{"id":28828,"date":"2019-07-30T11:14:37","date_gmt":"2019-07-30T13:14:37","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28828"},"modified":"2019-07-30T11:14:37","modified_gmt":"2019-07-30T13:14:37","slug":"causas-da-crise-das-farc-da-insurgencia-a-defesa-das-instituicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/07\/30\/causas-da-crise-das-farc-da-insurgencia-a-defesa-das-instituicoes\/","title":{"rendered":"Causas da crise das FARC: da insurg\u00eancia \u00e0 defesa das institui\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em>A liberta\u00e7\u00e3o de Jes\u00fas Santrich, por ordem do Supremo Tribunal de Justi\u00e7a e a sua posse na C\u00e2mara dos Representantes &#8211; enquanto o Tribunal Constitucional nega objec\u00e7\u00f5es \u00e0 Lei Estatut\u00e1ria da Jurisdi\u00e7\u00e3o Especial para a Paz (JEP) &#8211; \u00e9 uma tr\u00e9gua \u00e0 crise interna das FARC, mas as causas que a geraram permanecem sem solu\u00e7\u00e3o. A crise das FARC tem causas diferentes, mas a principal delas \u00e9 a democracia interna. Nem como grupo insurgente, nem no processo de negocia\u00e7\u00e3o, nem como partido, as FARC levaram em conta as bases ex-guerrilheiras e muito menos os setores populares que afirmam representar.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Antonio Romero<\/p>\n<p>Como guerrilha, a ent\u00e3o For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia &#8211; Ex\u00e9rcito do Povo &#8211; foi uma organiza\u00e7\u00e3o militarista, hier\u00e1rquica e autorit\u00e1ria, que impunha uma r\u00edgida disciplina n\u00e3o apenas aos seus membros, mas tamb\u00e9m \u00e0s comunidades nas quais atuavam. N\u00e3o raro, eles agrediram os setores populares e as organiza\u00e7\u00f5es sociais com as quais tinham contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, em grande parte, muitas das reivindica\u00e7\u00f5es que um setor das v\u00edtimas faz hoje prov\u00eam dessa concep\u00e7\u00e3o das FARC-EP.<\/p>\n<p>Nas negocia\u00e7\u00f5es foi o mesmo, nos di\u00e1logos do Cagu\u00e1n fizeram desfilar sindicatos, associa\u00e7\u00f5es estudantis, camponesas e de mulheres por seu acampamento para entregar as reivindica\u00e7\u00f5es que eles negociariam como seus representantes. Em Havana, eles n\u00e3o puderam fazer o mesmo, mas sua negocia\u00e7\u00e3o era orientada por ONGs internacionais, coletivos de advogados e, em geral, consultores de projetos de coopera\u00e7\u00e3o internacional e at\u00e9 institui\u00e7\u00f5es do Estado. O papel de suas bases foi esperar para ser informado por seu comando.<\/p>\n<p>Hoje como partido, as FARC vivem sua crise, sem as armas com as quais sempre impuseram e alcan\u00e7aram a disciplina interna, afloram suas discuss\u00f5es e diferen\u00e7as. Aparentemente, um setor do partido segue as orienta\u00e7\u00f5es de Rodrigo Londo\u00f1o &#8220;Timochenko&#8221;, que est\u00e1 por cumprir o acordo assinado com Santos e inclusive aceitar as condi\u00e7\u00f5es de implementa\u00e7\u00e3o do acordo colocadas pelo uribismo. Por outro lado, est\u00e1 Iv\u00e1n M\u00e1rquez, que criticou o acordo &#8211; para ele, o problema estava no cronograma de abandono de armas e n\u00e3o na falta de democracia &#8211; e aspira pressionar o governo para cumprir, marginalizando-se de seu processo de submiss\u00e3o ao JEP.<\/p>\n<p>Enquanto isso, as bases guerrilheiras continuam sofrendo n\u00e3o s\u00f3 as viola\u00e7\u00f5es do governo na implementa\u00e7\u00e3o dos acordos, mas uma pol\u00edtica sistem\u00e1tica de exterm\u00ednio que custou a vida de mais de 150 ex-guerrilheiros.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es sociais e de direitos humanos devem reivindicar como uma vit\u00f3ria a liberta\u00e7\u00e3o de Santrich, j\u00e1 que foi a mobiliza\u00e7\u00e3o contra as montagens do Promotor e contra o assassinato de l\u00edderes sociais que levou o regime, em particular aos altos tribunais, a assinar esta ordem de liberdade.<\/p>\n<p>No entanto, o setor de Timochenko e o reformismo &#8211; em particular o Polo Democr\u00e1tico e a Alian\u00e7a Verde &#8211; em face da chamada &#8220;crise institucional&#8221; que o uribismo e o santismo proclamam continuam pedindo para fazer parte do Pacto Nacional chamado por Duque.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora e os setores populares, apesar do fato de que as FARC fizeram um processo de desmobiliza\u00e7\u00e3o pelas costas de suas bases guerrilheiras, devemos cerrar fileiras contra as inten\u00e7\u00f5es do uribismo de modificar os acordos de paz, restringir ainda mais as poucas garantias legais e pol\u00edticas. Mas tamb\u00e9m devemos afirmar que n\u00e3o \u00e9 pedindo espa\u00e7o em um novo pacto nacional que se defende os acordos, mas com uma frente oper\u00e1ria e popular para a luta contra os planos de Duque e o imperialismo.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liberta\u00e7\u00e3o de Jes\u00fas Santrich, por ordem do Supremo Tribunal de Justi\u00e7a e a sua posse na C\u00e2mara dos Representantes &#8211; enquanto o Tribunal Constitucional nega objec\u00e7\u00f5es \u00e0 Lei Estatut\u00e1ria da Jurisdi\u00e7\u00e3o Especial para a Paz (JEP) &#8211; \u00e9 uma tr\u00e9gua \u00e0 crise interna das FARC, mas as causas que a geraram permanecem sem solu\u00e7\u00e3o. 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