{"id":27756,"date":"2019-05-07T15:36:55","date_gmt":"2019-05-07T17:36:55","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=27756"},"modified":"2019-05-07T15:36:55","modified_gmt":"2019-05-07T17:36:55","slug":"no-novo-massacre-a-gaza-a-primeira-vitima-e-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/05\/07\/no-novo-massacre-a-gaza-a-primeira-vitima-e-a-verdade\/","title":{"rendered":"No novo massacre \u00e0 Gaza, a primeira v\u00edtima \u00e9 a verdade"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>N\u00e3o h\u00e1 dois lados em um campo de batalha, mas um colonizador e um povo subjugado<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Pelo menos 27 palestinos mortos, incluindo tr\u00eas mulheres \u2013 uma gr\u00e1vida \u2013 e dois beb\u00eas, 130 feridos, um centro cultural e uma biblioteca com diversos documentos hist\u00f3ricos destru\u00eddos, al\u00e9m de v\u00e1rias casas, edif\u00edcios residenciais e \u00e1reas agr\u00edcolas.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Soraya Misleh<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o saldo deste \u00faltimo fim de semana na pior ofensiva israelense \u00e0 faixa de Gaza desde 2014.\u00a0Naquele ano, foram aproximadamente 2.200 palestinos assassinados em 51 dias de ataques, entre os quais 530 crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Assim como os anteriores, o novo massacre tem ainda outra v\u00edtima: a verdade. O Estado de Israel utilizou o desgastado argumento de \u201cdefesa\u201d ou \u201cresposta\u201d. A m\u00eddia hegem\u00f4nica brasileira, apoiada em ag\u00eancias internacionais igualmente a servi\u00e7o de interesses dominantes, n\u00e3o tardou a repetir essa ladainha como fato. Apresenta a ofensiva como \u201cconflito\u201d, \u201cconfronto\u201d, \u201cguerra\u201d, o que n\u00e3o sobrevive a uma m\u00ednima an\u00e1lise s\u00e9ria:<\/p>\n<p><strong><em>N\u00e3o h\u00e1 dois lados em um campo de batalha, mas um colonizador e um povo subjugado; a quarta pot\u00eancia b\u00e9lica do mundo \u2013 Israel \u2013 ante uma resist\u00eancia sob os meios poss\u00edveis.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Deixa de fora a contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica necess\u00e1ria para a compreens\u00e3o dos acontecimentos na atualidade. Ignora, assim, que este \u00e9 mais um cap\u00edtulo da limpeza \u00e9tnica na Palestina, a qual j\u00e1 dura mais de 70 anos, desde a Nakba \u2013 a cat\u00e1strofe com a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 15 de maio de 1948, que culminou na expuls\u00e3o de 2\/3 da popula\u00e7\u00e3o palestina de suas terras e fragmenta\u00e7\u00e3o dessa sociedade. Uma das maiores injusti\u00e7as da era contempor\u00e2nea, ainda em curso.<\/p>\n<p>Omite que Gaza \u00e9 territ\u00f3rio ocupado \u2013 e que a resist\u00eancia \u00e9 leg\u00edtima nessa situa\u00e7\u00e3o, inclusive \u00e0 luz do Direito Internacional. Que relat\u00f3rios internacionais indicam que a estreita faixa se tornar\u00e1 inabit\u00e1vel em 2020 diante de 12 anos de cerco israelense desumano. Que crian\u00e7as de dez, 12 anos j\u00e1 vivenciaram pelo menos tr\u00eas bombardeios sionistas massivos \u2013 em 2008-2009, 2012, 2014, afora os ataques a\u00e9reos peri\u00f3dicos, a \u201cconta-gotas\u201d.