{"id":28745,"date":"2019-07-20T13:18:16","date_gmt":"2019-07-20T15:18:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28745"},"modified":"2019-07-20T13:18:16","modified_gmt":"2019-07-20T15:18:16","slug":"bds-14-anos-de-muitas-vitorias-da-solidariedade-aos-palestinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/07\/20\/bds-14-anos-de-muitas-vitorias-da-solidariedade-aos-palestinos\/","title":{"rendered":"BDS: 14 anos de muitas vit\u00f3rias da solidariedade aos palestinos"},"content":{"rendered":"<p><em>Dados d\u00e3o conta de que o Estado sionista perdeu nos \u00faltimos anos 46% dos investimentos externos em fun\u00e7\u00e3o do BDS.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Soraya Misleh<\/p>\n<p>Al\u00e9m de servirem para encobrir o regime de apartheid israelense, decis\u00f5es de artistas como Milton Nascimento de ignorar os apelos de milhares de f\u00e3s em todo o mundo e manter seu show em Tel Aviv s\u00e3o utilizadas como propaganda contra a campanha central de solidariedade ao povo palestino: BDS (boicote,\u00a0 desinvestimento e san\u00e7\u00f5es). Sionistas celebram a ida desses artistas reconhecidos mundialmente como demonstra\u00e7\u00e3o do que afirmam, n\u00e3o \u00e9 de hoje, ser um movimento fracassado. A realidade \u00e9 bem outra.<\/p>\n<p>Chamado pela sociedade civil palestina em 9 de julho de 2005, o BDS acaba de completar 14 anos. Baseado na campanha de boicote que ajudou a p\u00f4r fim ao apartheid na \u00c1frica do Sul nos anos 1990, traz como demandas: o fim da ocupa\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o de todas as terras \u00e1rabes e a derrubada do muro do apartheid na Cisjord\u00e2nia; o retorno dos milh\u00f5es de refugiados \u00e0s terras de onde foram expulsos; direitos iguais para os palestinos que vivem onde hoje \u00e9 Israel.<\/p>\n<p>Em pouco mais de uma d\u00e9cada, coleciona in\u00fameras vit\u00f3rias. Dados d\u00e3o conta de que o Estado sionista \u2013 fundado em 15 de maio de 1948 mediante limpeza \u00e9tnica da Palestina, para os \u00e1rabes, a nakba (cat\u00e1strofe) \u2013 perdeu nos \u00faltimos anos 46% dos investimentos externos em fun\u00e7\u00e3o do BDS. Por ocasi\u00e3o dos seus 14 anos, o movimento divulgou em seu site (bdsmovement.net) comunicado em que enfatiza vit\u00f3rias recentes. Assim, destaca que \u201ca hashtag Apartheid foi a segunda mais popular durante o Festival da Can\u00e7\u00e3o Eurovisi\u00f3n em Tel Aviv, explicando em parte o fracasso da competi\u00e7\u00e3o em atrair mais de 5 mil pessoas, em contraste com os 40 mil a 50 mil esperados. Ainda conforme o informe, \u201cmais de 100 atividades comerciais, culturais e esportivas na It\u00e1lia declararam-se livres do apartheid israelense em junho, juntando-se a dezenas de conselhos municipais e espa\u00e7os culturais no Estado Espanhol e em toda a Europa\u201d.<\/p>\n<p>Ainda entre as vit\u00f3rias, a sele\u00e7\u00e3o argentina de futebol cancelou no ano passado um amistoso com Israel, como informa o movimento, \u201cdepois de receber apelos de palestinos e grupos de solidariedade internacional\u201d. Tamb\u00e9m em 2018, Natalie Portman, Shakira, Lana del Rey, entre outros artistas proeminentes, cancelaram shows em Israel e dezenas de DJs e outros m\u00fasicos se juntaram ao boicote cultural ao apartheid. Entre eles, a rapper brasileira Linn da Quebrada, que ouviu o apelo feito pela intelectual e ativista feminista Angela Davis, tamb\u00e9m apoiadora do BDS \u2013 assim como o l\u00edder sul-africano Desmond Tutu.<\/p>\n<p>Esses artistas conscientes unem-se, assim, a nomes como Roger Waters, Snoop Dog, Lenny Kravitz e Elvis Costello, entre muitos outros. E aos 55 artistas de distintas nacionalidades que em 2014 divulgaram uma carta aberta de rep\u00fadio ao patroc\u00ednio israelense \u00e0 31\u00aa Bienal Internacional de Arte de S\u00e3o Paulo. Como resultado, no ano em que Israel massacrou em Gaza 2.200 pessoas, entre as quais 530 crian\u00e7as, a Funda\u00e7\u00e3o Bienal acatou o pedido. Ao comunicarem ao mundo a importante vit\u00f3ria, os artistas reiteraram a recusa a \u201capoiar a normaliza\u00e7\u00e3o das ocupa\u00e7\u00f5es conduzidas continuamente por Israel na Palestina.