{"id":27814,"date":"2019-05-24T12:00:00","date_gmt":"2019-05-24T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=27814"},"modified":"2019-05-24T12:00:00","modified_gmt":"2019-05-24T14:00:00","slug":"ante-as-proximas-eleicoes-europeias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/05\/24\/ante-as-proximas-eleicoes-europeias\/","title":{"rendered":"Ante as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es europeias"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>A Uni\u00e3o Europeia (UE) \u00e9 uma m\u00e1quina de guerra contra a classe oper\u00e1ria e os povos da Europa<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Temos que romper com a UE e o euro para conseguir uma mudan\u00e7a social e construir uma Europa dos trabalhadores!<\/strong><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Este manifesto v\u00ea a luz em plena batalha dos <strong>coletes amarelos<\/strong> franceses, o movimento popular que enfrenta o regime de Macron e questiona as desigualdades sociais. Esse questionamento ocorre no momento em que os capitalistas franceses, presos a uma crise mais global do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, atacam por todos os meios \u00e0 classe oper\u00e1ria e os setores populares, a fim de restaurar sua taxa de lucro.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia, constru\u00edda pelos e para os capitalistas, \u00e9 um instrumento essencial para esse fim.<\/p>\n<p>A luta dos coletes amarelos op\u00f5e-se objetivamente \u00e0 UE e \u00e0s suas pol\u00edticas. E, al\u00e9m disso, se desenvolve na Fran\u00e7a, um dos pa\u00edses que mais pesa no funcionamento da EU, e na aplica\u00e7\u00e3o de brutais planos de austeridade em outros pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia, o exemplo mais brutal<\/strong><\/p>\n<p>Alguns meses atr\u00e1s a m\u00eddia anunciou com grande alarde que em 20 de agosto de 2018 a Gr\u00e9cia, finalmente, &#8220;sa\u00eda do resgate&#8221;. Mas eles estavam mentindo, porque a Gr\u00e9cia foi transformada em um pa\u00eds semicolonial, onde todas as decis\u00f5es importantes precisam da aprova\u00e7\u00e3o de Bruxelas e Berlim. Porque toda a sua economia est\u00e1 ao servi\u00e7o do pagamento de uma d\u00edvida impag\u00e1vel que equivale a 188% do seu PIB.<\/p>\n<p>A Gr\u00e9cia <strong>\u00e9 o exemplo mais n\u00edtido e brutal<\/strong> de at\u00e9 onde a UE est\u00e1 disposta a ir para salvar os grandes bancos europeus e dar uma li\u00e7\u00e3o a um povo rebelde. Depois de oito anos e tr\u00eas &#8220;resgates&#8221;, o pa\u00eds foi saqueado e devastado. Os direitos trabalhistas foram cortados de maneira selvagem. O PIB caiu em 30%, os sal\u00e1rios em 30% e as aposentadorias e pens\u00f5es em 50%, ap\u00f3s 14 cortes. O financiamento dos hospitais p\u00fablicos diminuiu mais da metade e o desemprego supera os 20%. Em uma popula\u00e7\u00e3o de 11 milh\u00f5es, mais de 500 mil jovens tiveram que deixar o pa\u00eds em busca de trabalho. Enquanto isso, Tsipras e Syriza, no governo, continuam implementando os planos de mis\u00e9ria da UE.<\/p>\n<p>Mas se a Gr\u00e9cia tem sido o caso mais violento de pol\u00edticas de ajuste, <strong>s\u00e3o os pa\u00edses da UE como um todo e especialmente aqueles da &#8220;periferia&#8221;<\/strong> que foram profundamente afetados.<\/p>\n<p><strong>A UE, uma m\u00e1quina de guerra contra os trabalhadores e os povos<\/strong><\/p>\n<p>A UE mostrou-se como uma <strong>m\u00e1quina de guerra social<\/strong>, sob a batuta do capitalismo imperialista alem\u00e3o em alian\u00e7a com o franc\u00eas. Eles t\u00eam armas poderosas, o <strong>euro e o Banco Central Europeu &#8211; BCE<\/strong>, instrumentos com os quais selam sua hierarquia em rela\u00e7\u00e3o a outros capitalismos europeus. Na aus\u00eancia de moeda nacional, os pa\u00edses menos competitivos devem ajustar seus sal\u00e1rios para evitar desequil\u00edbrios externos.