{"id":29224,"date":"2019-09-17T13:00:00","date_gmt":"2019-09-17T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=29224"},"modified":"2019-09-17T13:00:00","modified_gmt":"2019-09-17T15:00:00","slug":"20-27-de-setembro-semana-global-para-combater-as-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/09\/17\/20-27-de-setembro-semana-global-para-combater-as-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"20-27 de setembro: semana global para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><em>A crise clim\u00e1tica e ambiental n\u00e3o \u00e9 o produto de um desastre natural. O af\u00e3 do lucro do capitalismo imperialista \u00e9 respons\u00e1vel por essa destrui\u00e7\u00e3o. O que est\u00e1 acontecendo hoje com a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma prova tr\u00e1gica disso. A floresta amaz\u00f4nica est\u00e1 pegando fogo, os animais est\u00e3o morrendo queimados, a flora est\u00e1 sendo destru\u00edda. O ambiente est\u00e1 se contaminando n\u00e3o apenas na regi\u00e3o, mas a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, produto do desmonte irrespons\u00e1vel promovido a favor dos lucros dos latifundi\u00e1rios, empresas de minera\u00e7\u00e3o e madeireiras.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Declara\u00e7\u00e3o da LIT-QI<\/p>\n<p>O ataque \u00e0 Amaz\u00f4nia vem ocorrendo h\u00e1 muito tempo e foram os povos ind\u00edgenas e os seringueiros que historicamente o enfrentaram. Essa luta custou a vida de Chico Mendes e de um grande n\u00famero de ativistas e l\u00edderes. Esse ataque em defesa dos interesses empresariais, sempre teve o apoio direto ou dissimulado dos diferentes governos, e atualmente deu um salto com a pol\u00edtica do governo Bolsonaro que levou a essa barb\u00e1rie ambiental e que est\u00e1 provocando uma forte resposta com as mobiliza\u00e7\u00f5es no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>O desastre da Amaz\u00f4nia \u00e9 hoje o exemplo mais \u00f3bvio de destrui\u00e7\u00e3o ambiental, mas n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. Essa destrui\u00e7\u00e3o provocada pelo capitalismo \u00e9 um fen\u00f4meno mundial que se intensifica nos pa\u00edses coloniais e semicoloniais oprimidos e explorados pelo imperialismo. Prova dessa realidade, pode ser dada pelos povos que tiveram que enfrentar \u00e0s multinacionais de minera\u00e7\u00e3o, do petr\u00f3leo, as hidrel\u00e9tricas e o agroneg\u00f3cio, no Equador, no Peru, na Bol\u00edvia, no Chile, na Argentina &#8230;, que destroem seu meio ambiente e seus meios de subsist\u00eancia, bem como as migra\u00e7\u00f5es massivas do continente africano. Mas \u00e9 algo que as popula\u00e7\u00f5es das grandes cidades dos pa\u00edses imperialistas tamb\u00e9m sofrem diariamente.<\/p>\n<p><strong>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica j\u00e1 \u00e9 uma realidade palp\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2 <\/sub>) na atmosfera antes da era industrial era de 280 partes por milh\u00e3o (ppm), e j\u00e1 atingimos 415 ppm. A temperatura global aumentou cerca de 1 \u00b0 C, sendo que o limite de seguran\u00e7a estabelecido pelo Acordo de Paris \u00e9 de + 1,5 \u00b0 C, ponto que alcan\u00e7aremos em apenas alguns anos. E esse \u00e9 apenas um dos problemas ambientais que o capitalismo produz, que se soma \u00e0 depreda\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o de grandes territ\u00f3rios nas m\u00e3os de empresas de energia, minera\u00e7\u00e3o e madeireiras, \u00e0 enorme polui\u00e7\u00e3o de rios e mares e \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o selvagem de \u00e1reas inteiras. No momento da reda\u00e7\u00e3o deste manifesto, os dados indicavam que em julho passado (o \u00faltimo m\u00eas medido), havia sido o mais quente j\u00e1 registrado. Ano ap\u00f3s ano, os recordes s\u00e3o quebrados. As consequ\u00eancias s\u00e3o bem conhecidas: fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos, secas, colheitas perdidas, mais e piores ondas de calor, desertifica\u00e7\u00e3o