{"id":28512,"date":"2019-06-28T12:41:39","date_gmt":"2019-06-28T14:41:39","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28512"},"modified":"2019-06-28T12:41:39","modified_gmt":"2019-06-28T14:41:39","slug":"mulheres-lgtbi-duplamente-oprimidas-e-discriminadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/06\/28\/mulheres-lgtbi-duplamente-oprimidas-e-discriminadas\/","title":{"rendered":"Mulheres LGTBI: duplamente oprimidas e discriminadas"},"content":{"rendered":"<p><em>Por ocasi\u00e3o do 28J, Dia do Orgulho, queremos salientar a opress\u00e3o que continuam sofrendo as mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais ou trans.Uma discrimina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o somente se d\u00e1 na sociedade, como inclusive se d\u00e1 dentro do pr\u00f3prio coletivo LGTBI no qual suas reivindica\u00e7\u00f5es estiveram durante muito tempo em segundo plano, ou dentro do movimento feminista, j\u00e1 que uma parte do mesmo recha\u00e7a as mulheres trans e suas demandas, por n\u00e3o consider\u00e1-las como \u201cverdadeiras mulheres\u201d.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por Laura Requena, de Corriente Roja<\/p>\n<p><strong>Mulheres que s\u00e3o percebidas como uma amea\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p>Em uma sociedade capitalista cada vez mais violenta e desigual, na qual o corpo das mulheres \u00e9 coisificado e mercantilizado, e a violencia machista toma novas formas, mulheres trans, bissexuais ou l\u00e9sbicas, n\u00e3o escapam a esta realidade.<\/p>\n<p>Por um lado, sua sexualidade \u00e9 fetichizada. Se se buscar as palavras \u201cl\u00e9sbica\u201d ou \u201ctransexual\u201d no Google, \u00e9 raro que n\u00e3o apare\u00e7a algo porn\u00f4 para homens heterossexuais. Ao mesmo tempo, sofrem violencia homof\u00f3bica, transf\u00f3bica e machista, tanto por causa de sua orienta\u00e7\u00e3o sexual que sai da heteronormatividade, como por sua identidade de g\u00eanero, quando esta n\u00e3o se ajusta aos estere\u00f3tipos de mulher que esta sociedade nos imp\u00f5e, ou aos pap\u00e9is que nos atribuem, encaminhados para cumprir \u00a0nosso papel dentro da familia nuclear; que \u00e9 a forma de organiza\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica que o sistema promove e incentiva, por ser a mais favor\u00e1vel aos interesses dos capitalistas. S\u00e3o milh\u00f5es de mulheres em todo mundo que sofrem as chamadas \u201cviola\u00e7\u00f5es corretivas\u201d.<\/p>\n<p>Segundo um informe da FELGTB de novembro de 2018, entre 60% e 80% dos atos violentos que o coletivo sofre, n\u00e3o \u00e9 denunciado. E destes somente 21% foram denuncias realizadas por mulheres l\u00e9sbicas e menos ainda por mulheres trans. Isto n\u00e3o significa que os homens homessexuais sofram maior violencia, e sim que as mulheres denunciam ainda menos. As mulheres trans, arrastadas para a prostitui\u00e7\u00e3o, veem-se desamparadas ante a viol\u00eancia que a ind\u00fastria do sexo lhes imp\u00f5e, porque enquanto o sistema as criminaliza, ampara os que se beneficiam de sua explora\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p><strong>A luta contra a LGTBIfobia, \u00e9 parte da luta pela revolu\u00e7\u00e3o socialista!<\/strong><\/p>\n<p>A homofobia, transfobia e o machismo s\u00e3o opress\u00f5es usadas pelo capitalismo para dividir e debilitar a classe trabalhadora, da qual fazem parte as mulheres trans, bissexuais ou l\u00e9sbicas. Por isso, frente \u00e0 parcializa\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o da luta dos diferentes setores oprimidos, defendemos a unidade de todos como parte da classe trabalhadora, a partir de uma perspectiva de classe e com uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria. Porque somente uma revolu\u00e7\u00e3o socialista que derrube o capitalismo colocar\u00e1 as bases materiais sobre as quais haver\u00e1 de florescer uma sociedade nova com rela\u00e7\u00f5es sociais e sexuais mais livres e igualit\u00e1rias, livres de temor, preconceitos ou interesses materiais.<\/p>\n<p>Mulheres trans, bissexuais e l\u00e9sbicas da classe trabalhadora, sofrem no Estado Espanhol uma discrimina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, ao menos em tr\u00eas \u00e2mbitos: de trabalho, sanit\u00e1rio e educativo.<\/p>\n<p><strong>A n\u00edvel laboral<\/strong> no caso de mulheres trans, sua brutal discrimina\u00e7\u00e3o conduz uma maioria delas a exercer a prostitui\u00e7\u00e3o para poder sobreviver. Esta discrimina\u00e7\u00e3o come\u00e7a pelos entraves para o reconhecimento de seu g\u00eanero ante o Estado, ainda mais se s\u00e3o migrantes. Sair da norma social, como fazem as mulheres trans e l\u00e9sbicas, sup\u00f5e maior dificuldade para encontrar um emprego, \u00a0ser promovida dentro dele, assim como maiores possibilidades de sofrer ass\u00e9dio laboral ao qual por si s\u00f3 todas as mulheres estamos expostas. Tudo isso amparado pelas reformas trabalhistas do PP e do PSOE, das quais as mulheres s\u00e3o as mais prejudicadas por desigualdade salarial, temporalidade e maiores taxas de desemprego.