{"id":28153,"date":"2019-05-28T18:00:13","date_gmt":"2019-05-28T20:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28153"},"modified":"2019-05-28T18:00:13","modified_gmt":"2019-05-28T20:00:13","slug":"sobre-as-polemicas-no-comite-por-uma-internacional-operaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/05\/28\/sobre-as-polemicas-no-comite-por-uma-internacional-operaria\/","title":{"rendered":"Sobre as pol\u00eamicas no Comit\u00ea por uma Internacional Oper\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><em>Recentemente, v\u00e1rios Boletins de Discuss\u00e3o Interna (BDI) do Comit\u00ea por uma Internacional Oper\u00e1ria (CIO) foram divulgados em v\u00e1rios sites da Internet, inclusive em um da imprensa burguesa, o Irish Times.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Marcos Margarido<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do CIO, representada por Peter Taaffe, lan\u00e7ou uma fra\u00e7\u00e3o em defesa de suas posi\u00e7\u00f5es contra algumas pol\u00edticas adotadas pela sua se\u00e7\u00e3o irlandesa, o Partido Socialista Irland\u00eas (ISP), que teve apoio de uma maioria de votos de outros partidos em reuni\u00e3o do Comit\u00ea Executivo Internacional (CEI) do CIO, realizado no fim do ano passado.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que se tornou um debate p\u00fablico, cujos temas s\u00e3o parte de discuss\u00f5es importantes para a orienta\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios e que o CIO \u00e9 identificado na vanguarda de alguns pa\u00edses importantes como a express\u00e3o do trotskismo, queremos analisar os temas desse debate.<\/p>\n<p><strong>Um breve hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Para que se entenda as diferen\u00e7as entre estes dois setores (minoria do \u00faltimo CEI do CIO, onde se localiza sua dire\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica; e a maioria do \u00faltimo CEI do CIO, da qual fazem parte o partido irland\u00eas e as se\u00e7\u00f5es norte-americana, grega, brasileira, sueca, entre outras<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>) \u00e9 necess\u00e1rio fazer um breve, e incompleto, resumo dos fatos ocorridos antes deste CEI e da crise que se abriu ap\u00f3s sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2018, abriu-se um discuss\u00e3o entre o Secretariado Internacional (SI) do CIO e sua se\u00e7\u00e3o irlandesa, centrada em dois pontos: a pol\u00edtica do ISP em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 luta contra a opress\u00e3o feminina e sua pol\u00edtica eleitoral, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao Sinn F\u00e9in, um partido nacionalista-burgu\u00eas e bra\u00e7o pol\u00edtico de uma das correntes nas quais o \u201cvelho\u201d IRA (Ex\u00e9rcito Republicano Irland\u00eas) dividiu-se ap\u00f3s a guerra de independ\u00eancia com a Inglaterra (1919-1921).<\/p>\n<p>Segundo o SI do CIO, o ISP desenvolveu uma pol\u00edtica de capitula\u00e7\u00e3o ao feminismo radical, que defende a \u201cpol\u00edtica de identidade de g\u00eanero\u201d, durante a luta pelo fim da lei de proibi\u00e7\u00e3o do aborto na Rep\u00fablica da Irlanda. Esta lei foi revogada ap\u00f3s um plebiscito, em maio de 2018, que derrotou espetacularmente as posi\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica e de um amplo setor do parlamento irland\u00eas e do governo, que defendiam a manuten\u00e7\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o. O ISP teve uma participa\u00e7\u00e3o destacada nesta luta.<\/p>\n<p>Por outro lado, o SI do CIO acusou o ISP de ter uma pol\u00edtica sect\u00e1ria, de \u201cdenuncismo\u201d, em rela\u00e7\u00e3o ao Sinn F\u00e9in nas campanhas eleitorais de 2016 e 2018, e de n\u00e3o ter apresentado um programa eleitoral de transi\u00e7\u00e3o, por n\u00e3o ter inclu\u00eddo a palavra de ordem de \u201cestatiza\u00e7\u00e3o\u201d no referido programa. Esta \u00faltima cr\u00edtica foi aceita pela dire\u00e7\u00e3o do ISP e n\u00e3o entraremos em detalhes aqui. O ISP tem 2 parlamentares (<em>Teachta D\u00e1la<\/em> &#8211; TDs<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>) no <em>D\u00e1il \u00c9ireann<\/em>, o parlamento irland\u00eas, e \u00e9 a \u00fanica se\u00e7\u00e3o do CIO com membros de um parlamento.<\/p>\n<p>Com o desenvolvimento da discuss\u00e3o e a cristaliza\u00e7\u00e3o das duas posi\u00e7\u00f5es, foi realizada uma reuni\u00e3o do CEI daquela organiza\u00e7\u00e3o no fim de 2018, com o objetivo de que tal organismo tomasse uma posi\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, as diferen\u00e7as, que at\u00e9 ent\u00e3o estavam limitadas (formalmente) ao SI e ao ISP, polarizaram o CEI e a discuss\u00e3o foi encerrada com a vota\u00e7\u00e3o da abertura de um pr\u00e9-congresso internacional, que dividiu o CEI nos dois setores definidos acima.<\/p>\n<p>Sucintamente, a maioria do CEI aprovou, por tr\u00eas votos de diferen\u00e7a, que se opunha a qualquer amea\u00e7a de ruptura, que n\u00e3o havia diverg\u00eancias de princ\u00edpio entre as duas posi\u00e7\u00f5es e que o congresso do CIO ser\u00e1 realizado em 2020. A posi\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria, na qual se inclui Peter Taaffe e a maioria do SI, defendia a exist\u00eancia de diferen\u00e7as de princ\u00edpio e a realiza\u00e7\u00e3o do congresso em janeiro de 2020.<\/p>\n<p>Durante o CEI, e ao ver sua posi\u00e7\u00e3o em minoria, Peter Taaffe lan\u00e7ou uma fra\u00e7\u00e3o (In Defence of a Working Class Trotskyist CWI \u2013 Em Defesa de um CIO Oper\u00e1rio e Trotskista) com o apoio de dirigentes de 11 partidos e de membros do SI. Esta posi\u00e7\u00e3o viu-se enfraquecida posteriormente com o rompimento com o CIO das se\u00e7\u00f5es espanhola, mexicana e venezuelana, que assinaram a plataforma da fra\u00e7\u00e3o, bem como da se\u00e7\u00e3o portuguesa, durante uma reuni\u00e3o da Fra\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o deste ano<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Em sua plataforma, a Fra\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente combateu as posi\u00e7\u00f5es da maioria do CEI, mas acusou os representantes dos partidos que votaram em maioria no CEI de formar uma \u201cFra\u00e7\u00e3o N\u00e3o Fra\u00e7\u00e3o\u201d, isto \u00e9, uma fra\u00e7\u00e3o secreta, o que transformou definitivamente o debate em uma disputa fracional pela dire\u00e7\u00e3o do CIO.