{"id":28674,"date":"2019-07-15T19:32:47","date_gmt":"2019-07-15T21:32:47","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28674"},"modified":"2019-07-15T19:32:47","modified_gmt":"2019-07-15T21:32:47","slug":"o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/07\/15\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/","title":{"rendered":"O sistema banc\u00e1rio chin\u00eas e a guerra comercial de Trump"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Ao aproximar economicamente os pa\u00edses e ao igualar o n\u00edvel de seu desenvolvimento, o capitalismo atua com seus m\u00e9todos\u2026 que boicotam continuamente o seu pr\u00f3prio trabalho, opondo um pa\u00eds e um ramo da produ\u00e7\u00e3o a outro\u2026 S\u00f3 a combina\u00e7\u00e3o dessas duas tend\u00eancias fundamentais, centr\u00edpeta e centr\u00edfuga, nivela\u00e7\u00e3o e desigualdade, ambas, consequ\u00eancia da natureza do capitalismo, pode explicar o entrela\u00e7amento vivo do processo hist\u00f3rico.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Leon Trotsky<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Jo\u00e3o Ricardo Soares<\/p>\n<p>Este texto, centrado no Sistema Financeiro Chin\u00eas, \u00e9 a continuidade de um artigo anterior que discutia o sentido da guerra comercial, para al\u00e9m das apar\u00eancias e discursos de Trump.<\/p>\n<p>Leia em: https:\/\/litci.org\/pt\/mundo\/asia-mundo\/china\/armas-de-guerra\/<\/p>\n<p>O artigo enfatizava as dificuldades norte-americanas para levar adiante sua ofensiva. Este texto tem o sentido oposto: foca nas debilidades da China. Portanto, os dois textos se complementam e n\u00e3o podem ser lidos separadamente em suas conclus\u00f5es fundamentais.<\/p>\n<p>Neste segundo texto, em que pese o fato de estar focado no sistema financeiro, envolve outros elementos que explicam as particularidades \u201cchinesas\u201d. Referimo-nos \u00e0s formas da depend\u00eancia da China e \u00e0s decis\u00f5es pol\u00edticas que a mant\u00eam. Pois esta depend\u00eancia, at\u00e9 agora, diferiu na forma da subordina\u00e7\u00e3o da China, comparada com a totalidade das semicol\u00f4nias que se industrializaram no p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>A forma permitiu, at\u00e9 o momento presente, uma margem de manobra superior, pois ela reflete o \u201cvivo entrela\u00e7amento do processo hist\u00f3rico\u201d ao qual se refere Trotsky. A forma da depend\u00eancia, sendo a resultante da luta entre as classes e fra\u00e7\u00f5es de classe no interior do organismo econ\u00f4mico mundial, calibrou a medida em que a rela\u00e7\u00e3o entre \u201cnivelamento e desigualdade\u201d expressou-se na domina\u00e7\u00e3o imperialista ao longo do s\u00e9culo vinte e se expressa tamb\u00e9m agora.<\/p>\n<p>As \u201cabundantes formas transit\u00f3rias de depend\u00eancia estatal\u201d \u00e0 qual se referia Lenin, completa o crit\u00e9rio desenvolvido por Trotsky para compreender o movimento das \u201cduas tend\u00eancias fundamentais, centr\u00edpeta e centr\u00edfuga, nivela\u00e7\u00e3o e desigualdade, ambas, consequ\u00eancia da natureza do capitalismo\u201d.<\/p>\n<p>Estas duas tend\u00eancias podem ser sintetizadas em categorias, que tem a fun\u00e7\u00e3o de fixar o movimento dos pa\u00edses e sua localiza\u00e7\u00e3o na divis\u00e3o mundial do trabalho em um determinado momento. No entanto, fixar n\u00e3o exime a compreens\u00e3o do movimento, tanto no que se refere ao aumento da desigualdade como o nivelamento entre os pa\u00edses que caracteriza a \u00e9poca imperialista.<\/p>\n<p>Este texto foi desenvolvido com este crit\u00e9rio. As duas primeiras sec\u00e7\u00f5es descrevem a estrutura do sistema financeiro da China, as fases da sua constru\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o insepar\u00e1veis da restaura\u00e7\u00e3o capitalista e da configura\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>As se\u00e7\u00f5es seguintes buscam construir a rela\u00e7\u00e3o do SFC com as leis de movimento do capital e suas caracter\u00edsticas fundamentais. Estas em nossa opini\u00e3o implicam na subordina\u00e7\u00e3o da China ao imperialismo como totalidade, em que pese as contradi\u00e7\u00f5es deste processo. Assim o texto est\u00e1 centrando em compreender estas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p><strong>A fases da constru\u00e7\u00e3o do mercado financeiro<\/strong><\/p>\n<p>As fases da reforma do sistema banc\u00e1rio chin\u00eas correspondem \u00e0 marcha da restaura\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que as rela\u00e7\u00f5es sociais vinham se transformando desde 1978, a ditadura aplicava medidas para garantir a \u201cliberdade\u201d do capital.<\/p>\n<p>Assim, as reformas do sistema banc\u00e1rio iniciadas em 1979 ganham um novo impulso com a entrada da China no Fundo Monet\u00e1rio Internacional e no Banco Mundial, a partir de 1980.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o material, antes voltadas para atender as necessidades b\u00e1sicas \u2013 e os privil\u00e9gios da burocracia \u2013 deveria, a partir de ent\u00e3o, expressar-se na forma de valor e de seu equivalente \u2013 o dinheiro. Na sua forma Capital, este deveria iniciar o curso da acumula\u00e7\u00e3o, onde o sistema de cr\u00e9dito \u00e9 o seu sistema nervoso.<\/p>\n<p>A vasta for\u00e7a de trabalho do pa\u00eds deveria produzir valor. O Estado controlou esse processo em distintas fases, conforme a necessidade da acumula\u00e7\u00e3o e do desenvolvimento de uma classe de capitalistas aut\u00f3ctone.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o sem antes tomar uma s\u00e9rie de medidas preventivas que constituem as particularidades deste processo que seguem sendo objeto de debate sobre a natureza do sistema que vigora na China. A din\u00e2mica de toda a pol\u00edtica das reformas foi a retirada do Estado do caminho da acumula\u00e7\u00e3o de capital.<\/p>\n<p>O primeiro est\u00e1gio das reformas no Sistema Financeiro Chin\u00eas (SFC) inicia-se em 1979 com o desmembramento das fun\u00e7\u00f5es e \u00e1reas de aloca\u00e7\u00e3o dos recursos do or\u00e7amento do Estado exercidas pelo BPC (Banco do Povo da China) em entidades aut\u00f4nomas, at\u00e9 a sua transforma\u00e7\u00e3o em bancos estatais espec\u00edficos, conhecidos como os\u00a0<em>Big Four<\/em>\u00a0(Quatro Grandes) e a transforma\u00e7\u00e3o do BPC em Banco Central (1984).<\/p>\n<p>Assim, tem in\u00edcio a forma\u00e7\u00e3o dos chamados grandes bancos comerciais:<\/p>\n<p>1.O Banco Agr\u00edcola da China (ABC, pelas siglas em ingl\u00eas) \u2013 Respons\u00e1vel por opera\u00e7\u00f5es em \u00e1reas rurais. A constitui\u00e7\u00e3o do ABC ocorre paralelamente \u00e0 \u201cdescoletiviza\u00e7\u00e3o\u201d das terras e \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o dos produtos agr\u00edcolas em mercadorias. As comunas foram dissolvidas e foi adotado um sistema de responsabilidade familiar sobre a terra, com a venda dos produtos agr\u00edcolas diretamente no mercado, mas com um sistema de pre\u00e7os duplos, onde o pre\u00e7o m\u00ednimo das compras pelo Estado convivia com um pre\u00e7o de mercado.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote1sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>1<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O ABC \u00e9 o primeiro banco a se desgarrar do BPC. Foi encarregado de executar o Plano de Cr\u00e9dito para o campo e de centralizar as Cooperativas de cr\u00e9dito Rural e outras institui\u00e7\u00f5es de financiamento locais.<\/p>\n<p>2.O Banco Comercial e Industrial da China (ICBC, em ingl\u00eas) \u2013 respons\u00e1vel pelas transa\u00e7\u00f5es comerciais at\u00e9 ent\u00e3o controladas pelo BPC. Centrado na concess\u00e3o de cr\u00e9ditos de curto prazo para a ind\u00fastria estatal. A amplia\u00e7\u00e3o do credito do ICBC correspondeu ao processo que levou ao fim do planejamento central\u201d, o qual substitui o sistema de fornecimento de mat\u00e9rias primas e insumos pelo Estado, por cr\u00e9dito para que as empresas adquirissem esses bens no mercado.<\/p>\n<p>3. O Banco da China (BOC) \u2013 que se concentra nas opera\u00e7\u00f5es envolvendo moedas estrangeiras, atuando nas Zonas Econ\u00f4micas Especiais (ZEE), onde se instalaram as multinacionais com o objetivo de produ\u00e7\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>4.O Banco da Constru\u00e7\u00e3o da China (PCBC) \u2013 que passou a atuar, principalmente, em projetos de constru\u00e7\u00e3o habitacional;<\/p>\n<p>A atividade dos bancos estatais obedecia \u00e0s diretrizes formuladas pelo Plano de Cr\u00e9dito, que se constituiu no regime de pol\u00edtica monet\u00e1ria da China, oficialmente, at\u00e9 1998. O Plano de Cr\u00e9dito estabelecia os objetivos a serem cumpridos por cada um dos quatro bancos estatais chineses ao longo do ano, sendo formulado em conjunto pelo Conselho de Estado, Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as e o BPC, cuja atua\u00e7\u00e3o era definida tamb\u00e9m a partir das resolu\u00e7\u00f5es do Plano de Cr\u00e9dito, cabendo-lhe a supervis\u00e3o das atividades dos demais bancos no cumprimento das metas.<\/p>\n<p>Assim, as empresas estatais deveriam, a partir de 1984, buscar financiamento para suas atividades nos bancos estatais, que centralizavam a oferta de cr\u00e9dito, definido pelo plano.<\/p>\n<p>A segunda fase da reforma banc\u00e1ria (1984-1988) \u00e9 a express\u00e3o do avan\u00e7o da restaura\u00e7\u00e3o e de suas consequ\u00eancias sobre a vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o, que culmina com as mobiliza\u00e7\u00f5es e a repress\u00e3o na Pra\u00e7a Tiananmen.<\/p>\n<p>O sistema de pre\u00e7os duplos vai se relaxando e aos poucos a fra\u00e7\u00e3o n\u00e3o controlada pelo Estado \u00e9 liberada, permitindo que esta fra\u00e7\u00e3o fosse acumulada como valor, passando a vigorar para grande parte da produ\u00e7\u00e3o das estatais em suas distintas esferas.<\/p>\n<p>Mas, para levar adiante a produ\u00e7\u00e3o e permitir a acumula\u00e7\u00e3o de capital, o Plano Nacional de Cr\u00e9dito \u00e9 flexibilizado. O sistema libera a forma\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Institui\u00e7\u00f5es Financeiras N\u00e3o Banc\u00e1rios\u00a0<\/em>(NBFI \u2013 Non Banking Financial Institutions) na forma de cooperativas rurais de cr\u00e9dito, cooperativas urbanas de cr\u00e9dito, Companhias de Leasing, de seguros, e as Corpora\u00e7\u00f5es de Investimento e Concess\u00e3o de Cr\u00e9dito (TIC, em ingl\u00eas,\u00a0<em>Trust and Investiment Corporations<\/em>) e as Empresas de Gest\u00e3o de Patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>As TICs estavam sob o controle do Conselho de Estado e a sua principal fun\u00e7\u00e3o era obter capital estrangeiro para os governos locais, sob a forma de investimento estrangeiro ou empr\u00e9stimos e financiar empresas estrangeiras no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o envolveu profundamente as burocracias regionais e provinciais, particularmente das zonas costeiras centradas nas ZEEs, criando uma burguesia vinculada ao suprimento das multinacionais, assim como a infraestrutura necess\u00e1ria para a produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o. Isso se expressa no impulso \u00e0s empresas controladas pelos governos provinciais (TVE, em ingl\u00eas) que em 1978, empregavam 28 milh\u00f5es de pessoas e respondiam por cerca de 5% do PIB; em 1996, empregavam 135 milh\u00f5es e perfaziam 26 % do PIB. (M.H. Carvalho, 2013)<\/p>\n<p>Dois aspectos importantes desta segunda fase merecem ser sublinhados. O avan\u00e7o da libera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os que resultou em um processo inflacion\u00e1rio e a amplia\u00e7\u00e3o do sistema de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de uma produ\u00e7\u00e3o industrial subdesenvolvida que n\u00e3o consegue atender a demanda, com a libera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os em todos os ramos da ind\u00fastria, descontrolou o sistema de pre\u00e7os. Ao mesmo tempo em que o \u201cPlano de cr\u00e9dito\u201d concentrado nos bancos do Estado, demonstrou-se insuficiente para atender as empresas do Estado e ao investimento capitalista. O resultado foi a explos\u00e3o dos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>A libera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os era a chave para a realiza\u00e7\u00e3o da mais-valia e para o florescimento da acumula\u00e7\u00e3o de capital e, assim, o desenvolvimento de um \u201csetor privado\u201d. Mas, o resultado inicial foi inflacion\u00e1rio: a restri\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito leva \u00e0 busca do financiamento paralelo e, ante uma demanda alta de mercadorias, os pre\u00e7os explodem. Esse processo agu\u00e7a a luta de classes e d\u00e1 in\u00edcio a uma s\u00e9rie de mobiliza\u00e7\u00f5es que culminam com a explos\u00e3o em Pequim.<\/p>\n<p>\u00c0 repress\u00e3o brutal em Tiananmen segue-se uma reorganiza\u00e7\u00e3o do aparato central conhecido como o \u201cGrande Compromisso\u201d: um acordo entre as For\u00e7as Armadas, as burocracias regionais e a burocracia central do PCC. Sendo Deng Xiao Ping a figura central deste processo.<\/p>\n<p>Particularmente nas regi\u00f5es nas quais as ZEEs j\u00e1 se encontravam, onde o dinamismo da produ\u00e7\u00e3o capitalista das multinacionais permitia a forma\u00e7\u00e3o de uma burguesia chinesa com algum peso na realidade, situada nas prov\u00edncias do sul. Assim, em 1992, Deng, aos 88 anos, empreende uma longa viagem \u00e0s cidades de Guangzhou, Shenzhen, Zhuhai, Xangai, entre outras, reafirmando a necessidade de a China prosseguir pelo caminho das reformas e da abertura econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Durante um breve lapso de tempo entre a insurrei\u00e7\u00e3o de Tiananmen e a consolida\u00e7\u00e3o do \u201cGrande Compromisso\u201d selado no 3\u00ba Plen\u00e1rio do 14\u00ba Comit\u00ea Central do PCC, as medidas de libera\u00e7\u00e3o foram paralisadas. Mas, o Plen\u00e1rio do PCC em 1993 significou um salto adiante no processo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista: a libera\u00e7\u00e3o gradual dos pre\u00e7os dos bens de consumo e o controle mais estrito dos pre\u00e7os dos bens de capital, baixando o seu pre\u00e7o e impulsionando o investimento.