{"id":28437,"date":"2019-06-21T10:01:18","date_gmt":"2019-06-21T12:01:18","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28437"},"modified":"2019-06-21T10:01:18","modified_gmt":"2019-06-21T12:01:18","slug":"america-latina-aumento-das-lutas-e-da-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/06\/21\/america-latina-aumento-das-lutas-e-da-resistencia\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina | aumento das lutas e da resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><em>Desde o come\u00e7o da queda no pre\u00e7o das mat\u00e9rias-primas, nas quais os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e seus governos focalizam suas maiores exporta\u00e7\u00f5es e rendimentos, os grandes capitalistas e as multinacionais instaladas em nossos pa\u00edses viram \u201cretroceder\u201d seus lucros, e assim a crise econ\u00f4mica mundial instalou-se em nosso continente.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por IST-Uruguay<\/p>\n<p>Frente a essa situa\u00e7\u00e3o os governos, tanto de \u201cesquerda\u201d como de direita, como bons representantes e defensores do capital come\u00e7aram a tomar medidas de ajuste, cortes contra os oper\u00e1rios, as trabalhadoras, os camponeses e o povo humilde, e tudo isso com o prop\u00f3sito de que a crise gerada pelos patr\u00f5es fosse paga pela classe trabalhadora.<\/p>\n<p>No Uruguai, velhos decretos que reduzem as liberdades democr\u00e1ticas foram desengavetados, como os da \u201cessencialidade\u201d do \u201cpachecato\u201d que reduz o direito de greve, agora utilizado pela Frente Ampla e aprofundado com leis que impedem as ocupa\u00e7\u00f5es de edif\u00edcios p\u00fablicos, outras que n\u00e3o permitem os bloqueios de ruas e estradas, junto \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o dos bairros populares.<\/p>\n<p>Os planos \u201csociais\u201d sobre a popula\u00e7\u00e3o mais pobre retrocederam, aumentaram as demiss\u00f5es, come\u00e7aram a retirada de velhas conquistas e a redu\u00e7\u00e3o salarial. Estes elementos cada vez mais acompanhados do garrote, dar\u00e3o e explicar\u00e3o a dial\u00e9tica atual do aumento na luta de classes e na ruptura com muitos velhos partidos e dirigentes, Mas comecemos olhando o caso do Brasil que foi e \u00e9 o ponto de pol\u00eamica entre os partidos de esquerda.<\/p>\n<p><strong>Brasil e o desmoronamento da frente popular<\/strong><\/p>\n<p>Em setembro de 2016 com o julgamento pol\u00edtico de Dilma Roussef no Brasil que culminou com o ascenso de seu vicepresidente Michel Temer ao governo, come\u00e7ou dentro da esquerda uma discuss\u00e3o muito importante frente ao que estava acontecendo nesse pa\u00eds e em toda a regi\u00e3o. Ainda que come\u00e7assem antes de 2015, as lutas desse ano marcaram um ascenso importante: greves na constru\u00e7\u00e3o civil, os docentes, o movimento pelo passe livre e a greve do metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo em meio ao come\u00e7o do mundial, foram algumas das batalhas relevantes.<\/p>\n<p>O governo do PT do Brasil com Dilma \u00e0 cabe\u00e7a e Temer como seu vice deviam aprofundar o ajuste contra os trabalhadores, camponeses e os humildes, produto da crise econ\u00f4mica. E ent\u00e3o prepararam um governo com personagens sinistros como Joaquim Levy no Minist\u00e9rio da Economia, apelidado \u201cm\u00e3os de tesoura\u201d, um liberal da escola de Chicago que foi parte do elenco do FMI. Recordemos que em 2003, com Lula presidente, Levy ocupou a Secretaria do Tesouro.<\/p>\n<p>Para citar s\u00f3 mais um exemplo, no Minist\u00e9rio da Agricultura o PT colocou a senadora K\u00e1tia Abreu, que preside a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Agricultura e Pecu\u00e1ria, algo assim como a Sociedade Rural no Uruguai. Abreu, apelidada \u201cRainha da Motoserra\u201d e \u201cMiss Desmatamento\u201d, tem uma longa hist\u00f3ria de conflitos com grupos ambientalistas e movimentos sociais.<\/p>\n<p>Estes exemplos s\u00e3o suficientes e mostram que Dilma em seu segundo mandato viria a aprofundar o ajuste com for\u00e7a. Os conflitos, greves e paralisa\u00e7\u00f5es aumentaram de forma not\u00f3ria, a base do PT rompeu com esse partido e a frente popular come\u00e7ou a desmoronar, deixando de servir assim aos capitalistas e ao imperialismo. Esta \u00e9 a base para entender como avan\u00e7ou depois a situa\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o dentro do PT brasileiro deixou comprometidos v\u00e1rios de seus dirigentes e outros partid\u00e1rios da direita que terminaram presos e envolvidos com a corrup\u00e7\u00e3o inerente de governar dentro dos marcos do capitalismo. O Brasil mergulhou em uma crise pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social, as manobras parlamentares de um covil de bandidos levaram Temer, vicepresidente de Dilma, \u00e0 frente do governo. H\u00e1 pouco tempo, o pr\u00f3prio Michel Temer terminou preso, da mesma maneira que Lula antes.