<\/p>\n<p><strong>A UE e o euro n\u00e3o s\u00e3o organismos ou moedas &#8220;neutros&#8221;,<\/strong> que podem ser apropriadas pelos povos. S\u00e3o, ao contr\u00e1rio, instrumentos do capital com os quais a classe oper\u00e1ria deve acabar para deter a ofensiva capitalista e conseguir mudan\u00e7as reais em suas condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho.<\/p>\n<p>Quando a crise financeira eclodiu, h\u00e1 10 anos, as grandes pot\u00eancias europeias resgataram os seus bancos e evitaram o colapso recorrendo a enorme d\u00edvida p\u00fablica, saqueando a periferia e atacando os servi\u00e7os p\u00fablicos, os sal\u00e1rios e os direitos trabalhistas em seus pa\u00edses. As consequ\u00eancias s\u00e3o \u00f3bvias: cortes generalizados, privatiza\u00e7\u00f5es e demiss\u00f5es no setor p\u00fablico (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, etc), contrarreformas trabalhistas e da previd\u00eancia, generaliza\u00e7\u00e3o do trabalho prec\u00e1rio, cortes salariais e aumento insultante da desigualdade social.<\/p>\n<p>Enquanto a UE foi <strong>a grande protagonista dos piores planos de ajuste e contrarreformas trabalhistas<\/strong> desde a Segunda Guerra Mundial, seus defensores a apresentam como um baluarte &#8220;democr\u00e1tico&#8221; diante da ultradireita. No entanto, a pol\u00edtica da UE em rela\u00e7\u00e3o aos <strong>refugiados e migrantes<\/strong> \u00e9 t\u00e3o xen\u00f3foba e racista como a que agora aplicam Salvini e Kurz \u00e0 escala da It\u00e1lia e da \u00c1ustria. Uma pol\u00edtica baseada em centros de deten\u00e7\u00e3o, expuls\u00f5es e subcontrata\u00e7\u00e3o de trabalho sujo para ditaduras corruptas como a Turquia ou m\u00e1fias como na L\u00edbia.<\/p>\n<p>A UE apoiou tamb\u00e9m <strong>a escandalosa repress\u00e3o do Estado Espanhol contra o povo da Catalunha<\/strong> que deseja exercer o seu leg\u00edtimo direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. Esta repress\u00e3o foi exercida gra\u00e7as \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o herdada do franquismo do Estado Espanhol.<\/p>\n<p>De modo mais geral, a UE tem sido o instrumento das grandes pot\u00eancias imperialistas europeias para desenvolver a sua <strong>pol\u00edtica externa,<\/strong> com os acordos econ\u00f4micos para suas multinacionais, vendas de armas para regimes sanguin\u00e1rios e corruptos como a Ar\u00e1bia Saudita ou o Egito ou interven\u00e7\u00f5es militares colonialistas como as francesas na \u00c1frica ou aquelas realizadas no \u00e2mbito da OTAN em solidariedade com os EUA.<\/p>\n<p><strong>A UE est\u00e1 passando por uma crise profunda<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos ataques aos direitos e conquistas sociais, os capitalismos europeus <strong>n\u00e3o conseguiram sair da crise<\/strong>. A Europa est\u00e1 imersa, h\u00e1 10 anos, em uma longa depress\u00e3o econ\u00f4mica. Sua &#8220;recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica&#8221;, an\u00eamica e desigual, n\u00e3o tem sido sustentada por um ciclo de investimentos produtivos financiados pelos benef\u00edcios, mas pelo aumento da d\u00edvida. Agora, sem ainda ter se recuperado, uma nova recess\u00e3o surge no horizonte e explodir\u00e1 quando os lucros ca\u00edrem, em um cen\u00e1rio de bolhas especulativas e aumento das taxas de juros.