{"id":27829,"date":"2019-05-09T15:38:52","date_gmt":"2019-05-09T17:38:52","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=27829"},"modified":"2019-05-09T15:38:52","modified_gmt":"2019-05-09T17:38:52","slug":"o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/05\/09\/o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao\/","title":{"rendered":"O Conselho de Deputados Trabalhadores (Oper\u00e1rios) e a Revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>O texto de Trotsky que socializamos aos camaradas \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o que trata da import\u00e2ncia dos conselhos de trabalhadores e seu papel na organiza\u00e7\u00e3o da classe. N\u00e3o \u00e9 fruto de uma imagina\u00e7\u00e3o ou inventividade, mas a constata\u00e7\u00e3o do que existia no mundo objetivo, concreto e real.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Jean Menezes<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o massacre de 1905, na cidade de S\u00e3o Petersburgo, o Domingo Sangrento, a classe trabalhadora russa desenvolve uma arma poderosa de organiza\u00e7\u00e3o e luta contra o czarismo. Esta arma tornou-se uma ferramenta fundamental como m\u00e9todo de organiza\u00e7\u00e3o do futuro Partido Bolchevique e ainda hoje \u00e9 reivindicada como forma de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na luta contra a burguesia: os Soviets. Em portugu\u00eas: os conselhos. Uma forma de organiza\u00e7\u00e3o de vanguarda que foi respons\u00e1vel por criar um ensaio de organiza\u00e7\u00e3o de duplo poder na R\u00fassia czarista e que marca o in\u00edcio, na longa dura\u00e7\u00e3o, da maior Revolu\u00e7\u00e3o Socialista at\u00e9 hoje: a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917. O texto de Trotsky est\u00e1 originalmente dividido em VI partes, aqui apresentamos as duas primeiras. As demais ser\u00e3o apresentadas em publica\u00e7\u00f5es posteriores para o Blog Teoria e Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Trotsky<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao\/#sdfootnote1sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>1<\/sup><\/a> escreveu este artigo, originalmente em 1906, com o t\u00edtulo \u201cSoviet e Revolu\u00e7\u00e3o: cinquenta dias\u201d, onde nos mostra que a classe trabalhadora \u00e9 plenamente capaz de governar sem a burguesia, sem o czar! Isso desmascara um universo de ideologias que at\u00e9 o nosso tempo presente \u00e9 disseminada pelos cantos do mundo. A verdade \u00e9 que a classe trabalhadora n\u00e3o necessita da burguesia para viver e \u00e9 suficiente para conduzir a produ\u00e7\u00e3o com o trabalho associado, ou seja, a classe \u00e9 capaz de fazer exatamente tudo aquilo que a burguesia n\u00e3o deseja e n\u00e3o nos permite: ditar revolucionariamente o poder de acordo com as necessidades da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>_____****_____<\/p>\n<p><strong>O Conselho de Deputados Trabalhadores (Oper\u00e1rios) e a Revolu\u00e7\u00e3o \u2013 Leon Trotsky: Partes 1 e 2<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do conselho (soviets) dos deputados trabalhadores (oper\u00e1rios) de S\u00e3o Petersburgo \u00e9 a hist\u00f3ria de cinquenta dias. De 13 de outubro de 1905, em que se celebrou a sess\u00e3o fundacional at\u00e9 3 de dezembro, quando foi dissolvido pelas tropas governamentais.<\/p>\n<p>Como conseguiu em t\u00e3o pouco tempo uma posi\u00e7\u00e3o indiscut\u00edvel, n\u00e3o s\u00f3 na hist\u00f3ria do proletariado russo, mas tamb\u00e9m na da revolu\u00e7\u00e3o russa?