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 nossa inten\u00e7\u00e3o entrar nos aspectos jur\u00eddicos burgueses do tema, ou se prenderam mais dirigentes do PT do que da direita. O importante a assinalar \u00e9 a ruptura das massas com o PT, que significou o an\u00fancio de seu desmoronamento. As frentes populares e os governos chamados \u201cnacionais\u201d como o de Cristina tiveram a mesma sorte. E com essa situa\u00e7\u00e3o abriu-se uma oportunidade in\u00e9dita para os revolucion\u00e1rios, a luta pela constru\u00e7\u00e3o do partido e da internacional.<\/p>\n<p><strong>A discuss\u00e3o sobre o golpe no Brasil, a onda reacion\u00e1ria e o giro \u00e0 direita<\/strong><\/p>\n<p>Mas a crise da frente popular de Lula, a queda de Dilma, a derrota de Cristina na Argentina e com isso a chegada ao governo via elei\u00e7\u00f5es de Macri na Argentina e depois Bolsonaro no Brasil, tiveram outra interpreta\u00e7\u00e3o para a enorme maioria da esquerda. E esta an\u00e1lise foi desenhada sob medida pelos mesmos dirigentes das frentes populares que ca\u00edram em desgra\u00e7a.\u00a0 Correram impetuosos a dizer que houve um golpe de estado no Brasil, que estava se produzindo um giro das massas \u00e0 direita e que estava em marcha uma restaura\u00e7\u00e3o neoliberal ou conservadora.<\/p>\n<p>Alguns fatos sob o governo de Temer, como o assassinato da Vereadora Marielle Franco e outros com Bolsonaro, cimentaram ainda mais sua tese.<\/p>\n<p>Esta an\u00e1lise tentou confundir os revolucion\u00e1rios, e tomando s\u00f3 uma parte da realidade, apoiou-se fundamentalmente em uma olhada superestrutural, o triunfo eleitoral de setores da direita e ultradireita, e a idealiza\u00e7\u00e3o da democracia burguesa. A isso somaram fatos isolados das lutas, como o aprofundamento da repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta an\u00e1lise, que terminou arrastando honestos companheiros, n\u00e3o tinha como centro a vis\u00e3o na luta de classes, que mostrava que os trabalhadores n\u00e3o haviam sido derrotados nas ruas, nem tampouco se havia produzido um esmagamento como foi nas ditaduras dos anos 70. E que o \u00faltimo fim desse discurso foi e \u00e9 salvar Dilma, Lula, Cristina e aqui em nosso pa\u00eds, a FA.<\/p>\n<p><strong>A democracia burguesa reprime e mata<\/strong><\/p>\n<p>No Uruguai, temos exemplos sob a democracia burguesa de enormes repress\u00f5es e assassinatos. Um deles, no final do governo de Luis Alberto Lacalle, um operativo selvagemente repressivo nas imedia\u00e7\u00f5es do Hospital Filtro, onde estavam internados os bascos e se realizava uma massiva concentra\u00e7\u00e3o, foi duramente reprimida e deixou \u201cdois mortos e cerca de 100 feridos graves, entre eles 15 por impacto de bala. A Pol\u00edcia disparou muni\u00e7\u00e3o viva de forma indiscriminada, atingindo manifestantes, mas tamb\u00e9m os funcion\u00e1rios da sa\u00fade que atendiam feridos e vizinhos da zona que sa\u00edram na cal\u00e7ada de suas casas para ver o que ocorria\u201d. Esse sucedido \u00e9 conhecido como o Massacre de Jacinto Vera ou Massacre del Filtro e todos os anos se realiza uma marcha para exigir justi\u00e7a, j\u00e1 que nenhum respons\u00e1vel \u2013 policial ou civil \u2013 foi investigado nem condenado pelos assassinatos de Morroni e Facal. E isto ocorreu na \u201cdemocracia\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 sob o governo da FA em 2013 foi assassinado o jovem trabalhador Sergio Lemos, no bairro Santa Catalina, produto do gatilho f\u00e1cil pelo qual foram mortos v\u00e1rios jovens de \u201cbarriadas\u201d populares, Tamb\u00e9m o estudante de magist\u00e9rio e trabalhador da empresa Bader Santiago Masseroni, foi atropelado por um ve\u00edculo policial, cujos efetivos inventaram que o jovem estava alcoolizado.<\/p>\n<p><strong>Uma caracteriza\u00e7\u00e3o acertada que tem como centro a luta de classes<\/strong><\/p>\n<p>Sobre o Brasil queremos reafirmar que n\u00e3o existiu um golpe de estado como o conhecemos na d\u00e9cada de 70, e as enormes mobiliza\u00e7\u00f5es que se deram primeiro contra Temer e agora contra Bolsonaro, um governo que em menos de seis meses est\u00e1 em crise, a exist\u00eancia de sindicatos, de partidos que se reivindicam revolucion\u00e1rios, demonstram que n\u00e3o se instaurou uma ditadura.<\/p>\n<p>O triunfo eleitoral de Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 de ignorar, cont\u00e9m elementos e um discurso de corte fascista que n\u00e3o esconde seus desejos de levar adiante, se pudesse, um golpe. Mas as lutas que est\u00e3o em curso, que est\u00e3o aumentando, s\u00e3o as que determinar\u00e3o em \u00faltima instancia para onde a situa\u00e7\u00e3o avan\u00e7a.