<\/p>\n<p><strong>As principais diferen\u00e7as program\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p>Neste texto, vamos nos ater a algumas posi\u00e7\u00f5es te\u00f3rico-program\u00e1ticas do CIO que julgamos relevantes para a discuss\u00e3o: a quest\u00e3o da consci\u00eancia das massas, a quest\u00e3o da Frente \u00danica, e o Brexit.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>A consci\u00eancia das massas e a elabora\u00e7\u00e3o de palavras de ordem de transi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta quest\u00e3o sempre esteve presente nas principais diverg\u00eancias que a LIT sustentou com o CIO desde os anos 90, por exemplo, a da quest\u00e3o palestina. No debate presente, entre a dire\u00e7\u00e3o do CIO e o ISP, formam um pano de fundo permanente.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos resumir a posi\u00e7\u00e3o tradicional do CIO no enunciado: a elabora\u00e7\u00e3o de uma palavra de ordem de transi\u00e7\u00e3o deve levar em conta as necessidades das massas e, em um mesmo n\u00edvel de import\u00e2ncia quanto ao seu conte\u00fado, sua consci\u00eancia, inclusive de seus setores mais atrasados.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 um documento do congresso do Partido Socialista ingl\u00eas (SP \u2013 se\u00e7\u00e3o do CIO) de 2013 sobre migra\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Este faz uma caracteriza\u00e7\u00e3o em geral correta sobre a quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o na Inglaterra e dos ataques aos imigrantes, e uma previs\u00e3o que se mostrou acertada: \u201c<em>Conforme a crise na Eurozona se desenvolve, \u00e9 poss\u00edvel que o livre movimento na UE esteja amea\u00e7ado<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, saca a seguinte conclus\u00e3o na pol\u00edtica:<\/p>\n<p><em>\u201c69. \u00c9 claro que temos que defender as se\u00e7\u00f5es mais oprimidas da classe trabalhadora, incluindo os trabalhadores migrantes e outros imigrantes. N\u00f3s nos opomos firmemente ao racismo. Defendemos o direito ao asilo e defendemos o fim de medidas repressivas, como os centros de deten\u00e7\u00e3o. <strong>Ao mesmo tempo, dada a mentalidade da maioria da classe trabalhadora, n\u00e3o podemos apresentar um slogan de \u201cfronteiras abertas\u201d ou \u201cnenhum controle de imigra\u00e7\u00e3o\u201d, o que seria uma barreira para convencer os trabalhadores de um programa socialista, tanto quanto \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o como em outras quest\u00f5es<\/strong>. Tal demanda alienaria a vasta maioria da classe trabalhadora, incluindo muitos imigrantes de longa data, que a veriam como uma amea\u00e7a aos empregos, sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>Isto \u00e9, dado que existem vastos setores de trabalhadores, inclusive imigrantes legalizados, que s\u00e3o contra o direito de imigra\u00e7\u00e3o de todos aqueles que assim o desejarem, o SP n\u00e3o defende a pol\u00edtica de \u201cfronteiras abertas\u201d e de imigra\u00e7\u00e3o sem restri\u00e7\u00f5es. Ao contr\u00e1rio, defende uma imigra\u00e7\u00e3o seletiva. Na pr\u00e1tica, apenas os que pedem asilo pol\u00edtico ou econ\u00f4mico, sem que haja nenhum preconceito racista na concess\u00e3o de visto, teriam este direito. E justifica isso dizendo que uma palavra de ordem t\u00e3o ampla impediria a apresenta\u00e7\u00e3o de um programa socialista a vastos setores da classe trabalhadora. Isto \u00e9, um \u201cprograma socialista\u201d sem a defesa do direito de livre movimento dos povos, que \u00e9 parte essencial de qualquer <strong>programa revolucion\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n<p>Este tipo de elabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma capitula\u00e7\u00e3o ao baixo n\u00edvel de consci\u00eancia das massas (que sempre \u00e9 um n\u00edvel de consci\u00eancia atrasado), mas tamb\u00e9m \u00e0 pr\u00f3pria burguesia, a real instiladora do veneno da xenofobia, do racismo, do machismo etc., na consci\u00eancia das massas.<\/p>\n<p>Como Trotsky tratou deste tema? No Programa de Transi\u00e7\u00e3o (que foi aprovado pelo Congresso de Funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional, em 1938) ele afirmou: \u201c<em>Esta ponte deve incluir um sistema de reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias, que parta das condi\u00e7\u00f5es atuais e da consci\u00eancia atual de amplas massas da classe oper\u00e1ria e conduza, invariavelmente, a uma s\u00f3 e mesma conclus\u00e3o: a conquista do poder pelo proletariado.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, deve-se levar em conta, em igualdade de import\u00e2ncia, as condi\u00e7\u00f5es atuais e a consci\u00eancia das massas. Esta quest\u00e3o tamb\u00e9m causou confus\u00e3o nos quadros do SWP norte-americano, mas Trotsky, em uma conhecida conversa com os principais dirigentes daquele partido, resolveu-a da seguinte forma:<\/p>\n<p>\u201c<em>Alguns camaradas dizem que este esbo\u00e7o do programa em algumas partes n\u00e3o \u00e9 suficientemente adequado \u00e0 mentalidade, ao humor dos trabalhadores americanos. <strong>Aqui devemos nos perguntar se o programa deve ser adaptado \u00e0 mentalidade dos trabalhadores ou \u00e0s atuais condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais objetivas do pa\u00eds<\/strong>. Esta \u00e9 a quest\u00e3o mais importante.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>E responde, em primeiro lugar, atestando que \u201c<em>a mentalidade est\u00e1, em geral, na retaguarda, atrasada em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento econ\u00f4mico<\/em>\u201d, isto \u00e9, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es objetivas. Mas, o ponto de partida deve ser a situa\u00e7\u00e3o concreta: \u201c<strong><em>O programa deve expressar as tarefas objetivas da classe oper\u00e1ria<\/em><\/strong><em>, e n\u00e3o o atraso dos trabalhadores. Deve refletir a sociedade como ela \u00e9 e n\u00e3o o atraso da classe oper\u00e1ria<\/em>\u201d. Isto \u00e9, o atraso de sua consci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o objetiva.<\/p>\n<p>Nada mais claro. Por\u00e9m, como resolver este descompasso entre necessidades objetivas e consci\u00eancia? Como Trotsky explica: \u201c<em>Outra quest\u00e3o \u00e9 como apresentar este programa aos trabalhadores. \u00c9 mais uma tarefa pedag\u00f3gica e uma quest\u00e3o de terminologia ao apresentar a real situa\u00e7\u00e3o aos trabalhadores<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, ao formular o conte\u00fado de uma palavra de ordem de transi\u00e7\u00e3o, levamos em conta as necessidades objetivas da classe oper\u00e1ria, mas, ao coloc\u00e1-la no papel, devemos levar em conta o n\u00edvel de consci\u00eancia das massas para que o conte\u00fado seja compreens\u00edvel. Como diz Trotsky, ser compreens\u00edvel n\u00e3o quer dizer que seja aceita, mas a tarefa do programa \u00e9 \u201c<em>apresentar a situa\u00e7\u00e3o como ela<\/em> \u00e9\u201d, pois \u201c<em>n\u00e3o podemos adiar, nem modificar condi\u00e7\u00f5es objetivas que n\u00e3o dependem de n\u00f3s<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, existe um fosso intranspon\u00edvel entre o significado da cita\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o acima e a interpreta\u00e7\u00e3o que o CIO faz dela.