{"id":28453,"date":"2019-06-22T17:13:03","date_gmt":"2019-06-22T19:13:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28453"},"modified":"2019-06-22T17:13:03","modified_gmt":"2019-06-22T19:13:03","slug":"declaracao-o-novo-cenario-apos-as-eleicoes-europeias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/06\/22\/declaracao-o-novo-cenario-apos-as-eleicoes-europeias\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o | O novo cen\u00e1rio ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es europeias"},"content":{"rendered":"<p><em>Todos os defensores da Europa do capital, \u00e0 direita e \u00e0 esquerda, utilizaram o caos do Brexit e a amea\u00e7a da extrema direita institucional como os grandes argumentos para relegitimar a UE e apresent\u00e1-la como um fator de estabilidade e progresso e reduto democr\u00e1tico. Concretizaram esta fraude apresentando as elei\u00e7\u00f5es como uma ferramenta atrav\u00e9s da qual os povos europeus podem decidir os destinos da UE.<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong>Declara\u00e7\u00e3o do Secretariado Europeu da LIT-QI<\/strong><\/p>\n<p>Este discurso \u00e9 uma farsa completa. O caos do Brexit deve-se, antes de tudo, \u00e0 ren\u00fancia de Corbyn a romper com a UE pela esquerda para transformar o pa\u00eds num sentido socialista. A extrema-direita institucional, por sua vez, \u00e9 um componente org\u00e2nico e filha leg\u00edtima de uma UE dedicada de corpo e alma a impor a austeridade aos trabalhadores e aos povos. Uma UE cuja pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o na escala do continente \u00e9 a mesma utilizada por Salvini na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Quanto ao Parlamento Europeu, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de enfeite que n\u00e3o decide nada e que, se existe, \u00e9 apenas para esconder um emaranhado institucional antidemocr\u00e1tico onde todas as decis\u00f5es importantes s\u00e3o tomadas pelas grandes multinacionais, a Comiss\u00e3o Europeia, o Banco Central Europeu e os governos, particularmente da Alemanha e da Fran\u00e7a. O Parlamento Europeu \u00e9 tamb\u00e9m, com suas regalias escandalosas, um meio privilegiado de corromper aos parlamentares e partidos.<\/p>\n<p>Dito isso e mesmo reconhecendo que os resultados eleitorais s\u00e3o uma express\u00e3o extremamente distorcida da realidade, conv\u00e9m estud\u00e1-los para tirar conclus\u00f5es sobre o atual momento europeu e como continuar a luta para desmantelar esta UE e construir uma Europa socialista dos trabalhadores e dos povos.<\/p>\n<p><strong>Crise geral dos partidos tradicionais<\/strong><\/p>\n<p>Nas diferentes an\u00e1lises dos resultados eleitorais, h\u00e1 um grande acordo sobre a profunda crise que afeta os grandes partidos que desde o p\u00f3s-guerra e por d\u00e9cadas sustentaram a domina\u00e7\u00e3o capitalista em cada pa\u00eds e o pr\u00f3prio projeto da UE. S\u00e3o os mesmos partidos da direita e da socialdemocracia que formaram os governos de austeridade ap\u00f3s a crise de 2008.<\/p>\n<p>Entre os partidos tradicionais da direita, os Republicanos da Fran\u00e7a, herdeiros do gaullismo, transformaram-se numa for\u00e7a marginal. Na Gr\u00e3-Bretanha o Partido Conservador mal obteve 8,8% dos votos. Outros partidos da direita europeia, embora em claro decl\u00ednio, conseguiram resistir. \u00c9 o caso da Alemanha (CDU-CSU), \u00c1ustria ou Portugal. Na Gr\u00e9cia, a Nova Democracia renasceu, apoiando-se no colapso do Syriza, que deixou de ser o her\u00f3i dos novos partidos reformistas at\u00e9 2015 para se tornar o bra\u00e7o executor dos brutais planos de ajuste da Troika. Ao mesmo tempo, apareceram pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o como o partido de Macron, que canaliza o voto \u00fatil da burguesia na Fran\u00e7a. Os liberais brit\u00e2nicos tamb\u00e9m apontam na mesma dire\u00e7\u00e3o diante da crise do Partido Conservador.