{"id":28739,"date":"2019-07-18T13:55:21","date_gmt":"2019-07-18T15:55:21","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28739"},"modified":"2019-07-18T13:55:21","modified_gmt":"2019-07-18T15:55:21","slug":"trotsky-o-terrorismo-individual-e-os-assassinatos-de-rasputin-e-nicolas-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/07\/18\/trotsky-o-terrorismo-individual-e-os-assassinatos-de-rasputin-e-nicolas-ii\/","title":{"rendered":"Trotsky: o terrorismo individual e os assassinatos de Rasput\u00edn e Nicolas II"},"content":{"rendered":"<p><em>Este artigo est\u00e1 datado em 14 de novembro de 2018. A presente tradu\u00e7\u00e3o foi extra\u00edda do Writings of Leon Trotsky (1938-1939) (Escritos de Leon Trotsky), que Pathfinder editou com a permiss\u00e3o de Harvard College Library, Cambridge, EUA. Para mais detalhes sobre a execu\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia real consulte Trotsky<\/em><em>\u00b4s Diaryn Exile (Di\u00e1rio de Leon Trotsky no exilio), Harvard University Press, 1958; nas anota\u00e7\u00f5es dos dias 9 e 10 de abril de 1935.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Me perguntaram qual papel pessoal desempenhei no assassinato de Rasputin[1] e na execu\u00e7\u00e3o de Nicolas II. Duvido que este problema, j\u00e1 que pertence \u00e0 hist\u00f3ria, possa interessar a imprensa. Trata de coisas que aconteceram h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Eu nada tive a ver com o assassinato de Rasput\u00edn. Rasput\u00edn foi assassinado em 30 de dezembro de 1916. Nesse momento minha esposa e eu nos encontr\u00e1vamos a bordo de um barco que havia zarpado da Espanha rumo aos Estados Unidos. Esta separa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica basta para demonstrar que eu n\u00e3o tive participa\u00e7\u00e3o no assunto.<\/p>\n<p>Mas existe tamb\u00e9m razoes pol\u00edticas profundas. Os marxistas russos n\u00e3o tinham nada em comum com o terrorismo individual. Foram os organizadores do movimento revolucion\u00e1rio de massas. O assassinato de Rasput\u00edn foi, na realidade obra de certos elementos que rodeavam a corte imperial. Participaram diretamente no assassinato, entre outros, o deputado ultrarreacion\u00e1rio mon\u00e1rquico da Duma[2], Urishkevich, o pr\u00edncipe Yusupov, parente da fam\u00edlia real, e outras pessoas dessa \u00edndole. Parece que um dos Grandes Duques, Dimitri Paylovich, teve participa\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito dos conspiradores era salvar a monarquia, liquidando um \u201cmal conselheiro\u201d. O nosso era liquidar a monarquia junto com todos os seus conselheiros. Jamais nos ocupamos de aventuras de assassinatos individuais, mas da tarefa de preparar uma revolu\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 sabido, o assassinato de Rasput\u00edn n\u00e3o salvou a monarquia. A revolu\u00e7\u00e3o veio dois meses depois.<\/p>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o do czar foi outra coisa totalmente diferente. O Governo Provis\u00f3rio[3] havia prendido Nicolas II; e o manteve sob cust\u00f3dia, primeiro em Petrogrado, depois em Tobolsk. Mas Tobolsk \u00e9 uma cidade pequena, sem ind\u00fastrias nem proletariado, e n\u00e3o era resid\u00eancia segura para o czar; era de se esperar que os contrarrevolucion\u00e1rios tentassem resgat\u00e1-lo para coloc\u00e1-lo \u00e0 cabe\u00e7a da Guarda Branca[4]. As autoridades sovi\u00e9ticas transferiram o czar de Tobolsk a Ekaterinburgo (nos Urais), um importante centro industrial. L\u00e1 se podia garantir uma custodia adequada.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia real morava em uma casa particular e gozava de certas liberdades. Houve uma proposta de fazer ao czar e a czarina um julgamento p\u00fablico, mas n\u00e3o prosperou. Enquanto isso, o desenrolar da guerra civil preparou outra coisa.<\/p>\n<p>Os Guardas Brancos rodearam Ekaterinburgo e em qualquer momento poderiam entrar. O objetivo fundamental era liberar a fam\u00edlia imperial. Nessas circunstancias o soviete local decidiu executar o czar e sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Nesse momento eu me encontrava em outro setor da frente e, por mais estranho que pare\u00e7a, fiquei sabendo da execu\u00e7\u00e3o depois de uma semana ou mais. No meio do turbilh\u00e3o de acontecimentos, o fato n\u00e3o me impressionou muito. Jamais me preocupei em averiguar \u201ccomo\u201d ocorreu. Devo agregar que demonstrar um interesse especial nos assuntos da realeza, governante ou d\u00e9spota, evid\u00eancia certo grau de instinto servil. Durante a guerra, provocada especialmente pelos capitalistas e latifundi\u00e1rios russos com a colabora\u00e7\u00e3o do imperialismo estrangeiro, morreram centenas de milhares de pessoas. Se, entre eles est\u00e3o os membros da dinastia Romanov, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o ver nisso um pagamento parcial dos crimes da monarquia czarista. O povo mexicano, que foi muito duro com o Estado imperial de Maximiliano, possui uma tradi\u00e7\u00e3o a esse respeito que n\u00e3o deixar nada a desejar[5].<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>[1] Grigori Rasputin (1871-1916), um monge proveniente de uma fam\u00edlia de camponeses pobres, chegou a ter tal ascend\u00eancia sobre o czar e a czarina que se converteu na principal influ\u00eancia pol\u00edtica da corte. Sua ignor\u00e2ncia e corrup\u00e7\u00e3o foram lend\u00e1rias. Foi assassinado por um grupo de nobres para tirar a fam\u00edlia real de sua influ\u00eancia.<\/p>\n<p>[2] A Duna era o parlamento russo na \u00e9poca czarista.<\/p>\n<p>[3] O Governo Provis\u00f3rio se estabeleceu na R\u00fassia com a Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro de 1917. O poder estava nas m\u00e3os dos burgueses liberais (Partido Democr\u00e1tico Constitucional ou Cadete), mencheviques e social revolucion\u00e1rios (populistas).<\/p>\n<p>[4] Guardas Brancos, ou \u201cos brancos\u201d, era o nome que se deu as for\u00e7as contrarrevolucion\u00e1rias russa depois da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro.<\/p>\n<p>[5] Fernando Maximiliano Jos\u00e9 (1832-1867), Arquiduque da \u00c1ustria, foi coroado imperador do M\u00e9xico em 1864, quando a Fran\u00e7a havia conquistado parcialmente o pa\u00eds. Napole\u00e3o III teve que retirar suas tropas por press\u00e3o dos EUA e Maximiliano foi derrotado pelas for\u00e7as mexicanas de Ju\u00e1rez, julgado por uma corte marcial e fuzilado.<\/p>\n<p>Fuente: https:\/\/www.magazine.pstcolombia.org\/2016\/04\/la-posicion-marxista-acerca-del-terrorismo-individual-leon-trotsky\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: T\u00falio Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo est\u00e1 datado em 14 de novembro de 2018. A presente tradu\u00e7\u00e3o foi extra\u00edda do Writings of Leon Trotsky (1938-1939) (Escritos de Leon Trotsky), que Pathfinder editou com a permiss\u00e3o de Harvard College Library, Cambridge, EUA. 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