{"id":28515,"date":"2019-06-28T13:04:45","date_gmt":"2019-06-28T15:04:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28515"},"modified":"2019-06-28T13:04:45","modified_gmt":"2019-06-28T15:04:45","slug":"de-stonewall-ate-hoje-as-lgbtis-sao-parte-importante-da-classe-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/06\/28\/de-stonewall-ate-hoje-as-lgbtis-sao-parte-importante-da-classe-trabalhadora\/","title":{"rendered":"De Stonewall at\u00e9 hoje, as LGBTIs s\u00e3o parte importante da classe trabalhadora"},"content":{"rendered":"<p><em>Junho \u00e9 o m\u00eas do Orgulho LGBT (l\u00e9sbico, gay, bissexual e transg\u00e9nero). Na Europa, a data mais relevante \u00e9 o dia 17 de maio, que marca a decis\u00e3o da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade) de deixar de considerar a homossexualidade como doen\u00e7a. Foi declarado, portanto, o Dia Internacional contra a Homofobia.<\/em><em>\u00a0<\/em><!--more--><\/p>\n<p><em>Por <\/em>Helena A\u00f1asco<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Nas Am\u00e9ricas, a data simb\u00f3lica \u00e9 o dia 28 de junho e refere-se a um epis\u00f3dio em Nova Iorque (EUA), em 1969: o\u00a0<em>Stonewall<\/em>. Nesse dia, LGBTIs frequentadoras de um bar com esse nome come\u00e7aram um enfrentamento com a Pol\u00edcia devido \u00e0s \u201crusgas policiais\u201d frequentes, que criavam um clima de constante repress\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa luta de resist\u00eancia durou quatro dias e teve \u00e0 sua frente, principalmente, as mulheres l\u00e9sbicas, as travestis negras e os gays imigrantes, mostrando que al\u00e9m de ser contra a viol\u00eancia policial, foi tamb\u00e9m contra toda a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o que essas LGBTIs pobres, negros e imigrantes sofriam quotidianamente.<\/p>\n<p>Stonewall teve uma grande repercuss\u00e3o e causou uma efervesc\u00eancia em todo o mundo. No ano seguinte, a 28 de junho de 1970, foi organizada a primeira Parada LGBTI nos Estados Unidos, com mais de 10 mil pessoas.<\/p>\n<p><strong>O fim da discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0s LGBTIs tamb\u00e9m passa pela Revolu\u00e7\u00e3o Socialista<\/strong><\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Russa, em 1917, que expropriou a burguesia, resultou em avan\u00e7os grandiosos, incluindo para os LGBTI. Todas as leis contra a homossexualidade foram derrubadas pelo novo governo revolucion\u00e1rio. O sexo consensual foi definido como um assunto privado (ou seja, sem interfer\u00eancia do Estado). Em 1919, come\u00e7aram a ser feitas cirurgias de mudan\u00e7a de sexo nos hospitais.<\/p>\n<p>Mas a subida de Estaline ao poder iniciou um per\u00edodo de contrarrevolu\u00e7\u00e3o e retrocesso desses direitos. Houve uma pol\u00edtica de retorno das mulheres ao lar e ser LGBTI passou a ser considerado um \u201cdesvio pequeno-burgu\u00eas\u201d da antiga sociedade.<\/p>\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o completa do capitalismo na R\u00fassia s\u00f3 piorou a situa\u00e7\u00e3o das LGBTIs, culminando nas leis absurdas e homof\u00f3bicas existentes hoje, transformando a R\u00fassia no 2\u00b0 pa\u00eds com maior discrimina\u00e7\u00e3o a essa popula\u00e7\u00e3o na Europa.<\/p>\n<p><strong>Portugal e o combate \u00e0 LGBTfobia<\/strong><\/p>\n<p>Portugal est\u00e1 em 6\u00b0 lugar entre os pa\u00edses europeus que mais protegem direitos LGBTIs, mas essa \u00e9 uma realidade de toda a classe trabalhadora portuguesa e imigrante no pa\u00eds?<\/p>\n<p>Em Portugal, o casamento entre LGBTs \u00e9 permitido por lei desde 2010, mas 47% dos concelhos nunca realizaram esse tipo de matrim\u00f3nio. As raz\u00f5es v\u00e3o desde a homofobia institucional camuflada, \u00e0 invisibilidade da popula\u00e7\u00e3o LGBTI e \u00e0 vergonha em assumir-se socialmente como tal.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a ado\u00e7\u00e3o por casais LGBTs est\u00e1 legalizada. H\u00e1, no entanto, um universo social muito diferente. Numa pesquisa realizada em 2015 em universidades de Lisboa, 70% opinaram que essa popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria exercer fun\u00e7\u00f5es parentais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, um ter\u00e7o dos estudantes LGBT sente-se inseguro pela sua orienta\u00e7\u00e3o sexual na escola, dois ter\u00e7os j\u00e1 sofreram agress\u00f5es verbais e a maioria nunca viu uma abordagem positiva sobre quest\u00f5es LGBTIs na escola.<\/p>\n<p>Na \u00faltima marcha LGBTI em Lisboa tamb\u00e9m se expressou muita insatisfa\u00e7\u00e3o com o veto da lei da mudan\u00e7a de g\u00e9nero.<\/p>\n<p>Em Portugal, como no resto do mundo, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho das LGBTs s\u00e3o piores que as da popula\u00e7\u00e3o heterossexual e cisg\u00e9nero, por estarem mais vulner\u00e1veis a empregos prec\u00e1rios e informais. \u00c9 de assinalar ainda que a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e0s LGBTIs (principalmente jovens) \u00e9 invisibilizada e n\u00e3o tem pol\u00edticas p\u00fablicas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Faltam ainda estat\u00edsticas oficiais e mais abrangentes sobre o impacto da homofobia e da transfobia no conjunto da sociedade e entre a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o branca e imigrante.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do\u00a0<em>Em Luta<\/em>, defendemos que haja uma inclus\u00e3o, do ponto de vista educacional, trabalhista e cultural, das LGBTIs trabalhadoras e estudantes que vivem no pa\u00eds. A nossa luta \u00e9 todos os dias contra o racismo, o machismo e a LGBTfobia!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Junho \u00e9 o m\u00eas do Orgulho LGBT (l\u00e9sbico, gay, bissexual e transg\u00e9nero). Na Europa, a data mais relevante \u00e9 o dia 17 de maio, que marca a decis\u00e3o da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade) de deixar de considerar a homossexualidade como doen\u00e7a. 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