<\/p>\n<p>Ao avan\u00e7o da prolifera\u00e7\u00e3o da propriedade privada, segue-se uma completa reestrutura\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio, construindo-se uma hierarquia entre bancos estatais nacionais de capital aberto; bancos regionais de capital aberto vinculados \u00e0s prov\u00edncias, e bancos privados nacionais, assim como a entrada de bancos internacionais.<\/p>\n<p>Foi a partir de 1993 que as decis\u00f5es do CC do PCC ganham a forma de leis: a reforma cambial, fiscal e a promulga\u00e7\u00e3o da Lei das Corpora\u00e7\u00f5es (1994). Mas, n\u00e3o sem antes avan\u00e7ar sobre o sistema financeiro, sobretudo ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o sobre a Reforma do Sistema Financeiro, em dezembro de 1993, definindo um conjunto de metas para o setor financeiro chin\u00eas que inclu\u00edam desde mudan\u00e7as no arcabou\u00e7o jur\u00eddico at\u00e9 a divis\u00e3o de tarefas entre institui\u00e7\u00f5es financeiras chinesas, e que serviriam de b\u00fassola para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>A entrada de capital na composi\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria dos Bancos Comerciais de maioria estatal \u00e9 compensada pela cria\u00e7\u00e3o dos\u00a0<em>Policy Banks<\/em>, voltados ao financiamento de longo prazo para ind\u00fastrias que exigem alto investimento (Bens de capital) e \u00e0 absor\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos inadimplentes das empresas estatais.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o dos\u00a0<em>Policy Banks<\/em>, sob absoluto controle do Estado, preparava a transforma\u00e7\u00e3o dos \u201cQuatro Grandes\u201d em bancos comerciais e sua abertura de capital na bolsa de valores, assim como as normas de concorr\u00eancia banc\u00e1ria se aproximariam dos crit\u00e9rios internacionais, supervisionados pelos organismos de controle do imperialismo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que o sistema banc\u00e1rio estatal se abria para o investimento do capital privado, a nova lei de corpora\u00e7\u00f5es definia os crit\u00e9rios para a forma\u00e7\u00e3o de bancos privados e a entrada doa bancos internacionais.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1996, a Corpora\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria China Minsheng<em>\u00a0<\/em>(CMBC, pela sigla em ingl\u00eas), a primeira institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria com alguma import\u00e2ncia fora dos bancos estatais, \u00e9 constitu\u00edda pela Federa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio da China, sendo cerca de 85% do seu capital detido por empresas privadas. Em novembro de 2000, a CMBC abre o seu capital na Bolsa de Valores de Shanghai. (Dias, 2004)<\/p>\n<p>O final da d\u00e9cada de 90 finaliza o arcabou\u00e7o do processo de acumula\u00e7\u00e3o de capital e as formas em que o monop\u00f3lio do dinheiro seria exercido<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote2sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>2<\/sup><\/a>, com o fim do Plano de Cr\u00e9dito e a abertura do capital dos bancos estatais nas bolsas, em paralelo ao processo de privatiza\u00e7\u00e3o. Antes de analisar esse processo daremos uma vis\u00e3o geral da estrutura do Sistema Financeiro Chin\u00eas e suas caracter\u00edsticas espec\u00edficas.<\/p>\n<p><strong>A estrutura geral do Sistema Financeiro Chin\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>Os grandes Bancos Comerciais Estatais (SOCB em ingl\u00eas) cuja maioria das a\u00e7\u00f5es e gest\u00e3o pertencem ao Estado, controlam a maioria dos ativos banc\u00e1rios. Os SOCBs incluem:<\/p>\n<ol>\n<li>Banco Industrial e Comercial da China (ICBC);<\/li>\n<li>Banco Agr\u00edcola da China (ABC);<\/li>\n<li>Banco da China (BOC),<\/li>\n<li>Banco de Constru\u00e7\u00e3o da China (CCB)<\/li>\n<\/ol>\n<p>Alguns autores incluem o Banco de Comunica\u00e7\u00f5es (BOCOM) que, apesar de o Estado n\u00e3o ter a maioria das a\u00e7\u00f5es (26,52%), est\u00e1 entre os principais bancos. Assim, os \u201cCinco Grandes\u201d ou os quatro, est\u00e3o no topo da hierarquia. Os quadros I e II do ap\u00eandice oferecem uma ideia da arquitetura do SFC.<\/p>\n<p>E a Tabela I \u00a0mostra o controle das a\u00e7\u00f5es do Estado chin\u00eas sobre estes bancos. Nos \u201cQuatro Grandes\u201d o Estado det\u00e9m uma s\u00f3lida maioria acion\u00e1ria, e o quinto banco em import\u00e2ncia, o Banco de Comunica\u00e7\u00f5es onde o Capital tem a maioria das a\u00e7\u00f5es e o Estado tem participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote3sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>3<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Em seguida, encontram-se os bancos constitu\u00eddos como Sociedades An\u00f4nimas, com participa\u00e7\u00e3o estatal, mas com gest\u00e3o compartida com o capital privado (<em>Bancos Comerciais de Capital Misto\u00a0\u2013\u00a0<\/em>JSCB) que se dividem em uma escala de controle e associa\u00e7\u00f5es entre empresas chinesas, prov\u00edncias e capital internacional. Entre os principais est\u00e1 o Banco Industrial CITIC, o Banco Everbright da China, o Banco Huaxia, o Banco de Desenvolvimento de Guangdong, o Banco de Desenvolvimento de Shenzhen, o Banco de Comerciantes da China, o Banco de Desenvolvimento de Shanghai Pudong, o Banco Industrial China, o Banco Evergrowing, o Banco China Zheshang e o Banco China Bohai.<\/p>\n<p>A estrutura geral do SFC pode ser resumida a partir da escala de hierarquia dos bancos. No topo est\u00e3o os bancos comerciais estatais (SOCB) que controlam 37,3% dos ativos; seguidos pelos bancos constitu\u00eddos como S.A. (JSCB), com a participa\u00e7\u00e3o das distintas formas de representa\u00e7\u00e3o do Estado, com 18,7% dos ativos; em seguida v\u00eam as institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural, os bancos comerciais vinculados \u00e0s cidades (City Banks) com 12,9%. No total, cerca de 70% do mercado de cr\u00e9dito encontra-se em m\u00e3os estatais, em que pese o movimento acentuado de constitui\u00e7\u00e3o de bancos privados.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote4sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>4<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O quadro completa-se com os\u00a0<em>Policy Banks<\/em>: Banco de Desenvolvimento da China (CDB); Banco de Exporta\u00e7\u00e3o-Importa\u00e7\u00e3o da China (EXIM); Banco de Desenvolvimento Agr\u00edcola da China (ADBC).<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote5sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>5\u00a0<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Poder\u00edamos sintetizar os principais movimentos do SFC at\u00e9 2013 da seguinte forma.<\/p>\n<ol>\n<li>Crescimento de 245% do total de ativos entre 2003-2010 (CRBC 2010). E, se ampliarmos o per\u00edodo, \u00e9 poss\u00edvel identificar o colossal desenvolvimento do capital portador de juros. Ele desenvolve-se com a produ\u00e7\u00e3o de valor na \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d nas suas distintas formas \u2013 cr\u00e9dito, t\u00edtulos e b\u00f4nus das empresas, a\u00e7\u00f5es, t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica, seguros, derivativos etc.<\/li>\n<li>O grande crescimento da banca privada. A taxa de crescimento dos bancos constitu\u00eddos como Sociedade An\u00f4nima (os JSCB) tem um crescimento de 403% dos ativos no mesmo per\u00edodo, quase o dobro da taxa de crescimento do total de ativos (245%). Isto \u00e9, a fra\u00e7\u00e3o do montante do dinheiro que circula como capital nas institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias de sociedades an\u00f4nimas, cujo objetivo \u00e9 sua pr\u00f3pria valoriza\u00e7\u00e3o, desenvolve-se em uma velocidade superior. A tabela II (p.21) expressa a divis\u00e3o do controle acion\u00e1rio nos principais JSCBs. (F.C.Brand\u00e3o, p.12)<\/li>\n<li>Esse desenvolvimento desigual entre a Banca Estatal e a Banca privada ocorre em paralelo ao fortalecimento da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. A centraliza\u00e7\u00e3o do capital na banca privada \u00e9 somente a express\u00e3o da centraliza\u00e7\u00e3o da propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, que corresponde a 50% do PIB chin\u00eas<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote6sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>6<\/sup><\/a>, em que pese a exist\u00eancia de 150 mil empresas estatais.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote7sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>7<\/sup><\/a><\/li>\n<li>A proemin\u00eancia dos bancos dentro do sistema credit\u00edcio sobre todas as outras institui\u00e7\u00f5es e formas de acumula\u00e7\u00e3o do capital portador de juros.<\/li>\n<li>E, por fim, mas n\u00e3o menos importante, o controle do Estado, que est\u00e1 presente com maioria das a\u00e7\u00f5es no topo da hierarquia, e de forma minorit\u00e1ria (e as vezes majorit\u00e1rio) nos diferentes n\u00edveis da estrutura do SFC.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Passamos agora a discutir as caracter\u00edsticas do SFC, seu papel na centraliza\u00e7\u00e3o do capital durante o processo de restaura\u00e7\u00e3o, a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o do capital fixo e forma\u00e7\u00e3o do capital fict\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>A centraliza\u00e7\u00e3o do capital<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong>No come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, cerca de dois ter\u00e7os dos empr\u00e9stimos feitos na China atendiam \u00e0s diretivas do Plano de Cr\u00e9dito. Este \u00e9 abolido em 1998, passando as empresas estatais e os bancos a financiar-se em base ao seu pr\u00f3prio faturamento.<\/p>\n<p>Em paralelo \u00e0s reformas banc\u00e1rias e a libera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, tem in\u00edcio a gigantesca onda de privatiza\u00e7\u00f5es das estatais: de 300.000 empresas em 1995 para menos de 150.000 em 2005. De acordo com essa mudan\u00e7a, a parcela do emprego total em empresas controladas pelo Estado caiu de 62% em 1998 para 38% em 2003. No mesmo per\u00edodo, o emprego nas empresas industriais controladas pelo Estado caiu 40%.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote8sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>8<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Os distintos ramos de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias t\u00eam os seus pre\u00e7os liberados de forma gradual. At\u00e9 2003, praticamente 100% dos pre\u00e7os das mercadorias da agroind\u00fastria e as mercadorias da ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o, voltadas ao consumo individual est\u00e3o liberados. Enquanto a libera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos bens de capital \u2013 mercadorias circulam entre as industrias \u2013 anda em uma velocidade menor.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que os pre\u00e7os s\u00e3o liberados, as empresas estatais s\u00e3o privatizadas. O capital nas suas distintas formas ganha o caminho e o impulso para a acumula\u00e7\u00e3o. Neste processo os Bancos se fortalecem em paralelo a privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estatais e assim como a posse das empresas estatais privatizadas se dispersa entre o capital, as prov\u00edncias e cidades e o Estado Central, o mesmo ocorre com os bancos.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o dos Bancos \u201cMunicipais\u201d (City Banks) ganha um impulso extraordin\u00e1rio: seus ativos saltam de 14,622 bilh\u00f5es de RMB<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote9sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>9<\/sup><\/a>\u00a0em 2003 para 282,378 bilh\u00f5es em 2016 (CRBC, 2016). A mudan\u00e7a no car\u00e1ter da propriedade expressa o desenvolvimento da acumula\u00e7\u00e3o, assim como o desenvolvimento do sistema de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico abaixo que demonstra a participa\u00e7\u00e3o das empresas privadas na ind\u00fastria oferece-nos uma ideia do amplo processo de privatiza\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o capitalista na China at\u00e9 2008. Contudo, ele nada diz sobre a centraliza\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-28675 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/1.jpg\" alt=\"\" width=\"406\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/1.jpg 406w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/1-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/1-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px\" \/><\/a><br \/>\nAs privatiza\u00e7\u00f5es foram executado obedecendo o seguinte crit\u00e9rio: o Estado central entrega as pequenas e m\u00e9dias empresas (TVEs) para os burocratas candidatos a burgueses nas prov\u00edncias e cidades, e mant\u00e9m as grandes empresas nas m\u00e3os do Estado central, abrindo o seu capital nas bolsas.<\/p>\n<p>Boa parte das empresas m\u00e9dias e pequenas foram \u201cvendidas\u201d para os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios e gestores, ou transformadas em sociedades por a\u00e7\u00f5es, em um processo conduzido pelos governos locais, detentores de grande parte dessas empresas menores. Ap\u00f3s pulverizar a propriedade dividindo suas a\u00e7\u00f5es entre os trabalhadores das empresas, estas s\u00e3o vendidas (centralizadas) aos novos propriet\u00e1rios capitalistas. Um sistema de expropria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim o processo de acumula\u00e7\u00e3o do capital, ao mesmo tempo em que se horizontaliza a partir das pequenas e m\u00e9dias empresas controladas pelas municipalidades e centralizadas pelos bancos regionais e Bancos Municipais, tamb\u00e9m se verticaliza, em torno das grandes empresas estatais e dos grandes Bancos Comerciais sob o controle do aparato central do Estado.