{"id":2875,"date":"2013-12-13T02:31:33","date_gmt":"2013-12-13T02:31:33","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2013\/12\/13\/nelson-mandela-da-luta-a-capitulacao\/"},"modified":"2013-12-13T02:31:33","modified_gmt":"2013-12-13T02:31:33","slug":"nelson-mandela-da-luta-a-capitulacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2013\/12\/13\/nelson-mandela-da-luta-a-capitulacao\/","title":{"rendered":"Nelson Mandela: da luta \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"153\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/mandela_deklerk_(2).jpg\" vspace=\"4\" width=\"240\" \/>Em 5 de dezembro faleceu Nelson Mandela, l&iacute;der da popula&ccedil;&atilde;o negra sul-africana, ex-presidente daquele pa&iacute;s e, sem d&uacute;vidas, uma das personalidades mais destacadas da pol&iacute;tica internacional do s&eacute;culo XX. Milh&otilde;es de negros sul-africanos choram a morte de seu querido l&iacute;der e tamb&eacute;m o fazem muitos lutadores negros e pelas liberdades democr&aacute;ticas em todo o mundo.<\/span><\/span><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Compreendemos e respeitamos esta dor: por todo um per&iacute;odo de sua trajet&oacute;ria pol&iacute;tica Mandela era visto como o s&iacute;mbolo da luta contra o apartheid, o sinistro regime pol&iacute;tico adotado durante d&eacute;cadas pela burguesia branca sul-africana. Com todas suas limita&ccedil;&otilde;es, Mandela tem o grande m&eacute;rito de ter colocado a luta contra o apartheid no primeiro plano da pol&iacute;tica internacional.<\/span><\/span><\/p>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">No entanto, ao mesmo tempo, todos os representantes do imperialismo, articuladores e defensores da explora&ccedil;&atilde;o e da opress&atilde;o, como Obama, Merkel, Cameron, Rajoy [1] e um longo etc. tamb&eacute;m lhe rendem homenagem. Como &eacute; poss&iacute;vel que uma figura pol&iacute;tica seja venerada pelas massas oprimidas e, ao mesmo tempo, homenageada por seus piores inimigos?<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Esse aparente paradoxo se d&aacute; por uma raz&atilde;o profunda: o imperialismo homenageia Mandela porque valoriza a import&acirc;ncia de sua atua&ccedil;&atilde;o por ter desviado a revolu&ccedil;&atilde;o negra e mantido a &Aacute;frica do Sul nos marcos do capitalismo. Tamb&eacute;m por convencer as massas negras a aceitarem que os pr&oacute;prios dirigentes racistas afric&acirc;neres [2] sa&iacute;ssem impunes pelos crimes que cometeram e que a burguesia branca continuasse controlando o pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Para entender como se deu este processo &eacute; necess&aacute;rio ver a hist&oacute;ria da &Aacute;frica do Sul e os mecanismos que puseram fim ao apartheid, e o papel que Mandela cumpriu ao longo de sua trajet&oacute;ria pol&iacute;tica. Por isso, respeitando a dor das massas ante sua morte, queremos expressar nossa posi&ccedil;&atilde;o, sem a hipocrisia que muitas vezes se expressa ante a morte de uma figura pol&iacute;tica.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>O apartheid<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A &Aacute;frica do Sul tem quase 50 milh&otilde;es de habitantes e &eacute; o pa&iacute;s mais desenvolvido e industrializado do continente africano. O eixo de sua economia &eacute; a atividade de minera&ccedil;&atilde;o, especialmente a extra&ccedil;&atilde;o de ouro, diamantes e platina (&eacute; o principal produtor mundial deste metal).<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O pa&iacute;s sofreu duas coloniza&ccedil;&otilde;es brancas: uma de origem inglesa e outra holandesa, que deu origem aos chamados afric&acirc;neres. Os afric&acirc;neres foram ganhando predom&iacute;nio e, a partir de 1910, come&ccedil;aram a construir o regime do apartheid em o que os negros n&atilde;o tinham voto nem nenhum direito pol&iacute;tico. Este sistema foi completado em 1948.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Como parte deste sistema, formaram-se verdadeiras aberra&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas, os bantust&otilde;es (como Lesoto), supostas rep&uacute;blicas negras &ldquo;independentes&rdquo; de onde seus habitantes s&oacute; podiam sair com permiss&otilde;es especiais, inclusive para trabalhar diariamente. Se estas permiss&otilde;es fossem transgredidas eram duramente reprimidos.