que controle a situa&ccedil;&atilde;o, num comunicado em que sublinha &ldquo;a necessidade de colaborar com o primeiro-ministro da L&iacute;bia para ajud&aacute;-los a refor&ccedil;ar rapidamente as suas capacidades&rdquo;, sobretudo no sentido militar. Por isso, atrav&eacute;s da OTAN, os Estados Unidos est&atilde;o colaborando com Zidan para treinar rapidamente o novo &ldquo;ex&eacute;rcito&rdquo; l&iacute;bio.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">As mil&iacute;cias devem subordinar-se a um plano de luta definido democraticamente!<\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A queda da ditadura de Kadafi foi uma grande conquista das massas l&iacute;bias rebeladas. Hoje em dia, os trabalhadores l&iacute;bios t&ecirc;m liberdades democr&aacute;ticas muito maiores para se organizar e lutar. No entanto, a revolu&ccedil;&atilde;o implica grav&iacute;ssimas car&ecirc;ncias que podem chegar a colocar tudo a perder. Apesar das aspira&ccedil;&otilde;es das massas populares que protagonizaram a revolu&ccedil;&atilde;o, as principais dire&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e armadas que nela atuaram tinham um car&aacute;cter burgu&ecirc;s e pr&oacute;-imperialista. N&atilde;o podia ser de outra forma, pois sob [o governo de] Kadafi era dif&iacute;cil, para n&atilde;o dizer imposs&iacute;vel, construir grandes organiza&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias que pudessem se colocar como dire&ccedil;&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o nos primeiros momentos, enquanto que o imperialismo e as for&ccedil;as burguesas entraram no processo com todos os seus imensos recursos militares para o dominar.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Contudo esta situa&ccedil;&atilde;o comporta uma grande contradi&ccedil;&atilde;o. Existem for&ccedil;as distintas que tentam derrotar a revolu&ccedil;&atilde;o e frustrar a emerg&ecirc;ncia de movimentos genuinamente populares que representem as massas exploradas e pobres da L&iacute;bia. O atraso no surgimento claro de alternativas de dire&ccedil;&atilde;o com essas caracter&iacute;sticas abre a possibilidade n&atilde;o s&oacute; de que a revolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consiga os seus objetivos sociais e democr&aacute;ticos, como de retroceder no que j&aacute; se conquistou. J&aacute; nos encontramos perante os avan&ccedil;os da rea&ccedil;&atilde;o, com a aprova&ccedil;&atilde;o da lei isl&acirc;mica como base para a nova Constitui&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m dentro do amplo leque de mil&iacute;cias, pela aus&ecirc;ncia de uma dire&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria e pela a&ccedil;&atilde;o das suas dire&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas (burguesas, pequeno-burguesas ou tribais), muitas delas degeneraram em grupos que defendem interesses mesquinhos e chegam inclusive a atacar a popula&ccedil;&atilde;o. Por isso, chegaram a ocorrer manifesta&ccedil;&otilde;es populares contra determinadas mil&iacute;cias.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A sa&iacute;da dessa situa&ccedil;&atilde;o seria defender o seu desarmamento, como planejam o governo l&iacute;bio e o imperialismo? Definitivamente, n&atilde;o. Devemos defender que as mil&iacute;cias armadas se subordinem a um plano de luta nacional definido democraticamente pelos sindicatos, comit&eacute;s populares, de bairro e outros organismos dos trabalhadores.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O povo l&iacute;bio necessita de uma dire&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria e socialista<\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O processo continua vivo, em curso. Ao contr&aacute;rio do que o stalinismo ou a FT propugnavam, a queda de Kadafi n&atilde;o trouxe o fortalecimento do imperialismo, que tr&ecirc;s anos depois n&atilde;o tem podido estabilizar o pa&iacute;s, n&atilde;o sendo sequer capaz de cumprir a primeira tarefa contrarrevolucion&aacute;ria que &eacute; reconstruir um Estado burgu&ecirc;s s&oacute;lido ante um povo vitorioso no seu primeiro embate revolucion&aacute;rio. &Eacute; urgente que esse impulso se estruture organizativamente; &eacute; necess&aacute;ria uma alternativa oper&aacute;ria e socialista que encabece a continuidade da revolu&ccedil;&atilde;o e seus objetivos.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Da LIT-QI apelamos ao povo trabalhador para que n&atilde;o deposite nem um grama de confian&ccedil;a no governo atual. Nem tampouco nas dire&ccedil;&otilde;es burguesas das lutas das mil&iacute;cias, pois n&atilde;o representam nenhuma alternativa oper&aacute;ria, somente se limitam a protagonizar uma disputa inter-burguesa por serem os testa-de-ferro locais que as empresas imperialistas necessitam para o saque dos recursos petrol&iacute;feros do pa&iacute;s.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">&Eacute; urgente desenvolver grandes sindicatos e outros tipos de organiza&ccedil;&atilde;o, combativas e democr&aacute;ticas, que lutem pelas demandas espec&iacute;ficas do povo. Esses sindicatos devem, por sua vez, coordenar-se com as mil&iacute;cias armadas num plano de luta nacional contra os planos do governo. Essa centraliza&ccedil;&atilde;o das mil&iacute;cias e de todas as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais e populares, em torno de uma sa&iacute;da oper&aacute;ria e socialista, &eacute; fundamental.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nesse processo, &eacute; imperativo assentar as bases e construir um partido revolucion&aacute;rio e internacionalista, que planifique e dirija a continuidade da revolu&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, ganha for&ccedil;a a reivindica&ccedil;&atilde;o de uma Assembl&eacute;ia Constituinte verdadeiramente democr&aacute;tica e soberana, para propugnar que as multinacionais devam ser expropriadas e suas riquezas e tecnologias controladas pelos trabalhadores l&iacute;bios, para o desenvolvimento do pa&iacute;s, de modo a garantir a reforma agr&aacute;ria e a independ&ecirc;ncia total da L&iacute;bia face ao imperialismo. Esta Assembl&eacute;ia Constituinte, para ser realmente livre e soberana, s&oacute; poder&aacute; ser convocada por um governo oper&aacute;rio e popular, apoiado nas organiza&ccedil;&otilde;es e nas mil&iacute;cias que derrubaram Kadafi. Por &uacute;ltimo, para que a revolu&ccedil;&atilde;o l&iacute;bia avance, &eacute; necess&aacute;rio apoiar incondicionalmente a luta das massas s&iacute;rias, pois n&atilde;o haver&aacute; melhor aliado para a revolu&ccedil;&atilde;o l&iacute;bia do que outra revolu&ccedil;&atilde;o triunfante na S&iacute;ria.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"line-height: 115%; font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Tradu&ccedil;&atilde;o: Miguel Almeida<\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br clear=\"all\" \/><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div id=\"ftn1\">\n<div>\n\t\t\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Documents and Settings\/Alexandre\/Meus documentos\/site\/Nuevo site\/Cierre 24-02-2014\/Libia port.doc#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\"><span style=\"line-height: 115%;\">[1]<\/span><\/a> A segunda for&ccedil;a no Parlamento l&iacute;bio. (N.T.)<\/span><\/span><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; pouco mais de dois anos, Muamar Kadafi era linchado por milicianos rebeldes que o haviam capturado escondido numa tubula&ccedil;&atilde;o. 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