{"id":27978,"date":"2019-05-16T16:09:42","date_gmt":"2019-05-16T18:09:42","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=27978"},"modified":"2019-05-16T16:09:42","modified_gmt":"2019-05-16T18:09:42","slug":"cabanagem-1835-1840-uma-revolucao-radical-no-coracao-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/05\/16\/cabanagem-1835-1840-uma-revolucao-radical-no-coracao-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Cabanagem (1835-1840): Uma revolu\u00e7\u00e3o radical no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><em>Na madrugada de 7 janeiro de 1835, foi assassinado o primeiro presidente da Prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 (hoje estados do Par\u00e1, Amazonas, Amap\u00e1 e Roraima), Bernardo Lobo de Souza. Junto com ele foram assassinados o vice-presidente, o comandante das armas e o comandante da esquadra da marinha. Os corpos foram arrastados pelas ruas da cidade.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Socorro Aguiar<\/p>\n<p>Explodia a maior e mais radical insurrei\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do Brasil. Influenciada pelos ideais das revolu\u00e7\u00f5es francesa e norte-americana, e pelas revolu\u00e7\u00f5es negras no Haiti e em Caiena, a Cabanagem foi dirigida por ind\u00edgenas (maioria tapuios, ind\u00edgenas destribalizados, camponeses semiescravos), negros escravizados e pobres que conseguiram ficar dez meses no poder. O nome da revolu\u00e7\u00e3o deve-se ao fato de seus protagonistas morarem em cabanas \u00e0 beira dos rios.<\/p>\n<p>Na Prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a revolu\u00e7\u00e3o durou cinco anos e derrotou o poder imperial. Como toda verdadeira revolu\u00e7\u00e3o, destruiu o poder militar e armou todo o povo. Sem uniformes, sem soldos e elegendo seus comandantes.<\/p>\n<p>A Cabanagem foi a mais sangrenta guerra civil do Brasil e, muito provavelmente, de toda a Am\u00e9rica Latina. Calcula-se que mais de 40 mil cabanos foram mortos. Grupos populares armados ocupavam as cidades e matavam os brancos ricos, latifundi\u00e1rios e senhores de escravos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/cabana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-27980 aligncenter\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/cabana-300x182.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"182\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/cabana-300x182.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/cabana-150x91.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/cabana.jpg 304w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Causas da Cabanagem<\/strong><\/p>\n<p>O isolamento da prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 diante da Corte no Rio de Janeiro gerou uma desconfian\u00e7a da classe dominante local. Por isso, havia grande expectativa de que a situa\u00e7\u00e3o mudasse ap\u00f3s a independ\u00eancia de Portugal. Mas, ao ser mantida a estrutura pol\u00edtica e econ\u00f4mica nas m\u00e3os da Coroa, a situa\u00e7\u00e3o se deteriorou.<\/p>\n<p>O descontentamento era geral: setores aristocr\u00e1ticos-burgueses queriam o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio, j\u00e1 que o poder imperial os sobretaxava em impostos para sustentar o luxo da Corte. O clero e os liberais queriam participar do aparato pol\u00edtico local, defendendo uma rep\u00fablica livre do governo imperial. As camadas populares exploradas e escravizadas queriam melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e o fim do servilismo e escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Setores capitalistas utilizaram a ma\u00e7onaria e uma parte da igreja, incorporaram pequenos burgueses, comerciantes e at\u00e9 grandes propriet\u00e1rios na defesa de seus interesses. Essa uni\u00e3o liberal criou um ambiente de agita\u00e7\u00e3o que colocou em movimento as for\u00e7as populares \u2013 negros, ind\u00edgenas e camponeses. Influenciados pelas ideias radicais de Fran\u00e7ois Babeuf, um comunista franc\u00eas, aspiravam o fim da escravid\u00e3o, terra e trabalho. Por este motivo, entraram em choque com seus l\u00edderes que n\u00e3o almejavam uma verdadeira liberdade, e superaram suas lideran\u00e7as, mesmo sem um programa claro.<\/p>\n<p>Essa uni\u00e3o geral no in\u00edcio da Cabanagem foi sua for\u00e7a e ao mesmo tempo sua fraqueza, quando os cabanos chegaram ao poder. Os l\u00edderes burgueses e pequeno-burgueses do movimento se passaram para o lado dos inimigos do povo.