{"id":2801,"date":"2013-09-27T02:19:56","date_gmt":"2013-09-27T02:19:56","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2013\/09\/27\/economia-a-beira-do-abismo-demos-um-passo-em-frente\/"},"modified":"2013-09-27T02:19:56","modified_gmt":"2013-09-27T02:19:56","slug":"economia-a-beira-do-abismo-demos-um-passo-em-frente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2013\/09\/27\/economia-a-beira-do-abismo-demos-um-passo-em-frente\/","title":{"rendered":"Economia \u00e0 beira do abismo. Demos um passo em frente?"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"194\" hspace=\"4\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/portugal1.jpg\" vspace=\"6\" width=\"291\" \/>No segundo trimestre de 2013, registou-se um crescimento do PIB de 1,1% face ao trimestre anterior. Falamos de um aumento de riqueza absoluta, entre estes dois trimestres, de cerca de 400 milh&otilde;es de euros. O que contribuiu para este crescimento? (1) Um aumento do investimento por <\/span><\/span><br \/>\n\t<!--more--><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">parte das empresas; (2) um ligeiro aumento do consumo privado, principalmente electr&oacute;nica, electrodom&eacute;sticos e outros bens duradouros; e (3) um aumento do saldo positivo da balan&ccedil;a comercial, ou seja, o aumento das exporta&ccedil;&otilde;es foi superior ao aumento das importa&ccedil;&otilde;es. Pesadas as coisas, este crescimento &eacute; explicado em 70% pelo aumento da procura interna.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A par deste crescimento da riqueza, tamb&eacute;m a taxa de desemprego diminuiu de 17,7%, no primeiro trimestre, para 16,4%. Onde o setor prim&aacute;rio, nomeadamente a agricultura, passou a empregar mais 46 mil trabalhadores e os servi&ccedil;os mais 33 mil trabalhadores, face ao trimestre anterior.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&Eacute; importante destacar a influ&ecirc;ncia sazonal neste recrudescimento econ&oacute;mico. &Eacute; comum que o segundo trimestre se caracterize por um certo acelerar da atividade econ&oacute;mica (muito por influ&ecirc;ncia do turismo e, em parte, pelo setor agr&iacute;cola), o que tem os seus reflexos no emprego.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No entanto, este efeito sazonal n&atilde;o &eacute; desligado da conjuntura pol&iacute;tica. As mobiliza&ccedil;&otilde;es massivas de 15 de Setembro de 2012, para al&eacute;m de travarem as altera&ccedil;&otilde;es &agrave; TSU, aprofundaram em grande medida a instabilidade no governo e no conjunto do regime. Das v&aacute;rias remodela&ccedil;&otilde;es governativas j&aacute; feitas, desde a sua tomada de posse, as mais emblem&aacute;ticas deram-se na sequ&ecirc;ncia de sucessivas vagas de descontentamento popular. Esta instabilidade governativa pressionou o abrandamento do ritmo da aplica&ccedil;&atilde;o das medidas de austeridade, o que, conjugado com a sazonalidade, ter&aacute; contribu&iacute;do para que as expectativas de consumo e investimento tenham tamb&eacute;m suavizado o seu pessimismo. As lutas, ao travarem o governo permitiram a parte da popula&ccedil;&atilde;o retomar modestamente algum consumo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">De qualquer forma, este &eacute; um crescimento insignificante quando comparado com a destrui&ccedil;&atilde;o produtiva a que assistimos nos &uacute;ltimos anos. Entre o quarto trimestre de 2010 e o primeiro trimestre de 2013, a economia portuguesa mergulhou num processo cont&iacute;nuo de destrui&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o dez trimestres consecutivos em contrac&ccedil;&atilde;o naquilo que foi uma queda de cerca de 7,2% do PIB (- 3.000 milh&otilde;es de euros) e um aumento do desemprego de 11,1% para 17,7% (+ 333 mil desempregados). <b>Em termos absolutos, no primeiro trimestre deste ano, regress&aacute;mos ao n&iacute;vel de riqueza do ano 2000 e alcan&ccedil;&aacute;mos uma taxa de desemprego nunca antes registada.