{"id":28565,"date":"2019-07-03T10:26:46","date_gmt":"2019-07-03T12:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28565"},"modified":"2019-07-03T10:26:46","modified_gmt":"2019-07-03T12:26:46","slug":"mercosul-e-uniao-europeia-um-passo-a-mais-para-virar-colonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/07\/03\/mercosul-e-uniao-europeia-um-passo-a-mais-para-virar-colonia\/","title":{"rendered":"Mercosul e Uni\u00e3o Europeia: Um passo a mais para virar col\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><em>O acordo de livre com\u00e9rcio entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia (UE), anunciado com roj\u00f5es e banda de m\u00fasica por Bolsonaro e festejado pela imprensa, reafirma a submiss\u00e3o do pa\u00eds aos grandes grupos econ\u00f4micos internacionais. E aprofunda o papel do Mercosul e do Brasil como col\u00f4nias fornecedoras de recursos naturais para o mercado mundial.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por Ricardo Ayala, do PSTU-Brasil<\/p>\n<p>A imprensa e o governo dizem que o tratado vai permitir ao Brasil ter acesso a um mercado de 750 milh\u00f5es de pessoas. Isso \u00e9 uma mentira para vender a subordina\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Por esse crit\u00e9rio, o Brasil deveria fazer um acordo de livre com\u00e9rcio era com a China, que tem quase dois bilh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Dizer que o Brasil ter\u00e1 \u201cacesso a um mercado\u201d n\u00e3o passa de uma bobagem, pois quem exporta e importa n\u00e3o \u00e9 o Brasil, mas, sim, as multinacionais instaladas aqui, e associadas a empresas brasileiras. Essa gente n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para o Brasil. O que querem \u00e9 aumentar seus lucros.<\/p>\n<p>O sonho de consumo dos exportadores de carne, frango, a\u00e7\u00facar, soja e outros produtos que dependem de terra abundante e barata \u00e9 ter acesso ao mercado europeu. Mas havia dois grandes obst\u00e1culos para este \u201cacordo de livre com\u00e9rcio\u201d.<\/p>\n<p>Pra come\u00e7ar, os camponeses europeus, particularmente os da Fran\u00e7a, mantinham uma forte mobiliza\u00e7\u00e3o contra o aumento da importa\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, na medida em que cada pa\u00eds da UE tem reservada uma determinada cota de produ\u00e7\u00e3o. Para isso, recebem subs\u00eddios para impedir a queda dos pre\u00e7os dos produtos agr\u00edcolas. Um acordo comercial levaria esses camponeses \u00e0 ru\u00edna.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, um segundo obst\u00e1culo \u00e9 o fato de que, atualmente, a importa\u00e7\u00e3o de produtos agr\u00edcolas na UE tem uma cl\u00e1usula de prioridade para com as ex-col\u00f4nias europ\u00e9ias, na\u00a0 \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n<p>Com a sa\u00edda da Inglaterra da UE e a guerra comercial de Trump contra a China, o an\u00fancio do acordo reafirma a UE como a defensora do \u201clivre com\u00e9rcio\u201d contra o \u201cprotecionista Trump\u201d. Mas muita \u00e1gua ainda vai rolar debaixo dessa ponte, uma vez que o acordo ainda precisar\u00e1 ser aprovado pelo parlamento dos 28 pa\u00edses que comp\u00f5e a UE e pelos parlamentos regionais da B\u00e9lgica.<\/p>\n<p><strong>Virando col\u00f4nia<\/strong>:\u00a0<strong>Consequ\u00eancias do acordo<br \/>\n<\/strong>Hoje, as mercadorias do chamado \u201cagroneg\u00f3cio\u201d do Mercosul entram na UE limitadas por cotas. Ou seja, h\u00e1 um limite para a compra de produtos agr\u00edcolas (menos a soja) e carnes. O acordo prev\u00ea o fim destas cotas de importa\u00e7\u00e3o e a elimina\u00e7\u00e3o gradual das tarifas. Este era o principal alvo dos \u00faltimos governos brasileiros na negocia\u00e7\u00e3o, desde FHC, passando pelos governos petistas, at\u00e9 Bolsonaro.<\/p>\n<p>J\u00e1 o setor industrial instalado no Brasil n\u00e3o tem nada a ganhar com esta hist\u00f3ria, pois n\u00e3o tem a m\u00ednima condi\u00e7\u00e3o de concorrer com as ind\u00fastrias europeias. Em troca da promessa de abrir o mercado da UE ao agroneg\u00f3cio do Mercosul, as tarifas dos produtos industrializados, mercadorias que entram como componentes para a produ\u00e7\u00e3o industrial, como autope\u00e7as, tamb\u00e9m teriam uma redu\u00e7\u00e3o de tarifas at\u00e9 a tarifa zero.