<\/p>\n<p>O Conselho organizava as massas, dirigia as greves pol\u00edticas e as manifesta\u00e7\u00f5es, armava os trabalhadores\u2026<\/p>\n<p>Outras organiza\u00e7\u00f5es haviam feito o mesmo antes, faziam ao mesmo tempo e continuaram fazendo at\u00e9 a sua dissolu\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m a diferen\u00e7a consistia em que o conselho era, ou ao menos inspirava a ser, um \u00f3rg\u00e3o de poder. O proletariado, e a imprensa reacion\u00e1ria, denominavam o conselho como \u201cgoverno oper\u00e1rio\u201d, e de fato o conselho representava realmente um embri\u00e3o de governo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O conselho exercia o poder onde quer que j\u00e1 estivesse em suas m\u00e3os e lutou por ele onde ainda residia nas m\u00e3os do estado policial-militar. Antes do conselho j\u00e1 existiam organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias prolet\u00e1rias, em sua maior parte socialdemocratas. Porem se tratava de organiza\u00e7\u00f5es que evolu\u00edram em seu meio e cuja luta visava como objetivo intentar conquistar influencia entre as massas. O conselho em si era a organiza\u00e7\u00e3o do proletariado e seu objetivo era a luta pelo poder revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o conselho era a express\u00e3o organizada da vontade de classe do proletariado. Na luta pelo poder, aplicava os m\u00e9todos que implica o fato de o proletariado ser uma classe: seu papel na produ\u00e7\u00e3o, sua massa, sua homogeneidade social. Ademais, vinculava a luta pelo poder a dire\u00e7\u00e3o imediata de toda atividade social aut\u00f4noma da massa trabalhadora; muitas vezes se encarregava de arbitrar os conflitos entre os representantes individuais do capital e o trabalho.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, assim mesmo, conduziu a vit\u00f3ria diversas greves e mediou com \u00eaxito em diversos conflitos entre trabalhadores e patr\u00f5es, n\u00e3o foi porque existia expressamente para estas tarefas. Ao contr\u00e1rio, ali, onde existia um sindicato potente este se mostrava t\u00e3o disposto quanto o conselho para dirigir a luta sindical; a interven\u00e7\u00e3o do conselho s\u00f3 tinha import\u00e2ncia em fun\u00e7\u00e3o da autoridade universal que gozava. Uma autoridade que se devia ao fato de cumprir com suas tarefas fundamentais, as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o, que iam muito al\u00e9m aos limites de cada oficio e de cada cidade e conferiam ao proletariado, como classe, um lugar entre as primeiras filas de combatentes.<\/p>\n<p>O instrumento principal do conselho foi a greve pol\u00edtica de massas. Uma greve deste tipo tem a virtude de desorganizar o poder do Estado. E quanto maior for a \u201canarquia\u201d que se produzir, mais pr\u00f3xima est\u00e1 a greve de conseguir seus objetivos. Por\u00e9m, isso s\u00f3 \u00e9 certo se esta anarquia chega por meios n\u00e3o anarquistas. A classe que dias atr\u00e1s fez funcionar o aparato de produ\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo a maquinaria do poder, a classe que parando de trabalhar em bloco n\u00e3o s\u00f3 paralisa a ind\u00fastria, mas todo o aparato estatal deve estar suficientemente organizado para n\u00e3o converter-se na primeira v\u00edtima da anarquia que originou. Quanto em maior medida a greve estrangular a organiza\u00e7\u00e3o estatal existente, em maior medida deve assumir a organiza\u00e7\u00e3o da greve as fun\u00e7\u00f5es de Estado.<\/p>\n<p>O conselho dos deputados trabalhadores proclamou a liberdade de imprensa. Organizou patrulhas de rua para garantir a seguran\u00e7a dos cidad\u00e3os. Dominava quase que por completo o correio, o tel\u00e9grafo e as ferrovias. Pretendeu instaurar a jornada de outo horas com car\u00e1ter obrigat\u00f3rio. Paralisando, mediante a greve, o Estado absolutista, introduzindo sua pr\u00f3pria ordem democr\u00e1tica na vida das classes trabalhadores da cidade.<\/p>\n<p><strong>II<\/strong><\/p>\n<p>Depois de 9 de janeiro de 1905, a revolu\u00e7\u00e3o demonstrou que predominava na cabe\u00e7a das massas obreiras. Em 14 de junho demonstrou, com a rebeli\u00e3o do encoura\u00e7ado \u201cPotemkin Tavrichesky\u201d<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao\/#sdfootnote2sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>2<\/sup><\/a>, que poderia se converter em uma for\u00e7a material. Com a greve de outubro, demonstrou que podia desorganizar, paralisar e colocar de joelho o inimigo. E fazendo surgir por todas as partes os conselhos oper\u00e1rios, mostrou que era capaz de criar uma forma de poder. Neste caso, um poder revolucion\u00e1rio n\u00e3o pode apoiar-se mais que sobre uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria ativa.