<\/p>\n<p>At\u00e9 2008, embora sendo maioria entre o n\u00famero de empresas (58%), o capital controla 18% dos ativos da ind\u00fastria, enquanto o setor estatal (5% das empresas) det\u00e9m 44% dos ativos, como demonstra o gr\u00e1fico abaixo.(M.H. Carvalho)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-28676 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/2.jpg\" alt=\"\" width=\"410\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/2.jpg 410w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/2-300x183.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/2-150x91.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/a><\/p>\n<p>As grandes empresas estatais que permaneceram em m\u00e3os do Estado central passam a cotizar em bolsa nos termos da Lei das Corpora\u00e7\u00f5es. Estas s\u00e3o as grandes empresas do setor b\u00e9lico, de explora\u00e7\u00e3o e refino de petr\u00f3leo, metalurgia, eletricidade e telecomunica\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o setores intensivos em capital e com economia de escala.<\/p>\n<p><strong>Dinheiro e Capital<\/strong><\/p>\n<p>Na origem do sistema capitalista o dinheiro n\u00e3o poderia ser convertido em capital se uma for\u00e7a de trabalho \u201clivre\u201d n\u00e3o existisse previamente, como nos explica Marx. Contudo, n\u00e3o \u00e9 o dinheiro que engendra essa rela\u00e7\u00e3o, mas, ao contr\u00e1rio, \u00e9 \u201ca exist\u00eancia dessa rela\u00e7\u00e3o que pode transformar uma simples fun\u00e7\u00e3o do dinheiro numa fun\u00e7\u00e3o do capital\u201d.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote10sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>10<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Com a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, as m\u00e1quinas e a terra eram \u201ccoisas\u201d utilizadas para a reprodu\u00e7\u00e3o social, e o sal\u00e1rio uma mera express\u00e3o da forma que o produto social era distribu\u00eddo em um determinado desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. A reprodu\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o social da vida e dos meios de subsist\u00eancia, em uma dada tecnologia dos meios de produ\u00e7\u00e3o, tinham a fun\u00e7\u00e3o de manter e reproduzir a sociedade, e obviamente garantir os privil\u00e9gios da burocracia. Com a restaura\u00e7\u00e3o capitalista, a for\u00e7a de trabalho e os meios de produ\u00e7\u00e3o cumprem outro papel, gerar um valor adicional na forma de lucro.<\/p>\n<p>O que Marx nos diz sobre a exist\u00eancia do capital portador de juros antes do capitalismo nos serve para entender o fen\u00f4meno que discutimos:<\/p>\n<p>O que distingue o capital que rende juros \u2013 \u00e0 medida que ele \u00e9 um elemento essencial do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u2013 do capital usur\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 de modo algum a natureza ou o car\u00e1ter desse pr\u00f3prio capital. S\u00e3o simplesmente as condi\u00e7\u00f5es alteradas sob as quais ele opera.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote11sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>11<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A particularidade do processo de restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma como o poder social do dinheiro passa a ser centralizado na China. O capitalismo exige que este esteja concentrado em algumas m\u00e3os, ainda mais quando determinados ramos exigem investimentos em grande escala. Por isso, a \u201cconcentra\u00e7\u00e3o do poder monet\u00e1rio \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o distributiva que \u00e9 tanto necess\u00e1ria quanto perpetuamente reproduzida pelo capitalismo.\u201d<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote12sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>12<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Para que o dinheiro funcionasse como capital, a concentra\u00e7\u00e3o e a centraliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1rias foram constru\u00eddas paralelamente \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es e ao investimento \u201cprivado\u201d em novas empresas, tendo os bancos como eixo ordenador deste processo.<\/p>\n<p>Mas esta defini\u00e7\u00e3o, embora capte o essencial do processo, ficaria incompleta se n\u00e3o observasse sua caracter\u00edstica particular, a participa\u00e7\u00e3o direta do Estado nesta centraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O SFC coloca n\u00e3o somente o Estado como a garantia de \u00faltima inst\u00e2ncia da moeda e controlador da quantidade de dinheiro nos bancos para que estes realizem a cria\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, um papel desempenhado pelos bancos centrais na maioria dos pa\u00edses capitalistas. Vai muito al\u00e9m disso.<\/p>\n<p>O papel diretamente desempenhado pelo Estado na cria\u00e7\u00e3o da moeda credit\u00edcia, atrav\u00e9s dos bancos estatais, faz com que a massa monet\u00e1ria que funciona como capital \u2013 seja como portadora de juros ou como capital para produzir mais valia \u2013 exista ao lado e no interior dos bancos estatais.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia dos \u201cquatro grandes\u201d seria o caminho do BOCOM (Banco das Comunica\u00e7\u00f5es), onde a participa\u00e7\u00e3o estatal \u00e9 somente de 28% e o capital tem a maioria das a\u00e7\u00f5es. O mais importante aqui \u00e9 o fato de que o controle da moeda credit\u00edcia pelo Estado atua diretamente na concorr\u00eancia, ao selecionar as empresas que podem ir \u00e0 bancarrota.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote13sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>13<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Esta caracter\u00edstica do SFC \u2013 a centraliza\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os do Estado da cria\u00e7\u00e3o do dinheiro credit\u00edcio \u2013 permite a manuten\u00e7\u00e3o de uma taxa de investimento superior \u00e0 m\u00e9dia dos outros pa\u00edses capitalistas.<\/p>\n<p><strong>O sistema de cr\u00e9dito e a mobiliza\u00e7\u00e3o do capital fixo<\/strong><\/p>\n<p>Entre 1980 e 2014, segundo a Secretaria Nacional de Estat\u00edsticas da China, o PIB apresentou uma taxa m\u00e9dia de crescimento de 9,5%<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote14sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>14<\/sup><\/a>. No ano de 2007, antessala da crise capitalista mundial, o PIB alcan\u00e7a seu ponto m\u00e1ximo, 14,2%. Em seguida, ocorre a crise na economia mundial e o processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o do capital. A queda de 30% nas exporta\u00e7\u00f5es j\u00e1 em 2008 atinge um dos pilares do \u201cmodelo\u201d capitalista chin\u00eas projetando uma perda de vinte a trinta milh\u00f5es de postos de trabalho.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, a m\u00e1quina de cr\u00e9dito controlada pelo Estado entra em a\u00e7\u00e3o como medida antic\u00edclica. Assim, o ritmo de destrui\u00e7\u00e3o e queima de capital na China foi diferente das outras economias capitalistas.<\/p>\n<p>Os trilh\u00f5es de d\u00f3lares e euros liberados pelos bancos centrais nos EUA e Europa foram utilizados pelos bancos e empresas para limpar os seus ativos podres e para a recompra de a\u00e7\u00f5es para valorizar artificialmente cada capital a escala individual. Pois \u00e9 assim que funcionam as regras da concorr\u00eancia, ou o valor de mercado destas empresas cairia abaixo do solo facilitando sua incorpora\u00e7\u00e3o pelas empresas com liquidez superior.<\/p>\n<p>No entanto, o cr\u00e9dito liberado pelo SFC foi incorporado de forma avassaladora na forma\u00e7\u00e3o de capital fixo. A mobiliza\u00e7\u00e3o em grande escala do capital fixo alcan\u00e7ou uma taxa de investimento de 45% do PIB. A recess\u00e3o mundial caminhou em duas velocidades.<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o que faz Harvey deste processo \u00e9 mais importante que os adjetivos que possamos utilizar para qualific\u00e1-lo:<\/p>\n<p>Um quarto do PIB veio somente da produ\u00e7\u00e3o de moradias e outro quarto ou mais veio de investimento em infraestrutura, rodovias, sistema h\u00eddricos, redes ferrovi\u00e1rias, aeroportos etc. Cidades inteiras foram constru\u00eddas (muitas s\u00e3o cidades fantasmas\u2026) \u2026\u00a0Em 2007 n\u00e3o havia um quil\u00f4metro de ferrovias de alta velocidade, em 2015 s\u00e3o vinte mil quil\u00f4metros [o que coloca a China como o pa\u00eds com a maior malha ferrovi\u00e1ria de alta velocidade do mundo] \u2026 Entre 1900 e 1999, os Estados Unidos consumiram 4,5 milh\u00f5es de toneladas de cimento. Entre 2011 e 2013, a China consumiu 6,5 milh\u00f5es de toneladas de cimento. Em dois anos os chineses consumiram mais cimento que os EUA em todo um s\u00e9culo\u2026 N\u00e3o foi apenas cimento que foi utilizado. Houve tamb\u00e9m um enorme aumento na produ\u00e7\u00e3o e no uso de a\u00e7o. Nos \u00faltimos anos, mais da metade da produ\u00e7\u00e3o e do consumo mundial de a\u00e7o ocorreram na China. \u00c9 preciso muito min\u00e9rio de ferro para fabricar essa quantidade de a\u00e7o. Ele vem de regi\u00f5es t\u00e3o distantes como o Brasil e a Austr\u00e1lia. Outros materiais, como cobre, areia e minerais de todo tipo, foram consumidos em taxas completamente inauditas. Nos \u00faltimos anos, a China consumiu pelo menos metade (e, em alguns casos, 60% ou 70%) dos principais recursos minerais do mundo\u2026\u00a0<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote15sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>15<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Este impressionante \u2013 para dizer o m\u00ednimo \u2013 processo de forma\u00e7\u00e3o de capital fixo, impulsionado pelo cr\u00e9dito, permitiu minorar a destrui\u00e7\u00e3o de postos de trabalho\u2026 contudo ele n\u00e3o foge das leis da acumula\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>Como assinala Marx, a forma\u00e7\u00e3o do capital tem uma contrapartida futura, sua rentabilidade n\u00e3o se expressa na cria\u00e7\u00e3o de valor no momento do investimento, sua rentabilidade est\u00e1 vinculada \u00e0 antecipa\u00e7\u00e3o do trabalho futuro:<\/p>\n<p>O capital fixo compromete a produ\u00e7\u00e3o dos anos seguintes [e] tamb\u00e9m antecipa o trabalho futuro como valor equivalente. A antecipa\u00e7\u00e3o dos frutos futuros do trabalho n\u00e3o \u00e9 [\u2026] nenhuma inven\u00e7\u00e3o do sistema de cr\u00e9dito. Ela tem sua raiz no modo espec\u00edfico de valoriza\u00e7\u00e3o e rota\u00e7\u00e3o, de reprodu\u00e7\u00e3o do capital fixo.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote16sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>16<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Em outras palavras, a cria\u00e7\u00e3o de dinheiro pelo sistema de cr\u00e9dito opera como uma forma de \u201ccapital fict\u00edcio\u201d \u2013 um fluxo de capital monet\u00e1rio n\u00e3o apoiado por qualquer transa\u00e7\u00e3o de mercadorias. A expectativa, evidentemente, \u00e9 que o emprego expandido na constru\u00e7\u00e3o de ferrovias aumente a demanda por \u201csapatos\u201d de modo a eliminar os estoques excedentes e fazer a capacidade produtiva ociosa voltar a trabalhar. Nesse caso, o capital fict\u00edcio adiantado \u00e9 subsequentemente realizado na forma de valor real. (Harvey, 2013)<\/p>\n<p>Se, ao desatar a crise, o efeito da perda l\u00edquida de empregos na China limitou-se a tr\u00eas milh\u00f5es, segundo as estat\u00edsticas oficiais, as leis da acumula\u00e7\u00e3o imperam e a tend\u00eancia geral n\u00e3o foi a manuten\u00e7\u00e3o de uma taxa de crescimento anterior \u00e0 crise. Ela desacelerou e chegou a 6% em 2018.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o de transformar uma imensa massa de dinheiro em capital fixo pressup\u00f5e que o trabalho corporificado na forma de m\u00e1quinas, edif\u00edcios, cidades, trens de alta velocidade, incorpore uma massa de trabalhadores nos ramos que utilizar\u00e3o essa infraestrutura. Em s\u00edntese, deve-se gerar um valor nas empresas de \u201csapatos\u201d, aumentando a utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada destas f\u00e1bricas e incorporando for\u00e7a de trabalho adicional. Um valor novo deve ser criado pelo capital em paralelo ao investimento pelo Estado.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote17sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>17<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Ainda que a origem do dinheiro mobilizado como moeda credit\u00edcia tenha sua parte fundamental no Estado, se o capital social global, ou a fra\u00e7\u00e3o do capital que se acumula dentro dos bancos estatais e fora dele, n\u00e3o for acrescentado, n\u00e3o h\u00e1 um crescimento sustentado da economia capitalista. E isso somente pode ocorrer se esse capital encontra rentabilidade.<\/p>\n<p>Com uma capacidade ociosa de 50% em ramos fundamentais<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote18sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>18<\/sup><\/a>, isso somente revela que o superinvestimento n\u00e3o foi acompanhado pela subsequente produ\u00e7\u00e3o de valor para amortizar tamanha mobiliza\u00e7\u00e3o de capital fixo.<\/p>\n<p>Desta forma, o valor que deveria ser criado com a incorpora\u00e7\u00e3o de uma nova for\u00e7a de trabalho e anular a d\u00edvida n\u00e3o apareceu. Assim, a d\u00edvida quadruplicou entre 2007 e 2015. Em 2016, a d\u00edvida j\u00e1 era de 250% do PIB. Neste ano o pa\u00eds precisou de tr\u00eas vezes mais cr\u00e9ditos para gerar o mesmo crescimento de 2008. (Brenner,2019)<\/p>\n<p>\u00c0 raiz deste fato, at\u00e9 o final de 2018, a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento do PIB (gr\u00e1fico p.26) acompanha a diminui\u00e7\u00e3o do ritmo de crescimento do dinheiro credit\u00edcio, ao mesmo tempo em que a d\u00edvida total alcan\u00e7ou 328% do PIB.