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esta compara\u00e7\u00e3o entre as duas interpreta\u00e7\u00f5es, fica mais f\u00e1cil entender os erros da posi\u00e7\u00e3o tradicional do CIO na discuss\u00e3o em pauta. Vamos mostr\u00e1-los atrav\u00e9s de alguns exemplos.<\/p>\n<p>No documento sobre a quest\u00e3o da Frente \u00danica, escrito por Paul Murphy, da dire\u00e7\u00e3o do ISP, que acreditamos representar a posi\u00e7\u00e3o tradicional do CIO (e, portanto, da atual Fra\u00e7\u00e3o Internacional de Peter Taaffe) alguns par\u00e1grafos s\u00e3o dedicados ao <em>Brexit <\/em>e a suas implica\u00e7\u00f5es na Irlanda, principalmente o estabelecimento de uma alf\u00e2ndega na fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Murphy critica a posi\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da dire\u00e7\u00e3o do ISP por ser passiva e abstrata, devido \u00e0 seguinte afirma\u00e7\u00e3o: \u201cDizemos que, qualquer que seja a forma pela qual os diferentes interesses capitalistas resolvam sua disputa comercial, ela deve ser feita sem qualquer fronteira f\u00edsica ou repressora\u201d.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>Na verdade, a posi\u00e7\u00e3o criticada do ISP \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o clara de princ\u00edpio, pois aponta para a unifica\u00e7\u00e3o da Irlanda (nenhuma fronteira), uma luta hist\u00f3rica do povo irland\u00eas. O que falta a esta declara\u00e7\u00e3o \u00e9 o reconhecimento de suas implica\u00e7\u00f5es, ou seja, uma luta pela independ\u00eancia da Irlanda do Norte, contra a ocupa\u00e7\u00e3o inglesa, chamando a uma alian\u00e7a com o proletariado irland\u00eas para alcan\u00e7ar a reunifica\u00e7\u00e3o da Irlanda.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o CIO est\u00e1 longe de reconhecer esta luta hist\u00f3rica como uma necessidade imediata do povo irland\u00eas, que deve fazer parte do programa de transi\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio. O caso da Irlanda chama mais a aten\u00e7\u00e3o porque existe uma elabora\u00e7\u00e3o marxista sobre essa quest\u00e3o desde o pr\u00f3prio Marx e depois reivindicada por Lenin em seus escritos sobre as quest\u00f5es das nacionalidades. O racioc\u00ednio de Marx era oposto ao do SP ingl\u00eas. Em 1869, Marx escreveu o texto <em>A Quest\u00e3o Irlandesa e a Internacional<\/em>, do qual extra\u00edmos a seguinte passagem:<\/p>\n<p>\u201c<em>A Inglaterra, metr\u00f3pole do capital, pot\u00eancia at\u00e9 agora dominante no mercado mundial, \u00e9 no momento o pa\u00eds mais importante para a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e, al\u00e9m disso, o \u00fanico pa\u00eds onde as condi\u00e7\u00f5es materiais desta revolu\u00e7\u00e3o chegaram a um certo grau de maturidade. Por isso, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores visa, antes de mais nada, acelerar a revolu\u00e7\u00e3o social na Inglaterra. E o \u00fanico meio de consegui-lo \u00e9 tornar a Irlanda independente<\/em>. <em>Eis porque a Internacional deve sempre dar prioridade ao conflito entre a Inglaterra e a Irlanda, tomando abertamente o partido desta \u00faltima. A tarefa especial do Conselho Central<\/em><a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><em> em Londres \u00e9 despertar na classe oper\u00e1ria inglesa a consci\u00eancia de que a emancipa\u00e7\u00e3o nacional da Irlanda n\u00e3o \u00e9 para ela uma abstrata quest\u00e3o de justi\u00e7a e de humanitarismo, mas a condi\u00e7\u00e3o primeira de sua pr\u00f3pria emancipa\u00e7\u00e3o social.<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A resposta de Murphy \u00e9, ao mesmo tempo, uma capitula\u00e7\u00e3o ao reformismo (isto \u00e9, \u00e0 burguesia) e uma formula\u00e7\u00e3o, esta sim, abstrata de como tudo seria resolvido no socialismo. Vejamos:<\/p>\n<p>Depois de concordar com a proposta da dire\u00e7\u00e3o do ISP de chamar os sindicatos a uma confer\u00eancia para organizar a luta contra qualquer ataque aos direitos dos trabalhadores, Murphy diz que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente, pois \u201c<em>temos que achar uma formula\u00e7\u00e3o para dizer o que pensamos que deveria ocorrer e qual \u00e9 nossa vis\u00e3o para uma sa\u00edda socialista<\/em>\u201d. E d\u00e1 um exemplo do que deveria ser tal formula\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o de uma sa\u00edda socialista.<\/p>\n<p>\u201c<em>A posi\u00e7\u00e3o de Corbyn, delineada em um discurso em fevereiro, descreve como um governo de esquerda lidaria com a quest\u00e3o da Uni\u00e3o Aduaneira. Efetivamente, ele contrap\u00f4s a uni\u00e3o aduaneira pr\u00f3-capitalista existente a outra no interesse dos trabalhadores. Isso garantiria fronteiras flu\u00eddas e com\u00e9rcio livre de tarifas, mas sem as regras e restri\u00e7\u00f5es neoliberais que impediriam um governo de esquerda de implementar pol\u00edticas como a nacionaliza\u00e7\u00e3o. Se Corbyn corajosamente levasse essa posi\u00e7\u00e3o adiante, em vez de buscar um compromisso com a ala direita [do Partido Trabalhista] e ligasse-a \u00e0 necessidade de uma mudan\u00e7a socialista, seria enormemente popular nesta ilha e na Gr\u00e3-Bretanha. Isso resolveria os medos e preocupa\u00e7\u00f5es reais dos trabalhadores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia e \u00e0 fronteira.