<\/p>\n<p><strong>Antecedentes<\/strong><\/p>\n<p>Tr\u00eas meses ap\u00f3s a ades\u00e3o \u00e0 independ\u00eancia, o povo estava indignado com a falta de mudan\u00e7a e protagonizou imensos tumultos, com os soldados amotinados. A repress\u00e3o foi violenta\u00e9 e mais de cem soldados e 256 civis encarcerados nos por\u00f5es do Brigue S\u00e3o Jos\u00e9 Diligente morreram asfixiados com cal nos rostos. A trag\u00e9dia do Brigue Palha\u00e7o, como ficou conhecida, gerou um profundo \u00f3dio aos portugueses, brancos e a todos os estrangeiros.<\/p>\n<p>Foi nesse momento que iniciaram as chamadas \u201cdesordens populares\u201d. Em Camet\u00e1, a mais pr\u00f3spera cidade depois de Bel\u00e9m, houve uma grande rebeli\u00e3o negra, que levou a Junta Provis\u00f3ria a liberar armas para combater os escravos. Os doze anos de turbul\u00eancias, que ficaram conhecidas como motins\u00a0pol\u00edticos, culminariam na cabanagem. Mas a fase decisiva seria a abdica\u00e7\u00e3o de Dom Pedro I ao trono e o per\u00edodo da reg\u00eancia (1831-1840).<\/p>\n<p><strong>A trai\u00e7\u00e3o dos governos cabanos<\/strong><\/p>\n<p>Clemente Malcher: militar, latifundi\u00e1rio e dono de engenhos de a\u00e7\u00facar, entrou em conflito com o ex\u00e9rcito cabano traindo seus interesses, jurando fidelidade ao imperador e declarando que permaneceria no poder at\u00e9 a maioridade do herdeiro do trono. Depois de prender Angelim, come\u00e7a o conflito entre os dois grupos cabanos. Malcher \u00e9 deposto em 19 de fevereiro de 1835, assassinado e tem seu cad\u00e1ver arrastado pelas ruas de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Os \u00faltimos governos<\/strong><\/p>\n<p>Francisco Vinagre assume como o segundo governador Cabano. Mas tamb\u00e9m se declara fiel ao governo imperial e se diz disposto a negociar. O imp\u00e9rio organiza numerosa for\u00e7a militar e enfrenta a rebeli\u00e3o. Com o apoio do pr\u00f3prio Vinagre, toma Bel\u00e9m em julho 1835 prometendo anistia aos revolucion\u00e1rios, que, lembrando do massacre do Brigue Palha\u00e7o, n\u00e3o entregam as armas e refugiam-se no interior. Francisco Vinagre foi preso, mesmo traindo a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os cabanos, indignados, reorganizam suas for\u00e7as e atacam novamente Bel\u00e9m sob o comando de Antonio Vinagre e Eduardo Angelim, em 14 de agosto de 1835. Ap\u00f3s nove dias de batalha, mesmo com a morte de Ant\u00f4nio Vinagre, os cabanos retomaram a capital.<\/p>\n<p>Eduardo Angelim foi aclamado pelos cabanos o novo presidente, e durante dez meses a elite se viu atemorizada pelo controle cabano sobre a prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1.<\/p>\n<p>Sem projeto pol\u00edtico consistente, muito menos revolucion\u00e1rio, novas trai\u00e7\u00f5es e conflitos entre os l\u00edderes do movimento provocaram seu enfraquecimento. Mesmo governando por dez meses, n\u00e3o aboliram a escravid\u00e3o nem proclamaram a independ\u00eancia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 e Rio Negro. N\u00e3o canalizaram as for\u00e7as das massas para as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Os cabanos confiaram seus desejos de liberdade e dias melhores a l\u00edderes latifundi\u00e1rios, brancos escravagistas, como eram os tr\u00eas governos cabanos. Foram tra\u00eddos por todos eles. Mas \u00e0 medida em que a guerra se acirrou eles abandonaram essas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O imp\u00e9rio contra-ataca<\/strong><\/p>\n<p>O imp\u00e9rio reagiu. Em fevereiro de 1836, quatro navios de guerra bloquearam Bel\u00e9m, deixando-a tomada pela desordem, fome e var\u00edola. Os cabanos insurgentes escaparam pelos igarap\u00e9s em canoas, enquanto Eduardo Angelim e alguns l\u00edderes negociavam a fuga. Eduardo Angelim conseguiu furar o bloqueio naval e se refugiou no interior. Mas em outubro de 1836, numa tapera na selva, ao lado de sua esposa, Angelim foi capturado.<\/p>\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o se espalha<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, a Cabanagem j\u00e1 havia se espalhado pela grande v\u00e1rzea do rio Amazonas. Em 6 de mar\u00e7o de 1836, a Barra do Rio Negro (hoje Manaus) foi tomada pelos cabanos, comandados pelo caboclo Maparajuba. Assim, a cabanagem n\u00e3o acabou depois da pris\u00e3o de Angelim, mas \u201calastrou-se com fogo em relva ressequida\u201d.