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Os n&iacute;veis de explora&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o negra eram pr&oacute;ximos &agrave; escravid&atilde;o: esta popula&ccedil;&atilde;o vivia em gigantescas favelas, das quais a mais famosa foi a de Soweto, nas cercanias de Johanesburgo, com quase um milh&atilde;o de habitantes amontoados nas piores condi&ccedil;&otilde;es, quase sem nenhum servi&ccedil;o b&aacute;sico garantido.&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Foi sobre esta base de superexplora&ccedil;&atilde;o e de um imenso aparato repressor estatal que a burguesia branca sul-africana, s&oacute;cia de capitais ingleses e holandeses, construiu seu poderio e sua riqueza.&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>O fim do apartheid<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A popula&ccedil;&atilde;o negra lutou duramente contra esta situa&ccedil;&atilde;o, por seus direitos pol&iacute;ticos. Periodicamente, produziam-se explos&otilde;es que eram respondidas com repress&otilde;es e massacres selvagens (entre os mais conhecidos est&atilde;o o de Sharperville, em 1960, e o de Soweto, em 1976).&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Como parte da luta contra o apartheid, fundou-se o Congresso Nacional Africano que, a partir da d&eacute;cada de 1950, come&ccedil;a a ter um crescimento cada vez mais acelerado at&eacute; se transformar na express&atilde;o pol&iacute;tica e na dire&ccedil;&atilde;o da maioria da popula&ccedil;&atilde;o negra. Seu dirigente mais conhecido e de maior prest&iacute;gio popular e internacional foi Nelson Mandela, que ficou preso entre 1962 e 1990. Continuou dirigindo o movimento da pris&atilde;o e, nesse per&iacute;odo, ganhou seu grande prest&iacute;gio e influ&ecirc;ncia em n&iacute;vel nacional e internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A luta do povo negro contra o regime do apartheid foi crescendo e se radicalizando cada vez mais, e tamb&eacute;m o isolamento internacional deste regime. Sua queda parecia inevit&aacute;vel e existia a possibilidade de que esta luta varresse ao regime pela via revolucion&aacute;ria e avan&ccedil;asse tamb&eacute;m pelo caminho de uma revolu&ccedil;&atilde;o socialista do povo negro que destru&iacute;sse as bases capitalistas da domina&ccedil;&atilde;o branca.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Estava proposta a possibilidade de que as massas em sua luta revolucion&aacute;ria expropriassem a burguesia branca, o que seria em realidade a expropria&ccedil;&atilde;o de quase toda a burguesia sul-africana.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ante essa situa&ccedil;&atilde;o, e para frear e controlar o processo revolucion&aacute;rio, o setor majorit&aacute;rio da burguesia branca sul-africana e o imperialismo elaboraram o plano de uma transi&ccedil;&atilde;o que &ldquo;desmontasse&rdquo; o apartheid de modo ordenado e, ao mesmo tempo, garantisse seu dom&iacute;nio econ&ocirc;mico, atrav&eacute;s da manuten&ccedil;&atilde;o da propriedade das empresas e bancos. As pot&ecirc;ncias imperialistas apoiaram a fundo este plano, que teve entre os principais operadores o bispo negro Desmond Tutu, ganhador do Pr&ecirc;mio Nobel da Paz por este servi&ccedil;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">&nbsp;&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Deu-se forma a um pacto em que, em troca do fim do apartheid, o sistema capitalista e a domina&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica burguesa seriam mantidos. Assim, a burguesia branca se afastaria do controle direto do estado e aceitaria a lideran&ccedil;a do CNA para manter sua domina&ccedil;&atilde;o de classe. Contaram para isso com a colabora&ccedil;&atilde;o de Nelson Mandela &#8211; que negociou com De Klerk, o &uacute;ltimo presidente branco, e foi libertado em 1990 &#8211; do Congresso Nacional Africano, da dire&ccedil;&atilde;o da central sindical negra (Cosatu) e do Partido Comunista, que passaram a frear a luta do povo negro e participaram das negocia&ccedil;&otilde;es e da transi&ccedil;&atilde;o at&eacute; 1994, quando Mandela foi eleito presidente.