<\/p>\n<p>O dinheiro credit\u00edcio, assim como todos os instrumentos financeiros de valoriza\u00e7\u00e3o do capital portador de juros, t\u00eam uma caracter\u00edstica comum: eles dependem do resgate. Em outras palavras, \u00e9 dinheiro com um prazo de validade determinado, \u00e0 medida que \u00e9 antecipa\u00e7\u00e3o do trabalho futuro. Em algum momento deve ser confrontado com o valor equivalente ao qual est\u00e1 vinculado.<\/p>\n<p><strong>O Capital fict\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Nos per\u00edodos em que a curva descendente da taxa de lucro predomina, a cria\u00e7\u00e3o de \u201cvalores fict\u00edcios\u201d antes da produ\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o da mercadoria assume propor\u00e7\u00f5es gigantescas. Em que pese o aprofundamento do parasitismo, este processo cumpre uma importante fun\u00e7\u00e3o dentro do sistema ao permitir que a massa de lucros dos grandes monop\u00f3lios que n\u00e3o encontra rentabilidade suficiente para ser transformada em investimento produtivo encontre um canal de valoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, acaba tamb\u00e9m funcionando como um fator que compensa a queda da taxa de lucro ao diminuir o incremento do capital fixo. Tamb\u00e9m, centraliza o capital \u201cpotencial\u201d para um novo ciclo de investimento quando assim o permita a recupera\u00e7\u00e3o das taxas de lucros ou sejam criados novos ramos industriais para a produ\u00e7\u00e3o de valor. Ao mesmo tempo em que tamb\u00e9m \u00e9 um fator de crise.<\/p>\n<p>Os chamados mercados de capitais, controlados por um punhado de bancos dos pa\u00edses imperialistas, alcan\u00e7aram um crescimento exponencial:<\/p>\n<p><em>\u2026<\/em>\u00e0 raiz do aumento do com\u00e9rcio mundial, [que] tanto incrementou a circula\u00e7\u00e3o mundial de valores quanto a da especula\u00e7\u00e3o e do capital fict\u00edcio que acompanha esse fen\u00f4meno. O incremento do capital fict\u00edcio \u00e9 parte deste processo, os derivativos assim como nas novas formas do capital financeiro, como os fundos de investimentos, os pap\u00e9is e os \u2018servi\u00e7os financeiros\u2019 que acompanham a produ\u00e7\u00e3o do valor, atinge o seu limite quando a taxa de lucro come\u00e7a a descender e a dist\u00e2ncia entre os valores e os pre\u00e7os dos t\u00edtulos v\u00e3o atingindo degraus acima \u00e0 medida que menos capital \u00e9 incorporado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mais valia.\u201d (Harvey, 2018)<\/p>\n<p>Este circuito monet\u00e1rio que movimenta trilh\u00f5es de d\u00f3lares na forma de pap\u00e9is \u2013 mercado de d\u00edvidas, a\u00e7\u00f5es, c\u00e2mbio, b\u00f4nus corporativos, derivativos, fundos de curto prazo etc. -, que em princ\u00edpio deveriam gerar dividendos pr\u00f3ximos \u00e0 taxa de juros, distancia-se completamente desta refer\u00eancia e dos valores que deveriam expressar (seja de mercadorias ou de capitais). Nesta regi\u00e3o onde reina a especula\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente onde a marca do capital fict\u00edcio \u00e9 mais profunda.<\/p>\n<p>Estes fen\u00f4menos s\u00e3o analisados por Chesnais em seu \u00faltimo trabalho onde o autor analisa a profunda contradi\u00e7\u00e3o entre a queda das taxas de lucros das empresas e o aumento da acumula\u00e7\u00e3o do capital portador de juros, a qual se aprofunda com o per\u00edodo aberto em 2007.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote19sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>19<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Da ampla an\u00e1lise sobre o sistema financeiro e o lugar dos grandes bancos \u201cuniversais\u201d, destacamos as \u201cnovas institui\u00e7\u00f5es\u201d do capital financeiro. Segundo o autor, o sistema banc\u00e1rio norte-americano se apoiava em tr\u00eas pilares: os bancos comerciais \u2013 que centralizam os dep\u00f3sitos e os cr\u00e9ditos de curto prazo; as companhias de seguro; e os bancos de investimento. Os bancos comerciais que centralizavam a cria\u00e7\u00e3o de dinheiro credit\u00edcio foram deslocados como os principais intermedi\u00e1rios no mercado de capitais. A explica\u00e7\u00e3o deste fato \u00e9 o aparecimento de novas institui\u00e7\u00f5es de intermedia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito, os fundos de investimento em suas distintas formas.<\/p>\n<p>Estas novas institui\u00e7\u00f5es estariam fora das regras e controle aos quais o sistema banc\u00e1rio \u00e9 submetido, e podem construir um castelo de \u201calavancagem\u201d que poderia chegar ao infinito, mais conhecido como\u00a0<em>Shadow Banking\u00a0<\/em>(Banco nas Sombras).<\/p>\n<p>A concorr\u00eancia conduziu ao afrouxamento das regras de controle dos bancos para que estes se adaptassem ao novo cen\u00e1rio. Tudo isso, aliado \u00e0s baixas taxas de juros, engendrou a cria\u00e7\u00e3o de um variado card\u00e1pio de novos instrumentos de valoriza\u00e7\u00e3o na esfera financeira, os famosos\u00a0<em>subprimes,\u00a0<\/em>a ponta de um iceberg muito mais profundo, que abriu novas possibilidades de valoriza\u00e7\u00e3o do dinheiro.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote20sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>20<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Comparado com o sistema financeiro dos pa\u00edses imperialistas, o mercado de capital fict\u00edcio na China pode ser considerado raqu\u00edtico. Se o compararmos \u00e0 magnitude da cria\u00e7\u00e3o de valor nas fronteiras da China, h\u00e1 um campo relativamente aberto para o seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Por isso, as leis da acumula\u00e7\u00e3o v\u00e3o se impondo. Embora altamente regulado e centralizado, um sistema de cr\u00e9dito e especula\u00e7\u00e3o (<em>Shadow Banking)\u00a0<\/em>foi se desenvolvendo paralelamente e no interior dos Grandes Bancos Comerciais e dos JSCB\u2019s para acumula\u00e7\u00e3o de dinheiro que n\u00e3o exige a sua passagem pelo \u201cpurgat\u00f3rio do capital fixo\u201d.<\/p>\n<p>Depois do ciclo de cr\u00e9dito que levou \u00e0 onda de superinvestimentos em 2007, a d\u00edvida das empresas, centrada nas estatais, segundo a OCDE (d\u00edvida corporativa) subiu de menos de 100% do PIB no final de 2008 para 170% no in\u00edcio de 2016. Segundo o informe, o aumento da alavancagem das empresas estatais \u00e9 o centro da d\u00edvida.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote21sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>21<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Assim, o n\u00edvel de investimento deveria sofrer alguma diminui\u00e7\u00e3o e abrir ao capital outros caminhos para sua autovaloriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora o cr\u00e9dito banc\u00e1rio siga sendo o principal instrumento de financiamento das empresas, particularmente das grandes empresas estatais, houve um crescimento exponencial do mercado de a\u00e7\u00f5es e de t\u00edtulos na China e das \u201cempresas de gest\u00e3o de patrim\u00f4nio\u201d. Mas, ap\u00f3s a crise da Bolsa de Shangai (2015) v\u00e1rias medidas de regulamenta\u00e7\u00e3o foram tomadas<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote22sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>22<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A proemin\u00eancia do cr\u00e9dito banc\u00e1rio \u00e9 facilitada pela alta liquidez dos bancos ou, na linguagem dos economistas, pelo chamado \u201cexcesso de poupan\u00e7a\u201d. O gr\u00e1fico da OCDE (p.25) demonstra que o montante dos dep\u00f3sitos banc\u00e1rios chega a 50% do PIB; no entanto, o que mais chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que 20% destes representam dinheiro entesourado das empresas (30% pertencem a fam\u00edlias).<\/p>\n<p>Isso explica o fato de que os quatro maiores bancos do mundo sejam chineses, n\u00e3o em rentabilidade, mas em ativos: o ICBC acumulou em 2018 mais de US$4 trilh\u00f5es em ativos, sendo o maior banco do mundo<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote23sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>23<\/sup><\/a>. Expressa tamb\u00e9m os limites da valoriza\u00e7\u00e3o na esfera financeira.<\/p>\n<p>Esta montanha de dinheiro funciona como capital portador de juros centralmente a partir do credito banc\u00e1rio. Mas, o excesso de capacidade produtiva n\u00e3o permite gerar valor novo no montante necess\u00e1rio sequer para saldar d\u00edvidas passadas.<\/p>\n<p>Assim, o capital encontrou no \u201cbanco paralelo\u201d (<em>Shadow banking)\u00a0<\/em>uma via para seguir valorizando-se. As empresas privadas dom\u00e9sticas, impossibilitadas de mandar seus lucros para valorizar-se no exterior buscaram o caminho do D-D\u2019 interno para escapar da superprodu\u00e7\u00e3o, enquanto as estatais podem seguir o caminho da d\u00edvida sobre d\u00edvida.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o para ampliar os instrumentos do capital portador de juros veio do pr\u00f3prio FMI em seu relat\u00f3rio sobre o SFC:<\/p>\n<p>O subdesenvolvimento dos mercados de capitais limita as alternativas de financiamento corporativo e investimentos dom\u00e9sticos, e representa um impedimento para a solu\u00e7\u00e3o de problemas estruturais no setor financeiro: baixas taxas de retorno sobre a poupan\u00e7a; alta poupan\u00e7a preventiva atrav\u00e9s dos bancos; alta poupan\u00e7a de empresas privadas sem acesso a mercados de capitais; cont\u00ednuo dom\u00ednio dos bancos do sistema financeiro; e potenciais bolhas de ativos.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote24sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>24<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A categoria de \u201csubdesenvolvimento dos mercados de capitais\u201d deve ser vista como uma verdade relativa. Comparado com os Estados Unidos, \u00e9 um fato. Levando-se em considera\u00e7\u00e3o que China \u00e9 o segundo PIB mundial, se compararmos o mercado de capitais chineses (a\u00e7\u00f5es e B\u00f4nus) com a Alemanha, este \u201cmercado\u201d n\u00e3o seria t\u00e3o raqu\u00edtico. A nota do FMI deve ser vista sob outra \u00f3tica: quem controla o mercado de capitais na China?<\/p>\n<p>As empresas de \u201cgest\u00e3o de patrim\u00f4nio\u201d empregam o dinheiro entesourado dos capitalistas nos bancos estatais ou fora dele, e investem, seja no mercado de a\u00e7\u00f5es, seja como cr\u00e9dito, com juros mais altos, para as empresas n\u00e3o estatais com dificuldade de acesso ao cr\u00e9dito banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>Segundo o BIS<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote25sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>25<\/sup><\/a>\u00a0(banco central dos bancos centrais) o\u00a0<em>Shadow banking\u00a0<\/em>chin\u00eas guarda uma diferen\u00e7a com o processo especulativo norte-americano, \u00e0 medida que est\u00e1 menos vinculado a instrumentos como securitiza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos. Assim, o\u00a0<em>Shadow banking\u00a0<\/em>chin\u00eas foi o caminho dos bancos privados (JSCB) para escapar dos crit\u00e9rios e normas da Comiss\u00e3o Reguladora, que imp\u00f5e altas taxas de provis\u00f5es para a inadimpl\u00eancia. Disfar\u00e7ando em seus balan\u00e7os como \u201cinvestimentos a receber\u201d, o\u00a0<em>Shadow banking\u00a0<\/em>chin\u00eas, segundo o BIS, \u00e9 uma extens\u00e3o desregulamentada do pr\u00f3prio sistema banc\u00e1rio chin\u00eas.<\/p>\n<p>Tanto os bancos quanto as empresas passam a canalizar uma montanha de dinheiro que \u00e9\u00a0<em>capital latente<\/em>\u00a0ou em\u00a0<em>pot\u00eancia<\/em>\u00a0para os fundos de \u201cgest\u00e3o de ativos\u201d ou de \u201cpatrim\u00f4nio\u201d, impulsionando o mercado de capitais.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote26sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>26<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Assim, na esteira da desacelera\u00e7\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o do capital produtor de mais-valia, os chamados \u201cativos banc\u00e1rios sombra\u201d cresceram a uma taxa de 40% ao ano entre 2011-2016, e em 2017 alcan\u00e7a a marca de 70% do PIB<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote27sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>27<\/sup><\/a>. Apesar de representar somente 15,2% do total do cr\u00e9dito, o fator mais importante \u00e9 sua taxa de crescimento.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote28sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>28<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Contudo, em abril de 2016, a Comiss\u00e3o Reguladora e Banc\u00e1ria da China (CBRC) emitiu o \u201cDocumento 82\u201d, que \u201cesbo\u00e7ou mudan\u00e7as regulat\u00f3rias na pondera\u00e7\u00e3o de risco e provisionamento de alguns dos derivativos mantidos pelos bancos como receb\u00edveis de investimento\u201d. Depois desta normativa, o sistema paralelo sofre uma desacelera\u00e7\u00e3o importante e a f\u00faria do sistema banc\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>Como afirma o BIS, em que pese uma presen\u00e7a insignificante do capital internacional no Shadow chin\u00eas, ele seria um dos meios de entrada da banca imperialista no mercado de capitais. Isso explica a f\u00faria do editor do<em>Economist\u00a0<\/em>(21\/02\/2019)<\/p>\n<p>\u2026\u00a0desde que Xi assumiu o poder em 2013, a China de certa forma retrocedeu. Duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, era poss\u00edvel, at\u00e9 sensato, imaginar que a China gradualmente liberaria mercados e empreendedores para desempenhar um papel maior. Em vez disso, desde 2013, o Estado aumentou sua ader\u00eancia. A participa\u00e7\u00e3o das empresas estatais nos novos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios subiu de 30% para 70%. O exuberante setor privado foi sufocado; sua participa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o estagnou e as empresas precisam estabelecer c\u00e9lulas partid\u00e1rias que, por sua vez, podem ter voz ativa em decis\u00f5es vitais de contrata\u00e7\u00e3o e investimento. Os reguladores intrometem-se no mercado de a\u00e7\u00f5es, a an\u00e1lise cr\u00edtica \u00e9 suprimida e, desde uma desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial em 2015,\u00a0<strong>os fluxos de capital s\u00e3o rigidamente policiados<\/strong>. (grifo nosso)<\/p>\n<p><strong>A origem da liquidez do SFC<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um quarto elemento que envolve o SFC, convertendo-o em uma nota dissonante entre os seus pares, isto \u00e9, entre a maioria dos pa\u00edses dependentes do capital internacional que se industrializaram como parte do deslocamento dos investimentos no p\u00f3s-guerra e, no caso da China, no \u00e1pice da ordem liberal controlada pelo imperialismo norte-americano.