<\/p>\n<p>O desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o russa colocou de manifesto que exceto o proletariado, nenhuma classe social esta disposta ou \u00e9 suscet\u00edvel de apoiar o poder revolucion\u00e1rio. O primeiro ato da revolu\u00e7\u00e3o foi a luta que op\u00f4s o proletariado a monarquia na rua. A primeira vit\u00f3ria importante da revolu\u00e7\u00e3o se conquistou mediante uma verdadeira ferramenta de classe do proletariado, a greve pol\u00edtica. E o primeiro organismo embrion\u00e1rio do poder revolucion\u00e1rio foi um \u00f3rg\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o do proletariado. Na hist\u00f3ria russa moderna, o conselho \u00e9 a primeira forma de poder democr\u00e1tico. O conselho representa o poder organizado da massa, sobre cada um de suas partes.<\/p>\n<p>Constitui a verdadeira democracia, sem espet\u00e1culos, sem duas c\u00e2maras, sem burocracia profissional, em que os eleitores possuem direito a reconvocar a seus representantes quando entenderem oportuno. O conselho dirige sem intermedi\u00e1rios, mediante seus membros, deputados obreiros eleitos, todas as manifesta\u00e7\u00f5es sociais do proletariado em seu conjunto e de seus diferentes setores, organizam suas a\u00e7\u00f5es de massa, lhe proporciona suas consignas e sua bandeira. Esta dire\u00e7\u00e3o organizada das massas aut\u00f4nomas foi vista pela primeira vez a luz em solo russo.<\/p>\n<p>O absolutismo dominava as massas, por\u00e9m n\u00e3o as dirigia. Criava de forma mec\u00e2nica um marco externo para a atividade das massas e obrigava passar por ela os elementos desbotados da na\u00e7\u00e3o. O ex\u00e9rcito era a \u00fanica massa que dirigia o absolutismo. Por\u00e9m, dirigir, n\u00e3o era sen\u00e3o outra coisa que mandar. Amontoados aos elementos que compunham o ex\u00e9rcito, o absolutismo anulava entre eles todo v\u00ednculo moral. O substitu\u00eda pela igualdade de condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e submetia sua vontade \u00e0 hipnose embrutecedora do quartel. Por\u00e9m agora, incluso a dire\u00e7\u00e3o desta massa atomizada e hipnotizada escapa cada vez mais da influencia do absolutismo.<\/p>\n<p>O liberalismo, por sua vez, carecia de suficiente for\u00e7a entre n\u00f3s para dar ordens \u00e0s massas e n\u00e3o tinha suficiente iniciativa para guia-las. Quando as massas faziam uma apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica, por mais que se refor\u00e7asse diretamente, reagiam como diante de um fen\u00f4meno natural cheio de perigos, como um terremoto ou uma erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica.<\/p>\n<p>O proletariado entrou no terreno da revolu\u00e7\u00e3o como uma massa aut\u00f4noma, com uma total independ\u00eancia pol\u00edtica frente ao liberalismo burgu\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cO conselho era a organiza\u00e7\u00e3o de classe dos oper\u00e1rios\u201d \u2013 e a\u00ed residia a fonte de sua pot\u00eancia na luta. Sucumbiu no primeiro per\u00edodo de sua exist\u00eancia, n\u00e3o podia ser de oura forma, n\u00e3o porque as massas urbanas o abandonaram, mas porque geralmente a revolu\u00e7\u00e3o nas cidades est\u00e1 reduzida a alguns limites. As raz\u00f5es de sua queda h\u00e1 que busca-las na passividade do campo e na inercia dos elementos campesinos do exercito. Sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre a popula\u00e7\u00e3o urbana foi t\u00e3o s\u00f3lida como se podia desejar.