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>E afirma que, no contexto da crise pol\u00edtica na Gr\u00e3-Bretanha, \u00e9 necess\u00e1rio exigir \u201c<em>elei\u00e7\u00f5es gerais na Gr\u00e3-Bretanha para que Corbyn suba ao poder com um programa socialista<\/em>\u201d. Portanto, a formula\u00e7\u00e3o defendida pelo CIO para resolver a quest\u00e3o da alf\u00e2ndega \u00e9 a mesma de Corbyn, um reformista de esquerda reconhecido, que \u00e9 a de manter uma alf\u00e2ndega, afinal, mas n\u00e3o t\u00e3o dura como aquela defendida pelo governo ingl\u00eas, e sim uma fronteira flu\u00edda (<em>no hard border<\/em> ou <em>soft border<\/em>, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Isto, segundo Murphy, resolveria os medos e preocupa\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, nesse caso dos ingleses. Isto \u00e9, da mesma forma que a ala esquerda do Partido Trabalhista, o CIO estabelece sua pol\u00edtica baseado no n\u00edvel de consci\u00eancia atrasado dos oper\u00e1rios protestantes e n\u00e3o na necessidade de aproveitar a atual crise pol\u00edtica para reacender a chama por uma Irlanda unida, sem nenhuma fronteira. Mas isto implicaria em uma batalha para ganhar a consci\u00eancia atrasada de maioria da atual popula\u00e7\u00e3o da Irlanda do Norte que, envenenada pela propaganda religiosa do imp\u00e9rio ingl\u00eas, \u00e9 contra ficar independente da Inglaterra. N\u00e3o bastasse isso, os cinco pontos delineados por Corbyn<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> para resolver a quest\u00e3o da fronteira s\u00e3o completamente pr\u00f3-capitalistas, n\u00e3o t\u00eam nada de \u201c<em>interesse dos trabalhadores<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 sa\u00edda socialista para a crise, o CIO comete um erro que j\u00e1 \u00e9 recorrente na pol\u00edtica do <em>Socialist Party<\/em>\u00a0 ingl\u00eas: levantar a possibilidade de chegar ao socialismo por meio de elei\u00e7\u00f5es e, pior, da elei\u00e7\u00e3o de um reformista. Votar no Partido Trabalhista nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es gerais para que Corbyn seja o primeiro-ministro com um \u201cprograma socialista\u201d \u00e9 manter as ilus\u00f5es das massas em sa\u00eddas reformistas e n\u00e3o tem nada em comum com um verdadeiro programa de transi\u00e7\u00e3o. Segundo a posi\u00e7\u00e3o do CIO, tudo isso estaria garantido se se cumprissem as exig\u00eancias do SP, de que Corbyn <em>reabra as negocia\u00e7\u00f5es com a UE sobre novas bases; que ele fa\u00e7a apelos internacionalistas aos trabalhadores europeus, por cima das cabe\u00e7as dos negociadores da UE<\/em>&#8230;, ou seja exig\u00eancias m\u00ednimas que n\u00e3o s\u00e3o de nenhuma maneira pontos decisivos para um programa socialistas para Gr\u00e3 Bretanha, ou seja, trata-se de uma fic\u00e7\u00e3o do come\u00e7o ao fim.<\/p>\n<p>Em outro momento, este mesmo documento afirma:<\/p>\n<p>\u201c<em>No entanto, nenhum camarada est\u00e1 a favor de levantar a exig\u00eancia de a Irlanda deixar a UE neste est\u00e1gio. Somos culpados por \u201cn\u00e3o contar a verdade\u201d \u00e0 classe oper\u00e1ria ao n\u00e3o levantar a demanda de deixar a UE e de defender o monop\u00f3lio estatal do com\u00e9rcio exterior? N\u00f3s sempre contamos a verdade. Mas, <strong>n\u00f3s apresentamos a verdade de uma forma que seja mais diger\u00edvel pela classe oper\u00e1ria em um dado momento<\/strong>, trazendo \u00e0 tona demandas que falem das necessidades prementes dos trabalhadores e conectando-as \u00e0 necessidade de uma mudan\u00e7a socialista revolucion\u00e1ria para levar a classe oper\u00e1ria \u00e0 luta.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> (negritos nossos)<\/p>\n<p>Este \u00e9 um jogo de palavras que nada tem a ver com os ensinamentos de Trotsky. Murphy tenta convencer os militantes do CIO de que \u201cn\u00e3o contar a verdade\u201d significa \u201ccontar a verdade\u201d. Trotsky sugeria at\u00e9 utilizar psicologia de massas para contar a verdade <strong>sempre<\/strong>, n\u00e3o apenas o que for mais diger\u00edvel em <strong>dado momento<\/strong>. O m\u00e9todo do CIO \u00e9 defender, em cada momento, algumas das necessidades prementes dos trabalhadores e ao mesmo tempo, omitir as necessidades objetivas estrat\u00e9gicas que podem n\u00e3o ser aceitas naquele momento pelas amplas massas, pois estas sempre apresentam um descompasso entre sua consci\u00eancia e tais necessidades. Esta \u00e9 uma vers\u00e3o moderna do m\u00e9todo da socialdemocracia de separar o programa o programa m\u00e1ximo do programa m\u00ednimo, sendo que o segundo se agita enquanto o primeiro \u00e9 como dizia Trotsky, para os dias de festa. Ou seja, levar os trabalhadores \u00e0 luta por suas necessidades prementes sem propor nenhuma consigna que aponte a estrat\u00e9gia da tomada do poder e se limitar a fazer propaganda do socialismo.<\/p>\n<p>No caso da necessidade imediata de destruir a Uni\u00e3o Europeia, por ser uma m\u00e1quina de guerra social do imperialismo europeu, capitaneado por Alemanha e Fran\u00e7a, este erro torna-se flagrante porque inclusive leva a ter uma politica diferente em cada pa\u00eds para a mesma institui\u00e7\u00e3o. Na Inglaterra, o SP defende a sa\u00edda da UE; na Irlanda, o ISP n\u00e3o defende. Em algum outro pa\u00eds poder\u00e1 defender ou n\u00e3o. Tudo depende do n\u00edvel de consci\u00eancia das massas e n\u00e3o da necessidade objetiva da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>O CIO, uma organiza\u00e7\u00e3o internacional com se\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, algumas delas com presen\u00e7a importante na luta de classes, que dever\u00e3o apresentar candidatos nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es europeias ou pelo menos dever\u00e3o ter uma posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a elas, n\u00e3o apresentar\u00e3o uma pol\u00edtica unificada. Isto demonstrar\u00e1, n\u00e3o a for\u00e7a de tal organiza\u00e7\u00e3o internacional, mas sua debilidade devida \u00e0 sua estreiteza pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O que Trotsky aconselharia a tal organiza\u00e7\u00e3o? Vejamos como ele orientava o SWP dos EEUU:<\/p>\n<p>\u201c<em>O que um partido revolucion\u00e1rio pode fazer nessa situa\u00e7\u00e3o? Em primeiro lugar, dar uma vis\u00e3o clara e honesta da situa\u00e7\u00e3o objetiva, das <strong>tarefas hist\u00f3ricas<\/strong> que decorrem dessa situa\u00e7\u00e3o, <strong>independentemente de os trabalhadores estarem ou n\u00e3o prontos para isso<\/strong>. Nossas tarefas n\u00e3o dependem da mentalidade dos trabalhadores. A tarefa \u00e9 desenvolver a mentalidade dos trabalhadores. \u00c9 isso que o programa deve formular e apresentar perante os trabalhadores avan\u00e7ados. [&#8230;] Mas, precisamos dizer a verdade aos trabalhadores, s\u00f3 assim ganharemos os melhores elementos.