<\/p>\n<p><em>Acreditamos que o apoio cultural do Estado de Israel contribui diretamente para manter, defender e limpar suas viola\u00e7\u00f5es de leis internacionais e direitos humanos.<\/em><\/p>\n<p>Os artistas deste evento n\u00e3o apenas mostraram que t\u00eam organiza\u00e7\u00e3o ao demandar transpar\u00eancia referente ao financiamento de eventos culturais, mas tamb\u00e9m levantaram a quest\u00e3o fundamental de como o financiamento pode comprometer e minar a raz\u00e3o de exist\u00eancia de seus trabalhos\u201d. E enfatizaram: \u201cA luta por autodetermina\u00e7\u00e3o do povo palestino se reflete nos trabalhos de muitos artistas e participantes da Bienal, envolvidos com direitos humanos e lutas populares em escala global. A opress\u00e3o de um \u00e9 a opress\u00e3o de todos.\u201d<\/p>\n<p>No \u00e2mbito acad\u00eamico, segundo o comunicado do BDS de 9 de julho, \u201ch\u00e1 duas semanas, a Sociedade Brit\u00e2nica para Estudos do Oriente M\u00e9dio (Brismes) adotou o boicote das universidades israelenses por sua cumplicidade no planejamento, implementa\u00e7\u00e3o e justifica\u00e7\u00e3o das graves viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos por Israel. A Brismes se junta a v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas americanas que adotaram o boicote nos \u00faltimos anos. A Semana do Apartheid Israelense de 2019 foi um grande sucesso, apesar da crescente repress\u00e3o antidemocr\u00e1tica nos EUA e na Europa\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, al\u00e9m dos apoiadores de BDS acompanharem o calend\u00e1rio e campanhas globais, centenas de acad\u00eamicos assinaram carta de ades\u00e3o ao boicote \u2013 a exemplo do que fizeram 300 professores e pesquisadores na Inglaterra nos \u00faltimos anos. Al\u00e9m do brilhante cientista Stephen Walking (1942-2018).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 v\u00e1rios apoiadores entre os movimentos sociais e sindicais. Segundo o comunicado do BDS, o maior sindicato holand\u00eas, FNV, com 1,1 milh\u00e3o de membros, rompeu contrato com a Hewlett-Packard, \u201cdevido \u00e0 cumplicidade das empresas da marca HP no apartheid de Israel e \u00e0s viola\u00e7\u00f5es do direito internacional. E ainda, \u201ca a\u00e7\u00e3o online global #StopCemex alcan\u00e7ou mais de 1 milh\u00e3o de pessoas, transformando efetivamente o esfor\u00e7o anual de propaganda da gigante do cimento [mexicana] em uma campanha poderosa contra a cumplicidade da Cemex na constru\u00e7\u00e3o dos assentamentos e muros ilegais de Israel\u201d.<\/p>\n<p>Quanto a san\u00e7\u00f5es governamentais, o BDS ressalta que \u201ca press\u00e3o sobre os governos continua. O Congresso Nacional do Chile aprovou a proibi\u00e7\u00e3o de produtos de assentamentos israelenses ilegais constru\u00eddos em terras palestinas roubadas no ano passado, enquanto a campanha para banir produtos de assentamentos de mercados europeus est\u00e1 em andamento\u201d.<\/p>\n<p>Maior companhia privada militar de Israel, a Elbit Systems \u2013 implicada na constru\u00e7\u00e3o do muro do apartheid e no desenvolvimento de drones respons\u00e1veis por ataques a Gaza, al\u00e9m de outras tecnologias e armas \u2013 tem enfrentado tanto o desinvestimento de corretoras de seguros quanto san\u00e7\u00f5es governamentais. Fundos de pens\u00e3o na Su\u00e9cia, Noruega e Dinamarca retiraram invers\u00f5es feitas na empresa e, em 2016, a Fran\u00e7a anunciou que n\u00e3o compraria mais seus drones.