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Em outras palavras, com este pacto, Mandela passou da posi&ccedil;&atilde;o de l&iacute;der da luta contra o apartheid &agrave; de capitula&ccedil;&atilde;o &agrave; burguesia branca e ao imperialismo em uma transi&ccedil;&atilde;o negociada que n&atilde;o questionou a estrutura econ&ocirc;mica capitalista e de classes do pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>O papel do CNA<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ao assumir o manejo do regime e do governo p&oacute;s-apartheid, em 1994, Mandela e o CNA mudaram seu car&aacute;ter. At&eacute; esse momento, apesar das profundas limita&ccedil;&otilde;es de suas concep&ccedil;&otilde;es nacionalistas burguesas, tinham sido a express&atilde;o da luta do povo sul-africano contra o apartheid. A partir dali, transformaram-se nos administradores do estado burgu&ecirc;s sul-africano. A partir dessa op&ccedil;&atilde;o, fizeram uma nova alian&ccedil;a com os antigos inimigos afric&acirc;neres. Por essa alian&ccedil;a, em troca dos servi&ccedil;os prestados, os principais quadros e dirigentes do CNA transformaram-se em uma burguesia negra, s&oacute;cia menor da branca, que lucra com os neg&oacute;cios e negociatas do Estado. Por exemplo, o atual presidente Jacob Zuma foi acusado de corrup&ccedil;&atilde;o, em 2005, quando era vice-presidente, por receber uma alta comiss&atilde;o pela compra de armamentos no exterior. &ldquo;Vivem nas mesmas casas e nos mesmos bairros que os brancos&rdquo;, indignam-se os trabalhadores negros ao verem o enriquecimento destes dirigentes.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">&Eacute; necess&aacute;rio dizer que esta pol&iacute;tica come&ccedil;ou com o pr&oacute;prio Mandela, que abandonou a pol&iacute;tica ativa em 1999. Sucederam-no diversos presidentes do CNA (Thabo Mbeki e Jacob Zuma, que aplicaram pol&iacute;ticas cada vez mais neoliberais e de favorecimento ao lucro dos capitais imperialistas. Por exemplo, a maioria dos sul-africanos pede a nacionaliza&ccedil;&atilde;o da minera&ccedil;&atilde;o, em grande parte em m&atilde;os estrangeiras (a empresa Lonmin, propriet&aacute;ria da mina Marikana, onde se deu recentemente uma grande greve, ferozmente reprimida, tem sua sede em Londres).<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>A COSATU<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A COSATU &eacute; a principal central sindical sul-africana, constru&iacute;da na luta contra o apartheid e em oposi&ccedil;&atilde;o aos velhos sindicatos &ldquo;s&oacute; para brancos&rdquo;. Nesse per&iacute;odo, ganhou peso e prest&iacute;gio. Era um exemplo mundial para a luta dos trabalhadores.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Aliada, e tamb&eacute;m integrante do CNA, apoia seus governos e suas pol&iacute;ticas. Isto rendeu grandes benef&iacute;cios a seus dirigentes, em numerosos cargos governamentais ou parlamentares, e tamb&eacute;m nas empresas privadas. Por exemplo, o ex-dirigente Cyril Ramaphoosa, que foi l&iacute;der da luta dos trabalhadores mineiros e contra o apartheid quando encabe&ccedil;ava o sindicato mineiro nacional (NUM) e a COSATU, &eacute; hoje s&oacute;cio propriet&aacute;rio e membro da diretoria da empresa Lonmin.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">N&atilde;o &eacute; casual que cada vez seja mais numerosa a vanguarda que expressa: &ldquo;O CNA e a Cosatu n&atilde;o nos representam&rdquo; (ver artigo de Wilson Silva, &ldquo;O apartheid neoliberal&rdquo; neste site) e come&ccedil;am a fundar novos sindicatos independentes da Cosatu (como se expressou na greve de Marikana) e a propor a constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa pol&iacute;tica por fora do CNA.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><b>A realidade atual<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">O fim do apartheid foi um grande triunfo do povo negro sul-africano que, ao se eliminar este regime, obteve liberdades, direitos pol&iacute;ticos e um sistema eleitoral baseado em &ldquo;uma pessoa-um voto&rdquo;. Acabaram-se os bantust&otilde;es e, pela primeira vez na hist&oacute;ria do pa&iacute;s, elegeu-se um presidente de sua ra&ccedil;a.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Mas a estrutura econ&ocirc;mica do pa&iacute;s n&atilde;o foi tocada em absoluto e seguiu dominada pela burguesia branca que, agora, contava com a vantagem de ter um regime e governos negros para defender seus interesses. Ao mesmo tempo, a nova burguesia negra aproveitou-se do acesso do CNA ao poder pol&iacute;tico para acumular for&ccedil;a econ&ocirc;mica e passar a ser parte da classe dominante na &Aacute;frica do Sul.