<\/p>\n<p>Sobre este fundo econ\u00f4mico e social repousa <strong>a maior crise da UE desde a sua funda\u00e7\u00e3o<\/strong>. Os planos para fortalecer os poderes da UE sobre os estados foram deixados no congelador. A Alemanha \u00e9 incapaz de disciplinar os s\u00f3cios, enquanto a sua pr\u00f3pria estabilidade pol\u00edtica est\u00e1 em perigo. A Fran\u00e7a est\u00e1 agitada com a mobiliza\u00e7\u00e3o dos coletes amarelos, o que aumenta a instabilidade do regime Macron. A Gr\u00e3-Bretanha, profundamente desestabilizada, prepara-se para deixar a UE sem saber o que acontecer\u00e1 no futuro pr\u00f3ximo. O Estado Espanhol \u00e9 incapaz de resolver o problema catal\u00e3o.<\/p>\n<p>A onda generalizada de <strong>protestos na Hungria<\/strong> \u00e9 a mais importante desde que Orban chegou ao governo em 2008. \u00c9, em primeiro lugar, uma luta contra a &#8220;lei da escravid\u00e3o&#8221;, que autoriza os empres\u00e1rios exigir de seus trabalhadores at\u00e9 400 horas extras ( 1 dia a mais por semana), para pagar em tr\u00eas anos. Mas tamb\u00e9m \u00e9 uma luta contra um regime ultradireitista que sufoca as liberdades pol\u00edticas e sindicais. \u00c9, finalmente, a ponta de lan\u00e7a de um crescente descontentamento que cresce e desestabiliza toda a Europa do Leste, um territ\u00f3rio semicolonizado por multinacionais alem\u00e3s.<\/p>\n<p><strong>O crescimento da ultradireita institucional<\/strong><\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica e social atingiu em cheio a classe trabalhadora, mas tamb\u00e9m a amplas camadas da pequena burguesia, e at\u00e9 enfrentou setores m\u00e9dios da burguesia com o capital financeiro. Nesta situa\u00e7\u00e3o de crise social, a cumplicidade da burocracia sindical com os patr\u00f5es e governos, bem como o desempenho da esquerda oficial, provocaram derrotas \u00e0 classe trabalhadora, promovendo assim o direcionamento de parte dessas camadas em favor de &#8220;ultradireita institucional\u201d.<\/p>\n<p>Seu eixo central \u00e9 <strong>a xenofobia, a islamofobia e o racismo contra a imigra\u00e7\u00e3o, juntamente com um chauvinismo nacionalista<\/strong> que afronta a UE. Esta ultradireita \u00e9 porta voz das reivindica\u00e7\u00f5es de setores da burguesia m\u00e9dia do pa\u00eds, se apoia na radicaliza\u00e7\u00e3o da pequena burguesia e aproveita o agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida entre os setores mais pobres e mais atingidos da popula\u00e7\u00e3o para instigar seu enfrentamento com os trabalhadores imigrantes, que dizem que s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpela degrada\u00e7\u00e3o social, exonerando seus verdadeiros culpados, os bancos e os grandes capitalistas.<\/p>\n<p>S\u00e3o for\u00e7as reacion\u00e1rias que ocupam a ultradireita dos regimes existentes e s\u00e3o inimigos irreconcili\u00e1veis \u200b\u200bda classe trabalhadora. N\u00f3s n\u00e3o podemos, no entanto, identific\u00e1-los com as for\u00e7as nazifascistas no estilo da Aurora Dourada na Gr\u00e9cia, embora estes aproveitem a oportunidade para aparecer.<\/p>\n<p>\u00c9 importante notar <strong>o car\u00e1ter principalmente ret\u00f3rico de seu confronto com a UE<\/strong>. Marine Le Pen, no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de maio de 2017, anunciou que a Fran\u00e7a n\u00e3o deveria deixar a UE, mas renegociar os acordos com a Alemanha e que seu programa econ\u00f4mico tinha deixado de ser &#8220;incompat\u00edvel&#8221; com o euro. O italiano Salvini (e Di Maio, do Movimento de Grillo) tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o dispostos a colocar em risco a perman\u00eancia da It\u00e1lia na UE e no euro. E o mesmo pode ser dito de toda a ultradireita dos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A revolta h\u00fangara contra Orb\u00e1n e seu regime demonstra os limites para a extrema direita em seu ascenso, e \u00e9 o melhor exemplo de rejei\u00e7\u00e3o em massa que provoca uma vez que chega ao governo e aplica suas pol\u00edticas reacion\u00e1rias a servi\u00e7o do capital<\/p>\n<p><strong>O novo