<\/p>\n<p><strong>A crise dos partidos social-democratas<\/strong><\/p>\n<p>A crise da socialdemocracia europeia, que por muitos anos se converteu numa for\u00e7a social-liberal, \u00e9 ainda mais profunda. O PS franc\u00eas \u00e9, desde a presid\u00eancia de Hollande, uma for\u00e7a residual. O SPD alem\u00e3o, s\u00f3cio de governo de Merkel, h\u00e1 anos afunda-se a cada elei\u00e7\u00e3o. Agora recebeu outro grande golpe quando obtiveram 15,8% dos votos, seu pior resultado desde a Segunda Guerra Mundial, e ficou atr\u00e1s dos Verdes.<\/p>\n<p>Neste quadro de decad\u00eancia, existem desigualdades, porque os partidos do Sul, em particular, o PS portugu\u00eas e o PSOE espanhol, aguentaram o embate. No caso portugu\u00eas, com uma absten\u00e7\u00e3o descomunal de 70%, o PS (cujo governo manteve todos os retrocessos estruturais do governo anterior) beneficiou-se da mem\u00f3ria ainda viva dos brutais planos de austeridade de Passos Coelho e, por outro lado, do aval que lhe prestaram o Bloco de Esquerda e o PCP.<\/p>\n<p>Algo semelhante aconteceu como o PSOE. Apesar de n\u00e3o ter cumprido as promessas eleitorais com as quais chegou ao governo h\u00e1 menos de um ano, ap\u00f3s uma mo\u00e7\u00e3o de censura, tamb\u00e9m foi endossado pelo Podemos e capitalizou o &#8220;voto \u00fatil&#8221; ao se apresentar como o grande baluarte para barrar a entrada de Vox ao Governo. H\u00e1 quatro anos estava na unidade de terapia intensiva (UTI). Hoje, com a ajuda do Podemos, foi o grande vencedor, enquanto Podemos entrou em colapso.<\/p>\n<p><strong>Os partidos Verdes<\/strong><\/p>\n<p>Um elemento a destacar foi o crescimento dos Verdes. Eles foram os grandes vencedores na Alemanha (20,7%), superando o SPD e se convertendo no segundo partido do pa\u00eds. Tamb\u00e9m na Fran\u00e7a obtiveram uma importante vit\u00f3ria (13,5%). Algo semelhante aconteceu no Reino Unido, superando o Partido Conservador e apenas dois pontos atr\u00e1s do Partido Trabalhista. Em Portugal eles tamb\u00e9m elegeram um deputado.<\/p>\n<p>Alguns destes partidos verdes, como os alem\u00e3es, h\u00e1 muito tempo fazem parte do stablishment e cogovernam em algumas regi\u00f5es, seja com o CDU de Merkel ou com o SPD. Agora eles est\u00e3o se preparando para um futuro governo nacional de coaliz\u00e3o com o CDU. Na Fran\u00e7a, est\u00e3o longe de ser uma for\u00e7a consolidada, mas j\u00e1 deixaram bem claro sua compatibilidade com o regime capitalista e com a UE.<\/p>\n<p>Os partidos verdes tendem a desempenhar um papel crescente como for\u00e7as de governo em face da crise dos partidos tradicionais. Eles est\u00e3o canalizando, ao mesmo tempo, a preocupa\u00e7\u00e3o social de um grande setor da juventude diante da brutal destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente pelo capitalismo sedento de lucro. No entanto, seu programa pr\u00f3-capitalista, de liberalismo verde, \u00e9 incapaz de deter a cat\u00e1strofe ambiental, algo que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel socializando o setor energ\u00e9tico e atacando as bases do capitalismo e da pr\u00f3pria UE.<\/p>\n<p><strong>A ultradireita institucional<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a extrema direita institucional n\u00e3o alcan\u00e7ou os objetivos estabelecidos. Encolheram no Estado espanhol, Holanda ou \u00c1ustria; estagnaram na Alemanha; n\u00e3o obtiveram o n\u00famero de eurodeputados que pretendiam e tampouco conseguiram criar um grupo parlamentar \u00fanico. Mas isto n\u00e3o pode ofuscar o fato de que obtiveram importantes vit\u00f3rias em pa\u00edses fundamentais como a Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Reino Unido ou Hungria.<\/p>\n<p>Como explicaremos abaixo, na Fran\u00e7a, o partido de Marine Le Pen, RN, conseguiu concentrar o &#8220;voto \u00fatil&#8221; contra Macron e a UE, sendo a candidatura mais votada (23,3%), seguida pela de Macron (22,4%).<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia o discurso xen\u00f3fobo, racista e chauvinista de Salvini conseguiu arrastar 34% dos eleitores com um discurso que culpabiliza os imigrantes dos desastres sociais cuja responsabilidade recai sobre o grande capital e o pr\u00f3prio governo. O Movimento 5 Estrelas de Grillo-Di Maio perdeu mais de seis milh\u00f5es de votos obtidos com promessas de medidas a favor dos setores pobres e desempregados, que na verdade nada mais eram do que propaganda eleitoral. Agora \u00e9 o segundo partido do governo, que se desestabiliza, \u00e0 medida que enfrenta um crescente movimento de luta de professores, mulheres, antifascistas e jovens que querem salvar o meio ambiente.