{"id":28072,"date":"2019-05-23T11:58:23","date_gmt":"2019-05-23T13:58:23","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=28072"},"modified":"2019-05-23T11:58:23","modified_gmt":"2019-05-23T13:58:23","slug":"honduras-65-anos-da-greve-bananeira-um-programa-e-metodo-revolucionario-ainda-vigente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/05\/23\/honduras-65-anos-da-greve-bananeira-um-programa-e-metodo-revolucionario-ainda-vigente\/","title":{"rendered":"Honduras: 65 anos da Greve Bananeira, um programa e m\u00e9todo revolucion\u00e1rio ainda vigente"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cMaio leva gravado para o futuro o sentimento luminoso de uma grande vit\u00f3ria dos humildes. Maio \u00e9 um caminho de lutas com a perspectiva de grandiosas vit\u00f3rias para o povo hondurenho. Maio j\u00e1 \u00e9 um ideal, um programa e um m\u00e9todo revolucion\u00e1rio para a a\u00e7\u00e3o das massas pior reivindica\u00e7\u00f5es\u00a0de classes e pela libera\u00e7\u00e3o nacional\u201d. \u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ram\u00f3n Amaya Amador em Caminho de maio \u00e9 a vit\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Ingrid Alfaro<\/p>\n<p>Desde o primeiro de maio de 1886, em que os oper\u00e1rios norte-americanos entraram em Greve Geral contra as extensas jornadas de trabalho, j\u00e1 se passou 133 anos. Um marco hist\u00f3rico que mostrou o rosto mais duro do capitalismo e seus lacaios, mas que tamb\u00e9m demonstrou o poder da greve como m\u00e9todo revolucion\u00e1rio. A burguesia assassinou e prendeu os \u201cM\u00e1rtires de Chicago\u201d, s\u00edmbolos de luta para o proletariado mundial, convertendo-se assim o 01 de maio em um dia internacional de protestos para a classe trabalhadora, um dia de solidariedade, e, sobretudo de luta.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de Chicago, pelas oito horas de trabalho, chegou 68 anos depois a Honduras, em 1954. Nos \u00faltimos anos do s\u00e9culo XIX as companhias bananeiras chegaram ao pa\u00eds. Naqueles anos o contexto da regi\u00e3o passava pelo dom\u00ednio colonial de EUA que controlou o enclave bananeiro. A United Fruit Company e a Tela Railroad Company eram as transnacionais mais importantes, localizadas na Costa Norte, epicentro da greve bananeira.<\/p>\n<p>Como antessala, pequenos embri\u00f5es grevistas se desenvolviam no final da ditadura de Tiburcio Carias Andino (1933-1948), regime pol\u00edtico-militar que havia representado um retrocesso na organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria. Assim, no final dos 40 surgiu a organiza\u00e7\u00e3o antes dos primeiros sindicatos legalmente constitu\u00eddos com a vit\u00f3ria de 54. O pa\u00eds ainda experimentava os efeitos da crise econ\u00f4mica mundial de 1929, e os oper\u00e1rios recebiam sal\u00e1rios baixos e poucos direitos trabalhistas e sociais.<\/p>\n<p>Pr\u00e9vio ao 01 de maio de 1954, v\u00e1rios setores realizavam greves como os portu\u00e1rios de Puerto Cort\u00e9s, as enfermeiras e trabalhadores do hospital Tela, inclusive v\u00e1rios oper\u00e1rios foram presos, defendendo junto aos trabalhadores como \u00fanica sa\u00edda contra a repress\u00e3o fortalecimento da greve. Na primeira semana de maio todas as fazendas bananeiras haviam se somado a greve. Em 69 dias de greve os trabalhadores conquistaram a legisla\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria mais avan\u00e7ada do pa\u00eds com a aprova\u00e7\u00e3o do \u201cC\u00f3digo do Trabalho\u201d. Uma vit\u00f3ria que somente se pode explicar pelas caracter\u00edsticas da Greve Bananeira: democr\u00e1tica e oper\u00e1ria, ou seja, com independ\u00eancia de classe, e cujo m\u00e9todo de a\u00e7\u00e3o privilegiado foi \u00e0 greve.<\/p>\n<p><strong>Os campos bananeiros hoje<\/strong><\/p>\n<p>Em dezembro de 2017, em plena insurrei\u00e7\u00e3o contra a fraude eleitoral de JOH, mais de duas mil mulheres e homens dos hist\u00f3ricos campos bananeiros protagonizaram uma greve de 74 dias pelo respeito \u00e0 cl\u00e1usula de sa\u00fade no acordo coletivo, conseguindo a paralisa\u00e7\u00e3o das dez planta\u00e7\u00f5es, o que deixou preju\u00edzos milion\u00e1rios para a empresa Chiquita Honduras.<\/p>\n<p>A greve foi uma aut\u00eantica rebeli\u00e3o contra a patronal e contra a trai\u00e7\u00e3o da burocracia sindical do SITRATERCO, que negociava com a patronal sem pr\u00e9via consulta em suas bases. Os trabalhadores, 65 anos depois continuam sendo um exemplo n\u00edtido e digno de resist\u00eancia oper\u00e1ria, conseguindo em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o adversas como a fraude eleitoral e a repress\u00e3o da ditadura de JOH, a reintegra\u00e7\u00e3o dos trabalhadores demitidos pela patronal. Mas agora est\u00e3o tendo que enfrentar a persegui\u00e7\u00e3o sindical por parte do Comit\u00ea Executivo do SITRATERCO, que havia expulsado os principais dirigentes da greve por n\u00e3o ficar parados diante d trai\u00e7\u00e3o da burocracia sindical e os ataques patronais.