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia do problema est\u00e1 no fato de que para a ordem vigente \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o de mercadorias deve acompanhar \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o do capital, isto \u00e9, este n\u00e3o pode ser \u201crigidamente policiado\u201d\u2026<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit da balan\u00e7a comercial, via exporta\u00e7\u00f5es, com a entrada no pa\u00eds de um grande volume de Investimento Estrangeiro Direto (IED) permitiu a manuten\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit da conta capital (um saldo positivo da entrada de divisas no pa\u00eds) que, provavelmente, foi uma exce\u00e7\u00e3o, pelo menos depois do chamado \u201cConsenso de Washington\u201d.<\/p>\n<p>As semicol\u00f4nias, regra geral, exibem saldos da balan\u00e7a comercial por longos per\u00edodos, ao mesmo tempo em que padecem de um d\u00e9ficit na conta capital (sa\u00edda de divisas) que deixa sem efeito o super\u00e1vit das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Este d\u00e9ficit, que corresponde \u00e0 sa\u00edda l\u00edquida de valor, sempre foi \u201cpreenchido\u201d com o endividamento externo, aumentando assim a subordina\u00e7\u00e3o destes pa\u00edses.<\/p>\n<p>Igualmente, a China ostenta um monumental saldo na balan\u00e7a comercial ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Este saldo \u00e9 o lastro da grande liquidez do SFC, que pode ser dito tamb\u00e9m com outras palavras: essa liquidez est\u00e1 lastreada na impiedosa explora\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria chinesa (a mais-valia das exporta\u00e7\u00f5es) que se expressa na reserva de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>O saldo da balan\u00e7a comercial combina-se com uma grande reserva de Investimento Estrangeiro Direto. D\u00f3lares que entram no pa\u00eds e aumentam as reservas controladas pelo BPC. Ambas reservas criaram as condi\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias para que estes d\u00f3lares se convertam em Renminbi centralizados por um sistema banc\u00e1rio controlado pelo Estado que transforma isso em cr\u00e9dito e permite uma alta taxa de investimento. Esse dinheiro de \u201calta pot\u00eancia\u201d expressa o valor produzido pela classe oper\u00e1ria em condi\u00e7\u00f5es de semiescravid\u00e3o. O grande segredo do \u201cmilagre chin\u00eas\u201d.<\/p>\n<p>Se a trajet\u00f3ria do saldo comercial chin\u00eas foi similar ao de seus pares, o da Conta Capital foi um \u201cponto fora da curva\u201d. A depend\u00eancia se expressar\u00e1 de forma distinta: escapou do endividamento externo l\u00edquido, ou seja, empr\u00e9stimos por bancos e organismos do imperialismo (FMI e Banco Mundial) para levar adiante os investimentos na industrializa\u00e7\u00e3o. No entanto \u00e9 profundamente dependente do crescimento constante das exporta\u00e7\u00f5es do mercado mundial controlado pelo imperialismo e do IED, pelo local que ocupa na cadeia global de valor.<\/p>\n<p>Contudo, o super\u00e1vit da conta capital n\u00e3o \u00e9 um processo autom\u00e1tico. Ele depende das regras pelas quais o dinheiro entra e, principalmente, sai do pa\u00eds. Sem as normas que impedem a sa\u00edda de divisas, e as quotas de entrada segundo o tipo de investimento, os dois fatores anteriores (saldo da balan\u00e7a comercial e IED) n\u00e3o funcionariam, e a reserva em d\u00f3lares que impulsionou a liquidez dos bancos se esfumaria em meses ou semanas.<\/p>\n<p>A n\u00e3o exist\u00eancia da livre sa\u00edda de divisas do pa\u00eds implica em que parte da mais-valia produzida pelo grande capital chin\u00eas n\u00e3o pode se valorizar no exterior (a n\u00e3o ser de forma \u201cilegal\u201d). Isso fez com que a China, at\u00e9 agora, n\u00e3o conhecesse a trajet\u00f3ria da chamada \u201cvulnerabilidade externa\u201d de sua moeda, pelas medidas coercitivas sobre o capital: \u201c<em>Em um mundo onde a taxa de juros sobre os t\u00edtulos do Tesouro dos EUA, os ativos mais seguros do mundo, subiu para mais de 4%, enquanto os dep\u00f3sitos banc\u00e1rios chineses e os t\u00edtulos do governo oferecem um retorno de apenas 3,5%, a tenta\u00e7\u00e3o de retirar dinheiro da China seria irresist\u00edvel.<\/em>\u201d (Brenner, 2019).<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia importante deste controle \u00e9 o fato de privar os grandes bancos de investimentos globais de especular com a massa de dinheiro proveniente dos lucros das grandes empresas chinesas.\u00a0Para termos uma ideia, o lucro da Huawei em 2018 foi superior ao lucro da Vale e da Petrobras<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote29sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>29<\/sup><\/a>\u00a0juntas, mas o controle de capitais impede a sua valoriza\u00e7\u00e3o como capital fict\u00edcio fora das fronteiras chinesas.<\/p>\n<p>Nas condi\u00e7\u00f5es atuais de superprodu\u00e7\u00e3o em alguns ramos, o capital fluiria para onde a taxa de acumula\u00e7\u00e3o fosse maior. Com uma taxa de rentabilidade menor no interior da China, ele somente pode manter-se a\u00ed com um aumento dos controles. Por isso, Xi incrementou todas os obst\u00e1culos \u00e0 fuga de capitais quando o ciclo de investimentos de 2008 se converte em superprodu\u00e7\u00e3o a partir de 2013<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote30sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>30<\/sup><\/a>\u00a0e controlou a entrada dos bancos internacionais no capital especulativo.<\/p>\n<p><strong>A presen\u00e7a dos bancos imperialistas no Sistema Financeiro Chin\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>Este texto poderia ser resumido em dois par\u00e1grafos, talvez uma m\u00e1 not\u00edcia para os leitores que aguentaram chegar at\u00e9 aqui. A s\u00edntese se resume em: a presen\u00e7a do capital financeiro imperialista no sistema banc\u00e1rio chin\u00eas resume-se a 1% dos ativos. Mais um detalhe: este sistema banc\u00e1rio, o maior do mundo, concentra uma montanha de US$33 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>E a propriedade de estrangeiros no mercado de a\u00e7\u00f5es chin\u00eas, o segundo maior do mundo, \u00e9 de menos que 3%. No mercado de t\u00edtulos corporativos, o terceiro maior, o capital financeiro internacional participa com menos de 3%<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote31sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>31<\/sup><\/a>. Toda ofensiva atual do imperialismo e de seus meios de comunica\u00e7\u00e3o e as milhares de p\u00e1ginas escritas sobre a China podem ser resumidos nestes tr\u00eas fatores.<\/p>\n<p>A t\u00e3o propalada \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d concentra um grande mercado financeiro, at\u00e9 agora controlado pelo Estado. Esse fator diferencial conduziu at\u00e9 agora a um comportamento distinto destas institui\u00e7\u00f5es durante as inevit\u00e1veis crises peri\u00f3dicas de desvaloriza\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>As duas grandes crises do sistema banc\u00e1rio chin\u00eas, (1999\/2000 e 2005) foram resolvidas da mesma forma com a qual o FED norte-americano e o Banco Central Europeu resolveram suas \u201ccrises banc\u00e1rias\u201d: injetando trilh\u00f5es de d\u00f3lares e euros. O governo chin\u00eas n\u00e3o fugiu \u00e0 regra: transferiu um total de US$ 566 bilh\u00f5es<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote32sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>32<\/sup><\/a>, uma soma nada desprez\u00edvel, mas inferior \u00e0 que os Estados Unidos e UE injetaram em seus bancos.<\/p>\n<p>Mas, com uma diferen\u00e7a substancial: enquanto a fal\u00eancia do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=2ahUKEwj3w9aN4pniAhVgHrkGHVmID0wQFjAAegQIAxAB&amp;url=https%3A%2F%2Fes.wikipedia.org%2Fwiki%2FLehman_Brothers&amp;usg=AOvVaw3H4sluuCy52A28yHyNlKsY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lehman Brothers\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=2ahUKEwj3w9aN4pniAhVgHrkGHVmID0wQFjAAegQIAxAB&amp;url=https%3A%2F%2Fes.wikipedia.org%2Fwiki%2FLehman_Brothers&amp;usg=AOvVaw3H4sluuCy52A28yHyNlKsY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">foi<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=2ahUKEwj3w9aN4pniAhVgHrkGHVmID0wQFjAAegQIAxAB&amp;url=https%3A%2F%2Fes.wikipedia.org%2Fwiki%2FLehman_Brothers&amp;usg=AOvVaw3H4sluuCy52A28yHyNlKsY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">todo um s\u00edmbolo<\/a>\u00a0da crise, desatando uma onda de compras pelos bancos com maior poder financeiro dos que n\u00e3o suportaram o solavanco, nenhum grande banco na china foi \u00e0 bancarrota, embora a maioria estivesse quebrada.<\/p>\n<p>Os capitalistas n\u00e3o combatem os subs\u00eddios estatais, quando os recebem, mas sim quando estes afetam a concorr\u00eancia e impedem a centraliza\u00e7\u00e3o dos capitais. Se n\u00e3o existisse as barreiras para entrada aos bancos imperialistas no SFC, os \u201cbig four\u201d poderiam ser comprados a pre\u00e7o de arroz.<\/p>\n<p>Esta prote\u00e7\u00e3o ao monop\u00f3lio do dinheiro, combinado com o controle de sua distribui\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o das empresas a que se destina, abriu o espa\u00e7o para o fortalecimento de grandes empresas que passaram a concorrer diretamente com os oligop\u00f3lios imperialistas de telecomunica\u00e7\u00f5es e inform\u00e1tica.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote33sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>33<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Embora o dito anteriormente n\u00e3o modifique a localiza\u00e7\u00e3o da China na divis\u00e3o mundial do trabalho, este n\u00facleo seletivo de empresas iniciou uma concorr\u00eancia com os oligop\u00f3lios imperialistas.<\/p>\n<p>A ofensiva de Trump n\u00e3o \u00e9 obra exclusiva da extrema-direita norte-americana. Em 2012, o Congresso dos Estados Unidos encomenda a Michael F. Martin, um \u201cespecialista em neg\u00f3cios na \u00c1sia\u201d, um informe sobre o SFC. Destacamos as conclus\u00f5es principais:<\/p>\n<p>\u2026dois aspectos principais do sistema banc\u00e1rio da China podem ter implica\u00e7\u00f5es significativas para as rela\u00e7\u00f5es sino-americanas e, por extens\u00e3o, para o Congresso. Primeiro, as pol\u00edticas chinesas de cr\u00e9dito e empr\u00e9stimos foram citadas como fonte de subs\u00eddio para as empresas chinesas, dificultando a competitividade das empresas norte-americanas nos mercados globais\u2026 Em segundo lugar, a inten\u00e7\u00e3o da China de liberalizar ainda mais seu setor financeiro\u2026 pode criar maiores oportunidades para os bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras dos EUA entrarem no mercado interno da China\u2026 O Congresso poderia procurar maneiras de incentivar as reformas banc\u00e1rias na China, o que levaria a uma maior penetra\u00e7\u00e3o de mercado para os bancos dos EUA.<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote34sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>34<\/sup><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 um fato que os imperialismos norte-americano e europeus v\u00eam travando uma luta para \u201cincentivar as reformas banc\u00e1rias na China\u201d. Contudo o movimento de abertura n\u00e3o andou na velocidade e nem na intensidade exigida pelo imperialismo<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote35sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>35<\/sup><\/a>, talvez como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a palavra de ordem foi reciprocidade, o presidente da Comiss\u00e3o reguladora, Chen Wenhui declara \u00e0 Reuters: \u201c<em>A abertura do nosso pa\u00eds deve basear-se no princ\u00edpio da igualdade e benef\u00edcio m\u00fatuo. Ela n\u00e3o ser\u00e1 executada em uma base de \u2018tamanho \u00fanico\u2019 e deve enfatizar o benef\u00edcio m\u00fatuo e a\u00a0<strong>reciprocidade<\/strong>.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>O imperialismo imp\u00f5e restri\u00e7\u00f5es \u00e0 abertura de filiais dos bancos chineses abarrotados de dinheiro nos seus mercados. A concorr\u00eancia, particularmente na Europa<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote36sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>36<\/sup><\/a>\u00a0seria um grave problema para os bancos. Apesar da limpeza do sistema financeiro norte-americano ter sido mais eficiente, o aumento dos controles depois da explos\u00e3o de 2007 parece n\u00e3o permitir as mesmas taxas de retorno do capital fict\u00edcio<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote37sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>37<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Enquanto a China exige reciprocidade, o imperialismo exige a abertura unilateral.<\/p>\n<p>\u201c<strong>O voo dos pandas\u201d<br \/>\n<\/strong>O t\u00edtulo de capa de uma das edi\u00e7\u00f5es do\u00a0<em>The\u00a0Economist<\/em>\u00a0faz uma pergunta muito sugestiva: \u201cOs pandas podem voar?\u201d<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote38sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>38<\/sup><\/a>. Fugiria completamente ao escopo deste artigo entrar no tema de se os pandas \u201cpodem voar\u201d. Mas \u00e9 interessante notar o crit\u00e9rio do seman\u00e1rio que prop\u00f5e cortar as asas dos pandas, independente da resposta.