<\/p>\n<p>Ocorre que as ind\u00fastrias instaladas aqui importam a maioria dos componentes que utilizam. Um exemplo \u00e9 setor produtor de mercadorias de alta e m\u00e9dia tecnologia. Em 2016, o setor foi respons\u00e1vel por 33% da produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira e foi respons\u00e1vel por 70,8% da importa\u00e7\u00e3o total de bens. Mas, para produzir isso, teve que importar 71% de insumos e componentes.<\/p>\n<p><strong>Mais desemprego<br \/>\n<\/strong>Caso a tarifa zero para os insumos industriais entre em vigor, empresas com sede na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, como Volkswagen, Renault, dentre outras, poder\u00e3o importar livremente a maioria dos componentes. O resultado \u00e9 que s\u00f3 ir\u00e3o montar aqui o produto final. Isso faz com que a maioria dos empregos do setor industrial, que paga os sal\u00e1rios mais altos, deixaria simplesmente de existir.<\/p>\n<p>Mas os carros produzidos aqui podem ser exportados para Europa? N\u00e3o podem, pois t\u00eam menos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos incorporados e n\u00e3o preenchem as normas de emiss\u00e3o de gases estufa. Eles continuaram a ser vendidos nos pa\u00edses do Mercosul, como ocorre hoje.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o agroneg\u00f3cio, o acordo ser\u00e1 um bom neg\u00f3cio, pois amplia as exporta\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias primas. Para as multinacionais europeias instaladas aqui, o acordo tamb\u00e9m ser\u00e1 \u00f3timo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o acordo ser\u00e1 mortal para o carro-chefe de toda produ\u00e7\u00e3o industrial capitalista: a ind\u00fastria de bens de capital, que fabrica m\u00e1quinas e equipamentos e que exige uma for\u00e7a de trabalho com n\u00edvel t\u00e9cnico e sal\u00e1rios maiores. Esse setor vai ser substitu\u00eddo pelas importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 tudo isto que pode explicar o porqu\u00ea, do ponto de vista da burguesia, das reformas trabalhista e da Previd\u00eancia. Os empres\u00e1rios querem aumentar a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores; transformar o Brasil em uma grande col\u00f4nia que exporta soja, cana e min\u00e9rios; destruir os empregos que exigem mais investimentos na educa\u00e7\u00e3o e pagar sal\u00e1rios ainda mais baixos. Bem-vindos ao s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-70900 aligncenter td-animation-stack-type2-2\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/tratado1991bb.jpg?resize=630%2C370&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"370\" data-attachment-id=\"70900\" data-permalink=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/mercosul-e-uniao-europeia-um-passo-a-mais-para-virar-colonia\/tratado1991bb\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/tratado1991bb.jpg?fit=630%2C370&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"630,370\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"tratado1991bb\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/tratado1991bb.jpg?fit=630%2C370&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/tratado1991bb.jpg?fit=630%2C370&amp;ssl=1\" \/><\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 Mercosul<br \/>\n<\/strong>Fundado em 1991, o Mercosul \u00e9 uma esp\u00e9cie de plataforma de exporta\u00e7\u00f5es para as multinacionais. Cerca de 95% do com\u00e9rcio entre os pa\u00edses do Mercosul s\u00e3o realizados completamente livres de barreiras tarif\u00e1rias. Atualmente, o Mercosul \u00e9 formado por cinco membros plenos: Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Venezuela (que est\u00e1 suspensa do bloco desde dezembro de 2016) e cinco pa\u00edses associados: Chile, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Equador e Peru.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acordo de livre com\u00e9rcio entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia (UE), anunciado com roj\u00f5es e banda de m\u00fasica por Bolsonaro e festejado pela imprensa, reafirma a submiss\u00e3o do pa\u00eds aos grandes grupos econ\u00f4micos internacionais. 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