{"id":28531,"date":"2019-07-01T10:39:15","date_gmt":"2019-07-01T12:39:15","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28531"},"modified":"2019-07-01T10:39:15","modified_gmt":"2019-07-01T12:39:15","slug":"honduras-do-golpe-gorila-a-luta-contra-a-ditadura-de-joh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/07\/01\/honduras-do-golpe-gorila-a-luta-contra-a-ditadura-de-joh\/","title":{"rendered":"Honduras | Do golpe gorila \u00e0 luta contra a ditadura de JOH"},"content":{"rendered":"<p><em>Am\u00e9rica Central atravessa um per\u00edodo de instabilidade que se expressa em greves, mobiliza\u00e7\u00f5es massivas e insurrecionais que pedem a cabe\u00e7a dos governantes e o fim dos programas de austeridade impostos pelos EUA.<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Por Ovet C\u00f3rdova<\/p>\n<p>Em Honduras, um governo fr\u00e1gil nascido de uma escandalosa fraude eleitoral que se sustenta com o apoio do departamento do Estado e do LIVRE (Partido Libertad y Refundaci\u00f3n), principal partido burgu\u00eas de oposi\u00e7\u00e3o que, com seu aparato, desmobilizou um aut\u00eantico levante popular. A luta da Plataforma de m\u00e9dicos e professores anima as massas a reorganizar suas for\u00e7as e romper com a dispers\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Honduras uma col\u00f4nia dos EUA<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Honduras tem sido historicamente uma col\u00f4nia dos Estados Unidos e dos partidos tradicionais, Liberal e Nacional, que se alternam para governar o pa\u00eds em nome deles. Manuel (Mel) Zelaya \u00e9 um rico fazendeiro que assumiu a presid\u00eancia em 2006 e adotou um perfil mais populista com o passar dos anos. Ainda que n\u00e3o mudou em nada o car\u00e1ter colonial do pa\u00eds, buscou aproximar-se do ent\u00e3o presidente venezuelano Hugo Ch\u00e1vez e do seu setor burgu\u00eas \u201cbolivariano\u201d. Nessa \u00e9poca, a crise financeira mundial de 2008 afetou drasticamente a economia da regi\u00e3o e a maioria da burguesia hondurenha (liberais e nacionalistas) que considerou necess\u00e1rio um golpe gorila<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> que em 2009 expulsou a Zelaya. A interrup\u00e7\u00e3o do seu mandato presidencial foi patrocinada pela Casa Branca para salvar os neg\u00f3cios dos capitalistas nacionais e relan\u00e7ar o neoliberalismo em Honduras, ou seja, aprofundar seu car\u00e1ter colonial.<\/p>\n<p>O FMI orientou a transforma\u00e7\u00e3o da economia nacional acentuando seu car\u00e1ter de sucursal do imperialismo. Seus melhores colaboradores e s\u00f3cios foram os governos p\u00f3s golpistas: Micheletti, Lobo e Juan Orlando Hern\u00e1ndez Alvarado conhecido como JOH, surgidos de fraudes eleitorais que foram respaldadas pela Embaixada Americana, com o apoio da OEA e da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Em uma d\u00e9cada o sistema hospitalar e a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia desamparada foi entregue \u00e0 ONG\u00b4s e empresas privadas; as empresas estatais de energia el\u00e9trica, servi\u00e7os de \u00e1gua e telefonia foram entregues aos cons\u00f3rcios internacionais, o mesmo aconteceu com as estradas, portos e aeroportos; igualmente com as florestas, os rios e o subsolo.