<\/p>\n<p><strong>Na luta contra JOH quais li\u00e7\u00f5es devemos tomar da Greve Bananeira de 54?<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar queremos reivindicar a greve, e n\u00e3o os pactos e negocia\u00e7\u00f5es, como o m\u00e9todo correto para enfrentar a JOH. Na \u00faltima d\u00e9cada, com o golpe de Estado de 2009 e as posteriores fraudes eleitorais, muito rapidamente pareceu apagar da mem\u00f3ria de milhares de hondurenhos as li\u00e7\u00f5es de 54. A greve como m\u00e9todo revolucion\u00e1rio foi questionada e substitu\u00edda pela embriaguez eleitoral e o parlamentarismo in\u00fatil. Hoje, setores como o Partido Libre, pretendem que os trabalhadores depositem seus esfor\u00e7os nas elei\u00e7\u00f5es e n\u00e3o em organizar para que seja a mobiliza\u00e7\u00e3o e a greve que derrote JOH e o imperialismo.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a independ\u00eancia de classe \u00e9 fundamental. Os oper\u00e1rios dos campos de bananeiras, como os oper\u00e1rios de Chicago, n\u00e3o confiaram em nenhuma tend\u00eancia burguesa. Ao contr\u00e1rio, na luta contra JOH os trabalhadores t\u00eam confiado cegamente nos setores da burguesia que dizem fazer oposi\u00e7\u00e3o a JOH, mas suas a\u00e7\u00f5es, na realidade, t\u00eam contribu\u00eddo para mant\u00ea-lo na cadeira presidencial. Assim aconteceu quando uma parte da <em>Alianza <\/em>contra a Oposi\u00e7\u00e3o sentou para conversar com o ditador, e a outra passou a negociar reformas eleitorais no Congresso Nacional. De fundo, os partidos pol\u00edticos que participaram nas elei\u00e7\u00f5es contra JOH, ao ter em suas filas empres\u00e1rios e burgueses, n\u00e3o v\u00e3o ter acordo em uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria para o pa\u00eds, v\u00e3o privilegiar as negocia\u00e7\u00f5es e os pactos porque isso n\u00e3o atenta contra seus privil\u00e9gios de classe.<\/p>\n<p>Este fator tamb\u00e9m explica, em boa medida, porque a luta contra a fraude perdeu o car\u00e1ter insurrecional com o qual surgiu. A diferen\u00e7a \u00e9 que no in\u00edcio nenhum setor burgu\u00eas teve controle do processo, mas \u00e0 medida que o caudilhismo de <em>Mel Zekaya<\/em>, <em>Salvador Nasralla<\/em> e a c\u00fapula do <em>Libre<\/em> foram capitalizando o processo, a insurrei\u00e7\u00e3o se desmobilizou, o que permitiu ao regime avan\u00e7ar em suas medidas repressivas para terminar derrotando a insurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, nenhum processo revolucion\u00e1rio triunfar\u00e1 se n\u00e3o for totalmente democr\u00e1tico. O caudilhismo como m\u00e9todo de condu\u00e7\u00e3o \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 democracia oper\u00e1ria. Os trabalhadores em 54 o entenderam t\u00e3o bem que, se o Comit\u00ea de Greve negociava sem consultar, depois deveria se retratar frente a patronal. A democracia oper\u00e1ria est\u00e1 hoje ausente nas centrais oper\u00e1rias, prova disso \u00e9 que cada ano pactuam sal\u00e1rios de fome com a ditadura e os empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos dizendo que, ao completar 65 anos daquela heroica greve, os trabalhadores sob a ditadura de JOH, e, sobretudo as mulheres e os jovens, perderam, quase em sua totalidade, as conquistas trabalhistas que a mesma greve havia conquistado. H\u00e1 uma d\u00e9cada o Estado vem aprofundando suas medidas neoliberais em uma evidente ofensiva colonial do imperialismo. Empresas estatais como a ENEE, Hondutel, SANAA e agora o INFOP, s\u00e3o v\u00edtimas da privatiza\u00e7\u00e3o. Os empregos tempor\u00e1rios por agora, e o plano 22\/20 vieram para deixar sem direitosa milhares de trabalhadores, o desemprego cresce, e nosso povo tem que fugir em caravanas ante a mis\u00e9ria que impera no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ante essa dolorosa realidade o PST prop\u00f5e que voltemos ao caminho de maio, ao caminho da vit\u00f3ria. Propomos a constru\u00e7\u00e3o de uma Frente de Defesa da Classe Trabalhadora que lute pelas liberdades democr\u00e1ticas dos trabalhadores, por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, e contra todos os ajustes da ditadura. Na perspectiva de aglomerar a todos os setores dispostos a lutar contra a ditadura de JOH.<\/p>\n<p><strong>Que viva a luta da classe oper\u00e1ria!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por um 1\u00ba de maio para lutar e n\u00e3o para festejar!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por uma Frente de Defesa da Classe Trabalhadora!<\/strong><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: T\u00falio Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cMaio leva gravado para o futuro o sentimento luminoso de uma grande vit\u00f3ria dos humildes. Maio \u00e9 um caminho de lutas com a perspectiva de grandiosas vit\u00f3rias para o povo hondurenho. 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