<\/p>\n<p>No Brasil, ativistas conseguiram impedir em 2014 que a empresa constru\u00edsse um parque aeroespacial militar em Porto Alegre (RS). A campanha segue para que a subsidi\u00e1ria da Elbit \u2013 AEL Sistemas \u2013 cesse de vez suas atividades na capital ga\u00facha. Essa a\u00e7\u00e3o se insere na mobiliza\u00e7\u00e3o por embargo militar a Israel \u2013 o Brasil infelizmente nos \u00faltimos anos se tornou um dos cinco maiores importadores de tecnologias usadas antes em \u201ccobaias\u201d palestinas e, sob Bolsonaro, a promessa \u00e9 de mais acordos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: inherit !important; font-style: inherit !important;\"><em>O que torna a ades\u00e3o ao BDS neste momento um contraponto fundamental a um governo que declara seu amor por Israel abertamente.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A empresa israelense Mekorot, respons\u00e1vel pelo apartheid da \u00e1gua na Palestina ocupada, tamb\u00e9m tem sido alvo do BDS. Em \u00e2mbito nacional, duas vit\u00f3rias j\u00e1 s\u00e3o contabilizadas nos \u00faltimos anos, com o fim de acordos de coopera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica entre a companhia israelense e empresas p\u00fablicas de saneamento em S\u00e3o Paulo e na Bahia.<\/p>\n<p><strong>Repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O BDS \u00e9 uma ferramenta de solidariedade poderosa, tanto para isolar o apartheid quanto para conscientizar o mundo sobre os crimes contra a humanidade cometidos por Israel \u2013 amplamente demonstrados pelo Direito Internacional. Ciente disso, o primeiro-ministro sionista Benjamin Netanyahu chega a consider\u00e1-lo \u201camea\u00e7a estrat\u00e9gica\u201d. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 tanta que o BDS \u00e9 considerado assunto priorit\u00e1rio pelo seu governo.<\/p>\n<p>Com o crescimento do boicote, sobretudo na Europa, em 11 de julho de 2011, o Knesset \u2013 Parlamento israelense \u2013 aprovou uma lei que permite que uma pessoa ou organiza\u00e7\u00e3o que chame por BDS possa ser processada pelos alvos do boicote sem a necessidade de provarem que sofreram danos. Segundo divulgou o jornal israelense Haaretz \u00e0 \u00e9poca, \u201co tribunal ent\u00e3o decidir\u00e1 quanto de indeniza\u00e7\u00e3o deve ser paga\u201d. Ainda conforme a reportagem, \u201ca segunda parte da lei diz que uma pessoa ou uma empresa que declarar um boicote a Israel ou aos assentamentos n\u00e3o poder\u00e1 concorrer em licita\u00e7\u00f5es do governo\u201d. E em 6 de mar\u00e7o de 2017, atrav\u00e9s da Emenda 28 \u00e0 \u201cLei de Entrada em Israel\u201d aprovada no Knesset, apoiadores internacionais de BDS passaram a ser banidos da entrada na Palestina ocupada.<\/p>\n<p>Por meio do lobby sionista, leis que criminalizam apoiadores do movimento se expandem tamb\u00e9m pela Europa e estados americanos. Caso emblem\u00e1tico \u00e9 a Alemanha ter declarado recentemente que o BDS \u00e9 um movimento \u201cantissemita\u201d \u2013 argumento t\u00e3o antigo quanto mentiroso para constranger cr\u00edticos ao Estado de apartheid israelense, colocando falsamente um sinal de igual entre a discrimina\u00e7\u00e3o contra semitas e a oposi\u00e7\u00e3o ao projeto pol\u00edtico colonial sionista. Ao publicar uma peti\u00e7\u00e3o assinada por 240 ativistas e intelectuais judeus contra a nova lei alem\u00e3, o diretor do Museu Judaico de Berlim, Peter Sch\u00e4fer, renunciou ao seu cargo em junho \u00faltimo, diante de press\u00e3o do\u00a0<em>lobby<\/em>\u00a0sionista.<\/p>\n<p>No mesmo m\u00eas, na Alemanha, o escritor palestino Khaled Barakat foi proibido de participar de qualquer atividade sobre Palestina ou se pronunciar a respeito sob risco de expuls\u00e3o (h\u00e1 uma campanha internacional de den\u00fancia e solidariedade promovida pela Samidoun \u2013 Rede de Solidariedade aos Prisioneiros Pol\u00edticos Palestinos). Ele n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a enfrentar o cerceamento \u00e0 liberdade de express\u00e3o na Alemanha. No mesmo m\u00eas, um festival no pa\u00eds europeu cancelou uma performance do rapper Talib Kweli por sua recusa em renunciar ao seu apoio ao BDS. A ativista feminista palestina Rasmea Odeh \u00e9 outro exemplo. Em mar\u00e7o deste ano, ela foi impedida de falar em uma atividade em solidariedade \u00e0 luta da mulher palestina, entre elas centralmente \u00e0 poeta Dareen Tatour, condenada em 2018 a cinco meses de deten\u00e7\u00e3o por Israel ap\u00f3s recitar versos contra a ocupa\u00e7\u00e3o nas redes sociais \u2013 antes permaneceu por mais de um ano em pris\u00e3o domiciliar. Na sequ\u00eancia, Rasmea Odeh recebeu ordem de expuls\u00e3o da Alemanha. No mesmo m\u00eas, um festival no pa\u00eds europeu cancelou uma performance do\u00a0<em>rapper<\/em>\u00a0Talib Kweli por sua recusa em renunciar ao seu apoio ao BDS.