{"id":28694,"date":"2019-07-16T15:27:43","date_gmt":"2019-07-16T17:27:43","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28694"},"modified":"2019-07-16T15:27:43","modified_gmt":"2019-07-16T17:27:43","slug":"quatro-mil-refugiados-palestinos-da-siria-mortos-desde-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/07\/16\/quatro-mil-refugiados-palestinos-da-siria-mortos-desde-2011\/","title":{"rendered":"Quatro mil refugiados palestinos da S\u00edria mortos desde 2011"},"content":{"rendered":"<p><em>O Grupo de A\u00e7\u00e3o pelos Palestinos da S\u00edria (AGPS &#8211; Action Group for Palestinians of Syria), uma ONG de direitos humanos formada em 2012 e sediada em Londres, noticiou no \u00faltimo dia 9 de julho que 3.987 refugiados palestinos na S\u00edria perderam a vida desde 2011, in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o e da guerra no pa\u00eds \u00e1rabe.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: F\u00e1bio Bosco<\/p>\n<p>Desses, 1.422 viviam no campo de refugiados de Al-Yarmouk, o maior fora da Palestina ocupada, que foi sitiado e bombardeado pela avia\u00e7\u00e3o do regime s\u00edrio. Outros 263 eram do campo de refugiados de Daraa; 202, de Khan Eshieh (na zona rural de Damasco); 168, de Al-Neirab, em Aleppo; e 124, do campo de Al-Husainiya. Centenas mais morreram em outras localidades na S\u00edria.<\/p>\n<p>Do total, 1.212 foram mortos por bombardeios, 1.077 foram assassinados a tiros e 604 foram torturados at\u00e9 a morte nos centros de deten\u00e7\u00e3o do regime s\u00edrio. Outros 311 foram atingidos por atiradores especializados (<em>snipers<\/em> em ingl\u00eas), 205 morreram de desnutri\u00e7\u00e3o ou falta de tratamento m\u00e9dico em \u00e1reas sitiadas pelo regime, 142 em explos\u00f5es, 92 foram executados extrajudicialmente por mil\u00edcias ligadas ao regime s\u00edrio e 52 morreram afogados no Mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p><strong>Sete anos do massacre de 16 palestinos<\/strong><\/p>\n<p>Em nota de 11 de julho, o AGPS relembra os 16 palestinos integrantes do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Palestino (PLA \u2013 Palestinian Liberation Army) sequestrados quando retornavam do centro militar de Misyaf, pr\u00f3ximo a Idlib, para o campo de refugiados de Al-Neirab, em Aleppo. Eles foram torturados e mortos cerca de um m\u00eas depois.<\/p>\n<p>Em 2015, for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o ao regime s\u00edrio tomaram a Sucursal de Seguran\u00e7a Criminal em Idlib \u2013 ag\u00eancia do regime s\u00edrio onde foram descobertas as fotos de alguns combatentes sequestrados e torturados at\u00e9 a morte por tropas do regime s\u00edrio, entre eles Mahmoud Abu Al-Leil e Anas Karim. Mais de 270 combatentes do PLA perderam a vida na S\u00edria.<\/p>\n<p>O refugiado palestino Ibrahim Reda Samara, residente do campo de Al-Neirab e volunt\u00e1rio da brigada Liwa Al-Quds ligada ao regime s\u00edrio, foi morto a tiros pelas pr\u00f3prias mil\u00edcias do regime ao defender uma mulher que estava sendo assediada por elas na Pra\u00e7a Saadullah Al-Jaberi, em Aleppo.<\/p>\n<p>O AGPS tamb\u00e9m documentou a morte de 35 refugiados palestinos do grupo Fatah Al-Intifada em combates ao lado das for\u00e7as do regime contra o Daesh (grupo autodenominado Estado Isl\u00e2mico) e a Frente Al-Nusra em Al-Yarmouk, Harasta, Al-Kabon e Deir-Zour.<\/p>\n<p>Segundo o AGPS, ativistas denunciaram que as mil\u00edcias do Daesh sequestraram dezenas de refugiados palestinos procurados e os entregaram para as for\u00e7as do regime s\u00edrio \u201cpor quest\u00f5es de seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>O regime s\u00edrio obriga palestinos maiores de 18 anos a se alistarem no Ex\u00e9rcito, o que pressiona os palestinos a buscarem ref\u00fagio em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Professores palestinos assassinados<\/strong><\/p>\n<p>Em outra nota de 11 de julho, o AGPS relata que o Sindicato Geral de Professores Palestinos homenageou v\u00e1rios professores palestinos em Aleppo.<\/p>\n<p>A nota esclarece que dezenas deles \u201cforam mortos e muitos outros foram torturados at\u00e9 a morte nas pris\u00f5es estatais s\u00edrias\u201d, al\u00e9m de dezenas que desapareceram.<\/p>\n<p><strong>Palestinos detidos<\/strong><\/p>\n<p>Em nota de 10 de julho, o AGPS relata que o refugiado palestino Omar Yacoob Hejazi, nascido em 1975 e residente no campo de Al-Yarmouk, foi sequestrado por tropas s\u00edrias na fronteira s\u00edrio-libanesa h\u00e1 sete anos.