<\/p>\n<p>Que as casas e a infraestrutura destru\u00eddas nos \u00faltimos anos \u2013 incluindo hospitais e escolas \u2013 n\u00e3o puderam ser reconstru\u00eddas at\u00e9 hoje, porque Israel n\u00e3o permite que entre sequer material de constru\u00e7\u00e3o. Que a popula\u00e7\u00e3o de 2 milh\u00f5es de habitantes em Gaza tem apenas poucas horas de eletricidade por dia. Que 80%, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), depende de ajuda humanit\u00e1ria para sobreviver \u2013 e que at\u00e9 essa est\u00e1 sujeita \u00e0 permiss\u00e3o israelense para entrada em Gaza. Que 50% dos palestinos, diante desse quadro, est\u00e3o desempregados.<\/p>\n<p>Algumas not\u00edcias travestem-se de \u201cimparcialidade\u201d, uma fal\u00e1cia. O que ficou ausente \u2013 e pode ser encontrado facilmente em diversas m\u00eddias \u00e1rabes \u2013 \u00e9 que Israel matou quatro palestinos e feriu dezenas na \u00faltima sexta-feira, dia 3 de maio, durante mais uma semana de protestos em Gaza contra o cerco desumano e pelo retorno dos refugiados \u00e0s terras de onde foram expulsos. Em mais de um ano de manifesta\u00e7\u00f5es semanais pela Grande Marcha do Retorno, s\u00e3o quase 300 v\u00edtimas fatais palestinas e 30 mil feridos, incluindo jovens e mulheres. Crimes contra a humanidade que o Governo Bolsonaro se recusou a condenar na ONU.<\/p>\n<p>S\u00f3 esses n\u00fameros j\u00e1 desmontam a farsa de que as organiza\u00e7\u00f5es palestinas deram in\u00edcio \u00e0 \u201cescalada de viol\u00eancia\u201d, que teria deixado quatro israelenses mortos, segundo as fontes sionistas. A\u00a0<em>fake news<\/em>\u00a0ganha como aliada a fam\u00edlia do capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito reformado al\u00e7ado a Presidente da Rep\u00fablica. Em seu twitter, Jair Bolsonaro replicou v\u00eddeo com a legenda de \u201c150 foguetes\u201d contra \u201ccivis judeus\u201d. Nenhuma palavra sequer quanto \u00e0s centenas de bombas jogadas sobre as cabe\u00e7as dos palestinos em Gaza. Sil\u00eancio sobre a eterna puni\u00e7\u00e3o coletiva a que est\u00e1 submetida a popula\u00e7\u00e3o sob ocupa\u00e7\u00e3o. O filho, Eduardo, cancelou encontro com os embaixadores palestino e iraniano e divulgou v\u00eddeo deprimente, apoiando a ofensiva israelense e denominando a resist\u00eancia como \u201catos terroristas\u201d \u2013 uma invers\u00e3o e seguidismo a Trump, que manifestou \u201c100% de apoio\u201d a Israel.<\/p>\n<p><strong><em>Guga Chacra, em seu blog no\u00a0O Globo, tamb\u00e9m fez a sua parte na distor\u00e7\u00e3o da verdade: chamou o partido pol\u00edtico Hamas de terrorista e chegou a justificar o cerco desumano a Gaza.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Bloqueio que se iniciou em 2007, ap\u00f3s o Hamas ter vencido as elei\u00e7\u00f5es democraticamente na faixa de Gaza. Israel e Estados Unidos n\u00e3o aceitaram o resultado e transformaram, ent\u00e3o, a estreita faixa em uma pris\u00e3o a c\u00e9u aberto. O pretexto ideal para as ofensivas que se seguiram.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Acordo do s\u00e9culo&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>A fam\u00edlia Bolsonaro ignora, e grande parte da m\u00eddia omite, que o massacre deste final de semana serve a um prop\u00f3sito muito bem definido: assegurar a consolida\u00e7\u00e3o do \u201cacordo do s\u00e9culo\u201d proposto por Trump. Ele pr\u00f3prio divulgou que pretende anunci\u00e1-lo em 15 de maio, data em que os palestinos lembram os 71 anos da Nakba.