<\/p>\n<p><strong>Propaganda e cumplicidade<\/strong><\/p>\n<p>Ao lado das a\u00e7\u00f5es repressivas, o convite a artistas como Milton Nascimento \u00e9 parte da iniciativa denominada \u201cBrand Israel\u201d (em portugu\u00eas, algo como \u201cMarca Israel\u201d).\u00a0Trata-se de um esfor\u00e7o de propaganda no qual t\u00eam sido investidos milh\u00f5es de d\u00f3lares para tentar reverter a crescente imagem negativa no exterior da pot\u00eancia que ocupa a Palestina.<\/p>\n<p>N\u00e3o se restringe a artistas. Busca atrair tamb\u00e9m turistas, expositores, intelectuais. Algo que n\u00e3o est\u00e1 fora dos padr\u00f5es de um Estado fundado na limpeza \u00e9tnica: Israel historicamente investe tanto na militariza\u00e7\u00e3o quanto nas rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u2013 duas frentes importantes para sustentar um projeto colonial h\u00e1 mais de 71 anos.<\/p>\n<p>A artistas que topam se apresentar e servir ao marketing do apartheid, segundo j\u00e1 denunciou a coordena\u00e7\u00e3o do BDS, os cach\u00eas costumam ser mais elevados do que os pagos na Europa e as cl\u00e1usulas, muito mais r\u00edgidas no caso de cancelamentos. Mesmo assim, ap\u00f3s informados do que representaria seu show, muitos t\u00eam voltado atr\u00e1s, em respeito ao chamado por boicote cultural feito pelos palestinos.<\/p>\n<p>Milton Nascimento lamentavelmente n\u00e3o \u00e9 um deles. N\u00e3o apenas ignorou o apelo e todos os alertas feitos por solid\u00e1rios do mundo inteiro, da Am\u00e9rica Latina \u00e0 Europa. Ap\u00f3s um m\u00eas e meio sem se dignar a dar qualquer aten\u00e7\u00e3o aos in\u00fameros pedidos individuais e coletivos, bem como a uma carta assinada inclusive por diversas organiza\u00e7\u00f5es do movimento negro, lideran\u00e7as ind\u00edgenas e pelo escritor Milton Hatoum, postou em 29 de junho \u2013 um dia antes de sua apresenta\u00e7\u00e3o em Tel Aviv \u2013 em sua p\u00e1gina no Facebook uma resposta p\u00fablica que parece ter sido escrita pelos chamados \u201csionistas de esquerda\u201d (que confundem a solidariedade ao falarem em di\u00e1logo e paz, mas n\u00e3o abrem m\u00e3o da \u201cdefesa\u201d e \u201cseguran\u00e7a\u201d de um Estado colonial e ocupante e historicamente estiveram \u00e0 frente da limpeza \u00e9tnica na Palestina).<\/p>\n<p>Os mesmos argumentos diversionistas para justificar a normaliza\u00e7\u00e3o do apartheid, que se viram durante a campanha no site do Instituto Brasil-Israel (IBI) \u2013 e aos quais o BDS divulgou resposta, inclusive enviada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de Milton Nascimento. Entre as malfadadas alega\u00e7\u00f5es, a de que fora convidado por um brasileiro e que seu show n\u00e3o tinha qualquer incentivo do Estado de Israel at\u00e9 o questionamento da pr\u00f3pria campanha de boicote. \u201cDurante a ditadura militar brasileira eu jamais deixei de tocar no meu pa\u00eds. Ent\u00e3o, por que eu deixaria de tocar agora? Por que deixaria de compartilhar experi\u00eancias de amor e mudan\u00e7a enquanto acontece no Brasil um governo de extrema-direita? Mesmo divergindo das ideias de um governo, jamais abandonarei meu p\u00fablico\u201d, afirma ainda o artista mineiro no\u00a0<em>post<\/em>.