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora lutou bravamente contra estes ataques, mas foi derrotada, perdendo direitos que levaram d\u00e9cadas para serem conquistados. Dezenas de empresas estatais foram privatizadas levando ao desemprego mais de 24 mil trabalhadores e trabalhadoras, a seguridade social est\u00e1 a ponto de ser privatizada e os fundos de pens\u00f5es foram saqueados para financiar os neg\u00f3cios dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em boa medida essa abrupta mudan\u00e7a na situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica foi produto da derrota do movimento de resist\u00eancia, porque a sua dire\u00e7\u00e3o &#8211; com Manuel Zelaya e a esquerda oportunista na cabe\u00e7a &#8211; optou pelas negocia\u00e7\u00f5es com os golpistas e os yankees. Como veremos, essa t\u00e1tica conciliadora nao foi abandonada durante toda a d\u00e9cada seguinte.<\/p>\n<p><strong>Do golpe gorila \u00e0 fraude eleitoral<\/strong><\/p>\n<p>A classe trabalhadora hondurenha e o movimento popular alcan\u00e7aram seu n\u00edvel m\u00e1ximo de organiza\u00e7\u00e3o entre os anos de 2002 a 2008. Nesse per\u00edodo construiu seus pr\u00f3prios organismos e empreendeu duras batalhas contra os governos de Ricardo Maduro e Manuel Zelaya. S\u00e3o bem lembradas as Greves C\u00edvicas Nacionais organizadas pela Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Resist\u00eancia Popular, CNRP.<\/p>\n<p>Em 2008, as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda reformistas, oportunistas e castro chavistas como a Tend\u00eancia Revolucion\u00e1ria TR, Organiza\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do N\u00e9cios OPLN, e o Bloco Popular, levaram a CNRP a capitular ao governo de Zelaya que estava namorando com o chavismo. Este foi o fim do movimento oper\u00e1rio com independ\u00eancia de classe.<\/p>\n<p><strong>LIVRE nasce de um acordo reacion\u00e1rio<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Da resist\u00eancia contra o golpe surgiu a Frente Nacional de Resistencia Contra o Golpe de Estado que mais tarde passou a se chamar FNRP. Na qual se integram as organiza\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio-popular que fizeram parte da CNRP e os setores liberais que respaldaram a volta de Zelaya ao poder.<\/p>\n<p>A Frente se converteu em um movimento de massas com uma condu\u00e7\u00e3o policlassista que, em mais de uma ocasi\u00e3o, teve a oportunidade de derrubar o governo usurpador. A luta e as mobiliza\u00e7\u00f5es contra o golpe foram fort\u00edssimas e inclusive chegaram a dividir as for\u00e7as armadas, com um setor que se negava a reprimir.<\/p>\n<p>No entanto, a todo momento sua dire\u00e7\u00e3o burguesa privilegiou o desvio das mobiliza\u00e7\u00f5es em detrimento dos pactos com os gorilas, participando dos di\u00e1logos de Guaymuras, S\u00e3o Jos\u00e9 e concluindo com o acordo de Cartagena em 2011. Neste \u00faltimo, a dire\u00e7\u00e3o da Frente, de costas para as bases, chegou a um acordo com o imperialismo e o governo golpista construindo um pacto de governabilidade que permitia o retorno de Zelaya ao territ\u00f3rio nacional e a cria\u00e7\u00e3o do \u201cpartido da resist\u00eancia\u201d ao qual chamaram LIVRE, em troca de estabilizar a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e solucionar suas diferen\u00e7as no jogo eleitoral.<\/p>\n<p>Essa trai\u00e7\u00e3o foi selada com o aval dos presidentes Barack Obama, Juan Manuel Santos e Hugo Ch\u00e1vez. O hero\u00edsmo das massas foi conduzido ao matadouro das urnas em 2013, ano em que se celebraram elei\u00e7\u00f5es fraudulentas e onde o golpismo saiu ganhador.<\/p>\n<p>LIVRE surgiu como uma aposta do imperialismo para conter o ascenso revolucion\u00e1rio que significou a resist\u00eancia contra o golpe. Sua proposta de governo, como \u00e9 de se esperar, \u00e9 moderada em rela\u00e7\u00e3o aos partidos tradicionais da oligarquia e em conson\u00e2ncia com os interesses do capital; n\u00e3o questiona a propriedade privada nem o pagamento da d\u00edvida externa.