<\/p>\n<p>Outro palestino de Al-Yarmouk, Haytham Hamouda Naji, nascido em 1969, foi sequestrado por tropas do regime s\u00edrio em 28 de agosto de 2014 quando distribu\u00eda alimentos na Pra\u00e7a Al-Rijah, no pr\u00f3prio campo de refugiados.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m de Al-Yarmouk s\u00e3o os refugiados palestinos Mahmoud Tamim, de 58 anos, encarcerado pelo regime s\u00edrio desde 3 de agosto de 2013; Salim Mohamed Al-Mawed e Nour Al-Deen Mahmoud Abdullah, preso no posto de controle no campo respectivamente em 22 de maio de 2013 e em 2014.<\/p>\n<p>O refugiado palestino Moad Adnan Al-Khatib, residente do campo de Al-Husainiya, foi preso em 1\u00ba de dezembro de 2012. Ele era estudante da Faculdade Al-Fatah Al-Islami e Im\u00e3 na mesquita de Al-Sahabi Zaher. Pelo menos 35 palestinos do campo de Al-Husainiya foram detidos por for\u00e7as do regime s\u00edrio.<\/p>\n<p>J\u00e1 a refugiada palestina de 29 anos Rudeina Muhammad Khattab foi presa pelo regime s\u00edrio em 2012 em Latakia. Tamb\u00e9m dessa cidade, o refugiado palestino Mohamed Fatah Hamouda, residente do campo de Al-Raml, foi libertado em 1\u00ba de julho ap\u00f3s oito anos em c\u00e1rcere. Ele foi preso em 17 de agosto de 2011 e passou pela famigerada pris\u00e3o militar de Sednaya antes de ser transferido para a pris\u00e3o central Al-Sweida.<\/p>\n<p>O AGPS registrou o encarceramento de 1.759 refugiados palestinos pelo regime s\u00edrio, incluindo 108 mulheres e meninas, e de outros 606 que foram torturados at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias continuam a procurar e apelar por informa\u00e7\u00f5es sobre seus entes queridos.<\/p>\n<p><strong>Palestinos impedidos de retornar a Al-Yarmouk<\/strong><\/p>\n<p>Em nota de 8 de julho, o AGPS denuncia que as fam\u00edlias civis t\u00eam seu regresso a Al-Yarmouk negado pelas tropas s\u00edrias nas principais entradas do campo.<\/p>\n<p>Uma peti\u00e7\u00e3o de 200 p\u00e1ginas com a assinatura de 3 mil residentes de Al-Yarmouk pleiteia \u00e0s autoridades s\u00edrias que permitam seu retorno para reconstru\u00e7\u00e3o das casas e da infraestrutura. Ap\u00f3s sete anos de bombardeios, 5.489 constru\u00e7\u00f5es foram destru\u00eddas nesse campo.<\/p>\n<p>A maior parte dos residentes fugiu por causa do bloqueio brutal feito pelo regime s\u00edrio desde 2012 e, posteriormente, pela tomada do campo pelo Daesh, em 1\u00ba de abril de 2015. E finalmente por conta dos 33 dias de bombardeios e a\u00e7\u00e3o militar do regime a partir de 19 de abril de 2015.<\/p>\n<p><strong>Solidariedade<\/strong><\/p>\n<p>A refugiada palestina da S\u00edria Shadha Abu Weddou entrou em greve de fome em Londres juntamente com outros 47 ativistas em v\u00e1rias cidades, em particular a s\u00edria Brita Hagi Hasan, que est\u00e1 em frente \u00e0 sede da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em Genebra, para protestar contra os crimes do regime s\u00edrio e da avia\u00e7\u00e3o russa no norte do pa\u00eds \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Infelizmente a maioria dos partidos pol\u00edticos palestinos apoia o ditador s\u00edrio Bashar el-Assad ou se omite na den\u00fancia das atrocidades cometidas pelo regime. A causa palestina \u00e9 uma causa internacional por justi\u00e7a e liberdade. N\u00e3o pode se misturar com ditadores assassinos como Bashar el -Assad.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Grupo de A\u00e7\u00e3o pelos Palestinos da S\u00edria (AGPS &#8211; Action Group for Palestinians of Syria), uma ONG de direitos humanos formada em 2012 e sediada em Londres, noticiou no \u00faltimo dia 9 de julho que 3.987 refugiados palestinos na S\u00edria perderam a vida desde 2011, in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o e da guerra no pa\u00eds \u00e1rabe.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":28695,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[228,569],"tags":[7609,180,7610],"class_list":["post-28694","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-palestina","category-siria","tag-agps-action-group-for-palestinians-of-syria","tag-fabio-bosco","tag-refugiados-palestinos"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/713225.jpg","categories_names":["Palestina","S\u00edria"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28694\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28695"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}