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>A Frente \u00danica<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta \u00e9 uma discuss\u00e3o importante, n\u00e3o s\u00f3 na atual crise que atinge o CIO, mas tamb\u00e9m para todos os partidos revolucion\u00e1rios. Trata-se de aplicar uma t\u00e1tica para obrigar as grandes organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias reformistas a mobilizar as massas sob sua influ\u00eancia, chamando-as a lutar pelas necessidades prementes das massas, ou desmascar\u00e1-las caso elas se neguem e, nesse processo, pela positiva ou pela negativa, ganhar os melhores elementos para o partido.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o CIO amplia este conceito tornando a Frente \u00danica uma estrat\u00e9gia, ou um m\u00e9todo<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>, como Paul Murphy afirma, e n\u00e3o uma t\u00e1tica. Um m\u00e9todo permanente e que se estende muito al\u00e9m dos limites definidos pelo IV Congresso da Internacional Comunista (IC). Vejamos.<\/p>\n<p>O documento j\u00e1 citado afirma que:<\/p>\n<p>\u201c<em>No entanto, para Trotsky, bem como para Lenin, isso [isto \u00e9, a aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e1tica de Frente \u00danica contra o nazismo na Alemanha no in\u00edcio dos anos 30] era apenas a aplica\u00e7\u00e3o de um <strong>m\u00e9todo mais geral a uma situa\u00e7\u00e3o concreta<\/strong>. \u00c9 um m\u00e9todo que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 aplic\u00e1vel quando a classe trabalhadora olha para os partidos oper\u00e1rios reformistas em massa, mas pode ser aplic\u00e1vel sempre que as ideias revolucion\u00e1rias n\u00e3o est\u00e3o na esmagadora maioria da classe trabalhadora e, em vez disso, <strong>outras organiza\u00e7\u00f5es e ideias reformistas, pequeno burguesas ou mesmo burguesas dominam<\/strong>.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>Para o CIO, portanto, o \u201cm\u00e9todo\u201d da Frente \u00danica \u00e9 aplicado n\u00e3o s\u00f3 para chamar as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias \u00e0 luta, mas tamb\u00e9m organiza\u00e7\u00f5es pequeno-burguesas e mesmo burguesas. As oportunidades, portanto, s\u00e3o in\u00fameras e dos mais diversos tipos, ao ponto de reduzir a import\u00e2ncia da t\u00e1tica tradicional de Frente \u00danica:<\/p>\n<p>\u201c<strong><em>N\u00e3o \u00e9 a vers\u00e3o estreita de uma t\u00e1tica de Frente \u00danica, como definida pelo Brief Contribution<\/em><\/strong><a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><strong><em>, que tem relev\u00e2ncia hoje<\/em><\/strong><em>. Em vez disso, s\u00e3o elementos ou aspectos do m\u00e9todo fundamental delineado acima, que t\u00eam aplicabilidade hoje. [&#8230;] <strong>De fato, o CIO internacionalmente implementou este m\u00e9todo geral para as forma\u00e7\u00f5es n\u00e3o-oper\u00e1rias<\/strong>, onde elas t\u00eam uma base massiva de apoio entre os trabalhadores que estamos buscando ganhar. Por exemplo, o m\u00e9todo orientou nossa pol\u00edtica frente ao CNA na \u00c1frica do Sul e, mais recentemente, ao Partido da Consci\u00eancia Nacional na Nig\u00e9ria. Isso foi visto mais recentemente nos EUA, na abordagem que adotamos em rela\u00e7\u00e3o a Bernie Sanders, um candidato nas elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias de um dos dois grandes partidos capitalistas dos EUA.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p>A lista de aplica\u00e7\u00f5es do \u201cm\u00e9todo\u201d vai ainda mais longe: \u201c<em>\u00c9 tamb\u00e9m como nossos camaradas intervieram no Brasil, <strong>pedindo votos para o PT de Haddad no segundo turno<\/strong> para derrotar Bolsonaro e participando de mobiliza\u00e7\u00f5es conjuntas com o PT e outros<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, o m\u00e9todo da Frente \u00danica tamb\u00e9m \u00e9 aplic\u00e1vel em campanhas eleitorais: no caso do Brasil, em coliga\u00e7\u00f5es, na Europa, em alian\u00e7as parlamentares entre bancadas. Citam tamb\u00e9m o entrismo, como express\u00e3o desse \u2018m\u00e9todo da frente \u00fanica\u2019<\/p>\n<p>O CIO amplia sua pol\u00edtica ao chamar todo e qualquer tipo de t\u00e1tica de \u201cm\u00e9todo da Frente \u00danica\u201d. Por\u00e9m, esta \u00e9 uma dilui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que n\u00e3o faz parte da tradi\u00e7\u00e3o da IC. As <em>Teses sobre Frente \u00danica Oper\u00e1ria<\/em>, aprovadas pelo CEI da IC em dezembro de 1921 afirmam: \u201c<em>Orienta\u00e7\u00f5es sobre a <strong>Frente \u00danica Oper\u00e1ria<\/strong> e as rela\u00e7\u00f5es com os trabalhadores que pertencem \u00e0 Segunda Internacional, \u00e0 Segunda e Meia, ou \u00e0 Internacional de Amsterdam, bem como \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es anarco-sindicalistas&#8230;<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Isto \u00e9, a t\u00e1tica est\u00e1 relacionada apenas \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias reformistas. N\u00e3o por outro motivo \u00e9 chamada de Frente \u00danica Oper\u00e1ria. O texto de Trotsky, <em>Sobre a Frente \u00danica<\/em> (1922), vai no mesmo sentido e n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio cit\u00e1-lo aqui.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que algumas destas t\u00e1ticas s\u00e3o v\u00e1lidas, como o entrismo, ou chamar o voto em um candidato reformista, dependendo da situa\u00e7\u00e3o, do objetivo e da pol\u00edtica adotada. Outras s\u00e3o inaceit\u00e1veis para um partido revolucion\u00e1rio, como participar de uma campanha eleitoral em um partido burgu\u00eas e, no caso dos EUA, n\u00e3o s\u00f3 burgu\u00eas, mas imperialista, para eleger candidatos socialistas ou progressistas. Em rela\u00e7\u00e3o a isso, a <strong><em>Resolu\u00e7\u00e3o sobre T\u00e1tica<\/em><\/strong> do IV Congresso da IC \u00e9 clara: \u201c<em>De nenhuma forma a t\u00e1tica de Frente \u00danica significa fazer as chamadas alian\u00e7as eleitorais no n\u00edvel de lideran\u00e7as, com o prop\u00f3sito de conquistar um ou outro objetivo parlamentar<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>.