<\/p>\n<p>\u00c9 sintom\u00e1tico nessa dire\u00e7\u00e3o que a Ar\u00e1bia Saudita \u2013 principal aliada dos EUA nessa pretens\u00e3o \u2013 tenha oferecido, segundo divulgou o\u00a0<em>Monitor do Oriente<\/em>, US$ 10 bilh\u00f5es por dez anos ao presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, para aceitar o \u201cacordo do s\u00e9culo\u201d. Abbas est\u00e1 consciente, como aponta a reportagem, de que isso encerraria sua vida pol\u00edtica e seria o fim da AP, j\u00e1 desacreditada entre muitos palestinos sobretudo por sua coopera\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a com Israel desde os malfadados acordos de Oslo em 1993 assinados entre a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) e Israel, sob intermedia\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos. Acordos que n\u00e3o garantiram um dia de paz aos palestinos. Pelo contr\u00e1rio, propiciaram brutal expans\u00e3o colonial sionista.<\/p>\n<p>Abbas, conforme o\u00a0<em>Middle East Eye<\/em>, teria se proposto h\u00e1 um ano a conceder 6,5% a mais do territ\u00f3rio palestino ocupado em 1967 na j\u00e1 falida solu\u00e7\u00e3o de dois estados. Perdida essa batalha, teria afirmado que \u201ca situa\u00e7\u00e3o no terreno o deixa incapaz de fazer concess\u00f5es nos assentamentos ilegais, na solu\u00e7\u00e3o dos dois estados e em Jerusal\u00e9m\u201d. Tamb\u00e9m sintom\u00e1tico o an\u00fancio, segundo noticiou ainda o\u00a0<em>Monitor do Oriente<\/em>, de que uma delega\u00e7\u00e3o israelense visitar\u00e1 a Ar\u00e1bia Saudita em 2020 pela primeira vez.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 o acordo do s\u00e9culo? Conforme o\u00a0<em>Middle East Eye<\/em>, \u201csegundo as autoridades palestinas, \u00e9 prov\u00e1vel que sejam oferecidas fronteiras provis\u00f3rias sobre fragmentos de terra que compreendem cerca de metade dos territ\u00f3rios ocupados [em 1967] \u2013 ou apenas 11% do que foi reconhecido como Palestina sob o mandato brit\u00e2nico\u201d. Ainda conforme a reportagem, \u201cas \u00e1reas palestinas seriam desmilitarizadas e Israel teria controle sobre as fronteiras e o espa\u00e7o a\u00e9reo\u201d \u2013 o que j\u00e1 ocorre. Israel e os palestinos seriam ent\u00e3o, de acordo com a mesma fonte, deixados para \u201cnegociar\u201d \u201co status dos assentamentos ilegais de Israel na Cisjord\u00e2nia e em Jerusal\u00e9m Oriental, com Trump provavelmente apoiando Netanyahu ao m\u00e1ximo\u201d.<\/p>\n<p>Para Gaza, o que est\u00e1 sendo preparado \u00e9 transferir a responsabilidade pelo enclave ao Egito \u2013 retornando a uma situa\u00e7\u00e3o que perdurou at\u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o militar sionista de 1967. Seria constitu\u00edda uma zona industrial com participa\u00e7\u00e3o de capital israelense no Sinai. O bloqueio seria aliviado pelo pa\u00eds \u00e1rabe para que os palestinos trabalhassem e mesmo residissem ali. Com isso, Gaza seria colocada \u00e0 margem de qualquer projeto de liberta\u00e7\u00e3o da Palestina.<\/p>\n<p>O reconhecimento de Trump de Jerusal\u00e9m como capital israelense seria ainda parte desse plano. Tanto a Ar\u00e1bia Saudita como EUA prop\u00f5em Abu Dis, a quatro quil\u00f4metros de Jerusal\u00e9m, como capital do inexistente Estado palestino. Reconhecimento de assentamentos no entorno na cidade sagrada, anexa\u00e7\u00e3o de terras palestinas e expuls\u00e3o cont\u00ednua dessa popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o em curso por Netanyahu e antecipam o \u201cacordo do s\u00e9culo\u201d. A anexa\u00e7\u00e3o de toda a Cisjord\u00e2nia, plataforma de campanha no pleito israelense que garantiu a reelei\u00e7\u00e3o do primeiro-ministro, integra igualmente esse plano. Direito de retorno e status de Jerusal\u00e9m, que nunca foram colocados \u00e0 mesa, continuam fora.