<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Quanto aos juros da d&iacute;vida p&uacute;blica a 10 anos, estes voltaram a ultrapassar a barreira que, em Abril de 2011, levou o Governo PS a abrir portas &agrave; interven&ccedil;&atilde;o da Troika &ndash; acima dos 7%. Isto comprova que todos os cortes at&eacute; agora impostos, mesmo excedendo o plano da Troika, apenas serviram para proteger os interesses e privil&eacute;gios dos ricos e poderosos atrav&eacute;s do forte esmagamento das condi&ccedil;&otilde;es de vida de toda uma popula&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o est&aacute; descartado que o arruinado &ldquo;bom aluno&rdquo; possa estar novamente pr&oacute;ximo de um segundo plano de empobrecimento.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Poder&aacute; ent&atilde;o ser este o ponto de viragem da economia portuguesa? Acreditamos que n&atilde;o. As causas deste crescimento moment&acirc;neo evidenciam que nenhuma ac&ccedil;&atilde;o foi tomada, por este Governo, para que a crise seja resolvida. A nossa estrutura produtiva continua d&eacute;bil e dependente. Apenas importamos menos porque o nosso rendimento sofreu fortes diminui&ccedil;&otilde;es. O d&eacute;fice das contas p&uacute;blicas, relativo ao primeiro trimestre deste ano, situou-se nos 10,6% do PIB (4.167 milh&otilde;es de euros). Nos primeiros seis meses do ano, a d&iacute;vida p&uacute;blica continuou a aumentar, tendo atingido os insustent&aacute;veis 130,9% do PIB.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Como se n&atilde;o bastasse, at&eacute; 2015, ser&aacute; imposto um corte na despesa p&uacute;blica na ordem dos 4.800 milh&otilde;es de euros que incidir&aacute; em grande medida sobre os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos e pensionistas: despedimentos na ordem dos 30 mil funcion&aacute;rios p&uacute;blicos; aumento do seu hor&aacute;rio de trabalho semanal; revis&atilde;o da sua tabela remunerat&oacute;ria; redu&ccedil;&atilde;o de f&eacute;rias; aumento dos descontos para a ADSE; passagem da idade da reforma para os 66 anos; cortes nas pens&otilde;es&hellip; Entre outras medidas que podem sair a qualquer momento da &ldquo;cartola&rdquo; da Troika, como vimos em Chipre. O in&iacute;cio ca&oacute;tico do ano lectivo, neste Setembro, &eacute; j&aacute; exemplificativo das consequ&ecirc;ncias geradas pelo continuar da pilhagem organizada pelo Governo PSD-CDS\/PP e Troika.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Portanto, por muito que nos custe diz&ecirc;-lo, ser&aacute; dif&iacute;cil assistirmos a um crescimento duradouro e criador de emprego nos pr&oacute;ximos anos. &Eacute; urgente a demiss&atilde;o do Governo e a rejei&ccedil;&atilde;o dos pacotes de austeridade impostos pela Troika. Os recursos agora canalizados para o pagamento da d&iacute;vida e dos seus juros dever&atilde;o ser direcionados para o investimento na economia. N&atilde;o h&aacute; verdadeira renegocia&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida que n&atilde;o come&ccedil;a por a&iacute;: suspens&atilde;o do pagamento e investimento no emprego. S&oacute; novas vagas de luta, como vimos no Brasil ou na Turquia, ou mesmo com o 15 de Setembro em Portugal podem reverter a situa&ccedil;&atilde;o. Quanto mais cedo melhor.<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No segundo trimestre de 2013, registou-se um crescimento do PIB de 1,1% face ao trimestre anterior. Falamos de um aumento de riqueza absoluta, entre estes dois trimestres, de cerca de 400 milh&otilde;es de euros. O que contribuiu para este crescimento? 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