<\/p>\n<p>O \u201ccorte das asas\u201d est\u00e1 em pleno movimento com a ofensiva de Trump e sua \u201cguerra comercial\u201d. Quando fech\u00e1vamos este texto, as \u201cnegocia\u00e7\u00f5es\u201d foram paralisadas e uma nova rodada de aumento das tarifas foi anunciada por Washington. A resposta chinesa obviamente n\u00e3o se concentra no aumento de tarifas dos componentes industriais que importa dos EUA, e sim em outra rodada massiva de cr\u00e9ditos que se aproxima de um novo recorde, US$ 477 bilh\u00f5es<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote39sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>39<\/sup><\/a>, que pode, uma vez mais, elevar a taxa de investimento a 44% do PIB. Sobretudo na nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative).<\/p>\n<p>Mobilizando uma vez mais o investimento em infraestrutura \u2013 estradas, portos, linhas f\u00e9rreas etc., agora em escala asi\u00e1tica. Uma sa\u00edda para os capitais que n\u00e3o t\u00eam valoriza\u00e7\u00e3o suficiente no interior da China e uma forma de reduzir a depend\u00eancia das suas exporta\u00e7\u00f5es dos mercados dos EUA e da UE.<\/p>\n<p>Mas, h\u00e1 uma quest\u00e3o de tempo. Na segunda quinzena de mar\u00e7o, o centen\u00e1rio porta-voz do capital financeiro<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote40sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>40<\/sup><\/a>\u00a0comemorava a sua proje\u00e7\u00e3o de que, enfim, o primeiro deficit na conta da balan\u00e7a de pagamentos da China desde 1993 pode estar a caminho em 2019 (gr\u00e1fico p.27).<\/p>\n<p>Se for correta essa proje\u00e7\u00e3o, as margens de manobra de Xi estreitam-se. Sendo o superavit da conta-corrente a chave para manter o n\u00edvel de financiamento no marco da superprodu\u00e7\u00e3o, em sua aus\u00eancia, deveria preench\u00ea-lo atraindo o capital internacional pelo relaxamento do controle da conta capital e do SFC. Mas isso seria uma decis\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Pode aumentar a taxa de juros, para satisfazer as necessidades do capital interno, mas isso talvez interferisse na oferta de cr\u00e9dito, que hoje \u00e9 o calcanhar de Aquiles da economia. Ao mesmo tempo em que diminuiria o ritmo do investimento, ou seja, aumento do desemprego.<\/p>\n<p>Por isso, Trump aposta no estrangulamento das exporta\u00e7\u00f5es, o calcanhar de Aquiles do SFC. O trip\u00e9 sobre o qual se apoiou o retumbante desenvolvimento capitalista na China \u2013 superexplora\u00e7\u00e3o, saldo positivo na conta-corrente da balan\u00e7a de pagamentos e um sistema financeiro controlado pelo Estado \u2013 est\u00e1 posto em quest\u00e3o pelo imperialismo. Na falta de outros fatores que entrem nesta disputa, a resist\u00eancia de Xi e o \u201cmodelo chin\u00eas\u201d estar\u00e3o postos \u00e1 prova.<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>QUADRO I<\/b><\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Arquitetura do sistema financeiro Chin\u00eas<\/b><\/p>\n<div id=\"attachment_28677\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/3-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-28677\" class=\"wp-image-28677 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/3-1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"494\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-28677\" class=\"wp-caption-text\">FMI. Financial Sector Assessment Program. 2011.<\/p><\/div>\n<p><b>QUADRO II SIMPLIFICADO<\/b><sup><b><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote41sym\" name=\"sdfootnote41anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">41<\/a><\/b><\/sup><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/4-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-28678 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/4-1.jpg\" alt=\"\" width=\"648\" height=\"434\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\"><b>TABELA I<\/b><\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Participa\u00e7\u00e3o do Estado nos cinco grandes bancos comerciais \u2013 em % (2007 \u2013 2011)<\/b><\/p>\n<table style=\"width: 100%; height: 350px;\" width=\"423\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"4\">\n<colgroup>\n<col width=\"103\" \/>\n<col width=\"46\" \/>\n<col width=\"49\" \/>\n<col width=\"53\" \/>\n<col width=\"64\" \/>\n<col width=\"60\" \/><\/colgroup>\n<tbody>\n<tr style=\"height: 40px;\" valign=\"top\">\n<td style=\"height: 40px;\" width=\"103\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>Banco<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 40px;\" width=\"46\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>2007<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 40px;\" width=\"49\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>2008<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 40px;\" width=\"53\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>2009<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 40px;\" width=\"64\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>2010<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 40px;\" width=\"60\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>2011<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 62px;\" valign=\"top\">\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"103\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>ABC<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"46\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">100<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"49\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">100<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"53\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">100<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"64\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">82,7<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"60\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">82,7<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 62px;\" valign=\"top\">\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"103\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>BOC<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"46\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">70,79<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"49\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">70,79<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"53\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">67,53<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"64\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">67,555<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"60\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">67,6<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 62px;\" valign=\"top\">\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"103\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>CCB<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"46\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">59,12<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"49\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">48,17<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"53\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">57<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"64\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">57,03<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"60\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">57,03<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 62px;\" valign=\"top\">\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"103\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>ICBC<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"46\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">74,08<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"49\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">70,7<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"53\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">70,7<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"64\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">70.7<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"60\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">70,7<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 62px;\" valign=\"top\">\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"103\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><b>BOCOM<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"46\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">26,48<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"49\">\n<p align=\"justify\">26,48<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"53\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">26,2<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"64\">\n<p align=\"justify\">26,52<\/p>\n<\/td>\n<td style=\"height: 62px;\" width=\"60\">\n<p align=\"justify\">26,52<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p align=\"justify\">F\u00e1bio de Campos Brand\u00e3o.<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote42sym\" name=\"sdfootnote42anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">42<\/a><\/sup>\u00a0Fonte: site oficial dos bancos<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Tabela II<\/b><\/p>\n<p><a style=\"text-align: center;\" href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-28679 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/5.jpg\" alt=\"\" width=\"746\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/5.jpg 746w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/5-300x282.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/5-150x141.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/5-696x653.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><\/a><\/p>\n<p>F. C. Brand\u00e3o, p.12<b>TABELA III<\/b><\/p>\n<div id=\"attachment_28680\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-28680\" class=\"wp-image-28680 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/6.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"476\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/6.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/6-300x186.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/6-150x93.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/6-696x431.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-28680\" class=\"wp-caption-text\">Fonte. CRBC, Informe anual, 2016.<\/p><\/div>\n<p><b>GR\u00c1FICO I<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/7-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-28681 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/7-1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"392\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/8-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-28682 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/8-1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"362\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/9-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-28683 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/9-2.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"387\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/10-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-28684 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/10-1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"529\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-28685 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/11.jpg\" alt=\"\" width=\"586\" height=\"616\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/11.jpg 586w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/11-285x300.jpg 285w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/11-150x158.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/11-300x315.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Alice Jetin Duceux<strong><em>.\u00a0<\/em><\/strong><em>China\u2019s Corporate Debt: On the Way to Crisis? Part 1.\u00a0<\/em>Overview of Chinese Debt. December 2018.\u00a0<u><a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/An-Overview-of-Chinese-Debt#nh2-4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.cadtm.org\/An-Overview-of-Chinese-Debt#nh2-4<\/a><\/u><\/p>\n<p>______________.<strong>\u00a0<\/strong>A Little History of Chinese Economy. March 2019<\/p>\n<p>Au Loong Yu. El ascenso de China a potencia Mundial. https:\/\/vientosur.info\/spip.php?article14676<\/p>\n<p>David Harvey. Os limites do Capital. Boitempo editorial, 2013.<\/p>\n<p>___________. A loucura da raz\u00e3o econ\u00f4mica. Boitempo, 2018.<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Chesnais, Financial Capital Today. Corporations and Banks in the Lasting Global Slump Brill, 2016.<\/p>\n<p><strong>MacKinsey Global Institute. China and the world: Inside a changing economic relationship. dezembro, 2018.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/featured-insights\/asia-pacific\/china-and-the-world-inside-a-changing-economic-relationship\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.mckinsey.com\/featured-insights\/asia-pacific\/china-and-the-world-inside-a-changing-economic-relationship<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Margarida Dias Pinheiro Godinho.A china no s\u00e9culo XXI: a evolu\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio e o futuro das reformas. Universidade T\u00e9cnica de Lisboa. Instituto Superior de Economia e Gest\u00e3o, 2004.<\/p>\n<p>Martin Hart-Landsberg and Paul Burkett. China and the Dynamics of Transnational Accumulation: Causes and Consequences of Global Restructuring. Historical Materialism, volume 14:3 (3\u201343). Brill, 2006<\/p>\n<p>Michael F. Martin. China\u2019s Banking System: Issues for Congress, February 20, 2012. Congressional Research Service.<\/p>\n<p>Miguel Henriques de Carvalho. A economia Politica do Sistema Financeiro Chines. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Economia, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia Pol\u00edtica Internacional, 2013<\/p>\n<p>New Left Review 115, January\u2013February 2019.