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Ao manter-se essa estrutura econ&ocirc;mica, o &iacute;ndice nacional de desemprego &eacute; de 25%, mas entre os trabalhadores negros chega a 40%. 25% da popula&ccedil;&atilde;o vive com menos de US$ 1,25 di&aacute;rio, considerado mundialmente o patamar da mis&eacute;ria e a fome.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">A quase 20 anos do fim do apartheid, a burguesia branca det&eacute;m grandes mordomias e riquezas, enquanto a imensa maioria do povo negro segue vivendo na pobreza e na mis&eacute;ria. Mas agora essa burguesia branca tem como s&oacute;cia a burguesia negra que se formou nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Essa desigualdade explosiva &eacute; a base de um grande crescimento da viol&ecirc;ncia social: h&aacute; 50 mil assassinatos por ano (proporcionalmente, 10 vezes mais que nos EUA). E Mandela, ao ter freado a revolu&ccedil;&atilde;o do povo negro e levado essa luta ao caminho sem sa&iacute;da dos pactos com a burguesia branca e o imperialismo, &eacute; o grande respons&aacute;vel por esta realidade.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">&Eacute; necess&aacute;rio fazer um balan&ccedil;o do caminho empreendido por Mandela, que foi da luta &agrave; capitula&ccedil;&atilde;o. Achamos que deve-se sacar conclus&otilde;es profundas. Na d&eacute;cada de 1990, o povo negro sul-africano conseguiu liberdades e direitos pol&iacute;ticos que indubitavelmente deve-se defender. Mas continuou submetido &agrave; pior explora&ccedil;&atilde;o capitalista em benef&iacute;cio de uma minoria branca e, agora tamb&eacute;m da nova burguesia negra oriunda de seus antigos dirigentes. O povo sul-africano n&atilde;o conquistar&aacute; uma liberta&ccedil;&atilde;o verdadeira sem destruir as bases capitalistas desta explora&ccedil;&atilde;o. &Eacute; necess&aacute;rio lutar pela melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida do povo negro, mas, para triunfar verdadeiramente, essa luta deve avan&ccedil;ar pelo caminho da revolu&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria e socialista que liquide a explora&ccedil;&atilde;o de classe e de ra&ccedil;a que permanece no pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\">Foi Mandela quem impediu, com sua capitula&ccedil;&atilde;o, que isso sucedesse em seu momento. Por isso, os burgueses sul-africanos e os imperialistas homenageiam-no com justi&ccedil;a. Reiteramos, respeitamos a dor do povo negro sul-africano e dos muitos lutadores que choram sua morte em todo o mundo. Mas, de nossa parte, por essa imensa capitula&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o lhe rendemos homenagem e chamamos esse povo e esses lutadores a tirar as necess&aacute;rias conclus&otilde;es do ocorrido nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas na &Aacute;frica do Sul.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t______________________<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:11px;\"><span style=\"font-family:verdana, geneva, sans-serif;\">[1] Obama &ndash; presidente dos EUA; Merkel &ndash; presidente da Alemanha; Cameron &ndash; primeiro-ministro da Inglaterra; Rajoy &ndash; primeiro-ministro da Espanha.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size:11px;\"><span style=\"font-family:verdana, geneva, sans-serif;\"><span style=\"line-height: 115%;\">[2] &ndash; A<\/span><span style=\"line-height: 115%;\">fric&acirc;neres: nome dado &agrave; popula&ccedil;&atilde;o branca que colonizou a &Aacute;frica do Sul a partir do s&eacute;culo 17,<span style=\"line-height: 115%;\"> vinda da&nbsp;<\/span><\/span><span style=\"line-height: 115%;\">Holanda&nbsp;(35%), Alemanha&nbsp;(34%), Fran&ccedil;a&nbsp;(13%), Gr&atilde; Bretanha e outros pa&iacute;ses europeus (7%).<\/span><\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 5 de dezembro faleceu Nelson Mandela, l&iacute;der da popula&ccedil;&atilde;o negra sul-africana, ex-presidente daquele pa&iacute;s e, sem d&uacute;vidas, uma das personalidades mais destacadas da pol&iacute;tica internacional do s&eacute;culo XX. 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