<\/p>\n<p>Na resposta ao IBI, o BDS Brasil apontava: \u201cA alega\u00e7\u00e3o de que dever\u00edamos boicotar outros pa\u00edses por seu governo, como Bolsonaro ou Trump, visa desviar a aten\u00e7\u00e3o para a ocupa\u00e7\u00e3o, apartheid, coloniza\u00e7\u00e3o e limpeza \u00e9tnica promovida por Israel historicamente, desde 1948. N\u00e3o \u00e9 um problema de governo. Israel ocupa ilegalmente territ\u00f3rios palestinos, n\u00e3o respeita nenhuma resolu\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, viola cotidianamente o Direito Internacional e os direitos humanos. O Brasil n\u00e3o est\u00e1 ocupando territ\u00f3rio soberano de outra na\u00e7\u00e3o. Portanto, reiteramos que o problema n\u00e3o \u00e9 o atual governo de Israel, \u00e9 o comportamento de um estado institucionalizado de apartheid, fundado em um projeto colonial e de segrega\u00e7\u00e3o. No mais, lutamos contra toda forma de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o, seja no Brasil ou na Palestina. O boicote conecta essas lutas, uma vez que as tecnologias militares que servem ao apartheid israelense s\u00e3o as mesmas que promovem o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e negra nas periferias brasileiras. Essa luta \u00e9 uma s\u00f3!\u201d Entre os exemplos, a participa\u00e7\u00e3o do BDS nas atividades do Julho Negro e na campanha \u201cCaveir\u00e3o N\u00e3o!\u201d, chamados pelos movimentos de favelas do Rio de Janeiro \u2013 que se soma ao boicote ao apartheid, assim como o movimento M\u00e3es de Maio.<\/p>\n<p>Quanto ao argumento de que o convite foi feito por brasileiro, Milton Nascimento fora alertado de que quem tinha origem palestina n\u00e3o poderia estar l\u00e1 para conferir sua apresenta\u00e7\u00e3o. Portanto, apartheid \u2013 como na \u00c1frica do Sul. J\u00e1 sobre a afirma\u00e7\u00e3o do artista de que cantou durante a ditadura, talvez ele e sua produ\u00e7\u00e3o tenham esquecido, mas Milton fazia m\u00fasicas como \u201cMenino\u201d, em 1968, em homenagem ao jovem estudante Edson Lu\u00eds, assassinado pelo regime de exce\u00e7\u00e3o no mesmo ano. O trecho \u201cQuem cala morre contigo! Quem grita vive contigo!\u201d foi adaptado na carta que pedia a Milton Nascimento para n\u00e3o ser c\u00famplice do apartheid.<\/p>\n<p>A resposta de Milton Nascimento veio somente ap\u00f3s pronunciamento p\u00fablico de Roger Waters \u2013 que escrevera antes duas cartas privadas ao artista brasileiro. Lamentavelmente, a decis\u00e3o desse tamb\u00e9m confundiu e dividiu oprimidos e explorados. Contudo, n\u00e3o h\u00e1 derrota nisso ao BDS \u2013 que segue em sua \u00e1rdua luta para esclarecer e conscientizar a partir do debate gerado, inspirado na resist\u00eancia palestina, que n\u00e3o se dobra.<\/p>\n<p>A \u00fanica derrota \u00e9 a m\u00e1cula na bela trajet\u00f3ria de um artista admirado e respeitado inclusive por seus posicionamentos, expressos em letras igualmente belas. Que Milton e outros artistas que furaram o piquete internacional por boicote cultural se arrependam e fa\u00e7am a devida autocr\u00edtica. Que outros artistas brasileiros entendam que esse \u00e9 um enorme erro e recusem a cumplicidade com o apartheid. Escutem de fato a voz do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Artigo publicado originalmente em: https:\/\/www.cartacapital.com.br\/justica\/bds-14-anos-de-muitas-vitorias-da-solidariedade-aos-palestinos\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados d\u00e3o conta de que o Estado sionista perdeu nos \u00faltimos anos 46% dos investimentos externos em fun\u00e7\u00e3o do BDS.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":28746,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[203,228],"tags":[200,4469,3660,7624,260],"class_list":["post-28745","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-israel","category-palestina","tag-apartheid","tag-bds","tag-bolsonaro-e-israel","tag-milton-nascimento-e-bds","tag-soraya-misleh"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/f26e4719-df49-4fc2-b275-201d0480a4f5.jpg","categories_names":["Israel","Palestina"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28745"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28745\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}