<\/p>\n<p>Pedro Henrique Neves de Carvalho. OS MOVIMENTOS DO CAPITAL: Um estudo de caso ampliado sobre o Sistema Banc\u00e1rio Chin\u00eas e a sua expans\u00e3o credit\u00edcia para a Am\u00e9rica do Sul. PUC MG, 2017.<\/p>\n<p>ZHIMING LONG, R\u00c9MY HERRERA, AND TONY ANDR\u00c9ANI. On the Nature of the Chinese Economic System. archive.monthlyreview.org DOI: 10.14452\/MR-070-05-2018-09_4<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote1anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1<\/a>A descoletiviza\u00e7\u00e3o do campo avan\u00e7ou rapidamente: em 1980, 5% das fam\u00edlias rurais estavam neste sistema, em 1982, 70%, em 1983, 94%, em 1984, 97%. Ao contr\u00e1rio da ex-URSS, cujas medidas restauracionistas implicaram em uma profunda desorganiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, a \u201c<em>a ado\u00e7\u00e3o do sistema de responsabilidade familiar no campo elevou substancialmente a produtividade do trabalho agr\u00edcola, elevando a oferta de gr\u00e3os e alimentos. A produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os per capita aumentou a uma taxa anual de 3,8% ao ano entre 1979 e 1984<\/em>\u201d. (Miguel Henriques de Carvalho, 2013)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote2anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2<\/a>A cria\u00e7\u00e3o dos bancos especializados em pol\u00edticas de cr\u00e9dito direto (em 1994), a entrada em vigor da Lei do Com\u00e9rcio Banc\u00e1rio (em 1995), a aboli\u00e7\u00e3o das cotas de cr\u00e9dito (em 1998), a melhoria da regulamenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria e implementa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas internacionais, as fus\u00f5es e fal\u00eancias das institui\u00e7\u00f5es insolventes (1996) foram consideradas as principais medidas para reformar os bancos estatais.\u00a0Margarida Dias Pinheiro Godinho. A china no s\u00e9culo XXI: a evolu\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio e o futuro das reformas.\u00a0Universidade T\u00e9cnica de Lisboa. Instituto Superior de Economia e Gest\u00e3o, 2004.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote3anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">3<\/a>CRBC, RELAT\u00d3RIO ANUAL 2016. [<u><a href=\"http:\/\/www.cbrc.gov.cn\/EngdocView.do?docID=DDF50D6326954C30B8B505F13667300A\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.cbrc.gov.cn\/EngdocView.dodocID=DDF50D6326954C30B8B505F13667300A<\/a><\/u>]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote4anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">4<\/a>No final de 2016, o setor banc\u00e1rio da China consistia em um banco de desenvolvimento nacional, dois\u00a0<em>policy banks<\/em>, cinco grandes bancos comerciais, 12 bancos comerciais mistos, 134 bancos comerciais da cidade, 1.114 bancos comerciais rurais, 8 bancos privados, 40 bancos cooperativos rurais, 1.125 cooperativas de cr\u00e9dito rural (CCR), 1 banco de poupan\u00e7a postal, 4 empresas de gest\u00e3o de ativos, 39 institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias estrangeiras com sede local\u2026, 68 empresas fiduci\u00e1rias, 236 sociedades financeiras de grupos empresariais, 56 empresas de leasing financeiro, 5 corretoras de valores, 25 empresas de financiamento de autom\u00f3veis, 18 empresas de financiamento ao consumidor, 1.443 bancos de vilas ou munic\u00edpios,\u00a013 empresas de cr\u00e9dito e 48 cooperativas rurais. O n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias na China era de 4.399, com 4,09 milh\u00f5es de empregados no final de 2016. Idem.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote5anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">5<\/a>O Banco de Desenvolvimento da China (CDB) foi criado de forma estrat\u00e9gica para reciclar os cr\u00e9ditos inadimplentes que representam 40% do PIB, em fun\u00e7\u00e3o da liberdade e autonomia dadas \u00e0s prov\u00edncias e aos bancos provinciais, assim como aos bancos estatais comerciais ao longo da d\u00e9cada de 1980. Pedro Henrique Neves de Carvalho,\u00a0<em>Os movimentos do capital: Um estudo de caso ampliado sobre o Sistema Banc\u00e1rio Chin\u00eas e a sua expans\u00e3o credit\u00edcia para a Am\u00e9rica do Sul<\/em>.\u00a0PUC MG, 2017.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote6anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">6<\/a>Au Loong Yu. El ascenso de China a potencia mundial. https:\/\/vientosur.info\/spip.php?article14676<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote7anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">7<\/a>O setor privado na China \u00e9 muito din\u00e2mico. \u00c9 composto principalmente por pequenas e m\u00e9dias empresas (PMEs), que servem como motor de crescimento em pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento (Banco Mundial, 2011). Na China, as PME representaram cerca de 65% do PIB e 80% das oportunidades de emprego em 2010 (Chen, Ding e Wu, 2014). As PMEs comp\u00f5em a grande maioria das empresas privadas chinesas e tamb\u00e9m contribuem para a d\u00edvida. Assim, o termo \u201csetor privado\u201d tem um significado diferente na China do que nos pa\u00edses avan\u00e7ados, onde o termo geralmente denota grandes empresas e multinacionais.\u00a0<strong><em>Alice Jetin Duceux .\u00a0<\/em><\/strong><em>China\u2019s Corporate Debt: On the Way to Crisis? Part 1.\u00a0<\/em>Overview of Chinese Debt. December 2018.\u00a0<u><a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/An-Overview-of-Chinese-Debt#nh2-4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.cadtm.org\/An-Overview-of-Chinese-Debt#nh2-4<\/a><\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote8anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">8<\/a>Martin Hart-Landsberg and Paul Burkett.\u00a0<em>China and the Dynamics of Transnational Accumulation: Causes and Consequences of Global Restructuring<\/em>.\u00a0S\u00e9rie\u00a0<em>Historical Materialism<\/em>, V. 14:3 (3\u201343). Ed. Brill, 2006<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote9anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">9<\/a>\u00a0RMB, o Renminbi, \u00e9 a denomina\u00e7\u00e3o da moeda chinesa, que \u00e9 expressa monetariamente em\u00a0<em>yuan<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote10anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10<\/a>\u00a0Portanto, embora [\u2026] o propriet\u00e1rio de dinheiro e o propriet\u00e1rio da for\u00e7a de trabalho se relacionem como comprador e vendedor\u2026 [Mas] o comprador se apresenta de antem\u00e3o, ao mesmo tempo, como possuidor dos meios de produ\u00e7\u00e3o [\u2026] Assim, a rela\u00e7\u00e3o de classe entre capitalista e assalariado j\u00e1 est\u00e1 dada [\u2026] N\u00e3o \u00e9 o dinheiro que, pela pr\u00f3pria natureza, engendra essa rela\u00e7\u00e3o, mas, antes, \u00e9 a exist\u00eancia dessa rela\u00e7\u00e3o que pode transformar uma simples fun\u00e7\u00e3o do dinheiro numa fun\u00e7\u00e3o do capital. K. Marx. O Capital, Livro II., p. 113-114. S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote11anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">11<\/a>\u00a0K. Marx. O Capital, Livro III, p. 600. Boitempo Editorial<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote12anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">12<\/a>\u00a0Idem, p.355<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote13anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">13<\/a>Entre 1995 e 2002, os bancos estatais haviam apoiado a reestrutura\u00e7\u00e3o de mais de seis mil empresas estatais, fornecendo cerca de RMB 800 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos direcionados e sofrendo perda de RMB 316 bilh\u00f5es. At\u00e9 o final de 2002, 51,2% das 62 mil firmas que haviam completado a mudan\u00e7a na estrutura de propriedade haviam falhado em pagar os empr\u00e9stimos contra\u00eddos junto aos bancos estatais. (M.H. Carvalho)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote14anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">14<\/a><u><a href=\"http:\/\/www.stats.gov.cn\/tjsj\/ndsj\/2018\/indexeh.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.stats.gov.cn\/tjsj\/ndsj\/2018\/indexeh.htm<\/a><\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote15anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">15<\/a>\u00a0D. Harvey:\u00a0<em>A loucura da raz\u00e3o econ\u00f4mica.,\u00a0<\/em>p. 177-178. S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 2018.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote16anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">16<\/a>K. Marx. O Capital, Livro III, p. 481. Boitempo Editorial.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote17anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">17<\/a>Todos os investimentos, sejam eles p\u00fablicos ou privados, \u00e0 medida que aumentem a produ\u00e7\u00e3o nacional, contribuem para o crescimento do rendimento nacional. Contudo, s\u00f3 pode haver acumula\u00e7\u00e3o de capital se a produ\u00e7\u00e3o for rent\u00e1vel: nenhum aumento da produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o acarrete um aumento dos lucros pode aumentar o capital. A produ\u00e7\u00e3o induzida pelo Estado pode, uma vez que n\u00e3o depende da rentabilidade, aumentar a produ\u00e7\u00e3o social, mas n\u00e3o o capital total.\u00a0Paul Mattick.\u00a0<em>Marx &amp; Keynes<\/em>, p. 209. Lisboa: Ant\u00edgona, 2010.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote18anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">18<\/a>Myl\u00e8ne Gaulard.\u00a0<em>Los problemas de la sobreacumulaci\u00f3n en China<\/em>.\u00a0Escuela de ingenier\u00eda em agro-desarrollo internacional. Paris, 2010.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote19anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">19<\/a>O forte aumento nos indicadores de globaliza\u00e7\u00e3o financeira neste per\u00edodo \u00e9 novamente tanto o resultado quanto a causa da acumula\u00e7\u00e3o financeira. Quando a taxa de lucro come\u00e7a a cair, a massa do lucro continua a crescer e uma fra\u00e7\u00e3o crescente busca uma taxa de retorno como capital portador de juros. Este \u00e9 o \u00faltimo dos fatores neutralizantes listados por Marx no Volume III do Capital\u2026 [\u2026] O aparente \u201cdesvio de investimento\u201d para os mercados financeiros marca o decl\u00ednio das oportunidades de investimento lucrativo. \u00c0 medida que a liberaliza\u00e7\u00e3o progride e com ela a globaliza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito industrial de reserva, as rela\u00e7\u00f5es de classe mudam em favor do capital e junto com isso surgem mudan\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o de renda em favor dos grupos superiores assim como a permanente e crescente diverg\u00eancia de ac\u00famulo de riqueza patrimonial em favor dos ricos.\u00a0Fran\u00e7ois Chesnais<em>, Finance Capital Today. Corporations and Banks in the Lasting Global Slump.\u00a0<\/em>p.174.\u00a0Brill<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote20anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">20<\/a>O decl\u00ednio da intermedia\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria realizada na rela\u00e7\u00e3o direta com os tomadores e o crescimento da intermedia\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos mercados financeiros viram o surgimento da nova figura do gestor de fundos [de investimentos]. Ele n\u00e3o foi apenas central para a introdu\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o corporativa, mas foi o primeiro de uma nova gera\u00e7\u00e3o de financistas. O crescimento da intermedia\u00e7\u00e3o n\u00e3o banc\u00e1ria e dos mercados de t\u00edtulos corporativos dom\u00e9sticos e internacionais tamb\u00e9m foi facilitado pelas novas tecnologias de TI, que permitiram tanto o com\u00e9rcio eletr\u00f4nico no espa\u00e7o \u201cvirtual\u201d quanto a possibilidade de os gestores de fundos acessarem redes informatizadas de informa\u00e7\u00e3o. Os bancos responderam \u00e0 perda de grande parte de seu neg\u00f3cio de empr\u00e9stimos corporativos oferecendo \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es que buscam empr\u00e9stimos razoavelmente grandes um novo instrumento de cr\u00e9dito, a saber, certificado de dep\u00f3sitos (CDs). Um segmento especializado de mercados monet\u00e1rios surgiu, permitindo que estes fossem vendidos pelos bancos emissores. Outros tipos de instrumentos de cr\u00e9dito negoci\u00e1veis \u200b\u200bforam criados com o prop\u00f3sito espec\u00edfico de facilitar os empr\u00e9stimos interbanc\u00e1rios, liberando assim os bancos das restri\u00e7\u00f5es de ter que manter grandes reservas de caixa e t\u00edtulos muito l\u00edquidos. O caminho para alavancagem em larga escala foi aberto, cujos efeitos j\u00e1 foram sentidos durante as crises banc\u00e1rias dos EUA nos anos 80 e in\u00edcio dos anos 90.\u00a0Idem., p.215<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote21anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">21<\/a>\u00a0OECD. Economic Surveys China, OVERVIEW. March 2017.\u00a0<u><a href=\"http:\/\/www.oecd.org\/eco\/surveys\/economic-survey-china.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.oecd.org\/eco\/surveys\/economic-survey-china.htm<\/a><\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote22anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">22<\/a>Mais d\u00edvidas, crescimento mais lento e uma moeda mais propensa \u00e0 especula\u00e7\u00e3o contribu\u00edram para o crash do mercado acion\u00e1rio de 2015. Na \u00e9poca, as empresas enfrentavam retornos negativos sobre novos projetos de capital e taxas de juros muito baixas no banco, o que desestimulava o investimento convencional e reduzia o incentivo para economizar dinheiro nos bancos. Isso encorajou as empresas a emprestar dinheiro barato e especular em a\u00e7\u00f5es. O aumento pecuni\u00e1rio no mercado de a\u00e7\u00f5es levou a um aumento no pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias. At\u00e9 mesmo a parcela mais bem paga da classe trabalhadora chinesa comprou a\u00e7\u00f5es, investindo toda a sua economia em um neg\u00f3cio que parecia lucrativo. O crash causou estragos nessas fam\u00edlias vulner\u00e1veis. Dezenas de milh\u00f5es de trabalhadores chineses foram afetados.