<\/p>\n<p>O segundo \u00e9 que os triunfos eleitorais de Macri e Bolsonaro, que alentaram a an\u00e1lise, equivocada, do \u201cgiro \u00e0 direita\u201d, ou de que se produzia uma \u201crestaura\u00e7\u00e3o neoliberal\u201d est\u00e3o sendo desmentidas pela luta de classes. Agora a discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 abstrata, nem jur\u00eddica, as enormes lutas na Argentina que encurralaram Macri, o governo de Bolsonaro em crise que \u00e9 questionado por centenas de milhares nas ruas, n\u00e3o se podem explicar por meio da teoria do golpe e do giro \u00e0 direita dos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Governos mais repressivos<\/strong><\/p>\n<p>Podemos dizer que ap\u00f3s o desmoronamento dos governos \u201cpopulares\u201d que levavam adiante os planos da burguesia e que atolaram frente \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o das massas e a ruptura com estes partidos, os novos governos da velha direita, a ultradireita e a mal chamada esquerda como a FA tem pela frente a tarefa de derrotar as massas nas ruas como \u00fanica forma de fazer passar e aprofundar aqueles planos imperialistas que os governos anteriores fracassaram. E tratam de intimidar o protesto popular encarcerando lutadores, reprimindo mais duramente e at\u00e9 assassinando.<\/p>\n<p>Mas essas medidas, nestes pa\u00edses, foram levadas adiante, por ora, dentro da democracia burguesa. Que \u00e9 uma ditadura capitalista, como assinalava Lenin. E as liberdades democr\u00e1ticas conquistadas com a luta, j\u00e1 desde antes e agora s\u00e3o cortadas, amorda\u00e7adas, frente \u00e0 crise capitalista que se aprofunda.<\/p>\n<p>Cremos que tem sido um grande acerto de nossa corrente internacional ter tido uma postura clara que refletia o que era o come\u00e7o do desmoronamento das frentes populares, e que a tarefa n\u00e3o era nem \u00e9 sustent\u00e1-las e sim organizar as massas para derrub\u00e1-las e no processo construir o partido revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Esses governos n\u00e3o tinham nada de progressivos, como n\u00e3o tem aqui a FA do Uruguai. A situa\u00e7\u00e3o de polariza\u00e7\u00e3o se aprofunda, h\u00e1 um ascenso nas lutas, mas n\u00e3o s\u00e3o lineares. Mas n\u00e3o houve derrotas profundas nas ruas, nem esmagamentos das massas, a batalha est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que existem ditaduras ou governos com forte presen\u00e7a de militares, como Maduro na Venezuela ou Ortega na Nicar\u00e1gua que assassina mais de 500 lutadores em meio a uma feroz repress\u00e3o. Ou em Honduras onde o povo est\u00e1 se rebelando.<\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o do Uruguai<\/strong><\/p>\n<p>O Uruguai est\u00e1 vivendo uma crise pol\u00edtica e institucional, pelo tema DDHH. A abnegada luta dos trabalhadores de G\u00e1s obrigou a PIT-CNT a decretar uma paralisa\u00e7\u00e3o parcial, e agora anunciou uma paralisa\u00e7\u00e3o geral para o dia 25 de junho. H\u00e1 conflitos em curtumes, na ind\u00fastria qu\u00edmica e em Buquebus.\u00a0 Os docentes e estudantes do liceu Bauz\u00e1 se mobilizaram e expulsaram o subdiretor por ass\u00e9dio \u00e0s estudantes. Estas e dezenas de lutas abrem passagem quando a burguesia desejaria ter desviado tudo para as elei\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o fazem o que querem, e sim o que podem, porque a luta dos trabalhadores, da mulher, dos estudantes e dos bairros humildes est\u00e1 em marcha.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enk<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o come\u00e7o da queda no pre\u00e7o das mat\u00e9rias-primas, nas quais os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e seus governos focalizam suas maiores exporta\u00e7\u00f5es e rendimentos, os grandes capitalistas e as multinacionais instaladas em nossos pa\u00edses viram \u201cretroceder\u201d seus lucros, e assim a crise econ\u00f4mica mundial instalou-se em nosso continente.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":21337,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[5620,3595],"tags":[1170,470,95,6098,7575],"class_list":["post-28437","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","category-uruguai","tag-america-latina","tag-bolsonaro","tag-macri","tag-onda-reacionaria","tag-uruguai"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/honduras-declaracao-dezembro.jpg","categories_names":["Am\u00e9rica Latina","Uruguai"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28437\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21337"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}