<\/p>\n<p>Na Hungria, Orban saiu vitorioso com um discurso xen\u00f3fobo e alardes nacionalistas contra um governo que entrega o pa\u00eds \u00e0s multinacionais alem\u00e3s e deteriora brutalmente as condi\u00e7\u00f5es de trabalho da classe oper\u00e1ria. No caso brit\u00e2nico, o partido do Brexit de Nigel Farage (30,74%) foi o principal benefici\u00e1rio da rejei\u00e7\u00e3o popular ao pat\u00e9tico espet\u00e1culo dos Conservadores e Trabalhistas.<\/p>\n<p>Os partidos da ultradireita institucional europeia s\u00e3o apresentados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o como uma for\u00e7a anti-UE, mas n\u00e3o \u00e9 assim. O seu confronto com a UE \u00e9 acima de tudo ret\u00f3rico. Nenhum deles defende a ruptura com a UE nem com o euro. H\u00e1 muito tempo abandonaram sua inconst\u00e2ncia a esse respeito. Eles s\u00f3 querem maior margem de manobra pol\u00edtica e melhores condi\u00e7\u00f5es para os setores m\u00e9dios da burguesia de seus pa\u00edses, diante do capital financeiro e o dom\u00ednio alem\u00e3o-franc\u00eas.<\/p>\n<p><strong>As li\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Os resultados da Fran\u00e7a t\u00eam uma especial relev\u00e2ncia devido \u00e0 import\u00e2ncia do pa\u00eds, sua crise e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos Coletes Amarelos, que j\u00e1 duram seis meses.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o fato mais grave \u00e9 que, apesar das reivindica\u00e7\u00f5es e a din\u00e2mica dos Coletes Amarelos colidam abertamente com o programa da RN, foi o partido de Marine Le Pen quem concentrou o &#8220;voto \u00fatil&#8221; de setores oper\u00e1rios e populares contra Macron e a UE.<\/p>\n<p>Neste confronto Macron-Le Pen, a esquerda apareceu dispersa, marginal e sem qualquer alternativa de classe. O mais relevante foi o colapso da Fran\u00e7a Insubmissa de M\u00e9lenchon. Em apenas dois anos desde as elei\u00e7\u00f5es presidenciais anteriores, essa for\u00e7a neo-reformista caiu de 7 milh\u00f5es de votos (20%) para 1,4 milh\u00f5es (6,3%). A raz\u00e3o fundamental para o seu fracasso \u00e9 o abandono do seu radicalismo contra o regime e a ren\u00fancia ao seu confronto direto com a UE, bandeiras que deixaram nas m\u00e3os do RN. A campanha eleitoral de sua candidata, Manon Aubry, as duras penas distinguiu-se dos discursos vazios do resto da esquerda sobre a &#8220;Europa social&#8221;, a &#8220;justi\u00e7a clim\u00e1tica&#8221; ou a &#8220;harmoniza\u00e7\u00e3o fiscal&#8221;. Al\u00e9m disso, em vez de assumir a bandeira de defesa do movimento dos Coletes Amarelos e suas principais reivindica\u00e7\u00f5es, mal mostrou um t\u00edmido apoio.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es que reivindicam o trotskismo na Fran\u00e7a, o NPA n\u00e3o se apresentou e deu seu apoio a Lutte Ouvri\u00e8re (LO), que obteve 0,78% dos votos, em uma campanha que foi politicamente desastrosa. Para LO, a UE \u00e9 simplesmente &#8220;uma distra\u00e7\u00e3o&#8221; e o problema \u00e9 &#8220;o capitalismo&#8221; em geral, como se a UE fosse alheia ao capitalismo franc\u00eas e n\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, uma pe\u00e7a fundamental para sustentar sua domina\u00e7\u00e3o e para continuar exercendo, \u00e0 sombra da Alemanha, seu declinante papel imperialista no mundo. Em vez de desenvolver um programa social e pol\u00edtico, LO, numa caricatura de si mesma, chamou a &#8220;testemunhar&#8221; em favor de uma revolu\u00e7\u00e3o social abstrata. Quanto aos Coletes Amarelos, toda a sua preocupa\u00e7\u00e3o foi manter dist\u00e2ncia desse movimento.