e perda de solos inc\u00eandios cada vez mais intensos &#8230;<\/p>\n<p>Essa crise ecol\u00f3gica global levou a uma extin\u00e7\u00e3o massiva da biodiversidade, com uma taxa de extin\u00e7\u00e3o 10.000 vezes maior que a natural e cerca de um milh\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas. Extensas popula\u00e7\u00f5es na \u00c1frica ou na Am\u00e9rica Central s\u00e3o for\u00e7adas a abandonar suas terras para se juntar \u00e0s ondas migrat\u00f3rias. A humanidade est\u00e1 realmente \u00e0 beira de um colapso ecol\u00f3gico de consequ\u00eancias dificilmente previs\u00edveis. N\u00e3o por acaso, muitos cientistas t\u00eam adotado o conceito de \u201cantropoceno\u201d, ou seja, a defini\u00e7\u00e3o de uma nova era geol\u00f3gica que enfatiza o papel do ser humano na transforma\u00e7\u00e3o do mundo biof\u00edsico e na origem dos problemas ambientais globais. No entanto, esse conceito parece limitado, por ignorar o papel central das rela\u00e7\u00f5es de poder, a explora\u00e7\u00e3o e as desigualdades sociais produzidas pelo sistema capitalista, como veremos a seguir.<\/p>\n<p><strong>A crise ecol\u00f3gica: uma quest\u00e3o de classe<\/strong><\/p>\n<p>Dizer que a culpa da situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 do &#8220;comportamento humano&#8221; (em geral), ou fundamentalmente dos h\u00e1bitos de consumo individual, \u00e9 mascarar a realidade. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica t\u00eam respons\u00e1veis com nome e sobrenome. Apenas 100 grandes empresas s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpor 70% das emiss\u00f5es globais. S\u00e3o grandes empresas petrol\u00edferas, de energia ou de carv\u00e3o e g\u00e1s.<\/p>\n<p>Eles acumulam fortunas gigantescas no bolso de alguns poucos, \u00e0 custa da destrui\u00e7\u00e3o do planeta. Do outro lado da moeda, a classe trabalhadora e os setores populares, especialmente nos pa\u00edses semicoloniais (que t\u00eam menos responsabilidade), s\u00e3o os que pagam as consequ\u00eancias mais devastadoras na forma de inunda\u00e7\u00f5es, ciclones, inseguran\u00e7a alimentar ou sendo for\u00e7ados a migrar. Portanto, a crise clim\u00e1tica e ecol\u00f3gica tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o de luta de classes.<\/p>\n<p><strong>O imperialismo e os governos nacionais s\u00e3o respons\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p>Desde a c\u00fapula do Rio de Janeiro em 1992, quando foi adotada a Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, 27 anos se passaram e mais 24 confer\u00eancias internacionais. Longe de ter servido de alguma coisa, a situa\u00e7\u00e3o tem piorando. Sem ir mais longe, entre 2017 e 2018, as emiss\u00f5es globais aumentaram 2,7%.<\/p>\n<p>Governos como Trump e Bolsonaro assumem abertamente a defesa dos grandes interesses capitalistas, recusando explicitamente as menores medidas de controle. Mas, a verdade \u00e9 que todos os governos, de Merkel a Macron at\u00e9 Evo Morales (que a servi\u00e7o do agroneg\u00f3cio estende a fronteira agr\u00edcola \u00e0 custa das \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o), simplesmente fazem um teatro para fingir que est\u00e3o resolvendo algo, tentando acalmar a preocupa\u00e7\u00e3o com esse problema. A hipocrisia dos l\u00edderes da Alemanha e da Fran\u00e7a se torna insuport\u00e1vel quando eles tentam aparecer como comandantes da defesa da Amaz\u00f4nia, sendo que s\u00e3o dois dos pa\u00edses com maior pegada ecol\u00f3gica. E, apesar dos discursos, eles nunca realizam nenhuma a\u00e7\u00e3o verdadeiramente eficaz. Isso ocorre porque eles s\u00e3o servi\u00e7ais dos capitalistas que se enriquecem com as emiss\u00f5es e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Nesse sentido, queremos denunciar e nos diferenciar dos chamados &#8220;partidos verdes&#8221;, ou partidos neo-reformistas que tentaram aparecer como &#8220;ecologistas&#8221;, do tipo Syriza ou Podemos. No final, eles renunciaram a qualquer mudan\u00e7a radical e funcionaram institucionalmente como &#8220;muletas&#8221; para apoiar os governos da antiga socialdemocracia (hoje social-liberais), burgueses imperialistas e igualmente depredadores do meio ambiente. Mesmo onde eles governaram, como na Gr\u00e9cia, o equil\u00edbrio social e ecol\u00f3gico dificilmente poderia ser pior.