<\/p>\n<p><strong>A n\u00edvel de sa\u00fade, <\/strong>os cortes, a transfobia e o machismo social existentes, impedem o desenvolvimento de protocolos espec\u00edficos em ginecologia para aten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade de mulheres que tem sexo com mulheres, sejam j\u00e1 cis ou trans. Tamb\u00e9m se fere o direito das mulheres trans \u00e0 assist\u00eancia de sa\u00fade para sua transi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que devido \u00e0 falta de recursos, forma\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade e a legisla\u00e7\u00e3o vigente, questiona-se sua identidade e lhes fecham as portas para tratamentos hormonais e opera\u00e7\u00f5es, necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia em uma sociedade na qual ser visivelmente trans acarreta violencia desde que se pisa na rua. E ainda que o governo de S\u00e1nchez tenha devolvido \u00e0s mulheres solteiras e l\u00e9sbicas o acesso \u00e0s t\u00e9cnicas de reprodu\u00e7\u00e3o assistida na sa\u00fade p\u00fablica e a maioria das comunidades aut\u00f4nomas reverteram a exclus\u00e3o perpetrada pelo PP, este direito continua n\u00e3o blindado a n\u00edvel estatal, pois que os pactos p\u00f3s eleitorais podem colocar este direito em questionamento e teremos que estar atentas.<\/p>\n<p><strong>A n\u00edvel educativo,<\/strong>\u00a0a tesourada no or\u00e7amento sup\u00f5e uma persistente ausencia de protocolos contra a viol\u00eancia machista e LGTBIf\u00f3bica nas aulas. Falta forma\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o aos alunos e professores ante esta realidade, a educa\u00e7\u00e3o sexual continua sem existir na escola p\u00fablica, em igualdade obrigat\u00f3ria e curricular.<\/p>\n<p>Isto sup\u00f5e uma dificuldade enorme para que mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais ou trans possam desenvolver sua identidade e fortalecer sua autoestima aumentando o risco de um fracasso escolar e \u00a0uma consequente precariza\u00e7\u00e3o laboral, Nos \u00faltimos tempos a visibilidade de homens gays aumentou e cada vez s\u00e3o mais numerosas suas apari\u00e7\u00f5es no contexto p\u00fablico. N\u00e3o ocorre assim com elas, pese que desde 2008 se celebra o 26 de abril como \u201cDia da visibilidade l\u00e9sbica\u201d. A falta de referentes sociais, culturais, pol\u00edticos etc\u2026, dificulta que muitas se atrevam a \u201csair do arm\u00e1rio\u201d, l\u00e9sbico e\/ou trans.<\/p>\n<p>Na atualidade, a sexualidade continua girando em torno do homem, que \u00e9 o \u00fanico legitimado socialmente para expressar livremente seu direito \u00e0 busca de prazer, enquanto as mulheres em toda nossa diversidade continuamos relegadas a um segundo plano. N\u00e3o em v\u00e3o continua-se considerando que as l\u00e9sbicas s\u00e3o mulheres \u201ccom um comportamento masculino\u201d ou que as mulheres trans s\u00e3o \u201chomens pervertidos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Por um 28 J de classe e combativo!<\/strong><\/p>\n<p>Por isso para n\u00f3s tamb\u00e9m este 28 J continua sendo um dia de luta e reivindicativo para sairmos \u00e0s ruas e exigir:<\/p>\n<p>Fora o discurso racista, homof\u00f3bico e transf\u00f3bico da direita com mobiliza\u00e7\u00e3o e luta nas ruas!<\/p>\n<p>Aumento de despesas na sa\u00fade e medidas para a despatologiza\u00e7\u00e3o das entidades trans. Informa\u00e7\u00e3o e campanhas de preven\u00e7\u00e3o ou pol\u00edticas de sa\u00fade sexual para mulheres que mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es sexuais com outras mulheres.<\/p>\n<p>Direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, eliminando o requisito da patologiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem um passo atr\u00e1s no acesso \u00e0s t\u00e9cnicas de reprodu\u00e7\u00e3o assistida na sa\u00fade p\u00fablica para todas!<\/p>\n<p>Protocolos para prevenir el acoso escolar por LGTBIfobia. \u00a0Maior or\u00e7amento em educa\u00e7\u00e3o para implantar no curr\u00edculo escolar. Educa\u00e7\u00e3o sexual e igualit\u00e1ria. Protocolos para prevenir o ass\u00e9dio escolar por LGTBIfobia.<\/p>\n<p>Cotas especiais de emprego e outras medidas a n\u00edvel laboral que possibilitem \u00e0s mulheres trans um trabalho digno, longe da violencia mortal da prostitui\u00e7\u00e3o. Protocolos nos centros de trabalho para prevenir e atacar qualquer forma de ass\u00e9dio e discrimina\u00e7\u00e3o laboral por identidade de g\u00eanero ou orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Recursos e aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, psicol\u00f3gica e judicial para qualquer mulher que sofra agress\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enk<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por ocasi\u00e3o do 28J, Dia do Orgulho, queremos salientar a opress\u00e3o que continuam sofrendo as mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais ou trans.Uma discrimina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o somente se d\u00e1 na sociedade, como inclusive se d\u00e1 dentro do pr\u00f3prio coletivo LGTBI no qual suas reivindica\u00e7\u00f5es estiveram durante muito tempo em segundo plano, ou dentro do movimento feminista, j\u00e1 que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":73082,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3512,238,3493],"tags":[5071,239],"class_list":["post-28512","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estado-espanhol","category-lgbt","category-mulheres","tag-estado-espanhol","tag-lgbti"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/homofobia-lesbianismo-750x350-2.jpg","categories_names":["Estado Espanhol","LGBT","Mulheres"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28512\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}