<\/p>\n<p>O refluxo do movimento de massas n\u00e3o demorou em acontecer uma vez que a luta contra o golpe foi derrotada. A confus\u00e3o se aprofundou quando LIVRE aceitou de maneira disciplinada os resultados da fraude eleitoral, em troca de 27 vagas no Congresso e algumas prefeituras. Enquanto se consumava a fraude um dirigente do LIVRE convocava uma festa para celebrar sua elei\u00e7\u00e3o como prefeito de S\u00e3o Pedro Sula, e Manuel Zelaya declarava \u201c aceitamos os resultados destas elei\u00e7\u00f5es fraudadas (&#8230;) n\u00e3o vamos incendiar este pa\u00eds\u201d. estes fatos deram in\u00edcio \u00e0 chamada \u201coposi\u00e7\u00e3o parlamentar\u201d.<\/p>\n<p><strong>A bancarrota da esquerda hondurenha<\/strong><\/p>\n<p>A hecatombe da esquerda stalinista \u00e9 grave, iniciou com o partido de Unifica\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica UD, que sofreu uma terr\u00edvel adapta\u00e7\u00e3o burguesa ao parlamento. Seus dois principais dirigentes se converteram em agentes diretos da direita golpista: Cesar Ham a frente do Instituto Nacional Agr\u00e1rio (INA) foi uma pe\u00e7a chave na derrota do movimento campon\u00eas e Marvin Ponce \u00e1 assessor do JOH.<\/p>\n<p>Hoje em dia, organiza\u00e7\u00f5es como a Tend\u00eancia Revolucion\u00e1ria TR, Organiza\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica dos Necios, Partido para a Transforma\u00e7\u00e3o de Honduras PTH, e o Movimento Nova Democracia entre outros, sucumbiram \u00e0s press\u00f5es do movimento de massas e adotaram uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes. Isso os levou \u00e0 capitular a Manuel Zelaya, para quem entregaram em bandeja de prata a CNRP. Com isso liquidaram o principal instrumento de luta da classe trabalhadora. Ou seja, tra\u00edram a luta do povo hondurenho.<\/p>\n<p>Uma vez iniciada a resist\u00eancia contra o golpe de estado, acompanharam os processos de di\u00e1logo com os EUA e o governo golpista, negocia\u00e7\u00f5es que levaram \u00e0 derrota do movimento e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do LIVRE. Rapidamente ascenderam posi\u00e7\u00f5es e passaram de dirigentes do movimento oper\u00e1rio-popular a candidatos e deputados: trocaram as ruas pelas confort\u00e1veis poltronas do parlamento. A partir deste momento, seus discursos contra o governo e de rep\u00fadio contra as pen\u00farias dos explorados eram escutados somente nas campanhas eleitorais. Tamb\u00e9m eram repetitivos os seus chamados a confiar na possibilidade de uma vida melhor uma vez que triunfaram nas urnas.<\/p>\n<p>Esta esquerda abandonou o projeto da revolu\u00e7\u00e3o socialista e acolheu a tese das \u201ctransforma\u00e7\u00f5es pac\u00edficas\u201d que anunciavam os propagandistas do \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d. Tamb\u00e9m jogaram por terra a tarefa hist\u00f3rica da constru\u00e7\u00e3o de um instrumento pol\u00edtico para a classe trabalhadora que tivesse independ\u00eancia de classe e que, desde esta localiza\u00e7\u00e3o, lutasse em unidade de a\u00e7\u00e3o contra os governos patronais.<\/p>\n<p>Finalmente, \u00e9 necess\u00e1rio destacar que esta esquerda oportunista, que se movimenta segundo as press\u00f5es e as \u201coportunidades\u201d, n\u00e3o teve crescimento: uma vez que foram absorvidos pelo aparato do LIVRE, estas organiza\u00e7\u00f5es degeneraram. No melhor dos casos, a decep\u00e7\u00e3o dos seus quadros e ativistas os levou a rupturas. No entanto, de forma geral, essa esquerda se diluiu no LIVRE.