<\/p>\n<p><strong>Banho de sangue para servir de exemplo<\/strong><\/p>\n<p>A cabanagem notabilizou-se pela \u201cefetiva e dominante participa\u00e7\u00e3o das massas\u201d e pela \u201cascens\u00e3o de l\u00edderes dos mais baixos estratos da sociedade\u201d, reconheceu Gustavo Moraes Rego Rei, intelectual da ditadura militar que escreveu o livro \u201cA Cabanagem. Um Epis\u00f3dio Hist\u00f3rico de Guerra Insurrecional na Amaz\u00f4nia\u201d.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida alguma, a forte participa\u00e7\u00e3o popular fez com que as classes dominantes fossem particularmente cru\u00e9is com a repress\u00e3o ao levante. A sanguin\u00e1ria repress\u00e3o pretendia servir de exemplo para todos os setores populares que ousassem a se levantar contra a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1839, para p\u00f4r fim ao movimento, o governo regencial anistiou todos os participantes da cabanagem. Mas os cabanos, internados na selva, resistiram e lutaram at\u00e9 1840, quando foram completamente exterminados. Entre tropas governamentais e revolucion\u00e1rios, a popula\u00e7\u00e3o do Par\u00e1, de cerca de 100 mil habitantes, foi reduzida a 60 mil. Mais de trinta mil caboclos e ind\u00edgenas morreram durante a insurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A luta cabana incluiu as na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas mais guerreiras da Amaz\u00f4nia, os Mur\u00e1 e os Mau\u00ea, que foram dizimados pela repress\u00e3o. Foi nessa fase, genuinamente cabana, que se sobressa\u00edram as grandes lideran\u00e7as negras, a maioria escrava, como Apolin\u00e1rio Maparajuba e Jac\u00f3 Pataxo. A heroica resist\u00eancia dos negros, ind\u00edgenas e camponeses ser\u00e1 tema para o pr\u00f3ximo artigo desta s\u00e9rie.<\/p>\n<p><strong>LINHA DO TEMPO<\/strong><\/p>\n<p><strong>4 de dezembro de 1833<\/strong><\/p>\n<p>Bernardo Lobo de Souza \u00e9 empossado e desencadeia a repress\u00e3o contra as rebeli\u00f5es populares que ocorrem no Gr\u00e3o Par\u00e1, mas n\u00e3o cont\u00e9m os conflitos.<\/p>\n<p><strong>Janeiro de 1834<\/strong><\/p>\n<p>Lobo de Sousa, buscando reorganizar o ex\u00e9rcito e a marinha, recruta pessoas das classes exploradas. As For\u00e7as Armadas se enchem de mesti\u00e7os, enraivecidos por s\u00e9culos de explora\u00e7\u00e3o e dom\u00ednio de brancos e portugueses. Usam sua l\u00edngua geral da Amaz\u00f4nia, o nheengatu, para n\u00e3o serem compreendidos.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es de rua se multiplicam e o governo reage prendendo as lideran\u00e7as. Os l\u00edderes da revolta Batista Campos e seu grupo, F\u00e9lix Clemente Malcher, os irm\u00e3os Ant\u00f4nio, Manuel e Francisco Vinagre e o jovem Eduardo Angelim refugiam-se na fazenda de Malcher, onde foi planejada a resist\u00eancia armada. As for\u00e7as militares incendeiam a fazenda, matando Manuel Vinagre e prendendo Malcher e outros l\u00edderes. Aumenta a revolta em Bel\u00e9m e o destacamento militar de Abaet\u00e9 se rebela.<\/p>\n<p><strong>31 de dezembro de 1834<\/strong><\/p>\n<p>Morre o Con\u00eago Batista Campos, em seu esconderijo na floresta, v\u00edtima de infec\u00e7\u00e3o em um ferimento no rosto, enquanto fazia a barba.<\/p>\n<p><strong>6 de janeiro de 1835<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte do c\u00f4nego, o grupo se rearticula em quatro frentes e ataca Bel\u00e9m. Os cabanos exibiam os distintivos vermelhos que caracterizavam a organiza\u00e7\u00e3o de Batista Campos. Em 6 de janeiro de 1835, mais de 1.000 combatentes, de Bel\u00e9m e do interior, empunhando espingardas, mosquet\u00f5es, foices e espadas se escondiam nas matas ao redor da cidade. Os rebeldes ocuparam a Fortaleza da Barra e o trem de guerra que guardava o paiol, armas e muni\u00e7\u00f5es. O quartel e o pal\u00e1cio do governo de Bel\u00e9m foram tomados pelos cabanos. Lobo de Souza foi morto \u00e0 bala pelo \u00edndio tapuio. Foram trucidados dezenas de portugueses e o comandante das armas. F\u00e9lix Malcher foi solto e aclamado novo presidente. Os cabanos estavam no poder!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na madrugada de 7 janeiro de 1835, foi assassinado o primeiro presidente da Prov\u00edncia do Gr\u00e3o-Par\u00e1 (hoje estados do Par\u00e1, Amazonas, Amap\u00e1 e Roraima), Bernardo Lobo de Souza. Junto com ele foram assassinados o vice-presidente, o comandante das armas e o comandante da esquadra da marinha. 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