<\/p>\n<p><strong>Pode haver um capitalismo verde?<\/strong><\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es oficiais est\u00e3o desenvolvendo um discurso sobre a promo\u00e7\u00e3o da chamada \u201ceconomia verde\u201d, uma pol\u00edtica ambiental marcada pela mercantiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e que exalta as solu\u00e7\u00f5es de mercado para, supostamente, salvar o meio ambiente. Exemplos dessa pol\u00edtica s\u00e3o as concess\u00f5es de espa\u00e7os florestais p\u00fablicos ao setor privado, a certifica\u00e7\u00e3o \u201csustent\u00e1vel\u201d de produtos como madeira tropical e a implementa\u00e7\u00e3o do programa Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o Florestal, que serve apenas aos interesses do capital financeiro.<\/p>\n<p>Seria uma quest\u00e3o de promover um novo modelo econ\u00f4mico, para que as \u201cempresas sustent\u00e1veis\u201d fossem mais lucrativas que as \u201csujas\u201d e acabassem substituindo, por exemplo, trocando os combust\u00edveis f\u00f3sseis por energias renov\u00e1veis. O problema de fundo dessa abordagem \u00e9 simples; e \u00e9 que o capitalismo \u00e9 absolutamente insustent\u00e1vel do ponto de vista ambiental. O ciclo de reprodu\u00e7\u00e3o ampliado do capital depende de uma crescente apropria\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, a um ritmo muito maior do que o tempo que a natureza precisa para se regenerar. Os sistemas naturais se desenvolvem ao longo dos s\u00e9culos e seu ciclo de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com o ciclo de reprodu\u00e7\u00e3o do capital, que imp\u00f5e uma violenta e intensa explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, levando \u00e0 ruptura de sua din\u00e2mica natural.<\/p>\n<p>Vendo as consequ\u00eancias da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, Karl Marx j\u00e1 alertava sobre essa situa\u00e7\u00e3o, quando acusou a produ\u00e7\u00e3o capitalista de &#8220;perturbar a intera\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica do homem e a terra&#8221;, isto \u00e9, a troca de energia e materiais entre os seres humanos e seu meio ambiente natural, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a exist\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o. Segundo Marx, &#8220;destruindo as circunst\u00e2ncias desse metabolismo, ela [a produ\u00e7\u00e3o capitalista] impede sua restaura\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica como uma lei reguladora da produ\u00e7\u00e3o social, de maneira apropriada ao pleno desenvolvimento da ra\u00e7a humana&#8221;.<\/p>\n<p>Para alimentar a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, o capitalismo construiu nos \u00faltimos 200 anos um &#8220;modelo f\u00f3ssil&#8221;. A ind\u00fastria, transporte, energia e at\u00e9 agricultura, operam com uma infraestrutura alimentada por combust\u00edveis f\u00f3sseis. Mudar o modelo para uma escala para enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas significaria necessariamente destruir toda a infraestrutura atual para reconstruir uma infraestrutura diferente em escala global. Nenhum fundo de investimento financeiro, nenhum truste capitalista multinacional est\u00e1 disposto a investir uma quantidade imensur\u00e1vel de capital para &#8220;salvar o clima&#8221;, sacrificando os lucros que obteria simplesmente continuando como at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Nem as melhorias tecnol\u00f3gicas no capitalismo s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o. Quando uma empresa capitalista obt\u00e9m maior efici\u00eancia, ela utiliza para produzir quantidades mais baratas ou maiores, para maximizar seus lucros. Nunca renuncia de ganhar mais por consumir menos recursos; entre outras coisas, porque se o fizesse, outra empresa usaria rapidamente a melhoria para afast\u00e1-la do mercado.