<\/p>\n<p><strong>O movimento dos indignados<\/strong><\/p>\n<p>O FNRP bateu em retirada e deixou um espa\u00e7o para as demandas da classe m\u00e9dia e da juventude. Apesar da desilus\u00e3o de amplos setores, a juventude e os movimentos de defesa dos territ\u00f3rios realizaram uma forte resist\u00eancia contra o governo de JOH.<\/p>\n<p>O movimento estudantil realizou quatro greves, uma mais importante que a outra, exemplo disso \u00e9 que a greve na universidade agr\u00edcola provocou a ren\u00fancia de um importante agente do governo que era Reitor da UNA e foi Ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Marlon Escoto.<\/p>\n<p>O sentimento anti-JOH nasceu e se ampliou ao vir \u00e0 tona o esc\u00e2ndalo do saqueio de 7 bilh\u00f5es de lempiras (moeda hondurenha) do Instituto de seguridade social e o an\u00fancio da reelei\u00e7\u00e3o institucional do presidente. Com isso, um novo ascenso se desenvolveu, desta vez liderado pela pequena burguesia que desconfiava da esquerda e sustentava um discurso anti-partido.<\/p>\n<p>O movimento dos indignados (2013-2015) expressava uma agenda democr\u00e1tica que exigia puni\u00e7\u00e3o para os corruptos, repudiava as institui\u00e7\u00f5es governamentais, se posicionava contra a reelei\u00e7\u00e3o de JOH e exigia a interven\u00e7\u00e3o da embaixada estadunidense e da OEA para que se instalasse uma Comiss\u00e3o Internacional Contra a Impunidade em Honduras (CICIH), com a finalidade de investigar e punir os corruptos.<\/p>\n<p>Em poucas semanas alcan\u00e7ou um car\u00e1ter nacional com mobiliza\u00e7\u00f5es de milhares. Sua ess\u00eancia espont\u00e2nea e massiva impediu que as dire\u00e7\u00f5es tradicionais se localizem na frente. Finalmente, a dire\u00e7\u00e3o do movimento anti-JOH foi cooptada e come\u00e7aram a negociar com o governo e com a OEA. A interven\u00e7\u00e3o do imperialismo contribui para derrotar as mobiliza\u00e7\u00f5es pela via das concess\u00f5es: se instalou a MACCIH, inst\u00e2ncia parecida com a que existia na Guatemala. Financiada pela OEA e em resumo, sua contribui\u00e7\u00e3o para luta contra a corrup\u00e7\u00e3o foi nula.<\/p>\n<p>Pese o balan\u00e7o desse processo, se pode pode dizer que foi um per\u00edodo de ac\u00famulo de descontentamento anti-JOH na juventude, que se organizou por fora das estruturas do LIVRE e do FNRP. No seguinte ascenso estas caracter\u00edsticas tiveram uma importancia primordial.<\/p>\n<p><strong>A insurrei\u00e7ao contra a fraude<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O imperialismo, o regime de JOH e o LIVRE acordaram em resolver o problema do poder nas elei\u00e7\u00f5es de 2017, mas os primeiros n\u00e3o estavam dispostos a cumprir o pacto de governabilidade, enquanto Manuel Zelaya continuasse dizendo que derrotariam a fraude e a reelei\u00e7\u00e3o nas urnas: n\u00e3o havia lugar para a luta.<\/p>\n<p>A negativa do Tribunal Eleitoral em declarar ganhador o candidato de oposi\u00e7\u00e3o Salvador Nasralla, foi o detonador que gerou a explos\u00e3o social mais importante da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Toda a indigna\u00e7\u00e3o popular anti-JOH se expressou nesse processo eleitoral e ao vir \u00e0 tona a fraude, a juventude se organizou para defender a vontade popular.<\/p>\n<p>Dezenas de milhares de pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas paralisando as principais estradas e pontes; a resist\u00eancia foi organizada nos bairros; a economia se deteve por v\u00e1rias semanas enquanto que a capacidade dos \u00f3rg\u00e3os repressores se via aplastada pelo ascenso das massas.