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do NPA diante da derrota eleitoral da Fran\u00e7a Insubmissa e das outras for\u00e7as de esquerda saiu em defesa de um &#8220;trabalho de constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d para unir toda a esquerda francesa. Claro, ningu\u00e9m pode se opor \u00e0 urg\u00eancia de promover a unidade de a\u00e7\u00e3o da esquerda pol\u00edtica e social. Uma unidade de a\u00e7\u00e3o justificada na necessidade de medidas pr\u00e1ticas de luta unit\u00e1ria contra a ofensiva antissocial e antidemocr\u00e1tica de Macron e a xenofobia e o racismo do RN. Mas a unidade de a\u00e7\u00e3o n\u00e3o equivale, como pensa a dire\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do NPA, \u00e0 ren\u00fancia a um programa anticapitalista e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria internacionalista, uma alternativa aos partidos reformistas com os quais busca uma &#8220;coordena\u00e7\u00e3o permanente&#8221;. Mais se poss\u00edvel, quando a press\u00e3o \u00e9 para reeditar uma nova &#8220;Union de la Gauche&#8221;, agora em uma vers\u00e3o ecolo-s\u00f3cio-liberal e pr\u00f3-UE.<\/p>\n<p>Mas de fato o que as elei\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a mostraram \u00e9 o fracasso de uma esquerda que n\u00e3o se vinculou \u00e0 luta e as reivindica\u00e7\u00f5es dos Coletes Amarelos, nem se apoiou na base sindical combativa contra a burocracia, nem apresentou um programa radical de classe contra o capitalismo imperialista franc\u00eas, Macron e a UE.<\/p>\n<p><strong>A queda do Podemos e a decad\u00eancia dos novos partidos reformistas<\/strong><\/p>\n<p>O destino do Podemos, que se tornou uma grande refer\u00eancia internacional dos novos partidos reformistas ap\u00f3s o sinistro giro do Syriza em 2015, \u00e9 muito amargo.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 26 de maio (que no Estado espanhol inclu\u00edam as europeias, municipais e aut\u00f4nomas) marcaram a queda do Podemos, que se deu em alta velocidade. Em apenas cinco anos, deixou de enfrentar o PSOE que estava em estado de coma, em crise e decomposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dirigentes do Podemos apareceram como os ap\u00f3stolos de uma &#8220;nova pol\u00edtica&#8221; que substituiria a antiquada luta entre as classes pelo conflito entre o &#8220;povo e casta&#8221; e a revolu\u00e7\u00e3o socialista pelo \u201caprofundamento da democracia\u201d.<\/p>\n<p>Equipados com esta ret\u00f3rica desmontaram a poderosa contesta\u00e7\u00e3o que emergiu do movimento dos indignados (15M), se institucionalizaram e integraram o regime. Nesse processo, cada vez mais \u00e0 direita e mais caudilhista, o Podemos acabou se transformando na ala esquerda da monarquia espanhola e, no final, reduzido a uma mera for\u00e7a auxiliar do PSOE. O eixo da \u00faltima campanha eleitoral de Pablo Iglesias foi mendigar um posto no pr\u00f3ximo governo S\u00e1nchez e empunhar a bandeira da defesa da Constitui\u00e7\u00e3o de 1978, a mesma que consagrou a impunidade dos antigos aparatos do estado franquista. Com uma campanha como essa, qual seria o sentido de votar no Podemos, se existia o PSOE?<\/p>\n<p>O \u00fanico partido neo-reformista que se saiu bem das elei\u00e7\u00f5es europeias foi o Bloco de Esquerda (BE) portugu\u00eas (9,8%), que ultrapassou ao PCP (6,9%) e permaneceu como terceiro partido. A campanha do BE baseou-se na defesa da Geringon\u00e7a (o seu pacto de apoio ao governo Costa, subscrito tamb\u00e9m pelo PCP) e em reivindicar que as coisas boas do Governo foram o resultado do seu trabalho. O BE buscou se beneficiar da popularidade que o governo Costa ainda mant\u00e9m e vinculou seu destino ao do PS.<\/p>\n<p>O BE, na verdade, j\u00e1 faz parte do regime portugu\u00eas. N\u00e3o \u00e9 por acaso que seu dirigente Francisco Lou\u00e7\u00e3, um dos principais representantes do Secretariado Unificado (SU-QI), fa\u00e7a parte do Conselho de Estado. O BE n\u00e3o questiona a UE nem o euro e sua principal reivindica\u00e7\u00e3o eleitoral foi entrar, depois das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es gerais, em um governo de coaliz\u00e3o presidido por Antonio Costa.