<\/p>\n<p>Ao alterar o conceito de uma t\u00e1tica bem delimitada para um m\u00e9todo que envolve todo tipo de atividade na luta de classes, o CIO abre as portas para alian\u00e7as com organiza\u00e7\u00f5es burguesas e pequeno-burguesas, em qualquer terreno, inclusive no eleitoral, mas, al\u00e9m disso, dilui uma das principais finalidades da t\u00e1tica de Frente \u00danica: <strong>destruir as dire\u00e7\u00f5es traidoras do movimento oper\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n<p>O CIO diz que seu m\u00e9todo visa \u201cganhar a maioria para o programa revolucion\u00e1rio\u201d, mas em nenhum momento diz que, para isso, \u00e9 necess\u00e1rio destruir politicamente a dire\u00e7\u00e3o reformista que influencia esta maioria. \u00c9 como se tudo fosse conseguido pacificamente, convencendo os trabalhadores da superioridade do partido revolucion\u00e1rio na luta comum com as forma\u00e7\u00f5es reformistas. E n\u00e3o uma luta \u00e0 morte contra estes agentes burgueses no movimento oper\u00e1rio, os reformistas e seus sat\u00e9lites neorreformistas. Vemos isso na pr\u00e1tica, na Inglaterra, onde o SP aplica seu m\u00e9todo particular de Frente \u00danica em rela\u00e7\u00e3o ao Partido Trabalhista, pelo qual chama a classe oper\u00e1ria a confiar e votar em Corbyn, enquanto faz t\u00edmidas cr\u00edticas \u00e0 sua pol\u00edtica (e sempre pela positiva, do tipo, que bom seria se Corbyn fizesse isso ou aquilo), pois \u00e9 ele que levar\u00e1 os trabalhadores ao socialismo, pela via eleitoral!<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 verdade que partidos burgueses ou pequeno-burgueses podem ter uma influ\u00eancia importante no movimento de massas e, \u00e0s vezes, hegem\u00f4nica, como foi Ch\u00e1vez na Venezuela. Como levar as massas a fazer experi\u00eancia com estas organiza\u00e7\u00f5es? No caso da Venezuela, a capitula\u00e7\u00e3o de quase toda a esquerda mundial ao \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d, ao defender Ch\u00e1vez, seu regime e sua pol\u00edtica, e ao propor a realiza\u00e7\u00e3o de frentes \u00fanicas contra o imperialismo, atrasou em muitos anos a efetiva\u00e7\u00e3o dessa experi\u00eancia. E agora quando as pr\u00f3prias massas, \u00e0 custa de enormes desastres e sofrimentos, chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que o chavismo, agora nas m\u00e3os de Maduro, \u00e9 uma corrente contrarrevolucion\u00e1ria, n\u00e3o veem uma alternativa \u00e0 esquerda e ficam sujeitas as alternativas burguesas do tipo de Guaid\u00f3. No caso da Inglaterra, est\u00e1 ocorrendo o mesmo. Nas recentes elei\u00e7\u00f5es locais, tanto os Tories quanto o Partido Trabalhista foram rejeitados pelas massas e levaram uma surra eleitoral, devido \u00e0s pol\u00edticas de austeridade aplicadas pelos Tories nacionalmente e pelos trabalhistas nas cidades sob seu controle. Por\u00e9m, a grande maioria da esquerda brit\u00e2nica, a se\u00e7\u00e3o do CIO inclu\u00edda, continua defendendo Corbyn, que agora negocia abertamente com Thereza May uma sa\u00edda para a crise do Brexit.<\/p>\n<p>Os revolucion\u00e1rios podem exigir que o trabalhismo brit\u00e2nico lute contra a austeridade imposta pelo governo e, se eles se puserem em a\u00e7\u00e3o, fazer uma unidade na luta, mas sem nunca deixar de denunci\u00e1-los por sua pr\u00f3pria pol\u00edtica de austeridade nas cidades que governam. Mas jamais delegar e chamar a depositar confian\u00e7a neste partido inimigo dos trabalhadores, mesmo que seja com a f\u00f3rmula de apoiar apenas os <em>corbynistas<\/em>.<\/p>\n<p>Por isso, os revolucion\u00e1rios diferenciam as v\u00e1rias t\u00e1ticas que podem ser aplicadas nestes casos, todas bem delimitadas e com objetivos precisos. E, todas elas, voltadas \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e, na luta comum, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es burguesas, pequeno-burguesas ou reformistas do movimento. Nahuel Moreno afirma que:<\/p>\n<p>\u201c<em>O trotskismo tem que combinar sua luta permanente e sistem\u00e1tica para tornar a classe oper\u00e1ria independente de todos os outros setores de classe e organiz\u00e1-la de forma independente, com a promo\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o em toda luta progressista, mesmo que n\u00e3o seja oper\u00e1ria. Se n\u00e3o agirmos assim, a classe oper\u00e1ria nunca ser\u00e1 a l\u00edder de todo o povo explorado e, o que \u00e9 mais s\u00e9rio, nossos partidos n\u00e3o ser\u00e3o os l\u00edderes da classe trabalhadora. <strong>O partido resolve essa contradi\u00e7\u00e3o promovendo todas as unidades de a\u00e7\u00e3o que s\u00e3o positivas para o desenvolvimento de qualquer luta de classes progressista<\/strong>. <strong>Mas a unidade de a\u00e7\u00e3o \u00e9 o oposto da frente<\/strong> [\u00fanica oper\u00e1ria], \u00e9 o oposto no tempo, na estrutura e no objetivo. Uma frente cria corpos relativamente permanentes, eleva a organiza\u00e7\u00e3o dos comit\u00eas da frente \u00fanica e uma opera\u00e7\u00e3o relativamente democr\u00e1tica da mesma, assim como a perman\u00eancia na a\u00e7\u00e3o. A unidade de a\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio, \u00e9 moment\u00e2nea, n\u00e3o cria nenhum \u00f3rg\u00e3o com funcionamento mais ou menos democr\u00e1tico, mas funciona por meio de acordos e mant\u00e9m a independ\u00eancia total das organiza\u00e7\u00f5es envolvidas. Ao contr\u00e1rio da frente, a unidade de a\u00e7\u00e3o \u00e9 passageira.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 por isso que somos pela unidade da a\u00e7\u00e3o anti-imperialista; pela unidade de a\u00e7\u00e3o das mulheres pelo aborto, pelo div\u00f3rcio ou pelo direito de voto, pela unidade de a\u00e7\u00e3o com qualquer partido pol\u00edtico para solicitar espa\u00e7os iguais na r\u00e1dio e na televis\u00e3o; para uma manifesta\u00e7\u00e3o com qualquer um que pe\u00e7a esses direitos democr\u00e1ticos contra um governo bonapartista e totalit\u00e1rio ou democr\u00e1tico-burgu\u00eas. Mas, n\u00e3o confundimos a unidade de a\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o de uma frente. Somos contra uma frente com partidos burgueses ou pequeno-burgueses para defender a democracia, mesmo quando concordamos com eles na defesa de certos pontos democr\u00e1ticos.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/p>\n<p>Pensamos que essa \u00e9 a melhor maneira de encarar a complexidade da luta de classes da atualidade onde, pela crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, surgem variantes traidoras (ou diretamente burguesas) de todos os tipos para enganar a classe trabalhadora e mant\u00ea-la submetida aos grilh\u00f5es do capitalismo.