reformismo<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo destes anos, a acelerada decad\u00eancia dos partidos social liberais europeus deu lugar ao surgimento de um novo reformismo, que se declara a favor da &#8220;refunda\u00e7\u00e3o da UE&#8221;. <strong>Seu modelo foi, durante todo um per\u00edodo, Syriza<\/strong>. Nas elei\u00e7\u00f5es europeias anteriores, Tsipras era o her\u00f3i e a refer\u00eancia de Podemos, M\u00e9lenchon, o Bloco de Esquerda portugu\u00eas, Rifondazione Comunista ou o alem\u00e3o Die Linke. O problema \u00e9 que Tsipras, dois anos depois, para permanecer no euro e na UE, se tornou o novo sic\u00e1rio da Troika na Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>No entanto, embora Tsipras tenha tra\u00eddo de forma covarde seu povo em um referendo de julho de 2015, Pablo Iglesias (Podemos) n\u00e3o hesitou em declarar que ele teria feito o mesmo: &#8220;\u00c9 tristemente a \u00fanica coisa que podia fazer&#8221; (16.07.15). Agora, <strong>os velhos amigos de Tsipras n\u00e3o se fotografam com ele porque ele n\u00e3o \u00e9 mais uma chama eleitoral. No entanto, eles continuam mantendo a mesma estrat\u00e9gia<\/strong> de 2013.<\/p>\n<p>Em 12 de abril de 2018, Iglesias (Podemos), Catarina Martins (Bloco) e M\u00e9lenchon (La France Insoumise) anunciaram em Lisboa uma campanha comum nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es europeias e assinaram um manifesto conjunto, &#8220;Agora o Povo&#8221;. Este manifesto, que poderia ser assinado por qualquer socialdemocrata, n\u00e3o menciona nem uma vez as palavras classe oper\u00e1ria, burguesia, imperialismo ou socialismo. Para seus signat\u00e1rios n\u00e3o h\u00e1 classes sociais, apenas &#8220;elites e povo&#8221;. Seu objetivo \u00e9 limitado \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do estado de bem-estar e para a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas keynesianas, que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 incompat\u00edvel com o quadro de austeridade da UE e do euro, mas tamb\u00e9m representa uma via morta para resolver a crise do capitalismo. Os novos reformistas querem refundar a UE e excluem a sa\u00edda do euro. Eles falam em modificar os tratados da UE e at\u00e9 mesmo uma poss\u00edvel desobedi\u00eancia os mais &#8220;radicais&#8221; entre eles (Francia Insumisa, que abandonou seu plano B de sa\u00edda da UE). Mas n\u00e3o h\u00e1 desobedi\u00eancia poss\u00edvel dentro da UE. Por exemplo, ou submetem-se ao BCE ou recuperam a soberania monet\u00e1ria e emitem a sua pr\u00f3pria moeda. No caso de Podemos e do Bloco Portugu\u00eas, esta pol\u00edtica se encaixa perfeitamente com o seu principal objetivo: <strong>integrar um governo burgu\u00eas de coaliz\u00e3o com S\u00e1nchez (PSOE) e Costa (PS),<\/strong> no \u00e2mbito da UE e do euro.<\/p>\n<p>Agindo desta forma, estes partidos neorreformistas <strong>entregam a bandeira da luta contra a UE para a ultradireita<\/strong>, ajudando-os a capitalizar o leg\u00edtimo rep\u00fadio popular \u00e0 Europa do capital.<\/p>\n<p>Por isso n\u00e3o estamos de acordo com as for\u00e7as de extrema esquerda que se op\u00f5em a ruptura com a UE e o euro dizendo que esta seria uma sa\u00edda &#8220;nacionalista&#8221; que &#8220;faz o jogo da ultradireita&#8221;. Este argumento falso funde a justa rejei\u00e7\u00e3o popular \u00e0 UE com o chauvinismo e xenofobia da ultradireita, grosseiramente deturpando a realidade e dando cobertura de esquerda aos neorreformistas defensores da UE e do euro.