{"id":28251,"date":"2019-06-06T12:11:23","date_gmt":"2019-06-06T14:11:23","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28251"},"modified":"2019-06-06T12:11:23","modified_gmt":"2019-06-06T14:11:23","slug":"neocolonialismo-uma-politica-de-saque-organizado-ao-continente-africano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/06\/06\/neocolonialismo-uma-politica-de-saque-organizado-ao-continente-africano\/","title":{"rendered":"Neocolonialismo: uma pol\u00edtica de saque organizado ao continente africano"},"content":{"rendered":"<p><em>Nomeado como o processo de domina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica, pelas pot\u00eancias capitalistas ou mesmo ex-coloniais ocidentais sobre regi\u00f5es ou na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica e da \u00c1sia, tendo atingido o seu ponto mais alto no final do s\u00e9culo XIX e ao longo do s\u00e9culo XX, continuando at\u00e9 aos dias de hoje em certo peso no continente Africano.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Jo\u00e3o silva &#8211; Em Luta<\/p>\n<p>Vejamos a quest\u00e3o dos fluxos migrat\u00f3rios em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, o caso da \u00c1frica \u00e9 emblem\u00e1tico. \u00c9 riqu\u00edssima em mat\u00e9rias-primas: ouro, platina, diamantes, ur\u00e2nio, coltan, cobre, petr\u00f3leo, g\u00e1s natural, madeiras preciosas, cacau, caf\u00e9 e muitas outras. Estes recursos, explorados pelo velho colonialismo europeu com m\u00e9todos de tipo escravagista, s\u00e3o hoje exploradas pelo neocolonialismo europeu apoiando-se em elites africanas no poder, uma m\u00e3o-de-obra local de baixo custo e um controle dos mercados internos e internacionais. Mais de cem empresas cotadas na Bolsa de Londres, brit\u00e2nicas e outras, exploram em 37 pa\u00edses da \u00c1frica subsariana recursos mineiros de um valor de mais de 1.000 milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a controla o sistema monet\u00e1rio de 14 ex-col\u00f4nias africanas atrav\u00e9s do Franco CFA (abreviatura original de \u201cCol\u00f4nias Francesas de \u00c1frica transformada em abreviatura de \u201cComunidade Financeira Africana\u201d). Para conservar a paridade com o Euro, esses 14 pa\u00edses africanos devem entregar ao Tesouro franc\u00eas metade das suas reservas monet\u00e1rias. Imaginam a aud\u00e1cia? Mas n\u00e3o para por a\u00ed.<\/p>\n<p>O Estado l\u00edbio, que queria criar uma moeda africana aut\u00f4noma, foi demolido pela guerra em 2011. Na Costa do Marfim (pertencente \u00e0 \u00e1rea CFA), empresas francesas controlam o fundamental da comercializa\u00e7\u00e3o do cacau, de que o pa\u00eds \u00e9 o primeiro produtor mundial. Para os pequenos cultivadores sobram a custo 5% do valor do produto final e a sua esmagadora maioria vive na pobreza. Estes s\u00e3o apenas alguns exemplos da explora\u00e7\u00e3o neocolonial no continente africano.<\/p>\n<p>A \u00c1frica, apresentada como dependente da ajuda externa, proporciona ao exterior um transfer\u00eancia bruta anual de cerca de 58 milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares. As consequ\u00eancias sociais s\u00e3o devastadoras. Na \u00c1frica subsariana, onde 60% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por crian\u00e7as e jovens at\u00e9 aos 24 anos, cerca de dois ter\u00e7os dos habitantes vivem na pobreza e, entre eles, cerca de 40% \u2013 ou seja 400 milh\u00f5es \u2013 vivem em condi\u00e7\u00f5es de pobreza extrema.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas por <em>clich\u00e9 <\/em>que se afirma que \u00c1frica \u00e9 o ber\u00e7o da Humanidade, pois temos presentes as evid\u00eancias que sustentam esta afirma\u00e7\u00e3o. O neocolonialismo \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o da crise de um sistema econ\u00f3mico e social insustent\u00e1vel, em que um continente fornece as elites e o resto do mundo, enquanto a sua popula\u00e7\u00e3o pouco consegue usufruir daquilo que \u00e9 abundante.<\/p>\n<p><strong>Haver\u00e1 alguma forma de derrotar ou abrandar o neocolonialismo?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 quem argumente que o neocolonialismo tornou o continente africano bastante dependente da ajuda externa, nomeadamente atrav\u00e9s do constante influxo de capital externo, do ajuste de pre\u00e7os de mercadorias, da assist\u00eancia militar para a sua pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o\/quest\u00f5es internas ou mesmo quest\u00f5es tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>O objetivo seria que a \u00c1frica se tornasse independente e que pudesse contar consigo mesma e que os seus povos nativos controlassem a sua economia e destino. Por\u00e9m, com um mundo marcado por uma economia cheia de depend\u00eancias, isto \u00e9 pouco prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>O que realmente tem que acontecer \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o de fundo do sistema econ\u00f3mico que permita que o continente possa diversificar a sua economia e diminuir a sua depend\u00eancia face aos bens e servi\u00e7os importados. Um continente com uma economia assente quase exclusivamente na explora\u00e7\u00e3o intensiva de mat\u00e9rias-primas tem sido o garante da manuten\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o neocolonial da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Isto nos traz a outro ponto: a necessidade de os pa\u00edses africanos obterem uma segunda independ\u00eancia que lhes garanta o controle sobre as suas mat\u00e9rias-primas e a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os que garantam as necessidades das suas popula\u00e7\u00f5es. Os trabalhadores africanos devem unir-se em nome da expropria\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os das grandes multinacionais e das novas burguesias que emergiram nos novos pa\u00edses africanos depois das independ\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nomeado como o processo de domina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica, pelas pot\u00eancias capitalistas ou mesmo ex-coloniais ocidentais sobre regi\u00f5es ou na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica e da \u00c1sia, tendo atingido o seu ponto mais alto no final do s\u00e9culo XIX e ao longo do s\u00e9culo XX, continuando at\u00e9 aos dias de hoje em certo peso no continente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":72941,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[208,140],"tags":[1949,7557,7558],"class_list":["post-28251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-africa","category-portugal","tag-em-luta-portugal","tag-joao-silva","tag-neocolonialismo-africa"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4369774-3x2-940x627-940x516-3.jpg","categories_names":["\u00c1frica","Portugal"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28251\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72941"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}