<\/p>\n<p><strong><em>Para analistas, o \u201cacordo do s\u00e9culo\u201d seria a busca por encerrar de vez a causa palestina. Trump e Netanyahu negociam com os regimes \u00e1rabes e tentam convencer lideran\u00e7as palestinas a aceitarem o acordo. Contudo, consideram que, no prov\u00e1vel caso de rejei\u00e7\u00e3o, poderiam culp\u00e1-los por n\u00e3o haver paz \u2013 um filme j\u00e1 visto pelo mundo.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Como diversos estudiosos apontam, entre eles o historiador israelense Ilan Pappe, a solu\u00e7\u00e3o de dois estados est\u00e1 morta. \u00c9 mister parar de falar em algo que n\u00e3o passa de \u201cpaz dos cemit\u00e9rios\u201d e exigir justi\u00e7a de fato.<\/p>\n<p>\u00c0 comunidade internacional, diante da gravidade do quadro, o chamado dos palestinos \u00e9 por ades\u00e3o \u00e0 campanha central de solidariedade: BDS (boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es) a Israel, aos moldes da iniciativa que ajudou a p\u00f4r fim ao regime institucionalizado de apartheid na \u00c1frica do Sul nos anos 1990. Parte dessa a\u00e7\u00e3o, sobretudo a reivindica\u00e7\u00e3o de embargo militar a Israel, une as lutas dos oprimidos e explorados no Brasil e no mundo. Isso porque as tecnologias militares testadas sobre as cobaias humanas que Israel converte os palestinos, como se viu neste novo massacre em Gaza, s\u00e3o depois apresentadas ao mundo \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 c\u00famplice: tornou-se um dos cinco maiores importadores de tecnologia militar israelense nos \u00faltimos anos e promete intensificar essa parceria, agora expl\u00edcita. A ocupa\u00e7\u00e3o se sustenta com a venda de armas israelenses que servem ao genoc\u00eddio de pobres, ind\u00edgenas e negros nas periferias. \u00c0 proximidade do 15 de maio, em contraponto ao \u201cacordo do s\u00e9culo\u201d, \u00e9 urgente abra\u00e7ar essa causa da humanidade.<\/p>\n<p>Artigo publicado originalmente em: https:\/\/www.cartacapital.com.br\/blogs\/3a-turma\/no-novo-massacre-a-gaza-a-primeira-vitima-e-a-verdade\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 dois lados em um campo de batalha, mas um colonizador e um povo subjugado Pelo menos 27 palestinos mortos, incluindo tr\u00eas mulheres \u2013 uma gr\u00e1vida \u2013 e dois beb\u00eas, 130 feridos, um centro cultural e uma biblioteca com diversos documentos hist\u00f3ricos destru\u00eddos, al\u00e9m de v\u00e1rias casas, edif\u00edcios residenciais e \u00e1reas agr\u00edcolas.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":27757,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[203,228],"tags":[4904,4055,470,7447,7448,929,260],"class_list":["post-27756","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-israel","category-palestina","tag-acordo-do-seculo","tag-benjamin-netanyahu","tag-bolsonaro","tag-faixa-de-gaza","tag-massacregaza","tag-nakba","tag-soraya-misleh"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/417475-970x600-1.jpeg","categories_names":["Israel","Palestina"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27756"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27756\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}