<\/p>\n<p>Durante as primeiras semanas, os manifestantes n\u00e3o respondiam a nenhuma dire\u00e7\u00e3o: sua irrup\u00e7\u00e3o foi espont\u00e2nea e auto convocada. Enquanto Zelaya e Nasralla chamavam a \u201cfestejar\u201d a vit\u00f3ria eleitoral, as massas saiam com mais f\u00faria \u00e0s ruas. Frente ao perigo de ser derrotado pela for\u00e7a, JOH anunciava um estado de s\u00edtio que foi derrotado por um novo ascenso em 10 de dezembro, que dividiu a pol\u00edcia e as for\u00e7as especiais, que foram a greve. Nesse contexto a dire\u00e7\u00e3o do LIVRE chamou a desmobiliza\u00e7\u00e3o das ocupa\u00e7\u00f5es de estradas e a \u201crespeitar as festas de fim de ano\u201d. Este vacilo permitiu uma contra-ofensiva do regime, da qual o movimento n\u00e3o pode recuperar-se.<\/p>\n<p>A fraude foi organizada dois anos antes, desde que a Corte Suprema de Justi\u00e7a aprovou a inconstitucionalidade do JOH. Todo o aparato governamental estava desenhado para garantir a continuidade do ent\u00e3o ditador que controla os \u00f3rg\u00e3os de justi\u00e7a, entes repressivos e o tribunal eleitoral. De igual maneira, as esperadas reformas eleitorais nunca aconteceram.<\/p>\n<p>Mas o regime n\u00e3o o fez sozinho, contou com o apoio do LIVRE e demais partidos de oposi\u00e7\u00e3o. O bloco dos partidos supostamente de \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d, assinaram o acordo de\u00a0 Toncont\u00edn, segundo o qual lutariam contra a reelei\u00e7\u00e3o, a fraude e por reformas eleitorais. Mas nunca realizaram uma s\u00f3 a\u00e7\u00e3o de protesto para deter a fraude, e frente \u00e0s demandas j\u00e1 mencionadas se mantiveram divididos.<\/p>\n<p>Por outro lado, eles mantiveram completa unidade em respaldar a pol\u00edtica econ\u00f4mica e fiscal do governo de JOH; apoiaram as reformas do c\u00f3digo penal que criminaliza as manifesta\u00e7\u00f5es, a elei\u00e7\u00e3o do fiscal geral que defende os corruptos, votaram a favor da criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, proibiram o uso das PAE; e reelegeram a Reitora da UNAH, entre outras medidas antipopulares do oficialismo.<\/p>\n<p>O papel do LIVRE foi nefasto, ao respaldar o regime na aprova\u00e7\u00e3o de suas pol\u00edticas de governo, enquanto fingia oposi\u00e7\u00e3o sobre a pauta da reelei\u00e7\u00e3o. Ao estourar a insurrei\u00e7\u00e3o, privilegiou as negocia\u00e7\u00f5es esperando ser \u201caben\u00e7oado\u201d pelo Departamento do Estado e demais organismos do imperialismo (algo que n\u00e3o aconteceu).<\/p>\n<p>Na campanha eleitoral participou em alian\u00e7a com um partido golpista (PINU-SD) e um candidato presidencial que v\u00eam da burguesia. Sua proposta de governo n\u00e3o estava longe da do resto dos partidos da burguesia e tinham acordo nas mesmas coisas: manter a economia de mercado, respeitar a propriedade privada e os acordos econ\u00f4micos e militares com o imperialismo.<\/p>\n<p>A alian\u00e7a LIBRE-PINU, como vimos, apresentou como candidato Salvador Nasralla, que prov\u00e9m do PAC, um partido de direita e conservador que foi absorvido pelo regime. Nasralla \u00e9 um famoso apresentador de programas de esportes e de com\u00e9dia que trabalha para uma corpora\u00e7\u00e3o que controla os principais meios televisivos e de r\u00e1dio. Se autodenomina \u201camigo\u201d dos empres\u00e1rios e dos EUA; defensor da propriedade privada e um pol\u00edtico de centro direita, sustentou em diversas ocasi\u00f5es que no seu governo far\u00e1 enormes concess\u00f5es aos empres\u00e1rios e aos investidores estrangeiros, e ampliaria as instala\u00e7\u00f5es da principal base de ocupa\u00e7\u00e3o militar yankee, mais conhecida como \u201cPalmerola\u201d.