<\/p>\n<p><strong>Os erros do ISP n\u00e3o s\u00e3o os que o SI do CIO critica <\/strong><\/p>\n<p>O SP irland\u00eas afirma que n\u00e3o era correto fazer uma frente \u00fanica com o Sinn F\u00e9in na luta contra o imposto sobre a \u00e1gua, com o que concordamos. Por\u00e9m, seu racioc\u00ednio para negar esta frente \u00fanica \u00e9 puramente t\u00e1tico, e n\u00e3o de princ\u00edpios. N\u00e3o era pelo fato de o Sinn F\u00e9in ser um partido burgu\u00eas e sim porque este n\u00e3o queria lutar contra o imposto. Segundo o ISP o problema se reduzia a que essa posi\u00e7\u00e3o era impopular, e porque em fun\u00e7\u00e3o da proximidade das elei\u00e7\u00f5es, esse chamado n\u00e3o daria tempo de ter resultado vis\u00edvel e os impediria de capitalizar eleitoralmente. Isto \u00e9, um racioc\u00ednio puramente eleitoral. Vejamos o que diz o ISP:<\/p>\n<p>\u201c<em>Nosso foco n\u00e3o era o Sinn Fein. N\u00e3o houve acordo ou objetivo compartilhado, mesmo em palavras, entre n\u00f3s e o Sinn Fein ou seus membros sobre o imposto sobre a \u00e1gua. Por tr\u00e1s de uma oposi\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica \u00e0s cobran\u00e7as pela \u00e1gua, o Sinn Fein, na realidade, dizia que o povo acabaria pagando o imposto porque n\u00e3o se poderia vencer pela luta&#8230; N\u00f3s t\u00ednhamos pouco tempo para efetivar uma mudan\u00e7a nas inten\u00e7\u00f5es de voto se quis\u00e9ssemos alcan\u00e7ar a vit\u00f3ria para n\u00f3s mesmos e para o novo movimento. Isso n\u00e3o permitiu que houvesse tempo para um per\u00edodo de frente \u00fanica ou de luta comum com o Sinn Fein, ainda que, em palavras, houvesse sido poss\u00edvel.<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/p>\n<p>Na verdade \u00e9 na quest\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o frente a um poss\u00edvel governo de \u2018esquerda\u2019, que reside o grande erro estrat\u00e9gico do ISP, \u00e0 medida que se mant\u00e9m nos marcos da elabora\u00e7\u00e3o tradicional\u00a0 do CIO. No mesmo documento, o ISP admite que poderia fazer parte de um \u201cgoverno de esquerda\u201d que adotasse medidas radicais em favor dos trabalhadores e, caso n\u00e3o se chegasse a um acordo, sua bancada (na frente <em>Solidarity<\/em>, atualmente) apoiaria apenas as medidas que beneficiassem os trabalhadores e faria oposi\u00e7\u00e3o \u00e0quelas que n\u00e3o beneficiassem. Quem seria este governo de esquerda? Uma poss\u00edvel coaliz\u00e3o parlamentar que envolvesse \u201c<em>outros partidos [de esquerda] e Independentes<\/em>\u201d, isto \u00e9, com exce\u00e7\u00e3o do Labour, Fianna Fail e Fine Gael. Entre os \u201coutros partidos\u201d est\u00e1 o Sinn F\u00e9in. Para eles seria uma \u201c<em>posi\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um governo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia com esse tipo de governos tanto da social democracia como do stalinismo (nesse caso se aliando tamb\u00e9m aos setores burgueses ditos \u2018progressistas\u2019), nos anos 30 e nos anos 60-70, incluindo a propria Inglaterra j\u00e1 mostrou que s\u00e3o governos que est\u00e3o subordinados ao dom\u00ednio capitalista e submetidos ao estado burgu\u00eas. E atualmente, os partidos neorreformistas, como o Bloco de Esquerda apoiando o governo da Geringon\u00e7a, em Portugal, ou o Podemos na Espanha, apoiando o PSOE de S\u00e1nchez, reviveram essa t\u00e1tica dos social democratas e stalinistas com resultados igualmente desastrosos para os trabalhadores. Mas nessa quest\u00e3o, Paul Murphy n\u00e3o tem cr\u00edtica a fazer pois n\u00e3o difere de suas posi\u00e7\u00f5es sobre o tema.<\/p>\n<p><strong>Uma postura burocr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o poder\u00edamos terminar esta discuss\u00e3o sem apontar uma situa\u00e7\u00e3o grave aberta pela maioria do SI do CIO ao se ver em minoria no CEI que discutiu a quest\u00e3o irlandesa, ao lan\u00e7ar imediatamente uma fra\u00e7\u00e3o durante o pr\u00f3prio CEI, antes mesmo da discuss\u00e3o ter chegado \u00e0 base de suas se\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E fez isso acusando os dirigentes dos partidos que inicialmente opuseram-se \u00e0 pol\u00edtica da maioria do SI (B\u00e9lgica, Su\u00e9cia, Irlanda, EUA e Gr\u00e9cia) de formar uma fra\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o fra\u00e7\u00e3o\u201d pelo fato de terem organizado reuni\u00f5es por fora da plen\u00e1ria e agido coordenadamente nas reuni\u00f5es oficiais. Al\u00e9m disso, afirmou que havia a possibilidade de uma ruptura devido \u00e0 gravidade das diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, inicia uma discuss\u00e3o pr\u00e9-congressual acusando os dirigentes de alguns dos principais partidos do CIO de formar uma fra\u00e7\u00e3o secreta e fazendo pairar sobre a milit\u00e2ncia a possibilidade de uma ruptura internacional. Que esta situa\u00e7\u00e3o expressa um grave crise, se v\u00ea pelo fato de antes de a discuss\u00e3o realmente come\u00e7ar, j\u00e1 ter havido uma grave crise entre os aderentes da pr\u00f3pria fra\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada pela maioria do SI, com a sa\u00edda dos partidos espanhol, portugu\u00eas, venezuelano e mexicano do CIO.<\/p>\n<p>O CIO tem um peso forte dos dirigentes do partido ingl\u00eas em seu centro dirigente, em seu SI. Isso tem levado em v\u00e1rios momentos anteriores, que o peso dos dirigentes ingleses seja predominante sobre todo o restante dos partidos e isso distor\u00e7a o funcionamento da organiza\u00e7\u00e3o internacional. \u00c9 um fen\u00f4meno que ocorre tamb\u00e9m em outras correntes internacionais, favorecendo o que n\u00f3s chamamos nacional-trotskismo. Mas o que chamou a aten\u00e7\u00e3o nessa disputa \u00e9 um fato: o organismo eleito pelo congresso internacional \u00e9 o CEI e ele tem uma composi\u00e7\u00e3o mais diversificada enquanto o SI tem esse peso maior de dirigentes ingleses. Ou seja, tudo indica que as diferen\u00e7as que surgiram, tomaram essa dimens\u00e3o, com risco imediato de ruptura, devido a que o SI de maioria de dirigentes do SP ingl\u00eas e seus aliados, ficou em minoria no CEI e sua rea\u00e7\u00e3o abrupta tem a ver com a luta pelo controle da dire\u00e7\u00e3o e da organiza\u00e7\u00e3o contra a maioria do CEI e se n\u00e3o conseguem, est\u00e3o dispostos a romper o CIO.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que esse tipo de m\u00e9todo de constru\u00e7\u00e3o leva a um desgaste do trotskismo e da pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o leninista de partido na vanguarda que \u00e9 associada a esse tipo de postura burocr\u00e1tica. Evidentemente que diferen\u00e7as podem surgir frente \u00e0 luta de classes e a depender da profundidade delas podem gerar crises e inclusive a necessidade de divis\u00f5es em distintas organiza\u00e7\u00f5es pelas diferen\u00e7as program\u00e1ticas existentes. De acordo a forma que se d\u00ea, pode dar espa\u00e7o ao desenvolvimento dessas organiza\u00e7\u00f5es com suas respectivas posi\u00e7\u00f5es\u00a0 Mas n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que seja feito de forma burocr\u00e1tica. Esse tipo de metodologia faz com que suas consequ\u00eancias sejam destrutivas. Lamentavelmente este parece ser o caso do CIO.