<\/p>\n<p>Aqueles que durante anos fizeram apologia ao Syriza e depois ao Podemos est\u00e3o de luto. Alguns agora se apegam ao BE portugu\u00eas como uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o, esquecendo que seu grande objetivo \u00e9 exatamente o mesmo que o do Podemos: entrar no governo do PS. Seu destino final ser\u00e1 semelhante.<\/p>\n<p>A realidade mostrou que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es ilus\u00f3rias, baseadas na constru\u00e7\u00e3o de aparatos eleitorais e vit\u00f3rias ef\u00eameras. Que ningu\u00e9m vai nos salvar do trabalho quotidiano de construir uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria enraizada na classe trabalhadora e na juventude. Uma for\u00e7a para quem a participa\u00e7\u00e3o em elei\u00e7\u00f5es e nas institui\u00e7\u00f5es burguesas \u00e9 apenas um instrumento a servi\u00e7o das lutas e da dissemina\u00e7\u00e3o de um programa revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>A crise da UE <\/strong><\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es europeias n\u00e3o desestabilizaram \u00e0 UE, como alguns temiam. Mas elas n\u00e3o resolveram sequer um de seus problemas. Sua crise estrutural permanece intacta, sustentada por uma onda econ\u00f4mica de depress\u00e3o que j\u00e1 dura uma d\u00e9cada e no seu papel em decl\u00ednio na divis\u00e3o mundial do trabalho, em meio ao confronto entre o imperialismo norte-americano e o capitalismo chin\u00eas, com Trump amea\u00e7ando as exporta\u00e7\u00f5es alem\u00e3s e encorajando a desintegra\u00e7\u00e3o da UE. E com uma nova recess\u00e3o que amea\u00e7a a economia mundial.<\/p>\n<p>A Alemanha n\u00e3o consegue disciplinar seus s\u00f3cios nem unificar seus projetos com o capitalismo franc\u00eas, seu principal parceiro e competidor na UE. As advert\u00eancias aos governos italiano e espanhol exigindo novos cortes sociais fazem parte da pauta da UE. Do mesmo modo, o Parlamento europeu, contra os princ\u00edpios democr\u00e1ticos mais elementares, recusou-se a reconhecer os deputados catal\u00e3es eleitos presos pol\u00edticos ou exilados.<\/p>\n<p><strong>Construir a LIT e seus partidos na Europa<\/strong><\/p>\n<p>Queremos, em primeiro lugar, expressar a nossa satisfa\u00e7\u00e3o com a campanha levada a cabo pela Corriente Roja nas elei\u00e7\u00f5es europeias. Uma campanha modesta, mas corajosa, colocada a servi\u00e7o das lutas e protagonizada por companheiros e companheiras \u00e0 frente delas. Uma candidatura que apresentou um programa de reivindica\u00e7\u00f5es, o chamado \u00e0 rebeli\u00e3o e defendeu a ruptura com a UE. A candidatura obteve cerca de 10.000 votos que s\u00e3o um incentivo na luta para constru\u00e7\u00e3o da Corriente Roja no Estado espanhol.<\/p>\n<p>Queremos tamb\u00e9m reivindicar o manifesto<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> que subscrevemos com os companheiros e companheiras da Tendance Claire do NPA. Um manifesto que defendia um programa anticapitalista e de transforma\u00e7\u00e3o socialista, incompat\u00edvel, por sua pr\u00f3pria natureza, com a UE e o euro.<\/p>\n<p>Queremos terminar chamando \u00e0s e os lutadores a se unirem a n\u00f3s para construir juntos a LIT e seus partidos nacionais, organizando-nos para dar respostas \u00e0s lutas concretas e, assim, abrir a perspectiva da luta revolucion\u00e1ria pelos Estados Unidos Socialistas da Europa.<\/p>\n<p>Junho 2019<\/p>\n<p>Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional [ LIT-QI ].<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Rosangela Botelho<\/p>\n<p>Nota:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/lit-qi-e-partidos\/declaracao-lit-qi\/ante-as-proximas-eleicoes-europeias\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/lit-qi-e-partidos\/declaracao-lit-qi\/ante-as-proximas-eleicoes-europeias\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os defensores da Europa do capital, \u00e0 direita e \u00e0 esquerda, utilizaram o caos do Brexit e a amea\u00e7a da extrema direita institucional como os grandes argumentos para relegitimar a UE e apresent\u00e1-la como um fator de estabilidade e progresso e reduto democr\u00e1tico. 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