<\/p>\n<p><strong>Um programa para uma mudan\u00e7a social real<\/strong><\/p>\n<p>Um programa de mudan\u00e7a real deve conter as seguintes medidas:<\/p>\n<p>&#8211; A recupera\u00e7\u00e3o e melhoria substancial dos servi\u00e7os p\u00fablicos para que sejam gratuitos, p\u00fablicos e de qualidade, anulando as privatiza\u00e7\u00f5es por meio de sua expropria\u00e7\u00e3o sem indeniza\u00e7\u00e3o; a anula\u00e7\u00e3o de contrarreformas trabalhistas e previdenci\u00e1rias e o fim da do emprego prec\u00e1rio; garantir um emprego decente e um sal\u00e1rio decente para cada um, o que exige a expropria\u00e7\u00e3o do capital e o controle dos meios de produ\u00e7\u00e3o pelos trabalhadores associados.<\/p>\n<p>&#8211; Assegurar o direito ao aborto gratuito, a igualdade das mulheres e os direitos da juventude trabalhadora; acabar com o racismo e a xenofobia institucional; garantir a liberdade de circula\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o para os trabalhadores migrantes.<\/p>\n<p>&#8211; Acabar com a deriva autorit\u00e1ria e repressiva dos Estados e assegurar o pleno exerc\u00edcio dos direitos e liberdades democr\u00e1ticas. Dissolver as for\u00e7as especiais de repress\u00e3o e promover a autodefesa popular e oper\u00e1ria diante do Estado e as agress\u00f5es fascistas e racistas. Garantir o exerc\u00edcio do direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o nacional da Catalunha e das na\u00e7\u00f5es sem Estado.<\/p>\n<p>&#8211; Deter a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente e enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas por meio de uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica cuja primeira condi\u00e7\u00e3o de sucesso \u00e9 a socializa\u00e7\u00e3o das empresas energ\u00e9ticas e o controle popular e oper\u00e1rio dessa transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Sair da OTAN, desmantelar as bases norte-americanas na Europa e as bases europeias no exterior. Acabar com as interven\u00e7\u00f5es colonialistas e retirar as tropas europeias do estrangeiro. Deixar sem efeito os tratados colonialistas, como o sistema do franco CFA na \u00c1frica, criado para o benef\u00edcio do capitalismo franc\u00eas. Deter a venda de armas. Permitir o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o de todos os povos oprimidos.<\/p>\n<p><strong>Um programa incompat\u00edvel com a UE e o euro<\/strong><\/p>\n<p>Um programa com essas caracter\u00edsticas \u00e9 imposs\u00edvel de aplicar sem anular a <strong>d\u00edvida p\u00fablica, expropriar os bancos e grandes empresas, socializar o investimento e estabelecer o controle dos trabalhadores sobre a produ\u00e7\u00e3o.<\/strong> Estas medidas s\u00f3 podem ser realizadas com base numa mobiliza\u00e7\u00e3o geral e sustentada das massas e s\u00e3o totalmente <strong>incompat\u00edveis com a ades\u00e3o \u00e0 UE e ao euro<\/strong>. A sua implementa\u00e7\u00e3o exigir\u00e1 que o poder passe para as m\u00e3os de <strong>Governos dos Trabalhadores<\/strong>, oriundos de novas institui\u00e7\u00f5es, apoiados em uma rede de assembleias e comit\u00e9s populares organizados nos locais de trabalho e de moradia do povo, com base em delegados revog\u00e1veis \u200b\u200bem todos os momentos.<\/p>\n<p>O desempenho selvagem da UE na Gr\u00e9cia mostra que a ruptura revolucion\u00e1ria de um pa\u00eds com a UE vai enfrentar com toda a certeza, desde o in\u00edcio, a sabotagem mais brutal. Portanto, ser\u00e1 necess\u00e1rio adotar <strong>medidas b\u00e1sicas de autodefesa<\/strong>, como o fechamento dos mercados financeiros, a convers\u00e3o dos ativos e passivos financeiros em uma nova moeda n\u00e3o convers\u00edvel ou o monop\u00f3lio estatal do com\u00e9rcio exterior. S\u00f3 assim a economia poder\u00e1 se reorganizar contra a sabotagem externa, enquanto a solidariedade internacional se articula e novas vit\u00f3rias incorporam novos pa\u00edses \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma <strong>Europa dos trabalhadores e dos povos<\/strong>, dos <strong>Estados Unidos Socialistas da Europa<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o na escala de um pa\u00eds. Ou o processo revolucion\u00e1rio se estende a outros pa\u00edses ou estar\u00e1 fadado \u00e0 derrota.