<\/p>\n<p>Nesse sentido, \u00e9 mais preciso o conceito de &#8220;capitaloceno&#8221; como prop\u00f5em alguns pesquisadores marxistas, considerando que a a\u00e7\u00e3o humana \u00e9 sempre determinada por rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas no contexto do capitalismo global. Portanto, a defesa do meio ambiente deve fazer parte da luta dos trabalhadores contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista. O ser humano s\u00f3 vai superar a aliena\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza quando estiver livre da explora\u00e7\u00e3o do trabalho. \u00c9 uma luta anticapitalista e anti-imperialista e, em ess\u00eancia, pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista. Uma sociedade baseada em novas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o para superar a separa\u00e7\u00e3o entre o campo e a cidade e estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o equilibrada com a natureza, &#8220;condi\u00e7\u00e3o inalien\u00e1vel para a exist\u00eancia da reprodu\u00e7\u00e3o da cadeia das gera\u00e7\u00f5es humanas&#8221;, como destacava Marx.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o significa negligenciar a luta atual. A luta em defesa da \u00e1gua, dos solos e dos habitats, que hoje possui um eixo aglutinador global em defesa da Amaz\u00f4nia, deve ser acompanhada pela estrat\u00e9gia de superar o sistema capitalista para construir uma sociedade em que a classe trabalhadora tenha poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico Portanto, apresentamos algumas medidas que apontam para medidas de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 necess\u00e1ria uma bateria de fortes medidas anticapitalistas<\/strong><\/p>\n<p>A \u00fanica maneira de enfrentar o desafio das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de maneira realista e eficaz \u00e9 tomar medidas anticapitalistas, revolucion\u00e1rias e socialistas que planifique a economia, colocando a sustentabilidade ambiental e a justi\u00e7a social no centro, em vez de benef\u00edcios privados.<\/p>\n<ul>\n<li>As grandes empresas, e em particular as de energia, as petroleiras, as mineradoras e os bancos, devem ser imediatamente nacionalizadas, e seus gigantescos recursos devem estar sob o controle dos trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o e a servi\u00e7o de impulsionar a energia renov\u00e1vel. Ao mesmo tempo, \u00e9 necess\u00e1rio aplicar um forte plano de economia de energia.<\/li>\n<li>O transporte deve ser transformado, ampliando uma ampla rede p\u00fablica e sustent\u00e1vel, que substitua um modelo baseado no carro particular e seja gratuito. O modelo urbano, do trabalho e tur\u00edstico deve favorecer deslocamentos de proximidade e interromper imediatamente a urbaniza\u00e7\u00e3o selvagem.<\/li>\n<li>A ind\u00fastria deve ter uma estrita limita\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, adaptando seus processos de produ\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade, em vez de a diminui\u00e7\u00e3o de custos para seus propriet\u00e1rios, e acabar com o subterf\u00fagio do com\u00e9rcio dos direitos de emiss\u00e3o. A durabilidade, reutiliza\u00e7\u00e3o e reciclagem devem ser crit\u00e9rios obrigat\u00f3rios, eliminando produ\u00e7\u00f5es sup\u00e9rfluas ou destrutivas.<\/li>\n<li>Devemos acabar com a agricultura e a pecu\u00e1ria industrial, nas m\u00e3os de grandes empresas, para adapt\u00e1-las aos modelos ecol\u00f3gicos e racionais.<\/li>\n<li>Defesa incondicional dos povos da selva e de outras comunidades tradicionais que protagonizam movimentos socioambientais contra a destrui\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios pela a\u00e7\u00e3o de grandes empresas. Essas popula\u00e7\u00f5es (ind\u00edgenas, camponesas e quilombolas) s\u00e3o essenciais para a defesa do meio ambiente, devido \u00e0 sua cultura e modo de vida. Por isso, apoiamos todas as lutas pela demarca\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios.<\/li>\n<li>Em defesa da Amaz\u00f4nia, a maior floresta tropical do planeta e dos povos ancestrais que a habitam.<\/li>\n<li>Restri\u00e7\u00e3o radical ao uso de transg\u00eanicos e agrot\u00f3xicos. Os transg\u00eanicos nada mais s\u00e3o do que plantas desenvolvidas para suportar grandes quantidades de agrot\u00f3xicos. A promessa de aumento de produtividade e maior controle de pragas acabou revelando-se uma armadilha para os pequenos agricultores e apenas contribuiu para o fortalecimento de grandes monop\u00f3lios capitalistas na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. \u00c9 por isso que defendemos a restri\u00e7\u00e3o do uso desses produtos, para gradualmente, eliminar o seu uso.<\/li>\n<li>\u00c9 necess\u00e1rio extenso reflorestamento, prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade e recupera\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os naturais.<\/li>\n<li>Todas essas medidas n\u00e3o devem significar perder um \u00fanico posto de trabalho. Todos os trabalhadores cujo posto de trabalho for afetado, devem ter garantido seus sal\u00e1rios e direitos e ser realocados para os novos postos de trabalho. De fato, os novos empregos necess\u00e1rios deveriam ser usados \u200b\u200bpara reduzir o desemprego.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o global de 20 a 27 de setembro Como enfrentamos essa luta?<\/strong><\/p>\n<p>Felizmente, est\u00e1 crescendo a consci\u00eancia reivindicativa sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o meio ambiente. \u00c9 a\u00ed onde est\u00e1 a esperan\u00e7a de mudar as coisas. Em diferentes pa\u00edses, entre 20 e 27 de setembro, est\u00e1 sendo preparada uma semana de luta global, fortalecida pela mobiliza\u00e7\u00e3o global em defesa da Amaz\u00f4nia, que ganha for\u00e7a dia ap\u00f3s dia. A LIT-QI est\u00e1 comprometida em impulsionar essa luta em todos os pa\u00edses em que temos presen\u00e7a. Estaremos trabalhando, nos bairros e cidades, construindo este dia para que se torne um marco na luta ecologista.<\/p>\n<p>Muitos ativistas enfatizam a tentativa de educar a popula\u00e7\u00e3o para adotar h\u00e1bitos econ\u00f4micos. Esses h\u00e1bitos, sendo necess\u00e1rios, n\u00e3o s\u00e3o suficientes e n\u00e3o atacam o fundo do problema. O centro deve ser colocado na luta contra o imperialismo e todos os governos capitalistas e patronais, irm\u00e3os e servi\u00e7ais dos propriet\u00e1rios das grandes empresas poluidoras.<\/p>\n<p>Para acabar com o imperialismo, com os governos, para mudar o sistema econ\u00f4mico, precisamos da classe trabalhadora, de m\u00e3os dadas com a juventude, para assumir e liderar a luta em defesa do meio ambiente. No final, os capitalistas apenas d\u00e3o ordens, mas s\u00e3o os trabalhadores que fazem a economia realmente funcionar, s\u00e3o nossas m\u00e3os que t\u00eam a capacidade de transform\u00e1-la. Somente se a maioria dos trabalhadores tomar o poder em nossas m\u00e3os, evitaremos desastres ambientais e sociais e reconstruiremos o mundo de maneira humana e racional. Por isso, reivindicamos a participa\u00e7\u00e3o, junto com os movimentos sociais, os sindicatos e os partidos pol\u00edticos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Chamamos a uma ampla unidade de a\u00e7\u00e3o de 20 a 27 de setembro e para todas as lutas ambientais em andamento. Esta \u00e9 a luta em que a LIT-QI est\u00e1 comprometida.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise clim\u00e1tica e ambiental n\u00e3o \u00e9 o produto de um desastre natural. O af\u00e3 do lucro do capitalismo imperialista \u00e9 respons\u00e1vel por essa destrui\u00e7\u00e3o. O que est\u00e1 acontecendo hoje com a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma prova tr\u00e1gica disso. A floresta amaz\u00f4nica est\u00e1 pegando fogo, os animais est\u00e3o morrendo queimados, a flora est\u00e1 sendo destru\u00edda. 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