<\/p>\n<p>O censo de 1897 apontava uma popula\u00e7\u00e3o \u201cativa\u201d de cerca de 820.000 pessoas em S\u00e3o Petersburgo, sendo que 433.000 eram oper\u00e1rios e empregados dom\u00e9sticos. Ou seja, o proletariado constitu\u00eda 53% da cidade. Se tiv\u00e9ssemos inclu\u00eddo a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ativa a cifra, teria sido um pouco inferior (50,8%), j\u00e1 que a maioria de prolet\u00e1rios carecia de fam\u00edlia. Em todo caso o proletariado constitu\u00eda mais da metade da popula\u00e7\u00e3o petersburguesa.<\/p>\n<p>O conselho de deputados oper\u00e1rios n\u00e3o era o representante oficial de quase meio milh\u00e3o de pessoas que formavam a popula\u00e7\u00e3o da capital. Organizava cerca de 200.000, na maioria oper\u00e1rios que trabalhavam na ind\u00fastria, e apesar de sua influencia pol\u00edtica, direta e indireta, ser muito ampla, setores importantes do proletariado (oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o, dom\u00e9sticos, diaristas, caminhoneiros) poucos ficaram por completo fora de seu raio de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o cabe a menor d\u00favida de que o conselho expressava os interesses desta massa prolet\u00e1ria \u201cem seu conjunto\u201d. Se nas f\u00e1bricas existiam tamb\u00e9m elementos reacion\u00e1rios, todo mundo via como seu n\u00famero diminu\u00eda, n\u00e3o s\u00f3 dia ap\u00f3s dia, mas tamb\u00e9m de hora em hora. Entre as massas prolet\u00e1rias de S\u00e3o Petersburgo s\u00f3 podia existir partid\u00e1rios do dom\u00ednio pol\u00edtico do conselho, n\u00e3o inimigos. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o eram os criados privilegiados, os criados dos lacaios cobertos de condecora\u00e7\u00f5es da alta burocracia, os cocheiros dos ministros, os especuladores da Bolsa e das\u00a0<em>cocottes<\/em><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao\/#sdfootnote3sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>3<\/sup><\/a>, todos conservadores e monarquistas de profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre a intelectualidade, t\u00e3o numerosa em S\u00e3o Petersburgo, o conselho tinha mais amigos que inimigos. Milhares de estudantes reconheciam a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conselho e apoiavam suas iniciativas.<\/p>\n<p>A intelectualidade diplomada e assalariada estava completamente do seu lado, salvos os elementos que se haviam deixado levar irremediavelmente pela inercia. O apoio ativo que recebeu a greve do correios e tel\u00e9grafos tamb\u00e9m atraiu a aten\u00e7\u00e3o das camadas inferiores do funcionalismo para o conselho. Todos os explorados da cidade, as pessoas honestas, que conservavam alguma energia, se sentiam, instintivamente ou conscientemente, atra\u00eddos pelo conselho.<\/p>\n<p>Quem se oporia a ele? Os representantes do bandoleirismo capitalista, os especuladores da Bolsa que jogam com a alta dos pre\u00e7os, os patr\u00f5es, os negociantes e os exportadores para quem a greve representa percas, os provedores do submundo de colarinho branco, a banda de conselho municipal peterburgu\u00eas, essa m\u00e1fia de propriet\u00e1rios imobili\u00e1rios, a alta burocracia, os\u00a0<em>cocottes<\/em>\u00a0mantidos \u00e0 custa do Estado, os dignat\u00e1rios, personagens p\u00fablicos pagos generosamente, os partid\u00e1rios da \u201c<em>Novoye Vremya<\/em>\u201d<a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao\/#sdfootnote4sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>4<\/sup><\/a>, o departamento de pol\u00edcia, e, em geral, tudo que era voraz, grosseiro, dissipado e condenado a desaparecer.<\/p>\n<p>Entre o ex\u00e9rcito do conselho e seus inimigos existiam tamb\u00e9m elementos politicamente indiferentes, duvidosos ou inseguros. Os setores mais atrasados da pequena burguesia, que se mantinham a margem da pol\u00edtica, n\u00e3o tiveram tempo para observar suficientemente o conselho e interessar-se por ele. Todavia, pela natureza de seus pr\u00f3prios interesses, se encontravam mais pr\u00f3ximos ao conselho do que ao antigo poder.