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Esta minoria\/maioria diz respeito \u00e0 vota\u00e7\u00e3o realizada no referido CEI. Os pa\u00edses que compuseram a maioria de 14 votos (contra 11) s\u00e3o: EUA, Brasil, B\u00e9lgica, \u00c1ustria, Gr\u00e9cia, Chipre, Irlanda, China\/Hong Kong\/Taiwan, R\u00fassia, Austr\u00e1lia, Su\u00e9cia, Israel-Palestina, Nig\u00e9ria e Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>O equivalente a Membros do Parlamento na Gr\u00e3-Bretanha. A Irlanda tem duas l\u00ednguas oficiais, o ingl\u00eas e sua l\u00edngua nativa, o ga\u00e9lico, de origem celta.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>Esta reuni\u00e3o foi realizada em 17-28 de mar\u00e7o em Londres, na qual o dirigente da se\u00e7\u00e3o espanhola, Juan Ignacio saiu da plen\u00e1ria gritando \u201cfomos enganados\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a><em>British Perspectives 2013: a Socialist Party congress document<\/em>, em\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.socialistparty.org.uk\/partydoc\/British_Perspectives_2013:_a_Socialist_Party_congress_document\/7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.socialistparty.org.uk\/partydoc\/British_Perspectives_2013:_a_Socialist_Party_congress_document\/7<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Idem<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>L. Trotsky, <em>The Political Backwardness of American Workers<\/em>, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/archive\/trotsky\/1940\/05\/backwardness.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/archive\/trotsky\/1940\/05\/backwardness.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Como hoje tanto a Irlanda quanto a Gr\u00e3-Bretanha fazem parte da UE, n\u00e3o h\u00e1 uma alf\u00e2ndega na fronteira entre Irlanda e Irlanda do Norte (submetida \u00e0 Inglaterra). Uma das principais discuss\u00f5es do <em>Brexit<\/em> \u00e9 sobre que tipo de alf\u00e2ndega existir\u00e1 nesta fronteira quando (e se) a Gr\u00e3-Bretanha deixar a UE. Nota: usamos Irlanda do Norte por ser a forma tradicional daquela parte da Irlanda ser chamada. No entanto, o correto \u00e9 dizer norte da Irlanda, pois se n\u00e3o, aceitamos a ocupa\u00e7\u00e3o inglesa e a divis\u00e3o artificial e for\u00e7ada feita pelo imp\u00e9rio ingl\u00eas, alegadamente (e mentirosamente) devido a diferen\u00e7as religiosas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>Citado em Paul Murphy, <em>The United Front method and putting forward a Socialist Programme today, <\/em>Members Bulletin, Documents on the dispute that arose at the IEC.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>Da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>Idem<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>Os cinco pontos propostos por Corbyn para fazer um acordo com o governo s\u00e3o: 1. Uma &#8220;uni\u00e3o aduaneira [com a UE] permanente e abrangente em todo o Reino Unido&#8221;, com voz em futuros acordos comerciais; 2. Alinhamento estreito com o mercado \u00fanico [da UE], sustentado por &#8220;institui\u00e7\u00f5es partilhadas&#8221;; 3. &#8220;Alinhamento din\u00e2mico em direitos e prote\u00e7\u00f5es&#8221;, para que os padr\u00f5es do Reino Unido n\u00e3o sejam inferiores aos da UE; 4. Compromissos claros sobre a futura participa\u00e7\u00e3o do Reino Unido nas ag\u00eancias da UE e nos programas de financiamento; 5. Acordos n\u00e3o amb\u00edguos sobre medidas futuras de seguran\u00e7a, como o uso do mandado de deten\u00e7\u00e3o europeu.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>Idem<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>L. Trotsky, <em>The Political Backwardness of American Workers<\/em>, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/archive\/trotsky\/1940\/05\/backwardness.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/archive\/trotsky\/1940\/05\/backwardness.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>Murphy critica severamente o documento majorit\u00e1rio do ISP por n\u00e3o usar a palavra <em>m\u00e9todo<\/em>, e sim <em>t\u00e1tica<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a>Paul Murphy, <em>The United Front method and putting forward a Socialist Programme today, <\/em>Members Bulletin, Documents on the dispute that arose at the IEC.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a><em>Brief Contribuition<\/em> (Breve Contribui\u00e7\u00e3o) \u00e9 o documento majorit\u00e1rio da dire\u00e7\u00e3o do ISP irland\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a>Paul Murphy&#8230; ver ref. 12.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a><em>Toward the United Front, Proceedings of the Fourth Congress of the Communist International<\/em>, 1922. Org: John Riddell. Chicago: Haymarket Books, 2012 p. 1164.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a>Idem, p. 1158.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>Nahuel Moreno, <em>Actualizaci\u00f3n del Programa de Transici\u00f3n<\/em>, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/actual\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/actual\/index.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>Laura F, Stephen B, Kevin M, Joe H, <em>A brief contribution on some political issues mentioned by PM<\/em> em Members bulletin: Documents on the dispute that arose at the IEC, 10\/10\/2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, v\u00e1rios Boletins de Discuss\u00e3o Interna (BDI) do Comit\u00ea por uma Internacional Oper\u00e1ria (CIO) foram divulgados em v\u00e1rios sites da Internet, inclusive em um da imprensa burguesa, o Irish Times.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":28154,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3523,49],"tags":[6239,7526,7527,7528,7529,5560,7530,1075],"class_list":["post-28153","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","category-polemica","tag-brexit","tag-comite-por-uma-internacional-operaria-cio","tag-consciencia-massas","tag-crise-no-cio","tag-diferencas-politicas-no-cio","tag-frente-unica","tag-lit-e-cio","tag-marcos-margarido"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/peterTaaffe.jpg","categories_names":["Opini\u00e3o","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28153","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28153"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28153\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28154"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}