<\/p>\n<p><strong>Algunas conclusiones<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Esta pol\u00edtica de subordinar a luta e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das massas \u00e0 \u201cestrat\u00e9gia das mesas de negocia\u00e7\u00f5es\u201d para acabar entregando-as, foi impulsionada pela dire\u00e7\u00e3o burguesa de Mel Zelaya, e a ela se integrou a maioria da esquerda hondurenha. O resultado desta pol\u00edtica est\u00e1 exposto: o inimigo se fortaleceu e as massas est\u00e3o no meio de um refluxo. Em cada momento concreto o PST, ao mesmo tempo que participava e impulsionava cada luta, se op\u00f4s a essa pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Mas inclusive no meio do refluxo, as massas buscam reorganizar suas for\u00e7as para poder retomar a luta. \u00c9 necess\u00e1rio impulsionar essa reorganiza\u00e7\u00e3o e essa retomada da mobiliza\u00e7\u00e3o com todos aqueles que coincidam com essas tarefas. Mas para desenvolver de maneira efetiva esse processo, \u00e9 imprescind\u00edvel tamb\u00e9m fazer um balan\u00e7o do que aconteceu nos \u00faltimos dez anos e tirar algumas conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira delas \u00e9 que \u00e9 totalmente equivocado condicionar a luta contra o inimigo e negociar com ele, porque isso s\u00f3 o fortalece e nos debilita.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 que inclusive quando estamos juntos em alguma luta, nunca devemos confiar em uma dire\u00e7\u00e3o burguesa (menos ainda em setores do imperialismo), porque mais cedo ou mais tarde nos apunhalam pelas costas na defesa dos seus interesses. Por isso somente devemos confiar em nossas for\u00e7as e em nossa pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o independente para a luta.<\/p>\n<p>Finalmente, a mais importante de todas: n\u00e3o haver\u00e1 mudan\u00e7a real em Honduras enquanto essa luta n\u00e3o tenha como norte a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista em nosso pa\u00eds e no mundo todo. Para encabe\u00e7ar essa tarefa, necessitamos construir um partido socialista e revolucion\u00e1rio que n\u00e3o capitule \u00e0 burguesia e ao seu \u201ccanto de sereia\u201d.<\/p>\n<p>O PST se coloca a servi\u00e7o desta tarefa. Chamamos a todos os lutadores e lutadoras honestos que confiaram no MEL e no LIVRE a fazer juntos este balan\u00e7o.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Luana Bonfante<\/p>\n<p>Nota:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Golpe_de_Estado_en_Honduras_de_2009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Golpe_de_Estado_en_Honduras_de_2009<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Am\u00e9rica Central atravessa um per\u00edodo de instabilidade que se expressa em greves, mobiliza\u00e7\u00f5es massivas e insurrecionais que pedem a cabe\u00e7a dos governantes e o fim dos programas de austeridade impostos pelos EUA.\u00a0 Por Ovet C\u00f3rdova Em Honduras, um governo fr\u00e1gil nascido de uma escandalosa fraude eleitoral que se sustenta com o apoio do departamento do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":73094,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[7009,248],"tags":[7585,249,7586,7010,14],"class_list":["post-28531","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-crise-em-honduras","category-honduras","tag-golpe-honduras","tag-joh","tag-libre","tag-mel-zelaya","tag-pst"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Captura-de-pantalla-2019-06-30-a-las-0.15.19-1310x698-2.png","categories_names":["Crise em Honduras","Honduras"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28531\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73094"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}