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos profissionais que existiam entre a intelectualidade, os jornalistas radicais que n\u00e3o sabem o que querem, os democratas ro\u00eddos pelo asceticismo, proferiam grunhidos condescendentes para o conselho, enumeravam seus erros e, em geral, deixavam entender que, em caso de que eles tivessem estado na cabe\u00e7a desta institui\u00e7\u00e3o, teriam conseguindo a felicidade eterna para o proletariado. Vamos pensar que a total impot\u00eancia destes senhores os desculpa.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o conselho era efetivamente o \u00f3rg\u00e3o da maioria significativa da popula\u00e7\u00e3o. Seus inimigos na capital n\u00e3o representavam perigo algum para seu poder pol\u00edtico se n\u00e3o tinham mais a prote\u00e7\u00e3o do absolutismo, ainda bem vivo, que por sua vez se apoiava nos elementos atrasados de um exercito composto de camponeses. \u201cA debilidade do conselho n\u00e3o era inerente a ele\u201d se n\u00e3o, \u201ca debilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o puramente urbana\u201d. Esses cinquenta dias representaram o per\u00edodo de maior vigor da revolu\u00e7\u00e3o e o conselho foi seu instrumento na luta pelo poder.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter de classe do conselho estava determinado pela rigorosa divis\u00e3o em classe da popula\u00e7\u00e3o urbana e a profunda antinomia pol\u00edtica entre o proletariado e a burguesia capitalista \u2013 inclusive no marco historicamente limitado da luta contra o absolutismo. Depois a pequena burguesia se revelou bastante insignificante como para poder jogar um papel aut\u00f4nomo. O proletariado foi o chefe incontest\u00e1vel da revolu\u00e7\u00e3o urbana e \u201csua\u201d organiza\u00e7\u00e3o de classe foi seu instrumento na luta pelo poder.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao\/#sdfootnote1anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1<\/a> Neste mesmo ano Leon Trotsky foi eleito presidente do Soviet de Petrogrado.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao\/#sdfootnote2anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2<\/a> Refer\u00eancia ao maior navio de guerra russo. H\u00e1 um importante filme de Sergei Eisenstein de 1925, \u201cO Encoura\u00e7ado Potemkin\u201d (legenda em Portugu\u00eas), dispon\u00edvel em:&lt;\u00a0<u><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3i9FkLOac9s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3i9FkLOac9s<\/a><\/u>&gt;. Acesso em 24 de junho de 2018.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao\/#sdfootnote3anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">3<\/a> Preferimos n\u00e3o traduzir esta palavra, provavelmente trata-se de um gal\u00edcio, presente na tradu\u00e7\u00e3o alem\u00e3, francesa e espanhola.\u00a0Pode ser entendida como prostituta; meretriz; pessoa de companhia, na l\u00f3gica cafetina; pessoa que se vende.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao\/#sdfootnote4anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">4<\/a> Do russo para o portugu\u00eas: Novo Tempo. Inicialmente um jornal liberal; no final do s\u00e9culo XIX chega a divulgar a publica\u00e7\u00e3o de \u201cO Capital\u201d de Marx, mas se alinha de forma subserviente aos donos do poder. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX at\u00e9 mesmos os liberais se afastam. Embora de grande circula\u00e7\u00e3o, no que tange aos bolcheviques, apenas lhes conquistava a cr\u00edtica mais profunda.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Jean Menezes<\/p>\n<p>Texto publicado originalmente em: https:\/\/teoriaerevolucao.pstu.org.br\/o-conselho-de-deputados-trabalhadores-operarios-e-a-revolucao\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o O texto de Trotsky que socializamos aos camaradas \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o que trata da import\u00e2ncia dos conselhos de trabalhadores e seu papel na organiza\u00e7\u00e3o da classe. 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