\u00a0Alice Jetin Duceux<strong>.<\/strong><em>A Little History of Chinese Economy<\/em>.\u00a0March 2019.\u00a0<u><a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/An-Overview-of-Chinese-Debt#nh2-4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">h<\/a><a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/An-Overview-of-Chinese-Debt#nh2-4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ttp:\/\/www.cadtm.org\/An-Overview-of-Chinese-Debt#nh2-4<\/a><\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote23anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">23<\/a>Os quatro maiores bancos do mundo s\u00e3o da China, de acordo com os \u00faltimos rankings anuais da\u00a0<em>S&amp;P Global Market Intelligence<\/em>. Apesar da guerra comercial e dos problemas cambiais, os \u201cQuatro Grandes\u201d bancos da China aumentaram seus ativos totais em 1% em 2018, para US$ 13,8 trilh\u00f5es, segundo a S&amp;P. A lista \u00e9 liderada pelo Banco Industrial e Comercial da China, que manteve o t\u00edtulo de maior banco do mundo. O ICBC \u00e9 o \u00fanico credor que acumulou mais de US$ 4 trilh\u00f5es em ativos \u2013 ou aproximadamente o tamanho do Citigroup e do Wells Fargo juntos. Os pr\u00f3ximos tr\u00eas maiores bancos chineses t\u00eam, cada um, ativos de cerca de US$ 3 trilh\u00f5es: Banco de Constru\u00e7\u00e3o da China, Banco Agr\u00edcola da China e Banco da China. Todos os quatro bancos s\u00e3o estatais. Os bancos americanos s\u00f3 ficaram maiores depois da crise financeira, mas eles ainda t\u00eam que crescer mais para alcan\u00e7ar seus pares na China.\u00a0<u><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2019\/04\/14\/investing\/stocks-week-ahead-big-banks-china-earnings\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/edition.cnn.com\/2019\/04\/14\/investing\/stocks-week-ahead-big-banks-china-earnings\/index.html<\/a><\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote24anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">24<\/a>FMI. Financial Sector Assessment Program. 2011.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote25anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">25<\/a>A intermedia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito paralelo na China dificilmente envolve securitiza\u00e7\u00e3o ou financiamento por atacado, que s\u00e3o as principais fontes e motivadores do sistema banc\u00e1rio paralelo norte-americano.\u00a0Na verdade, o sistema banc\u00e1rio paralelo na China \u00e9 muito mais parecido com o sistema banc\u00e1rio tradicional: ele coleta \u201cdep\u00f3sitos\u201d ou dinheiro de investidores corporativos e de varejo e transforma suas economias em cr\u00e9ditos de diferentes formas para fornecer financiamento \u00e0s empresas. Dado o papel central dos bancos, o sistema banc\u00e1rio paralelo na China \u00e9 frequentemente apelidado de \u201csombra dos bancos\u201d, em oposi\u00e7\u00e3o a uma forma de intermedia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito baseada no mercado de capitais. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante ressaltar que o papel dos investidores estrangeiros ou de entidades financeiras estrangeiras \u00e9 insignificante.\u00a0Torsten Ehlers, Steven Kong and Feng Zhu.<em>\u00a0Mapping shadow banking in China: structure and dynamics<\/em>. Bank for International Settlements 2018. BIS Working Papers, No 701. Monetary and Economic Department February 2018.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote26anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">26<\/a>A emiss\u00e3o de produtos de gest\u00e3o de patrim\u00f4nio continuou. Os fundos de tais t\u00edtulos s\u00e3o tipicamente usados \u200b\u200bpara estender empr\u00e9stimos corporativos, mas agora s\u00e3o cada vez mais investidos em outros produtos de gest\u00e3o de patrim\u00f4nio. Isso pode refletir o menor apetite dos bancos em emprestar para investimento na economia real, em meio a retornos decrescentes. De fato, o capital alavancado tem sido cada vez mais investido em mercados de ativos, particularmente nos mercados imobili\u00e1rio, de a\u00e7\u00f5es e de t\u00edtulos. OECD. Economic Surveys China, OVERVIEW. Mar\u00e7o de 2017.\u00a0<u><a href=\"http:\/\/www.oecd.org\/eco\/surveys\/economic-survey-china.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.oecd.org\/eco\/surveys\/economic-survey-china.htm<\/a><\/u>\u00a0Ver gr\u00e1fico no Ap\u00eandice.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote27anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">27<\/a>Brian Caplen.\u00a0<em>China\u2019s slowdown: don\u2019t blame Trump<\/em>.12\/02\/2019\u00a0<u><a href=\"https:\/\/www.thebanker.com\/Comment-Profiles\/Editor-s-Blog\/China-s-slowdown-don-t-blame-Trump\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.thebanker.com\/Comment-Profiles\/Editor-s-Blog\/China-s-slowdown-don-t-blame-Trump<\/a><\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote28anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">28<\/a>De modo geral, em 2017, o setor banc\u00e1rio oficial forneceu 132,4 trilh\u00f5es de renminbi em empr\u00e9stimos, o que equivale a 50,6% do total de cr\u00e9ditos para a economia; os mercados financeiros (financiamento de t\u00edtulos e valores mobili\u00e1rios) e empr\u00e9stimos BPC proporcionaram 89,7 trilh\u00f5es de renminbi (34,2% do total); e os \u201cbancos sombras\u201d, 39,9 trilh\u00f5es de renminbi (15,2% do total).\u00a0Alice Jetin Duceux<strong><em>.\u00a0<\/em><\/strong><em>China\u2019s Corporate Debt: On the Way to Crisis? Part 1. Overview of Chinese Debt<\/em>. December 2018.\u00a0<u><a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/An-Overview-of-Chinese-Debt#nh2-4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">h<\/a><a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/An-Overview-of-Chinese-Debt#nh2-4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ttp:\/\/www.cadtm.org\/An-Overview-of-Chinese-Debt#nh2-4<\/a><\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote29anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">29<\/a>\u00a0Folha de S\u00e3o Paulo, \/2019<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote30anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">30<\/a>At\u00e9 meados de 2014, as reservas cambiais ainda representavam 20% da oferta monet\u00e1ria. Nos anos subsequentes, no entanto, a redu\u00e7\u00e3o das reservas cambiais e o aumento da oferta monet\u00e1ria acompanharam a redu\u00e7\u00e3o entre eles. Isso significa que, se as fam\u00edlias e as empresas transferissem o equivalente a apenas 10% da oferta monet\u00e1ria para fora do pa\u00eds, as reservas cambiais da China teriam desaparecido, deixando a economia profundamente vulner\u00e1vel a uma crise desencadeada pela fuga de capitais\u2026 Para evitar essa eventualidade, o regime de Xi Jinping implementou uma s\u00e9rie de medidas de controle de capital radicalmente crescentes\u2026 limites para as corpora\u00e7\u00f5es que trocam renminbi por d\u00f3lares norte-americanos sem notas fiscais subjacentes, verifica\u00e7\u00f5es da veracidade das faturas comerciais para evitar o excesso e o subfaturamento, maiores obst\u00e1culos para os indiv\u00edduos converterem o renminbi em d\u00f3lares e uma repress\u00e3o aos bancos paralelos \u2026e localiza\u00e7\u00f5es offshore para moeda\u2026 Esses passos draconianos restringiram significativamente a sa\u00edda do renminbi nos \u00faltimos anos\u2026 O aumento das sa\u00eddas de reservas em d\u00f3lares continua muito poss\u00edvel. De fato, se esses processos pudessem continuar por tempo suficiente, poderiam facilmente levar a uma crise de confian\u00e7a no Renminbi.\u00a0<em>Interview by Robert Brenner. China\u2019s Credit Conundrum<\/em>. New Left Review 115, January\u2013February 2019.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote31anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">31<\/a>\u00a0<em>China and the world: Inside a changing economic relationship<\/em>.\u00a0MacKinsey Global Institute, dezembro, 2018.<u><a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/featured-insights\/asia-pacific\/china-and-the-world-inside-a-changing-economic-relationship\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.mckinsey.com\/featured-insights\/asia-pacific\/china-and-the-world-inside-a-changing-economic-relationship<\/a><\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote32anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">32<\/a>Michael F. Martin.\u00a0<em>China\u2019s Banking System: Issues for Congress<\/em>. p. 29.\u00a020 de fevereiro de 2012. Congressional Research Service, EUA.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote33anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">33<\/a>Em artigo anterior discutimos a entrada das empresas chinesas no mercado de microprocessadores: https:\/\/litci.org\/es\/menu\/mundo\/asia\/china\/armas-de-guerra\/<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote34anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">34<\/a><\/p>\n<ol>\n<li>F. Martin. op. cit.<\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote35anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">35<\/a><\/p>\n<p>No ano passado, o governo de Xi eliminou as barreiras para que as bandeiras dos cart\u00f5es de cr\u00e9dito norte-americanas (Visa, Mastercard) recebessem a permiss\u00e3o para operar em Yuan. Ocorre que, enquanto os anos de discuss\u00e3o sobre o assunto se estendiam, o sistema paraestatal<em>Union Pay<\/em>,\u00a0a bandeira chinesa do cr\u00e9dito rotativo, estabeleceu um verdadeiro oligop\u00f3lio.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote36anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">36<\/a>Em 2017, a imagem havia mudado drasticamente. Os lucros l\u00edquidos dos grupos europeus haviam encolhido em mais de dois ter\u00e7os, para US$ 17,5 bilh\u00f5es, mais de um quarto abaixo dos US$ 24,4 bilh\u00f5es que o JPMorgan ganhou no ano anterior. De fato, a capitaliza\u00e7\u00e3o de mercado de US$ 380 bilh\u00f5es do JPMorgan excede a de seus cinco rivais europeus juntos. Entre 2006 e 2016, os cinco principais bancos dos EUA ganharam 6 pontos percentuais de participa\u00e7\u00e3o de mercado nas receitas globais de bancos de atacado, enquanto os cinco principais europeus perderam 4 pontos percentuais, de acordo com pesquisa da Oliver Wyman e Morgan Stanley.\u00a0<u><a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/6d9ba066-9eee-11e8-85da-eeb7a9ce36e4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ft.com\/content\/6d9ba066-9eee-11e8-85da-eeb7a9ce36e4<\/a><\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote37anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">37<\/a>Na \u00faltima d\u00e9cada, a maioria dos maiores bancos globais reduziu a escala e o escopo de suas atividades, diminuindo assim a exposi\u00e7\u00e3o ao risco. Mas, muitos bancos baseados em economias avan\u00e7adas n\u00e3o encontraram novos modelos de neg\u00f3cios lucrativos em uma era de taxas de juros baix\u00edssimas e novos regimes regulat\u00f3rios. O retorno sobre o patrim\u00f4nio l\u00edquido (ROE) dos bancos nas economias avan\u00e7adas caiu mais da metade desde a crise.\u00a0McKinsey Global Institute.\u00a0<em>A decade after the global financial crisis: what has (and hasn\u2019t) changed?<\/em>\u00a0Setembro de 2018, p.8.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote38anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">38<\/a><sup>\u00a0<\/sup>The Economist, 21\/02\/2019<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote39anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">39<\/a><sup>\u00a0<\/sup>Idem.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote40anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">40<\/a>\u00a0The Economist, 2019 March 16th.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote41anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">41<\/a>\u00a0Pedro Henrique Neves de Carvalho. OS MOVIMENTOS DO CAPITAL: Um estudo de caso ampliado sobre o Sistema Banc\u00e1rio Chin\u00eas e a sua expans\u00e3o credit\u00edcia para a Am\u00e9rica do Sul. PUC MG, 2017.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/#sdfootnote42anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">42<\/a>\u00a0Fabio de Campos Brand\u00e3o. Sistema Financeiro Chin\u00eas: Caracteriza\u00e7\u00e3o, Processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria e principais mudan\u00e7as ap\u00f3s a crise de 2008. 2014, UNICAMP. p. 15.<\/p>\n<p>Artigo publicado em: https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-sistema-bancario-chines-e-a-guerra-comercial-de-trump\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao aproximar economicamente os pa\u00edses e ao igualar o n\u00edvel de seu desenvolvimento, o capitalismo atua com seus m\u00e9todos\u2026 que boicotam continuamente o seu pr\u00f3prio trabalho, opondo um pa\u00eds e um ramo da produ\u00e7\u00e3o a outro\u2026 S\u00f3 a combina\u00e7\u00e3o dessas duas tend\u00eancias fundamentais, centr\u00edpeta e centr\u00edfuga, nivela\u00e7\u00e3o e desigualdade, ambas, consequ\u00eancia da natureza do capitalismo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":28686,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[365],"tags":[7603,366,7604,4653,7605,7606,3573],"class_list":["post-28674","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-china","tag-capitalismo-china","tag-china-2","tag-guerra-comercia-eua-china","tag-joao-ricardo-soares","tag-restauracao-china","tag-sistema-bancario-china","tag-teoria-e-revolucao"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/China-1.jpeg","categories_names":["China"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28674\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28686"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}