<\/p>\n<p>Alguns v\u00e3o criticar que este programa n\u00e3o \u00e9 &#8220;realista&#8221;. Em certo sentido, est\u00e3o certos, porque n\u00e3o pode ser aplicado por procedimentos &#8220;parlamentares&#8221; nem pelo &#8220;di\u00e1logo social&#8221; dos burocratas sindicais. \u00c9 um programa para realmente mudar a vida da classe trabalhadora, o que significa que exigir\u00e1 grandes mobiliza\u00e7\u00f5es e duros enfrentamentos de classe.<\/p>\n<p><strong>Organizar a luta comum<\/strong><\/p>\n<p>Lutar por esse programa \u00e9 lutar para <strong>agrupar o sindicalismo combativo contra a burocracia e reconstruir o movimento sindical em novas bases; impulsionar a mobiliza\u00e7\u00e3o baseada na democracia oper\u00e1ria e na unifica\u00e7\u00e3o das lutas; organizar a solidariedade internacionalista com as lutas e dar respostas conjuntas<\/strong> em n\u00edvel europeu; fortalecer a Rede Sindical Internacional.<\/p>\n<p>Lutar por esse programa \u00e9, na Fran\u00e7a, lutar pela unifica\u00e7\u00e3o entre os coletes amarelos, os oper\u00e1rios das f\u00e1bricas e outros setores sindicalizados e a juventude estudantil para organizar uma greve geral que derrube Macron e abra caminho para as reivindica\u00e7\u00f5es. E fora da Fran\u00e7a, refor\u00e7ar a solidariedade com os coletes amarelos.<\/p>\n<p>Lutar por esse programa \u00e9 lutar para construir e organizar uma <strong>for\u00e7a revolucion\u00e1ria que o defenda internacionalmente e em cada pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<p>Maio de 2019<\/p>\n<p><strong>Assinam\u00a0<\/strong>:<\/p>\n<p>Sophie (Bir\u00f4 do Secretariado Jovem do NPA Jovem) Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Thomas\u00a0(Bir\u00f4 do Secretariado Jovem do NPA Jovem) Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Philippe (Comit\u00ea Executivo e Conselho de Pol\u00edtica Nacional do NPA, Tend\u00eancia Claire) Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Gaston (Conselho de Pol\u00edtica Nacional do NPA, Tend\u00eancia Claire) Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Marie (Conselho de Pol\u00edtica Nacional do NPA, Tend\u00eancia Claire) Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Serge (Conselho de Pol\u00edtica Nacional do NPA, Tend\u00eancia Claire) Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Georg H. (ISO) Alemanha<\/p>\n<p>Laura Requena (Corriente Roja-LITqi) Estado Espanhol<\/p>\n<p>David P\u00e9rez (Corriente Roja-LITqi)\u00a0 Estado Espanhol<\/p>\n<p>Francesco Ricci (PdAC-LITqi) It\u00e1lia<\/p>\n<p>Fabiana Stafanoni (PdAC-LITqi) It\u00e1lia<\/p>\n<p>Carlos Ordaz (Em Luta-LITqi) Portugal<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Uni\u00e3o Europeia (UE) \u00e9 uma m\u00e1quina de guerra contra a classe oper\u00e1ria e os povos da Europa Temos que romper com a UE e o euro para conseguir uma mudan\u00e7a social e construir uma Europa dos trabalhadores!<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":27817,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3610,3677],"tags":[3609,7500,3611],"class_list":["post-27814","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-declaracao-lit-qi","category-europa-mundo","tag-declaracao-lit-qi","tag-eleicoes-ue","tag-lit-qi"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/000_1B95HZ-640x400-1.jpg","categories_names":["Declara\u00e7\u00f5es","Europa"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27814","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27814"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27814\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}